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Impressionismo
- Associação de um substantivo que designa uma qualidade física a um adjetivo de caráter afetivo e emocional. Valorização da perceção em vez do objeto «Uma alvura de saia moveu-se no escuro» ( Os Maias ), em vez da expressão mentalmente elaborada «Alguém com uma saia branca se moveu no escuro. Misturam-se percepções de tipo diferente (físicas vs morais), por vezes contraditórias (Ironia). «É possível – respondeu secamente a inteligente Silveira»
- Apreendido um aspeto dominante, ele servirá para caracterizar um todo, uma atmosfera: «Toda a gente se curvava palidamente sobre o periódico» ( Os Maias )
Linguagem e Estilo em Eça de Queirós
O uso expressivo do adjetivo e do advérbio (marca de estilo)
- O adjetivo ou advérbio tendem a exprimir juízos, interpretações, mais do que atributos objetivos das coisas ou factos, frequentemente a ironia: «o país ia alegremente e lindamente para a bancarrota» «(…) as perninhas moles de Eusebiozinho…»
- Recorrendo à técnica impressionista, funde-se o objetivo com o subjetivo: «Venerável cadeira» (hipálage) «Nariz agudo e triste» (hipálage) «Jejuns transparentes» «Escarlate estridente» (sinestesia)
Linguagem e Estilo em Eça de Queirós
Função do advérbio - Injetar atitudes morais em objetos:
Um armário de pinho envidraçado abrigava melancolicamente um serviço barato de louça nova» « Instintivamente , Carlos, de vez em quando, ia despertar as lâmpadas.» «Afonso apoiava-o, gravemente» «Na sua terrível perturbação, Carlos achava só esta palavra melancolicamente estúpida» (superlativação do adjetivo)
Linguagem e Estilo em Eça de Queirós
O verbo
- Verbos originais; «gouvarinhar» «esverdinhar»
- Evita os verbos declarativos (d. indireto livre) Passando diretamente para o discurso direto: «Maria Eduarda teve um movimento brusco de impaciência:
- Diga que não recebo!»
- Alternando frequentemente entre o discurso direto e o discurso indireto livre: «Diz-me uma coisa, Alencar – perguntou Carlos baixo, parando e tocando no braço do poeta – O Dâmaso está no Lawrence? Não, que ele o tivesse visto. Verdade seja que na véspera, apenas chegara, fora-se deitar fatigado; e nessa manhã almoçara só com dois rapazes ingleses»
Linguagem e Estilo em Eça de Queirós
Diminutivo – ironia, sentido pejorativo
Linguagem e Estilo em Eça de Queirós
«A russa animava Minhoto com gritinhos, com
pancadas de leque»
«… entre o pasmo da mamã e da titi, passava
dias a traçar algarismos, com a linguazinha de
fora.»
«…com as mãozinhas pendentes, os olhos
mortiços pregados na titi…»
Neologismos – suscitam o cómico ou pitoresco expressivo, «revitalizam formas gastas de dizer». «Politicote», ««esverdinhar», «gouvarinhar», «gordamente», «gordalhufamente» Galicismo – a sua utilização pode ser entendida:
- como crítica à invasão da França na língua, na moda e nos hábitos dos portugueses;
- como crítica a grupos que pretendiam falar francês para se darem ares de cosmopolitas, cultos e viajados;
- inexistência do termo em português
Linguagem e Estilo em Eça de Queirós
“E ela é de apetecer, Vossa Excelência reparou? Eu a bordo atirei-me. E ela dava cavaco! Mas tenho andado muito preso desde que cheguei, jantar aqui, soirée acolá, umas aventurazitas…Não tenho podido cá vir; deixei-lhes só, só bilhetes; mas trago-a de olho, que ela demora-se…talvez venha cá amanhã, estou cá agora a sentir umas cócegas…E, se me pilho só com ela, ferro-lhe logo um beijo. Que eu cá, não sei se vossa Excelência é a mesma coisa, mas eu cá, com mulheres, a minha teoria é esta: atracão! Eu cá, é logo: atracão!”
Linguagem e Estilo em Eça de Queirós
- Utilização da linguagem familiar e simples, chegando a recorrer ao calão;
- Predomínio da coordenação
- Ritmo sincopado, havendo truncamentos frásicos com recurso às reticências;
- Emprego de gestos e entoações variadas com exclamações, pleonasmos, repetições;
- Uso de frases curtas e, por vezes, iniciadas ou entrecortadas por partículas ou expressões de ligação (pois, pá, portanto, bom, percebes?, quer dizer,…)
Linguagem e Estilo em Eça de Queirós
Mantêm-se:
• As marcas do discurso indireto ao nível da
pessoa, tempo e modos verbais (ex.: Presente -
P. Imperfeito; Futuro – Condicional; P. Perfeito– Mais que perfeito…)
Recorre-se a marcas do discurso oral
também presentes no discurso direto:
• interjeições , exclamações, vocativos,
expressões modalizadoras, marcadores
discursivos (ex: ora, pois bem,…)
Discurso Indireto Livre
Discurso Indireto Livre
- Transições rápidas (mudança de planos, de pontos de vista, dinamismo). «Estás típico, Alencar! Estás a preceito para a gravura e para a estátua! O poeta sorria, passando os dedos com a complacência pelos longos bigodes românticos, que a liberdade embranquecera e o cigarro amarelara. Que diabo, algumas compensações havia de ter a velhice!...Em todo o caso, o estômago não era mau e conservar-se, caramba, filhos, um bocado de coração.»
«Por meio deste recurso consegue fazer falar, fazer pensar
alto as suas personagens, dar-nos a vida interior delas,
em suas próprias palavras, e não nas do autor, sem
abusar do discurso direto. Uma das suas qualidades de
romancista é precisamente esta, comunicar vida às suas
criações humanas dotando-as de linguagem própria»
(Ernesto Guerra da Cal, ob. Cit., pp 63 e 77)
Discurso Indireto Livre
Figuras de estilo
- Ironia (marca de estilo)– figura de pensamento
que consiste em atribuir a uma palavra ou a
uma frase um sentido diferente (até mesmo
contrário) daquele que na realidade tem.
«…o morgadinho, o Eusebiozinho, uma maravilha
muito falada naqueles sítios»
• Sinestesia – consiste na associação de
sensações que se referem a diferentes órgãos
dos sentidos.
«o som vermelho do clarim»
(ouvido + visão)
«luz macia»
Visão + tato)
«escarlate estridente»
(visão + ouvido)
Figuras de estilo