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A iniciativa do Conselho Regional de Educação de Física de formular esse documento referente ao problema da obesidade é um marco muito importante para nossa área. Essa ação reforçará a importância da atividade física para prevenir e combater a obesidade, pois a prática regular de exercícios físicos aliada aos hábitos alimentares saudáveis são as principais “armas” contra esse mal. Vejo a participação neste documento de professores, pesquisadores, colegas etc....
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Não perca as partes importantes!





























































































CREF4/SP Conselho Regional de Educação Física da 4ª Região – São Paulo Endereço Cond Edifício Mercantil Finasa - R. Líbero Badaró, 377 – 3º Andar, Centro, São Paulo – SP. CEP: 01009-000.
Presidente Nelson Leme da Silva Junior
Primeiro Vice-presidente: Pedro Roberto Pereira de Souza
Segundo Vice-presidente: Rialdo Tavares
Primeiro Secretário: Marcelo Vasques Casati
Segundo Secretário: José Medalha
Primeiro Tesoureiro: Humberto Aparecido Panzetti
Segundo Tesoureiro: Antonio Lourival Lourenço
COMISSÃO ESPECIAL de SAÚDE
Waldecir Paula Lima - Presidente Ismael Forte Freitas Junior - Secretário Érica Beatriz Lemes Pimentel Verderi Margareth Anderáos Mário Augusto Charro Valquíria Aparecida de Lima
APRESENTAÇÃO
Em 2011, foi criada a Comissão Especial da Saúde do Conselho Regional de Educação Física do Estado de São Paulo (CES – CREF4/SP) com o objetivo de: planejar e realizar cursos, palestras, encontros científicos e de discussão de temas variados na área da saúde; preparar e indicar membros para as diversas Câmaras e Conselhos da Saúde; discutir e propor pautas para apresentar no Fórum dos Conselhos de Atividade Fim de Saúde
Além desses objetivos, a CES busca organizar documentos oficiais associados à prescrição do treinamento para pessoas saudáveis (crianças-adolescentes, adultos, idosos e gestantes) e para grupos especiais, em função da crescente prevalência de pessoas que desenvolveram as Doenças Crônicas não Transmissíveis nos últimos anos.
O que nos motivou (na época) e nos motiva (atualmente) a desenvolver estas elaborações é a percepção dos membros da
CES em relação ao fato de que nem todos os Cursos de Graduação em Educação Física abordam de modo amplo a discussão sobre esses temas, fazendo com que muitos profissionais se baseiem em diretrizes internacionais para a atuação com maior profundidade em grupos especiais e pessoas saudáveis. A escassez e a dificuldade em encontrar material científico atualizado muitas vezes atrapalham a capacitação profissional na busca de conhecimento e orientação.
Desde o início do projeto, sucederam-se inúmeras reuniões objetivando indicar: o perfil dos profissionais mais adequados para escrever cada Documento Oficial (denominados Recomendações), qual a profundidade dos textos, quais as populações que seriam atendidas por estas e qual o modelo seguiriam na organização.
Os profissionais escolhidos para formar os Grupos de Trabalho (GT) são indicados pelos membros da Comissão Especial da Saúde, considerando o reconhecimento profissional por atuarem na prescrição de exercícios/treinamentos para o grupo temático, e/ou ainda entre os profissionais de Educação Física que estejam pesquisando e publicando sobre o assunto, tendo no modelo ideal, profissionais que atuem nas duas frentes concomitantemente. Após a indicação da CES, estes nomes são encaminhados para a Reunião Plenária do CREF4/SP, que referenda os membros do GT.
Com a definição de cada GT, um dos membros é escolhido como responsável pela organização das Recomendações, sendo-lhe facultada, na primeira reunião, a tarefa de dividir os tópicos e indicar os profissionais para escrevê-los (pela sua área de atuação). Este profissional responsável é quem organizará e compilará o texto, criando uma construção lógica dos conceitos
PREFÁCIO
Não há dúvida que a obesidade é um dos principais problemas de saúde pública do mundo. Em um estudo abrangente^1 , recentemente publicado no Periódico Lancet , dados alarmantes foram apresentados para a comunidade científica. Por exemplo, o número de pessoas com sobrepeso e pessoas obesas aumentou de 857 milhões (1980) para 2,1 bilhões de pessoas (2013 ). Além disso, mais de metade dos 671 milhões de obesos no mundo vive em 10 países (listados em ordem pelo número de obesos): Estados Unidos da América, China, Índia, Rússia, Brasil, México, Egito, Alemanha, Paquistão e Indonésia. O Brasil, portanto, já ocupa o quinto lugar nesse ranking !!!
O estudo ainda aponta que em 2010, 3,4 milhões de mortes foram atribuídas ao sobrepeso/obesidade. Diante desse cenário, é imprescindível que sejam tomadas ações envolvendo o Poder Público, a iniciativa privada, as organizações não governamentais, as organizações da sociedade civil de interesse público, as entidades de classe, as escolas, as paróquias, as famílias, enfim, todos unidos com o propósito de combater esse problema mundial.
1 Global, regional, and national prevalence of overweight and obesity in chil- dren and adults during 1980-2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013. Lancet. 2014 May 28. pii: S0140-6736(14)60460-8. doi: 10.1016/S0140-6736(14)60460-8.
A iniciativa do Conselho Regional de Educação de Física de formular esse documento referente ao problema da obesidade é um marco muito importante para nossa área. Essa ação reforçará a importância da atividade física para prevenir e combater a obesidade, pois a prática regular de exercícios físicos aliada aos hábitos alimentares saudáveis são as principais “armas” contra esse mal. Vejo a participação neste documento de professores, pesquisadores, colegas de profissão e amigos, da maior competência, que com certeza trarão informações valiosas sobre o tema em questão.
Finalizo, agradecendo o convite de prefaciar essa obra e desejo uma ótima leitura a todos os meus colegas de profissão.
Atenciosamente,
Prof. Dr. Marcelo Saldanha Aoki CREF 003760-G/SP Prof. Livre-docente do curso de Educação Física e Saúde Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH/USP).
INTRODUÇÃO
A obesidade é um problema de saúde pública no Brasil e no mundo e tem sido intensamente investigada por especialistas da área da saúde. Entre as várias formas de prevenção e tratamento da obesidade, tem-se dado grande importância à prática regular da atividade física, devido aos bons resultados e o baixo custo. Contudo, para obter os benefícios desse tipo de intervenção, é fundamental a orientação adequada de um profissional de Educação Física. Dessa forma, o presente documento visa apresentar recomendações que orientem a conduta e o procedimento dos profissionais de Educação Física para diagnosticar a obesidade e prescrever exercícios físicos para o emagrecimento. Para atingir tal objetivo, foram abordados os seguintes assuntos: Prevalência de obesidade no Brasil e no mundo; Estrutura, função e metabolismo dos lipídios; Classificação da obesidade; Prescrição do treinamento aeróbio para obesos; Prescrição do treinamento de força para obesos; Programas de exercício e controle alimentar; Aspectos nutricionais relacionados à obesidade. Cabe ressaltar que as recomendações apresentadas neste trabalho foram elaboradas por um grupo de especialistas em prescrição de atividade física para obesos, os quais trabalharam com informações atualizadas e baseadas em evidências científicas. Entende-se que este documento seja relevante para o sucesso das intervenções do profissional de Educação Física no combate à obesidade.
1. PREVALÊNCIA DE OBESIDADE NO
BRASIL E NO MUNDO
A epidemia da obesidade é um dos problemas mais relevantes de saúde pública na atualidade (WOF, 2016). Essa doença tem preocupado governantes de todo o mundo, principalmente, devido ao grande número de agravos associados à saúde. Segundo dados publicados no documento “ Obesity: halting the epidemic by making health easier ” (CDC, 2011), a obesidade aumenta o risco do desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, alguns casos de câncer, dislipidemias e apneia do sono. A prevalência de obesidade, no mundo, mais do que dobrou entre os anos de 1980 e 1914. Estima-se que no ano de 2014, mais de 1,9 bilhão de indivíduos adultos (39%) apresentavam excesso de peso, sendo que destes, 38% eram homens e 40% eram mulheres. Entre os indivíduos com excesso de peso, mais de 600 milhões (13%) eram obesos, sendo que destes, 11% eram homens e 15% eram mulheres (WHO, 2016). O aumento da prevalência de excesso de peso é observado tanto nos países desenvolvidos quanto nos países em desenvolvimento. Enquanto os homens têm maiores taxas de excesso de peso nos países desenvolvidos, as mulheres apresentam maiores taxas de excesso nos países em desenvolvimento (NG et al., 2014). De acordo com a World Health Organization (WHO, 2016), a obesidade e o excesso de peso que no passado eram considerados problemas, apenas, de países de alta renda, estão em ascensão
todas as regiões do país, em meio urbano ou rural e em todas as classes de rendimentos (IBGE, 2010). Cabe ressaltar que a POF é realizada pelo Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE) que coletou informações sobre o perfil antropométrico e o estado nutricional de crianças, adolescentes e adultos brasileiros. Para diagnóstico do excesso de peso e obesidade da população de crianças e adolescentes estudada pela POF 2008- 2009, utilizou-se o índice antropométrico IMC-para-idade. De acordo com a distribuição de referência da Organização Mundial da Saúde (ONIS et al., 2007), o excesso de peso e a obesidade foram identificados por valores do IMC-para-idade iguais ou superiores a 1 ou 2 escores z, respectivamente (IBGE, 2010). Em relação à população de adultos estudada pela POF 2008- 2009, o excesso de peso e a obesidade foram diagnosticados com base no Índice de Massa Corporal - IMC, sem a necessidade de ajustes para a idade. Considerou-se excesso de peso quando o IMC era igual ou superior a 25 kg/m 2 e obesidade quando o IMC era igual ou superior a 30 kg/m^2 (IBGE, 2010). A seguir, observam-se as prevalências de excesso de peso e obesidade de crianças, adolescentes e adultos estimadas pela POF (2008-2009), assim como, as tendências seculares de acordo com os inquéritos nacionais (Estudo Nacional da Despesa Familiar 1974-1975, Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição 1989, Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003/2008-2009).
Considerando a evolução da prevalência de excesso de peso e obesidade em crianças com idade entre 5 a 9 anos, os dados demonstram grande evolução nas últimas décadas. Para meninos, a prevalência de excesso de peso aumentou de
10,9%, em 1974-1975, para 34,8% em 2008-2009. Em relação às meninas, a prevalência de excesso de peso era de apenas 8,6% na avaliação de 1974-1975 e aumentou para 32,0% na avaliação de 2008-2009 (FIGURA 1).
Figura 1 – Prevalência de excesso de peso na população de 5 a 9 anos de idade, segundo sexo. Brasil, períodos: 1974-1975, 1989 e 2008-2009. Fonte: IBGE, POF 2008-2009. Períodos: 1974-1975, 1989 e 2008-2009.
A prevalência de obesidade no Brasil foi de 14,3%, sendo maior nos meninos do que nas meninas. De 1974-1975 para 2008-2009, a prevalência de obesidade aumentou de 2,9% para 16,6%, no sexo masculino, e de 1,8% para 11,8%, no sexo feminino (Figura 2). Cabe ressaltar que a região sudeste apresentou maior prevalência de obesidade nessa faixa etária (20,6%).
1974-1975 1989 2008-
MASCULINO
FEMINIMO
A prevalência de adolescentes obesos no Brasil foi de 4,9%, sendo maior nos meninos do que nas meninas. Para os meninos, a prevalência de obesidade, que era de apenas 0,4% em 1974- 1975, passou para 5,9% no inquérito de 2008-2009. Para as meninas, a prevalência de obesidade era de 0,7% na avaliação de 1974-1975, aumentou para 4,0% na avaliação de 2008- (Figura 4). As regiões sul e sudeste apresentaram maior prevalência de obesidade nessa faixa etária, sendo 7,6% e 7,3%, respectivamente.
Figura 4 – Prevalência de obesidade na população de 10 a 19 anos de idade, segundo sexo. Brasil, períodos 1974-1975, 1989, 2002-2003 e 2008-2009. Fonte: IBGE, POF 2008-2009. Períodos: 1974-1975, 1989 e 2002- e 2008-2009.
Os dados referentes à população adulta acima de 20 anos de idade apresentam altas prevalências de excesso de peso e obesidade, além de um aumento contínuo dessas prevalências nas últimas décadas. Para os homens, a prevalência de excesso
MASCULINO
FEMINIMO 1974-1975 1989 2002-2003 2008-
de peso em 1974-1975 era de 18,5% e passou para 29,9% no inquérito de 1989, 41,4% em 2002-2003 e alcançou 50,1% em 2008-2009. A prevalência de excesso de peso nas mulheres era de 28,7% em 1974-1975, passou para 41,4% em 1989, 40,9% em 2002-2003 e aumentou para 48,0% em 2008-2009 (Figura 5). Dessa forma, verifica-se, para ambos os sexos, que praticamente metade dos indivíduos apresenta excesso de peso.
Figura 5 – Prevalência de excesso de peso na população com 20 anos ou mais de idade, segundo sexo. Brasil, períodos 1974-1975, 1989, 2002-2003 e 2008-2009.
Fonte: IBGE, POF 2008-2009. Períodos: 1974-1975, 1989 e 2002- e 2008-2009.
A prevalência de adultos obesos no Brasil foi de 14,8%, sendo menor nos homens do que nas mulheres. Para homens, a prevalência em 1974-1975 era de apenas 2,8%, e alcançou 12,4% em 2008-2009. Em relação às mulheres, a prevalência de obesidade passou de 8,0% no inquérito de 1974-1975, para 16,9% em 2008-2009 (Figura 6).
MASCULINO
41.4 (^) 40.
FEMINIMO 1974-1975 1989 2002-2003 2008-