Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


Preservação da terra, Manuais, Projetos, Pesquisas de Geografia

Conteúdos baseados em estudos de minha trajetória estudantil ate a chegada a universidade,espero que gostem e bons estudos.

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2022

À venda por 15/05/2022

lorena-marcall
lorena-marcall 🇧🇷

4.4

(77)

78 documentos

1 / 106

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
SEJA VERDE
OU VÁ
EMBORA
A S S O C I A Ç Ã O D O S A G R I C U L T O R E S
A ju d e - n o s a p r e s e r v a r a t e r r a . A c e s s e n o s s o s i t e p a r a m a i s
i n f o r m a ç õ e s : s i t e m a n e i r o . c o m . b r
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff
pf12
pf13
pf14
pf15
pf16
pf17
pf18
pf19
pf1a
pf1b
pf1c
pf1d
pf1e
pf1f
pf20
pf21
pf22
pf23
pf24
pf25
pf26
pf27
pf28
pf29
pf2a
pf2b
pf2c
pf2d
pf2e
pf2f
pf30
pf31
pf32
pf33
pf34
pf35
pf36
pf37
pf38
pf39
pf3a
pf3b
pf3c
pf3d
pf3e
pf3f
pf40
pf41
pf42
pf43
pf44
pf45
pf46
pf47
pf48
pf49
pf4a
pf4b
pf4c
pf4d
pf4e
pf4f
pf50
pf51
pf52
pf53
pf54
pf55
pf56
pf57
pf58
pf59
pf5a
pf5b
pf5c
pf5d
pf5e
pf5f
pf60
pf61
pf62
pf63
pf64

Pré-visualização parcial do texto

Baixe Preservação da terra e outras Manuais, Projetos, Pesquisas em PDF para Geografia, somente na Docsity!

SEJA VERDE

OU VÁ

EMBORA

A S S O C I A Ç Ã O D O S A G R I C U L T O R E S

A j u d e - n o s a p r e s e r v a r a t e r r a. A c e s s e n o s s o s i t e p a r a m a i s

i n f o r m a ç õ e s : s i t e m a n e i r o. c o m. b r

PREFÁCIO

Escrever um livro não é uma tarefa fácil. Principalmente quando se trata de uma pesquisa que envolve um assunto polêmico, onde há pouco espaço para o consenso e as incertezas podem gerar interpretações erradas. Não bastasse todas estas dificuldades − que exigem um trabalho árduo e paciência − o assunto em pauta está fora da minha formação acadêmica (engenharia) − mas não da minha informação autodidata.

O primeiro livro que escrevi (A Busca da Felicidade Através das Relações Humanas) ocupou quase cinco anos de trabalho (junto com outros compromissos e parte do curso de engenharia) mas este ficou pronto (para edição) em apenas cinco meses (de dedicação quase que exclusiva). A minha pressa em concluir este trabalho agora, é para poder estar com ele pronto na 2ª edição do Fórum Social Mundial − que estará ocorrendo em janeiro de 2002 − pois esta é a maior oportunidade de começar a divulgar as propostas deste livro, que se encaixam perfeitamente nas propostas do Fórum. Devido a falta de tempo para poder aperfeiçoar o trabalho, o livro pode conter alguns erros, mas o mais importante é poder dar início a um processo de integração de idéias, que poderão ser discutidas e aperfeiçoadas posteriormente.

A idéia de escrever sobre este assunto não era nova, mas um dia eu acordei com a sensação de que tinha que ser agora e larguei alguns projetos que estava desenvolvendo para me dedicar exclusivamente a este trabalho. No início eu pensei que bastaria organizar algumas idéias − já publicadas − e acrescentar mais alguns assuntos para fechar o livro, mas a medida que fui me aprofundando em determinados problemas − aparentemente insolúveis − e fui encontrando exemplos de que suas soluções seriam possíveis, o trabalho ficou cada vez mais fascinante e surpreendente.

O que me deu coragem para enfrentar este desafio é o fato de que eu já tenho um livro escrito e sei que − mesmo sem poder dar a atenção merecida a este primeiro livro − pude começar a dar alguma contribuição para melhorar a qualidade de vida da sociedade e do ser humano (inclusive a minha), além disso − para este novo trabalho − eu já tinha um material pronto, fruto das minhas inquietações perante uma realidade que nos fere, que nos obriga a pensar, e, porque não, a agir. Como nunca tive acesso a nenhum poder maior, que me permitisse agir de forma concreta, o que me restou são as palavras e as idéias que tento colocar no papel.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Quase todos os problemas sociais estão interligados. É muito mais difícil tentar resolver cada problema isoladamente do que fazer uma ação global. Por exemplo: é quase impossível resolver o problema da violência e da criminalidade sem resolver o problema do desemprego e da desigualdade social. O que se propõe neste livro são projetos e ações integradas que busquem sempre atingir as origens de cada problema, tentando encontrar soluções definitivas para resolvê-los e não tratando-os como uma doença incurável, da qual se tratam os sintomas e não se cura o doente. Não devemos mexer em feridas se não for para curá-las. Esperamos que através deste livro seja possível dar início a uma nova mentalidade. Este será o nosso maior desafio.

Sabemos que existem muitos exemplos de projetos bem sucedidos na área social. Esperamos também que, a partir deste canal aberto para discussões e intercâmbio, possamos avançar mais rapidamente na construção de um mundo muito melhor, como vamos tentar provar neste livro que: sim, UM OUTRO MUNDO É POSSÍVEL.

Texto para reflexão: CÉU E INFERNO Vamos imaginar uma ilha, desabitada, isolada do mundo. Com matas, morros, fontes, fauna e flora silvestre. Tudo na mais perfeita harmonia natural. Um dia chegam na ilha muitas pessoas, para habitarem o local. Agora vamos supor duas hipóteses: I - Hipótese: Eles construíram casas e fundaram uma pequena cidade, com pequenas fábricas e comércio. Uma parte de população foi para o campo onde desenvolveram a agropecuária. Passaram-se anos e a população aumentou. A área urbana se expandiu. As lavouras tomaram conta dos campos e depois das matas. As formações rochosas foram exploradas desordenadamente para extração de minérios. As fontes e riachos foram transformados em barragens para produção de energia elétrica. Florestas foram desmatadas pela exploração de madeiras, causando assim a extinção de várias espécies de animais que ainda conseguiam escapar da caça predatória. Grandes indústrias poluem a água e o ar. O lixo se acumula perto das cidades trazendo insetos e doenças. Os campos foram empobrecidos por defensivos agrícolas e a ecologia ficou desequilibrada, causando a multiplicação de insetos e pragas. A sociedade, antes unida e amistosa, agora extremamente competitiva, onde as pessoas disputam lugares nos ônibus, nas filas e no mercado de trabalho, devido ao grande número de pessoas e as limitações da própria sociedade.

A exploração indiscriminada dos recursos naturais e humanos, lavaram à destruição da natureza e a marginalização dos homens. Tudo isso devido à falta de estrutura de uma sociedade desorganizada que acabou transformando um paraíso natural num verdadeiro inferno.

II- Hipótese: Sabendo que os recursos naturais, riquezas e a área desta ilha são limitados, e respeitando estes limites, os pioneiros fizeram um planejamento de como poderiam ocupar e explorar melhor os recursos oferecidos pela ilha. Assim, construíram uma cidade planejada, com coleta de lixo seletiva, tratamento de esgoto, etc. Uma parte da população foi para o campo onde, em comunidades rurais organizadas, faziam o uso da terra com técnicas naturais de plantio, produzindo alimentos de melhor qualidade e sem agredir o meio ambiente. As explorações de minerais, madeiras e outros recursos naturais eram também controladas. Parte da matéria prima usada nas indústrias era retirado do lixo reciclado. As fontes de energia adotadas eram as menos agressivas e estavam limitadas para não causar um impacto destrutivo sobre a natureza. Com o passar do tempo, a população chegou ao seu limite populacional mantendo-se estável através de um consciente planejamento familiar. A partir da estabilidade populacional, não era mais necessário a construção de novas casas, ou da expansão das redes de água, luz e esgoto, ficando os serviços nesta área apenas para manutenção e aperfeiçoamento. A administração pública era composta por pessoas capacitadas (experientes), escolhidas e fiscalizadas constantemente pelo povo, tendo que prestar contas de todos os seus atos financeiros e administrativos. Nenhum homem teria poder demais e o salário-mínimo seria suficiente para as pessoas viverem bem. As empresas seriam dos próprios funcionários, a diferença de salários e a ocupação de cargos estaria relacionada ao grau de conhecimento técnico e ao tempo de serviço. Os serviços públicos seriam de boa qualidade e estariam ao alcance de todos.

Nesta segunda hipótese os habitantes da ilha conseguiram se desenvolver e manter o paraíso natural preservado.

Parece que na história do homem ele sempre transformou paraísos em infernos sem ter consciência disso.

Esperamos despertar esta consciência e mostrar que também é possível transformar infernos em paraísos.

Texto publicado na revista Ensaio e no jornal A Razão de Santa Maria - RS, em 1989

Gandhi provou ao mundo que basta ter a razão ao seu lado para dobrar um império econômico. Este livro pretende agregar idéias e pessoas que juntas, com certeza, farão acontecer, e saberão exigir dos omissos uma atitude.

Esperamos poder contar com a sua participação na construção deste novo mundo. Estaremos, também, sempre abertos à novas idéias, críticas e sugestões, pois algumas idéias contidas neste livro são bastante polêmicas e muitos textos não são conclusivos, mas reflexivos.

Nosso E-Mail é: [email protected]

Texto para reflexão: NÃO É COMIGO Esta é uma história sobre três pessoas: Todomundo , Alguém e Qualquerum. Havia um grande trabalho a ser feito e Todomundo tinha certeza que Alguém o faria. Qualquerum poderia ter feito, mas ninguém o fez. Alguém zangou-se porque era um trabalho de Todomundo. Todomundo pensou que Qualquerum poderia fazê-lo. Ao final Todomundo culpou Alguém porque ninguém fez o que Qualquerum poderia ter feito. Que bom seria se todos fizessem a sua parte ao invés de esperar pelos outros, pois esta é a única forma de construir uma grande Nação. Texto retirado do livro “A Busca da Felicidade Através das Relações Humanas”

CONCLUSÕES E SÍNTESE DESTE CAPÍTULO A história comprova que a evolução da sociedade não só é possível como é inevitável. Então as soluções para os problemas virão, mais cedo ou mais tarde. Os problemas que estão se agravando, não estão sendo atacados em sua origem. Quando os problemas se tornam críticos (depois de grandes prejuízos), a sociedade sempre encontra uma forma de resolvê-los. A maioria dos problemas sociais estão interligados e as ações, para solucionar estes problemas, devem estar integradas, buscando atingir a origem de cada problema. A maioria dos problemas sociais prejudicam a todos − pobres e ricos − uns mais, outros menos, e todos se beneficiarão com as resoluções destes problemas. Com exceção, talvez, dos exploradores que se aproveitam dos problemas sociais para se beneficiar. Será preciso eliminar as ideologias alienantes para unir a sociedade em prol de resolver os problemas que afligem a todos.

REFLEXÕES SOBRE ATITUDES

Nas circunstâncias atuais, ninguém pode se dar ao luxo de acreditar que seus problemas vão ser solucionados pelos outros. Cada indivíduo tem a responsabilidade de ajudar a levar nossa família global para o rumo certo. Ter boa vontade não é suficiente, é preciso nos envolvermos de forma ativa. (Dalai-Lama)

Os maiores culpados de que o mundo seja um caos, são os que podem fazer alguma coisa, sabem que podem e o que fazer, mas não fazem nada. (Celso Afonso Brum Sagastume)

Por ação ou omissão; por consciência ou ignorância; por capacidade ou incompetência; somos responsáveis por tudo que acontece no nosso mundo. (Paulo Coelho - Adaptação: Celso Afonso Brum Sagastume)

SENHOR ME DÊ:

- Forças para que eu possa aceitar tudo aquilo que não pode ser mudado. - Coragem para mudar tudo aquilo que pode e deve ser mudado. - Inteligência para distinguir uma coisa da outra. (H. Hart)

Os ignorante não podem mudar nada porque não sabem o que fazer. Os estúpidos não podem mudar nada porque não sabem distinguir entre fazer a coisa certa e perder tempo fazendo coisas inúteis. E acabam não fazendo nada. (Celso Afonso Brum Sagastume)

Ninguém comete erro maior do que não fazer nada, porque só pode fazer um pouco. (Edmund Burke)

O que assinala e caracteriza os servos do mal, neste nosso inquieto mundo, não é especificamente a maldade: é a indiferença. (Mário Quintana)

Seja a mudança que você deseja ver no mundo. (Mahatma Gandhi)

Para o triunfo do mal basta que os bons fiquem de braços cruzados. (Edmund Burke)

Não é suficiente fazermos o melhor que pudermos; às vezes temos de fazer o necessário. (Winston Churchill)

Crise é a chance que a história oferece para que o ser humano mude e o mundo se humanize. (Hans Küng)

Nada tem mais força na sociedade do que um grupo organizado. (Celso Afonso Brum Sagastume)

Cada povo tem o novo que merece. (Nei Lisboa)

Não existem esforços inúteis quando empregados em prol da coletividade. (Getúlio Vargas)

A grandeza de um país não depende da extensão de seu território, mas do caráter de seu povo. (Colbert)

Não poderá ajudar aos homens de maneira permanente, se fizer por eles aquilo que eles podem, e devem, fazer por si mesmo. (Abraham Lincoln)

Não somos responsáveis apenas pelo que fazemos, mas também pelo que deixamos de fazer. (Moliére)

Um povo que tenta recuperar a sua independência é sempre digno de respeito. (Watzinski)

Só existe espaço para caridade onde não existe justiça social. (Celso Afonso Brum Sagastume)

Caridade nunca resolveu problema social. (Celso Afonso Brum Sagastume)

A maior caridade que existe é dar condições para as pessoas se auto-sustentarem. (Celso Afonso Brum Sagastume)

Nenhuma alma caridosa resiste a ter que dar esmolas todos os dias. (Celso Afonso Brum Sagastume)

Ajude a quem precisa. Principalmente a mudar a situação de quem precisa. (Celso Afonso Brum Sagastume)

Dai pão a quem tiver fome... Melhor seria se não houvesse fome. (Santo Agostinho)

As pessoas não percebem o que é mais importante porque estão sempre muito ocupadas para pensar. (Raul Seixas - Adaptação: Celso Afonso Brum Sagastume)

AUTO-SUFICIÊNCIA

O PROBLEMA DA FALTA DE AUTO-SUFICIÊNCIA

Para um indivíduo ser auto-suficiente ele deve ter meios de poder suprir suas necessidades básicas de alimentação, vestuário, moradia, etc. Quem não tem condições de suprir suas necessidades básicas, precisa de apoio externo − ajuda dos pais, de parentes, entidades filantrópicas, do Estado, ... − para sobreviver. Caso não tenha este apoio o indivíduo terá que encontrar meios − como: a contravenção, o roubo, a malandragem, etc. − para não morrer de fome e conseguir o que a sociedade lhe negou. Em nossa atual sociedade, onde a tecnologia oferece a possibilidade de conforto e facilidades, poderíamos dizer que um indivíduo é totalmente auto- suficiente quando consegue gerar recursos para ter acesso a esta tecnologia. Quanto mais opções de conforto a tecnologia oferece e maior o número de pessoas sem perspectiva de obter este conforto, maior ficam as distâncias sociais, que podem chegar ao conflito de classes e acabar com a paz. Para haver paz tem que haver justiça, e não há justiça onde pessoas sofrem privações. O maior exemplo disso são os conflitos urbanos das grandes cidades contemporâneas − assaltos, seqüestros, tráfico de drogas...

Uma criança não é auto-suficiente e depende dos pais para suprir suas necessidades básicas de desenvolvimento. Logo, uma família para ser auto- suficiente deve ter condições de suprir as necessidades básicas de seus componentes e manter uma estrutura digna de moradia. Se uma família não tem condições de suprir suas necessidades básicas, ela precisará de apoio externo − ajuda de parentes, entidades filantrópicas, do Estado... Enquanto as famílias pobres continuarem tendo filhos que não podem sustentar, por mais que a sociedade ajude, estas famílias jamais serão auto-suficientes.

Texto para reflexão: MENOR ABANDONADO Um dos maiores motivo da existência e aumento do número de menores abandonados é o desconhecimento da população de como fazer um planejamento familiar. Isso faz com que esta população − principalmente a de baixa renda, que cerca a periferia das cidades − tenha dificuldades de proporcionar aos filhos as condições básicas para o seu desenvolvimento. Fazendo com que estas crianças busquem nas ruas formas de sobreviver, que acabam gerando grandes problemas para as crianças e para a sociedade.

Considerando estes conceitos, poderemos concluir que existem poucos lugares no mundo que se pode considerar como auto-suficientes; e que grande parte da população passa por privações de suas necessidades básicas. Principalmente nos países pobres onde as taxas de desemprego são muito altas e a renda familiar per capta é muito baixa.

Cada pessoa que não trabalha não produz, mas consome, e ainda pode se tornar um fora-da-lei. Quem vai ter que pagar para garantir sua sobrevivência são os que trabalham; que terão de trabalhar mais e receber menos, pagando impostos.

Texto para reflexão: QUEM É QUE VAI PAGAR POR ISSO? Talvez ainda não esteja bem claro para as pessoas que quando uma criança nasce sem uma família estruturada que possa lhe sustentar e dar educação, ela vai acabar gerando um enorme custo social. Pois vai precisar de alimentos, roupas, casa, saneamento básico, serviços de saúde, educação, etc. Se esta criança não tiver uma educação adequada nem boas perspectivas de vida, ela poderá se tornar um futuro criminoso, capaz de roubar, assaltar e até matar. Perigoso é aquele que não tem nada a perder. (Goethe) Então, somos nós que vamos pagar muito caro por isso. E não é apenas uma criança, são dezenas, centenas que proliferam em vilas e favelas, sem as mínimas condições de desenvolvimento. Que exigem cada vez mais maternidades, creches, postos de saúde, COHABs, escolas públicas, etc. Que, se faltarem, vão exigir também novos presídios. Tudo isso pago com o nosso dinheiro (impostos) e, às vezes, com nossas vidas − assaltos, seqüestros, assassinatos... Não basta dar alimento, roupas, esmolas... aos necessitados, sem dar também condições de que os mesmos possam se auto-sustentar e planejar suas famílias. Caso contrário, se a população carente continuar a aumentar desproporcionalmente ao crescimento econômico, as doações terão de ser cada vez maiores para suprir esta deficiência. O exemplo desta constatação está nos jornais e na televisão, que noticia todo dia superlotação em hospitais, presídios, FEBEMs..., falta de emprego, terra, habitação, saneamento, policiamento, recursos... Se não forem tomadas providências, estaremos fadados a viver num mundo dominado por guerra de classes − como: nas favelas dos morros cariocas; invasões de terra, etc. − e cada vez mais refugiados dentro de nossas próprias casas, enquanto a miséria e a violência se proliferam no mundo lá fora. Mesmo sabendo que muros, grades, carros blindados... não nos livrem da violência gerada pela miséria.

Além de tudo isso, o crescimento populacional é extremamente nocivo a natureza. Não tenho dados precisos, mas sei que cada pessoa que nasce transforma a natureza em toneladas de lixo e esgoto durante sua vida. Ocupa, também, uma grande área do ambiente natural. Basta ver a evolução do desmatamento em função do aumento da população para se ter uma idéia das proporções da destruição que o homem impõe sobre a natureza. Se não houver limitação no crescimento populacional, em pouco tempo o homem acabará com o que resta da natureza selvagem no planeta. Não podemos esperar que a situação se torne mais crítica do que já está. Precisamos unir toda a sociedade na busca de soluções que proporcionem às pessoas carentes condições de planejarem suas famílias e alcançarem a auto- suficiência. Acredito que só assim estaremos atingindo a origem dos principais problemas sociais e diminuindo o alto custo que uma sociedade desorganizada nos impõe. Dar condições de vida às crianças é responsabilidade dos pais. Proporcionar trabalho e instrução aos pais (em potencial) é dever da sociedade. Esta é a minha opinião. Texto publicado no jornal A Razão de Santa Maria - RS, em 30/08/

Um indivíduo adulto gasta em média cerca de R$ 200,00 por mês para viver com certa dignidade e uma criança cerca de R$ 120,00. Uma família com um casal e uma criança, que não tenha nenhuma ajuda externa, precisa de aproximadamente R$ 520,00 por mês para suprir suas necessidades básicas. Na verdade precisariam de muito mais, pois estamos considerando que as pessoas não tenham problema de saúde e que o colégio seja gratuito; o que não existe, pois os professores não trabalham de graça.

CURIOSIDADES

  • Se uma pessoa, gastar em média R$ 150,00 por mês, nos seus dezoito primeiros anos de vida, teríamos um valor, capitalizado a um juro de 0,7 % ao mês (rendimento aproximado da poupança), total acumulado superior a 75 mil reais em 216 meses. O que se pode considerar um bom capital.
  • Se uma pessoa, que tenha vivido até 80 anos, gastar em média R$ 200, por mês para suprir suas necessidades básicas, ela terá gasto, durante sua vida, um valor capitalizado a um juro de 0,6 % ao mês, total de R$ 10.426.824,00 (mais de 10 milhões de reais). Uma verdadeira fortuna.
  • Segundo levantamentos divulgados em julho de 2001 cerca de 50 milhões de brasileiros passam fome (quase 30% de população). Se cada brasileiro que trabalha (cerca de 60 milhões) fosse ajudar no sustento dos que passam fome, teria de pagar cerca de R$ 50,00 por mês pelo resto de sua vida − supondo que cada pessoa gaste no mínimo R$ 2,00 por dia em alimentação e que o número de miseráveis não aumente.

1º Passo – Motivar a população. Ninguém faz nada sem motivação. Então, cabe aos órgãos públicos − entidades e principalmente a imprensa local − promover campanhas para motivar as pessoas a participar de um projeto social que visa melhorar a qualidade de vida de toda a população, e não só da população carente. É importante destacar que quem doar alguma coisa − seu tempo, sua disposição, roupas, alimentos, etc. − também deve receber algo em troca, pois as pessoas beneficiadas terão que doar − no mínimo − sua força de trabalho ao programa. Afinal, ninguém é tão pobre que não possa dar, nem tão rico que não queira receber. Deve ficar claro que este programa não deverá explorar as pessoas beneficiadas como mão-de-obra barata, mas apenas exigir uma troca justa e benéfica a todos. 2º Passo – Coletar dados.

  • Número de famílias que têm o orçamento doméstico insuficiente. (Quantidade de filhos, pessoas em idade economicamente ativa, desempregados, analfabetos, infra-estrutura doméstica − casa, utensílios...). Estes dados poderão ser colhidos num questionário específico distribuído em colégios, entidades assistenciais, postos de saúde, órgãos públicos, etc., e/ou feito por voluntários.
  • Empresas e pessoas que possam fazer doações − alimentos, roupas, material... − e fornecer estágios, remunerados ou não. (Fazer campanha pela imprensa.)
  • Pessoas que queiram ser voluntárias − para dar aulas, prestar assistência médica... (Fazer convite pela imprensa local.)
  • Projetos sociais e governamentais que estejam dando bons resultados. As pessoas e grupos que já estão atuando na área social −−−− entidades assistenciais, filantrópicas e órgãos públicos −−−− terão muito a contribuir na execução deste projeto. Obs. Cadastrar todos os beneficiados. As empresas e pessoas que irão colaborar com o projeto deverão também estar cadastradas e receberão benefícios − força de trabalho, facilidades... 3º Passo – Preparar programa de assistência mínima. A partir das pessoas interessadas em colaborar, organizar uma lista de tarefas para pôr em prática o projeto. Em cada zona de pobreza (vila, favela...) encontrar um espaço (colégio, igreja, galpão, posto, pátio...) onde será organizado um centro de assistência. Neste centro será servido diariamente (se possível) uma refeição gratuita − apenas para os cadastrados. Os alimentos serão obtidos em sobras de padarias, mercados, feiras, restaurantes, bares, lancherias, hortas comunitárias, etc. Uma equipe de pessoas carentes, que fazem parte do programa, farão o recolhimento e preparo dos alimentos, limpeza do local e todos os trabalhos necessários para manter funcionando este programa.

Dentro deste programa também serão prestados serviços médicos, distribuição de agasalhos e outras doações. Os professores, médicos, dentistas e outros profissionais que farão parte do projeto, serão todos voluntários de acordo com sua disponibilidade. Obs. Todas as pessoas beneficiadas terão que oferecer sua força de trabalho e participar de estágios profissionalizantes (pedreiro, eletricista, gari, ...), além de participarem de cursos (alfabetização, planejamento familiar , prevenção da AIDS e outras doenças, qualificação profissional, etc.).

4º Passo – Organizar sistemas de produção em grupo ou em mutirão, para construir casas populares, hortas (todo terreno baldio pode se transformar em horta ou micro-lavoura − ficando uma pequena parte da produção para o proprietário), usina de reciclagem, oficinas de reparos, etc. Esta iniciativa deve gerar empresas ou cooperativas que pertençam aos próprios trabalhadores. Mais importante que dar emprego, é dar condições para que as pessoas possam trabalhar para elas e criar meios de gerar recursos para se auto-sustentarem.

5º Passo – Organizar atividades de lazer (esportes, música, dança, teatro, etc.). Sabemos que a qualidade de vida está ligada, também, às opções de lazer. E muitas vezes por falta destas opções é que as pessoas se entregam aos vícios (drogas, álcool, cigarro...).

A grande novidade deste programa é que ele não só oferece benefícios aos necessitados mas exige dos mesmos um retorno em força de trabalho, participação de cursos que vão qualificá-los para o mercado − de modo que se tornem auto-suficientes − e, principalmente, para que tenham condições de formar famílias auto-suficientes através do curso de planejamento familiar. Não vou entrar em detalhes sobre o curso de planejamento familiar , mas antecipo em colocar que ele deverá esclarecer os pais (em potencial) das responsabilidades que devem ter sobre seus filhos, e incentivar as pessoas carentes a terem poucos filhos − ou nenhum − até que a sua situação esteja melhor. Outra novidade é que para implantar este projeto numa comunidade não será necessário praticamente nenhum recurso financeiro , apenas a participação da sociedade. Sendo que as pessoas que colaborarem com o projeto receberão, direta ou indiretamente, muitos benefícios em troca, como força de trabalho e outras vantagens que poderão estimular a participação de todos. A própria dinâmica do projeto deverá atrair pessoas para se tornarem voluntárias. Caso isto não seja suficiente, colocaremos posteriormente algumas idéias que poderão ser implementadas no sentido de tornar os municípios auto-suficientes com a participação do poder público.

AUTO-SUFICIÊNCIA MUNICIPAL

Considerando o município como unidade territorial básica, este deve ter meios de produzir bens de consumo que possam suprir as necessidades de sua população e/ou que possam ser comercializados com outras regiões. Cabe a administração municipal verificar o potencial de matéria-prima do município e trazer, ou incentivar a criação de indústrias que utilizem esta matéria-prima, tendo em vista o consumo interno e externo; desenvolver tecnologias eco-sustentáveis para explorar o ambiente sem prejuízos ao mesmo nem à sociedade. O potencial turístico − belezas naturais, história, cultura local, etc. − também faz parte das riquezas do município e poderá ser explorado economicamente. Para determinar o potencial de riquezas a ser explorado e a ocupação do meio ambiente − uso da terra, exploração mineral, vegetal, etc. − deverá ser feito um estudo por técnicos (biólogos, geógrafos, agrônomos, engenheiros, ...) que vão delimitar áreas que poderão ser exploradas sem prejuízo ao meio ambiente e áreas de preservação permanente, assim como a criação de parques municipais. Cabe exclusivamente ao município a responsabilidade de manter em sua área territorial um ambiente sadio, equilibrado e preservado. A tão falada Reforma Agrária também deve ser feita em âmbito municipal junto com o desenvolvimento do potencial territorial do município.

Todos os impostos deverão ser arrecadados em âmbito municipal para suprir as necessidades do município e serem repassados ao estado e a nação.

Um município para ser auto-suficiente não pode ter um número de habitantes maior do que o potencial de trabalho oferecido por sua sociedade. Se existe desemprego é porque há excesso de mão-de-obra ou o seu potencial de riquezas não está sendo bem explorado. Sendo que este potencial deve estar limitado pela preservação do meio ambiente. No caso de excesso de mão-de-obra, poderá haver incentivo à migração para outros municípios, regiões ou países − onde há potencial a ser explorado e falta de trabalhadores − e/ou incentivo à redução da taxa de natalidade. Assim como em países onde a natalidade é baixa (Espanha, Itália, Suécia, etc.) existe incentivo à procriação, também deve existir incentivo a não-procriação em regiões onde a natalidade é alta, principalmente se a região não tem riquezas para uma exploração eco-sustentável, como parece ser o caso do nordeste brasileiro, da Amazônia, de algumas regiões da África e Ásia.

O poder público deverá incentivar o desenvolvimento do potencial municipal, de forma auto-sustentável e incentivar também programas que visem alcançar a auto-suficiência dos indivíduos e das famílias através do planejamento familiar.

Texto para reflexão: INCENTIVO À MISÉRIA Quase todos os programas sociais priorizam apenas as crianças. Oferecem “Merenda Escolar”, “Salário Família”, “Bolsa Escola”, etc., sem darem quase nenhuma atenção aos que geram estas crianças, no sentido de que os mesmos possam planejar e sustentar seus filhos. Isso só incentiva os pobres a terem filhos para receber benefícios. Um pobre sem filhos quase morre de fome, enquanto que um pobre com muitos filhos não precisa fazer mais nada além de filhos, para sempre ter uma criancinha de colo e garantir o sustento do resto da família. Se o pobre não tem perspectiva de se desenvolver dignamente ele procura ser o “coitadinho” cheio de filhos para criar, aí todo mundo ajuda, pois todos tem pena das “pobres criancinhas”. E assim a miséria se prolifera com os inocentes nascendo com a função de pedir esmolas e receber os benefícios da “sociedade caridosa”. O ideal seria que cada casal tivesse apenas a quantidade de filhos que pudesse sustentar. Alimento e educação são deveres dos pais, não da sociedade. O dever da sociedade é proporcionar trabalho e instrução aos pais (em potencial) para que possam formar famílias auto-suficientes. Parece que o poder público não consegue perceber isso e continua incentivando a miséria, com vantagens cada vez maiores para quem tem muitos filhos e nenhum incentivo ao planejamento familiar. Não sou contra ajudar as crianças pobres, mas acho um absurdo ignorar quem gera estas crianças. Acredito que um projeto social eficiente deve dar estrutura e incentivo aos futuros pais para que eles tenham somente a quantidade de filhos que possam sustentar. Caso contrário a miséria continuará aumentando e absorvendo os recursos públicos, gerando uma legião de miseráveis inocentes que dificilmente terão a possibilidade de uma vida melhor. Texto publicado no jornal A Palavra de São Sepé - RS, em 18/08/

A administração municipal deverá incentivar a criação de uma Agência de Empregos (privada) que fará o cadastro de todos os desempregados, de qualquer qualificação, descobrindo suas vocações e potenciais; desenvolvendo estes potenciais através de cursos e estágios; encaminhando posteriormente estas pessoas ao mercado de trabalho; ou dando-lhes condições de que possam criar o seu próprio negócio − individualmente ou em grupo − na forma de cooperativas ou associações. Cada pessoa que conseguir emprego, ou desenvolver um negócio lucrativo, através desta Agência, fará um pagamento de 5% de seu ganho à mesma pelo período de um ano, conforme contrato feito na ocasião do cadastro. Isto deve tornar a Agência auto-suficiente.