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VARIABILIDADE DAS TEMPERATURAS EXTREMAS E MÉDIA DO AR E DO
ENTORNO DA LAGOA PARNAGUÁ
Romildo Morant de Holanda
Prof. Dr. Universidade Federal Rural de Pernambuco, UFRPR, e-mail:
Raimundo Mainar de Medeiros
Pesquisador da Universidade Federal Rural de Pernambuco, e-mail: [email protected]
Marcelo Kozmhinsky
Mestrando em Engenharia Ambiental, UFRPE, e-mail: [email protected]
Vicente de Paulo Silva
Prof. Dr. Universidade Federal Rural de Pernambuco, UFRPE, PE, Brasil, e-mail:
RESUMO
Objetivando a delimitação da variabilidade da temperatura máxima (Tx), mínima (Tn) e média (Tm)
do ar na área municipal e do entorno da lagoa do parnaguá. Com o desenvolvimento e a expansão
agropecuária, grande áreas estão sendo desmatada, não levando em consideração a contribuição dos
fatores meteorológicos entre elas em especial as temperaturas que podem minimizar a ocorrência de
prejuízos de efeitos anômalos que por ventura aconteça. Utilizaram-se dados de Tx, Tn e Tm
estimadas pelo software estima – T compreendido entre os anos de 1960 – 2015, sendo obtidas as
médias mensais, anuais, máximos e mínimos valores. Observando das variabilidades da Tx, Tn e Tm
balizaram-se o trimestre mais quente e seus valores mensais e anuais, assim como os valores
máximos e mínimos absolutos observados. Os resultados mostram que no período quente aumentam
as possibilidades de focos de queimadas e incêndios e em áreas verdes são benéficos à produção de
pastagens e grão. As definições dos trimestres mais quentes e as informações das épocas de menor
temperatura máximas do ar serviram de alerta às autoridades federais, estaduais, municipais e aos
tomadores de decisões, para efetivações de melhores planejamentos. A temperatura média é a
representação da variação e oscilação das temperaturas extremas e qualquer modificação nestes
elementos, as temperaturas médias se adequam as suas oscilações que decorrem dos sistemas
sinóticos atuantes na época do período chuvoso e seco tal como dos impactos no meio ambiente.
PALAVRA-CHAVES: Variáveis atmosféricas, oscilações mensais, alertas extremas.
ABSTRACT
Aiming to the delimitation of the variability of the maximum temperature (Tx), minimum (Tn) and
average (Tm) of the air in the local area and around the Parnaguá pond. With the development and
agricultural expansion, large areas are being deforested, not taking into account the contribution of
the meteorological factors including particularly temperatures that can minimize the occurrence of
loss of anomalous effects that perchance happen. They used data Tx, Tn and Tm estimated by
estimator software - T between the years 1960 - 2015, and obtained the average monthly, annual,
maximum and minimum values. Noting the variabilities of TX, Tn and Tm is the hottest quarter and
their monthly and annual values as well as the absolute maximum and minimum values observed.
The results show that the warm period increases the possibilities of fire outbreaks and fires and
green areas are beneficial to the production of pastures and grain. The definitions of the hottest
quarters and information from times of lower maximum air temperature served as a warning to
federal, state, and municipal decision makers to functionings better planning. The average
temperature is the representation of the variation and fluctuation of temperature extremes and any
changes in these elements, the average temperatures fit their fluctuations arising from active
synoptic systems at the time of the rainy and dry season as the impacts on the environment.
KEYWORD: atmospheric variables, monthly fluctuations, extreme alerts.
INTRODUÇÃO
Nos dias atuais tem-se presenciado grandes ocorrências de eventos atmosféricos extremos.
O conhecimento das variáveis meteorológicas é importante para a elaboração de programas
preventivos e de combate às graves consequências associadas a esses fatos. A delimitação do clima
de uma região permite estabelecer os indicadores do potencial do meio físico para o local em
estudo, bem como as demarcações das áreas homogêneas, do ponto de vista socioeconômico, o que
contribui para o planejamento e desenvolvimento sustentável da região.
Medeiros et. al. (2012) calcularam a temperatura do ar média diária com o emprego de
diferentes metodologias para os municípios de Parnaíba, Picos e Gilbués localizados,
respectivamente, na área litorânea, na região central do Estado do Piauí e pertencente à região
semiárida, em terras do cerrado e desertificada. Utilizaram quatro métodos para o cálculo da
temperatura média, sendo adotado como padrão o recomendado pelo Instituto Nacional de
Meteorologia (INMET). Os quatro métodos avaliados em relação ao padrão possuíram desempenho
classificado como “Muito bom e Ótimo”, com índice de confiança variando entre 0,83 a 0,98. Os
resultados ainda indicam que nas condições climáticas da região de estudo os quatro métodos
avaliados em relação ao padrão (INMET) podem ser utilizados nas estimativas das temperaturas
médias diárias do ar.
De acordo com Pereira et al. (2013) a modelagem das estimativas das temperaturas
máximas, mínimas e médias possibilitam o uso de técnicas de regressão linear múltipla e Krigagem
ordinária. O ajuste das equações de regressão para as estimativas de temperaturas máximas,
mínimas e médias é uma alternativa viável para ampliar a base de dados climáticos, através de
mapas temáticos de temperatura, fornecendo subsídios para um planejamento agropecuário de
acordo com Medeiros et al. (2005).
Embora existam longas séries de dados de temperatura do ar para algumas localidades de
uma dada região, pode não haver registro exatamente daquela localidade em que se está interessado.
Outro fator que diz respeito ao número de estações meteorológicas que é pequeno, tornando baixa a
densidade das informações disponíveis sobre a temperatura, dificultando a caracterização do campo
térmico. Estas situações são muito frequentes na prática e estimulam concepções de técnicas que
busquem estimar a temperatura em locais onde não há dados conforme Varejão-Silva (2006).
Objetiva-se analisar a variabilidade temporal da temperatura máxima, média e mínima do ar
para o município de Parnaguá e do entorno da lagoa de referido município nas escalas mensal, anual
e decadal e suas contribuições à secagem ou não da referida Lagoa.
MATERIAIS E MÉTODOS
A área em estudo compreende o município de Parnaguá que está localizado na microrregião
da Chapada Extremo Sul Piauiense com suas respectivas coordenadas geográficas na latitude de
10º13’ sul e na longitude de 44º38’ Oeste e a uma altitude de 316 metros (Figura 1). Sua área
territorial é de 3.429,3 Km^2 , onde esta inserida a respectiva lagoa com uma população de 10.
habitantes (IBGE, 2010).
b
Figura 1. Localização do município dentro do Estado.
Para as plotagens dos dados e elaboração dos gráficos e tabelas utilizou-se do software em
planilhas eletrônicas. Foram utilizados dos dados observados nos horários sinóticos e aplicaram-se
algumas estatísticas como média, desvio padrão, cálculos dos valores máximos e mínimos absolutos
e coeficiente de variância com a finalidade de obterem-se os resultados.
Na metodologia utilizou-se valores de temperatura máxima, média e mínima do ar estimados
pelo Software Estima_T em conformidade com os autores Cavalcanti e Silva (1994) e Cavalcanti et
al. (2006). Nesse modelo empírico de estimativa da temperatura do ar é utilizada uma superfície
quadrática em função das coordenadas locais: longitude, latitude e altitude dada pela Equação 1.
T=C 0 + C 1 λ + C 2 Ø + C 3 h + C 4 λ 2 + C 5 Ø 2 + C 6 h 2 + C 7 λ (^) Ø + C 8 λ h + C 9 Øh (1)
Onde:
C 0 , C 1 ,...., C 9 são as constantes;
λ, λ 2 , λ Ø, λ h longitude;
Ø, Ø 2 , λ Ø latitude;
h, h 2 , λ h, Ø h altitude.
As séries temporais de temperatura máxima, média e mínima foram estimadas também
utilizando o Estima_T adicionando a esta a anomalia de temperatura do Oceano Atlântico Tropical
de acordo com Cavalcanti (2006).
Tij = Ti + AATij (2)
em que:
temperatura mínima das máximas varia entre 24,6 °C a 29 °C demostrando que as madrugadas
estão ficando aquecidas.
Figura 1. Temperatura média da máxima absoluta; média da média e média da mínima absoluta para o município de Parnaguá e do entorno de sua lagoa.
Na Tabela 2 tem-se o demonstrativo da temperatura média decadal (1960 a 2000) para o
município de Parnaguá e do entorno de sua lagoa. Os valores baixos das médias decadal ocorrem
entre os meses de junho a agosto para as décadas em estudo, suas oscilações foram próximas com
exceção à década de 1980 que apresentou maiores amplitudes com flutuações, estas flutuações estão
interligadas aos sistemas de micro escala e aos efeitos locais. Observam-se oscilações com menores
flutuabilidades nos meses de novembro a março, estas irregularidades estão interligadas as
oscilações e/ou atuações dos fenômenos de meso e larga escala atuante na área de estudo. Nas
décadas de 1990 e 2000 destacam-se aumentos nas temperaturas decadal devido a atuações do
fenômeno de larga escala como El Niño/La Niña predominante na região do NEB alterando seus
padrões térmicos.
Décadas Jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Anual 1960-1969 25,7 25,6 25,0 25,3 25,4 25,0 25,2 27,1 29,5 28,7 27,0 26,2 26, 1970-1979 26,0 25,9 25,3 25,6 25,7 25,3 25,5 27,4 29,8 29,0 27,3 26,5 26, 1980-1989 26,1 26,0 25,5 25,8 25,9 25,5 25,6 27,5 29,9 29,1 27,4 26,6 26, 1990-1999 26,1 26,0 25,5 25,7 25,8 25,4 25,6 27,6 30,0 29,2 27,5 26,8 26, 2000-2009 26,2 26,1 25,8 25,8 25,9 25,4 25,6 27,5 29,8 29,0 27,3 26,5 26, Tabela 2. Temperatura média decadal do município de Parnaguá e do entorno de sua lagoa.
Na Figura 2 tem-se a variabilidade da temperatura média decadal do município de Parnaguá
e do entorno de sua lagoa. As décadas de 1960 e 1970 apresenta-se como as de memores
flutuabilidades demonstrando que para as referidas décadas ocorreram anomalias nos seus índices.
Nas décadas de 80, 90 e 2000 as oscilações das temperaturas médias sofreram aumentos quando
comparadas as décadas de 60 e 70. Entre 2010 e 2015 as temperaturas médias foram intermediarias
às outras décadas. Para todas as décadas estudadas as temperaturas sofrem reduções entre os meses
de dezembro a maio e entre os meses de agosto a outubro que tem suas elevações máximas. Estas
variabilidades estão interligadas a predominância do período seco e chuvoso e às flutuações dos
fenômenos transientes atuantes na escala regional e local.
Figura 2. Variabilidade da temperatura média decadal do município de Parnaguá e do entorno da lagoa.
Tem-se na Tabela 3 o demonstrativo da temperatura máxima, desvio padrão, coeficiente de
variância, máxima e mínima absoluta para o município de Parnaguá e do entorno da sua lagoa. O
desvio padrão em relação à média e o coeficiente de variância não apresentam valores. Os valores
médios oscilam entre 32,1°C em janeiro a 37,5 °C no mês de setembro com uma média anual de
34°C. Os máximos absolutos variam entre 33,2 °C em dezembro e janeiro, a 38,2 °C no mês de
setembro e as temperaturas mínimas absolutas oscilam entre 30,9 °C nos mês de março a 36,8 °C
em setembro.
Parâmetros/meses Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Anual Média 32,1 32,2 31,5 32,2 33,9 34,9 35,7 37,3 37,5 35,4 32,6 32,2 34, Desvio padrão 0,4 0,4 0,5 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,4 0,4 0,4 0, Coef. variância 0,01 0,01 0,02 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0,01 0, Máxima absoluto 33,2 33,3 34,6 33,0 34,7 35,5 36,3 37,9 38,2 36,2 33,6 33,2 34, Mínima absoluto 31,3 31,6 30,9 31,7 33,2 34,3 35,0 36,7 36,8 34,6 31,8 31,3 33, Tabela 3. Temperatura máxima histórica, desvio padrão, coeficiente de variância (coef. variância), máxima e mínima absoluta para Parnaguá e do entorno de sua lagoa.
Na Figura 3 tem-se a variabilidade da temperatura máxima da máxima absoluta; média da
máxima e mínima da máxima absoluta para o município de Parnaguá e do entorno de sua lagoa.
Observa-se que as oscilações da temperatura máxima da máxima absoluta ocorrem com maior
frequência entre os meses de maio a setembro e nos meses de outubro a abril que sofrem reduções
devido à atuação da época da quadra chuvosa, destaca-se que no mês de março ocorreu anomalia
acima do padrão normal em relação aos restantes dos meses analisados. Na curva da temperatura
A Figura 4 têm basicamente as mesmas oscilações dos parâmetros analisados para as outras
décadas. Exceto os meses de fevereiro a abril para a década de 2000. Nas décadas de 60 e 70 as
taxas de temperatura máxima foram inferiores às demais décadas estudadas.
Figura 4. Variabilidade da temperatura média máxima decadal do município de Parnaguá e do entorno de sua lagoa.
Na Tabela 5 tem-se a representatividade da temperatura mínima, desvio padrão, coeficiente
de variância, máxima e mínima absoluta para Parnaguá e do entorno da sua lagoa. A temperatura
média da mínima é de 19,1°C e sua oscilação mensal variam entre 15,1 °C no mês de julho a 22,
°C no mês de outubro. As temperaturas máximas absoluta oscilam entre 15,7 a 23,3 °C e as
mínimas absolutas entre 14,5 a 21,6 °C. O desvio padrão e o coeficiente de variância não
apresentam grandes flutuações para o período em estudo.
Parâmetros/meses Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Anual Média 19,7 19,4 19,1 18,8 17,4 15,5 15,1 17,5 21,9 22,4 21,8 20,7 19, Desvio padrão 0,4 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,4 0,4 0, Coef. variância 0,02 0,02 0,02 0,02 0,02 0,02 0,02 0,02 0,01 0,02 0,02 0,02 0, Máxima absoluto 20,7 20,4 20,0 19,6 18,2 16,1 15,7 18,1 22,6 23,3 22,7 21,8 19, Mínima absoluto 18,8 18,7 18,5 18,3 16,7 14,9 14,5 16,9 21,2 21,6 20,9 19,8 18, Tabela 5. Temperatura mínima histórica, desvio padrão, coeficiente de variância (coef. variância), máxima e mínima absoluta para Parnaguá e do entorno de sua lagoa.
A Figura 5 mostra as oscilações das temperaturas mínimas da máxima absoluta; média da
mínima e mínima da mínima absoluta para o local de estudo. Observa-se que as oscilações da
temperatura média das mínimas, mínima da máxima e mínima da mínima, começam a aquecer na
segunda quinzena de agosto e eleva-se nos meses de setembro a novembro sofrendo reduções entre
os meses de maio a junho. Entre os meses de janeiro a abril sofrem reduções gradativas com as
predominâncias das chuvas e suas amplitudes seguem as curvas das médias e mínimas.
Figura 5. Temperatura mínima da máxima absoluta; média da mínima e mínima da mínima absoluta para o município de Parnaguá e do entorno de sua lagoa.
Na tabela 6 observa-se a variabilidade da Temperatura média mínima decadal do município
de Parnaguá e do entorno de sua lagoa. Para as décadas 1970, 1980, 1990 e 2000 as temperaturas
mínimas fluíram basicamente equiparadas exceto na década de 80 e 2000 quando comparadas às
demais entre os meses de janeiro a junho. Estas flutuações de aumentos foram causadas pelo fator
transiente local e regional.
Décadas Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Anual 1960-1969 19,5 19,2 18,8 18,6 17,2 15,3 14,9 17,3 21,7 22,2 21,5 20,5 18, 1970-1979 19,8 19,4 19,1 18,9 17,4 15,6 15,2 17,5 22,0 22,5 21,8 20,8 19, 1980-1989 19,9 19,6 19,3 19,1 17,6 15,8 15,3 17,6 22,1 22,6 22,0 20,9 19, 1990-1999 19,8 19,5 19,2 19,0 17,6 15,8 15,4 17,8 22,2 22,8 22,1 21,0 19, 2000-2009 19,9 19,6 19,3 19,1 17,6 15,7 15,3 17,6 22,0 22,5 21,8 20,8 19, Tabela 6. Temperatura média mínima decadal do município de Parnaguá e do entorno de sua lagoa.
Na figura 6 tem-se a variabilidade temporal da temperatura média mínima nas décadas de
1960, 1970, 1980,1990 e 2000 no município de Parnaguá e do entorno de sua lagoa. Observa-se que
em todas as décadas estudadas, as flutuações das temperaturas mínimas apresentam aumentos
compreendidos entre os meses de agosto a novembro, nos meses de abril a julho as reduções na
flutuabilidade da temperatura mínima são destacadas atingindo o seu mínimo de 14,5 °C em todas
as décadas estudadas com ênfase maiores para as décadas de 1960 e 1970 que fogem dos padrões
normais das demais décadas apresentadas na figura 6. Nos meses de janeiro a abril observa-se uma
redução gradativa por volta de 2 °C.
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