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Planejamento e Controle da Produção
Tipologia: Notas de estudo
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PROPOSTA PARA O PLANEJAMENTO E
CONTROLE DA PRODUÇÃO E CUSTOS PARA
PEQUENAS EMPRESAS DO VESTUÁRIO
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In this work it was developed a planning model and control of the production and
costs for small companies of the clothes. Due to importance of the small company nationally,
absorbing 60% of the labor approximately and generating 40% of the income, it is necessary
that studies are driven to these companies, seeking to understand them and to provide them of
techniques that it facilitates them to compete in the market in better conditions. The section of
the clothes was chosen, given its importance in the state economy.
It took place a bibliographical research initially, looking for to understand the concepts
and techniques of PCP, for later on to conceive the model. On that moment, researches were
accomplished in companies of the clothes, tends in view to identify a profile of the section, as
well as to verify the practical procedures adopted with its virtues and defects.
Of ownership of those information, the model was conceived, establishing a correct
flow of information in the company, and to allow the registrations of the data, trying not to
remove of such companies more important one of its characteristic ones, the agility.
Finally, with the data of a company, an application of the model was accomplished
seeking to verify its results.
1.1 - Origem do trabalho
As pequenas empresas crescem em importância a cada dia no cenário econômico
nacional. Atualmente, sua participação é imprescindível para a economia do país, sendo
responsável por grande parcela da ocupação da mão-de-obra e geração de renda. Apesar
disso, a literatura referente as funções de planejamento e controle da produção e custos (PCP)
é escassa ao abordar a realidade desta s empresas.
Dentro desse contexto, o trabalho pretende preencher esta lacuna, ao abordar o PCP
sob o ponto de vista do sistema de produção de pequenas empresas, bem como o seu controle
de custos, culminando com um modelo que sirva como quadro referencial para as mesmas.
1.2 - Organização do trabalho
Inicialmente são definidas a problemática da pesquisa, os seus objetivos e
justificativas. Após isso, apresenta-se uma revisão teórica, visando esclarecer a nomenclatura
da área, bem como as diferentes abordagens referentes ao tema. A seguir, é exposto o
diagnóstico do setor, com as características identificadas na pesquisa de campo. Explana-se,
então, o modelo proposto, baseado nas pesquisas teórica e prática realizadas.
Finalmente, é demonstrada a simulação da implantação do modelo em uma empresa, e
os resultados atingidos.
1.3 - Problema de pesquisa
O processo de globalização tornou a concorrência antes apenas local, em mundial.
Após longo período de protecionismo, as empresas brasileiras estão expostas à concorrência
mundial. Isso torna necessário o pleno atendimento de expectativas e necessidades dos
clientes, sob pena de não sobreviver nesse ambiente de grande competitividade.
Todos esses aspectos trouxeram como conseqüência uma reconsideração dos sistemas
de produção, que por um longo período estiveram relegados a segundo plano. Percebeu-se
então, as vantagens que podem ser atingidas ao ter-se um competente gerenciamento da
produção.
O avanço tecnológico proporcionou um vertiginoso acréscimo nos cinco objetivos de
desempenho da produção, definidos por Slack (1993), quais sejam: qualidade, confiabilidade,
velocidade, flexibilidade e custos. Na busca pela excelência desses, percebe-se a alta
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É preciso, portanto, estabelecer um referencial para ser seguido por estas empresas,
para que as mesmas possam concorrer no mercado, sabendo as informações referentes ao seu
processo produtivo, desde as quantidades a serem produzidas até o estabelecimento do correto
preço de venda. Diante desta necessidade, elaborou-se a seguinte questão-problema: "Como
deve ser um modelo de planejamento e controle da produção, com ênfase em custos, que
sirva de referencial para as empresas do vestuário, considerando as suas peculiaridades?”
1.4 - Objetivos
O objetivo geral da presente pesquisa consiste em estruturar um sistema de
planejamento, programação e controle da produção e custos, que sirva de referencial para
pequenas empresas do vestuário.
Como objetivos específicos pretende-se o que se segue:
ß estabelecer um quadro referencial de PPCP para pequenas empresas do vestuário; ß propor um sistema de controle de custos com vistas ao processo de gestão.
1.5 - Justificativa teórica e prática
O planejamento e controle da produção, ao fornecer informações para comandar e
controlar o sistema produtivo e proporcionar o feedback , torna possível uma criteriosa análise,
não somente do processo produtivo, mas de toda a empresa, ao comparar o planejado com o
efetivamente realizado.
Por esse motivo, essas funções são imprescindíveis para qualquer empresa que
pretenda sobreviver no ambiente competitivo atual.
Contudo, nem todos os procedimentos elencados na literatura referentes ao PCP
aplicam-se às pequenas empresas. Estes estabelecimentos, devido à várias peculiaridades,
como a extrema necessidade de agilidade, por exemplo, necessitam de estudos que verifiquem
quais daqueles procedimentos são aplicáveis a elas, para que possa ser atingido um alto
desempenho.
Um agravante é o processo de aplicação prática da teoria. Os estudos realizados, por
vezes, não são testados na prática, deixando uma lacuna entre as proposições teóricas e as
aplicações práticas.
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Isto pode ser comprovado em um artigo escrito por Halsall (1994), que analisa as
publicações em revistas européias e norte-americanas durante 5 anos. Este trabalho expõe
que, dentre os artigos publicados sobre PCP em pequenas empresas (que eram poucos), uma
porcentagem muito pequena era uma aplicação prática dos procedimentos de PCP em
pequenas companhias. A maioria daqueles eram apenas proposições teóricas.
Verifica-se, também, que há uma escassez na literatura referente a interface entre
produção e custos. O tema quando abordado é superficial. Isso resulta na dificuldade de
apuração de custos por parte destas empresas, ocorrendo distorções na formação do preço, o
que compromete a competitividade.
Por esse motivo, a contribuição teórica deste trabalho é a abordagem do PCP sob o
ponto de vista de pequenos sistemas de produção, considerando as suas peculiaridades;
juntamente a isso, a função controle de custos é considerada como parte integrante do
processo de PCP.
As contribuições práticas advêm no sentido de propor aperfeiçoamentos para pequenas
empresas do ramo do vestuário, com o objetivo de incrementar o seu processo produtivo e,
conseqüentemente, melhorar os seus resultados. Tais progressos são operacionalizados pelo
PCP, que evidencia as informações na produção, proporcionando a adequada fluência do
processo produtivo e expondo os resultados atingidos.
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2.1 - A classificação dos sistemas de produção
“Havia antigamente um poder econômico que dominava a produção industrial mundial. Esse país era o principal fabricante do mundo e exportador predominante de seus produtos. Muito de seu sucesso baseou-se em suas pesquisas, sua habilidade de inventar e sua liderança tecnológica inigualável. Chegou o tempo, entretanto, em que começou a declinar em relação a seus concorrentes internacionais, sendo desafiado por um outro país cujos navios, cheios de novos produtos, chegavam com crescente freqüência. Décadas atrás, as duas nações se enfrentaram em uma guerra dura, porém mais tarde tornaram-se aliadas. Algum tempo após a guerra, o país desafiante, que se ergueu rapidamente, focalizou e desenvolveu seu poder de fabricação, conquistando, conseqüentemente, reconhecimento por seus novos e excelentes processos de produção na fabricação de produtos de alta qualidade. Inicialmente, o país dominante não temeu seu humilde aliado, que objetivava apenas um produto final mais barato com pequenas margens de lucro. Ele não era reconhecido por sua qualidade e todos os seus produtos eram basicamente imitações; inventividade e criatividade não eram seu forte. Mas o país que se ergueu rapidamente após a guerra continuou trabalhando duro e firme, aperfeiçoando seus processos de fabricação, qualidade, exportações e participação no mercado em um número cada vez maior de indústrias. Como a quantidade de indústrias desse país começou a desafiar o país dominante, as pessoas passaram a examinar como e por que isso estava ocorrendo. Artigos foram escritos, relatórios foram apresentados, livros foram publicados para explicar o novo e poderoso processo de fabricação do país emergente e recomendar como ele poderia ser melhor combatido. (...) Pensadores do país dominante preveniram sobre as graves conseqüências que adviriam se a nação como um todo não mudasse sua atitude e enfrentasse o desafio. Mas os líderes dos negócios da nação não sabiam exatamente como reagir. Como o país emergente continuava sua marcha no sentido de ampliar mais e mais sua participação no mercado, muitas preocupações surgiram quanto à possibilidade de seu maior aliado e o resto do mundo serem tomados por suas exportações, o que colocaria muitas empresas locais e mesmo indústrias inteiras fora dos negócios. O país preponderante deparou-se com a perspectiva de perda da sua superioridade econômica, sustentada por tão longo período. O tempo começava a escurecer. Nessa história, o país representado como perdedor de seu domínio como produtor mundial não é os Estados Unidos, mas a Inglaterra da segunda metade do século XIX. O país cuja proeza no processo produtivo foi temida não é o Japão, mas os Estados Unidos. O meio de fabricação desenvolvido nesse país emergente não foi conhecido como just-in-time ou produção enxuta, mas como Sistema de Produção da América.” (Utterback apud Pine II, 1994, p.12).
A compreensão da realidade econômica vigente ligada ao avanço tecnológico,
proporciona transformações mundiais onde os paradigmas existentes já não mais solucionam
os problemas.
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Tal fato ocorreu quando os japoneses conceberam as filosofias Just-in-Time ( JIT ) e
Controle da Qualidade Total ( TQC ) e suplantaram a hegemonia norte-americana. A narrativa
citada demonstra que esta situação já havia ocorrido na transferência de poder da Inglaterra
para os Estados Unidos.
Muito antes disso, a Bíblia já relata diversas mudanças no domínio mundial, devido às
novas realidades. A Babilônia reinou absoluta entre 606 a.C. à 538 a.C., quando foi vencida
pelo Império Medo-Persa. O reino babilônico é, de acordo com Estudos Bíblicos (1993),
representado pelo Leão, devido ao seu poder e rapidez em suas conquistas.
Já, o Império Medo-Persa que reinou entre 538 a.C. à 331 a.C., pode ser retratado pelo
Urso devido à sua crueldade e sede de sangue. Em 331 a.C. esse Império foi derrotado pelos
gregos que reinaram então até 168 a.C. ficando caracterizados como Leopardo em razão de
sua grande celeridade de movimento. Contudo, em 168 a.C. o Império romano venceu a
hegemonia grega e reinou até 476 d.C.. Tal Império é considerado por alguns escritores como
"o Império Universal" devido ao seu domínio "terrível, espantoso e muito forte". (Estudos
Bíblicos, 1993, pág. 189)
Essa rápida retrospectiva em alguns fatos históricos é útil para verificar que a correta
percepção do ambiente pode capacitar determinado reino, indústria, empresa etc. a atingir
resultados muito satisfatórios.
Referindo-se à transição da produção em massa para a produção enxuta, Womack
(1992) relata que, quando Eiji Toyoda (engenheiro da Toyota Motors Company ) conheceu o
sistema de produção americano, convenceu-se de que esse sistema não era adequado ao Japão
e a sua simples adaptação não seria apropriada devido a características singulares no Japão da
época, como:
ß mercado doméstico limitado;
ß a força de trabalho japonesa exigia segurança no trabalho;
ß o país não possuía capital para comprar tecnologia estrangeira;
ß vários produtores estrangeiros estavam ávidos por entrar no mercado japonês e ao mesmo
tempo dispostos a defenderem seus mercados contra as exportações japonesas. Baseados nisso, Toyoda e Ohno (engenheiro da Toyota Motors Company )
desenvolveram experimentalmente o que seria futuramente conhecido como Sistema JIT. O
tempo mostrou que, de acordo com o que Toyoda pensava, esse sistema era adequado ao
mercado japonês, além disso, posteriormente, expandiu-se atingindo inclusive os Estados
Unidos.