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Planejamento e Controle da Produção, Notas de estudo de Engenharia de Produção

Planejamento e Controle da Produção

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 05/12/2010

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fernanda-8 🇧🇷

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO
PROPOSTA PARA O PLANEJAMENTO E
CONTROLE DA PRODUÇÃO E CUSTOS PARA
PEQUENAS EMPRESAS DO VESTUÁRIO
DISSERTAÇÃO SUBMETIDA À UFSC PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE
MESTRE EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO
Florianópolis, 1999.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO

PROPOSTA PARA O PLANEJAMENTO E

CONTROLE DA PRODUÇÃO E CUSTOS PARA

PEQUENAS EMPRESAS DO VESTUÁRIO

DISSERTAÇÃO SUBMETIDA À UFSC PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE

MESTRE EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO

Florianópolis, 1999.

ii

PROPOSTA PARA O PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO E

CUSTOS PARA PEQUENAS EMPRESAS DO VESTUÁRIO

LUIS DANIEL PITTINI STRUMIELLO

Essa dissertação foi julgada adequada para obtenção do

título de Mestre em Engenharia de Produção e aprovada

em sua forma final pelo Programa de Pós-Graduação em

Engenharia de Produção

________________________________

Profº Ricardo Miranda Barcia, Dr.

Coordenador do Programa

Banca Examinadora

_______________________________________

Profº ROLF HERMANN ERDMANN, Dr.

Presidente

_______________________________________

Profª ILSE MARIA BEUREN, Dra.

Membro

_______________________________________

Profº NORBERTO HOCHHEIM, Dr.

Membro

iv

Agradecimentos

A Deus por proporcionar a oportunidade desse

momento e de contar com a influência de pessoas

fantásticas...

Ao profº Rolf, não somente pela orientação (que

por si só já é merecedora de agradecimento), mas

também pela seriedade, confiança e atenção

dispensadas...

Ao pessoal do NIEPC: Claudia, Maria Albertina,

Evelize, Grace, Dionéia, Aldo, Rossane, Oscar e

Janaína. As nossas discussões contribuíram muito

para a realização deste. Valeu pelo

companheirismo...

Ao grande amigo Jackson. Sua amizade e boa vontade

desde o início da faculdade auxiliaram muito...

Aos meus irmãos Paula e Sandro. O constante apoio,

apesar da distância, animou nos momentos mais

difíceis...

Aos meus futuros sogros Elma e Ademir. O incentivo

e confiança foram fundamentais...

À minha noiva Lisiane. Sua dedicação, confiança e

sacrifício durante esses anos, só fazem crescer a

minha admiração por você...

v

...Muito obrigado.

À meus pais Sonia e Marino, que não mediram

esforços para educar os seus três filhos, com

sabedoria e amor.

"Ensina o menino no caminho em que deve andar,

e até quando envelhecer não se desviará dele".

Provérbios 22:

8.2.3 - APRAZAMENTO – DEFINIÇÃO DE PRAZOS, CAPACIDADES, AJUSTES E SEQÜENCIAMENTO

x

xi

  • 1 - INTRODUÇÃO SUMÁRIO
  • 1.1 - ORIGEM DO TRABALHO
  • 1.2 - ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO
  • 1.3 - PROBLEMA DE PESQUISA
  • 1.4 - OBJETIVOS
  • 1.5 - JUSTIFICATIVA TEÓRICA E PRÁTICA
  • PARTE I - BASE CONCEITUAL
  • 2 – OS SISTEMAS DE PRODUÇÃO
  • 2.1 - A CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO
  • 2.2 - OS OBJETIVOS DE DESEM PENHO DA MANUFATURA
  • 2.3 - SUBSISTEMAS
  • 3 - PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO
  • 3.1 - DEFINIÇÃO DE PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO
  • 3.2 - COMPOSIÇÃO DO PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO
  • 3.3 - ETAPAS DO PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO
  • 3.3.1 - PROJETO DO PRODUTO
  • 3.3.2 - PROJETO DO PROCESSO
  • 3.3.3 - DETERMINAÇÃO DE QUANT IDADES A PRODUZIR
  • 3.4 - PROGRAMAÇÃO E CONTROLE DA PRODUÇÃO
  • 3.4.1 - DEFINIÇÃO DA NECESSID ADE DE PRODUTOS FINAIS
  • 3.4.2 - CÁLCULO DAS NECESSIDA DES DE MATERIAL
  • 3.4.3 - APRAZAMENTO - DEFINIÇÃO DE PRAZOS, CAPACIDADES E AJUSTES
  • 3.4.4 - SEQÜENCIAMENTO, EMISSÃO E LIBERAÇÃO DAS ORDENS DE FABRICAÇÃO
  • 3.4.5 - CONTROLES
  • 3.5 - TÉCNICAS DE PROGRAMAÇ ÃO E CONTROLE
  • 3.5.1 - TÉCNICA DO PRODUTO
  • 3.5.2 - TÉCNICA DA CARGA
  • 3.5.3 - TÉCNICA DO ESTOQUE-MÍNIMO
  • 3.5.4 - TÉCNICA DO ESTOQUE-BASE
  • 3.5.5 - TÉCNICA DO PERÍODO - PADRÃO
  • 3.5.6 - TÉCNICA DOS LOTES COM PONENTES
  • 3.5.7 - TÉCNICA DO LOTE-PADRÃO
  • NECE SSIDADES DE MATERIAL 3.5.8 - TÉCNICA DO MRP ( MATERIAL REQUIREMENTS PLANNING ) – PLANEJAMENTO DAS
  • 3.5.9 - TÉCNICA KANBAN
  • 3.5.10 - TÉCNICA DO OPT
  • 4 - CONTROLE DE CUSTOS
  • 4.1 - MÉTODO DO CUSTEIO POR ABSORÇÃO
  • 4.1.1 - APRESENTAÇÃO DO MÉTOD O
  • 4.1.2 - CENTRO DE CUSTOS
  • 4.2 - MÉTODO DO CUSTEIO VARIÁVEL vii
  • 4.3 - CUSTO PADRÃO
  • 4.4 - ABC ( ACTIVITY BASED COSTING) - CUSTEIO BASEADO EM ATIVIDADES
  • 4.5 - A UNIDADE DE ESFORÇO DA PRODUÇÃO (UEP)
  • 4.5.1 - APRESENTAÇÃO DO MÉTOD O
  • 4.5.2 - CONSIDERAÇÕES SOBRE O MÉTODO
  • 4.6 - MÉTODO DO CUSTEIO POR ABSORÇÃO IDEAL
  • PARTE II - PROPOSTA
  • 5 - MÉTODO
  • 5.1 - DELIMITAÇÃO DA PESQUIS A
  • 5.2 - DELINEAMENTO DA PESQUISA
  • 5.3 - ABORDAGEM DO TRABALHO
  • 5.4 - COLETA DE DADOS
  • 5.5 - ANÁLISE DOS DADOS
  • 5.6 - LIMITAÇÕES DA PESQUISA
  • 5.7 - SEQÜÊNCIA DA ELABORAÇÃO DO TRABALHO
  • 6 - PEQUENA EMPRESA
  • 6.1 - A PEQUENA EMPRESA NO BRASIL
  • 6.2 - O SETOR DO VESTUÁRIO
  • 7 – DIAGNÓSTICO DAS EMPRESAS
  • 7.1 - EMPRESA RASGANDO PANO
  • 7.1.1 - HISTÓRICO E CARACTERÍ STICAS
  • 7.1.2 - PLANEJAMENTO DA PRODU ÇÃO
  • 7.1.3 - PROGRAMAÇÃO DA PRODUÇ ÃO
  • 7.1.4 - CONTROLES
  • 7.1.5 - INFORMÁTICA
  • 7.2 - EMPRESA ILHA BIKINI
  • 7.2.1 - HISTÓRICO E CARACTERÍ STICAS
  • 7.2.2 - PLANEJAMENTO DA PRODU ÇÃO
  • 7.2.3 - PROGRAMAÇÃO DA PRODUÇÃO
  • 7.2.4 - CONTROLES
  • 7.2.5 - INFORMÁTICA
  • 7.3 - EMPRESA PIERI SPORT
  • 7.3.1 - HISTÓRICO E CARACTERÍ STICAS
  • 7.3.2 - PLANEJAMENTO DA PRODU ÇÃO
  • 7.3.3 - PROGRAMAÇÃO DA PRODUÇÃO
  • 7.3.4 - CONTROLES
  • 7.3.5 - INFORMÁTICA
  • 7.4 - PERFIL DAS EMPRESAS
  • 7.5 - DESCRIÇÃO DO PERFIL DO SETOR
  • 7.5.1 - PLANEJAMENTO DA PRODU ÇÃO
  • 7.5.2 - PROGRAMAÇÃO DA PRODUÇ ÃO
  • 7.5.3 - CONTROLES
  • 7.5.4 - INFORMÁTICA
  • 8 – A ESTRUTURA DE PCP PROPOSTA viii
  • 8.1 - PLANEJAMENTO DA PRODUÇÃO
  • 8.1.1 - PROJETO DO PRODUTO
  • 8.1.2 - PROJETO DO PROCESSO
  • 8.1.3 - DEFINIÇÃO DAS QUANTID ADES A PRODUZIR
  • 8.2 - PROGRAMAÇÃO DA PRODUÇÃO
  • 8.2.1 - DE FINIÇÃO DA NECESSIDADE DE PRODUTOS FINAIS
  • 8.2.2 - CÁLCULO DAS NECESSIDA DES DE MATERIAIS
  • 8.2.4 - EMISSÃO E LIBERAÇÃO D AS ORDENS DE FABRICAÇÃO
  • 8.3 - CONTROLES
  • 8.3.1 - CONTROLE DE QUANTIDAD ES E PRAZOS DE ENTREGA
  • 8.3.2 - CONTROLE DE QUALIDADE
  • 8.3.3 - CONTROLE DE ESTOQUES
  • 8.3.4 - CONTROLE DE CUSTOS
  • 9 - SIMULAÇÃO E ANÁLISE DA PROPOSTA
  • 9.1 - SIMULAÇÃO DA PROPOSTA
  • 9.2 - ANÁLISE DA SIMULAÇÃO
  • 10 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
  • 10.1 - CONCLUSÕES
  • 10.2 - LIMITAÇÕES E RECOMENDAÇÕES
  • REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
  • ANEXO
  • Figura 1 - Representação gráfica do Sistema de Produção ....................................................... Lista de Figuras
  • Figura 2 - Classificação de processos produtivos ......................................................................
  • Figura 3 - Junção das classificações dos processos e Sistemas produtivos .............................
  • Figura 4 - O contínuo entre bens e serviços
  • Figura 5 - Sistema de Produção ...............................................................................................
  • Figura 6 - Visão geral das atividades do PCP ..........................................................................
  • Figura 7 - Fluxo primário de informações ...............................................................................
  • Figura 8 - As etapas no desenvolvimento de um novo produto ..............................................
  • Figura 9 - Árvore de estrutura para um produto "P" ...............................................................
  • Figura 10 - Diagrama de Gantt
  • Figura 11 - Diagrama de Gantt para acompanhame nto das ordens de fabricação ..................
  • Figura 12 - Gráfico ABC .........................................................................................................
  • Figura 13 - Desenho esquemático do planejamento das necessidades de materiais ...............
  • Figura 14 - Dinâmica dos princípios de empurrar e puxar a produção ...................................
  • Figura 15 - Kanban de Produção .............................................................................................
  • Figura 16 - Kanban de Transporte ...........................................................................................
  • Figura 17 - Cadeia produtiva do setor têxtil
  • Figura 18 - Ficha de controle de qualidade ...........................................................................
  • Figura 19 - Gráfico de Pareto
  • Tabela 1 - Impacto do projeto do produto nos objetivos de desempenho ............................... Lista de Tabelas
  • Tabela 2 - Impacto do projeto do processo nos objetivos de desempenho ..............................
  • Tabela 3 - Métodos de opinião e juízo .....................................................................................
  • Tabela 4 - Métodos quantitativos .............................................................................................
  • Tabela 5 - Exemplo fictício das características de produção de uma empresa
  • Tabela 6 - Demonstração do Resultado do Exercício no custeio por absorção .......................
  • Tabela 7 - Demonstração do Resultado do Exercício no custeio variável ...............................
  • Tabela 8 - Atividades de uma indústria de transformação hipotética......................................
  • Tabela 9 - Levantamento dos direcionadores das atividades ...................................................
  • Tabela 10 - Demonstração do Resultado do Exercício no custeio por absorção ideal
  • Tabela 11 - Gastos de dois períodos em uma empresa fictícia, em $ ......................................
  • Tabela 12 - Participação das MPE no Brasil ...........................................................................
  • Tabela 13 - Classificação de MPE ...........................................................................................
  • Tabela 14 - Ítens de custo da Ilha Bikini ...............................................................................
  • Tabela 15 - Perfil das empresas .............................................................................................
  • Tabela 16 - ficha de produto (1 unidade) - Várias cores .......................................................
  • Tabela 17 - Banco de tempos de operações ...........................................................................
  • Tabela 18 - Banco de tempos e custos ...................................................................................
  • Tabela 19 - Ficha de processo individual ..............................................................................
  • Tabela 20 - Vendas nos últimos dez (10) anos e doze (12)meses .........................................
  • Tabela 21 - Quadro de carga ..................................................................................................
  • Tabela 22 - Ordem de produção semanal ..............................................................................
  • Tabela 23 - Ficha de materiais ...............................................................................................
  • Tabela 24 - Custos diretos mensais
  • Tabela 25 - Custos indiretos e despesas mensais ...................................................................
  • Tabela 26 - Demonstração do Resultado do Exercício no custeio por absorção ...................
  • Tabela 27 - Demonstração do Resultado do Exercício no custeio variável ...........................
  • Tabela 28 - Ficha de produto da blusa de liganete
  • Tabela 29 - Ficha de produto da calça estampada .................................................................
  • Tabela 30 - Ficha de produto da blusa de suplex ...................................................................
  • Tabela 31 - Ficha de produto da bermuda de coton ...............................................................
  • Tabela 32 - Banco de tempos e operações .............................................................................
  • Tabela 33 - Ficha de processo individual da blusa de liganete ..............................................
  • Tabela 34 - Ficha de processo individual da calça estampada ..............................................
  • Tabela 35 - Ficha de processo individual da blusa de suplex
  • Tabela 36 - Ficha de processo individual da bermuda de cóton
  • Tabela 37 - Ordem de produção semanal ..............................................................................
  • Tabela 38 - Ficha de materiais ...............................................................................................
  • Tabela 39 - Quadro de carga ..................................................................................................
  • Tabela 40 - Custos anuais dos setores ...................................................................................
  • Tabela 41 - Custos indiretos e despesas mensais ..................................................................
  • Tabela 42 - Banco de tempos e custos ...................................................................................
  • Tabela 43 - Demonstração do Resultado do Exercício no custeio por absorção ...................
  • Tabela 44 - Demonstração do Resultado do Exercício no custeio variável ...........................
  • Fórmula 1 - Cálculo do custo do direcionador Lista de Fórmulas
  • Fórmula 2 - Cálculo do c usto da atividade atribuído ao produto
  • Fórmula 3 - Custo da atividade atribuído ao produto ..............................................................
  • Fórmula 4 - Índice de eficiência ..............................................................................................
  • Fórmula 5 - Índice de eficácia .................................................................................................
  • Fórmula 6 - Índice de produtividade .......................................................................................
  • Fórmula 7 - Índice de eficiência
  • Fórmula 8 - Índice de produtividade .....................................................................................
  • Fórmula 9 - Índice de eficiência
  • Fórmula 10 - Índice de produtividade ...................................................................................

xiii

Abstract

In this work it was developed a planning model and control of the production and

costs for small companies of the clothes. Due to importance of the small company nationally,

absorbing 60% of the labor approximately and generating 40% of the income, it is necessary

that studies are driven to these companies, seeking to understand them and to provide them of

techniques that it facilitates them to compete in the market in better conditions. The section of

the clothes was chosen, given its importance in the state economy.

It took place a bibliographical research initially, looking for to understand the concepts

and techniques of PCP, for later on to conceive the model. On that moment, researches were

accomplished in companies of the clothes, tends in view to identify a profile of the section, as

well as to verify the practical procedures adopted with its virtues and defects.

Of ownership of those information, the model was conceived, establishing a correct

flow of information in the company, and to allow the registrations of the data, trying not to

remove of such companies more important one of its characteristic ones, the agility.

Finally, with the data of a company, an application of the model was accomplished

seeking to verify its results.

1 - INTRODUÇÃO

1.1 - Origem do trabalho

As pequenas empresas crescem em importância a cada dia no cenário econômico

nacional. Atualmente, sua participação é imprescindível para a economia do país, sendo

responsável por grande parcela da ocupação da mão-de-obra e geração de renda. Apesar

disso, a literatura referente as funções de planejamento e controle da produção e custos (PCP)

é escassa ao abordar a realidade desta s empresas.

Dentro desse contexto, o trabalho pretende preencher esta lacuna, ao abordar o PCP

sob o ponto de vista do sistema de produção de pequenas empresas, bem como o seu controle

de custos, culminando com um modelo que sirva como quadro referencial para as mesmas.

1.2 - Organização do trabalho

Inicialmente são definidas a problemática da pesquisa, os seus objetivos e

justificativas. Após isso, apresenta-se uma revisão teórica, visando esclarecer a nomenclatura

da área, bem como as diferentes abordagens referentes ao tema. A seguir, é exposto o

diagnóstico do setor, com as características identificadas na pesquisa de campo. Explana-se,

então, o modelo proposto, baseado nas pesquisas teórica e prática realizadas.

Finalmente, é demonstrada a simulação da implantação do modelo em uma empresa, e

os resultados atingidos.

1.3 - Problema de pesquisa

O processo de globalização tornou a concorrência antes apenas local, em mundial.

Após longo período de protecionismo, as empresas brasileiras estão expostas à concorrência

mundial. Isso torna necessário o pleno atendimento de expectativas e necessidades dos

clientes, sob pena de não sobreviver nesse ambiente de grande competitividade.

Todos esses aspectos trouxeram como conseqüência uma reconsideração dos sistemas

de produção, que por um longo período estiveram relegados a segundo plano. Percebeu-se

então, as vantagens que podem ser atingidas ao ter-se um competente gerenciamento da

produção.

O avanço tecnológico proporcionou um vertiginoso acréscimo nos cinco objetivos de

desempenho da produção, definidos por Slack (1993), quais sejam: qualidade, confiabilidade,

velocidade, flexibilidade e custos. Na busca pela excelência desses, percebe-se a alta

3

É preciso, portanto, estabelecer um referencial para ser seguido por estas empresas,

para que as mesmas possam concorrer no mercado, sabendo as informações referentes ao seu

processo produtivo, desde as quantidades a serem produzidas até o estabelecimento do correto

preço de venda. Diante desta necessidade, elaborou-se a seguinte questão-problema: "Como

deve ser um modelo de planejamento e controle da produção, com ênfase em custos, que

sirva de referencial para as empresas do vestuário, considerando as suas peculiaridades?”

1.4 - Objetivos

O objetivo geral da presente pesquisa consiste em estruturar um sistema de

planejamento, programação e controle da produção e custos, que sirva de referencial para

pequenas empresas do vestuário.

Como objetivos específicos pretende-se o que se segue:

ß estabelecer um quadro referencial de PPCP para pequenas empresas do vestuário; ß propor um sistema de controle de custos com vistas ao processo de gestão.

1.5 - Justificativa teórica e prática

O planejamento e controle da produção, ao fornecer informações para comandar e

controlar o sistema produtivo e proporcionar o feedback , torna possível uma criteriosa análise,

não somente do processo produtivo, mas de toda a empresa, ao comparar o planejado com o

efetivamente realizado.

Por esse motivo, essas funções são imprescindíveis para qualquer empresa que

pretenda sobreviver no ambiente competitivo atual.

Contudo, nem todos os procedimentos elencados na literatura referentes ao PCP

aplicam-se às pequenas empresas. Estes estabelecimentos, devido à várias peculiaridades,

como a extrema necessidade de agilidade, por exemplo, necessitam de estudos que verifiquem

quais daqueles procedimentos são aplicáveis a elas, para que possa ser atingido um alto

desempenho.

Um agravante é o processo de aplicação prática da teoria. Os estudos realizados, por

vezes, não são testados na prática, deixando uma lacuna entre as proposições teóricas e as

aplicações práticas.

4

Isto pode ser comprovado em um artigo escrito por Halsall (1994), que analisa as

publicações em revistas européias e norte-americanas durante 5 anos. Este trabalho expõe

que, dentre os artigos publicados sobre PCP em pequenas empresas (que eram poucos), uma

porcentagem muito pequena era uma aplicação prática dos procedimentos de PCP em

pequenas companhias. A maioria daqueles eram apenas proposições teóricas.

Verifica-se, também, que há uma escassez na literatura referente a interface entre

produção e custos. O tema quando abordado é superficial. Isso resulta na dificuldade de

apuração de custos por parte destas empresas, ocorrendo distorções na formação do preço, o

que compromete a competitividade.

Por esse motivo, a contribuição teórica deste trabalho é a abordagem do PCP sob o

ponto de vista de pequenos sistemas de produção, considerando as suas peculiaridades;

juntamente a isso, a função controle de custos é considerada como parte integrante do

processo de PCP.

As contribuições práticas advêm no sentido de propor aperfeiçoamentos para pequenas

empresas do ramo do vestuário, com o objetivo de incrementar o seu processo produtivo e,

conseqüentemente, melhorar os seus resultados. Tais progressos são operacionalizados pelo

PCP, que evidencia as informações na produção, proporcionando a adequada fluência do

processo produtivo e expondo os resultados atingidos.

6

2 – OS SISTEMAS DE PRODUÇÃO

2.1 - A classificação dos sistemas de produção

“Havia antigamente um poder econômico que dominava a produção industrial mundial. Esse país era o principal fabricante do mundo e exportador predominante de seus produtos. Muito de seu sucesso baseou-se em suas pesquisas, sua habilidade de inventar e sua liderança tecnológica inigualável. Chegou o tempo, entretanto, em que começou a declinar em relação a seus concorrentes internacionais, sendo desafiado por um outro país cujos navios, cheios de novos produtos, chegavam com crescente freqüência. Décadas atrás, as duas nações se enfrentaram em uma guerra dura, porém mais tarde tornaram-se aliadas. Algum tempo após a guerra, o país desafiante, que se ergueu rapidamente, focalizou e desenvolveu seu poder de fabricação, conquistando, conseqüentemente, reconhecimento por seus novos e excelentes processos de produção na fabricação de produtos de alta qualidade. Inicialmente, o país dominante não temeu seu humilde aliado, que objetivava apenas um produto final mais barato com pequenas margens de lucro. Ele não era reconhecido por sua qualidade e todos os seus produtos eram basicamente imitações; inventividade e criatividade não eram seu forte. Mas o país que se ergueu rapidamente após a guerra continuou trabalhando duro e firme, aperfeiçoando seus processos de fabricação, qualidade, exportações e participação no mercado em um número cada vez maior de indústrias. Como a quantidade de indústrias desse país começou a desafiar o país dominante, as pessoas passaram a examinar como e por que isso estava ocorrendo. Artigos foram escritos, relatórios foram apresentados, livros foram publicados para explicar o novo e poderoso processo de fabricação do país emergente e recomendar como ele poderia ser melhor combatido. (...) Pensadores do país dominante preveniram sobre as graves conseqüências que adviriam se a nação como um todo não mudasse sua atitude e enfrentasse o desafio. Mas os líderes dos negócios da nação não sabiam exatamente como reagir. Como o país emergente continuava sua marcha no sentido de ampliar mais e mais sua participação no mercado, muitas preocupações surgiram quanto à possibilidade de seu maior aliado e o resto do mundo serem tomados por suas exportações, o que colocaria muitas empresas locais e mesmo indústrias inteiras fora dos negócios. O país preponderante deparou-se com a perspectiva de perda da sua superioridade econômica, sustentada por tão longo período. O tempo começava a escurecer. Nessa história, o país representado como perdedor de seu domínio como produtor mundial não é os Estados Unidos, mas a Inglaterra da segunda metade do século XIX. O país cuja proeza no processo produtivo foi temida não é o Japão, mas os Estados Unidos. O meio de fabricação desenvolvido nesse país emergente não foi conhecido como just-in-time ou produção enxuta, mas como Sistema de Produção da América.” (Utterback apud Pine II, 1994, p.12).

A compreensão da realidade econômica vigente ligada ao avanço tecnológico,

proporciona transformações mundiais onde os paradigmas existentes já não mais solucionam

os problemas.

7

Tal fato ocorreu quando os japoneses conceberam as filosofias Just-in-Time ( JIT ) e

Controle da Qualidade Total ( TQC ) e suplantaram a hegemonia norte-americana. A narrativa

citada demonstra que esta situação já havia ocorrido na transferência de poder da Inglaterra

para os Estados Unidos.

Muito antes disso, a Bíblia já relata diversas mudanças no domínio mundial, devido às

novas realidades. A Babilônia reinou absoluta entre 606 a.C. à 538 a.C., quando foi vencida

pelo Império Medo-Persa. O reino babilônico é, de acordo com Estudos Bíblicos (1993),

representado pelo Leão, devido ao seu poder e rapidez em suas conquistas.

Já, o Império Medo-Persa que reinou entre 538 a.C. à 331 a.C., pode ser retratado pelo

Urso devido à sua crueldade e sede de sangue. Em 331 a.C. esse Império foi derrotado pelos

gregos que reinaram então até 168 a.C. ficando caracterizados como Leopardo em razão de

sua grande celeridade de movimento. Contudo, em 168 a.C. o Império romano venceu a

hegemonia grega e reinou até 476 d.C.. Tal Império é considerado por alguns escritores como

"o Império Universal" devido ao seu domínio "terrível, espantoso e muito forte". (Estudos

Bíblicos, 1993, pág. 189)

Essa rápida retrospectiva em alguns fatos históricos é útil para verificar que a correta

percepção do ambiente pode capacitar determinado reino, indústria, empresa etc. a atingir

resultados muito satisfatórios.

Referindo-se à transição da produção em massa para a produção enxuta, Womack

(1992) relata que, quando Eiji Toyoda (engenheiro da Toyota Motors Company ) conheceu o

sistema de produção americano, convenceu-se de que esse sistema não era adequado ao Japão

e a sua simples adaptação não seria apropriada devido a características singulares no Japão da

época, como:

ß mercado doméstico limitado;

ß a força de trabalho japonesa exigia segurança no trabalho;

ß o país não possuía capital para comprar tecnologia estrangeira;

ß vários produtores estrangeiros estavam ávidos por entrar no mercado japonês e ao mesmo

tempo dispostos a defenderem seus mercados contra as exportações japonesas. Baseados nisso, Toyoda e Ohno (engenheiro da Toyota Motors Company )

desenvolveram experimentalmente o que seria futuramente conhecido como Sistema JIT. O

tempo mostrou que, de acordo com o que Toyoda pensava, esse sistema era adequado ao

mercado japonês, além disso, posteriormente, expandiu-se atingindo inclusive os Estados

Unidos.