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livro muito bom
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Prólogo Odeio essa parte do castelo murmurou Hugo irritado. O estranho jovem de olhos amendoados e orelhas pontudas andava em passos largos por um corredor de pedras escuras, segurando com firmeza, um pequeno baú vermelho. Hugo sempre teve receio de andar sozinho pelos corredores do castelo, não se sentia a vontade; para ele, era como se algo fosse emergir na escuridão que se formava a cada lamparina que deixava para trás. Durante o caminho sentiu um aperto no peito, que pesou sua respiração, a lembrança da perda de seus entes queridos naquele corredor lhe trouxe certo desconforto. Respirou fundo e continuou a caminhar. As lembranças iam se tornando mais dolorosas, Hugo sacudiu a cabeça na tentativa de se livrar dos pensamentos, mas, só piorou. A imagem de uma batalha sangrenta naquele lugar se formou com mais clareza. Parecia que estava acontecendo de novo. Tenho que sair logo daqui... Hugo virou a esquina e avistou uma porta no fim do corredor sendo iluminada por um candeeiro fraco. Um sorriso faceiro se formou em seus lábios finos, e ele praticamente correu até a porta. Girou a maçaneta e entrou. A sala era pequena e escura, se encontrava cheia de objetos amontoados pelos cantos, havia uma estante repleta de miniaturas reluzentes. A estatua de uma mulher de olhos vendados, estava com os braços juntos flexionados e os dedos das mãos dobrados como se carregasse algo invisível. Um cheiro forte exalava das porções antigas que estavam perigosamente penduradas no teto, sustentadas por linhas de pratas. Hugo quase derrubou o bauzinho quando viu seu reflexo pálido num grande espelho de moldura estranha, dragões seguravam o espelho com se estivessem saído de dentro dele. O jovem se recuperou e foi até o fundo da sala onde encaixou o baú nas mãos da estatua. Pronto – disse para si mesmo com uma sensa ção de missão comprida. Ele deu uma ultima olhada em todo recinto antes de sair e trancar a porta. Dentro da sala, uma sombra humana saiu da parte mais sombria e lentamente foi tomando uma forma solida. O homem coberto pelo manto preto se aproximou da estatua. Suas mãos se moviam sem presa, ele abriu o pequeno baú e expos três diamantes azulados de um brilho intenso e peculiar. Sua mão branca pegou as jóias, e pela sua respiração, ele estava fascinado. De repente, o brilho dos diamantes ficou mais forte, o homem gemeu quando sentiu as jóias esquentarem. Uma fumaça estranha vazou de sua mão, aquilo estava queimando feito brasa. Tentou suportar a dor, mas não conseguiu, largou os diamantes que se empalharam pelo chão empoeirado. O intruso quis gritar, mas não podia, seria descoberto, a pele de sua mão estava enrugada , haviam três feridas no lugar onde estavam as jóias. Sua atenção voltou para os diamantes quando as jóias flutuaram diante de seus olhos ocultos, ele tentou agarrarlas, mas antes que conseguisse, os diamantes dispararam como flashes de luz e esburacaram a porta para passar. O homem correu para a porta na esperança de alcançar os diamantes, mas viu pelos três buracos feitos na madeira que Hugo se aproximava correndo. O intruso então, se encolheu na escuridão e desapareceu.
não dispensa uma bolsa, sempre da cor do sapato. Se quer mesmo tirar uma boa nota, voc ê tem que estudar – avisou Carla reprovando a atitude. – A prova já é amanhã! – Carla é o contrario de Bruna, têm olhos verdes e cabelo longo e louro com as pontas cacheadas, suas vestes são mais compostas, não é muito ligada em moda, mas não sai sem maquiagem nem pra ir à padaria, é apaixonada pela leitura, e não se importa de ser chamada de nerd Se ser inteligente é ser nerd, eu não mim importo de ser uma. Usa essa frase em defesa, toda vez que é contrariada. E voc ê sabe que, toda vez que perdemos a avaliação, o professor Gliton nos enche de relatórios, até sobre assuntos que ele nunca ensinou – completou Eduarda colocando o longo cabelo preto atrás das orelhas, esta é diferente das outras duas, suas roupas são fáceis de definir: calça jeans e camiseta de manga. Não arrisca trocar seu estilo comportada por nada, é muito reservada pra isso, seus olhos são meigos de uma azul peculiar sempre brilhante, que em harmonia com sua voz doce e suave, acalmar até leões. Nem me lembre de Gliton – Bruna falou entre os dentes. Ser á que ele vai colocar na prova perguntas sobre aquelas bobagens que comenta nas aulas? – perguntou Carla debochando. Eu n ão duvido, ele é louco. Se colocar, eu estou preparada – respondeu Bruna mostrando um livro que estava escondido embaixo dos outros. Espíritos – leram o título Eduarda e Carla juntas. Sobrenatural – explicou Bruna rindo sozinha, suas amigas n ão entenderam seu humor sarcástico. O irmão gêmeo de Carla, Caio Martins, entrou na biblioteca e avistou as meninas. Assim como a irmã, Caio é inteligente e criativo; é louro e têm olhos verdes. Ele é apaixonado por Eduarda desde a oitava série, época em que estudaram juntos pela primeira vez. Apesar de todos desconfiarem, ele não admite a paixão. Contudo, ele procura sempre estar perto dela ou a agradando, na esperança que, um dia, ela perceba. Com o coração pulsando e uma rosa na mão, ele juntouse às amigas. Oi! – cumprimentou. – Eduarda... É pra você! – e a entrega a rosa, com o rosto corando. Obrigada, Caio! Que rom ântico – caçoou Bruna. Nem Caio nem Eduarda se importaram com a piadinha de Bruna, sabem que, se derem ouvidos, ela continuará zombando até irritálos. Caio, por que n ão está estudando? – perguntou Carla intrigada. J á revisei toda a matéria, e você? Ainda faltam tr ês capítulos. Eu desisto – gritou Bruna, batendo na mesa chamando a aten ção de todos no recinto. Depois de ter ouvido “Silêncio” de alguns ali presentes, ela levantouse, ajeitando a saia curta e o decote e, como uma candidata a algum cargo importante da republica, ela começou a se pronunciar: O professor Gliton é um ridículo, só nos ensina besteiras, e em época de prova, quer que os alunos estudem até assuntos nunca vistos nas aulas dele. Além disso, se veste mal, sempre de preto. Ai, que nojo! Parece mais um roqueiro gótico ou um bruxo... O professor Gliton estava guardando um livro na estante atrás da mesa onde Bruna discursava e ouviu todas as difamações. Gliton era o professor de Biologia. Seu jeito estranho amedrontava os alunos, esta sempre de mau humor, suas vestes pretas o deixam ainda mais medonho. Tratava a todos com desdém e nunca sorria, seu cabelo mau penteado escondia seu olhar frio e penetrante, de gelar a alma. Às vezes, durante sua aula, Gliton interrompia sua lição biológica para falar de seres místicos, mitológicos e sobrenaturais,
isso irritava a maioria dos estudantes, porém, eles preferem ficar calados e não contrariar o professor, pois o último aluno que ousou lhe enfrentar age como um retardado até hoje. Bruna continuou: N ós deveríamos nos reunir e ter uma séria conversa com o diretor. Deveríamos contar que sabemos mais sobre duendes, monstros e magia que... N ão se esqueça dos fantasmas – interrompeu Caio. Que seja. Galera é tempo de vestibular, de cursinho, de pensar no futuro. Temos que exigir nossos direitos de estudantes. Não podemos continuar ouvindo ensinos sobre contos de fadas; temos que organizar um abaixoassinado e tentar trocar de professor. Ali ás, onde está à professora Holly? Desde que Gliton a substituiu, ninguém ouviu mais falar dela! Ela, sim, deveria estar aqui dando aula, pois ela lecionava biologia melhor que qualquer outro. concluiu Bruna. O desabafo de Bruna levantou uma questão entre os estudantes na biblioteca. Todos perceberam verdade e seriedade no que ouviram, mas apenas balançavam a cabeça concordando. Se houver um abaixoassinado, eu serei a primeira a assinar – disse Carla, tentando encorajar os outros, mas foi a única. Gliton revelouse, saindo de tr ás da estante e, silencioso, ficou atrás de Bruna. Os outros, ao perceberemno, tiveram sobressaltos e abaixaram as cabe ças. Bruna, sem entender a mudança repentina de seus amigos, só ficou ciente quando... Obrigado, Bruna – falou uma voz grossa, ironicamente, na sua nuca. Est á mesma tentada a reunir a escola, para me expulsar? Bruna virouse t ão sem graça quanto os outros, tentando pensar rapidamente em como converter a situação, mas a única idéia que teve em dizer foi: Professor, eu estava brincando – disse ela for çando um sorriso. Sem sucesso. Gliton tem expressões firmes, as rugas ajudavam a manter sua cara ranzinza, ele aparenta ter mais de quarenta anos, seus olhos escuros pareciam capazes de ler a alma de quem o encarasse por apenas alguns segundos, seu cabelo preto engordurado estava mal penteado, bruscamente colocado atrás das orelhas, e suas sobrancelhas se uniam na ruga fixa entre elas. Bruna desviou seus olhos do olhar gélido do professor e olhou sobre seu ombro, viu que todos os alunos estavam cabisbaixos, como se estivessem em detenção. S ério? Não parecia brincadeira. Pode continuar. Então?... O silêncio continuou. O professor fuzilava sua aluna com olhos injetados. Voc ês irão ter o que merecem – ameaçou Gliton com o sangue lhe subindo a cabeça, depois saiu da biblioteca, apertando os punhos e mordiscando os lábios, com muita raiva. Bruna volta a olhar para os amigos, ainda em choque. Viram? É disso que estou falando. Todos trocaram olhares perplexos com as ultimas palavras do professor. “O que fizemos de errado?” Ninguém culpou Bruna, pois, no fundo, sabiam que ela, além de falar a verdade, só quis ajudar a todos. “Quem sabe, agora, ele tomará jeito”, concluíram a maioria, tirando o pesar da consciência. A sirene tocou; chegou à hora da saída; os jovens recolheram seus materiais e saíram da biblioteca, as amigas se misturaram em meio à multidão, que invadiu os corredores seguindo uma mesma direção. Caio não acompanhou as meninas, preferiu ficar na biblioteca pra reservar alguns livros. Não esquecendo o ocorrido há minutos atrás, Carla
N ão, melhor não. Ainda tenho que ajudála com as tarefas de casa e os relat órios, sem mencionar que tenho que estudar para a prova de amanhã. Voc ê estudou a manhã inteira, não acha melhor relaxar um pouco? – insistiu Bruna impaciente. N ão dá mesmo. Sinto muito. – finalizou se encolhendo, sentindose pat ética por recusar o convite. Vamos respeitar sua vontade. – disse Luciano. Obrigada! Ao passar pela casa de Bruna, Luciano foi obrigado a parar, pois ela queria pegar seu biquíni e emprestar um a Carla. Ela levou quase meia hora pra escolher o traje, deixando todos nervosos, e nem se importou com o som chato da buzina do carro que Luciano insistia em apertar, para tentar apressála. Quando retornou, ainda se achou com a razão. Depois, Luciano foi pra casa de Eduarda. Ela saiu do veiculo ainda ouvindo Bruna pedir pra ela mudar de idéia, mas Eduarda não quis voltar atrás. Despediuse dos amigos e s ó entrou em casa depois que viu o carro dobrar a esquina. A casa onde Eduarda mora é grande e branca, como a de todos nessa rua, não possui muro na frente, apenas um extenso gramado, o telhado é de um azul turquesa cintilante. Os dois quartos ficam na parte superior e os outros cômodos embaixo, as janelas são revestidas de vidro fumê. Os recintos eram bem iluminados e a decoração moderna, com muitos quadros abstratos, móveis contemporâneos e enfeites coloridos. Alguém tinha bom gosto nessa casa. Eduarda encontrou sua mãe na cozinha preparando o almoço. Oi m ãe! Oi filha, como foi seu dia? – perguntou sorridente, beijandoa no rosto, tomando cuidado para não sujála com molho de tomate. Bom. O que fez? Apenas estudei. Muito bem! Vou tomar banho e j á volto, para almoçar. N ão demore, já está quase pronto. Honny, como é conhecida a mãe de Eduarda, (um apelido carinhoso tirado de seu sobrenome Casthglionny) é bonita e têm olhos claros, tal como a filha; a diferença é o cabelo: o de Honny é castanho e curto, o da filha, preto e longo. A senhora Honny é pedagoga. Trabalha numa escola para crianças especiais, faz relatórios sobre os desenvolvimentos dos alunos todos os dias e produz planejamentos de aprendizagem. Ela conta sempre com a ajuda da filha para realizar as tarefas, inclusive as domésticas. Eduarda entrou no banheiro de seu modesto quarto, onde molhou o rosto oleoso na pia e, olhando seu reflexo no espelho, se interrogou por um instante: Por que sou t ão diferente deles? Por que não tenho atitude? Eu queria tanto ir, mas não tive coragem de quebrar minha pacata rotina. Uma vez ou outra não faria mal sair com eles. Não quero mais me prender, minha adolescência está passando e eu só penso em estudar. Não que seja ruim, mas... O que será que eles estão fazendo agora? Seus amigos já estavam na praia; não havia muita gente por lá. Carla e Bruna ficaram deitadas na areia sobre toalhas exibindo seus belos corpos esculturais ao sol.
Luciano e Caio estavam sentados na margem do mar retomando fôlego de uma aposta de quem nadava mais rápido. Luciano venceu; Caio, apesar da derrota, não ficou chateado, pois reconheceu que se esforçou bastante e, para ele, isso que era importante e, se admitiu também que seu amigo tinha um físico preparado para aquilo, fazia academia desde os dezesseis anos, enquanto seu único exercício era ler livros e navegar na internet. Queria que a Eduarda estivesse aqui. lamentou Caio brincando com a areia. Por que n ão a agarra logo e da um tremendo beijo? – disse Luciano gesticulando com deboche. Est á louco? Ela me odiaria. E eu não tenho coragem de fazer isso. Ent ão, esqueçaa. Falar é fácil... Elas falam deles: Luciano foi muito gentil por nos trazer aqui e ainda passar em sua casa para pegar os biquínis – disse Carla, colocando os óculos escuros. Gentil? Luciano s ó agrada uma garota quando esta afim dela. Ele quer uma de nós. – concluiu Bruna. S ério? – empolgouse Carla se apoiando no cotovelo para fitar Bruna. Com certeza. Que outro motivo o levaria a ser simp ático conosco? Talvez por termos estudado nas mesmas classes por cinco anos. Pergunte ao seu irm ão. Ele é o melhor amigo do Luciano, deve saber de alguma coisa. Qual seria de n ós? Eu, com certeza. Sou a mais bonita do col égio. – afirmou Bruna, orgulhosa. A mais convencida. – Carla voltou a deitar na toalha. Existem muitas garotas lindas no colégio. Mas eu sou a que se veste melhor. – disse com certa irrita ção na voz. Vulgar voc ê quer dizer, saias curtas, decote exagerado... Chega – gritou Bruna, aborrecida. Vamos dar um mergulho? – convidou com um tom totalmente amigável, como se nunca tivesse se aborrecido. As duas levantaramse e foram para o mar. Ao passar por Luciano, Bruna olhou pra ele e piscou o olho, mas ele nem prestou atenção, estava abobalhado com o rebolado delas. Não resistindo, ele levantouse e foi junto, deixando Caio sozinho, lamentando a aus ência de seu amor, Eduarda. O dia seguinte amanheceu quente. Eduarda acordou mais cedo que de costume, revisou a matéria para a prova, arrumouse para ir ao col égio e ainda sobrou tempo pra tocar um pouco de violão e cantar uma de suas composições. Ela tinha uma voz muito bonita, mas tinha vergonha de cantar em publico. Apenas sua mãe conhecia tal talento. O tempo passou rápido enquanto ela tocava, esquecia de tudo quando cantava, era como entrar num mundo onde só cabia ela e a música. Quando se deu conta, estava atrasada e saiu apressada jogando seu instrumento encima da cama. Chegou suada ao colégio, de tão rápido que andou. Logo na entrada, ela esbarrou em Bruna, em meio aos tantos jovens que empurravam uns aos outros, para abrir passagem. Oi, Bruna! – disse Eduarda. Oi, amiga. Como foi a praia, ontem? Ótima. Eu gostei.
iniciou a avaliação. No decorrer da prova, Eduarda percebeu que o professor a olhava de sua mesa, indiscretamente. Então, respondeu encarandoo por um curto tempo, mas o fato de ela retribuir o olhar não fez Gliton desviar. Sem jeito, ela voltou a escrever e evitou olhálo, mesmo incomodada de estar sendo observada de tal forma. Em cinquenta minutos exatos a sirene tocou. Os alunos estavam liberados para lanchar na cantina do colégio. Finalmente, acabou a aula tensa e indesejada de biologia. Eduarda foi à lanchonete com suas amigas, em silêncio. Luciano as alcançou, atravessou seu braço nos ombros de Bruna e as acompanhou também calado. O clima só foi quebrado quando Caio apareceu e puxou assunto: Chata a prova, n ão acharam? Achei que seria mais dif ícil responde sua irm ã. Foi normal falou Luciano, tranquilo. Durante a prova... come çou Eduarda, se arrepiando ao lembrar. Gliton n ão parava de me olhar de um jeito muito estranho. Ele s ó te olhou, Duda. Pior foi comigo, que perdi três pontos. Que baixo astral! Galera vamos nos encontrar no bar Byte, para esquecermos tudo isso? – sugeriu Luciano. De todos, Luciano, voc ê é o mais calmo! – observou Carla. N ão tenho com o quê me preocupar – respondeu firme. – Vão ou não? Tudo bem! – responderam os g êmeos. Todos esperavam que Eduarda negasse o convite, mas, para surpresa geral, ela respondeu: Eu estarei l á. Vou passar em casa primeiro, para trocar de roupa – Na verdade queria avisar a mãe, antes de ir. Antes, eu irei resolver uma coisa – avisou Bruna. Ela se despediu dos amigos e subiu a única escada do colégio, caminhou pelo andar lotado de estudantes até chegar à sala do diretor. Bateu na porta e só entrou quando foi autorizada. Bom dia, minha jovem! disse um gordo careca trajando um terno azul. Oi, diretor! Em que posso ser útil? Seu Alfredo, eu quero saber se o senhor tem o telefone ou endere ço da professora Holly. E se poderia me da? Posso saber por que o interesse? – disse Alfredo, derrubando a caixinha de l ápis ao gesticular. Sim. Eu e a professora éramos muito próximas e ela saiu sem nem se despedir. Sinto falta dela, gostaria de vêla – dissimulou Bruna. Sua intenção, na verdade, era convencer Holly a voltar a dar aula no colégio, tomando o seu antigo lugar, ocupado por Gliton. Se é por isso, não vejo nenhum problema, assim você aproveite e peça a ela que venha me visitar. Não tenho noticias dela desde quando ela parou de vir dar aula. Ela parou? Sim! Nem o sal ário quis vir receber. Simplesmente sumiu, e, claro, foi substituída. Alfredo anotou o endereço numa folha de papel e a entregou. Este é o endereço correto, não coloquei o telefone porque já liguei várias vezes e ela não atendeu, acredito que também não atenderá agora. Obrigada, diretor. De nada, minha querida. N ão esqueçase do meu recado.
Bruna saiu da sala contente, guardando o papel na bolsa de mão rosa, e foi às pressas para o Byte encontrar seus amigos. No bar, encontrou apenas Caio e Luciano sentados á uma mesa de madeira com toalha laranja. Cad ê a Carla? – perguntou Bruna, sentandose na cadeira vazia e pendurando a bolsa no encostamento da mesma. A Carla foi com a Eduarda – respondeu Caio. – Prometeram n ão demorar. A garçonete colocou os pedidos dos meninos sobre a mesa: hambúrguer, batata frita e refrigerante cola para Luciano e xtudo e suco e laranja para Caio. Por favor, me traga um suco de frutas – pediu Bruna. Um momento! – respondeu a gar çonete desanimada, indo atender ao pedido. O movimento est á fraco aqui hoje não acham? – falou Bruna, puxando assunto, observando o pequeno bar alaranjado com poucos clientes. Melhor assim – disse Luciano, com a boca cheia de batata frita olhando as poucas mesas do bar quase todas desocupadas. A garçonete entregou o suco a Bruna. Obrigada! – disse Bruna, enquanto gar çonete saía. – Eu odeio a decoração desse lugar, laranja e azul não tem nada a ver... – disse observados os objetos à mesa: guardanapo azul, toalha laranja, copos e pratos azuis e laranja. Quem se importa? – interrompeu Caio. Eu me importo – disse num tom agressivo. – N ão usaria essa farda nem sob ameaças. Avental cafona. Eu tenho uma novidade – come çou Luciano – Ontem à noite, eu conheci uma garota que mim tirou do sério. Quem é ela? – perguntou Caio, interessado. Bruna revirou os olhos disfarçadamente. Rute Ádina. Ela engasgouse, tossiu e, depois de se recuperar, exclamou: Aquela dos seios exageradamente grandes? – um fio de ci úmes escapou na pergunta. Sim! – confirmou Luciano. Aquela garota n ão presta, já ficou com todos os garotos do colégio. Com ela, é só um... Ela não é mulher pra você. E quem é mulher para mim, Bruna? – perguntou Luciano sínico. Bruna ficou corada com a pergunta, sua vontade era gritar: “Eu”, mas, constrangida, preferiu não dizer nada e desviar a conversar. Vamos mudar de assunto? – pediu Bruna puxando o canudo do copo para boca. Tenho outra novidade – avisou Luciano. “Espero que não seja outra mulher” pensou Bruna, com urg ência. O Maico voltar á à nossa cidade. S ério? – Caio não acreditou. – Quando? S ábado. Maico é um amigo da turma. Há dois anos, ele foi embora para outra cidade com seu pai e, agora, está retornando. Que bom, ele faz falta – completou Caio. Uma garota morena de cabelo longo e seios grandes entrou no bar, arrancando olhares dos rapazes presentes, por causa de sua saia curta e seu decote exagerado. Rute! – chamou Luciano, acenando, quase derrubando seu suco. A garota foi até a mesa dele, cumprimentouo com um abra ço seguido de um beijo
O sol nasceu menos quente nessa manhã e se manteve escondido atrás das nuvens, desmentindo as previsões do tempo que indicaram calor denso e céu limpo. Mas isso não era desculpa para faltar a mais um dia de aula no colégio Central, onde a maioria dos alunos marcou presença. Na sala de Eduarda, a professora Nora, uma mulher baixinha e gordinha que usava um cinto verde sobre o vestido floral no meio da barriga, dividindoa em duas, passava mais uma de suas atividades extras que irritavam os alunos. Mas não eram pior que as aulas de Gliton. Ela lecionava a matéria de Redação e adorava obrigar os estudantes a lerem livros. Para ela, essa prática os ajudaria a escrever melhor. Queridos, quero que cada um de voc ês escolha um livro, de qualquer tema ou título, pode ser de história, de literatura ou até mesmo didático. Leiam com bastante atenção, porque na próxima aula farão uma redação sobre o que leram e divulgaram a todos no... “Mural das redações” – completaram todos os alunos, fazendo um sorriso largo aparecer na cara enrugada da professora, que quase derrubou o óculos de meia lua com a euforia que sentiu, ela adorava quando os alunos interagiam mesmo de má vontade. A sirene tocou. At é a próxima aula! Os alunos recolheram seus pertencesses e saíram da sala. A biblioteca estava quase vazia, exceto por Marina com sua aparência gótica lendo um livro em seu balcão de bibliotecária, com fones nas orelhas ouvindo heavy metal, sem prestar atenção em nada ao redor. Um ruído abafado soou sonoramente, de uma estante que tinha uma placa prata que indicava numa escrita de forma: "Seção de aventura”. Um livro grande e grosso de encardenação branca e gasta tremia compulsivamente num espaço apertado entre dois livros quase de seu tamanho, fazia força para afastar os outros livros que lhe ladeavam, mas todos estavam alinhados e não havia espaço sobrando. O livro branco parou de tremer. Como se alguém invisível estivesse o tirando da estante, o livro deslizou de seu espaço calmamente e quando ultrapassou a base, não caiu, flutuou pomposo, até uma mesa próxima onde se deitou aberto. As paginas emergiram um brilho dourado ofuscado pela luz do dia que entrava pelas grandes janelas abertas e, três bolas pequenas de luzes foram expelidas de dentro do livro bruscamente, elas bateram no teto e se espalharam fugindo pelas janelas, uma delas chegou a quebrar o vidro para escapar. Marina correu até a janela quando ouviu o barulho do vidro quebrando e verificou o buraco feito. Deduziu apenas que algum estudante jogou uma pedra. Mas cadê a pedra? Esses v ândalos! – resmungou irritada. Eduarda entrou na biblioteca. Bom dia, Marina! Oi, Duda. disse sombria, com a voz arrastada. O que houve? – perguntou, olhando o vidro da janela quebrada. N ão se preocupe, foi apenas algum delinquente desse colégio. Eduarda foi até a seção de aventura escolher um livro para a tarefa de classe. Com o dedo indicador passando por todos os títulos lidos com cuidado, ela escolheu “O diário secreto”, foi o que mais lhe chamou a atenção. Ela o retirou da estante e o levou a mesa
mais próxima, onde se deparou com um livro grande aberto. Curiosa, Eduarda deixou o que acabou de escolher de lado e fechou o grande livro pra ler o titulo: “Reino Amaldiçoado”. Ela afastou a cadeira da mesa e sentou. Quando foi abrilo, para iniciar a leitura, alguém coloca a mão no seu ombro, o que a faz sobressaltar sentada. Carla! – gritou aliviada, ao perceber que foi sua amiga. Desculpa. N ão queria te assustar. Est á lendo o quê? – perguntou Luciano. Só então ela percebeu que ele também estava lá. “ Reino amaldiçoado”. Deixe esse livro ai, vamos tomar um sorvete – convidou Luciano, gentil. Mas é para a aula de redação. Deixe pra vir buscar mais tarde. Mais tarde? É. Todos virão depois da sorveteria. A Bruna e o Caio já estão nos esperando e você não vai andar pra lá e pra cá com esse livro, ou vai? Aquela sapa da professora Nora não merece esse esforço. Est á bem! – foi convencida. – Contudo, vou reservar este. Depois de pedir a Marina para guardar o livro e ligar pra mãe para avisar que se atrasaria, Eduarda e seus amigos foram para sorveteria, onde passaram a tarde inteira jogando conversa fora. Eduarda, no entanto, não via à hora de começar a ler aquele livro que achou sobre a mesa, parecia que ele estava esperando por ela, não sabia o que era, mas ficava dispersa toda vez que se lembrava dele, disfarçava com vergonha de ser percebida. Quando começou a anoitecer, ela insistiu para que voltassem logo para biblioteca antes que fechasse, seus amigos não estavam preocupados em encontrar o colégio fechado, mas acataram o pedido dela, culpados de não terem a deixado pegar o livro antes. Marina, que cochilava em seu balcão, aproveitando a biblioteca vazia, não percebeu quando os jovens entraram. Eduarda, a principio, ficou constrangida em despertála para pedir o livro, mas não teve alternativa. Marina! Marina! – chamou algumas vezes at é acordála. – Desculpeme. Eu voltei para pegar o livro. N ão foi nada – respondeu Marina, ainda sonolenta. – Eu tinha mesmo que acordar, já está quase na hora de fechar a biblioteca – ela abriu uma gaveta e retirou o livro reservado – Aqui o seu livro. Vamos fazer o cadastro do aluguel. Enquanto Eduarda registrava o livro para poder leválo para casa, os outros se espalharam pelo recinto procurando algum título que os agradasse. J á escolheu? – perguntou Luciano a Carla. Ainda n ão. Acho que vou querer um romance. Voc ê não vai encontrar nenhum romance que te agrade, Carla. – falou Bruna num tom de deboche. – Melhor você ir à seção infantil. Carla lhe fuzilou com os olhos. Eduarda retornou para perto dos amigos com seu livro e sentouse, esperando que terminassem de escolher. Achou seu livro? – perguntou Caio, segurando tr ês títulos. Sim. – respondeu Eduarda, vendo Bruna roubar um dos livros que ele escolheu. Hei, Bruna! – exclamou Caio. – Esse livro foi o que mais me chamou a aten ção. Entre
Sou um Luangel. Uma das muitas espécies de criaturas encantadas de Marcel. Marcel? Marcel é uma ilha aprisionada dentro do livro. Os jovens ficaram mais perplexos. Eu vou explicar tudo – avisou a criatura sentandose no ar, respirou fundo e enfrentou os rostos aturdidos a sua frente. – Há muitos anos, neste mundo, existia uma ilha chamada Marcel, onde as pessoas eram livres para praticar e aperfeiçoar magias e encantamentos, tudo era governado por um só rei, mas a ambição de um bruxo maligno fez com que todo o reino fosse aprisionado dento de um livro. Anos se passaram, muitos bruxos e bruxas tentaram a liberdade, mas sem sucesso. Algo inesperado aconteceu há pouco tempo: os três diamantes mágicos foram roubados de sua guardiã, a feiticeira Lugue, que recebeu essa tarefa antes da queda do rei. Alguém descobriu uma forma de sair do livro através das jóias, suponho, só que esqueceuse de um detalhe: s ó uma pessoa extremamente poderosa ou alguém sem nenhum poder poderia suporta a energia dos diamantes, que não só escaparam do ladrão como atravessaram o portal e estão nesse mundo, perdidos. Onde entramos nisso? – perguntou Luciano, baixando a cadeira. Preciso que encontrem os diamantes por mim, n ão posso ficar mais de uma hora exata fora do livro e, mesmo que pudesse, como procuraria nessa forma? Sei que os humanos temem tudo que é diferente, é só analisar a reação de vocês. Francamente, de todos os seres de Marcel, eu sou o mais fofo. Fofo! – murmurou Bruna, debochando. Se essas j óias caírem em mãos erradas, coisas horríveis irão acontecer – continuou Zarco. O que esses diamantes fazem de t ão especial? – perguntou Carla, ainda tonta com a situação. Quem os obter, pode ir ao passado, presente e futuro... Se algo for mudado, pessoas desaparecerão, crianças deixarão de nascer, coisas serão destruídas, será um caos. Entendo – disse Luciano. – Mas, mesmo que quis éssemos te ajudar, não poderíamos. São diamantes. Aqui, diamantes são valiosos. Ninguém vai devolvêlos, se os acharem. Sem mencionar que podem estar em qualquer lugar. Esses diamantes s ão diferentes – explicou Zarco. – Não é difícil reconhecêlos, s ão de um azulado peculiar. Devem existir milhares de j óias azuladas – complicou Caio. Para saber se é mesmo o mágico, apenas diga seu elemento olhando fixamente pro seu interior e ele brilhará. E a localiza ção deles? – perguntou Carla. Est ão aqui em vosso bairro. Silêncio predominou por alguns instantes, os jovens olhavam a criatura agora, sem medo, avaliandoa. N ão parecia ser perigosa, seu olhar meigo era cativamente, os olhos grandes e azuis como o céu, injetados de brilho, transpassavam confiança, parecia não estar mentindo. Vamos te ajudar – decidiu Luciano por todos. – Como entraremos em contato com voc ê? Levem o livro, logo Lugue entrar á em contato – um relógio de luz apareceu atrás da criatura. – Meu tempo está acabando, preciso me apresar – o relógio desapareceu. – Obrigado humanos, até breve. Boa sorte! Zarco voltou para a mesa onde se encontrava o livro e deu um leve pulo sobre as páginas, que o sugou. Que loucura! – exclamou Eduarda ainda boquiaberta. Temos que bolar um jeito de encontrar os diamantes – falou Luciano, preocupado.
Fala s ério? – duvidou Bruna. – Não acredito que vai mesmo ajudar aquela coisa. Sim, prometi e vou cumprir, com ou sem a sua ajuda. Quero todos que queiram ajudar na praça, amanhã – disse autoritário. Marina, que tinha caído no sono, novamente, não viu nada que aconteceu. Apesar de todo o barulho, só acordou quando o alarme de seu relógio de pulso apitou, insuportavelmente. Perdi alguma coisa? – perguntou Marina, sonolenta, limpando a baba seca na bochecha. N ão. – gritou Luciano, impedindo que os outros respondessem. Depois, voltou a olhar seus amigos. – Eduarda, leve o livro pra sua casa. Não contem o que aconteceu essa noite a ninguém, entenderam? Ninguém. Eduarda acordou com o barulho da campainha de sua casa. Achando que sua mãe iria atender, ela continuou deitada. Recordou da criatura que saiu do livro, riu por um momento “Foi um sonho”, pensou ela, ainda sonolenta, quanta criatividade. Quando estava quase retomando o sono, a campainha voltou a tocar. Ela olhou para o relógio encima do criadomudo do lado de sua cama e, percebeu pela hora que sua m ãe já tinha ido trabalhar, levantouse ent ão, resmungando. Abriu a porta. Carla! Ainda n ão está pronta? Pronta? Esqueceu? Vamos nos reunir na pra ça para iniciar a busca aos diamantes. N ão foi um sonho? N ão. Vai se arrumar logo, eu te espero aqui na sala. Eduarda subiu correndo a escada e, quinze minutos depois, desceu pronta para sair. As duas foram para a praça saudando a vizinhança conhecida. No caminho, Eduarda se viu obrigada a parar na padaria, pois não aguentou a fome. Ela nem pôde desfrutar direito de seu lanche, com Carla lhe pedindo pressa o tempo todo. Ao chegarem à praça, são surpreendidas: encontraram apenas Bruna e Caio sentados num banco lendo jornal. Oi! – cumprimentaram elas. Oi! – respondeu apenas Caio. Bruna, tudo bem? – indagou Eduarda. Leram o jornal hoje? – perguntou Bruna, sem tirar os olhos da noticia. N ão. Bruna as entregou o jornal, elas leram juntas: “O estudante Natanael Silva, 18 anos, aluno do colégio Central, está desaparecido há mais de dois meses. A policia não encontrou nenhuma pista de seu paradeiro durante todo esse tempo. Testemunhas afirmam que ele estava na bibliotecado colégio onde de estuda quando sumiu. A família exige explicações do diretor, Alfredo Mendonça, pois o aluno tinha um excelente comportamento e desapareceu no horário de aula. A hipótese de sequestro ainda não foi descartada, pois o pai do jovem, Ronaldo Silva, é gerente do bando BLC, um dos três mais importantes da região. Apesar de nenhum sequestrador ter feito contato, a hipótese não foi descartada”. Natanael Silva? – Carla reconheceu o nome. – N ão é aquele garoto loirinho do segundo ano? Ele mesmo. – afirmou Bruna finalmente as olhando – Desapareceu. Que pena, ele era um
Eu me viro – respondeu Caio, sem id éia. Tudo bem. – concordou Luciano. Temos que ser cautelosos, pois os diamantes podem estar em qualquer lugar e quem os tiver não vai querer devolvelos. Sejam criativos e corretos. Vamos nos reencontrar aqui ao meio dia. Boa sorte! – concluiu. Eles se separaram cheios de esperança de encontrarem algo que nunca viram antes e nem sabiam se realmente existiam: diamantes mágicos.
Caio e Maico resolveram começar a procurar os diamantes na Rua Lírio de Lis, onde todos os moradores são descritos como ricos por possuírem muitas jóias. Enquanto seguiam para a rua de casas grandes de arquitetura moderna e telhados coloridos, tiveram a idéia de se disfarçarem de jornalistas. Conseguiram pranchetas e gravadores com um amigo que fazia faculdade de jornalismo e colocaram o plano em ação depois de alguns minutos de ensaio. Tocaram a campainha da primeira casa, essa tinha paredes de vidros que em contraste com as paredes de concreto amarelo, refletiam a luz do sol, diferente das outras casas que tinha a cor branco como padrão. Logo foram atendidos por uma velha senhora bem arrumada de cabelo grisalho e óculos de meia lua. Bom dia! – disse Caio, sorridente. – Somos jornalistas estagi ários e estamos fazendo uma pesquisa sobre diamantes para a revista Jóias. A senhora pode ser destaque da matéria, se tiver o mais lindo dos diamantes dos últimos tempos, o azulado, conhecido também como mágico. Se quiser aparecer na revista, é só nos deixar tirar umas fotos da jóia e nos dar uma entrevista dizendo como conseguiu e como o usa. Tem interesse? – Caio se expressou convincente, surpreendendo até Maico, que já sabia da trama. A senhora mostrou interesse, ficou pensativa, um sorriso de lado escapou de seus lábios rachados coberto de batom vermelho, parecia já se vê na capa da revista pelo jeito com que passou a mão no cabelo, arrumando o penteado, mas seu aspecto mudou subitamente para uma cara de decepção. N ão tenho diamante azulado, mas posso lhes mostrar outras jóias, únicas de família. Desculpeme, mas s ó serve o azulado. Mas eu... – insistiu a senhora quando os jornalistas lhe deram as costas. Seguiram para a próxima casa. Tocaram a campainha... Caio voc ê foi incrível. Sinistro – elogiou Maico. É como teatro. Sabia que podemos ser presos por isso? E se esses diamantes n ão existirem? Vocês podem ter sofrido uma alucinação ontem, pensaram nisso? Cale a boca, Maico, eu sei o que vi. Um homem gordo e barbudo atendeu a porta, usava uma camisa preta com uma banda de rock estampado e, antes que os jovens dissessem alguma coisa, ele gritou: Vendedores. – e bateu a porta com for ça, deixando os dois boquiabertos na soleira. Na terceira casa, foram atendidos por uma jovem mulher magra de aspecto presunçoso, tinha o cabelo castanho preso num coque, e roupas longas, escondendo quase toda parte de seu corpo esquelético. Bom dia! Somos estagi ários da revista Jóias e estamos realizando uma pesquisa sobre diamantes aqui no bairro. A senhorita pode ser destaque da matéria se possuir o diamante azulado... Diamante? – repetiu a mulher. Isso. A senhorita pode ser capa da revista – explicou Caio. Voc ês querem diamantes? Ladrões, ladrões. N ão, senhorita, não somos ladrões – se defendeu Maico.