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CUNICULTURA PROCESSO DE ABATE
Tipologia: Notas de estudo
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Trabalho apresentado por Silvano Rodrigues à disciplina de Cunicultura, do curso de Técnico em Zootecnia da Escola Estadual Tecnológica do Pará, campus Paragominas, como um dos pré-requisitos de avaliação para a quarta fase, sob a orientação da professora Andreza Sousa.
2.1. Raças .....................................................................................................................
2.1. (^) Raças De Grande Porte....................................................................................
2.2. Raças De Médio Porte.....................................................................................
2.3. Raças De Pequeno Porte..................................................................................
2.4. Raças Anãs......................................................................................................
2.2. Alimentação ..........................................................................................................
2.5. (^) Nutrientes Essenciais.......................................................................................
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2.7. Aproveitamento Do Coelho ............................................................................... 2.13. Carne.............................................................................................................. 2.14. Pele................................................................................................................ 2.7. Conservação................................................................................................. .. 2.8. Curtimento................................................................................................... .. 2.8. Outras Aplicações ..............................................................................................
A cunicultura é o ramo da zootecnia que trata da criação racional e econômica de coelhos. Dependendo dos objetivos da criação, a cunicultura pode ser direcionada para a produção de carne, pele (ou pelos) ou ainda para o uso como cobaias em laboratório (GARCIA, [200- ?]; RIOS et al., 2011).
Apesar de proporcionar um retorno rápido ao investidor, quando comparada a de outros países, a cunicultura no Brasil é pouco desenvolvida (RODRIGUES, 2007).
Devido ao rápido crescimento dos coelhos, sua precocidade reprodutiva, sua prolificidade, seu pequeno período de gestação e sua pouca necessidade de espaço físico, a cunicultura é uma atividade prática e simples no manejo e nas instalações (SIMONATO, 2008).
Outra vantagem da cunicultura, é que o animal pode ser aproveitado e comercializado quase em sua totalidade. Além da carne, pele e pelos, é possível a comercialização de outras partes, como: cérebro, orelhas, carcaça, esterco e sangue (SILVA, 2006).
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Assim, a cunicultura é uma atividade bastante viável ao produtor que pode implantar criações intensivas para gerar uma fonte de renda familiar ou uma pequena criação na propriedade para consumo próprio da carne, que é de ótima qualidade. No entanto, para que se torne uma exploração viável, a criação exige alguns cuidados que devem ser observados pelo cunicultor, principalmente os relacionados às matrizes, aos filhotes e ao controle sanitário (GARCIA, [200-?]; SIMONATO, 2008).
2.1. Raças O coelho é um mamífero pertencente à ordem dos Lagomorfos, a família dos Leporídeos e ao gênero Oryctolagus. A espécie mais comum e fonte de todas as raças domésticas é a Oryctolagus cuniculus (TVARDOVSKAS; SATURNINO, 2007 apud RODRIGUES, 2007). Há um grande número de raças de coelhos que podem ser classificadas com base em três critérios: quanto à aptidão; quanto ao objetivo e quanto ao peso na idade adulta. Esta última é a classificação mais utilizada e é dividida em quatro categorias: coelhos de grande porte; coelhos de médio porte; coelhos de pequeno porte e coelhos anões ou mini coelhos (DIONIZIO; VIEIRA; PEREIRA, [200-?]). 2.1. Raças De Grande Porte Os coelhos adultos pertencentes a esta categoria atingem no mínimo cinco quilos, podendo ultrapassar os dez quilos. Por apresentarem boa velocidade de crescimento, são indicados para o abate. Porém, pelo mesmo motivo, geralmente não são considerados bons produtores de pele, pois o crescimento rápido influencia negativamente a qualidade da pele (DIONIZIO; VIEIRA; PEREIRA, [200-?]). Quando comparadas a outros grupos, as fêmeas não são consideradas boas reprodutoras, pois, devido ao seu alto peso, a reprodução ocorre mais tardiamente. São consideradas ótimas criadeiras, porém pouco prolíferas (DIONIZIO; VIEIRA; PEREIRA, [200-?]). As raças pertencentes a esta categoria são: Gigante de Bouscat, Gigante de Espanha, Gigante de Flandres e Borboleta Francês (COELHO & CIA, [200-?]). A raça Gigante de Bouscat (FIG. 1), de origem francesa, é o resultado do cruzamento das raças Gigante de Flandres, Prateado de Champagne e Angorá. Devido ao corpo alongado, é
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Holandês, Negro e Fogo e Polonês são as raças pertencentes a esse grupo (COELHO & CIA, [200-?]).
De origem holandesa, a raça Holandês (FIG. 3) é constituída de animais rústicos e precoces cujo peso varia de 2 a 3 quilos. As fêmeas geram de 7 a 10 láparos por parto. É considerada uma raça esportiva, podendo também ser utilizada para a produção de carne e pele. Sua pelagem é média e macia com colorações branca e preta (COELHO & CIA, [200- ?]; DIONIZIO; VIEIRA; PEREIRA, [200-?]).
Figura SEQ Figura * ARABIC 3: Raça Holandês 2.1.4 Raças Anãs Os coelhos anões ou mini coelhos têm peso inferior a 1,5 quilos e são criados como hobby, pois possuem baixa produção e rendimento. Neste grupo estão as raças: Mini Angorá, Mini Belier, Mini Rex e American Fuzzy Lop (COELHO & CIA, [200-?]; DIONIZIO; VIEIRA; PEREIRA, [200-?]).
Os coelhos da raça Mini Angorá (FIG. 4) são originários das raças Angorás Inglês e Francês, possuindo as mesmas características de conformação corporal e pelagem, em tamanho reduzido. A pelagem é densa e sedosa, sendo necessária, para sua conservação, a escovação de 2 a 3 vezes por semana. O peso médio é de 1,5 quilos e gera de 3 a 4 láparos por parto (COELHO & CIA, [200-?]).
Figura SEQ Figura * ARABIC 4: Raça Mini Angorá
2.2 Alimentação A alimentação representa de 70 a 80% do custo de produção e determina o sucesso ou o fracasso de uma criação. Uma ração inadequada, tanto na qualidade quanto na quantidade, pode ocasionar o aparecimento de distúrbios digestivos (AZEVEDO, 2008; FUNDATER, [200-?] apud RODRIGUES, 2007).
2.2.1 Nutrientes Essenciais A alimentação dos coelhos independe da sua destinação (carne, pele, pelos, crias ou reprodutores) e deve ser fornecida de acordo com a idade e peso dos animais. Deve ser bem equilibrada, ou seja, deve possuir determinada quantidade de proteínas, hidratos de carbono, gorduras, sais minerais e vitaminas, dentro de determinadas proporções para que o animal consiga sustentar o seu peso e manter sua produção (AZEVEDO, 2008).
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Assim, os coelhos que não são submetidos à produção intensiva necessitam apenas da ração de conservação, enquanto que os de engorda, fêmeas em gestação, fêmeas em lactação, reprodutores e produtores de pelo necessitam de uma ração de produção (AZEVEDO, 2008).
2.2.1.1 Água A água representa 70% do peso corporal do coelho, constituindo o principal componente do corpo. É extremamente importante para a sobrevivência de tal modo que, se o animal perder aproximadamente 10% de água, pode morrer. Por esse motivo, a diarreia em coelhos causa elevada taxa de mortalidade, especialmente em animais jovens (RIOS et al., 2011).
A necessidade diária de água para um coelho é de 125 ml/kg de peso corporal. Quando ele está doente, tende a consumir maior quantidade. Fêmeas em lactação consomem mais água do que as fêmeas não lactantes, pois este líquido constitui o principal componente do leite. Se houver restrição da quantidade, a produção de leite pode diminuir ou até mesmo parar. Além disso, as matrizes, após o parto, podem praticar o canibalismo, ingerindo suas crias para suprir a falta de água. Em gestantes, a falta de água pode ocasionar aborto (RIOSet al., 2011).
A água também é importante para manutenção da temperatura corporal. Assim, seu consumo aumenta no verão. Sua temperatura para consumo está entre 10 a 15ºC. Ela deve ser potável para que não contamine a criação (RIOS et al., 2011).
2.2.1.2 Fibras Apesar de o coelho aproveitar a fibra bruta dos alimentos em menores quantidades que os equinos e ruminantes este componente é indispensável na sua dieta em quantidades relativamente altas. A fibra bruta ajuda no funcionamento do aparelho digestivo, pois facilita a progressão dos alimentos no tubo digestivo (TVARDOVSKAS; SATURNINO, 2007 apud RODRIGUES, 2007).
Baixos níveis de fibra desestabilizam a flora microbiana, inibindo os movimentos peristálticos do intestino e alterando o nível de fermentação, favorecendo assim a presença de microorganismos maléficos que podem promover distúrbios digestivos e ocasionar mortalidade em animais jovens (RIOS et al., 2011).
Em altas quantidades, as fibras também são prejudiciais, pois reduzem a digestibilidade dos demais nutrientes, piorando assim a conversão alimentar, o desempenho dos animais e a eficiência da ração (RIOS et al., 2011).
2.2.1.3 Proteínas
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E e K são lipossolúveis e as vitaminas C e as do complexo B são hidrossolúveis (RIOS et al., 2011).
A vitamina A é importante para o crescimento e manutenção do tecido epitelial do aparelho digestivo, aparelho reprodutor e pele dos coelhos. Assim, a falta desta vitamina causa redução no crescimento, incoordenação motora, paralisia causada por danos no sistema nervoso, problemas reprodutivos, orelhas pendulares e hidrocefalia (RIOS et al., 2011).
Apesar de grandes quantidades de vitamina A serem necessárias, não há necessidade de adicioná-la na ração, pois o fígado consegue armazená-la e ela é abundante nos alimentes que são normalmente consumidos pelos coelhos (RIOS et al., 2011).
A principal função da vitamina D é regular a absorção de cálcio pelo organismo. Assim, sua falta pode causar o raquitismo. Essa vitamina é produzida pela ação do sol (luz ultravioleta) sobre a pele do animal. Por esse motivo, é quase improvável ocorrer deficiência nos animais, a não ser que sejam criados em ambientes fechados, onde não ocorra a penetração da luz solar (RIOS et al., 2011).
A vitamina E possui a mesma função do mineral selênio: impedir a formação de peróxidos que a causam a distrofia muscular no animal. É encontrada nos grãos dos cereais, nos vegetais frescos e nos germens dos cereais. Esta anomalia é caracterizada pela degeneração muscular (incluindo os músculos cardíacos), paralisia e excesso de gordura no fígado (RIOS et al., 2011).
Conhecida como medicamento anti-hemorrágico, a vitamina K é importante no processo de coagulação do sangue, causando hemorragia placentária e aborto quando não está disponível em quantidades adequadas (RIOS et al., 2011).
Sua necessidade aumenta pelo consumo de alimentos deteriorados por conterem micotoxinas e pelo uso de medicamentos como sulfaquinoxalina. Os micro-organismos do intestino grosso produzem essa vitamina em grandes quantidades. Assim, devido à prática da cecotrofia, não é necessário adicioná-la nas rações (RIOS et al., 2011).
A vitamina C é produzida no organismo dos coelhos. Dessa forma, não há problemas de carência. Existem estudos que mostram que os animais alimentados com rações isentas de vitamina C crescem normalmente e continuam a eliminar boa quantidade dela pela urina (RIOS et al., 2011).
O complexo B é composto das seguintes vitaminas: tiamina (B1), ácido pantotênico, riboflavina (B2), niacina, colina, biotina, piridoxina (B6), ácido fólico e vitamina B12. São
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responsáveis pelo funcionamento das enzimas digestivas, sendo importante no metabolismo e na utilização dos nutrientes (RIOS et al., 2011).
As vitaminas do complexo B não são adicionadas às rações, pois os alimentos destinados à alimentação dos coelhos são ricos dessas vitaminas. Além disso, os animais com mais de 70 dias conseguem produzi-las por síntese microbiana e as utilizam pela prática da cecotrofia. Para animais entre 20 e 70 dias, é recomendado um suprimento vitamínico (RIOS et al., 2011).
2.2.1.6 Minerais Os minerais são muito importantes, pois desempenham inúmeras funções no organismo animal. Eles são componentes estruturais do corpo, das proteínas, dos hormônios, dos aminoácidos e de algumas vitaminas do complexo B; têm funções ativadores de enzimas e mantêm o equilíbrio ácido-básico no sangue e nos fluidos corporais (RIOS et al., 2011).
O cálcio é o principal componente dos ossos e exerce importante papel metabólico na coagulação do sangue, na excitabilidade neuromuscular normal e no equilíbrio ácido-básico. A absorção de cálcio é dependente da sua quantidade na ração e da sua relação de proporcionalidade com o fósforo e a vitamina D. Entretanto, nos coelhos, essa dependência não é tão importante como em outras espécies (RIOS et al., 2011).
De acordo com a categoria e as condições dos animais, as exigências de cálcio variam entre 0,4 e 1,6%. Nas rações em que são utilizados feno de alfafa, de soja perene e demais leguminosa, as necessidades de cálcio e de fibra são atendidas (RIOS et al., 2011).
A falta de cálcio prejudica a reprodução, a produção de leite, o crescimento, a calcificação dos ossos, hemorragias, deficiência neuromuscular, etc. (RIOS et al., 2011).
O fósforo, associado ao cálcio, é um importante componente dos ossos e possui elevada importância no metabolismo energético celular. Apesar de o coelho ser monogástrico, devido à digestão microbiana no ceco e a cecotrofia, ele consegue utilizar o fósforo orgânico. Rações com níveis de fósforo acima de 1,5% tendem a ser recusadas pelos animais (RIOS et al., 2011).
Os minerais sódios, cloro e potássio estão envolvidos nos equilíbrios ácido-básico e orgânico de água. O coelho necessita sempre ingerir sódio, pois ele não consegue retê-lo no organismo. Assim, é necessário adicionar esse mineral na ração na proporção de 0,5. A inclusão de sal na ração satisfaz simultaneamente as exigências de sódio e cloro. Não é necessário adicionar potássio, pois ele é encontrado em grandes quantidades nos alimentos que compõem as rações para coelhos (RIOS et al., 2011).
2.3 Alimentação Dos Coelhos
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O objetivo principal das forragens é atender as necessidades de fibras para os coelhos. Porém, a forragem também deve ser escolhida em função do teor de proteínas, vitaminas, minerais, produção de matéria seca, ausência de elementos tóxicos, boa palatabilidade (odor, sabor e textura), boa digestibilidade, rusticidade e resistência a pragas e doenças (RIOS et al., 2011).
Diversas forrageiras podem ser utilizadas, destacando-se: rami, soja perene, guandu, alfafa, gramíneas, restos culturais como palha de feijão e arroz, e pequenas porções de verdura (RIOS et al., 2011).
As forragens podem ser fornecidas de duas formas: natural ou de feno. Caso a escolha seja pela forma natural, deve-se ter o cuidado de fornecê-la com baixo teor de umidade para evitar diarreias e timpanismo (dificuldade na eliminação de gases) e garantir a ingestão de maior quantidade de matéria seca (RIOS et al., 2011).
A forragem na forma de feno é mais indicada por manter a qualidade e uniformidade do alimento ao longo ano, pois o material é colhido ao mesmo tempo, quando apresenta ótimo equilíbrio entre os nutrientes (RIOS et al., 2011).
2.4 Sistemas De Criação Como em outras espécies, a criação de coelhos pode ser extensiva, semi intensiva e intensiva (PRODUÇÃO..., 2010).
2.4.1 Sistema Extensivo O sistema extensivo é praticado por criadores que exercem a atividade por passatempo e para seu o próprio consumo, não tendo por finalidade a comercialização. Neste sistema, os animais são criados soltos e praticamente inexiste o controle genético e sanitário. A alimentação é a base de forragem, grãos de cereais e restos de legumes (PRODUÇÃO..., 2010).
2.4.2 Sistema Semi-Intensivo Os sistemas de criação semi-intensivo e intensivo são os mais adequados quando o objetivo é a comercialização e a obtenção de lucros (PRODUÇÃO..., 2010).
Na criação semi-intensiva, os coelhos ficam parte do tempo solto e parte confinados. A alimentação é baseada nas forragens disponíveis no campo, sendo reforçada pelo criador (PRODUÇÃO..., 2010).
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2.4.3 Sistema Intensivo No sistema intensivo, os animais ficam em jaulas individuais ou em pequenos galpões e a alimentação é controlada. É o mais aconselhável, pois permite um controle rigoroso sobre todos os animais; evita os acasalamentos descontrolados e a maior mortalidade de láparos; permite a seleção dos reprodutores; facilita a captura dos animais para o abate e as peles obtidas são de melhor qualidade (PRODUÇÃO..., 2010).
2.5 Higienização O processo de higienização visa à manutenção de elevadas taxas de produtividade e o controle de micro-organismos no interior do pavilhão. É dividido em duas etapas: a limpeza e a desinfecção (CARVALHO, 2009).
A etapa de limpeza consiste na eliminação de grande parte da matéria orgânica (pelo e dejetos) e inorgânica (depósitos de sais provenientes da urina e da água) (CARVALHO, 2009).
Os pelos podem ser eliminados de duas maneiras: queimados com o auxílio de um maçarico a gás ou aspirados. Alguns produtores consideram que o uso do fogo danifica as jaulas e preferem utilizar um aspirador. Para facilitar a limpeza, a remoção dos pelos deve ser realizada antes da lavagem das gaiolas (CARVALHO, 2009).
A lavagem das gaiolas só deve ser realizada após a remoção dos dejetos, dos pelos e dos restos de alimentos presentes nos comedouros. Este procedimento pode ser efetuado com o auxílio de uma lavadora de alta pressão que, opcionalmente, poderá trabalhar com água quente. A escolha do equipamento é muito importante, pois, apesar de um equipamento de menor qualidade ter o menor custo, ele exigirá mais tempo do trabalhador para a lavagem, aumentando o custo de mão-de-obra (CARVALHO, 2009).
O destino dos cadáveres é uma tarefa diária que também faz parte do processo de limpeza. Eles devem ser armazenados em locais específicos ou congelados até a sua eliminação (CARVALHO, 2009).
A lavagem dos ninhos é feita de diferentes maneiras em cada exploração, mas também pode ser feita utilizando as lavadoras de alta pressão (CARVALHO, 2009).
Durante a limpeza, outros materiais são utilizados: vassouras, escovas, mangueiras e recipientes para lavagem de pequenos utensílios (CARVALHO, 2009).
Após o término da limpeza, a próxima etapa é a desinfecção, realizada por meio de agentes desinfetantes de natureza física (fogo, vapor de água, etc.) ou química (formol, iodo, creolina, etc.) (CARVALHO, 2009).
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2.6.2 Idade Para Reprodução Para que haja reprodução entre os coelhos, é necessário que eles alcancem a maturidade sexual, que ocorre quando o animal atinge 80% do peso adulto (RIOS et al., 2011).
Nas raças gigantes, as fêmeas atingem a maturidade sexual aos nove meses de idade e os machos aos dez meses. Nas raças médias, as fêmeas atingem a idade de reprodução aos cinco meses e os machos aos seis meses (RIOS et al., 2011).
2.7 Aproveitamento Do Coelho O objetivo principal da criação de coelhos no Brasil é a produção de carne. Porém, há diversos subprodutos que podem ser aproveitados, complementando a renda do produtor e diminuindo o descarte. Assim, o aproveitamento da pele, pelos, cérebro, sangue, patas, orelhas e esterco é uma alternativa econômica nas explorações destinadas à criação de coelhos (VIEIRA et al., [200-?]).
2.7.1 Carne Antes do abate, os coelhos devem passar por um período de jejum. A determinação da duração deste período é feita por meio da associação do bem-estar animal e da lucratividade do produtor. A união destes fatores permite a obtenção de um bom rendimento de carcaça, qualidade final da carne, preço (provenientes de uma criação que mantenha um ótimo estado físico) e desempenho dos animais em produção. Na literatura, o período de jejum alimentar de coelhos é controverso, variando de 10 a 24 horas (SIMONATO, 2008).
Após o jejum, os coelhos são abatidos por degola com o rompimento da jugular, ocorrendo a sangria. Este procedimento promove a morte do animal e mantém a qualidade, a maciez, sabor, conservação da carne e preservação do cérebro pra uso em biotecnologia (SIMONATO, 2008).
A carne de coelho tem sabor peculiar, sendo considerada magra e mais saudável que a carne de outras espécies devido ao alto teor de proteínas, cálcio, fósforo e menor teor de gordura e sódio. Além disso, apresenta baixo teor de colesterol, constituindo uma alternativa para as pessoas que buscam uma dieta mais saudável (LEBAS et al., 1996 apud SIMONATO, 2008; VIEIRA, 2008).
Devido ao seu sabor e valor nutricional, a carne de coelho é altamente consumida por toda a Europa, principalmente na França e Espanha, os dois dos maiores produtores do mundo. Nos Estados Unidos, o maior produtor, o consumo também é elevado (VIEIRA, 2008).
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No Brasil, o consumo ainda é baixo devido ao tamanho reduzido da produção. Além disso, a falta de organização do setor impede a difusão do hábito de consumo e a divulgação da qualidade da carne (VIEIRA, 2008).
Para determinar o rendimento líquido da carne, soma-se o peso do couro, cabeça, patas, sangue e vísceras e diminui o resultado do peso vivo dos coelhos. Em média, o rendimento da carne de coelho é 60%, sendo maior do que de outros animais como boi e carneiro. O rendimento depende de uma série de fatores como raça, sexo, estado de gordura ou magreza, idade, precocidade, alimentação, entre outros (VIEIRA, 2009b).
A raça dos coelhos tem grande influência na produção de carne. Apesar das raças gigantes produzirem carne em maior quantidade, o rendimento líquido é menor e a qualidade da carne é inferior quando comparada com a carne proveniente das raças pequenas e médias (VIEIRA, 2009b).
O sexo do animal influi na quantidade e qualidade da carne produzida. No início do desenvolvimento dos láparos, não há muita diferença entre machos e fêmeas. No entanto, com a idade, as fêmeas fornecem maior rendimento, pois o esqueleto, os órgãos internos e a pele dos machos são relativamente mais pesados (VIEIRA, 2009b).
O estado de gordura também é importante, pois quando o coelho é submetido à engorda, a carne é o que aumenta em maior proporção. Assim, somente coelhos gordos devem ser abatidos (VIEIRA, 2009b).
Em relação à idade, quanto mais velho for o coelho, maior é o rendimento em carne. Quando o coelho está com 2 anos de idade o rendimento é maior, porém a qualidade da carne diminui (VIEIRA, 2009b).
As raças precoces produzem maior quantidade carne em um tempo menor devido à alta taxa de conversão alimentar (VIEIRA, 2009b).
Os alimentos fornecidos aos coelhos, principalmente no último mês, e a técnica de abate também têm grande influência na quantidade e na qualidade da carne obtida (VIEIRA, 2009b).
2.7.2 Pele A pele dos coelhos é muito apreciada devido à sua beleza e boa qualidade, sendo utilizada para confecção de agasalhos, casacos, colchas, etc. As peles maiores, de boa qualidade e comercializadas em grandes lotes são as mais valorizadas e para obtê-las é necessária a criação de raças puras e selecionadas (EMPRESA DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL, 2006).
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2.7.2.2 Curtimento O processo de curtimento inicia-se com a reação de uma película existente na parte interna da pele. Então, a pele deve ser colocada em uma solução, denominada píquel, composta de água, ácido fórmico e cloreto de sódio por 12 horas. A quantidade de cloreto de sódio deve ser de 6 graus baumé e o pH deve ser mantido em 3 (JACINTO, 2010).
Após o período de 12 horas, o curtente deve ser adicionado. Se o objetivo for a obtenção de couro branco, utiliza-se como curtente o sulfato de alumínio. Para a obtenção de couro azulado, utiliza-se o sulfato de cromo. A quantidade a ser adicionada é de aproximadamente 6% do peso da pele, que deve permanecer nessa solução por mais 12 horas. Então, adiciona-se bicarbonato de sódio, diluído em água na proporção 1:10. O pH deve ficar em torno de 4. No dia seguinte, a pele deve ser bem enxaguada. Na parte interna, com o auxílio de uma escova macia, aplica-se o óleo de engraxe aniônico (JACINTO, [200-?]).
Para o curtimento caseiro, pode ser preparada uma solução contendo 500 gramas de alúmen em pó, 250 gramas de cloreto de sódio e 5 litros de água. Para a melhor dissolução dos elementos químicos, a água pode ser aquecida. Entretanto, as peles só devem ser mergulhadas quando a solução estiver morna ou fria. Essa solução pode ser usada para o curtimento de 5 peles e pode ser utilizada 2 vezes desde que, após a primeira utilização, ela seja coada com um pano (COMO..., 2011).
O valor de comercialização das peles depende da aplicação correta das técnicas de abate, esfola, secagem, curtimento e conservação (COMO..., 2011).
2.8 Outras Aplicações Os pelos dos coelhos podem apresentar duas utilidades, dependendo das suas características. Os longos, produzidos por coelhos da raça Angorá, são utilizados em tecidos. Os curtos podem ser misturados com outros pelos ou fibras para a fabricação de feltros e tecidos especiais (EMPRESA DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL, 2006).
O esterco pode ser utilizado em qualquer plantação. Quando comparado ao do boi, cavalo ou galinha, apresenta maior quantidade de nutrientes (EMPRESA DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL, 2006).
O cérebro dos coelhos é utilizado pela indústria farmacêutica devido à presença da substância tromboplastina. Essa substância é usada para a realização de testes de coagulação sanguínea, requeridos pelos médicos, antes de cirurgias. Do cérebro do coelho também é extraída a principal matéria-prima para a realização do “teste do pezinho” (PÁGINA RURAL, [200-?] apud RODRIGUES, 2007; VIEIRA et al., [200-?]).
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O sangue dos coelhos abatidos pode ser utilizado na fabricação de soro. Esse soro, devidamente esterilizado, é adicionado, na proporção de 5 a 10% do volume final, em meios de cultura destinados ao cultivo de bactérias nutricional mente exigentes, como as pertencentes aos gêneros Leptospira e Streptococcus. O meio também pode ser usado para a identificação de bactérias do gênero Staphylococcus, importantes na medicina humana e veterinária (VIEIRA et al., [200-?]).
As orelhas podem ser utilizadas para a fabricação de gelatinas e a carcaça para a produção de farinha. As vísceras podem ser utilizadas como farinha de carne em rações destinadas ao consumo animal (GARCIA, [200-?]; SILVA, 2006).
As patas dianteiras e a cauda podem ser utilizadas para a confecção de chaveiros (GARCIA, [200-?]).
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