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Ocorrência de precipitação extremas em cabaceiras - pb, Notas de estudo de Meteorologia

Os eventos extremos de precipitação, como as chuvas fortes e as secas prolongadas, têm sido a causa de vários desastres naturais que provocam mortes e prejuízos para economia de uma localidade. Procurou-se analisar a variabilidade das ocorrências de eventos extremos de precipitação em Cabaceira - PB. Dados diários de precipitação pluviométrica que compreende os anos de 1970 – 2013 foram fornecidos pela Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA). As análises dos dados de pr

Tipologia: Notas de estudo

2017

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OCORRÊNCIA DE PRECIPITAÇÃO EXTREMAS EM
CABACEIRAS - PB
Romildo Morant de Holanda1, Raimundo Mainar de Medeiros2 , Emmanuelle Maria
Gonçalves Lorena3, Vicente de Paulo Silva
1 Prof. Dr. Universidade Federal Rural de Pernambuco, UFRPE, PE, Brasil, e-mail:
[email protected].; 2 Dr. em Meteorologia e Pesquisador da Universidade Federal Rural de
Pernambuco, e-mail: [email protected]; 3 Mestranda em Engenharia Ambiental UFRPE-
Universidade Federal Rural de Pernambuco, e-mail: [email protected]; 4 Prof. Dr.
Universidade Federal Rural de Pernambuco, UFRPR, e-mail: [email protected]
R E S U M O: Os eventos extremos de precipitação, como as chuvas fortes e as secas
prolongadas, têm sido a causa de vários desastres naturais que provocam mortes e
prejuízos para economia de uma localidade. Procurou-se analisar a variabilidade das
ocorrências de eventos extremos de precipitação em Cabaceira - PB. Dados diários de
precipitação pluviométrica que compreende os anos de 1970 2013 foram fornecidos
pela Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA). As análises
dos dados de precipitação de cada ano foram realizadas com a utilização do aplicativo
Excel. Os eventos extremos analisados foram os de maior intensidade de precipitação
diária para cada ano de estudo. Os resultados mostraram que houve mudança no
comportamento das ocorrências de precipitação a partir do início da década de 90 na
área de estudo. Ocorreu intensificação na precipitação máxima anual apresentando
maior número de eventos com valores de precipitação superior a 50 mm/dia. Não
ocorreu relação direta entre a intensificação na precipitação e ocorrências com eventos
de ENOS. Porém, alguns anos apresentaram influência desses eventos. Eventos
extremos de precipitação foram mais evidentes entre os meses da estação chuvosa com
68% das ocorrências e apenas 32% foram observados na estação seca.
Palavras-chave: ENOS; desastre analise e variabilidade climática.
OCCURRENCE OF EXTREME PRECIPITATION IN
CABACEIRAS - PB
ABSTRACT: The extreme precipitation events, such as heavy rains and prolonged
droughts have been the cause of several natural disasters that cause deaths and damage
to the economy of a locality. We sought to analyze the variability of occurrences of
extreme precipitation events in Cabaceira - PB. Daily rainfall data comprising the years
1970 - 2013 were provided by the Executive Agency of Water Management in the State
of Paraíba (EFSA). The analysis of rainfall data for each year were performed using the
Excel application. Extreme events analyzed were the most intense daily rainfall for each
year of study. The results showed that there was a change in the behavior of occurrences
of rainfall from the beginning of the 90 in the study area. Intensification occurred in the
maximum annual rainfall presenting greater number of events with values higher
rainfall 50 mm/day. There was no direct relationship between intensification and
precipitation occurrences with ENSO events. However, some years had influence these
events. Extreme precipitation events were more evident among the months of the rainy
season, with 68% of cases and only 32% were observed in the dry season.
Keywords: ENSO, climate variability and disaster analysis.
INTRODUÇÃO
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OCORRÊNCIA DE PRECIPITAÇÃO EXTREMAS EM

CABACEIRAS - PB

Romildo Morant de Holanda 1 , Raimundo Mainar de Medeiros^2 , Emmanuelle Maria Gonçalves Lorena 3 , Vicente de Paulo Silva (^1) Prof. Dr. Universidade Federal Rural de Pernambuco, UFRPE, PE, Brasil, e-mail: [email protected].; 2 Dr. em Meteorologia e Pesquisador da Universidade Federal Rural de Pernambuco, e-mail: [email protected]; 3 Mestranda em Engenharia Ambiental UFRPE- Universidade Federal Rural de Pernambuco, e-mail: [email protected]; 4 Prof. Dr. Universidade Federal Rural de Pernambuco, UFRPR, e-mail: [email protected]

R E S U M O: Os eventos extremos de precipitação, como as chuvas fortes e as secas prolongadas, têm sido a causa de vários desastres naturais que provocam mortes e prejuízos para economia de uma localidade. Procurou-se analisar a variabilidade das ocorrências de eventos extremos de precipitação em Cabaceira - PB. Dados diários de precipitação pluviométrica que compreende os anos de 1970 – 2013 foram fornecidos pela Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA). As análises dos dados de precipitação de cada ano foram realizadas com a utilização do aplicativo Excel_._ Os eventos extremos analisados foram os de maior intensidade de precipitação diária para cada ano de estudo. Os resultados mostraram que houve mudança no comportamento das ocorrências de precipitação a partir do início da década de 90 na área de estudo. Ocorreu intensificação na precipitação máxima anual apresentando maior número de eventos com valores de precipitação superior a 50 mm/dia. Não ocorreu relação direta entre a intensificação na precipitação e ocorrências com eventos de ENOS. Porém, alguns anos apresentaram influência desses eventos. Eventos extremos de precipitação foram mais evidentes entre os meses da estação chuvosa com 68% das ocorrências e apenas 32% foram observados na estação seca. Palavras-chave: ENOS; desastre analise e variabilidade climática.

OCCURRENCE OF EXTREME PRECIPITATION IN

CABACEIRAS - PB

ABSTRACT: The extreme precipitation events, such as heavy rains and prolonged droughts have been the cause of several natural disasters that cause deaths and damage to the economy of a locality. We sought to analyze the variability of occurrences of extreme precipitation events in Cabaceira - PB. Daily rainfall data comprising the years 1970 - 2013 were provided by the Executive Agency of Water Management in the State of Paraíba (EFSA). The analysis of rainfall data for each year were performed using the Excel application. Extreme events analyzed were the most intense daily rainfall for each year of study. The results showed that there was a change in the behavior of occurrences of rainfall from the beginning of the 90 in the study area. Intensification occurred in the maximum annual rainfall presenting greater number of events with values higher rainfall 50 mm/day. There was no direct relationship between intensification and precipitation occurrences with ENSO events. However, some years had influence these events. Extreme precipitation events were more evident among the months of the rainy season, with 68% of cases and only 32% were observed in the dry season. Keywords: ENSO, climate variability and disaster analysis. INTRODUÇÃO

O conhecimento das condições climáticas de uma determinada região é necessário para que se possa estabelecer estratégias, que visem o manejo mais adequado dos recursos naturais, almejando dessa forma, a busca por um desenvolvimento sustentável e a implementação das práticas agropecuárias viáveis e seguras para os diversos biomas da região (Sousa et al., 2010). As constantes mudanças no clima estão provocando aumento nas ocorrências de eventos climáticos extremos no mundo inteiro. No Brasil, esses eventos ocorrem, principalmente, como enchentes (fortes chuvas) e secas prolongadas (Marengo et al., 2010). No Nordeste do Brasil (NEB) os impactos são ainda maiores devido à grande variabilidade na ocorrência de precipitação dessa região. Os principais sistemas responsáveis pela ocorrência de precipitação no NEB são: Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), Vórtices Ciclônico de Altos Níveis (VCAN), Linha de Instabilidade (LI), Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), Brisas (Marítima e Terrestres) e as Perturbações Ondulatórias nos ventos Alísios (POAS) (Molion e Bernardo, 2002). O El Niño – Oscilação Sul (ENOS) é outro modo de variabilidade climática que influência na ocorrência de precipitação do NEB. Os eventos extremos são os principais causadores da maioria dos desastres naturais ocorridos nos últimos anos e têm afetado diretamente a população. Como consequências destes desastres ocorrem perdas de vidas humanas e animal, prejuízos na economia, agricultura, transporte, saúde e moradia além de causar impactos graves aos mais variados ecossistemas. Medeiros et al. (2014) analisaram as ocorrências de eventos extremos de precipitação em Campina Grande, com dados diários de precipitação que compreende os anos de 1970–2010, Os eventos extremos analisados foram os de maior intensidade de precipitação diária para os anos estudados. Os resultados mostraram que houve mudança no comportamento das ocorrências de precipitação a partir da década de 70 na área de estudo. Ocorreu intensificação na precipitação máxima apresentando maior número de eventos com valores de precipitação superior a 80 mm. Não houve, de modo geral, relação direta entre a intensificação na precipitação e ocorrências com eventos de ENOS. Eventos extremos foram evidentes entre os meses da estação chuvosa, com 88% das ocorrências e 12% na estação seca. O monitoramento do regime pluviométrico da região nos últimos anos tem mostrado que a escassez de recursos hídricos acentua os problemas socioeconômicos, em particular ao final de cada ano, com os totais pluviométricos em torno ou abaixo da média da região em conformidade com Marengo e Silva Dias (2006). Secas prolongadas tornam a água um recurso indisponível e até escasso provocando a migração da população para outras regiões em busca de melhores condições de sobrevivência. A falta de precipitação bloqueia o desenvolvimento da agrícola e a agropecuária trazendo consequências negativas para a economia da região. Nas plantas, a falta de água prejudica o seu desenvolvimento em suas diversas fases de crescimento, principalmente, quando este problema ocorre durante fases fenológicas nas quais elas necessitam de maiores quantidades de água, como, por exemplo, durante a floração e frutificação conforme Fietz et al. (1998). A ausência de chuvas provoca baixa disponibilidade de água no solo que limita o desenvolvimento das plantas provocando perdas na produtividade final. As culturas agrícolas também podem ser afetadas pelo excesso de água que mata as plantas por afogamento quando essas estão na fase inicial de crescimento. De maneira geral, pode-se dizer que o aquecimento global, em um futuro próximo, tende a apresentar um cenário de clima mais extremo, com maiores ocorrências de estiagens e inundações. Logo, é importante saber a frequência e a intensidade com que esse fenômeno meteorológico vem ocorrendo nas últimas décadas.

XX Congresso Brasileiro de Agrometeorologia V Simpósio de Mudanças Climáticas e Desertificação do Semiárido Brasileiro

Juazeiro-BA/Petrolina-PE, Brasil. 14 a 18 de agosto de 2017

Na análise das ocorrências de eventos extremos de precipitação do período de 1970-2013 (Figura 1) demonstram que na década de 90 e 2000 vem ocorrendo maior variabilidade nos índices de precipitação variando, na sua maioria, entre 50 e 218 mm, com destaque para os anos de 1971, 1975, 1977, 1978, 1981, 1985, 1988, 1989, 1991, 1994, 1995, 1996, 2000, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 e 2011 que os índices pluviométricos foram maiores que 50 mm, exceto os anos de 2002 (172 mm ) e 2008 com 218,2 mm). A década de 70 e 80 ocorreu variabilidade na intensificação da precipitação máxima mensal apresentando menores números de eventos com índices pluviométricos inferiores aos 50 mm. Nos últimos anos (2000 a 2010) os eventos extremos oscilaram na sua flutuação espaço-temporal com precipitação máxima diária bem acima do padrão normal. Notou-se também que não houve relação direta entre a intensificação na precipitação e ocorrências com eventos de ENOS (Figura 1). Porém, em alguns anos a relação foi constatada. Em geral, no nordeste os ENOS alteram os totais pluviométricos da região e também a ocorrência de períodos secos (Carvalho, 2009). Eventos extremos de precipitação são mais evidentes entre os meses da estação chuvosa que se estende de fevereiro a julho, (Tabela 1), com 24 ocorrências, de um total de 40, representando 60% de chances de ocorrência. Nesse período foram registrados os eventos mais intensos com valores superiores a 50 mm. A estação seca (setembro – dezembro) exibiu pequenas ocorrências de eventos extremos de precipitação representando cerca de 5% de chances de ocorrência. Porém, a maioria desses eventos possuiu valores de precipitação pouco menor que 50 mm. Esses eventos apesar de não serem tão frequentes possuem grande quantidade de água que é suficiente para proporcionar grandes estragos e prejuízos locais à fruticultura local.

Figura 1. Precipitação absoluta máxima anual (mm) durante o período de 1970 a 2010 em Cabaceiras, PB. FONTE: Medeiros, (2013).

Tabela 1. Dia da ocorrência da máxima precipitação anual durante o período de 1970 a 2010 em Campina Grande, PB. ANO DIA/MÊS/ÍNDICE ANO DIA/MÊS/ÍNDICE ANO DIA/MÊS/ÍNDICE ANO DIA/MÊS/ÍNDICE 1970 25/04 – 35,0 1981 27//01 – 77,0 1992 04/04 – 50,0 2003 04/05 – 82, 1971 08/04 – 60,0 1982 01/06 – 37,4 1993 13/07 – 24,0 2004 04/02 - 80, 1972 12/02 – 42,0 1983 15/06 – 18,5 1994 20/02 – 60,0 2005 19/03 – 53, 1973 02/05 – 25,4 1984 19/05 – 40,0 1995 26/03 – 72,2 2006 16/02 – 69, 1974 30/05 – 38,2 1985 22/03 – 50,9 1996 07/04 – 62,2 2007 01/03 – 53, 1975 01/03 – 50,6 1986 02/02 – 46,2 1997 23/03 – 41,3 2008 18/03 – 218, 1976 12/02 – 42,5 1987 21/03 – 35,0 1998 29/03 – 21,2 2009 24/02 – 82, 1977 04/04 – 83,0 1988 25/02 – 75,0 1999 15/03 – 43,2 2010 26/03 – 28,

XX Congresso Brasileiro de Agrometeorologia V Simpósio de Mudanças Climáticas e Desertificação do Semiárido Brasileiro

Juazeiro-BA/Petrolina-PE, Brasil. 14 a 18 de agosto de 2017

1978 09/04 – 68,0 1989 18/04 – 75,0 2000 14/02 – 52,0 2011 02/03 – 50, 1979 25/04 – 85,2 1990 25/02 – 32,0 2001 27/06 – 44,2 2012 1980 13/02 – 35,5 1991 29/03 – 74,6 2002 15/02 – 172,0 2013 FONTE: Medeiros, 2013.

Tabela 2. Classificação e Intensidade do El Niño – Oscilação Sul no período de 1970-2010. Período Classificação Intensidade Período Classificação Intensidade Período Classificação Intensidade 1972-1973 El Niño Forte 1973-1976 La Niña Forte 1976-1977 El Niño Fraco 1977-1978 El Niño Fraco 1979-1980 El Niño Fraco 1982-1983 El Niño Forte 1983-1984 La Niña Fraco 1984-1985 La Niña Fraco 1986-1988 El Niño Moderado 1988-1989 La Niña Forte 1990-1993 El Niño Forte 1990-1993 El Niño Forte 1994-1995 El Niño Moderado 1995-1996 La Niña Fraco 1997-1998 El Niño Forte 1998-2001 La Niña Moderado 2002-2003 El Niño Moderado 2004-2007 El Niño Forte 2008 La Niña Forte 2009-2010 El Niño Fraco 2011 La Niña Moderada

2012 El Niño Moderado 2013 El Niño Forte

FONTE: CPTEC

CONCLUSÃO Ocorrência de mudança no comportamento das precipitações a partir do início da década de 90 e 2000 vem causando, variabilidade espaço-temporal na intensificação da precipitação máxima anual apresentando maior número de eventos com valores de precipitação igual ou superior a 50 mm/dia. Não ocorreu relação direta entre a intensificação na precipitação e ocorrências com eventos de ENOS. Ressaltando que em alguns anos perceberam-se as influências da La Niña. Eventos extremos de precipitação foram mais evidentes entre os meses da estação chuvosa com 68% das ocorrências e apenas 32% foram observados na estação seca.

REFERÊNCIAS CARVALHO, A. L.; SOUZA, J. L.; LYRA, G. B.; PORFIRIO, A. C. S.; FERREIRA JUNIOR, R. A.; SANTOS, M. A.; WANDERLEY, H. S. Probabilidade de ocorrência de períodos secos para a região de Rio Largo, Alagoas. In: Congresso Brasileiro de Agrometeorologia, XVI, Belo Horizonte, MG, Anais....(CD-Rom), 2009. CPTEC/INPE. FIETZ, C. R.; FRIZZONE, F. A.; FOLEGATTI, M. V. Probabilidade de ocorrência de períodos secos e chuvosos na região de Dourados, MS. Irriga (Botucatu), Botucatu, v.3, n.1, p. 16-22, 1998. MARENGO, J. A.; SCHAEFFER, R.; ZEE, D.; PINTO, H. S. Mudanças climáticas e eventos extremos no Brasil. Disponível em: http://www.fbds.org.br/cop15/ FBDS_MudancasClimaticas.pdf. Acessado em outubro de 2010. MARENGO, J.; SILVA DIAS, P. Mudanças climáticas globais e seus impactos nos recursos hídricos. Capítulo 3, Águas Doces do Brasil: Capital Ecológico, Uso e Conservação, 2006, pp.63-109, Eds. A. Rebouças, B., Braga e J. Tundisi. Editoras Escrituras, SP. MEDEIROS, R. M.; SOUSA, E. P.; GOMES FILHO, M. F. Ocorrência de eventos extremos de precipitação em Campina Grande – Paraíba, Brasil. Capítulo 3.2: Riscos Climáticos e Hidrológicos. p.437-440. 2014. MEDEIROS, R. M. Estudo agrometeorológico para o estado da Paraíba. P.128, 2013. MOLION, L. C. B.; BERNARDO, S. Uma revisão da dinâmica das chuvas no Nordeste brasileiro. Revista Brasileira de Meteorologia, v. 17, p. 1-10, 2002.