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O estudo das varizes, Notas de estudo de Medicina

Definição, quadro clínico, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento das varizes em geral + varizes pélvicas

Tipologia: Notas de estudo

2022

Compartilhado em 09/03/2022

amanda-stefani-b-de-oliveira
amanda-stefani-b-de-oliveira 🇧🇷

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Varizes
Assim, varizes ou veias varicosas são veias dilatadas (>/= 3mm), tortuosas e alongadas, com alterações
na estrutura de suas paredes e perda na função de retorno do sangue venoso em direção ao coração
Ocorre por perda da função valvular faz dilatação, tortuosidade e perda de função da veia
São veias que não tem mais a capacidade de retorno da circulação
São veias que perderam função valvar e sofreram alterações na parede associadas a hipertensão venosa,
estão dilatadas, tortuosas, alongadas. Não possuem capacidade adequada de levar o sangue de volta ao
coração.
Enfraquecimento valvular gera perda de elasticidade e dilatação venosa, levando ao surgimento de
varizes
Estima-se que quase 50% da população brasileira apresenta varizes
ETIOPATOGENIA
Teoria valvar: incompetência valvar; inversão do fluxo nos vasos comprometidos pela perda da
função valvar
Outro efeito da deficiência valvular nos varicosos é a falta de esvaziamento das veias
superficiais durante o exercício, como ocorre nos normais. A sobrecarga constante de fluxo e
pressão nas veias superficiais as leva à dilatação, ao alongamento e à tortuosidade,
especialmente se houver aumento da distensibilidade. Essas anormalidades são,
provavelmente, provocadas por alterações no fluxo sanguíneo venoso
Enfraquecimento da parede venosa: alguns autores tendem a aceitar a lesão primária da parede
venosa, com perda de seu tônus seguida por aumento de distensibilidade, como o mecanismo inicial no
desenvolvimento das varizes
O desarranjo da parede venosa com separação das células musculares na túnica média parece
ser a principal característica das varizes, sendo esse processo iniciado, possivelmente, por
modificações nas células musculares, que mostram evidências de alterações metabólicas
intensas, resultando na sua hipertrofia e desregulação da apoptose; ao mesmo tempo, existe
invasão do espaço intercelular por colágeno e tecido elástico A maior deposição de matriz
intra e interfeixes musculares responde pela perda do tônus da parede venosa
A perda do tônus venoso e o aumento da distensibilidade poderiam levar à dilatação local,
formando uma dilatação varicosa isolada, ou se estender, atingindo uma válvula
lesão endotelial redução da facilitação da venoconstrição (+ pressão no interior da veia pela
constrição dela) causada pela norepinefrina, e mediada pelo endotélio, resultando em perda de
tônus e dilatação local da veia
Teoria parietal: desproporção entre a pressão venosa e a resistência da parede fragilidade das paredes
das veias
Anastomoses arteriovenosas: comunicações diretas ou indiretas entre artérias e veias
Insuficiência de veias perfurantes: sobrecarga do sistema venoso superficial pelo fluxo venoso
retrógado
Propõem-se que as varizes primárias teriam origem na insuficiência valvular de veias
perfurantes, decorrentes da lesão de suas válvulas por tromboses ocasionadas por traumas locais
A dilatação das veias superficiais ocorreria secundariamente à hipertensão e ao aumento do
fluxo transmitidos pelas veias perfurantes, insuficientes a cada contração muscular
Pode surgir devido a traumas
Amanda Balzan
@assessoriacademica_
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Varizes

 Assim, varizes ou veias varicosas são veias dilatadas (>/= 3mm), tortuosas e alongadas, com alterações na estrutura de suas paredes e perda na função de retorno do sangue venoso em direção ao coração  Ocorre por perda da função valvular  faz dilatação, tortuosidade e perda de função da veia  São veias que não tem mais a capacidade de retorno da circulação  São veias que perderam função valvar e sofreram alterações na parede associadas a hipertensão venosa, estão dilatadas, tortuosas, alongadas. Não possuem capacidade adequada de levar o sangue de volta ao coração.  Enfraquecimento valvular gera perda de elasticidade e dilatação venosa, levando ao surgimento de varizes  Estima-se que quase 50% da população brasileira apresenta varizes

ETIOPATOGENIA

Teoria valvar : incompetência valvar; inversão do fluxo nos vasos comprometidos pela perda da função valvar  Outro efeito da deficiência valvular nos varicosos é a falta de esvaziamento das veias superficiais durante o exercício, como ocorre nos normais. A sobrecarga constante de fluxo e pressão nas veias superficiais as leva à dilatação, ao alongamento e à tortuosidade, especialmente se já houver aumento da distensibilidade. Essas anormalidades são, provavelmente, provocadas por alterações no fluxo sanguíneo venoso  Enfraquecimento da parede venosa : alguns autores tendem a aceitar a lesão primária da parede venosa, com perda de seu tônus seguida por aumento de distensibilidade, como o mecanismo inicial no desenvolvimento das varizes  O desarranjo da parede venosa com separação das células musculares na túnica média parece ser a principal característica das varizes, sendo esse processo iniciado, possivelmente, por modificações nas células musculares, que mostram evidências de alterações metabólicas intensas, resultando na sua hipertrofia e desregulação da apoptose; ao mesmo tempo, existe invasão do espaço intercelular por colágeno e tecido elástico  A maior deposição de matriz intra e interfeixes musculares responde pela perda do tônus da parede venosa  A perda do tônus venoso e o aumento da distensibilidade poderiam levar à dilatação local, formando uma dilatação varicosa isolada, ou se estender, atingindo uma válvula  lesão endotelial  redução da facilitação da venoconstrição (+ pressão no interior da veia pela constrição dela) causada pela norepinefrina, e mediada pelo endotélio, resultando em perda de tônus e dilatação local da veia  Teoria parietal : desproporção entre a pressão venosa e a resistência da parede – fragilidade das paredes das veias  Anastomoses arteriovenosas: comunicações diretas ou indiretas entre artérias e veias  Insuficiência de veias perfurantes : sobrecarga do sistema venoso superficial pelo fluxo venoso retrógado  Propõem-se que as varizes primárias teriam origem na insuficiência valvular de veias perfurantes, decorrentes da lesão de suas válvulas por tromboses ocasionadas por traumas locais  A dilatação das veias superficiais ocorreria secundariamente à hipertensão e ao aumento do fluxo transmitidos pelas veias perfurantes, insuficientes a cada contração muscular  Pode surgir devido a traumas

Amanda Balzan @assessoriacademica_

 Principal fator é o hereditário!  Maior prevalência em brancos  Gênero : prevalência feminina, mas diminui com a idade  Obesidade : agrava varizes existentes; pode ser um fator de desencadeante pela maior compressão abdominal sobre a veia cava inferior e as ilíacas  Gestação e hormônios : redução do tônus venoso precocemente e distensão venosa  Varizes em mulheres jovens, que se iniciam nas primeiras gestações, tendendo a agravar-se a cada nova gravidez, atingindo frequentemente o sistema safeno e seus ramos acessórios, perfurantes e, com frequência, também ramos com origem na veia hipogástrica  Profissão : fator não comprovado.  Alguns autores registram prevalência significativamente maior de varizes entre as pessoas que trabalhavam a maior parte do tempo em pé  Profissões que exigem constante levantamento ou tração de pesos, levando à contração dos músculos abdominais, também foram referidas como associadas à presença de veias varicosas, tanto em homens quanto em mulheres  Idade : destaque para as varizes em indivíduos idosos, localizadas principalmente na face posterior da região poplítea ou perna, em geral sem dilatação do tronco de veia safena magna, com algumas perfurantes insuficientes  O aumento progressivo da prevalência de varizes com a idade sugere que, pelo menos em grande parte dos casos, elas possam constituir um processo degenerativo da veia, que pode surgir com o avançar da idade

FISIOPATOLOGIA

 No indivíduo normal, o fluxo de todas as veias profundas ou superficiais se faz sempre em direção cranial e nas perfurantes da perna, no sentido do sistema superficial para o profundo.  Quando há contração da musculatura, o fluxo na veia safena se faz em sentido cranial, decúbito dorsal ou posição ereta. Durante o relaxamento da musculatura, o fluxo se faz retrogradamente, aumentando progressivamente se o paciente fizer movimentos de deambulação, parado. A pressão na veia safena ao nível do pé atinge seu máximo durante a contração muscular e o mínimo com a musculatura relaxada, quando o pé se levanta do chão  Em pacientes varicosos, durante o repouso em decúbito dorsal, o fluxo da veia safena magna ao nível da coxa é muito pequeno, com direção cranial ou de vaivém, acompanhando a respiração. Na posição ereta, em repouso, esse fluxo é zero ou discretamente retrógrado.  Nas veias perfurantes insuficientes, foi demonstrado não haver fluxo quando o paciente varicoso está parado e relaxado  A doença varicosa é progressiva, aparece de forma insidiosa; se agrava e se intensifica com o tempo  O fator principal que desencadeia e determina as alterações das paredes venosas e o aparecimento dos sintomas é a hipertensão venosa crônica.

Possíveis mecanismos de formação e sinuosidade das veias varicosas A. Impacto do sangue contra a parede venosa pela circulação retrógrada por válvula insuficiente. B. Impacto do sangue causado pela entrada lateral de sangue por uma comunicante insuficiente. C. Desvio do sangue de uma veia com tromboflebite para uma veia paralela

 Os sinais são variados e podem manifestar-se como telangiectasias (vênulas de até 1 mm de diâmetro), veias reticulares (de 1 a 3 mm de diâmetro) e veias varicosas (veias com diâmetro maior do que 3 mm).  Em casos crônicos, podem aparecer quadros mais graves com alterações na pele e no tecido subcutâneo: hiperpigmentação (dermatite ocre), lipodermatoesclerose (fibrose do subcutâneo), eczema varicoso, atrofia branca e ulcerações.  Com o passar do tempo, em geral em varizes de longa duração, o aumento da pressão venular e capilar, resultando em aumento de líquido intersticial no subcutâneo (edema), passagem de hemácias que acabam se lisando e liberando hemoglobina, e acúmulo de grandes moléculas proteicas, e aprisionamento de leucócitos e plaquetas, em alguns doentes, pode determinar o quadro conhecido como de insuficiência venosa crônica (IVC)  edema, lipodermatosclerose (endurecimento e hiperpigmentação da pele envolvendo as panturrilhas), atrofia branca, dermite ocre, eczema de estase (Inflamação cutânea na parte inferior das pernas, causada por acúmulo de líquido), úlcera venosa (Classificação CEAP de 3 a 6)

DIAGNÓSTICO

 O diagnóstico das varizes dos membros inferiores é clínico, baseado na anamnese e no exame físico.  São importantes a queixa e a duração dos sintomas, hábitos de vida, profissão, doenças anteriores (TVP), traumas prévios em membros inferiores e antecedentes da doença venosa na família.  O exame clínico dos membros inferiores deve ser realizado com boa iluminação e com o paciente em pé, após alguns minutos de ortostatismo.  Por meio de manobras especiais com garrotes (prova de Brodie-Trendelemburg), verificam-se os pontos de refluxo das junções safenofemoral, safenopoplítea e em veias perfurantes incompetentes.  Métodos não invasivos :  Ecocolordoppler venoso : padrão; é o exame mais utilizado na caracterização das varizes dos membros inferiores e, hoje, é indispensável na adequada avaliação anatômica e hemodinâmica para a correta indicação terapêutica.  É indicada para avaliar o refluxo venoso envolvendo os territórios da veia safena magna e/ou parva; a localização de perfurantes incompetentes; o esclarecimento diagnóstico de edema; a avaliação de varizes recidivadas e anomalias vasculares; a investigação de TVP prévia e a eventual insuficiência valvular e refluxo no sistema venoso profundo.  Plestimografia venosa : deve ser considerada como um teste quantitativo complementar.  Pode ser utilizada para avaliar o grau de acometimento da hemodinâmica venosa (obstrução e/ou refluxo), estimando o comprometimento do sistema venoso superficial e profundo e verificando a função da bomba muscular da panturrilha.  Consegue prever o resultado da cirurgia do sistema venoso superficial e avaliar a utilidade da compressão elástica.  Mapeamento duplex : permite a avaliação funcional e anatômica dos vasos. Permite o estudo do refluxo através das medidas de tempo de fechamento e da velocidade  Métodos invasivos :  Flebografia : tratamento varizes pélvicas. Descendente ou ascendente. Não se usa mais para diagnóstico  Pode ser indicada nas associações das varizes com angiodisplasias ou eventual possibilidade de cirurgia no sistema venoso profundo. A arteriografia pode ser necessária nos casos de suspeita da existência de fístulas arteriovenosas.

EXAME FÍSICO

 Obter dados de anatomia e fisiologia  Detectar alterações do sistema venoso superficial, profundo e perfurante, pontos de refluxo.  Diferenciar varizes primárias das secundárias  Inspeção : posição ortostática (em pé)  Observar a presença e distribuição de veias varicosas, edema, hiperpigmentação, lipodermatoesclerose, edema e varizes de localização atípica  Cicatrizes de cirurgias anteriores?  Localização das varizes  pertencem ao sistema safeno interno, externo ou de distribuição anárquica?  Ao nível do maléolo se vê mais pigmentações e é o local mais provável de ocorrer úlceras posteriormente  Palpação :  Edema, aumento de temperatura.  Deitado para avaliar a consistência dos músculos da perna e exercício de dorsi-flexão do pé.  Palpar os pulsos  Percussão e Ausculta : ausculta da carótida, dos pulsos da região femoral e da região dos canais dos abdutores  Manobra de Valssalva : facilita a visibilidade e palpação das veias dilatadas

TRATAMENTO

 Como se conduzir ao paciente?  O vascular tem a liberdade de discutir com o paciente qual é a melhor técnica para tratar as varizes  Deve-se esclarecer ao paciente sobre a natureza evolutiva da doença, chamando sua atenção para o fato de que o tratamento nem sempre é curativo e que o paciente necessita de reavaliações periódicas. É importante conscientizá-lo a respeito das orientações a serem seguidas  Varizes não tem cura, elas só melhoram  tratamento depende da gravidade da doença  Tratamento individualizado de acordo com a gravidade do quadro clínico, o tipo de varizes e a condição geral do paciente  Para formas mais leves da doença, com CEAP C1 e C2, indica-se: tratamento clínico, escleroterapia e até exérese de veias reticulares por meio de microincisões.  O tratamento para as formas mais graves (CEAP C3, C4, C5 e C6) varia conforme as avaliações da gravidade da doença e pode ser somente tratamento clínico ou mesmo cirúrgico, a depender das condições clínicas do paciente.  Tratamento clínico  É indicado para todas as formas de varizes dos membros inferiores, podendo ser considerada a única terapia de escolha em casos selecionados.  Medidas higiênico-dietéticas :  Evitar ortostatismo e ficar sentado por tempo prolongado  imobilidade favorece a estase sanguínea  Estimular breves repousos com elevação dos membros.  Estimular a realização de atividade física (exercícios, marcha, natação)  Evitar esportes que exijam movimentos bruscos, de impacto ou que provoquem aumento exagerado da pressão abdominal  Evitar vestes que dificultem o retorno venoso.  Evitar calçados com salto elevado (> 3,5 cm)  diminuem a eficácia da bomba muscular da panturrilha

Tratamento de complicaçõesVaricorragia : variz que apresenta sangramento  Elevação do membro  Compressão digital por dez minutos  Enfaixamento compressivo  Sutura?  pode lesar mais a pele  Úlcera venosa : úlceras que geram incômodo estético, geralmente não dolorosas  Repouso  Curativo diário ou especiais – hidrogeis, hidrocoloides  Bota de Unna: quando não há infecção, usado para cicatrização  Analgésicos  Antibióticos quando indicado  Verificar se a úlcera é de varizes de origem primária ou secundária  Varicotromboflebite superficial :  Comum de ocorrer nas varizes – risco de formar coágulos, processo inflamatório na veia (veia vermelha, inchada), é extremamente dolorido  Diagnóstico clínico: história clínica, dor intensa local, calor e edema local  Mapeamento com duplex: evitar risco de TVP associada  Membros inferiores elevados  Antiinflamatórios sistêmicos  Heparinoides tópicos  Anticoagulantes?  Compressas quentes  Sempre lembrar da associação com outras doenças  Tratamento estéticoEscleroterapia: indicada para as formas mais leves das varizes dos membros inferiores (CEAP C1)  Secar as varizes através de componentes químicos, espuma ou calor (laser).  Pode ser feito em consultório.  Menos dolorido e menos agressivo  São realizadas sessões seriadas de injeções de substâncias esclerosantes (no Brasil, utilizam-se preferencialmente a glicose hipertônica e o poli-docanol) em telangiectasias e veias reticulares.  Usado nas telangectasias e vênulas dérmicas dilatadas  Agente químico como escletosante  Escleroterapia convencional  Escleroterapia com espuma  Crioescleroterapia  Eletrocauterização  Laser endovenoso  Flebectomia por microincisões: indicada para a exérese das veias reticulares (1 a 3 mm).  É realizada por meio de microincisões, seguidas da retirada das veias varicosas com o uso de pequenos ganchos ou agulhas de crochê.  Preferencialmente, deve ser realizada em ambiente hospitalar e com anestesia local quando as veias são de pequena monta e isoladas.  Nos casos de múltiplas e difusas veias reticulares em ambos os membros inferiores, deve-se realizar em ambiente hospitalar e em regime de internação ambulatorial, utilizando-se bloqueio locorregional.

Laser ou radiofrequência feito no hospital quando há comprometimento da veia safena. Associado ao ultrassom para localizar o trajeto da veia doente e realizar a tração, queimando com calor (laser ou radiofrequência)

Tratamento cirúrgico  Indicar cirurgia quando há complicações, riscos e critérios de estética; e para correção do distúrbio hemodinâmico provocado pelo refluxo sanguíneo; quando há presença de complicações anteriores; paciente sintomático  Aqueles com sintomatologia importante e/ou dolorosa, com alterações de pele decorrentes da hipertensão venosa crônica ou complicações como hemorragia ou tromboflebite de repetição têm indicação cirúrgica  Na cirurgia das varizes dos membros inferiores, os objetivos são abolir os pontos de refluxo do sistema venoso profundo em direção ao superficial e ressecar as varizes colaterais  No tratamento cirúrgico das varizes primárias , procura-se extirpar todas as veias varicosas e eliminar os pontos de refluxo do sistema profundo para o superficial, ou seja, nas croças das safenas magna e parva e nas veias perfurantes insuficientes.  No tratamento cirúrgico das varizes secundárias , há necessidade de estudo cuidadoso do sistema venoso profundo com ultrassonografia vascular e/ou flebografia, estando a indicação de cirurgia de varizes na dependência da perviedade desse sistema.  Devem-se tratar previamente todas as complicações cutâneas presentes nos pacientes em que se pretende realizar o tratamento cirúrgico, incluindo eventuais micoses interdigitais.  Durante o ato operatório, deve-se fazer antibioticoprofilaxia intravenosa de rotina na indução anestésica para todos os pacientes  Doenças concomitantes :  Metabólicas: diabetes  Cardiológicas: arritmias, hipertensão não controlada, infarto recente (menos que 6 meses), pulmonares, neurológicas (AVC) etc  Riscos anestésicos : tipos de anestesia (geral, bloqueio peridural ou raquidiano e anestesia local)  Planejamento cirúrgico : baseado no ecocolordoppler (avalia refluxo venoso).  A tática ideal a ser empregada é a que o procedimento mais simples possível possa trazer resultado imediato efetivo, do ponto de vista estético e funcional.  Evita por maior prazo a ocorrência de recidivas  Contraindicações : Presença de úlcera de estase ativa e infectada; Varizes em membro isquêmico; Hipo ou agenesia de sistema venoso profundo; Infecção sistêmica; Doença grave associada; Linfedema do membro; Diátese hemorrágica; Gravidez; Idade avançada (relativa)  Procedimentos cirúrgicos :  Safenectomia: retirada parcial ou total da veia safena, quando ocorre sua dilatação excessiva e perda de função  Laser ou radiofrequência:  Ligadura de veia safena:  Ligadura de veias perfurantes: cirúrgica ou vídeo  Ressecção de varizes colaterais  Tratamento cirúrgico convencional : é o mais utilizado e tem como paradigma a desconexão dos pontos de refluxo do sistema venoso profundo em direção ao superficial.  Podem ser necessárias safenectomias internas e/ou externas por meio de desconexões das junções safenofemoral ou safenopoplítea e ligadura de veias perfurantes, que estão insuficientes.  É realizada a ressecção de todas as varizes colaterais dilatadas.

Flebografia : Rx das veias após injeção de contraste pela veia do pé (geralmente) Ultrassonografia vascular : faz o uso de ondas sonoras de alta freq. que permite analisar o sistema circulatório, facilitando identificação de obstruções nas artérias/veias.

 As válvulas estão presentes em 80 a 90% das veias gonadais, geralmente perto ou na junção com a veia renal/veia cava inferior ou ambos.  As veias gonadais colateralizam extensivamente com as veias ascendentes lombares e retroperitoneais. Estas características afetam o tratamento, pois ramos colaterais retroperitoneais podem recanalizar trajetos de refluxo para a pelve profunda e causam recorrência dos sintomas.  As veias ilíacas internas recebem entrada de plexos útero-ovariano, vesicular, hemorroidal e sacrovenoso. Quando incompetente, hipertensão venosa ilíaca interna resulta na formação de varizes na pelve profunda  A ocorrência é maior à esquerda, porque a veia ovariana esquerda drena diretamente na veia renal esquerda (ângulo de 90°); enquanto a veia ovariana direita geralmente drena em um ângulo agudo na veia cava inferior, logo abaixo da veia renal direita.  Isso favorece maior refluxo à esquerda em relação à direita que desemboca obliquamente na veia cava  Existem múltiplas conexões entre o sistema venoso infrarren al, pélvico e dos membros inferiores, de forma que o refluxo venoso pélvico pode ser transmitido aos membros inferiores, manifestando-se como varizes recorrentes  Etiopatogenia  Presença de insuficiência venosa pélvica  varizes dolorosas na região  A etiologia parece estar relacionada ao refluxo de veias ovarianas incompetentes e dilatadas, e fatores como ansiedade, depressão e problemas relacionados à atividade sexual também podem estar envolvidos.  A sobrecarga ao retorno venoso pelas constantes mudanças hormonais na gravidez, somada à ausência congênita de válvulas nas veias ovarianas, parece levar ao refluxo do sangue pela veia do ovário para a veia ilíaca interna.  A congestão das veias pélvicas leva ao seu ingurgitamento e aumento da pressão, o que provavelmente leva à dor experimentada pela paciente.  A ocorrência é maior à esquerda  veia ovariana esquerda drena em um ângulo de 90° diretamente na veia renal esquerda, favorecendo o refluxo; enquanto a veia ovariana direita drena obliquamente na veia cava inferior.  Fatores de risco :  Mulheres que tiveram 1+ gestações são mais propensas, pelos hormônios produzidos durante a gravidez;  Normalmente aparecem em mulheres entre 30 e 50 anos;

 Mulheres que têm problemas hormonais e distúrbios menstruais com ciclos irregulares durante a vida.  Tem histórico familiar de varizes;  Fatores como obesidade, ovários policísticos e levantamento de peso também exercem influência no desenvolvimento da doença.  ClassificaçãoPrimária : incompetência de veia ovariana congênita ou adquirida por causas não obstrutivas.  Secundária : geralmente obstrutiva, em que as veias ovarianas ou pélvicas são importantes caminhos colaterais para aliviar a obstrução a montante.  As mais comuns são a síndrome do quebra-nozes (compressão da veia renal esquerda pela artéria mesentérica superior) ou a síndrome de May-Thurner (compressão da veia ilíaca esquerda pela artéria ilíaca interna direita) e trombose venosa profunda (TVP).

Quadro clínico : em muitos casos não causam sintomas ou são inespecíficos, tornando-se difícil de ser diagnosticada.  Dor pélvica crônica e não específica associada a refluxo de veia ovariana e varizes na região pélvica  DPC com duração > 6 meses, sem outra etiologia aparente.  Dores na área pélvica e abdômen inferior, com mais intensidade, nos dias anteriores a menstruação  A congestão das veias pélvicas leva ao seu ingurgitamento e aumento da pressão, o que provavelmente leva à dor experimentada pela paciente.  Sangramento intenso durante o período menstrual;  Sensação de inchaço na região pélvica;  Sensibilidade à palpação abdominal sobre o ponto do ovário  Incontinência urinária (perda de urina);  Desconforto ou dispareunia (dor genital) nas relações sexuais  Varizes pélvicas e recorrência de varizes de membros inferiores  Exacerbação no período menstrual  Piora dos sintomas ao longo do dia.

favorecem a microcirculação por seu efeito anti-inflamatório, melhoram a drenagem linfática e diminuem a permeabilidade capilar)  Anti-inflamatórios não hormonais (AINH) promovem alívio dos sintomas, mas não oferecem solução de longo prazo para a patologia.  Supressão hormonal com medroxiprogesterona ou análogos do GnRH mostrou-se efetiva no alívio dos sintomas, e sua associação com psicoterapia sugere melhorar a resposta ao tratamento.  Técnica cirúrgica para varizes pélvicas : o cirurgião vascular faz ligadura nas veias afetadas, fazendo com que o sangue circule apenas nas veias que estão saudáveis. Esta cirurgia necessita de internamento hospitalar e é feita sob anestesia geral  Técnica de embolização : principal tratamento para varizes pélvicas  Consiste na colocação de pequenas molas dentro das veias pélvicas que se encontram dilatadas, para bloquear o fornecimento de sangue para as veias e diminuindo os sintomas e ocluindo as veias dilatadas.  Introduzir um cateter por punção na femoral ou braquial, acesso as veias da região pélvica. Pelo cateter se inserir as "molas" e a escleroterapia com espuma ou outros embolizantes. A embolização é feita com anestesia local e sedação.  A recorrência dos sintomas e recidiva de varizes pélvicas pode decorrer de grande quantidade de ramos colaterais na região. O quadro recorrente deve ser investigado, e nova embolização pode ser realizada para tratamento.  Endovascular : punciona a veia femoral e cateteriza, coloca introdutor e vai até a veia renal para confirmar o refluxo (aparecimento de contraste). Com a confirmação, realizar tratamento endovascular (colocação de molas, ocluindo a veia) – sintomas desaparecem. O objetivo é eliminar o refluxo da veia ovariana com ou sem esclerose direta das varizes na região pélvica  Histerectomia e ooforectomia só são realizadas em casos com outra patologia concomitante que indique tratamento.

SÍNDROME DE MAY-THURNER

 Compressão da veia ilíaca esquerda entre a coluna lombar e a artéria ilíaca direita (canal estreito)  1. Compressão mecânica da veia pela artéria contra a coluna vertebral;  2. Hipertrofia ou espessamento da camada íntima da veia que ocorre progressivamente devido ao trauma crônico local gerado pela pulsação da artéria por cima desta veia. Condição normal do organismo, artéria e veia se cruzam sem interrupções em várias partes do corpo, porém em algumas pessoas a formação genética pode levar a esta compressão.  A compressão causada na Síndrome de May-Thurner pode ter como consequência a formação de varizes pélvicas e varizes no membro inferior esquerdo. A consequência mais grave é a TVP do membro inferior esquerdo, que muitas vezes acomete desde o local da compressão até veias distais da perna  Acomete predominantemente mulheres entre 20 e 50 anos de idade  Quadro clínico :  Pode ser assintomático na fase inicial

Sintomas : dor e sensação de peso, principalmente no final do dia e no calor; edema; surgimento de varizes unilaterais; comum presença de úlceras; dor durante/depois da relação sexual; sintomas intensos de varizes na perna esquerda  Diagnóstico : Um ou mais exames complementares são necessários para a elucidação do diagnóstico. Exames que podem ser solicitados são:  Ultrassom Doppler Venoso de cava e ilíacas : exame não invasivo, visualiza o fluxo de sangue nas veias ilíacas e identifica possíveis pontos de compressão. Também identifica trombose venosa profunda.  Angio-Tomografia pélvica com fase venosa : Neste exame é necessária a injeção de contraste para que os vasos sejam visualizados e o ponto de compressão visualizado.  Angio-Ressonância Magnética pélvica : Também é realizada a injeção de contraste para avaliação das veias pélvicas e compressão venosa. Juntamente com a Angiotomografia, fecha o diagnóstico na grande maioria dos casos.  Flebografia com Ultrassom Intravascular (IVUS): muitas vezes os exames anteriores não são suficientes para realizar o diagnóstico. Para a flebografia é realizada uma punção na virilha (para acessar as veias) e uma injeção de contraste diretamente na veia acometida. Avalia-se então o fluxo venoso, se há ou não compressão venosa e a presença de circulação colateral venosa e varizes pélvicas. Neste mesmo procedimento pode ser necessário o uso do Ultrassom Intravascular, um ultrassom que navega por dentro do vaso e consegue visualizar exatamente o grau e o local de compressão, auxiliando inclusive para a escolha do tamanho do stent que será utilizado para o tratamento  Tratamento  O tratamento é realizado via endovascular, através da angioplastia venosa.  Realiza-se uma punção na coxa ou na virilha e um fio guia e um cateter são introduzidos dentro da veia. O local de compressão é dilatado usando balões e por fim é implantado um stent venoso, para que a veia se mantenha aberta e permite novamente a passagem do sangue.  Casos em que se apresentam com trombose venosa aguda de veia ilíaca são tratados inicialmente através da trombólise para remover os coágulos. Após este tempo cirúrgico é possível identificar o local da compressão e fazer o tratamento através da angioplastia.