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Este documento oferece orientações para agricultores sobre a produção e uso de silagens durante o ano, com ênfase na escolha de forragens adequadas, processo de ensilagem e aditivos utilizados. Além disso, apresenta informações sobre a composição química bromatológica de silagens de milho, sorgo, capim-elefante, girassol e mandioca, assim como sobre a utilização de armazenamentos de silos cincho, de superfície e tipo trincheira.
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Manoel Pereira neto Francisco canindé Maciel rodrigo Mascarenhas Jordão de Vasconcelos governo do estado
issn 1983-280 X ano 2009
WilMa Maria de Faria SECRETÁRIO DA AGRICULTURA, DA PECUÁRIA E DA PESCA Francisco das chagas aZeVedo EmPRESA DE PESqUISA AGROPECUÁRIA DO RIO GRANDE NORTE DIRETORIA EXECUTIVA DA EmPARN DIRETOR PRESIDENTE henriQUe eUFrÁsio de santana JUnior DIRETOR DE PESqUISA & DESENVOLVImENTO Marcone césar MendonÇa das chagas DIRETOR DE OPERAÇÕES ADm. E FINANCEIRAS aMadeU VenÂncio dantas Filho INSTITUTO DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL DO RN DIRETORIA EXECUTIVA DA EmATER-RN DIRETOR GERAL lUiZ clÁUdio soUZa Macedo DIRETOR TÉCNICO MÁrio Varela aMoriM DIRETOR DE ADm. RECURSOS HUmANOS E FINANCEIROS cícero alVes Fernandes neto
PRODUÇÃO E USO DE SILAGENS EXEmPLARES DESTA PUBLICAÇÃO PODEm SER ADqUIRIDOS eMParn - empresa de Pesquisa agropecuária do rn Unidade de disPoniBiliZaÇão e aProPriaÇão de tecnologias aV. JagUarari, 2192 - lagoa noVa - caiXa Postal: 188 59062-500 - natal-rn Fone: (84) 3232-5858 - Fax: (84) 3232- www.emparn.rn.gov.br - e-mail: [email protected] coMitÊ editorial Presidente: Maria de Fátima Pinto Barreto secretária-executiva: Vitória régia Moreira lopes Membros aldo arnaldo de Medeiros amilton gurgel guerra leandson roberto Fernandes de lucena Marciane da silva Maia Marcone césar Mendonça das chagas terezinha lúcia dos santos Fernandes revisor de texto: Maria de Fátima Pinto Barreto Normalização bibliográfica: Biblioteca Central Zila Mamede – UFRN editoração eletrônica: giovanni cavalcanti Barros (www.giovannibarros.eti.br) 1ª edição 1ª impressão (2009): tiragem - 2. todos os direitos reserVados a reprodução não-autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (lei no 9.610). divisão de serviços técnicos catalogação da Publicação na Fonte. UFrn / Biblioteca central Zila Mamede holanda, José simplício de. cultivo do coqueiro no rio grande do norte / José simplício de holanda, Maria cléa santos alves, Marcone césar Mendonça das chagas. – natal, rn: eMParn, 2008. 27 p. – (sistemas de produção; 1) issn: 1983-280-X
Semiárido Gerando Renda e mais Alimentos. este circuito se propõe, além de ações diretamente relacionadas com a conser- vação da água, disponibilizar tecnologias de práticas de manejo racional para os diversos sistemas de produção agropecuários utilizados no semiárido com ênfase na preservação do meio ambiente. esse tema foi desenvolvido baseado na declaração Uni- versal dos direitos da Água, documento de 1992 da onU, que preconiza: “a água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. de maneira geral, sua utilidade deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis”. henrique eufrásio de santana Júnior diretor Presidente da eMParn luiz cláudio de souza Macedo diretor geral da eMater
Vi circUito de tecnologias adaPtadas Para a agricUltUra FaMiliar
a pecuária bovina no nordeste brasileiro data do período da colonização. Quando em 1550 tomé de souza mandou vir de cabo Verde um carregamento de gado para salvador, dava-se o início da criação de gado no nordeste brasileiro com sua expansão para o interior, pois as terras litorâneas estavam sendo ocupadas pela cana-de-açúcar. isto mostra a tradição de criação de gado bovino no semiárido. a característica do clima do interior do nordeste é semiárido, com temperaturas elevadas (acima de 26º c) e chuvas escassas (inferiores a 700 mm anuais, no sertão do nordeste) e irregulares. essa realidade faz com que a disponibilidade de alimento volumoso para os rebanhos nordestinos se concentre no período das chuvas, que dura em média quatro meses. durante o restante do ano, os animais só disporão de alimento de qualidade se o produtor trabalhar com irrigação em algumas forrageiras como o capim-elefante, cultivar plantas resistentes a seca como a palma forrageira ou conservar o excedente da produção de forragem no período das chuvas sob as formas de silagem e feno.
1. OBJETIVO este trabalho tem o objetivo de orientar os agricultores para a conservação do excedente de forragens da época das chuvas, principalmente as gramíneas, na forma de silagem, garantindo a oferta de volumoso no período da seca. além disso, informa como obter uma silagem de boa qualidade, bem como, a forma correta de ofertar esses alimentos aos animais.
Vi circUito de tecnologias adaPtadas Para a agricUltUra FaMiliar 3.1. milho está entre as espécies mais utilizadas para a silagem, em função de uma boa produção de matéria verde por área, e de ter uma composição física e química mais adequada ao processo de ensilagem, resultando em um volumoso de muito boa qualidade se armazenado no tempo e forma adequados. o ponto ideal para a colheita do material para ensilagem é quando apresentar um teor de matéria seca variando entre 30 e 35%. do ponto de vista prático é quando 2/3 do grão encontra-se com consistência farinácea. tabela 1. composição química bromatológica da silagem de milho (valores médios) mS PB EE FB CHO FDN CNF NDT Ca P 30,92 7,26 3,16 27,01 84,81 55,41 34,39 64,27 0,30 0, Fonte: adaptado de Valadares Filho et al. (2006) 3.2. Sorgo a silagem de sorgo é um pouco menos nutritiva do que a silagem de milho, no entanto, apresenta algumas vantagens para a sua produção em regiões com baixa precipitação, que são: maior resistência à seca e a capacidade de rebrota. essas características fazem com que o sorgo supere o milho do ponto de vista de
produção por área, compensando dessa forma o seu menor valor nutricional. o ponto de colheita ideal para a silagem é quando os grãos encontram-se farináceos. tabela 2. composição química bromatológica da silagem de sorgo (valores médios) mS PB EE FB CHO FDN CNF NDT Ca P 30,82 6,69 5,44 28,15 86,34 61,41 25,04 57,23 0,30 0, Fonte: adaptado de Valadares Filho et al. (2006) 3.3. Capim-elefante a silagem de capim- elefante é menos nutritiva do que a silagem de milho e sorgo. no entanto, a grande vantagem desse material, é a capacidade de produção por área e o aproveitamento do excesso dessa forragem durante o período da chuva. o baixo teor de matéria seca da planta, no momento ideal de armazenamento é um complicador que pode ser resolvido mediante a prática do emurchecimento (cortar o material e deixar secar pelo menos 12 horas antes de ensilar). a silagem de capim-elefante pode ser melhorada a partir do uso de aditivos, como melaço, raspa de mandioca, farelos (milho, trigo), bagaço de caju. tabela 3. composição química bromatológica da silagem de capim-elefante (valores médios) mS PB EE FB CHO FDN CNF NDT Ca P 26,81 5,84 1,94 36,88 84,76 79,13 18,91 58,08 0,35 0, Fonte: adaptado de Valadares Filho et al. (2006)
ensilada sem a necessidade de aditivos, bem como pode compor junto com outras forrageiras uma silagem mista. o terço superior da planta produz uma silagem mais rica em proteína do que a silagem da parte aérea inteira, em função da maior quantidade de folhas presente nessa parte da planta. tabela 5. composição química bromatológica da silagem da parte aérea da mandioca (valores médios) mS PB EE FB FDN FDA NDT Ca P 25,68 10,74 3,50 33,01 50,57 43,75 57,23 0,67 0, Fonte: adaptado de Valadares Filho et al. (2006) tabela 6. composição química bromatológica da silagem do terço superior da rama de mandioca (valores médios) mS PB EE FB CHO FDN CNF Ca P 25,20 19,46 4,25 36,88 68,91 50,75 21,53 0,88 0, Fonte: adaptado de Modesto et al. (2004)
4. SILAGENS COm mAIS DE UmA FORRAGEIRA
Vi circUito de tecnologias adaPtadas Para a agricUltUra FaMiliar
5. PRINCIPAIS TIPOS DE SILOS USADOS NO NORDESTE dentre os tipos de armazenamento de forragem sob a forma de ensilagem, destaca-se no nordeste o uso de três tipos de silo: o silo cincho, o silo de superfície e o silo tipo trincheira. sendo os tipos cincho e de superfície mais usados por agricultores familiares da região nordeste. 5.1. Silo cincho o silo cincho é um tipo de silo de superfície que, por sua menor capacidade de armazenamento de forragem (< 10 t.), baixo custo de produção, menor requerimento de máquinas e mão de obra e maior rapidez no enchimento, encontra sua indicação no preparo de silagem em pequenas e médias propriedades agrícolas, particularmente as de base familiar. o silo cincho foi introduzido no rio grande do norte em 1993, pelo extensionista da eMater Joaquim dantas teixeira e é assim denominado em função da semelhança de seu processo de enchimento com os cinchos ou formas usados na produção artesanal de queijos. A forma final do silo cincho é dada por um aro de metal com 50 cm de altura e três metros de diâmetro, que
Vi circUito de tecnologias adaPtadas Para a agricUltUra FaMiliar com a terra. não se recomenda o uso de lona plástica em lugar da palha, pois essa impede a drenagem dos líquidos da silagem (efluentes). a forragem pode ser picada no campo ou na boca do silo. o importante é que os pedaços fiquem com tamanho entre 2 e 3 cm, distribuídos de forma homogênea em camadas de 20- 25 cm para facilitar o processo de compactação. a compactação de cada camada da forragem é obtida pelo caminhar de três a quatro pessoas, inicialmente em círculos no centro do aro e progressivamente ampliando- se esse círculo até atingir as bordas da estrutura metálica. dedicar especial atenção na compactação (com os pés) da forragem situada próxima à parede do silo, para que ocorra a elevação do aro e a expulsão do ar.
Utilizar réguas e marcas na parede do silo para controlar a subida do aro de maneira uniforme e corrigir os desníveis intensificando a compactação nas áreas em que o aro estiver com menor elevação. Quando o silo atingir a altura de 2 m deve-se efetuar o abaulamento da forragem situada no seu topo, de modo a permitir uma melhor aderência da lona de cobertura à forragem. neste ponto, o silo estará praticamente pronto, bastando que o aro metálico seja retirado e se proceda a abertura de uma vala para fixação da lona de cobertura. Silos menores, com 1,0 a 1,5 m podem ser feitos se o produtor não tiver forragens suficientes. Utilizar lona plástica de espessura 200 micra e tamanho 8 x 8 m para cobrir o silo, fixando-se primeiro a lona no topo com cordas ou cordões e a seguir, de cima para baixo realiza-se a expulsão do ar, até a vedação final na base, fixando-se as extremidades da lona dentro da vala com cobertura de areia.
5.2. Silo de superfície o silo de superfície é indicado para o preparo de silagem em pequenas e médias propriedades agrícolas, particularmente as de base familiar, para o armazenamento de quantidades maiores que 10 toneladas de forragem. esses silos podem ser alocados próximos à área de produção da forragem ou de arraçoamento dos animais sem necessidade de construções rurais. esses locais preferencialmente devem apresentar um pequeno declive e não estarem sujeitos a encharcamento. no dimensionamento do silo deve-se considerar sua largura entre 5,0 a 5,5 m e altura de 1,2 a 1,5 m. o comprimento varia em função do volume de forragem que se deseja armazenar. não é recomendável construir silos muito grandes. em termos referenciais, um silo construído com 13 m de comprimento, 5 m de largura e 1,5 m de altura, proporciona armazenamento de 35 a 40 t de silagem.
Vi circUito de tecnologias adaPtadas Para a agricUltUra FaMiliar 5.2.1. Preparo da silagem demarcar a área retangular da base do silo utilizando piquetes nas extremidades e os unindo por um barbante para manter o alinhamento das laterais. Proceder a cobertura do terreno demarcado com palhas para evitar o contato direto da forragem com o solo. não utilizar lonas plásticas, pois estas impedem a drenagem dos líquidos da silagem (efluentes). a forragem pode ser triturada no campo ou junto ao silo, em partículas de 2 a 3 cm de tamanho, utilizando-se máquinas forrageiras ou colheitadeiras. o material picado é então depositado no silo. nesta ocasião, se forem utilizados aditivos como uréia (0,5%) ou melaço (3%) entre outros, estes devem ser muito bem misturados à massa de forragem. espalhar a forragem em toda a extensão do silo, em camada uniforme de 20- cm de espessura para facilitar o processo de compactação. c a d a u m a d a s c a m a d a s subsequentes deverá ter sua largura reduzida, pela diminuição de 15 cm em cada lateral, de maneira a ir dando a forma de trapézio invertido ao silo.