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Arlindo Ugulino Netto ONCOLOGIA MEDICINA P5 2009.2
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MED RESUMOS 2013
ARLINDO UGULINO NETTO
MEDICINA P5 2009.2
ONCOLOGIA
REFERÊNCIAS
1. Material baseado nas aulas ministradas pelos Professores Emílio Lacerda, Saulo Ataíde e Andréa
Gadelha durante o semestre letivo de 2009.2.
2. Ademar Lopes, Hirofumi Iyeyasu, Rosa Maria Castro. Oncologia para graduação. Tecmed, 2008.
3. Roberto Gomes. Oncologia básica. Revinter Editora. 1 ed.
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MED RESUMOS 2013

ARLINDO UGULINO NETTO

MEDICINA – P5 – 2009.

ONCOLOGIA

REFERÊNCIAS

1. Material baseado nas aulas ministradas pelos Professores Emílio Lacerda, Saulo Ataíde e Andréa

Gadelha durante o semestre letivo de 2009.2.

2. Ademar Lopes, Hirofumi Iyeyasu, Rosa Maria Castro. Oncologia para graduação. Tecmed, 2008.

3. Roberto Gomes. Oncologia básica. Revinter Editora. 1 ed.

MED RESUMOS 2013

NETTO, Arlindo Ugulino.

ONCOLOGIA

BASES DA ONCOLOGIA

A oncologia € a especialidade m€dica que estuda e trata do cncer, bem como a forma de comportamento patol‚gico que esta entidade desenvolve no organismo, buscando entender a sua fisiopatologia e desenvolver m€todos terapƒuticos adequados para o seu tratamento. Podemos dizer que o cncer € consequƒncia de altera„ es moleculares que conferem † c€lula modifica„ es em seu comportamento e resultam em altera„ es na fisiologia celular que, em ‡ltima instncia, sˆo respons‰veis pela biologia do cncer.

DIFERENAS ENTRE A C‚LULA NORMAL E A C‚LULA CANCEROSA

Quando as c€lulas extraŠdas de tumores sˆo colocadas em cultura, elas apresentam um padrˆo de crescimento diferente das c€lulas extraŠdas de tecidos normais. Essa caracterŠstica confere-lhes a condi„ˆo de c€lulas transformadas, isto €, sˆo c€lulas independentes de mecanismos de ancoragem, de fatores de crescimento e de inibi„ˆo por contato. Ao proliferarem, sofrem mudan„as na forma, re‡nem-se em “blocos” e crescem na maneira irrestrita, com um mŠnimo de nutri„ˆo. As principais caracterŠsticas da c€lula tumoral sˆo:  Resistƒncia † apoptose: a c€lula normal apresenta a capacidade de entrar em auto-destrui„ˆo (apoptose) quando mecanismos vigilantes percebem erros irreversŠveis em seu metabolismo molecular. Contudo, este mecanismo nˆo acontece com as c€lulas tumorais.  Perda da inibi„ˆo por contato: as c€lulas tumorais formam aglomerados celulares com empilhamento sem que haja a inibi„ˆo de crescimento por contato com as demais c€lulas, fazendo com que o tecido base deste processo neopl‰sico perca, gradativamente, suas caracterŠsticas iniciais.  Mudan„as na prolifera„ˆo: in vitro, c€lulas sobreviventes da senescƒncia transformam-se; c€lulas transformadas malignas imortalizam-se (crescem em cultura indefinidamente). In vivo , ocorre o aumento da expressˆo de proteŠnas oncogƒnicas e, com isso, acontece a perda de expressˆo de produtos de genes supressores do tumor.  Mudan„as citol‚gicas: in vitro e in vivo, ocorre aumento no n‡mero e tamanho do n‡cleo, aumento de basofilia citoplasm‰tica, aumento do raio n‡cleo/citoplasma.  Perda do controle do ciclo celular.  Altera„ es na membrana celular: altera„ es na composi„ˆo de proteŠnas de superfŠcie celular.  Altera„ es nos receptores de membrana para agentes que induzem † diferencia„ˆo celular. In vivo , ocorre um aumento na habilidade em induzir e sustentar a angiogƒnese.  Habilidade de escapar de respostas imunes antitumorais (mecanismo de escape tumoral).

Oncogƒnese O processo de desenvolvimento neopl‰sico pode ser dividido em trƒs etapas: inicia„ˆo, promo„ˆo e progressˆo tumoral. Durante a inicia„ˆo, ocorrem modifica„ es no gen‚tipo da c€lula que a levam † imortaliza„ˆo. Na promo„ˆo, essa c€lula gera um clone com vantagens proliferativas que promoverˆo, enfim, a progressˆo tumoral.  Estágio de iniciação:  o primeiro est‰gio da carcinogƒnese. Nele as c€lulas sofrem o efeito de um agente carcinogƒnico (agente oncoiniciador) que provoca modifica„ es em alguns de seus genes. Nesta fase as c€lulas encontram-se geneticamente alteradas, por€m ainda nˆo € possŠvel se detectar um tumor clinicamente. Exemplos de substncias quŠmicas carcin‚genas: sulfato de dimetila, metilnitrossureia, cloreto de vinila, aflatoxinas, dimetilnitrosoamina e benzopireno.  Estágio de promoção: As c€lulas geneticamente alteradas sofrem o efeito dos agentes cancerŠgenos classificados como oncopromotores. A c€lula iniciada € transformada em c€lula maligna, de forma lenta e gradual. Para que ocorra essa transforma„ˆo, € necess‰rio um longo e continuado contato com o agente cancerŠgeno promotor. A suspensˆo do contato muitas vezes interrompe o processo nesse est‰gio.  Estágio de progressão:  o terceiro e ‡ltimo est‰gio e caracteriza-se pela multiplica„ˆo descontrolada, sendo um processo irreversŠvel. O cncer j‰ est‰ instalado, evoluindo at€ o surgimento das primeiras manifesta„ es clŠnicas da doen„a.

O cncer €, portanto, um dist‡rbio gen€tico caracterizado pela muta„ˆo de genes importantes para a sŠntese de proteŠnas e enzimas que estˆo ligadas ao processo de crescimento e matura„ˆo celular. De maneira geral, sˆo necess‰rias m‡ltiplas altera„ es gen€ticas para dar origem ao cncer. Estes dist‡rbios gen€ticos podem ser herdados geneticamente ou adquiridos por eventos do meio externo. Os fatores que promovem a inicia„ˆo ou progressˆo da carcinogƒnese sˆo chamados de carcin‚genos. O fumo, por exemplo, € um agente carcin‚geno completo, pois possui componentes que atuam nos trƒs est‰gios da carcinogƒnese.

progn‚stico); quanto maior o grau, menos diferenciado € o tumor (isto €, apresenta um aspecto morfol‚gico que pouco ou nada lembra o tecido de origem, sendo de pior progn‚stico). Em resumo, quanto mais indiferenciado o tumor, mais agressivo ser‰ e, portanto, pior seu progn‚stico.

NECROSE E APOPTOSE

Morte celular pode ser resultado de in‡meros danos, como isquemia, infec„ es, rea„ es imunol‚gicas, for„a mecnica e exposi„ˆo a temperaturas extremas. H‰ dois mecanismos principais de morte celular: necrose e apoptose. Necrose € uma resposta passiva a um dano que resulta em aumento do volume celular, das organelas e do n‡cleo, e perda da integridade da membrana, o que provoca ruptura da c€lula. A libera„ˆo do seu conte‡do para o meio extracelular gera um resposta inflamat‚ria local, com dano †s c€lulas adjacentes. Em contrapartida, a apoptose, ou morte celular programada, envolve ativa„ˆo de um programa gen€tico durante o qual a c€lula perde a viabilidade antes de perder a integridade da membrana, com ausƒncia de resposta inflamat‚ria.  um evento muito bem regulado que ocorre durante a embriogƒnese e em v‰rios processos fisiol‚gicos e patol‚gicos. A carcinogƒnese est‰ diretamente ligada † inativa„ˆo da apoptose celular.

PROCESSOS DE DISSEMINA

O TUMORAL

Os tumores, dependendo de suas caracterŠsticas celulares e morfol‚gicas, podem disseminar-se por diversas vias e alojarem-se em outros tecidos que nˆo o de origem. A este processo, damos o nome de metástase que significa, em outras palavras, o desenvolvimento de uma segunda popula„ˆo tumoral a partir da primeira, mas sem uma conexˆo direta entre as duas. Ocorre quando um tumor prim‰rio localizado em uma dada regiˆo € submetido a uma prolifera„ˆo celular neopl‰sica e ainda sofreria uma expansˆo clonal (as c€lulas se multiplicariam) e, decorrente disto, iria surgir um subclone que teria capacidade de invadir a membrana basal. Ocorrendo o rompimento desta membrana basal, as c€lulas neopl‰sicas migram atrav€s dos tecidos at€ alcan„ar as paredes dos vasos, invadindo-os e caindo na circula„ˆo onde sofrem a„ˆo de c€lulas do sistema imunit‰rio. Sobrevivendo a a„ˆo das c€lulas imunol‚gicas (por meio do mecanismo de escape tumoral ), as c€lulas neopl‰sicas continuam migrando at€ chegar a um novo sŠtio de instala„ˆo. Para que o processo de met‰stase se estabele„a € necess‰rio uma s€rie de a„ es pelas c€lulas tumorais e pelo sangue. No local onde ocorre o extravasamento a distncia, ocorre a libera„ˆo de fatores angiogƒnicos que promovem a nutri„ˆo do tumor e seu crescimento. Por isto € importante tratar o tumor o quanto antes, prevenindo o surgimento de um subclone metast‰sico. A dissemina„ˆo da popula„ˆo tumoral pode ocorrer por meio dos seguintes mecanismos:  Disseminação por contiguidade: ocorre quando o tumor localizado em um ‚rgˆo alcan„a outra estrutura gra„as †s rela„ es anatŽmicas de proximidade entre os dois ‚rgˆos acometidos. Como por exemplo, um cncer de estomago pode facilmente disseminar-se por contiguidade para o ba„o ou intestino  Disseminação linfática: € a principal via de dissemina„ˆo dos carcinomas. Todos os ‚rgˆos apresentam uma cadeia ganglionar relacionada para onde a sua linfa ser‰ drenada em um primeiro plano. Um tumor invasivo que se origina em um determinado ‚rgˆo, quando chega † via linf‰tica, segue para o primeiro linfonodo da cadeia ganglionar. A expressˆo “ linfonodo sentinela ” € o conceito anatŽmico que foi definido para o primeiro linfonodo a receber a drenagem da linfa de um determinado ‚rgˆo. Com isso, em casos de met‰tase, trata-se do primeiro linfonodo a receber a linfa do ‚rgˆo que vai apresentar uma determinada neoplasia  Disseminação hematogênica : € a via preferencial dos sarcomas, sendo o fŠgado (recebe a veia porta) e pulm es (sangue de todo o corpo) os principais ‚rgˆos de predile„ˆo.  Disseminação por esfoliação (por cavidades corporais): a met‰stase pode ocorrer por implanta„ˆo pelas cavidades corporais (saco peric‰rdico, espa„o pleural, cavidade peritoneal, etc). A principal via de dissemina„ˆo pelas cavidades corporais ocorre pela cavidade peritoneal (principalmente em tumores de ov‰rio e apƒndice). O ov‰rio € um ‚rgˆo que est‰ livre dentro do pr‚prio peritŽnio, daŠ que € facilmente disseminado.

CLASSIFICA

O TUMORAL

O cncer € classificado de acordo com o tipo de c€lula normal que o originou, e nˆo de acordo com os tecidos para os quais se espalhou. Isso € o que pode se chamar de classifica„ˆo prim‰ria. Pelo que se sabe sobre classifica„ˆo prim‰ria do cncer, quase todos os tipos podem ser colocados em um dos seguintes grupos, onde o sufixo “— oma ” significa “tumor”, literamente:  Carcinomas: Sˆo os tipos mais comuns de cncer, originando-se de c€lulas que revestem o corpo, incluindo a pele (ectodermais) e uma s€rie de revestimentos internos (endodermais), como os da boca, garganta, brŽnquios, esŽfago, estŽmago, intestino, bexiga, ‡tero e ov‰rios, e os revestimentos dos dutos mam‰rios, pr‚stata e pncreas. H‰ tamb€m os carcinosarcomas, tumores geralmente de alta malignidade, derivados de dois tipos de tecidos embrion‰rios e os teratomas, derivados de trƒs tipos de tecidos embrion‰rios. Em outras palavras, sˆo tumores de c€lulas originadas a partir do ectoderma e do endoderma embrion‰rio. Mestastizam mais comumente por via linf‰tica (gnglios e, em segundo lugar, vŠsceras e ossos).

Sarcomas: Originam-se de tecidos de suporte em vez dos de revestimento, tais como ossos, tecido gorduroso, m‡sculo e tecido fibroso de refor„o, encontrados na maior parte do corpo. Portanto, diferentemente dos carcinomas, os sarcomas sˆo tumores de c€lulas originadas a partir do mesoderma embrion‰rio. Metastizam mais comumente por via hematol‚gica (direcionando-se para ‚rgˆos ricamente vascularizados, como pulmˆo, c€rebro, fŠgado, rins, ossos, etc.).  Linfomas: Originam-se de c€lulas conhecidas como linf‚citos, encontradas em todo o organismo, particularmente em glndulas linf‰ticas e sangue. Os linfomas sˆo divididos em Hodgkin e nˆo-Hodgkin, de acordo com o tipo de c€lula afetada.  Leucemia: Este cncer origina-se de c€lulas da medula ‚ssea que produzem as c€lulas sanguŠneas brancas. Na leucemia ocorre uma concentra„ˆo muito elevada de gl‚bulos brancos (de cerca de 7,5.10^3 /mm^3 para 10^5 - 106 /mm^3 ) causando problemas nos quais as c€lulas anormais nˆo funcionam apropriadamente, al€m de restringirem o espa„o da medula ‚ssea para que novas c€lulas sejam produzidas.  Mielomas: Malignidades nas c€lulas plasm‰ticas da medula ‚ssea que produzem os anticorpos.  Tumores das células germinativas: Desenvolvem-se a partir de c€lulas dos testŠculos e/ou dos ov‰rios, respons‰veis pela produ„ˆo de esperma e ‚vulos.  Melanomas : Originam-se das c€lulas da pele que produzem pigmento, os melan‚citos.  Gliomas: Originam-se a partir de c€lulas do tecido de suporte cerebral ou da medula espinhal. Raramente ocorre met‰stase.  Neuroblastomas: Tumor geralmente pedi‰trico (8 milh es de crian„as at€ 15 anos de idade por ano; 80% dos casos com at€ 4 anos de idade) derivado de c€lulas malignas embrion‰rias advindas de c€lulas neuronais primordiais, desde gnglios simp‰ticos at€ medula adrenal e outros pontos.

FATORES CARCINOG†NICOS

A causa b‰sica do cncer € o dano em genes especŠficos, o qual pode ser herdado ou adquirido. No entanto, € curioso observar que alguns indivŠduos que vivem no mesmo ambiente desenvolvem cncer e outros nˆo. O risco para cncer depende, evidentemente, da intera„ˆo entre fatores herdados e componentes ambientais. Em rela„ˆo †s causas do meio ambiente, observa-se que a exposi„ˆo continuada a certos agentes ambientais faz com que o risco do indivŠduo para desenvolver cncer se altere, por estes possuŠrem propriedades carcinogƒnicas. Por exemplo, o cigarro, o p‚ de urnio, asbestos, todos implicados diretamente no cncer de pulmˆo. Dentre os principais fatores ambientais predisponentes ao cncer, temos:  Tabagismo: o fumo € o fator carcinogƒnico que mais diretamente se mostra implicado no desenvolvimento de v‰rios cnceres, como de pulmˆo, de laringe, de boca, de faringe, de esŽfago, de bexiga e de pncreas. Descobertas recentes mostram que componentes do cigarro interferem no supressor tumoral – proteŠna p53, considerada a guardiˆ do genoma -, explicando o envolvimento do fumo em diferentes cnceres.  Alcoolismo: o consumo de bebidas alco‚licas pode atuar como um potencializador dos efeitos do tabaco, contribuindo para o cncer de boca, faringe, esŽfago e laringe. O consumo de ‰lcool tamb€m tem sido relacionado ao cncer de fŠgado, mama, c‚lon e reto.  Nutri„ˆo e obesidade: dietas ricas em gorduras, com excesso de calorias, consumo de carne vermelha e aumento de peso tƒm sido implicados na carcinogƒnese do intestino grosso. Dietas contendo fibras sol‡veis, presentes em frutas, verduras e certos grˆos (como aveia) sˆo importantes, por exemplo, na redu„ˆo da carcinogƒnese do c‚lon.  Radia„ˆo ultravioleta e ionizante: a radia„ˆo ultravioleta de raios solares € apontada como a principal causa de cncer de pele, incluindo o melanoma maligno. Os efeitos delet€rios dos raios ionizantes ocorrem em pessoas expostas a doses altas ou moderadas de radia„ˆo, por motivos m€dicos, ocupacionais ou militares.  Polui„ˆo: sˆo in‡meras as substncias poluentes implicadas na etiologia do cncer. Hidrocarbonetos policŠclicos, arsƒnicos inorgnicos, g‰s randŽnico, substncias halogenadas encontradas na ‰gua e o uso indiscriminado de organofosforados e organoclorados utilizados na agricultura sˆo apontados como a causa de 4% de mortes por cncer na atualidade.  Ocupa„ˆo: a exposi„ˆo a carcin‚genos ocupacionais € respons‰vel por 5% das mortes por cncer. Os efeitos delet€rios destas exposi„ es tornam-se mais graves devido ao grande n‡mero de indivŠduos expostos.  VŠrus: os vŠrus mais implicados na carcinogƒnese sˆo: vŠrus Epstein-Barr (no linfomade Burkitt e no cncer nasofarŠngeo), o papiloma vŠrus humano (no cncer de colo uterino), o vŠrus de hepatite B (no cncer de fŠgado) e o vŠrus de c€lulas T tipo I, na leucemia de c€lulas T e no linfoma. O vŠrus da imunodeficiƒncia humana (HIV) est‰ relacionado a uma predisposi„ˆo ao sarcoma de Kaposi e ao linfoma nˆo-Hodgkin.  Altera„ es hormonais: h‰ muito, os hormŽnios sˆo objetos de estudo na carcinogƒnese humana, apesar de serem considerados, de uma forma geral, nˆo mutagƒnicos. O estrogƒnio natural 17 beta-estradiol (E2) e o estrogƒnio sint€tico (DES) aumentam a incidƒncia de tumores mam‰rios, pituit‰rios, uterinos, cervicais, vaginais, linfoides e de testŠculos em camundongos. Os estrogƒnios promoveriam ainda o crescimento do cncer de mama j‰ estabelecido e nŠveis farmacol‚gicos de progesterona induziriam sua remissˆo.  Envelhecimento

Note que, para os homens, o câncer de pulmão é a principal causa de morte, sendo seguido do câncer de estomago e câncer de próstata. Nas mulheres, o câncer de mama é a principal causa de morte, sendo seguida pelo câncer de estomago e cólon. Nos últimos anos, a estatística mudou um pouco para as mulheres: as neoplasias de estomago constituem na quinta mais comum (mama, colo uterino, cólon e pulmão) e a quarta causa de óbitos por neoplasias. Note a importância do câncer de estômago para ambos os sexos, de modo que, quando avaliadas as principais causas de mortes nos dois sexos, concomitantemente, observamos o câncer de estomago, seguido de pulmão e cólon. Na infância, o padrão epidemiológico dos tumores muda completamente. De um modo geral, da neoplasia mais prevalente para a menos prevalente, temos: (1) leucemias; (2) tumor cerebral (consiste no tumor sólido mais frequente); (3) linfoma; (4) neuroblastoma (que acomete, principalmente, a glandula supra-renal); tumor de Wilms (tumor renal); (6) tumor ósseo.

De um modo geral, em torno de um ano de idade, podemos encontrar, muito facilmente, os seguintes tumores: retinoblastoma, neuroblastoma, hepatoblastoma, tumor de células germinativas; crianças acima de 1 ano de idade tendem a apresentar leucemia, tumor de sistema nervoso central, neuroblastoma, tumor de células germinativas; em torno dos 12 anos, encontramos: osteossarcoma, tumor muscular (rabdomiossarcoma), tumor de células germinativas, tumor cerebral, leucemias, etc.

MEIOS DE DIAGN‡STICO DO C„NCER

A avaliação de um câncer começa com a história e o exame físico. Em conjunto, esses procedimentos ajudam o médico a avaliar o risco de câncer apresentado por um indivíduo e a decidir quais são os exames necessários. Geralmente, como parte de um exame físico de rotina, deve ser realizada uma investigação dos cânceres de tireoide, de testículos, de boca, de ovários, de pele e de linfonodos. Os exames de detecção precoce tentam identificar o câncer antes de ele produzir sintomas. Quando um exame de detecção precoce é positivo, serão necessários outros exames para a confirmação do diagnóstico. O diagnóstico de câncer deve sempre ser estabelecido com absoluta certeza e, para isto, é geralmente necessária a realização de uma biópsia. Também é essencial se determinar o tipo específico de câncer. Quando um câncer é detectado, os exames para determinar o seu estágio ajudam a determinar a sua localização exata e se ele disseminou (produziu metástases). O estadiamento também ajuda os médicos a planejarem o tratamento adequado e a determinar o prognóstico. Em até 7% dos pacientes com câncer, os exames identificam metástases antes mesmo da identificação do câncer original. Algumas vezes, o câncer original pode não ser descoberto. Entretanto, os médicos geralmente conseguem identificar o tipo do tumor primário realizando uma biopsia da metástase e examinando o tecido ao microscópio. Apesar disso, nem sempre a identificação é fácil ou segura. Em suma, o diagnóstico do câncer pode ser feito pelos seguintes meios:  Diagnóstico clínico: como por meio do exame físico.  Histopatológico: por meio de uma biópsia.  Cirúrgico: como é feito o diagnóstico de tumores de ovário.

 Por imagem: a associação de métodos de exames complementares tais como radiologia geral, ultra-sonografia, tomografia computadorizada e a ressonância magnética, apesar dos altos custos apresentados, quando bem indicados, tem melhorado consideravelmente o diagnóstico, o estadiamento e, consequentemente, o prognóstico de determinadas lesões.  Laboratorial: é feito, principalmente, por meio de marcadores tumorais que apresentem sensibilidade e especificidade suficientes para, sozinho, atuar nas seguintes fases: triagem, diagnóstico, prognóstico, monitoramento do tratamento.

TRATAMENTO DO C„NCER

O tratamento eficaz do câncer deve visar não somente o tumor primário, mas também os tumores que podem ter se disseminado para outras partes do corpo (metástases). Por essa razão, a cirurgia ou a radioterapia (que são considerados tratamentos locais) de áreas específicas do corpo é frequentemente combinada com a quimioterapia , que afeta todo o organismo. Mesmo quando a cura é impossível, os sintomas frequentemente podem ser aliviados com a terapia paliativa, melhorando a qualidade e a sobrevida do indivíduo.

TRATAMENTO CIRÚRGICO Antes do advento da radioterapia e da quimioterapia, a cirurgia era a única possibilidade de terapia do câncer. Eram realizadas amplas ressecções, pois se imaginava que a neoplasia maligna representava exclusivamente um problema local. As primeiras alusões à cirurgia para tratamento de câncer datam de 1600 a.C. e são encontradas nos manuscritos de Edwin Smith. A era moderna da cirurgia abdominal começou nos Estados Unidos quando Ephrain McDowell ressecou um tumor de ovário, em 1809. Com o surgimento da anestesia e antissepsia, houve um grande desenvolvimento de procedimentos cirúrgicos agressivos para o tratamento de câncer. De um milhão de americanos que apresentaram câncer em 1988, 64% foram submetidos à cirurgia e 62% desse grupo foram curados. O tratamento e o prognóstico são em grande parte determinados pelo estudo da gravidade e da disseminação do câncer, através de um processo denominado estadiamento. Podemos dividir a cirurgia oncológica em vários grupos:  Cirurgia preventiva (ou profiláxica): tem a finalidade de impedir que uma célula com potencial de malignidade consiga transformar-se, extirpando-a ou evitando-a que ela continue entrando em contato com agentes cancerígenos.  Cirurgia diagnóstica: é fundamental para o planejamento terapêutico dos tumores malignos, o que torna a biópsia um dos procedimentos mais importantes da cirurgia oncológica. Na maioria das vezes, o diagnostico é feito antes do procedimento cirúrgico terapêutico; em outras ocasiões, a biópsia, o diagnóstico histopatológico e a cirurgia são realizados no mesmo procedimento.  Cirurgia com finalidade curativa ou paliativa: a cirurgia com finalidade curativa trata da doença localizada e deve ser associada a outros procedimentos terapêuticos (radioterapia, quimioterapia, endocrinoterapia e bioterapeutica). A cirurgia paliativa é o procedimento realizado sem a finalidade curativa, mas apenas para melhorar a qualidade de vida e a sobrevida do paciente, pois a doença já estaria disseminada.  Ressecção de metástases e recidivas: procedimentos realizados com finalidade curativa.  Cirurgia reconstrutora: é um procedimento realizado, geralmente, por um cirurgião plástico, podendo ocorrer sincronicamente à cirurgia oncológica ou metacronicamente. É um tipo de cirurgia necessária e de fundamental importante, tendo em vista o grau de extensão de muitas cirurgias oncológicas.

RADIOTERAPIA A radioterapia tem a finalidade curativa (que visa ao controle do tumor com doses radicais), paliativa (que visa à redução do tumor sem pretensão de controle) e remissiva (que visa o alívio de compressão de estruturas neurológicas, vias aéreas, vísceras ocas, controle de sangramento, prevenção de fraturas, etc). A radioterapia pode ser realizada por meio da teleterapia (em que a fonte radioativa é aplicada relativamente distante do paciente) e a braquiterapia (em que a fonte radioativa é, literalmente, introduzida no paciente). Em resumo, a radiação destrói preferencialmente as células que se dividem rapidamente. Geralmente, isto significa câncer, mas a radiação também pode lesar tecidos normais, especialmente os tecidos nos quais as células normalmente se reproduzem rapidamente, como a pele, os folículos capilares, o revestimento dos intestinos, os ovários ou os testículos e a medula óssea. A definição e direcionamento precisos da radioterapia protegem tanto quanto seja possível as células normais. As células que possuem um suprimento adequado de oxigênio são mais suscetíveis aos efeitos lesivos da radiação. As células mais próximas do centro de um tumor grande, frequentemente possuem um mau suprimento sanguíneo e níveis baixos de oxigênio. À medida que o tumor diminui, as células sobreviventes parecem obter um melhor suprimento sanguíneo, que pode torná-las mais vulneráveis à próxima dose de radiação. A divisão da radiação em um a série de doses aplicadas durante um período prolongado aumenta os efeitos letais sobre as células tumorais e diminui os efeitos tóxicos sobre as células normais. As células têm a capacidade de autorreparação após serem expostas à radiação. O plano terapêutico visa a reparação máxima das células e tecidos normais.

Náusea e Vômito: Geralmente, a náusea e o vômito podem ser evitados ou minimizados com medicamentos (antieméticos). A náusea pode ser reduzida sem o uso de medicamentos, através da ingestão de pequenas refeições frequentes e evitando-se alimentos ricos em fibra, que produzem gases ou que estejam muito quentes ou muito frios.  Pancitopenia: A citopenia, uma deficiência de um ou mais tipos de células sanguíneas, pode ocorrer durante a terapia antineoplásica. Por exemplo, um indivíduo pode apresentar quantidades anormalmente baixas de eritrócitos (anemia), de leucócitos (neutropenia ou leucopenia) ou de plaquetas (trombocitopenia). Geralmente, a citopenia não precisa ser tratada. No entanto, quando a anemia é grave, pode ser realizada a administração de uma transfusão de concentrado de eritrócitos (hemácias, glóbulos vermelhos). De modo similar, quando a trombocitopenia é grave, pode ser realizada a transfusão de plaquetas para minimizar o risco de sangramento. Um indivíduo com neutropenia (quantidades anormalmente baixas de neutrófilos, um tipo de leucócito) apresenta um maior risco de infecção. É por essa razão que uma febre superior a 38oC em um indivíduo com neutropenia é tratada como emergência. É investigada a presença de uma infecção, podendo ser necessária a instituição de uma antibioticoterapia e inclusive de hospitalização. Os leucócitos são raramente transfundidos porque eles sobrevivem apenas algumas horas e produzem muitos efeitos colaterais. Em seu lugar, determinadas substâncias (Ex: fator estimulador dos granulócitos) podem ser administradas para estimular a produção de leucócitos.  Outros Efeitos Colaterais Comuns: A radioterapia ou a quimioterapia podem causar inflamação ou mesmo úlceras nas membranas mucosas (p.ex., revestimento da boca). As úlceras bucais são dolorosas e podem tornar a alimentação difícil. Uma variedade de soluções orais (geralmente contendo um antiácido, um anti-histamínico e um anestésico local) pode reduzir o desconforto. Em raras ocasiões, deve ser instituído um suporte nutricional através de uma sonda que é colocada diretamente no estômago ou no intestino delgado ou através de uma veia. Vários medicamentos podem reduzir a diarreia causada pela radioterapia sobre o abdômen.

MED RESUMOS 2013

NETTO, Arlindo Ugulino.

ONCOLOGIA

PRINCÍPIOS DE RADIOTERAPIA

(Prof. Saulo Ataíde)

Radioterapia € o m€todo de tratamento das neoplasias malignas que utiliza os efeitos das irradia„ es eletromagn€ticas no controle da evolu„ˆo dos tumores. , portanto, uma das modalidades de tratamento do cncer, em que se faz uso de radia„ es ionizantes, tais como: raios-X, raios gama, el€trons, pr‚tons, nƒutrons; com a finalidade de erradicar completamente o tumor, sem ocasionar sequelas quer de ordem anatŽmica ou funcional para os ‚rga s ou tecidos normais da vizinhan„a.  um tipo de tratamento para patologias oncol‚gicas que dura, na maioria das vezes, cerca de 2 meses (35 a 40 dias ‡teis), com retornos a cada 10 dias para a avalia„ˆo m€dica do resultado do tratamento. A radioterapia tem a finalidade curativa (que visa ao controle do tumor com doses radicais), paliativa (que visa † redu„ˆo do tumor sem pretensˆo de controle) e remissiva (que visa o alŠvio de compressˆo de estruturas neurol‚gicas, vias a€reas, vŠsceras ocas, controle de sangramento, preven„ˆo de fraturas, etc.). Os efeitos biol‚gicos da radia„ˆo se fazem por deposi„ˆo de energia. Estes efeitos ocorrem, de inŠcio, principalmente na mol€cula de ‰gua, produzindo fenŽmenos de quebra de mol€cula com libera„ˆo de Šons (H 2 O – H+ OH-). Estes radicais reagem com componentes nobres da c€lula (as mol€culas de RNA e DNA) produzindo altera„ es de menor e maior importncia que podem ser letais † c€lula, impedindo a sua capacidade de divisˆo. O efeito da radia„ˆo guarda rela„ˆo Šntima com as diversas fases do ciclo celular, sendo a fase de mitose e o final da fase G 2 de sensibilidade maior. Os efeitos indesej‰veis que acontecem com o decorrer ou ap‚s os tratamentos radioter‰picos sˆo dependentes da dose, do volume e o tecido irradiado. Os tecidos de prolifera„ˆo r‰pida (que € uma caracterŠstica das c€lulas tumorais) – como o hematopoi€tico e o epitelial – sˆo os principais acometidos pela radia„ˆo (e pela quimioterapia), causando as seguintes complica„ es: leucopenia, mucosite, dermatite actŠnica e alop€rcia. Deve-se atentar para tumores de cabe„a e pesco„o, onde € muito comum e bastante relatado quadros de xerostomia em pacientes submetidos † radioterapia devido ao acometimento da glndula par‚tida. Outra consequƒncia da radia„ˆo focada na cabe„a e pesco„o € a irradia„ˆo das papilas gustativas e, com isso, a altera„ˆo do paladar (todo alimento passa a ter um gosto salgado), que, somada † anorexia da pr‚pria patologia, aumentam os transtornos ao paciente. Os tecidos orgnicos normais (Šntegros) apresentam uma limita„ˆo quanto † radia„ˆo que for fornecida: observa-se que, no caso de les es cancerosas abdominais, os rins apresentam limite de radia„ˆo de 3000 cGy (centiGray), o fŠgado apresente limite de 2400 cGy e medula com limite de 4000 cGy. O intestino delgado, por sua vez, € uma estrutura bastante sensŠvel e de difŠcil isolamento quando se diz respeito † radioterapia. Em casos de radia„ˆo da cavidade abdominal, € comum que aconte„a o aumento do peristaltismo, com consequente diarreia e sangramento retal. Os doentes, nestes casos, passam a apresentar desidrata„ˆo e desnutri„ˆo severa.  necess‰rio, portanto, a confec„ˆo de blocos de chumbo que protejam as ‰reas sensŠveis e desviem o feixe radioativo apenas para a lesˆo.

HIST‡RICO E EVOLU

O DA RADIOTERAPIA

A radioterapia nˆo difere das demais modalidades m€dicas quanto a sua origem. Teve inicio na base do empirismo, pois nˆo se dispunha de conhecimentos de FŠsica M€dica e Radiobiologia. Os erros fŠsicos e biol‚gicos oriundos da falta de tais conhecimentos muitas vezes causou danos aos pacientes. Os principais parmetros de avalia„ˆo do tratamento eram as manifesta„ es cutneas que alguns pacientes apresentavam como resposta ao tratamento (hiperemia, eritema, descama„ˆo seca ou ‡mica, ulcera„ˆo, etc.). Com isso, na €poca em que se iniciou o uso da radia„ˆo para fins terapƒuticos, o aparelho disponŠvel nˆo tinha um poder penetrante, afetando apenas a pele e, por causa disso, concluiu-se que a dose m‰xima toler‰vel era aquela que gerava eritemas acentuados na pele do paciente. Contudo, na maioria das vezes, esse eritema nˆo correspondia † dose de radia„ˆo tumoricida e, em consequencia disto, ocorriam as recidivas por subdosagem ou a necrose da pele por super dosagem. Contudo, a radioterapia vem evoluindo muito desde a descoberta dos raios X por Roentgen, da radioatividade por Becquerel e o primeiro elemento radioativo – o r‰dio – pelo casal Curie. As principais fontes de radia„ˆo sˆo os aparelhos de R-X para terapia superficial e semiprofunda e os is‚topos radioativos, emissores de irradia„ˆo gama (Cobalto^60 , C€sio^137 , IrŠdio^192 , R‰dio^226 e Iodo^125 ). A partir da d€cada de 50, foram desenvolvidos equipamentos denominados de “alta energia”, como as bombas de alta energia de Cobalto ou de C€sio, descobertas que muito ajudaram na evolu„ˆo da radioterapia. A evolu„ˆo progressiva da fŠsica m€dica e da eletrŽnica permitiu o desenvolvimento de equipamentos para obten„ˆo de irradia„ es (f‚tons e el€trons) de alto poder de penetra„ˆo nos tecidos; sˆo os aceleradores lineares de partículas , dotadas de sistemas comandados para o posicionamento dos pacientes e direcionamento do feixe de irradia„ˆo por mais pontos de entrada. A irradia„ˆo com el€trons (irradia„ˆo corpuscular) pode ser obtida com emissores de el€trons (partŠcula beta) e tamb€m pelos aceleradores lineares com produ„ˆo de el€trons.

OBS³: O tumor basocelular de pele é curável por tratamento cirúrgico com radioterapia adjuvante. As lesões iniciais de carcinoma epidermoide de prega vocal e de colo do útero são curáveis, tanto pela radiação quanto pela ressecção cirúrgica. No entanto, apesar de serem da mesma origem histológica (tecido epitelial), o carcinoma epidermoide do esôfago e do pulmão não é curável. Conclui-se que, além da característica histológica tumoral, o tratamento depende da biologia e do comportamento tumoral em cada órgão. Em geral, os tumores de células epiteliais são de média sensibilidade. OBS^4 : A maioria dos tumores do sistema nervoso central são radiorresistentes. Contudo, o medulobastoma, que não tem cura, apresenta sensibilidade ao efeito da radiação. OBS^5 : Nem sempre os tumores radiossensíveis são curáveis, do mesmo modo que, os tumores radiorresistentes nem sempre são incuráveis. Algumas vezes, o médico depara com o mesmo caso clínico de dois pacientes, inclusive com o mesmo estadiamento, mas com respostas diferentes. A resposta ao tratamento depende, quase sempre, da resposta imunológica do paciente.

FONTES DE RADIA

O

Elementos radioativos naturais: Radio-226, em forma de tubos e agulhas. Não é mais utilizado atualmente, mas foi amplamente utilizado na época de ouro da radioterapia.  Elementos radioativos artificiais: há uma gama de aparelhos radioativos artificiais, que não somente são utilizados na radioterapia, mas também na medicina de uma maneira geral. o Cobalto-60 (Co^60 ): em forma de tubos, agulhas ou fontes para unidades de cobalto. o Césio-137 (Cs^137 ): em forma de tubos, agulhas ou fontes para unidades de césio. Tem meia vida de 30 anos. o Estrôncio-90 (Sr^90 ): em forma de placas oftalmológicas e dermatológicas, para os tratamentos com radiação beta (betaterapia) e em forma de coloide. Tem meia vida de 29 dias. o Estrôncio-89 (Sr^89 ): em forma de solução que serve para tratar metástase óssea disseminada. o Ouro-198 (Au^198 ): em forma de sementes ou colóde. o Iodo-131 (I^131 ): em forma de coloide. Foi utilizado por muito tempo pra realização de cintilografia, principalmente, para tireoide. Atualmente, é utilizado para o tratamento de câncer de tireoide. Tem meia vida de 8 dias. o Iodo-125 (I^125 ): em forma de sementes. Existe, para o tratamento de câncer de próstata, a implantação permanente de semente de iodo. o Irídium-192 (Ir^192 ): em forma de fios, fontes e sementes.  Aparelhos produtores de radiação o Aparelhos de radioterapia superficial e semi-profunda, cuja energia oscila entre 50KV e 400KV, chamados também de radioterapia convencional ou Ortovoltagem. o Aceleradores de partículas (mega voltagem), cuja energia oscila entre 1MEV e 50MEV (milhões de eletronvolts). Dentre estes aparelhos de alta energia temos:  Aparelho de Van-der-Graaf: foi o primeiro tipo de acelerador a ser desenvolvido.  Betatron: aparelho que não teve uma boa aceitação comercial.  Ciclotron: existe ainda na forma experimental que usa radiação através de nêutrons rápidos. A blindagem utilizada para a construção de uma sala para suportar este tipo de acelerador deveria apresentar cerca de 5m de concreto, não sendo viável o seu custo operacional (que é cerca de U$ 200.000.000,00). Não há perda de energia em calor: toda a energia que entra é transformada em radiação.  Acelerador linear: são braços robóticos que se movimentam sob controle de um profissional médico. A sua tecnologia é bastante avançada e de alto custo.

MODALIDADES DE RADIOTERAPIA

Existem duas formas básicas de aplicação de radioterapia: a teleterapia e a braquiterapia. Contudo, o tratamento do câncer deve ser encarado de forma multidisciplinar: cirurgia, quimioterapia, radioterapia, fisioterapia, imunoterapia, etc.  Na teleterapia, a fonte de irradiação produz um feixe de raios que é emitido pelo equipamento à distancia variável de 1 a 100 cm do paciente e é dirigida ao tumor. Os principais aparelhos são os de R-X convencional, os aceleradores lineares e as bombas de cobalto.

Na teleterapia, isto é, radioterapia à distancia, o doente fica na mesa do equipamento, com uma certa distância da fonte utilizada, como as unidades de cobalto ou acelerador linear. A teleterapia pode ser convencional ou Radioterapia de Alta Precisão, onde tratamentos sofisticados como Radioterapia Conformacional ou por estereotaxia, são utilizados em algumas patologias, como tumores cerebrais de pequeno tamanho (até 4cm), alterações vasculares cerebrais, em tumores da próstata, reto etc., usando meios auxiliares de imagem, como CT, Ressonância Magnética, PET-CT e sistemas de planejamento tridimensional, computadorizado. No Hospital Sírio Libanês de São Paulo, já é de uso terapêutico a radioterapia em quarta dimensão que, em tempo real, se obtém a imagem do tumor e a evolução de seu tratamento. A teleterapia, em resumo, pode se apresentar das seguintes formas: (1) radioterapia convencional, através dos aceleradores lineares ou do cobalto; (2) a radioterapia de alta precisão, conhecida como conformacional-3D (tridimensional); (3) radiocirurgia por estereotaxia; (4) readioterapia guiada por imagem em tempo real (radioterapia em 4D); (5) radioterapia robótica.

 Na braquiterapia (do grego, braqui = curto), o isótopo radioativo emissor gama é colocado em contato direto com o tumor (intracavitário ou intersticial). É usada no tratamento dos tumores mais acessíveis ao radioterapeuta, como as neoplasias malignas do colo de útero, boca e pele. Atualmente, os isótopos mais usados neste tipo de tratamento são o Césio-137 e o Irídio-192. A braquiterapia tem a vantagem de irradiar o tumor com doses tumoricidas, dando proteção aos órgãos e estruturas que o envolvem, pela absorção progressiva da irradiação emitida com o aumento da distancia da fonte. Com a sofisticação das técnicas, consegue-se o acesso da braquiterapia a tumores situados profundamente, como próstata, bexiga, pulmão e rinofaringe. A braquiterapia pode ser de baixa taxa de dose (LDR) ou de alta taxa de dose (HDR). Até 1996, o Hospital Napoleão Laureano fez uso da braquiterapia com baixa taxa de dose, em que se utiliza Radio-226, Césio-137 e Cobalto-60. Na alta taxa de dose, se utiliza Iridium-192. A braquiterapia é basicamente uma monoterapia para câncer de próstata e de colo uterino.

OBS^6 : Doses de radiação. O conceito de dose é a quantidade de radiação a ser administrada ao paciente com a finalidade de destruir o tumor. A unidade física para isto é o cGy (centiGray), que significa a dose de radiação a ser absorvida no tecido. Quando medida no ar, a unidade é o roetgen e quando medida em outro material (água, por exemplo), a unidade é o próprio Gray. É medida em quantidade de energia depositada no meio pelo feixe de irradiação: 1 gray corresponde à joule/Kg do material. Os isótopos radioativos são medidos quanto à sua atividade: número de átomos desintegrado por segundo. OBS^7 : Algumas patologias apresentam um determinado tempo ideal de tratamento radioterápico, isto é, tempo necessário para destruir o tumor. No caso de câncer de colo uterino, o tempo ideal é de 52 dias. Epidemiologicamente, a cada dia que se passe após esses 52 dias, há uma perda de 1% de chances de sobrevida. Uma das principais causas de afastamento de data limite de tratamento por radioterapia são as alterações hemodinâmicas, principalmente, contagem de hemoglobina e leucócitos. Quando o nível de Hb é menos que 10g/dL, é necessário realizar uma recuperação das condições hemodinâmicas do indivíduo. OBS^8 : No tratamento radioterápico, é comum o termo área de sombra para designar aquela periferia que margeia a lesão (sendo este o foco) que geralmente é irradiada de forma não-terapêutica, uma vez que, estaria sadia, teoricamente. Quanto mais direcionado for o foco da irradiação, menor a área de sombra e melhor seria para o paciente, uma vez que se estaria evitando a irradiação de áreas normais, evitando, assim, eventuais mutações.

MODALIDADES DE TRATAMENTO RADIOTERˆPICO

O tratamento do câncer é estabelecido por planos terapêuticos, com o uso isolado ou com a associação multidisciplinar da cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e imunoterapia. As associações terapêuticas são baseadas principalmente no tipo, na localização, forma de disseminação, estadiamento clínico e patológico do tumor. Conforme o objetivo dos resultados, a radioterapia em especial, tem a finalidade curativa (que visa ao controle do tumor com altas doses radicais), paliativa (que visa à redução do tumor sem pretensão de controle) e remissiva (que visa ao alívio da compressão de estruturas neurológicas, vias aéreas, vísceras ocas, controle de sangramento, prevenção de fraturas, etc).  Radioterapia radical (curativa): é a forma de radiação que tem por finalidade erradicar de vez o tumor, gerando a cura. O câncer tem cura em mais de 70% dos casos quando diagnosticado precocemente.  Paliativa: favorece a regressão do tumor e diminuição dos sintomas, o que prolonga a vida do paciente e proporciona o seu conforto físico e bem estar. Representa mais de 70% dos tratamentos radioterápicos no Brasil, onde o diagnóstico de câncer é, na maioria das vezes, feito tardiamente. Isto porque ainda existe uma cultura de esconder a doença.  Pré-operatória: tem a finalidade de diminuir o volume tumoral e tornar móveis tumores fixos, facilitando o acesso do cirurgião para a abordagem terapêutica.  Radioterapia complementar: complementa um tratamento previamente instituído, sendo utilizado, portanto, no pós-operatório e pós-quimioterapia.

Câncer do trato gastrintestinal. No câncer de esôfago, como tratamento exclusivo ou associado à cirurgia; no câncer de reto, associado à cirurgia e no câncer do canal anal, associado à quimioterapia.

Além das lesões cancerígenas mais graves previamente citadas, a radioterapia ainda pode ser utilizada no tratamento de várias lesões benignas.  Papilomas e queloides por meio de beta-terapia.  Pterigio. É um tipo de carnosidade que nasce na cerótica. Apresenta crescimento gradual e avança até a área da córnea. Ocorre um quadro irritativo severo na região ocular que piora diante da claridade e poeira. É feito a beta- terapia.  Herpes Zoster.  Doença de Peyronie. É a deposição de fibroblastos em cima do corpo cavernoso do pênis. Paciente jovem com esta doença não apresentar ereção devido ao quadro doloroso intenso quando estimulado. O tratamento pode ser feito por infiltração de corticoide e, em casos mais rebeldes que não são responsivos ao tratamento farmacológico adequado, lança mão de radioterapia, visando proteger os testículos para evitar a infertilidade do paciente.  Adenoma hipofisário. Depois de ter sido realizada uma curetagem do tumor, a radiação é feita para evitar o crescimento do tumor.  Exoftlamia do hipertireoidismo.  Bursites , principalmente da articulação escapulo-umeral.

OBS^9 : Cerca de 2/3 dos tumores malignos apresentarão indicação de radioterapia para pelo menos uma das fases da doença. OBS^10 : Hemangioma ósseo ocorre quando estruturas tuberculares se formam nos ossos vertebrais. Não apresenta tratamento cirúrgico. Sua principal consequência clínica é o caráter de dor localizada. A radioterapia funciona como esclerosante. A dose de radiação é a mesma que se faz quando ocorre metástase óssea. Faz-se irradiação do paciente em 20 sessões e, geralmente, não há lesão isolada (ocorre comprometimento, em geral, de 3 a 4 vértebras).

MED RESUMOS 2013

NETTO, Arlindo Ugulino.

ONCOLOGIA

OSTEOSSARCOMA

(Prof. Andréa Gadelha)

Os tumores ósseos malignos podem ser primários ou metastáticos. Estes últimos são mais frequentes e, comumente, oriundos da próstata, mama, tireoide, pulmão e rim. As metástases para o esqueleto têm aspectos clínicos e radiológicos bastante característicos, de tal forma que, na maioria das vezes, uma boa anamnese e exame físico cuidadoso são suficientes para se detectar o primário. As amputações e as desarticulações foram os procedimentos clássicos para o tratamento de maioria dessas lesões até a década de 70. Cerca de 85% dos portadores de osteossarcoma e sarcoma de Ewing morriam entre o primeiro e segundo anos de vida após o diagnóstico. O diagnóstico dessas neoplasias deve basear-se na anamnese, exame físico, exames de imagem (raios X e/ou TC, cintilografia) e, finalmente no exame anatomopatológico. O diagnóstico definitivo é dado por este último, em material de biópsia que deve ser o menos traumatizante possível, suficiente para fornecer material adequado para o estudo, bem localizada para não comprometer a cirurgia definitiva a ser realizada posteriormente e, de preferência, efetuada pelo mesmo cirurgião. O osteossarcoma é um dos mais comuns dos tumores malignos primários dos ossos, acometendo, principalmente, o esqueleto apendicular (os mais fáceis de tratar). Contudo, pode desenvolver-se em qualquer osso ou mesmo em partes moles, mas, na maioria das vezes, acomete o úmero e a tíbia proximais e o fêmur distal. Tem preferência pelo sexo masculino, incidindo, principalmente, em crianças e adultos jovens. A dor e/ou o aumento de volumes locais são os primeiros sintomas.

INCID†NCIA

O osteossarcoma ou sarcoma osteogênico é o segundo tumor ósseo maligno mais comum, vindo atrás do mieloma múltiplo e corresponde a 21% entre as neoplasias malignas do esqueleto. É um tumor raro para adultos e, para crianças, acomete apenas 5% destas. Conclui-se que a maior incidência do osteossarcoma ocorre durante a adolescência (entre 12 e 15 anos). Os tumores ósseos maduros têm incidência anual de, aproximadamente, 8,7 casos por milhão de crianças e adolescentes com menos de 20 anos. O osteossarcoma é o mais frequente dentre os tumores, representando 56% deles nas primeiras duas décadas de vida, seguido pelo tumor de Ewing. Estima-se que haja cerca de 350 novos casos de osteossarcoma no Brasil por ano. Com relação aos tumores infantis, o osteossarcoma ocupa a 6ª posição de incidência, seguindo a seguinte ordem: (1) leucemias; (2) tumor cerebral (consiste no tumor sólido mais frequente); (3) linfoma; (4) neuroblastoma (que acomete, principalmente, a glandula supra-renal); tumor de Wilms (tumor renal); (6) tumor ósseo.

SŠTIO DE LOCALIZA

O

Seu local de origem primária é habitualmente a zona medular da região metafisária dos ossos longos. O tumor acomete principalmente a região do joelho, mais especificamente, o fêmur distal e a tíbia proximal, acometendo, em segundo plano estatístico, o úmero. Ossos chatos, tais como os da pélvis, tórax e ossos do crânio podem estar envolvidos. O sarcoma osteogênico que adquire uma forma esclerosante, tem um prognóstico pior de sobrevivência. Na maioria das vezes, o surgimento do tumor ósseo é acompanhado por um histórico de queda ou trauma direto no local de origem da lesão, devendo sempre o médico saber diferenciar este quadro oncológico de uma fratura. Contudo, na maioria das vezes, o trauma não apresenta relação com a carcinogênese, mas por instinto, o indivíduo tende a relatar a dor a um trauma. Em virtude de sua enorme facilidade em disseminar para os pulmões e ossos, a cura é raramente obtida apenas com tratamento cirúrgico. Esse tumor metastatiza, preferencialmente, por via hematogênica para os pulmões. Cerca de 80% dos pacientes já têm doença micrometastática distante por ocasião do diagnóstico. A propagação via linfática é extremamente rara.

OBS: Geralmente, o osteossarcoma está relacionado a quadros de fraturas patológicas , isto é, lesões ósseas que não estão diretamente ligadas ao trauma, mas como consequência de uma doença previamente instalada, em que ocorre afecção óssea e

O aspecto do tumor pode variar grandemente: os tumores predominantemente osteobl‰sticos costumam apresentar grandes ‰reas de osso escler‚tico com o aspecto radiogr‰fico mais comum. Se o tumor € primariamente telangiect‰sico, a lesˆo pode aparecer totalmente lŠtica e cŠstica. Nesses casos o diagn‚stico pode ser confundido com um cisto ‚sseo aneurism‰tico ou com um tumor de c€lulas gigantes.

Cintilografia óssea: a cintilografia do esqueleto com tecn€cio € de valia no diagn‚stico da extensˆo do tumor no osso comprometido, al€m de auxiliar no diagn‚stico das met‰stases salteadas ( skip metastasis ) e das met‰stases em outras regi es do esqueleto (em caso de tumores poliost‚ticos).

Ressonância nuclear magnética: € o padrˆo ouro para diagn‚stico do osteossarcoma. A ressonncia nuclear magn€tica € de grande valor no diagn‚stico da invasˆo extra-‚ssea dos tecidos circundantes do tumor e € de extrema valia no estadiamento pr€-operat‚rio. Al€m disso, este exame € importante por permitir a visualiza„ˆo e a eventual compara„ˆo entre os feixes vasculares e nervosos subjacentes † lesˆo, favorecendo uma melhor margem cir‡rgica durante o tratamento e diminuindo os casos de recidiva do tumor ap‚s a cirurgia.

Tomografia axial computadorizada: a TAC € de grande valor na avalia„ˆo da destrui„ˆo e produ„ˆo ‚ssea. O grau de extensˆo extra-‚ssea e a rela„ˆo com os planos fasciais vizinhos sˆo demonstrados com precisˆo por este exame. Met‰stases salteadas maiores do que 2 mm podem ser diagnosticadas pela TAC, informa„ˆo imprescindŠvel no planejamento cir‡rgico. A tomografia €, conhecidamente, padrˆo ouro para avalia„ˆo de met‰stases pulmonares, fornecendo informa„ es bastante relevantes quanto ao progn‚stico e estadiamento do tumor ‚sseo. Avalia ainda o estado da cortical do osso.

BIÓPSIA A bi‚psia deve ser feita para obter-se o diang‚stico anatomopatol‚gico. De preferƒncia, deve ser feita pelo mesmo ortopedista que vai operar o tumor. A bi‚psia deve ser realizada por meio de agulha fina para evitar perdas de massa das estruturas subjacentes † lesˆo e, assim, perder qualidade de margem cir‡rgica. Frequentemente, bi‚psia mal realizada provoca uma extensˆo extracompartimental de uma lesˆo a princŠpio intracompartimental, forma„ˆo de hematoma e complica„ es na cicatriza„ˆo da ferida da bi‚psia. Neste diagn‚stico, h‰ uma grande variedade de padr es histol‚gicos relacionada ao fato de que o osteossarcoma origina-se de c€lulas tronco-mesenquimais. A presen„a do tecido osteoide € essencial para o diagn‚stico: histologicamente, o tumor se caracteriza pela prolifera„ˆo de tecido osteoide, imaturo a partir de osteoblastos. Assim, os tipos histol‚gicos mais encontrados e sua aproximada propor„ˆo estˆo assim distribuŠdos: (1) o osteossarcoma convencional de alto grau se inicia na medula ‚ssea, no entanto, mais raramente, o osteossarcoma pode se apresentar nas variedades (2) paraosteal e (3) periosteal (superfŠcie do osso), e nessas localiza„ es, muitas vezes, apresenta-se como de baixo grau de malignidade.

OBS^6 : Sabe-se que o osteossarcoma tem origem nas c€lulas tronco-mesenquimais capazes de se diferenciar em tecido fibroso, cartilaginoso ou ‚sseo. Por isso, dependendo do tecido para o qual a c€lula tronco mesenquimal iria se diferenciar, o osteossarcoma poder‰ apresentar variedades histol‚gicas. Por esta razˆo, quanto a sua histologia, o osteossarcoma convencional apresenta as seguintes variedades: osteobl‰stico (50%), condrob‰stico (25%), fibrobl‰stico (15%), telangect‰sico (3%) e osteossarcoma de pequenas c€lulas (mais raro).

DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS O diagn‚stico clŠnico e radiogr‰fico do osteossarcoma central deve ser confirmado, enfim, pela bi‚psia, se possŠvel percutnea com trefinas, antes do tratamento definitivo. Calo ‚sseo, osteomielite sub-aguda, miosite ossificante ativa, cisto ‚sseo aneurism‰tico e granuloma eosin‚filo sˆo algumas das condi„ es benignas que podem facilmente ser confundidas com o osteossarcoma central. Entre as les es malignas, o tumor de Ewing, o fibrossarcoma e o carcinoma metast‰tico sˆo les es que devem ser consideradas no diagn‚stico diferencial.

OBS^7 : Sarcoma de Ewing. O sarcoma de Ewing € o segundo tumor ‚sseo maligno mais comum na infncia e na adolescƒncia. Na maioria dos pacientes, o sintoma de apresenta„ˆo € a dor. Dois ter„os apresentam massa palp‰vel e febre, o que inicialmente induz ao diang‚stico errŽnio de osteomielite. Mais comumente, o tumor prim‰rio origina-se na di‰fise dos ossos longos e 40% originam-se no esqueleto axial incluindo a p€lvis, as v€rtebras e a parede tor‰cica. Ao raio X, a lesˆo pode ser lŠtica, bl‰stica ou mista, com a presen„a ou nˆo do triangulo de Codman. Na tomografia, observa-se uma lesˆo diafis‰ria em aspecto de “casca de cebola” (diferentemente do aspecto de raios de Sol do osteossarcoma). O sarcoma de Ewing € tratado usando-se quimioterapia pr€-operat‚ria com posterior cirurgia ou radioterapia e quimioterapia p‚s-operat‚ria. As drogas usadas sˆo adriamincina, vincristina e ciclofosfamida. As cirurgias, na maioria das vezes, sˆo: ressec„ˆo segmentar e repara„ˆo com placa e enxerto de osso esponjoso ou endopr‚tese nˆo convencional. A radioterapia € indicada para acometimento de ossos nˆo dispens‰veis (esqueleto axial, osso ilŠaco), nˆo passŠveis de ressec„ˆo com margem oncol‚gica. Em casos de suspeita de sarcoma de Ewing, € aconselh‰vel iniciar um tratamento com antibi‚tico (caso seja, na realidade, osteomielite), mas nˆo se deve dispensar uma radioimagem do local da lesˆo acompanhada, de preferƒncia, com bi‚psia. Diferentemente dos osteossarcomas, a radioterapia € eficaz contra o sarcoma de Ewing.

Em resumo, temos como principais diagnósticos diferenciais:  Sarcoma de Ewing (acomete ossos na região da metáfase)  Hematoma Ossificado (nesse tumor, ocorre calcificação da lesão)  Osteocondroma (é um tumor benigno)  Displasia Fibrosa  Condrossarcoma  Artrite degenerativa  Osteomielite

CARACTERŠSTICAS CLŠNICAS

O osteossarcoma clássico ou central costuma ocorrer em adolescentes e adultos jovens. Aproximadamente metade dos osteossarcomas centrais ocorre na região do joelho, sendo a extremidade distal do fêmur a localização mais frequente. O osteossarcoma central costuma acometer a região metafisária de um osso longo; o tumor costuma permanecer na metáfise, sem atravessar a placa de crescimento e sem acometer a epífise. Há, no entanto, exceções e às vezes podemos encontrar osteossarcomas epifisários. Além disso, as lesões diafisárias e as dos ossos chatos não são incomuns. Assim como em outros tumores ósseos, os sintomas não são específicos. A presença de dor e de uma massa são frequentes. Pode haver aumento de temperatura e a presença de veias do subcutâneo dilatadas pelo crescimento do tumor. Os sintomas costumam estar presentes vários meses antes do diagnóstico definitivo. Raramente a criança apresenta comprometimento do estado geral, mesmo nos osteossarcomas de grande tamanho.

OBS^8 : Algumas considerações gerais devem ser feitas sobre o osteossarcoma, uma vez que elas podem interferir no diagnóstico do ponto de vista clínico:  O osteossarcoma pode surgir como uma segunda neoplasia, isto é, surgir de forma associada a um tumor primário (que classicamente, com relação ao osteossarcoma, é o retinoblastoma) que já teria sido previamente tratado por radioterapia. Esses dois tumores muito se assemelham quanto a sua origem cromossômica, podendo ser essa a explicação de relação entre ambos. Além disso, o tratamento radioterápico para o retinoblastoma e sua área de sombra servem ainda como explicações, ainda não claras, para esta relação.  Mesmo depois de tratado, o osteossarcoma pode sofrer recidivas depois de um período que varia entre anos ou mesmo meses.

FORMAS DE OSTEOSSARCOMAS

Existem várias formas de osteossarcoma:  Osteossarcoma clássico ou central: desenvolve-se no interior do osso;  Osteossarcoma justacortical: desenvolve-se junto ao periósteo, relacionado ao tecido conetivo periosteal;  Osteossarcoma endosteal: é uma forma recém descrita de osteossarcoma que tem origem no endósteo, dentro do osso; é uma forma maligna de baixo grau que cresce lentamente e metastatiza tardiamente;  Osteossarcoma telangiectásico: é uma forma maligna de alto grau que mostra pouca ou nenhuma evidência de ossificação, sofrendo necrose, degeneração cística e fraturas patológicas devido a seu rápido crescimento;  Osteossarcoma secundário à irradiação: é uma forma maligna de alto grau que se desenvolve alguns anos depois de radioterapia, geralmente nas áreas de "sombra" da aplicação;  Osteossarcoma secundário à doença de Paget: não é encontrado em crianças, sendo responsável por um pico de incidência nas faixas etárias mais avançadas.

ESTADIAMENTO E FATORES DE PROGN‡STICOS

Um estadiamento cuidadoso deve preceder o tratamento dos tumores do esqueleto. Tanto o estadiamento como a biópsia deve ser realizada pelo cirurgião que irá realizar a cirurgia definitiva. Podemos estadiar o osteossarcoma da seguinte forma:  Estadio I: não apresenta nenhum fragmento do tumor após a retirada cirúrgica, não tem metástase e nem linfonodo acometido. o Ia)T1N0M o Ib) T1N0M

Estadio II: depois da retirada do tumor, apresenta restos microscópcios na região acometida, mas sem metástase e sem linfonodos acometidos. o IIa)T2N0N o IIb)T2N0M