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Manual de Pilates para escoliose
Tipologia: Esquemas
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escoliose
A escoliose é considerada como uma inclinação lateral da coluna com rotação das vertébras, também chamada de alteração tridimensional da coluna vertebral, sendo altamente prevalente nas mulheres (Lenssinck, Frijlink e Berge, 2005). Pode ser classificada de acordo com a convexidade da curva: a escoliose cuja convexidade é à esquerda chama-se de sinistra convexa , já uma escoliose cuja convexidade é à direita chama-se de destro convexa.
A escoliose também pode ser classificada conforme a reversibilidade da curvatura, podendo ser funcional e estrutural. A escoliose funcional conhecida como não estrutural ou atitude escoliótica é reversível e, corrigida através do posicionamento postural adequado. No teste de Adams a curvatura da escoliose funcional desaparece (Figura 1). Já na escoliose estrutural a deformidade não pode ser corrigida, porque há inclinação lateral com rotação fixa e irreversível da curvatura, ocorre alteração do gradil costal e é positiva no teste de Adams, produzindo a gibosidade posterior do lado convexo. As causas mais comuns da escoliose estrutural podem ser: genéticas, vértebras em cunha, hemivértebra, evidenciando a alteração óssea na estrutura da vértebra.
Figura 1: Teste de Adams negativo à esquerda (escoliose funcional) e positivo à direita (escoliose estrutural).
Coluna Vertebral Normal Deformidade de escoliose
As curvaturas também são classificadas em primária ou secundária. A curvatura primária é a deformidade mais significante (conhecida também como escoliose em C), geralmente ocorre na região torácica entre os níveis de T4-T12. A curvatura secundária se desenvolve para compensar a curvatura primária na direção oposta, está localizada abaixo ou acima da curvatura primária e apresenta menor angulação (conhecida como escoliose em S). Quanto maior a curvatura lateral, maior o risco de rotação vertebral e maior a possibilidade de surgir alteração cardiopulmonar, como a diminuição da capacidade vital (soma do volume corrente, volume de reserva inspiratório e volume de reserva expiratório), diminuição da capacidade pulmonar total (soma da capacidade vital e volume residual) e hipertrofia do lado direito do coração devido à hipertensão pulmonar.
O estudo randomizado de Araújo et al., (2012) avaliou a eficácia do método Pilates na curvatura escoliótica, na flexibilidade e na dor de 20 mulheres sedentárias. Os exercícios foram realizados 2x por semana, por 60 minutos, durante 12 semanas e concluíram que no grupo experimental os exercícios do Pilates diminuíram 38% a curvatura da escoliose não estrutural, 60% a dor e aumentou a flexibilidade em 80% quando comparado ao grupo controle.
Ikemitsu et al., (2006) afirmou que 27 % dos pacientes com disfunção temporomandibular também apresentaram escoliose com um ângulo de Cobb > 10°, mostrando uma correlação entre ambas disfunções.
Yongnam e Youngsook (2014) avaliou a escoliose e a alteração na amplitude de movimento da ATM de 31 indivíduos antes e após a prática do Pilates. Os exercícios foram realizados 3 vezes por semana, durante 8 semanas. Quando comparado ao grupo controle (n=12) os autores sugeriram que no grupo experimental (n=19) houve melhora no grau da escoliose e no desvio da ATM após os exercícios do método Pilates.
Gouveia e Gouveia (2008) enfatizou a importância do músculo transverso do abdome na estabilização da coluna vertebral durante os exercícios abdominais, podendo prevenir ou minimizar as alterações posturais como a escoliose. Blum (2002) corroborou afirmando que a escoliose pode ser causada por um desequilíbrio corporal e por padrões de preferência de movimentos, portanto, é evidente que o método Pilates leva a um reequilíbrio muscular e que, a natureza simétrica dos exercícios do método é uma excelente abordagem para os indivíduos com escoliose.
...é evidente que o metodo Pilates leva a um reequilíbrio muscular e que, a natureza simétrica dos exercícios do método é uma excelente abordagem para os indivíduos com escoliose.
OBJETIVOS Direcionar a expansão torácica para o lado côncavo da curvatura escoliótica. INSTRUÇÕES Em sedestação, MMII em flexão e rotação externa dos quadris, coluna neutra, inclinar o tronco para o lado convexo da curvatura escoliótica, apoiar a mão ipsilateral na nuca e a outra mão apoiar nas últimas costelas do lado côncavo, realizar a respiração e progredir com o aumento do tempo respiratório. INDICAÇÕES
Escoliose, alunos tensos, Padrão respiratório apical e Diferença de expansão entre o pulmão direito e esquerdo. DICAS E CUIDADOS ESPECIAIS
ERROS MAIS COMUNS Inclinar apenas a coluna lombar ou cervical e perder a estabilidade escapular da mão que está na nuca.
Permanecer com o crescimento axial durante os ciclos respiratórios e progredir com a resistência à medida que a capacidade respiratória aumentar.
(^1) 1A
OBJETIVOS Mobilizar a coluna em flexão e rotação, fortalecer os músculos abdominais e o manguito rotador e melhorar a coordenação motora.
INSTRUÇÕES Em decúbito dorsal, MMII estendidos e MMSS em flexão de ombros a 180° (sem elevar as costelas) e uma tonning ball nas mãos, realizar a flexão de tronco e de ombros simultaneamente elevar um MI, flexionando o quadril, uma mão segura a tonning ball, realizando a abdução de ombro com rotação de tronco, a mão oposta segura a perna que eleva, mantendo o crescimento axial. Alternar os lados. INDICAÇÕES Hiperlordose, epondilolistese, escoliose, dor lombar crônica e hipomobilidade da coluna.
ERROS MAIS COMUNS Solavanco durante a subida e perder a estabilidade escapular.
CONTRA-INDICAÇÕES Fraqueza abdominal.
COMENTÁRIO DO PROFESSOR O aluno que não conseguir elevar o tronco a partir dos MMII em extensão, pode apoiar 1 MI no solo. Este exercício também pode ser realizado sem acessório.
(^2) 2A
OBJETIVOS Fortalecer os músculos abdominais com ênfase nos oblíquos internos e externos; Fortalecer os quadríceps em isometria e alongar peitorais. INSTRUÇÕES Em sedestação de costas no assento da chair com joelhos em extensão, apoiar uma mão no pedal e outro MS em flexão de ombro a 90°. Realizar a descida do pedal, estendendo e rodando o tronco para o lado do MS que está apoiado no pedal. A cervical acompanha o movimento. INDICAÇÕES Hipercifose; Escoliose; Cervicalgia; Espondilolistese, Dor lombar crônica e Hiperlordose.
DICAS E CUIDADOS: Alunos com hiperlordose podem executar o exercício apoiando o sacro na chair.
CONTRA-INDICAÇÕES Instabilidade de ombro como subluxação e luxação; Lesão de punhos como síndrome do túnel do carpo.
ERROS MAIS COMUNS Perder a ativação dos MMII; Hiperativar o m. trapézio superior; Diminuir a contração do powerhouse e sentir dor na lombar. COMENTÁRIOS DO PROFESSOR Para facilitar o exercício colocar a caixa de extensão da chair ou bola suíça para apoiar os MMII. Cuidado com os alunos com dor lombar crônica e hiperlordose, alguns sentem aumento da dor durante este exercício.
(^4) 4A
11
OBJETIVOS Aumentar a mobilidade da coluna e fortalecer os músculos abdominais e manguito rotador. INSTRUÇÕES Sentado sobre os ísquios no barrel, pés no espadar com MMII flexionados a aproximadamente 90° de joelhos e quadril, ombros flexionados a 90°, cotovelos estendidos. Realizar o enrolamento da coluna em flexão simultaneamente com a abdução horizontal dos ombros com a faixa elástica e retornar à posição inicial.
VARIAÇÃO
INDICAÇÕES Hiperlordose; Hipercifose; Espondilolistese e Escoliose. CONTRA-INDICAÇÕES Alunos com síndrome do túnel do carpo podem segurar a tonning ball. DICAS E CUIDADOS ESPECIAIS Certifique-se de que o aluno realiza o enrolamento da coluna lombossacra, permitindo a mobilidade. ERROS MAIS COMUNS Realizar desvios de punhos e fazer o movimento em bloco. COMENTÁRIO DO PROFESSOR Pode ser realizado a rotação da coluna associada com a abdução unilateral de ombro, a cervical acompanha o movimento.
(^5) 5A
OBJETIVOS Fortalecimento de abdome com ênfase nos músculos oblíquos externos e internos. INSTRUÇÕES Em decúbito lateral (DL), com a mão superior no centro da barra, outro MS à frente do tronco, MMII nas barras verticais, inclinar o tronco em direção à barra móvel. INDICAÇÕES Escoliose, espondilolistese e dor lombar crônica.
CONTRA-INDICAÇÕES Tendinose do glúteo mínimo ou médio e bursite trocantérica. Alguns alunos com cervicalgia podem sentir aumento da dor durante ou após a execução. ERROS MAIS COMUNS Realizar a inclinação com solavancos ou impulsionar com o cotovelo do MS abaixo; Inclinar a cervical e puxar a barra. COMENTÁRIO DO PROFESSOR Molas colocadas mais superiormente ou quanto maior a resitência das molas, mais fácil será para executar o movimento. O MI acima deverá estar na barra da frente e o MI abaixo deverá estar na barra de trás para evitar a rotação da pelve. Para aumentar a complexidade, pode colocar o MS abaixo com abdução de ombro a 180°.
(^7) 7A
OBJETIVOS Fortalecer os músculos reto do abdome, oblíquos internos e externos, transverso do abdome e quadríceps. INSTRUÇÕES Em decúbito dorsal com antepé na barra fixa (ou barra torre), mãos na nuca, cotovelos e ombros em rotação externa, simultaneamente estender os MMII e flexionar o tronco. Ou permanecer com o tronco flexionado e estender os MMII. INDICAÇÕES Espondilolistese, dor lombar crônica e escoliose.
ERROS MAIS COMUNS Fechar os cotovelos durante a flexão do tronco. COMENTÁRIO DO PROFESSOR As variações podem ser com os MMII em extensão e flexionar tronco e pernas simultaneamente, como realizar footworks em V position, apoio unilateral do MI e rotação do tronco.
VARIAÇÃO
(^8) 8A