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Nutrição Forrageira_Uma ótima leitura para um amplo conhecimento em bioquímica.
Tipologia: Notas de estudo
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Não perca as partes importantes!





























































































Prado, R.M. 2 ÍNDICE Capítulo 1 Introdução ao curso ................................................................................................ 00
1.1 Conceitos em nutrição de plantas e sua relação com as disciplinas afins .................... 00
1.2 Conceito de nutrientes e critérios de essencialidade ....................................................... 00 1.3 Composição relativa de nutrientes nas plantas .............................................................. 00
1.4 Acúmulo de nutrientes pelas culturas e a formação de colheita ................................... 00
1.5 Elementos químicos benéficos e tóxicos às plantas ......................................................... 00
1.6 Princípios para o cultivo de plantas em solução nutritiva (pesquisa) ........................... 00
Capítulo 2 Relação da nutrição de forrageiras e o desempenho animal ............................... 00
2.1 Introdução ............................................................................................................................ 2.2 Aspectos nutricionais das forrageiras cultivadas no Brasil .............................................
2.3 Importância da eficiência agronômica para produção de forrageiras e da eficiência de pastejo ..................................................................................................................................... 2.4 Importância da nutrição na qualidade de forrageiras e produção animal .....................
Capítulo 3 Macronutrientes: absorção, transporte, redistribuição, funções e sintomatolo- gia ................................................................................................................................................
3.1 Nitrogênio .............................................................................................................................
3.2 Enxofre .................................................................................................................................
3.3 Fósforo ................................................................................................................................. 3.4 Potássio .................................................................................................................................
3.5 Cálcio ...................................................................................................................................
3.6 Magnésio ..............................................................................................................................
Capítulo 4 Micronutrientes: absorção, transporte, redistribuição, funções e sintomatolo- gia ................................................................................................................................................
4.1 Boro ....................................................................................................................................... 4.2 Zinco .....................................................................................................................................
4.3 Manganês .............................................................................................................................
4.4 Ferro ..................................................................................................................................... 4.5 Cobre ....................................................................................................................................
4.6 Molibdênio ............................................................................................................................
Prado, R.M. 4 7.2.1 Aspectos da nutrição na produção das forrageiras ........................................................ 7.2.2 Teor foliar adequado para os macronutrientes .............................................................
7.2.3 Teor foliar adequado para os micronutrientes ...............................................................
7.3 Leguminosas para exploração intensiva ............................................................................
7.3.1 Aspectos da nutrição na produção das forrageiras ........................................................ 7.3.2 Teor foliar adequado para os macronutrientes .............................................................
7.3.3 Teor foliar adequado para os micronutrientes ...............................................................
Capítulo 8 Nutrição de plantas forrageiras capineiras ...........................................................
8.1 Aspectos da nutrição na produção das forrageiras ...........................................................
8.2 Teor foliar adequado para os macronutrientes ................................................................
8.3 Teor foliar adequado para os micronutrientes ..................................................................
Capítulo 9 Nutrição de plantas forrageiras para pasto consorciado ....................................
9.1 Consórcio de gramíneas e leguminosas do grupo I .......................................................... 9.1.1 Aspectos da nutrição na produção das forrageiras.........................................................
9.1.2 Teor foliar adequado para os macronutrientes e os micronutrientes .........................
9.2 Consórcio gramíneas e leguminosas do grupo II ..............................................................
9.2.1 Aspectos da nutrição na produção das forrageiras......................................................... 9.2.2 Teor foliar adequado para os macronutrientes e os micronutrientes ..........................
9.3 Consórcio de culturas anuais e forrageiras .......................................................................
9.3.1 Aspectos da nutrição na produção das forrageiras.........................................................
9.3.2 Teor foliar adequado para os macronutrientes e os micronutrientes .........................
Capítulo 10 Nutrição de plantas anuais: milho, sorgo, soja, girassol, aveia-preta e milheto .........................................................................................................................................
10.1 Aspectos da nutrição na produção das forrageiras..........................................................
10.2 Teor foliar adequado para os macronutrientes ..............................................................
10.3 Teor foliar adequado para os micronutrientes ................................................................
Capítulo 10 Prática experimental: diagnose de deficiência nutricional em plantas forrageiras .................................................................................................................................. Referências ................................................................................................................................
Manual de Nutrição de Plantas Forrageiras 5
Justus von Liebig Horst Marschner Konrad Mengel Daniel I. Arnon
Emanuel Epstein Stanley A. Barber Joana Döbereiner Euripedes Malavolta
Manual de Nutrição de Plantas Forrageiras 7
1.1 Conceitos em nutrição de plantas e a sua relação com as disciplinas afins
No século XIX, o Químico Just von Liebig (1803-1873), “ pai da nutrição mineral de plantas ”, estabelecia, na Alemanha, que os alimentos de todas as plantas verdes são as substâncias inorgânicas ou minerais. Este trabalho foi apresentado no evento da Associação Britânica para o Progresso da Ciência e resultou, em 1840, na publicação do livro “ Química orgânica e suas aplicações na agricultura e fisiologia ”. Liebig, com seu vigor dominante, conseguiu convencer a comunidade científica da época com sua teoria, embora seja uma compilação de trabalhos de outros autores (Saussure, Sprengel, etc.) (Browne et al., 1942). Portanto, segundo Epstein (1975), a principal contribuição de Liebig à nutrição de plantas foi a de ter liquidado com a “teoria do húmus”, de que a matéria orgânica do solo era a fonte do carbono absorvido pelas plantas. Dessa forma, segundo a teoria de Liebig, a planta vive de ácido carbônico, amoníaco (ácido azótico), água, ácido fosfórico, ácido sulfúrico, ácido silícico, cal magnésia, potassa (soda) e ferro. Assim, durante todo o final do século XIX, a lista clássica dos nutrientes de plantas eram basicamente o N, P, S, K, Ca, Mg e Fe. Definindo-se, assim, a exigência das plantas essencialmente dos macronutrientes. E ainda, nesta época, Liebig contribuiu para o surgimento das indústrias de adubos. No século XX, é que se definiu o conceito de micronutrientes, ou seja, aqueles igualmente essenciais, porém exigidos em menores quantidades pelas plantas. No Brasil, nesta época, foram criadas as primeiras instituições de ensino e pesquisa (UFBA em 1877; IAC em 1887, e ESALQ em 1901), estabelecendo a base dos estudos em nutrição de plantas, com início na década de 50. Assim, estudo de nutrição de plantas estabelece quais são os elementos essenciais para o ciclo de vida da planta, como são absorvidos, translocados e acumulados, suas funções, exigências e os distúrbios que causam quando em quantidades deficientes ou excessivas.
Prado, R.M. 8 Desse modo, percebe-se que a nutrição de plantas apresenta os aspectos ligados desde a aquisição do nutriente pelas raízes, ligados à Ciência do Solo, até as funções que desempenha nas plantas, relacionadas aos aspectos estudados na Bioquímica e na Fisiologia Vegetal. E assim, de forma mais ampla tem-se uma relação estreita entre a nutrição de plantas e a agronomia. Pois é conhecido que os objetivos principais da ciência agronômica estão voltados para a produção de alimentos, fibras e energia. Para isso, existem mais de cinqüenta fatores de produção que devem ser considerados para atingir a máxima eficiência dos sistemas de produção agrícolas. Esses fatores de produção estão distribuídos em três grandes sistemas como: solo, planta e ambiente. A área de nutrição de plantas está centrada no sistema planta, assim como outras (fitopatologia, fisiologia vegetal, biologia molecular, melhoramento vegetal, fitotecnia, etc.). No solo, estão as áreas de fertilidade do solo, fertilizantes/corretivos, adubação, entre outras, e no ambiente irrigação e drenagem, a climatologia, etc. Ressalta-se que a maioria desses fatores de produção pode ser controlada, no campo, pelo produtor; entretanto, alguns são de difícil controle, como a luz e a temperatura. Especificamente a nutrição de plantas tem relação estreita com a agronomia especialmente com as disciplinas de fertilidade do solo, fertilizantes/corretivos e a adubação das culturas. Adubação = (QP–QS) fator f; QP = Quantidade de nutriente requerida pela planta (exigência nutricional); QS=Quantidade de nutriente contido no solo; f= fator de eficiência de fertilizantes, que pode ser reduzido pelas perdas (volatilização; adsorção; lixiviação, erosão, etc.) no solo. Admite-se fator de eficiência de 50; 30 e 70% para N, P e K, respectivamente, correspondendo ao valor de f igual a: 0,50; 0,30; 0,70, respectivamente. Assim, observa-se que são utilizados na adubação 2 vezes mais N, 3, vezes mais P e 1,4 vez mais K para garantir a adequada nutrição das plantas. Neste sentido, avaliando-se os trabalhos publicados em revistas agronômicas brasileiras sobre a Ciência do Solo (Revista Brasileira de Ciência do Solo, Scientia Agricola, Bragantia e Pesquisa Agropecuária Brasileira), nos últimos 20 anos (1987 a 2007), a partir de 3245 artigos, verificou-se que os trabalhos estiveram concentrados em quatro áreas como a fertilidade do solo (25,7%), nutrição de plantas (23,1%), biologia do solo (10,8%) e manejo e conservação do solo (10,6%) (Prado, dados não publicados). Dessa forma, observa-se que, apesar de as revistas terem abordado diversos assuntos, a fertilidade do solo e a nutrição de plantas, representa quase a metade dos artigos publicados em Ciência do Solo,
Prado, R.M. 10 Recentemente, Epstein & Bloom (2006) propuseram uma adequação aos critérios de essencialidade, ou seja, um elemento é essencial se preencher um ou ambos os critérios: a) O elemento é parte de uma molécula que é um componente intrínseco da estrutura ou do metabolismo da planta. b) A planta pode ser tão severamente privada do elemento que exibe anormalidades em seu crescimento, desenvolvimento ou reprodução
Manual de Nutrição de Plantas Forrageiras 11 Nos próximos capítulos, serão discutidas o papel de cada nutriente, após terem atingido seus destinos, ou seja, os locais onde as várias funções
Quando um dado nutriente desempenha sua função na planta ou seja a integração das funções bioquímicas, são afetadas um ou diversos processos fisiológicos importantes (fotossíntese, respiração, etc.) que têm influência no crescimento e na produção das culturas. A fotossíntese é uma reação físico-química mais importante do planeta, uma vez que todas as formas de vida dependem dela. Ocorre a síntese de compostos orgânicos a partir da luz (visível 400 a 740 nm), feita por pigmentos fotossintéticos (clorofilas, carotenóides e ficobilinas) presente nas plantas. Entretanto, uma pequena fração da radiação solar (~5%) que atinge a Terra é convertida pela fotossíntese foliar em compostos orgânicos. Em síntese, a reação físico-química da fotossíntese ocorre em dois passos. Durante a fase fotoquímica ou luminosa , a luz do sol é utilizada para desdobrar a molécula de água (H 2 O) em oxigênio (O 2 ), (conversão da energia luminosa em energia elétrica), que, por sua vez, gera a energia química, tendo como produtos primários ATP e o NADPH. Assim, a captura da energia luminosa é usada para permitir a transferência de elétrons por uma série de compostos que agem como doadores de elétron e receptores de elétron. A fotólise da molécula de água e o transporte de elétrons permitem a criação de um gradiente de prótons entre o lúmen do tilacóide e o estroma do cloroplasto. A maioria de elétrons no final das contas reduz NADP +^ em NADPH. A energia luminosa também é usada para gerar uma força motiva de próton através da membrana do tilacóide que é usada para sintetizar ATP via complexo ATP-sintase. Na fase não luminosa ou ciclo fotossintético redutivo do carbono, é uma etapa basicamente enzimática, na qual a luz não é necessária, os produtos primários da etapa anterior são utilizados para, a partir do dióxido de carbono (CO 2 ), obter hidratos de carbono (C n (H 2 O) n ), como a glicose. A energia livre para a redução de um mol de CO 2 até o nível de glicose é de 478 kJ mol -^. Salienta-se que o processo fotossintético ocorre dentro dos cloroplastos, que são plastídeos localizados em células do mesófilo paliçádico e do lacunoso. O número de cloroplastos por célula varia de um a mais de cem, dependendo do tipo de planta e das condições de crescimento. Os cloroplastos têm forma discóide, com diâmetro de 5 a 10 micras, limitado por uma dupla membrana (externa e interna). A membrana
Manual de Nutrição de Plantas Forrageiras 13 acumulados como a sacorose nos vacúolos e o amido nos cloroplastos, para depois serem utilizados na própria fotossíntese, como na respiração, síntese de reservas e de materiais estruturais. Pode-se adiantar que o processo fotossintético em si depende também de alguns nutrientes que atuam com função estrutural ou enzimática e, ainda, os produtos formados pela fotossíntese, que também dependerão dos nutrientes para produzir outros compostos orgânicos vitais para o desenvolvimento e a produção das plantas, que serão detalhados nos próximos capítulos. Assim, percebe-se a importância dos nutrientes na vida das plantas. De acordo com a história da nutrição das plantas, os elementos químicos, atualmente considerados nutrientes de plantas, foram descobertos e demonstrada a sua essencialidade a partir do ano de 1804 (C, H, O, N), e depois em 1860-1865 (P, S, K, Ca, Mg e Fe), 1922 a 1939 (Mn, Cu, Zn, B e Mo) até recentemente, em 1954 (Cl) (Class, 1989). É pertinente salientar que, na literatura, existem divergências sobre o autor que demonstrou a essencialidade de um dado nutriente, muitas vezes, devido aos problemas no rigor científico da pesquisa. Um exemplo deste fato é o boro, cuja a essencialidade é creditado para o pesquisador Warington (1923). Embora esses nutrientes sejam igualmente importantes para a produção vegetal, existe uma classificação baseada na proporção em que aparecem na matéria seca dos vegetais. Portanto, existem dois grandes grupos de nutrientes de plantas (não considerando C, H e O): Macronutrientes – São os nutrientes que são absorvidos ou exigidos pelas plantas em maiores quantidades: N, P, K, Ca, Mg e S (expresso em g kg - de matéria seca). Os macronutrientes podem ainda ser divididos em macronutrientes primários, que são N, P e K, e os macronutrientes secundários, que são o Ca, Mg e S. Micronutrientes – São os nutrientes que são absorvidos ou exigidos pelas plantas em menores quantidades: Fe, Mn, Zn, Cu, B, Cl e Mo (expresso em mg kg -1^ de matéria seca). Em alguns casos, culturas acumuladoras de determinados micronutrientes podem apresentar teor maior que um macronutriente. Assim, sugiram outros sistemas de classificação dos nutrientes, baseada não na quantidade acumulada pela planta, e sim agrupadas em função do papel (bioquímico) que desempenha na vida da planta. Desse modo, Mengel & Kirkby (1987) classificaram os nutrientes em quatro grupos. O primeiro grupo é formado pelo C, H, O, N e S, considerados nutrientes estruturais constituintes da matéria orgânica e também com participação em sistemas
Prado, R.M. 14 enzimáticos, assimilação em reações de oxirredução. O segundo grupo é composto pelo P e o B, e em algumas culturas o Si, sendo nutrientes que formam com facilidade ligações do tipo éster (transferidores de energia). O terceiro grupo é formado pelo K, Mg, Ca, Mn, Cl, (Na), considerados nutrientes responsáveis pela atividade enzimática e também atuam na manutenção do potencial osmótico, no balanço de íons e no potencial elétrico, especialmente o K e Mg. E no último grupo, têm-se o Fe, Cu, Zn e Mo, que atuam como grupos prostéticos de sistemas enzimáticos e também participam no transporte de elétrons (Fe e Cu) para diversos sistemas bioquímicos. Cabe salientar que a lista dos dezesseis elementos químicos, considerados essenciais, pode aumentar com o avanço da pesquisa. Embora exista estudos isolados, alguns autores indicam certos elementos como essenciais às plantas, como Ni em soja (Eskewet et al.,1984; Brown et al., 1987; Epstein & Bloom, 2006; Dechen & Nachtigall,2006), Na em alfafa (Loué, 1993), Se (Wen, 1988) e Si em tomateiro (Miyake & Takahashi,1978). Diante disso, publicação recente incluiu como nutriente o Ni, o Se e o Co (Malavolta, 2006). É satisfatório reconhecer que para um elemento ser incluído nesta lista, é mais provável que seja um micronutriente; entretanto, espera-se que estudos adicionais sejam realizadas, a fim de atender aos critérios de essencialidade, em número considerável de espécies de plantas, para que a comunidade científica internacional seja convencida. Nesse sentido, existem “fortes candidatos” para a ampliação da lista de nutrientes, como o Si e o Na (Malavolta et al.,1997).
1.3 Composição relativa de nutrientes nas plantas
Em uma planta colhida fresca, dependendo da espécie, pode-se observar que a maior proporção de sua massa, de 70 até 95%, é constituída por água (H 2 O). Após a secagem desta planta em estufa (circulação forçada de ar, a ±70 o^ C por 24-48 horas), evapora-se a água e obtém-se a matéria seca ou a massa seca e, quando submetida à mineralização, seja em forno mufla (300 o^ C), seja em ácido forte, separam-se os componentes orgânico e o mineral (nutrientes). Realizando-se análise desse material vegetal seco, observa-se, de maneira geral, o predomínio de C, H e O, compondo 92% da matéria seca das plantas (Tabela 1). Salienta-se que os resultados da análise química do material vegetal são expressos com base na matéria seca, pois essa é mais estável que a
Prado, R.M. 16 Observa-se, assim, que as culturas em geral, e também a cana-de- açúcar, a soja e a braquiária, apresentam, como regra, alta exigência em nitrogênio e/ou potássio e em cobre e molibdênio (Tabela 2); entretanto, a ordem de exigências para os demais nutrientes pode apresentar variações entre as culturas e até entre cultivar/híbrido. A ordem-padrão, decrescente de extração das culturas em geral, é a seguinte: Macronutrientes : N > K > Ca > Mg > P S Micronutrientes : Cl > Fe > Mn > Zn > B > Cu > Mo Mas, considerando as culturas apresentadas na Tabela 2, nota-se que houve alteração para essa ordem de extração total de nutrientes. Nos macronutrientes, observa-se, em cana-de-açúcar, em capim-braquiária e capim-pé-de-galinha, maior exigência para o K em relação ao N. Para os micronutrientes, nota-se que o Cl é o mais extraído (não citado); entretanto, o mesmo, na alteração da ordem-padrão, ocorre especialmente entre o Zn e o B, sendo, por exemplo, a cana-de-açúcar mais exigente em Zn, e a soja em B. Nota-se que a extração de micronutrientes (exceto o Cl e o Fe) pelos capins é inferior a 1 kg ha-1^ (Tabela 2), implicando que as doses indicadas para atender à exigência nutricional é igual ou inferior a 2 kg ha -1^ (Mo=0,2; Zn e Cu= 2; B=1 kg ha-1^ ) (Vilela et al., 2007). As forrageiras com alta produção de biomassa, como colonião (23 t ha-1^ ), apresentam alta extração de nutrientes: K=363; N=288; Ca=149; Mg=99 e P=44 kg ha-1^ (Sanchez, citado por Macedo, 2004). Com relação à exportação dos nutrientes levados da área agrícola, tem-se significativa quantidade de elementos mobilizados no produto da colheita (colmo ou grão) (Tabela 2). Nota-se que parte significativa do N, S, P, Zn entre outros são mobilizados nos grãos. Desse modo, os nutrientes são estocados nas sementes na forma de compostos orgânicos específicos, a exemplo do N e do S, que se acumulam em proteínas específicas de armazenamento (Müntz, 1998), o P e vários cátions estão na forma de fitatos (Raboy, 2001). E cada molécula de fitato contém seis grupos de fosfatos que formam complexos com cátions e, então, a maioria do K, Mg, Mn, Ca, Fe e Zn em sementes é associada ao fitato (Epstein & Bloom, 2006). Conseqüentemente, para os seres vivos (humanos e animais), sementes são mais nutritivas que o resto da planta. Assim, teores de nutrientes mais elevados nas sementes terão benefícios na qualidade do alimento. E ainda, em campos de produção de sementes, essa qualidade terá reflexos no crescimento inicial de nova cultura. Muitas plantas podem viver do P contido na semente por cerca de duas semanas (Grant et al., 2001).
Manual de Nutrição de Plantas Forrageiras 17 Tabela 2. Extração total (parte aérea) e exportação pela colheita (colmos/grãos/forragem) de algumas culturas Nutriente ___^ Cana-de-açúcar ____ 100 t ha -
__________ (^) Soja __________ 5,6 t ha -
______ (^) Forrageiras_______
Total Capim- braquiária^1
Capim- moa 2
Capim- pé-de- galinha 3 ________________________________________________ (^) kg ha- 1 ________________________________________________
Macronutriente
N 90 60 150 152 29 181 59,4 130 116, P 10 10 20 11 2 13 14,6 28 12, K 65 90 155 43 34 77 145,9 91 131, Ca 60 40 100 8 43 51 14,0 37 47, Mg 35 17 52 6 20 26 14,5 35 18, S 25 20 45 4 2 6 - 6 16, _____________________________________________ (^) g ha- 1 _________________________________________________
Micronutriente
B 200 100 300 58 131 189 - - - Cu 180 90 270 34 30 64 21,6 53,5 106, Fe (^2500 6400) 8900 (^275 840) 1115 4430 5653,0 633, Mn 1200 4500 5700 102 210 312 918 718,0 596, Mo - - - 11 2 13 - - - Zn 500 220 720 102 43 145 194,5 490,2 231,
(^1) B.brizantha , cultivada em solo sob o manejo pelo sistema "barreirão" (Magalhães et al., 2002); 2 Setaria incana 3 referente à parte aérea com grãos, aos 69 dias após semeadura (Nakazu et al., 2006); Eleusine coracana L. Gaertn., referente à parte aérea, na época do florescimento (Francisco, 2002).
Normalmente, a exigência nutricional de uma determinada forrageira poderá ser afetada pelo sistema de produção adotado, ou seja, produção de forragem ou de grãos/sementes. Nesse sentido, os requerimentos de fertilidade do solo para produção de sementes de determinada cultivar são superiores àqueles necessários para essa mesma cultivar quando utilizada como pastagem (Souza, 2001). Por outro lado, na prática, as culturas que exportam com a colheita grande parte dos nutrientes absorvidos, ou aquelas cujo o produto colhido é toda a parte aérea (cana-de-açúcar, milho, silagem, pastagem) deixam muito pouco restos de cultura e, assim, merecem mais atenção em termos de necessidade de reposição desses nutrientes, por meios de adubação de manuntenção. Isso é importante, porque na gestão da ótima adubação é preciso considerar um sistema de produção, envolvendo várias culturas com exigências nutricionais e taxas de exportação distintas. Entretanto, os restos culturais deixados na superfície do solo podem ser reciclados e aproveitados pelas plantas, atingindo 60% a 70% para o N; 100% para o K (Spain & Salinas, 1985) e 77% para o P (Jones &
Manual de Nutrição de Plantas Forrageiras 19
Figura 2. Acumulação de N (a), de P (b) no limbo foliar do milheto, braquiária e mombaça, em função de dias após a emergência da planta (DAE) (Braz et al., 2004).
Dall'Agnol (2004) indica que o corte desse capim deve ocorrer aos 63 dias de crescimento, embora tenha atingido apenas 3,3 t ha-1^ de matéria
Prado, R.M. 20 seca, associado com alto teor de proteína (>10%); entretanto, aos 210 dias, há produção de 32 t ha-1^ de matéria seca. Portanto, a aplicação de nutriente, na presente forrageira, deve ocorrer nos primeiros 50 dias após o corte e não aos 200 dias após o corte. É pertinente salientar que, embora a maioria dos trabalhos da literatura tenha estabelecido a marcha de absorção utilizando dados cronológicos (em dias), o crescimento das plantas é influenciado pelo clima, a exemplo da radiação solar e da temperatura do ar, com efeitos distintos na ecofisiologia vegetal. A radiação é a fonte da energia que é convertida em biomassa vegetal, e a temperatura está associada à eficiência dos processos metabólicos envolvidos nessa conversão, alterando o desempenho de várias enzimas (Bonhomme, 2000). As forrageiras desenvolvem-se à medida que se acumulam unidades térmicas acima de uma temperatura-base, ao passo que, abaixo dessa temperatura, o crescimento cessa. Assim, através do acúmulo térmico, também conhecido como graus-dia, têm-se obtido ótimas correlações com a duração do ciclo da cultura, ou com os estádios do desenvolvimento fenológico de uma dada cultivar. Portanto, seria interessante que novos trabalhos que tratam de marcha de absorção, sejam desenvolvidos em função dos graus-dia acumulados durante o ciclo da cultura. Cerutti et al. (2007) estudaram o crescimento e a marcha de absorção dos nutrientes em feijão-de-porco, em Chapecó- SC. A produção de fitomassa no período em que a forrageira cobria 100% do solo, aos 112 dias após a semeadura, foi de 9.900 kg massa seca por ha; neste mesmo período, acumulava 295 kg N ha-1^ e 226 kg K ha-1^. Ao fim do ciclo, 183 dias após a semeadura, o feijão-de-porco acumulou 15,5 t massa seca ha -1^ , 397 kg N ha -1^ e 340 kg K ha -1^ (Figura 3). Assim, estudos de marcha de absorção, são importantes, pois permitem detectar em que fase de desenvolvimento a cultura apresenta maior exigência de um determinado nutriente, ou seja, em qual fase tem-se a maior velocidade de absorção do nutriente. Logo, diante desta informação, pode-se prever com antecedência o momento da aplicação do nutriente para satisfazer à exigência nutricional no respectivo estádio de desenvolvimento da cultura. Por fim, a exigência nutricional das culturas é específica para a espécie e até mesmo para a cultivar/variedade de uma mesma espécie. Dessa forma, serão discutidas para cada nutriente estas diferenças nutricionais entre as culturas, durante a apresentação dos capítulos.