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MUSEUS DO SÉCULO XXI
Tipologia: Notas de estudo
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A arquitectura de museus: um tema fundamental da arquitectura contemporânea Werner Oechslin
aprendizagem” foi o título escolhido por um jornal de Zurique para se referir à inauguração da nova biblioteca de direito projectada por Calatrava, em 2004. Outros optam por um discurso mais “objecti- vo” em torno da importância dos edifícios públicos que captam a atenção. Porém, as opiniões variam. Para alguns, é dada demasiada atenção à “arquitectura espectacular”, em comparação com o que acontece com projectos urbanísticos. Outros, como o Centro de Arquitectura de Hamburgo, são-lhe claramente favoráveis defen- dendo que “os grandes edifícios provocam grandes ondas” e “projec- tos culturais como força motriz para o desenvolvimento urbano”. Comum às duas visões é o velho panem et circenses. Os edifícios de- vem ser pontos de atracção para o público, abrindo caminho e expri- mindo o urbanismo moderno. Quando a Chile Haus de Höger abriu as portas em Hamburgo, em 1924, a lista de grandes monumentos (as Pirâmides, o Farol de Alexandria, o Mausoléu de Halicarnasso, etc.) já tinha sido ampliada para passar a incluir a Torre Eiffel e os Silos de Trigo da América do Norte referidos por Le Corbusier. Vista a partir desta perspectiva, a história das maravilhas arquitec- tónicas do mundo continua suave e ininterrupta. Os museus têm, sem dúvida, um papel de destaque nesta lista. Pode discutir-se se há mais pessoas a visitar os estádios de futebol ou os museus – mas existirá de facto essa maré de pessoas e uma sede insaciável de arte? Instala-se a suspeita de que o fenómeno dos museus enquanto edifícios de arte se reduz à sua – espectacular – concha arquitectónica que, de acordo com uma moda recente, é tratada como arte, como uma escultura. Teremos regressado à psi- cofísica, que Ozenfant e Jeanneret usaram como ponto de partida, sob o título Sur la Plastique , em que as estruturas arquitectónicas actuam sobre a alma humana com uma precisão mecânica? E onde fica a arte?
sublinhar o facto de que os museus – tanto o edifício como o res- pectivo conteúdo – têm de se modificar e evoluir por essa mesma razão. Se hoje consideramos que os museus mostram o estado de desenvolvimento da arquitectura com maior clareza do que outros edifícios, teremos de tomar em consideração esse aspecto de “ins- trumento de medida do nível cultural”. Não podemos ignorar que, actualmente, a estrutura física do museu serve com frequência essa função melhor do que o seu conteúdo, o que lisonjeia a arquitec- tura. Independentemente de como os resultados são avaliados, é claro que os museus enquanto encomendas arquitectónicas conti- nuarão a ter um papel importante como leitmotivs culturais.
é um Schaulager (armazém de arte)? Quando Herzog & de Meuron apresentaram esta nova variação de arquitectura “instrumento do nível cultural” em Maio de 2003, os dois jornais diários de Zurique deram os seguintes títulos aos respectivos artigos: “A forma luxuo- sa de arquivar arte” ( Tagesanzeiger ) 4 e “Ginásio substitui café” ( Neue Zürcher Zeitung ).^5 Este facto documenta apenas a dinâmica da ar- quitectura de museus, mantida e estimulada pela arte e pelos ar- tistas, quando estes exigem “lugar para espaços” e agitam palavras como open space e off space , ou, tal como recentemente fez Nedko Solakov na Kunsthaus de Zurique, enchem o museu simplesmente de “restos” de exposições realizadas em galerias tratando-o como um “depósito museológico de sobras.” 6 O excesso de produção ar- tística e a manifesta paixão pelo coleccionismo são as razões fun- damentais pelas quais os museus existentes estão tão cheios que não chegam para guardar todas as obras o que leva á criação de no- vos museus. Mas há muito que deixámos de ficar satisfeitos com a disposição tradicional das obras de arte. No Frankfurter Allgemeine Zeitung , um crítico recusou-se a aceitar o conceito (dinâmico) de um “sistema de circulação de curiosidade visual”, exigindo em vez disso um novo “corpo ressonante de experiência estética”.^7 Deste modo, agrada-nos olhar para cada museu como um todo. Tentamos incorporar a experiência da arte na “catedral” ou, pelo contrário, colar a impressionante catedral à emoção. Por que razão não se alteraria a percepção da arte em consequência das formas do museu e vice-versa? Quando o museu J. Paul Getty começou a disponibilizar aos visitantes não só os já familiares guias áudio, mas também dispositivos que mostram imagens da pintura em questão (com o objectivo de assegurar que os utilizadores identifi- cam a obra descrita), houve uma chuva de protestos. E com razão! Ou nem por isso! Há muito que se aceitou a importância do efeito
de reconhecimento na percepção e apreciação. O déja vu é a força motriz e o ingrediente activo da educação! No fundo, esperamos que o original, e apenas o original, tenha um papel a desempenhar e cative o observador. Não fora assim e os museus estariam vazios. Mas a corrida aos museus prova que as obras de artenão têm con- correntes, porque as pessoas não gostam de ser enganadas naquilo que vêem e apreendem. As pessoas procuram a verdade na arte. E, no fundo, o que sabemos nós sobre qual seja o tipo de experiência que o visitante individual leva para casa a partir de um meio que utiliza o dispositivo imagem + texto? Perante a contínua prolifera- ção de museus, podemos pelo menos dizer que existem boas proba- bilidades de continuar a existir arte. Podemos até ter a presunção de declarar que a arte finalmente chegou às massas. De qualquer modo, a arte continua no centro de tudo isto. Se observarmos mais de perto, reparamos que muito do que é consi- derado fundamental na construção de museus diz respeito a uma
Gehry Partners, LLP · Corcoran Gallery of Art, Washington, DC, EUA · Maqueta do projecto final · 2005 © Gehry Partners, LLP
Annette Gigon / Mike Guyer · Archäologisches Museum und Park Kalkriese, Osnabrück, Alemanha · 1998- Pavilhão “Ouvir” · 2005 © Heinrich Helfenstein
e o bem-estar. O arquitecto viu-se confrontado com uma tarefa que deve ser abordada de um modo tão cuidadoso quanto um museu. Resumindo, não se deve subestimar a arquitectura nestes proces- sos. Novas formas de consumo e de comércio são procurados! Se os arquitectos não lhes conseguirem conferir uma forma compre- ensível com efeito de reconhecimento, o edifício até poderá alcan- çar sucesso comercial, mas o mesmo não acontecerá do ponto de vista cultural. Este aspecto não é quantificável estatisticamente, mas não deve ser subestimado como aconteceu, por exemplo, com a Samaritaine, em Paris, ou com a loja Messels Wertheim, em Berlim. Acima de tudo, não se deve minimizar o público, conside- rando apenas o seu papel de consumidor no acto de pagar a conta. A exigência de Libeskind, de que os edifícios não museológicos sejam projectados com igual cuidado, é absolutamente certeira. O valor acrescentado do ponto de vista cultural pode e deve ter um papel muito mais importante na arquitectura. Poderíamos per- guntar-nos se bastará a fórmula actual – Libeskind fala de “formas
expressivas” e “sentimentais” 8 – ou se fará falta uma abordagem muito mais fundamental. Acrescentando imediatamente, de uma forma crítica, que aquilo que é meramente “espectacular” não é suficiente para um efeito a longo prazo. O resultado é um crítico chamar ao museu MARTa, em Herford, de Frank O. Gehry, “um pe- queno Guggenheim”.^9 Um sistema de referências interno pode fazer parte da receita de um ícone de sucesso, mas os edifícios públicos devem conseguir estabelecer relações de referência para além de- les. Isso é difícil e arriscado. Renzo Piano, que concebeu um museu “clássico” muito aclamado, para expor arte “clássica”, na Fundação Beyeler em Riehen, viu o seu Museu Klee em Berna descrito com títulos como “o Hangar Klee” e “Zona de Bem-Estar Cultural”. As formas mudam e fundem-se, e isso faz parte do risco inerente às metáforas como “catedrais de hoje”, independentemente de se trata- rem de fábricas, grandes armazéns ou museus. Deste ponto de vista, a situação continua em aberto – e as expectativas sobre a arquitec- tura de museus continuam elevadas.
ACtiviDADeS PARA ADuLtoS visitas guiada geral Domingo, 9 de Dezembro, 18h30. Outras datas disponíveis para grupos organizados (a partir de 10 pessoas).
ACtiviDADeS PARA CRiANÇAS visitas-jogo à exposição Ensino pré-escolar e 1.º ciclo €1 · Marcação prévia · Duração: 1h00 (aprox.) M... u... s... eu? É um espaço meu? Pré-escolar Visita-jogo que permite a descoberta e a exploração de pormenores das obras de arte. Com este processo de descoberta pretende-se prolongar o olhar sobre as obras expostas, dar autonomia às leituras e às interpretações de cada um e tornar a visita à galeria um momento divertido e habitual. Concepção e orientação Raquel Ribeiro dos Santos e colaboradores do Serviço Educativo
ACtiviDADeS PARA JoveNS visitas-jogo à exposição 2.º ciclo, 3.º ciclo, ensino secundário e ensino superior. €1 · Marcação prévia · Duração: 1h30 (aprox.) o que é um museu? Para que serve? 2.º e 3.º ciclos Dentro da galeria, junto às obras expostas vamos fazer um jogo de análise e descoberta. Pretende-se com este jogo trabalhar a atenção e a autonomia na leitura da obra de arte. Concepção e orientação Raquel Ribeiro dos Santos e colaboradores do Serviço Educativo visita dinâmica: o museu no século XXi ensino secundário e ensino superior Visita-jogo direccionada para a História da Arte Contemporânea. Propõe-se ao grupo visitar a exposição e, recorrendo a imagens e a alguns textos de apoio, compreender um pouco melhor algumas das problemáticas da arte do nosso tempo. Concepção e orientação Raquel Ribeiro dos Santos e colaboradores do Serviço Educativo visitas guiadas à exposição 2.º ciclo, 3.º ciclo, ensino secundário e ensino superior. €0,50 · Marcação prévia · Duração: 1h30 (aprox.)
É professor? Solicite a programação trimestral para saber com pormenor as propostas de exploração pedagógica para esta exposição. Inscrições e Informações Tel. 21 790 54 54 · Fax 21 848 39 03 · [email protected]
CoNfeRêNCiAS áS qUINTAS · 3 · 17 · 24 · 30 JANEIRO
Pequeno Auditório · 18h Entrada gratuita (Levantamento de senha de acesso 30 minutos antes do início da sessão, no limite dos lugares disponíveis. Máximo: 2 senhas por pessoa.)
O que é um museu dos (e nos) dias de hoje? Passaram mais de dois séculos sobre a abertura dos museus como forma de disponibilizar os tesouros patrimoniais ao povo. Ultrapassada está também a ideia de museu como espaço de confinamento (Foucault) e legitimação dos objectos. Aquilo que amenizou a crítica à deificação deste espaço trouxe também a nostalgia da universalidade da arte (Michaud) e abriu espaço para a sua adaptação em hipermercado da Cultura (Baudrillard). Da negação à apologia, os artistas estabelecem hoje uma ligação consciente e voluntária, são alvo de encomendas e criam objectos especificamente para o espaço museal. É o museu um espaço expositivo neutro? O museu tornou-se também mais próximo do visitante, conceberam-se na própria estrutura arquitectónica espaços para alimentação, compras ou investigação. É a experiência do objecto o principal motivo da visita? Considerada um dos maiores desafios arquitectónicos, a concepção de um museu pode invocar o espaço envolvente, estar condicionada a um edifício pré-existente ou constituir oportunidade para a criação
de espaços alternativos e surpreendentes merecedores de maior atenção por parte dos públicos do que o próprio conteúdo acolhido. Pode o conceito arquitectónico sobrepor-se à funcionalidade do museu? Qual a função dos museus na actuali- dade? Como olhamos para eles? Como os utilizamos? Neste ciclo, esperamos pensar estas e outras questões, na companhia de arqui- tectos, comissários, jornalistas, críticos e outros frequentadores de museus. 3 de Janeiro Para onde vai o museu de arte contemporânea? Raquel Henriques da Silva, João Pinharanda, Ricardo Nicolau (moderador) 17 de Janeiro o museu visto por quem o desenha Arquitectos Aires Mateus, Arquitecto Pedro Pacheco, Margarida Veiga (moderadora) 24 de Janeiro Conceito arquitectónico e conceito expositivo. Harmonia ou conflito? João Fernandes, Jean-François Chougnet, Delfim Sardo (moderador) 31 de Janeiro o museu visto por quem o usa Anísio Franco, Ana Ruivo, Sara Barriga (moderadora)