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Este artigo discute os entrelaçamentos do poder dentro do Currículo, desde seu surgimento até os tempos atuais, com foco no Currículo Pós-Crítico e na perspectiva foucaultiana de análise. Também aborda o conceito de multiletramento e sua aplicação de acordo com a BNCC. A metodologia adotada foi a abordagem qualitativa, com pesquisa bibliográfica em diversos documentos, livros, artigos e teses. O objetivo é demonstrar a pertinência de estudar e discutir sobre Currículo e multiletramento em nossa sociedade conectada e permeada por novas tecnologias e formas de aprender.
Tipologia: Trabalhos
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PODER E CURRÍCULO: algumas reflexões sobre o presente RESUMO Neste artigo buscamos traçar um panorama sobre os entrelaçamentos do poder dentro do Currículo, bem como o surgimento do termo, primeiros conceitos, influência histórica, até os tempos atuais, no qual discutiremos mais especificamente as que envolvem o Currículo Pós- Crítico, além de adotar uma perspectiva foucaultina de análise. Além disso, abordaremos o conceito de multiletramento, bem como os teóricos que discorrem sobre o tema. Para dar aporte teórico à pesquisa, adotamos como metodologia a abordagem qualitativa, já que foram pesquisados vários tipos de dados para que seja feita uma análise visando compreender os fatores do fenômeno em questão. Com relação à natureza das fontes utilizadas para a condução do estudo, a pesquisa constitui-se como bibliográfica, pois foi realizada em diversos documentos, livros, artigos, teses etc., além de utilizar-se de dados e teorias já exploradas por outros pesquisadores e devidamente registrados. Com isso, visamos demonstrar que estudar e discutir sobre Currículo e multiletramento é cada vez mais pertinente em nossa sociedade, composta por indivíduos multifacetados e conectados, visto que vivemos na era da informação e somos permeados diariamente por novas tecnologias e formas de aprender. PALAVRAS-CHAVE: Currículo; multiletramento; BNCC; poder. INTRODUÇÃO Atualmente, muito tem se discutido sobre temáticas referentes ao Currículo e os entrelaçamentos que se dão em sua aplicação. Neste artigo buscamos traçar um percurso sobre as teorias curriculares, bem como seu surgimento, primeiros conceitos, influência histórica, até os tempos atuais, no qual discutiremos mais especificamente as que envolvem o Currículo Pós-Crítico, além de adotar uma perspectiva foucaultina de análise. Tal discussão faz-se necessária, visto que as dinâmicas curriculares envolvem não só a escola, como também toda a comunidade escolar e assim acaba por influenciar e também refletir sua prática. Objetivamos também adentrar na discussão sobre os multiletramentos, desde seus primeiros conceitos até sua aplicação de acordo a BNCC, abordando autores que discorram sobre o assunto. Para dar aporte teórico à pesquisa, adotamos como metodologia a abordagem qualitativa, já que foram pesquisados vários tipos de dados para que seja feita uma análise visando compreender a dinâmica e os entrelaçamentos do fenômeno estudado. Ainda, é fundamentado na perspectiva foucaultiana para discorrer sobre as dinâmicas de poder no ambiente escolar, bem como dentro do Currículo, mais especificamente do Pós-Crítico. Com relação à natureza das fontes utilizadas para a condução do objeto, a pesquisa constitui-se
como bibliográfica, pois foi realizada pesquisa em diversos documentos, livros, artigos, teses etc., além de utilizar-se de dados e teorias já exploradas por outros pesquisadores e devidamente registrados (SEVERINO, 2000). Dentre as fontes bibliográficas citadas, estão autores como: Foucault (2007) e (1987), Veiga-Neto (2007), Silva e Santos (2020), entre outros. O conceito de Currículo foi se formando ao longo da história com a contribuição de diversos teóricos que, seja aprendendo com a prática ou influenciados pelo período histórico, deram sua contribuição. Segundo Gomes e Lopes (2015), através da concepção conhecida como “movimento de reconceptualização”, que prega que o currículo não poderia ser compreendido como algo burocrático, como propunham Bobbitt e Tyler, anteriormente, surgiram estratégias como a hermenêutica e a fenomenologia “para explicar a importância da experiência cotidiana pessoal e subjetiva na produção de significados sobre o conhecimento.” (GOMES e LOPES, 2015, p. 9). Ainda nessa linha, outros autores merecem ser mencionados, como Paulo Freire que, mesmo sem ter elaborado uma teoria sobre currículo, discorreu sobre essa questão em suas pesquisas. Diante de uma realidade totalmente multifacetada e digital, é natural que os currículos se adaptem para acompanhar tais mudanças. Diante disso, segundo Francisco (2018), a BNCC, documento que serve de guia para cada série da educação básica, estrutura-se em dois fundamentos pedagógicos: desenvolvimento de competências e promoção da educação integral. Ainda, apresenta dez competências gerais para serem trabalhadas na escola para que tais fundamentos pedagógicos sejam alcançados. Dentre os esforços empenhados para que os mesmos sejam promovidos, destacamos o reconhecimento dos multiletramentos, visto que é através deles que a integralidade da educação pode ser alcançada. OS ENTRELAÇAMENTOS DO PODER DENTRO DO CURRÍCULO 1.1 O Currículo ao longo do tempo Atualmente, o tema currículo tem gerado muitas discussões no meio acadêmico, fazendo com que suas definições sejam bastante amplas. Pois, em decorrência das constantes transformações de uma sociedade cada vez mais heterogênea, não tem sido tarefa fácil desenvolver um currículo que acompanhe tal movimento e ainda abranger a formação de professores e as peculiaridades de cada indivíduo atuante no cenário educacional contemporâneo. Para que possamos ter uma visão ampla do termo, é de fundamental importância destacar as diferentes perspectivas de compreensão do currículo, até chegar ao conceito que
Em sua forma de ensinar, visava a eficiência. Baseava-se no Taylorismo, desenvolvido nas fábricas de carros americanas por Frederick Taylor. Esta concepção foi a mais aceita e aplicada nas escolas dos Estados Unidos no restante do século XX. Todavia teve de concorrer com vertentes mais progressistas, como a proposta por John Dewey, que escreveu em 1902 The Child and the Curriculum , em que se preocupava muito mais com a construção da democracia do que com o funcionamento da economia, além de dar mais importância para a vivência das crianças e jovens. Mesmo sendo propostas louváveis, a visão de Bobbitt se tornou dominante no cenário educacional americano, pois possibilitou que a educação se tornasse científica. Logo mais seu currículo tecnicista encontrou respaldo definitivo em um livro publicado por Ralph Tyler, Basic Principles of Curriculum and Instruction, 1949, que passou a dominar o campo do currículo nos Estados Unidos, inclusive influenciando países como o Brasil, pelas próximas quatro décadas. De acordo com suas postulações, Silva (2014) afirma que os estudos sobre currículo se consolidaram em torno da ideia de organização e desenvolvimento, todavia ainda admitiam a filosofia e a sociedade como fontes de objetivos. Contudo, o Currículo Tradicional não resistiu a enérgica década de 60, em que grandes transformações agitaram o globo, como a independência das antigas colônias europeias, luta por direitos civis nos Estados Unidos, protestos contra a Guerra do Vietnã, contracultura, liberação sexual, entre outros. Logicamente, isso se refletiu no campo educacional, dando origem a diversas obras e discussões pertinentes sobre a estrutura educacional tradicionais. A educação é um espaço de conflitos e de compromissos. Torna-se também palco para grandes batalhas sobre o que as nossas instituições devem fazer, a quem devem servir, e sobre quem deve tomar essas decisões. E, mesmo assim, é por si própria uma das maiores arenas nas quais os recursos, o poder e a ideologia se desenvolvem, relacionando-se com as políticas, o financiamento, o currículo, a pedagogia e a avaliação. (Apple, 2002, p. 2) Desta forma, os estudos sobre currículo deixam de ser fundamentalmente técnicos, indo além do conhecimento organizado, transpassando as barreiras escolares como algo racionalmente pensado e intrínseco nas políticas culturais de formação humana e social. Se na Teoria Tradicional tínhamos um currículo voltado a modelar o sujeito para ser um cumpridor técnico, refém de uma educação bancária, tida como neutra, com o aluno apenas recebendo informações e cumprindo tarefas sem questionar, na Crítica é baseada em uma política que visa a promoção de um modelo que envolve uma educação politizada, buscando formá-lo para que possa desenvolver uma visão reflexiva da sociedade.
De acordo com Gomes e Lopes (2015), tal teoria é conhecida como a teoria da desconfiança, visto que busca questionar as formas dominantes de conhecimento, enfatizando a compreensão do que faz o currículo, e não como se o faz. Ainda, o autor considera que essa teoria está intimamente ligada a questão do poder. Com base nisso, podemos nos questionar: “como?”, “o quê?” e “para quê?”, se referindo ao porque determinados conteúdos estão presentes no currículo e outros foram excluídos. A fim de desenvolver a criticidade nos educandos, procura-se abordar conteúdos que estejam inseridos em sua realidade, como a desigualdade social. Além disso, questiona a forma como os currículos são aplicados nas escolas. Estudava também como a cultura dominante impunha sua visão capitalista sob a cultura dominada. Disso, segundo Gomes e Lopes (2015), surgiu a concepção conhecida como “movimento de reconceptualização”, que prega que o currículo não poderia ser compreendido como algo burocrático, como propunham Bobbitt e Tyler, anteriormente. Desse movimento surgiram estratégias como a hermenêutica e a fenomenologia “para explicar a importância da experiência cotidiana pessoal e subjetiva na produção de significados sobre o conhecimento.” (GOMES e LOPES, 2015, p. 9). Ainda nessa linha, outros autores merecem ser mencionados, como Paulo Freire que, mesmo sem ter elaborado uma teoria sobre currículo, discorreu sobre essa questão em suas pesquisas. De acordo com Pacheco (2019), a concepção de Currículo Oculto foi desenvolvida por Basil Bernstein, que por sua vez seguia a linha sociológica de Yong, em que se preocupava com a estrutura organizacional dos conteúdos no currículo. Dentro dele estão aspectos do ambiente escolar que mesmo não fazendo parte do currículo oficial contribuem implicitamente para aprendizagens socias relevantes. Tal currículo é responsável por manter a ideologia dominante. Dentre os dispositivos presentes dentro do entendido por “currículo oculto”, vale citar o poder, sob a perspectiva de Foucault, que, assim como Paulo Freire, também não desenvolveu uma teoria sobre currículo, porém seus estudos são largamente utilizados por teóricos da área da educação. Quando se fala em organização educacional é impossível não mencionar o quanto o poder está enraizado na mesma. Guiraud (2008) propõe que tal organização é penetrada por relações de poder e dominação, que se refletem em sua cultura e saberes que a alimentam, seja em suas práticas mais óbvias, como os constantes testes e vigília constante, como de maneiras mais sutis, como a organização das carteiras. Através da dominação perpetuada pelo poder, a escola visa a docilização das massas, no que Foucault (1987) argumenta que um corpo que pode ser submetido, utilizado, transformado e aperfeiçoado torna-se dócil. Com isso, cria-se o que o autor chama de
problematizar e questionar o que é o currículo, a fim de se refletir sobre questões sociais do nosso tempo, para que possamos ressignificar, principalmente na área educacional. Ainda de acordo com as autoras, o Currículo Pós-Crítico veio para ampliar e ao mesmo tempo modificar o que seu antecessor nos ensinou, continuando a enfatizar “que o currículo não pode ser compreendido sem uma análise das relações de poder nas quais ele está envolvido.” (p. 3). Embora as teorias pós-críticas compreendam o papel do poder nessa equação, consideram que o mesmo se descentralizou, não tendo mais um único centro, como o Estado, espalhando-se por toda a rede social. O poder transforma-se, mas não deixa de existir. Diante disso, vimos que a visão de currículo foi se modificando conforme pressões históricas e sociais de cada tempo. Mesmo antes desta ter o sentido que entendemos hoje, professores e professoras já se debruçavam sobre o tema, preocupados sobre o que ensinar, preocupações as quais fertilizaram o solo para o surgimento do Currículo como campo científico de estudos. Então, com o passar do tempo, a compreensão do termo foi se expandindo, até que extrapolou as paredes das escolas e abraçou nossas vivências fora da sala de aula, nossa realidade, quem somos, nossas preferências e, logo mais, com o advento da Teoria Pós-Crítica, passou a se preocupar também com questionamentos envolvendo multiculturalismo, além de trazer à tona questões sociais de gênero e minorias. Ou seja, são teorias ainda mais conectadas com demandas e inquietações do mundo pós-moderno, no qual o indivíduo é multifacetado e cada vez mais crítico sobre seu espaço na sociedade. 1.2 Multiletramentos na BNCC: reflexões sobre seu papel no Currículo Pós-Crítico Diante de uma realidade totalmente multifacetada e digital, é natural que os currículos se adaptem para acompanhar tais mudanças. Diante disso, segundo Francisco (2018), a BNCC, documento que serve de guia para cada série da educação básica, estrutura-se em dois fundamentos pedagógicos: desenvolvimento de competências e promoção da educação integral. Ainda, apresenta dez competências gerais para serem trabalhadas na escola para que tais fundamentos pedagógicos sejam alcançados. Dentre os esforços empenhados para que os mesmos sejam promovidos, destacamos o reconhecimento dos multiletramentos, visto que é através deles que a integralidade da educação pode ser alcançada. Antes de tudo, faz-se necessário falar um pouco sobre a definição do que é letramento e sua história ao longo do tempo. Francisco (2018) defende que o termo surgiu para caracterizar pessoas letradas, ou seja, aquelas que "trabalhavam" com textos escritos ou que soubessem ler ou escrever. Conforme os estudos sobre as habilidades de letramento foram
avançando, constatou-se que muitas pessoas, mesmo não sendo alfabetizadas, conseguiam realizar atividades sociais do dia a dia que envolviam leitura e escrita, como: escolher qual produto comprar no supermercado, seguir uma receita culinária, etc. O termo também se difundiu para diferentes áreas, como é o caso do “letramento jurídico, letramento matemático”, entre outros. Um exemplo disso é o uso do termo “letramento digital” para sujeitos que desenvolvem habilidades em informática sem sequer terem feito um curso de informática. Já Geraldi (2014) postula que o conceito do termo em questão é muito difícil de ser delimitado, pois remete a um estado a que antecede um indivíduo às habilidades do mesmo de movimentar-se num mundo repleto de textos, tanto como leitor quanto como autor de novos textos possíveis de enriquecer os enunciados já presentes nas esferas de comunicação social. Porém, mesmo que o conceito em si não diga respeito apenas aos processos de iniciação ao mundo da escrita, é justamente a estes que tem sido aplicado pelos acadêmicos da área, como se "letramento" fosse o nome mais apropriado a ser dado aos sujeitos sociais iniciantes em um mundo que, através deste processo, passaria a ter acesso. O autor ainda problematiza que, se a cada início em algum campo formos chamar de "letramento", haverá diversos letramentos da mesma forma que as infinitas possibilidades de especialização das atividades humanas. Estando um pouco mais claro sobre o conceito de letramento, adentramos agora no multiletramento, termo que, segundo Rojo e Moura (2012), foi apresentado ao mundo em 1996, através de um manifesto resultante de um colóquio do Grupo de Nova Londres (GNL), que consiste em um grupo de pesquisadores dos letramentos, reunidos em Nova Londres, Connecticut (EUA), que após uma semana de discussões resultou na publicação de um manifesto intitulado A Pedagogy of Multiliteracies - Designing Social Futures ("Uma pedagogia de multiletramentos - desenhando futuros sociais"). No documento constava a necessidade de a escola tomar como tarefa os novos letramentos emergentes da sociedade contemporânea, além de considerar e incluir nos currículos a grande variedade de culturas já presentes nas salas de aula do mundo cada vez mais globalizado e caracterizada pela intolerância ao conviver com diversidades culturais. Advindos de países em que o conflito cultural se manifesta através de lutas entre gangues, massacres de rua, perseguições e intolerância, o Grupo de Nova Londres pioneiramente problematizaram que o não tratamento de tais questões em sala contribuía justamente para que as mesmas continuassem existindo, contribuindo assim para a falta de futuro da juventude. Além dessa nova perspectiva, o GNL também ressaltava o fato de que os alunos já contavam há quinze anos com diversas e novas ferramentas de acesso à comunicação e à
"(a) eles são interativos; mais que isso, colaborativos; (b) eles fraturam e transgridem as relações de poder estabelecidas, em especial as relações de propriedade (das máquinas, das ferramentas, das ideias, dos textos [verbais ou não]); (c) eles são híbridos, fronteiriços, mestiços (de linguagens, modos, mídias e culturas).” (2012, p. 23). Desta forma, podemos dizer que não poderia haver lugar melhor para eles existirem do que "nas nuvens", além de que sua melhor maneira de se apresentar seria na estrutura ou formato de redes (hipertextos, hipermídias). Em se tratando de interações em um mundo cada vez mais globalizado, não podemos deixar de mencionar o ensino/aprendizagem de língua inglesa, tão valorizado para quem deseja se manter conectado ao redor do globo. A BNCC argumenta que o ensino de língua inglesa "[...] propicia a criação de novas formas de engajamento e participação dos alunos em um mundo socia cada vez mais globalizado e plural, em que as fronteiras entre países e interesses pessoais, locais, regionais, nacionais e transnacionais estão cada vez mais difusas e contraditórias." (BRASIL, 2017, p. 241). Assim sendo, fica implícito que estudar a língua pode possibilitar aos educandos ter acesso aos saberes linguísticos necessários para se engajarem e participarem na construção de novos caminhos, contribuindo assim para estimular a criticidade e o exercício da cidadania ativa, além de propiciar maior interação e mobilidade. Nisso, aplica-se um caráter formativo a aprendizagem de LI, inscrevendo-a em uma perspectiva de educação linguística, consciente e crítica, em que ambas as dimensões pedagógicas e políticas estão estreitamente conectadas. Continuando na mesma linha, a BNCC traz que ensinar inglês nessa perspectiva tem três implicações importantes para o currículo, entre elas a ampliação da visão dos multiletramentos, contemplada também nas práticas sociais do mundo digital que compreendem diversas semioses e linguagens em um processo contínuo de significação contextualizado, dialógico e ideológico. No processo de conceber a língua como construção social, o sujeito "interpreta", "reinventa" seus sentidos, ajudando-o a criar novas formas de identificar e expressar ideias, sentimentos e valores. METODOLOGIA O tipo de pesquisa adotado neste artigo é de abordagem qualitativa, pois foram coletados vários tipos de dados para que seja feita uma análise visando compreender a dinâmica e os entrelaçamentos do fenômeno estudado. Ainda, é fundamentado na perspectiva foucaultiana para discorrer sobre as dinâmicas de poder no ambiente escolar, bem como
dentro do Currículo, mais especificamente do Pós-Crítico. De acordo com tal abordagem, um fenômeno pode ser melhor compreendido ao se estudar o contexto ao qual ocorre e do qual faz parte e seu estudo pode ser conduzido através de diferentes caminhos (GODOY, 1995). Com relação à natureza das fontes utilizadas para a abordagem do objeto, a pesquisa constitui-se como bibliográfica, pois foi realizada pesquisa em diversos documentos, livros, artigos, teses etc., além de utilizar-se de dados e teorias já exploradas por outros pesquisadores e devidamente registrados (SEVERINO, 2000). Dentre as fontes bibliográficas citadas, estão autores como: Foucault (2007) e (1987), Veiga-Neto (2007), Moran (2007), Silva e Santos (2020), entre outros. CONSIDERAÇÕES FINAIS Levando em conta o que foi mencionado durante o artigo, conclui-se que se torna cada vez mais pertinente discutir sobre as implicações e entrelaçamentos que ocorrem dentro do Currículo, já que o mesmo atualmente não se resume somente à escola, mas rompe paredes (e por que não dizer barreiras?). Vimos que seu conceito foi construído ao longo do tempo através da contribuição de teóricos e pensadores que aprenderam com a prática e/ou foram influenciados por sua época, vindo a se constituir no que conhecemos hoje. Considerando que os indivíduos são fruto de sua época, fica evidente que os que vivem nos dias atuais sejam multifacetados e vivem totalmente conectados ao mundo digital, ou pelo menos uma grande parcela deles. Logo, surge a questão de como o Currículo reage a isso, visto que é natural que os currículos se adaptem para acompanhar tais mudanças. Diante disso, Francisco (2018) traz que a BNCC, documento que serve de guia para cada série da educação básica, estrutura-se em dois fundamentos pedagógicos: desenvolvimento de competências e promoção da educação integral. E não apenas isso, mas que as mesmas estejam de acordo a realidade em que os sujeitos estão inseridos. Também, apresenta dez competências gerais para serem trabalhadas na escola para que tais fundamentos pedagógicos sejam alcançados. Dentre os esforços empenhados para que os mesmos sejam promovidos, destacamos o reconhecimento dos multiletramentos, visto que é através deles que a integralidade da educação pode ser alcançada. Ainda, vimos como surgiu o conceito de letramento e em como, através do tempo e da Pós-Modernidade, se transformou em multiletramento, inclusive chegando a ser cobrado na BNCC. Além de englobar o conceito de letramento, o multiletramento ainda visa empregar novas ferramentas e reformulação das práticas de produção na esfera educacional. Ademais, como foi destacado durante o texto, seja qualquer sentido que carregue a palavra
PACHECO, E. F. H. Aspectos Históricos da Teorias de Currículo. In: IV Seminário Internacional de Representações Sociais, Subjetividade e Educação, Curitiba. 2019... Anais.... Curitiba: Educere, 2019 v. 1, p. 1-15. Disponível em: . Acesso em: 1 mai. 2022. ROJO, R.; MOURA, E. (Org.). Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola Editorial,
SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 21a.ed. São Paulo: Cortez, 2000. SILVA, T. T. Documentos de identidade : uma introdução às teorias do currículo. – 3. ed. – Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2014. VEIGA-NETO, A. Foucault e a educação. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.