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livro literatura Jane austen romance
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Não perca as partes importantes!





























































































Título original: Pride and Prejudice Tradução de Maria Francisca Ferreira de Lima Tradução portuguesa c de P. E. A. Capa: estúdios P. E. A. Editor: Francisco Lyon de Castro Publicações Europa-América, Lda. Apartado 8 272ó Mem Martins Codex Portugal Edição n.o: 151034/ó Execução técnica: Gráfica Europam, Lda., Mira-Sintra - Mem Martins Depósito legal: 9727ó/9ó ISBN 972-1-04084-
Orgulho e Preconceito
Orgulho e Preconceito é, sem dúvida, uma das obras em que melhor se pode descobrir a personalidade literária de Jane Austen.
Com o fino poder de observação que lhe era peculiar, a autora dá-nos um retrato impressionante do que era o mundo da pequena burguesia inglesa do seu tempo: um mundo dominado pela mesquinhez do interesse, pelo orgulho e preconceitos de classe.
Esses orgulho e preconceito que, no romance, acabam por ceder o passo a outras razões com bem mais fundas raízes no coração humano.
Capítulo I
É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna necessita de uma esposa.
Por muito pouco que se conheçam os sentimentos ou modo de pensar de tal homem ao entrar pela primeira vez numa vizinhança, esta verdade encontra-se de tal modo enraizada nos espíritos das famílias circundantes que ele é considerado como propriedade legítima desta ou daquela de suas filhas.
O Sr. Bennet respondeu-lhe que não sabia.
O Sr. Bennet não deu qualquer resposta.
Como convite, era mais que suficiente.
O Sr. Bennet era um misto tão extraordinário de petulância, sarcasmo, reserva e capricho que a experiência de vinte e três anos não bastara ainda para a mulher compreender o seu carácter. Por seu lado, a mentalidade dela era bem menos difícil de revelar. Tratava-se de uma mulher de inteligência medíocre, cultura rudimentar e temperamento incerto. Quando irritada, procurava refúgio nos nervos. A principal ocupação da sua vida era casar as filhas e o seu passatempo as visitas e os mexericos.
Capítulo II
O Sr. Bennet contava-se entre os primeiros que foram visitar o Sr. Bingley. Sempre tencionou visitá-lo, embora até ao fim tivesse feito crer à mulher que não iria; e até à noite do próprio dia da visita ela não teve qualquer conhecimento do facto, que só então foi revelado da seguinte maneira. Estando o Sr. Bennet a observar a sua filha segunda a enfeitar um chapéu, inesperadamente disse-lhe:
A Sr.a Bennet não se dignou a dar-lhe qualquer resposta; mas incapaz de se conter, começou a repreender uma das filhas.
(1) R. W. Chapman é de opinião que esta pergunta, que no texto se atribui a Kitty, é feita, de facto, pelo Sr. Bennet.
As raparigas olharam, espantadas, para o pai. A Sr.a Bennet apenas disse: «Que disparate!»
Mary quis dizer algo de relevante, mas não sabia como.
O espanto provocado nas senhoras foi exactamente aquele que ele pretendeu, ultrapassando de longe o da Sr.a Bennet o das filhas, apesar de, passada a primeira efusão de aleoria, ela declarar que dele não esperava outra coisa senão aquilo.
constituíam cinco ao todo: o Sr. Bingley, as suas duas irmãs, o marido da mais velha e um outro jovem.
O Sr. Bingley era um homem belo e distinto. De semblante agradável, os seus modos eram delicados e simples. As irmãs eram igualmente bonitas, afectando um ar decididamente elegante. O cunhado, o Sr. Hurst, não passava de um homem vulgar, mas o Sr. Darcy, o amigo, logo chamou sobre si as atenções do salão pela sua alta e elegante estatura, os traços formosos e o porte desenvolto, correndo célere, cinco minutos após a sua entrada, o rumor de que ele possuía rendimentos no valor de dez mil libras anuais. Os cavalheiros classificaram-no como um belo tipo de homem, as senhoras declararam ser ele bem mais formoso que o Sr. Bingley, e ele foi longamente admirado, até os seus modos deixarem transparecer um enfado que muito afectou a sua popularidade. A partir desse momento consideraram-no um orgulhoso e pedante, longe de se mostrar divertido, e nem as suas extensas propriedades no Derbyshire o impediram de ter uma expressão sinistra e desagradável e ser indigno de comparação com o amigo.
O Sr. Bingley em breve tinha feito conversa a todas as principais pessoas na sala. Alegre e animado, dançou todas as danças, lamentou o baile terminar tão cedo e falou em ele próprio realizar um em Netherfield. Tais qualidades, só por si, falavam. E que contraste entre ele e o seu amigo! O Sr. Darcy dançou apenas uma vez com a Sr.a Hurst e outra com a Menina Bingley, recusou ser apresentado a qualquer outra jovem e passou o resto da noite passeando pelo salão, conversando ocasionalmente com um ou outro do seu grupo. O seu caracter estava definido. Era o homem mais orgulhoso e desagradável do mundo, e todos esperavam que ele não mais voltasse ao seu convívio. Entre as pessoas mais inflamadas contra ele contava-se a Sr.a Bennet, cuja antipatia pelo seu comportamento geral se avivara num ressentimento particular por ele ter desdenhado uma das suas filhas.
Elizabeth Bennet, que a escassez de cavalheiros obrigara a permanecer sentada duas danças, teve a oportunidade, numa altura em que o Sr. Darcy se encontrava perto de si, de ouvir a conversa que se seguiu entre ele e o Sr. Bingley, que por momentos abandonara a dança para o vir incitar a juntar-se-lhe:
te a apresente.
O Sr. Bingley seguiu o conselho do amigo, e o Sr. Darcy afastou-se, deixando uma impressão pouco favorável a seu respeito no íntimo de Elizabeth. Esta, contudo, ao contar a história às amigas, fê-lo com um certo humor, pois, de feitio alegre e brincalhão, tirava partido das situações mais ridículas.
De um modo geral, a noite decorreu agradavelmente para toda a família. A Sr.a Bennet vira com satisfação a sua filha mais velha ser muito apreciada pelo grupo de Netherfield. O Sr. Bingley por duas vezes dançara com ela e as duas senhoras tinham-na rodeado de atenções. Jane sentia-se com isso tão maravilhada como sua mãe, se bem que de um modo mais discreto. Elizabeth partilhava do prazer de Jane. Mary ouvira-se elogiada na presença da Menina Bingley como a rapariga mais completa da vizinhança; e Catherine e Lydia congratulavam-se por não lhes ter faltado par a noite inteira, o que era, aliás, tudo o que até à altura tinham aprendido sobre o essencial num baile. Foi, portanto, em óptima disposição de espírito que tomaram o caminho de regresso a Longbourn, a vila em que viviam e da qual eram os principais habitantes. Foram encontrar o Sr. Bennet ainda a pé. Quando mergulhado na leitura de um livro, perdia a noção do tempo; e naquela ocasião específica ansiava pelo relato de uma noite que tão esplêndidas expectativas suscitara. Esperava, contudo, que os planos arquitectados por sua mulher à volta daquele desconhecido caíssem pela base, mas em breve descobriu que a história a ouvir seria bem diferente.
E, aqui, foi de novo interrompida, pois o Sr. Bennet recusava-se terminantemente a ouvir qualquer descrição sobre os trajos. Viu-se ela, deste modo, obrigada a procurar, no mesmo assunto, outro tema
Elizabeth ouviu-a em silêncio, mas não ficou convencida. A atitude delas no baile não correspondia exactamente àquela que seria de esperar de alguém que desejasse agradar. Dotada de um sentido de observação mais vivo e de um temperamento menos dócil do que a irmã, além de um espírito crítico impessoal de mais para se deixar arrastar por simpatias, ela sentia-se pouco disposta a acolhê-las de braços abertos. Eram, de facto, umas senhoras muito delicadas, capazes quer de uma certa vivacidade quando divertidas, quer de se mostrarem agradáveis quando bem o entendiam, mas, no fundo, não passavam de umas orgulhosas e presumidas. Indiscutivelmente bonitas, educadas num dos principais colégios particulares da capital, na posse de uma fortuna de vinte mil libras e no hábito de gastar mais do que o necessário e de se darem com a melhor sociedade, não admirava que se sentissem inclinadas a pensar o melhor de si mesmas, em detrimento dos outros. O facto de pertencerem a uma respeitável família do Norte de Inglaterra ocorria-lhes mais frequentemente à memória do que o de a fortuna de seu irmão e sua própria terem sido adquiridas pelo comércio.
O Sr. Bingley herdara bens no valor de cem mil libras, de seu pai, que tencionara transformar parte em terras, mas não vivera o suficiente para o realizar. O filho comungava da mesma ideia, e por várias vezes escolhera a região, mas, encontrando-se de momento provido de uma boa casa e gozando da liberdade de fazer o que melhor lhe aprouvesse, havia quem, entre os mais familiarizados com a brandura do seu caracter, não duvidasse de que ele acabaria o resto dos seus dias em Netherdield, deixando a aquisição das terras ao cuidado da geração seguinte.
Suas irmãs ansiavam por o ver senhor de propriedades imensas; contudo, embora presentemente ele não passasse de um simples locatário, nem a Menina Bingley se fazia rogada em presidir à sua mesa, nem a Sr.a Hurst, que casara com um homem de sociedade mas sem fortuna, estava menos disposta a, sempre que isso lhe conviesse, considerar como sua a casa do irmão. O Sr. Bingley atingira a maioridade ainda não havia dois anos, quando, por recomendação acidental, se sentiu tentado a visitar a casa de Netherfield. Uma vez aí, mirou-lhe a fachada, percorreu os interiores, agradaram-lhe a situação e as salas principais, satisfizeram-no as vantagens apontadas pelo proprietário, e imediatamente a tomou.
Entre ele e Darcy existia uma sólida amizade, apesar dos feitios diametralmente opostos. Bingley cativava Darcy pela brandura, franqueza e docilidade do seu caracter, se bem que nenhum houvesse que maior contraste oferecesse com o seu e se bem que com o seu nunca ele visse razão para queixa. Na estima de Darcy tinha Bingley uma confiança inabalável e do seu juízo a mais elevada opinião. Em inteligência, Darcy superava-o. Bingley não era de modo algum deficiente, mas Darcy era esperto. Era simultaneamente arrogante, retraído e difícil de contentar, e os seus modos, apesar de delicados, não atraíam. Neste capítulo, o amigo levava-lhe a palma. Bingley, onde quer que aparecesse, tinha a certeza de agradar, enquanto Darcy estava continuamente ofendendo.
O modo como falaram da festa no clube de Meryton era suficientemente característico de cada um. Bingley nunca na vida encontrara pessoas tão agradáveis nem raparigas mais bonitas; todos tinham sido de uma bondade e atenção extremas para com ele, não houvera qualquer espécie de formalidades e
depressa se sentira familiarizado com toda a sala; e, quanto à Menina Bennet, não concebia anjo mais belo. Darcy, pelo contrário, apenas vira um grupo de gente em que a beleza era pouca e a elegância nula, em que por nenhum sentira o mais pequeno interesse e de nenhum recebera quer atenção ou prazer. Quanto à Menina Bennet, reconhecia-lhe a beleza, embora achasse que ela sorria de mais.
A Sr.a Hurst e a irmã, nesse ponto, concordaram com ele, não deixando, no entanto, de a admirar e simpatizar com ela, declarando-a um amor de rapariga e com a qual não se importariam de se dar mais intimamente. Perante tal elogio, o irmão sentiu-se autorizado, no futuro, a pensar nela como bem entendesse.
Capítulo V
A poucos passos de Longbourn vivia uma família da qual os Bennets eram particularmente íntimos. Sir William Lucas fora outrora comerciante em Meryton, onde fizera uma fortuna razoável e se tornara titular graças a um discurso ao rei, feito durante o seu mandato como presidente do município. A distinção impressionara-o, talvez, de mais. Com ela perdera o gosto pelo negócio e pela sua residência na pequena vila de passagem; e, abandonando ambos, transferiu-se com a família para uma casa a uma milha de distância de Meryton, onde poderia entregar-se ao pleno gozo da sua importância, e, liberto dos negócios, ocupar-se unicamente em ser delicado para com as pessoas. Se bem que maravilhado pela sua nova dignidade, não se tornara de modo algum altivo, mas, pelo contrário, desfazia-se em atenções para com todo o mundo. Inofensivo, amistoso e obsequiador por natureza, a sua apresentação em St. James tornara-o cortês.
Lady Lucas, sendo uma boa mulher, não era suficientemente esperta para se tornar numa vizinha preciosa para a Sr.a Bennet. Tinham vários filhos. A mais velha, uma rapariga sensata e inteligente de vinte e sete anos de idade, era a amiga íntima de Elizabeth.
Que as Meninas Lucas e as Meninas Bennet se reunissem para falar sobre o baile, era absolutamente indispensável; e, logo na manhã seguinte, as primeiras apareceram em Longbourn para ouvir e contar.
orgulho sem ser vaidoso. O orgulho diz respeito mais à opinião que temos de nós próprios, enquanto a vaidade ao que pretendemos que os outros pensem de nós.
O rapaz garantiu-lhe que ela não se atreveria; ela continuou, declarando que o faria, e a discussão só acabou com a visita.
Capítulo VI
As senhoras de Longbourn em breve visitaram as de Netherfield, que, na devida forma, lhes retribuíram a visita. A afabilidade da Menina Bennet continuava cativando tanto a Sr.a Hurst como a Menina Bingley, que, embora rotulassem a mãe de insuportável e as irmãs mais novas como indignas de menção, exprimiram, em atenção pelas duas mais velhas, o seu desejo de um conhecimento mais íntimo entre «elas». Jane, naturalmente, ficou extremamente sensibilizada, mas Elizabeth, que as via tratando tudo e todos com a mesma altivez, sua irmã até, decididamente não simpatizava com elas; aliás, a consideração que elas manifestavam por Jane, se de consideração se tratava, só valia enquanto resultante da influencia inspirada pela admiração do irmão. Este, na verdade, não escondia quanto a admirava, como a todos era dado ver, sempre que se encontravam; mas Elizabeth via, igualmente, como a irmã cedia à preferência que no seu espírito alimentara desde o primeiro dia em que o vira, caminhando a passos largos para o amor; contudo, era com prazer que considerava a impossibilidade de tal facto se tornar do domínio público, uma vez que Jane, aliando a uma poderosa força de sentimentos uma serenidade de temperamento e um controlo perfeito nos modos, nunca permitiria qualquer suspeita impertinente. E isto disse-o à Menina Lucas.
Ocupada em observar as atenções do Sr. Bingley para com sua irmã, Elizabeth estava longe de suspeitar que ela própria se tornara num objecto de certo interesse aos olhos do amigo. O Sr. Darcy, a princípio, fora quase com relutância que lhe admitira uma certa beleza; no baile olhara para ela sem admiração e na vez seguinte olhou-a apenas para a criticar. Porém, ainda mal ele se certificara a si e aos amigos da quase inexistência de um traço bonito naquela cara, quando começou a achá-la invulgarmente inteligente pela bonita expressão dos seus olhos pretos. A esta descoberta sucederam-se outras igualmente desconcertantes. Embora de um olho crítico tivesse detectado mais de uma falha de
Mary não tinha nem talento nem gosto; e, embora a vaidade lhe tivesse dado aplicação, emprestara-lhe também um tal ar de superioridade e afectação nos modos que por si só prejudicariam um grau de perfeição mais elevado que o que ela atingira; Elizabeth, que não tocava tanto como a irmã, prendera muito mais a atenção. Mary, após um longo concerto, e como paga de todo o elogio e gratidão, atacou alegremente árias escocesas e irlandesas, a pedido das irmãs mais novas, que, com algumas das Meninas Lucas e assistidas por dois ou três oficiais, formaram um pequeno grupo de dança numa das extremidades do salão.
Perto deles encontrava-se o Sr. Darcy, criticando-os intimamente por tal modo de passar a noite, em detrimento de toda e qualquer espécie de conversa; e tão embrenhado estava nos seus pensamentos que não deu pela presença junto de si de Sir William Lucas senão quando este lhee disse:
Sir William apenas sorriu:
O Sr. Darcy curvou-se em sinal de assentimento.
Fez uma pausa, na esperança de uma resposta, mas o seu companheiro não estava disposto a dar-lha; e, como nesse momento Elizabeth passava por eles, ocorreu-lhe de súbito a ideia de um gesto deveras galanteador, e chamou-a.
na mão dela, deu-a ao Sr. Darcy, que, apesar de extremamente surpreendido, fez menção de lhe pegar, quando Elizabeth de pronto a retirou e, numa certa agitação, disse para Sir William:
O Sr. Darcy, compenetrado e correcto, pediu-lhe que lhe desse a honra de dançar, mas em vão. Elizabeth estava decidida, e nem Sir William a conseguiu persuadir do contrário.
-Tem uma maneira tão bonita de dançar, Menina eliza, que é cruel da sua parte negar-me a felicidade de a apreciar; e, embora este cavalheiro, de um modo geral, despreze tal divertimento, tenho a certeza de que não se oporá a entreter-nos durante uma escassa meia hora.
Elizabeth deitou um olhar malicioso e afastou-se. A sua resistência não feriu o cavalheiro; estavas ele precisamente a pensar nela, quando foi abordado pela Menina Bingley.
A Menina Bingley, imediatamente fixando os olhos na cara dele, desejou saber a que senhora se devia a honra de lhe inspirar tais reflexões. O Sr, Darcy, intrépido, replicou:
pois na manhã seguinte ele partiria para Londres.
A Sr.a Bennet foi impedida de responder pela entrada de um criado com um bilhetinho para a Menina Bennet, provinha de Netherfield e o criado aguardava uma resposta. Os olhos da Sr.a Bennet brilharam de prazer, e, ansiosa, implorava, enquanto a filha lia:
Minha querida amiga,
Se a sua compaixão não a trouxer a jantar comigo e com Louisa, correremos o risco de nos detestarmos o resto de nossas vidas, pois um tête-à-tête de um dia inteiro entre duas mulheres nunca acaba sem uma discussão. Venha logo que puder. O meu irmão e os outros senhores jantam com os oficiais. Sua dedicada, CAROLINE BINGLEY.
-Não, minha querida, é melhor ires a cavalo, pois parece-me bem que vai chover; e nessa altura terás de passar lá a noite.
E assim ela acabou por conseguir do pai a confirmação de que os cavalos não estavam livres. Jane viu-se deste modo obrigada a ir a cavalo, e sua mãe acompanhou-a à porta com muitos e animados prognósticos de um mau tempo. As suas esperanças foram realizadas, e ainda não havia muito que Jane os deixara, quando desabou uma chuva torrencial. As irmãs ficaram um tanto preocupadas, mas a mãe regozijava. A chuva continuou pela noite dentro, sem parar; decerto que Jane não poderia regressar.
Minha querida Lizzy,
Não me sinto nada bem esta manhã, o que, suponho eu, se deve atribuir à molha que ontem apanhei. As minhas bondosas amigas não querem ouvir-me falar em regressar a casa senão quando me sentir completamente restabelecida. Insistem também para que o Sr. Jones me examine - por isso, não se assustem se ouvirem dizer que ele foi chamado por minha causa -, e, à parte da garganta inflamada e uma dor de cabeça, nada mais há que ofereça motivos de preocupação. A tua, etc.