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Pododermite em Bovinos: Um Tratamento Alternativo, Notas de estudo de Agronomia

A pododermite ou frieira em bovinos é uma inflamação da região interdigital que afeta o casco e tecidos subjacentes. Pode ocorrer individualmente ou em surtos, sendo mais comum em gado leiteiro. Os sintomas incluem claudicação, dificuldade de andar e inflamação na região afetada. A causa ainda não é conhecida, mas pode ser de origem infecciosa. O tratamento com medicamentos tópicos e antibióticos pode não ser eficaz. O uso de creolina em solução aquosa em pedilúvio, associado à terapia com antibióticos, tem mostrado resultados rápidos e sem recidiva.

Tipologia: Notas de estudo

2015

Compartilhado em 02/01/2015

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mateus-valdir-muller-6 🇧🇷

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COMUNICADO
TÉCNICO
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Centro de Pesquisa de Pecuária dos Campos Sulbrasileiros
Ministério da Agricultura e do Abastecimento
BR 153 - km 595 - Caixa Postal 242 CEP 96400-970 Bagé RS
Fone (0XX532) 42 8499 Fax (0XX532) 42 4395
http://www.cppsul.embrapa.br [email protected]
¹ Med. Vet., Embrapa Pecuária Sul, Caixa Postal 242, CEP: 96400-970 Bagé RS.
ISSN 0100-8919
1
José Tiago Campos Garcia
Introdução
A pododermite ou frieira dos bovinos é uma inflamação da região interdigital que acaba
interessando, muitas vezes, toda a coroa do casco e tecidos subjacentes.
A pododermite dos bovinos não deve ser confundida com lesões outras de origem
traumática, escoriações ou problemas da articulação das falanges, de caráter ortopédico.
A doença apresenta-se de forma individual, isolada, mas pode assumir, às vezes, o
caráter epidêmico, em verdadeiros surtos, em face de condições ambientais ainda não bem
conhecidas.
A prevalência preferencial por categoria animal, como a faixa etária por exemplo, não
tem sido observada. Há referencia de que o gado leiteiro seria mais suscetível que o gado de
corte; talvez por ser um rebanho submetido a uma maior movimentação e por transitar, muitas
vezes, por mangueiras e estábulos calçados ou cimentados.
O primeiro sintoma aparente é a claudicação de apoio. Há uma acentuada dificuldade no
andar que se vai acentuando até uma situação em que o animal entra em decúbito, pela
dificuldade de manter-se em pé e também pela dor, outro sintoma evidente.
Os quatro classicos "sinais cardinais de Celsus" são notáveis ao exame do membro
afetado: calor - rubor - dor - tumor.
Dificilmente haverá escoriações, descamação da pele e lesões outras de origem
traumática. Nesses casos a pododermite poderá sobrevir por consequência.
Etiologia
Ainda não foi possível determinar, de forma consistente, um germe causador especí
fico da frieira dos bovinos (BLOWEY & SHARP, 1988). Esses mesmos Autores, em um surto
ocorrido na Inglaterra, conseguiram isolar, em alguns casos, uma flora bacteriana constituída
de espécies Bacteroides.
Na Argentina, um surto verificado em vacas holandesas possibilitou o isolamento de uma
flora bacteriana cosntituída por Bacteroides nodosus e Bacteroides melanimogenicus
(VOTTERO, BELLINGE, GENNERO e ACOSTA, 1997). É praticamente certo, pois, que a
inflamação que caracteriza a pododermite seja de origem infecciosa. Fala, ainda, em abono
desta conclusão, o fato de que a doença responde tanto à terapia antisséptica quanto
antibiótica, na sua evolução clínica.
No que concerne a fatores predisponentes a desencadeantes não tem sido possível
determinar, com segurança, quais seriam esses fatores. Umidade do solo, peso corporal ou
fatores climáticos não induziram qualquer associação específica. Tal fato impede a indicação
ou recomendação de medidas preventivas.
nº 25, Junho/99, p.1-3
Ministério
e do Abastecimento
da Agricultura
Pododermite dos bovinos (Frieiras)
- Uma alternativa de tratamento -
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COMUNICADO

TÉCNICO

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Centro de Pesquisa de Pecuária dos Campos Sulbrasileiros Ministério da Agricultura e do Abastecimento BR 153 - km 595 - Caixa Postal 242 CEP 96400-970 Bagé RS Fone (0XX532) 42 8499 Fax (0XX532) 42 4395 http://www.cppsul.embrapa.br [email protected]

¹ Med. Vet., Embrapa Pecuária Sul, Caixa Postal 242, CEP: 96400-970 Bagé RS.

ISSN 0100-

José Tiago Campos Garcia^1

Introdução A pododermite ou frieira dos bovinos é uma inflamação da região interdigital que acaba interessando, muitas vezes, toda a coroa do casco e tecidos subjacentes. A pododermite dos bovinos não deve ser confundida com lesões outras de origem traumática, escoriações ou problemas da articulação das falanges, de caráter ortopédico. A doença apresenta-se de forma individual, isolada, mas pode assumir, às vezes, o caráter epidêmico, em verdadeiros surtos, em face de condições ambientais ainda não bem conhecidas. A prevalência preferencial por categoria animal, como a faixa etária por exemplo, não tem sido observada. Há referencia de que o gado leiteiro seria mais suscetível que o gado de corte; talvez por ser um rebanho submetido a uma maior movimentação e por transitar, muitas vezes, por mangueiras e estábulos calçados ou cimentados. O primeiro sintoma aparente é a claudicação de apoio. Há uma acentuada dificuldade no andar que se vai acentuando até uma situação em que o animal entra em decúbito, pela dificuldade de manter-se em pé e também pela dor, outro sintoma evidente. Os quatro classicos "sinais cardinais de Celsus" são notáveis ao exame do membro afetado: calor - rubor - dor - tumor. Dificilmente haverá escoriações, descamação da pele e lesões outras de origem traumática. Nesses casos a pododermite poderá sobrevir por consequência.

Etiologia Ainda não foi possível determinar, de forma consistente, um germe causador especí fico da frieira dos bovinos (BLOWEY & SHARP, 1988). Esses mesmos Autores, em um surto ocorrido na Inglaterra, conseguiram isolar, em alguns casos, uma flora bacteriana constituída de espécies Bacteroides. Na Argentina, um surto verificado em vacas holandesas possibilitou o isolamento de uma flora bacteriana cosntituída por Bacteroides nodosus e Bacteroides melanimogenicus (VOTTERO, BELLINGE, GENNERO e ACOSTA, 1997). É praticamente certo, pois, que a inflamação que caracteriza a pododermite seja de origem infecciosa. Fala, ainda, em abono desta conclusão, o fato de que a doença responde tanto à terapia antisséptica quanto antibiótica, na sua evolução clínica. No que concerne a fatores predisponentes a desencadeantes não tem sido possível determinar, com segurança, quais seriam esses fatores. Umidade do solo, peso corporal ou fatores climáticos não induziram qualquer associação específica. Tal fato impede a indicação ou recomendação de medidas preventivas.

nº 25, Junho/99, p.1-

Ministério e do Abastecimento

da Agricultura

Pododermite dos bovinos (Frieiras)

- Uma alternativa de tratamento -

COMUNICADO TÉCNICO

Alternativa terapêutica Quase sempre a medicação é dirigida no sentido local da enfermidade; com a aplicação de medicamentos de uso tópico. Via parenteral, varios antibióticos tem sido experimentados. Pedilúvios à base de soluções antissépticas com o emprego de substâncias adstringentes - formol ou sulfato de cobre - também já tem sido bastante tentados. No rebanho de gado holandês deste Centro, todas essas alternativas foram experimentadas sem sucesso. Os resultados obtidos eram sempre insatisfatórios, discretos e complicados por reiteradas recidivas. A partir dessas dificuldades optou-se pelo emprego de um outro antisséptico para aplicação em pediluvio. Experimentou-se um produto comercial bastante conhecido à base de hidrocarbonetos e fenoloides emulsificados - fenois/cresois/xilenois - (Creolina) cujos resultados clínicos, desde o início, foram surpreendentes. Esse produto foi utilizado em solução aquosa, na concentração de 1-2% em recipiente de cimento - cocho de sal - com capacidade em torno de 10-20 litros. Em tronco de contensão o animal tratado era mantido com a pata afetada em imersão por cerca de uma hora, diariamente, durante três dias, no mínimo. Simultaneamente, era tratado com antibiótico via parenteral.

Resultados terapêuticos A aplicação de dois a três pedilúvios diários, associada ao uso parenteral de antibiótico do grupo das tetracilinas ou de penicilina sintética, em dose correta, propiciaram resposta rápida, definitiva e sem recidiva. A tal ponto que a pododermite foi retirada da pauta dos problemas sanitários do rebanho, à medida que o tempo foi passando e os casos surgidos e tratados iam desaparecendo. Convém alertar, aqui, o seguinte aspecto: logo ao primeiro pedilúvio aplicado, na maioria das vezes, a claudicação diminui ou desaparece e, nesse caso, as pessoas encarregadas de aplicar o tratamento são levadas a suspender o mesmo, supondo a cura definitiva da doença. Isso não deve acontecer por dois motivos: 1º - a cura, realmente, ainda não estará consolidada, embora os sintomas hajam regredido; 2º - a recidiva ocorrerá, inevitavelmente, e, a partir daí, a resposta ao antibiótico será praticamente ineficaz. O tratamento pois, deve ser repetido, por no mínimo, três dias, para a obtenção de resultado definitivo. Por derradeiro, convém salientar, que todos os casos assim tratados, mais de uma centena, responderam satisfatoriamente a esta terapia; motivo pelo qual, resolveu-se publicar esses resultados, na forma deste Comunicado Técnico, para que o público interessado, principalmente produtores, pudesse se beneficiar desta alternativa de tratamento.

Conclusões Apesar dos resultados relatados apontarem para uma solução prática e eficaz do problema, é relevante e indispensável advertir para o fato de que, todo e qualquer caso clínico de claudicação severa do bovino, deve, sempre, ser atendido pelo profissional competente, o Médico Veterinário.

CT/25, CPPSul, Jun/99, p.