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Projeto de desenvolvimento do produto, Trabalhos de Desenvolvimento de Produto

Artigo sobre aplicação das ferramentas no projeto e desenvolvimento do produto

Tipologia: Trabalhos

2019

Compartilhado em 30/07/2019

cristiane-carla-6
cristiane-carla-6 🇧🇷

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DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO DE UMA BOTA COM SISTEMA DE
RESFRIAMENTO E PALMILHA MASSAGEADORA.
Cristiane Carla de Oliveira Rebouças (UFERSA)
Caroline Galvão Toscano (UFERSA)
Mateus Cota Florio (UFERSA)
1. INTRODUÇÃO
O trabalho representa uma atividade eminentemente social, sendo fonte geradora das
bases do capitalismo. O trabalho produz efeito positivo para o homem, sendo capaz de
satisfazer as necessidades básicas de subsistência e criação na vida dos trabalhadores,
contribuindo para o aumento dos níveis de bem-estar social, bem como a evolução
econômica do país (MELO, 2006). Diante do cenário de relação entre a mão-de-obra e a
evolução econômica e social, assim como, pelo cumprimento da jornada de trabalho que
expõem riscos à segurança ou saúde física e mental do trabalhador (doenças ocupacionais),
obteve-se a necessidade de garantir normas de proteção para os trabalhadores (FERREIRA et
al., 2012).
O uso de equipamento de proteção individual (EPI) está relacionado com a segurança
individual, que é indispensável para segurança dos trabalhadores. No entanto, muitos
trabalhadores se sentem incomodados com o uso do equipamento, por causar desconforto,
muitas das vezes, bem como dificultar a execução de suas atividades na jornada de trabalho.
Assim, Para Montenegro e Santana (2012), o trabalhador será mais receptível ao EPI que seja
confortável e de seu agrado, no entanto, a resistência do profissional em utilizá-lo e o uso
incorreto são as principais barreiras para prevenir a exposição aos agentes maléficos à saúde.
O Projeto e Desenvolvimento do Produto são vistos como um conjunto de atividades
por meio das quais se podem chegar às especificações do projeto de um produto ou de seu
processo de produção, para que a manufatura seja capaz de produzi-lo (ROZENFELD,
2006). Para que o desenvolvimento do produto seja executado de forma eficiente, faz-se
necessário um processo eficaz para se cumprir os objetivos da organização, favorecendo a
competitividade da empresa. Esse desempenho está relacionado de forma direta com qual o
modelo de referência será adotado, que por sua vez determina a capacidade com que as
empresas lidam com seus processos e interagem com o mercado e as fontes de tecnologias
(PAHL et al, 2013).
Uma das grandes preocupações recorrentes no Processo de Desenvolvimento de
Produto (PDP), atualmente, são as necessidades relacionadas à ergonomia, bem como a
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DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO DE UMA BOTA COM SISTEMA DE

RESFRIAMENTO E PALMILHA MASSAGEADORA.

Cristiane Carla de Oliveira Rebouças (UFERSA) [email protected] Caroline Galvão Toscano (UFERSA) [email protected] Mateus Cota Florio (UFERSA) [email protected]

1. INTRODUÇÃO

O trabalho representa uma atividade eminentemente social, sendo fonte geradora das bases do capitalismo. O trabalho produz efeito positivo para o homem, sendo capaz de satisfazer as necessidades básicas de subsistência e criação na vida dos trabalhadores, contribuindo para o aumento dos níveis de bem-estar social, bem como a evolução econômica do país (MELO, 2006). Diante do cenário de relação entre a mão-de-obra e a evolução econômica e social, assim como, pelo cumprimento da jornada de trabalho que expõem riscos à segurança ou saúde física e mental do trabalhador (doenças ocupacionais), obteve-se a necessidade de garantir normas de proteção para os trabalhadores (FERREIRA et al., 2012). O uso de equipamento de proteção individual (EPI) está relacionado com a segurança individual, que é indispensável para segurança dos trabalhadores. No entanto, muitos trabalhadores se sentem incomodados com o uso do equipamento, por causar desconforto, muitas das vezes, bem como dificultar a execução de suas atividades na jornada de trabalho. Assim, Para Montenegro e Santana (2012), o trabalhador será mais receptível ao EPI que seja confortável e de seu agrado, no entanto, a resistência do profissional em utilizá-lo e o uso incorreto são as principais barreiras para prevenir a exposição aos agentes maléficos à saúde. O Projeto e Desenvolvimento do Produto são vistos como um conjunto de atividades por meio das quais se podem chegar às especificações do projeto de um produto ou de seu processo de produção, para que a manufatura seja capaz de produzi-lo (ROZENFELD, 2006). Para que o desenvolvimento do produto seja executado de forma eficiente, faz-se necessário um processo eficaz para se cumprir os objetivos da organização, favorecendo a competitividade da empresa. Esse desempenho está relacionado de forma direta com qual o modelo de referência será adotado, que por sua vez determina a capacidade com que as empresas lidam com seus processos e interagem com o mercado e as fontes de tecnologias (PAHL et al, 2013). Uma das grandes preocupações recorrentes no Processo de Desenvolvimento de Produto (PDP), atualmente, são as necessidades relacionadas à ergonomia, bem como a

adaptação de produtos às características dos usuários, possibilitando mais conforto e bem estar e segurança para pessoas que estão expostas ao ambiente de trabalho que apresentem riscos a sua integridade física e mental. Esses aspectos vêm sendo um grande campo de pesquisa nos trabalhos de desenvolvimento cientifico e tecnológico. Com base nesse cenário, o presente artigo tem por objetivo apresentar uma proposta de um projeto de produto de uma bota com sistema de refrigeração e massagem, possibilitando melhores condições ergonômicas aos trabalhadores que usufruem desse equipamento como proteção individual contra possíveis acidentes, bem como o bem-estar e conforto dos mesmos em suas jornadas de trabalho.

2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1.DESENVOLVIMENTO DO PRODUTO Desenvolvimento de produto é o processo pelo qual uma organização transforma as informações de oportunidades de mercado e de possibilidades tecnológicas em informações vantajosas para a fabricação de um produto; sendo que, de acordo com a estratégia, a forma de organização e de gestão do desenvolvimento de produto, a empresa terá maior ou menor sucesso com a colocação do mesmo no mercado (CLARK; FUJIMOTO, 1991). Um dos conceitos-chaves é que o produto deve ser orientado para o consumidor. O designer de produtos bem sucedidos é aquele que consegue pensar com a mente do consumidor: ele consegue interpretar as necessidades, sonhos, desejos, valores e expectativas do consumidor (BAXTER, 2000). Segundo ROSENFELD (2006), o desenvolvimento de produtos é um processo de negócio cada vez mais crítico devido a internacionalização dos mercados, o aumento da diversidade de produtos e a redução dos seus ciclos de vida, sendo assim novos produtos buscam atender segmentos específicos de mercado, incorporando novas tecnologias e se adequando a novos padrões e restrições legais.

2.2. ERGONOMIA DO PRODUTO Do ponto de vista ergonômico, todos os produtos destinam-se a satisfazer a certas necessidades humanas, dessa forma, estão em contato com o homem direta ou indiretamente. Sendo assim, para que esses produtos apresentem uma boa funcionalidade em suas interações com os usuários, devem apresentar as seguintes características básicas: qualidade técnica, qualidade ergonômica e qualidade estética. Dependendo do tipo de produto, uma ou outra qualidade pode predominar sobre as outras (IIDA, 2005). A qualidade técnica está relacionada ao funcionamento do produto e deve considerar a eficiência com que o produto executa essa função. Já a qualidade ergonômica visa a

O benchmarking vem sendo utilizado pelas grandes e pequenas organizações a um bom tempo, visando analisar como estão sendo desempenhados seus processos e produção em comparação aos concorrentes. A utilização do benchmarking se popularizou como ferramenta organizacional por volta da década de 1980 através da Xerox Corporation, apesar do termo existir desde a época Frederik Taylor (ARAÚJO, 2007). O benchmarking tem como objetivo a busca pela satisfação das exigências do mercado como clientes, produtividade e competitividade (LACOMBE; HEINBORN, 2003). Existem muitas controversas sobre a terminologia adotada para definir os vários tipos de benchmarking e segundo por Camp (1998), os mesmo classificam-se em; benchmarking interno, caracterizado pela utilização de melhores práticas devido comparações realizadas dentro da própria organização; benchmarking competitivo; definido pela comparação de práticas de empresas que disputam o mesmo mercado; benchmarking funcional, caracterizado pela investigação de uma função específica e benchmarking genérico que consiste em examinar inovação, mercado e ambiente. O processo de aplicação do benchmarking compreende que cincos etapas genéricas devem ser seguidas, são elas planejamento, análise, integração, ação e maturidade (NETO; MACEDO; RODRIGUES et. al., 2008).

2.5.ANÁLISE DAS FUNÇÕES DO PRODUTO A análise das funções do produto é uma técnica muito importante, que pode ser utilizada no projeto conceitual, mas também em outros dois métodos de projeto, na análise de valores e na análise de falhas. É considerado um método de análise sistemática das funções exercidas por um produto e como elas são percebidas pelos usuários. Para fazer a análise das funções do produto é preciso conhecer o funcionamento do produto, além de conhecer ou ter a capacidade de prever as percepções dos usuários sobre as funções. Ela aumenta os conhecimentos sobre o produto, do ponto de vista funcional e do usuário, de forma lógica e sistemática (BAXTER, 2000). 2.6.DESDOBRAMENTO DA FUNÇÃO QUALIDADE (QFD) O Desdobramento da função qualidade (QFD) deu-se com a necessidade de ter uma ferramenta adequada para garantir a qualidade do produto final e a satisfação dos clientes de acordo com os requisitos por eles exigidos. Seu principal objetivo é tentar assegurar que o projeto final de um produto ou serviço realmente atenda as exigências de seus usuários (SLACK, 2009).

A partir desta técnica é possível traduzir as exigências dos consumidores através de desdobramentos sistemáticos. Esse processo tem início com a determinação da voz do cliente e segue durante o desenvolvimento do produto passando por fatores tais como: funções do produto, qualidade, matéria-prima, componentes, padrões, processos, qualidade entre outros (PINTO; FONTENELLE, 2013). Segundo ROSENFELD (2006), o QFD tem como principais benefícios: diminuição da mudança de projetos; minimização dos custos de operação inicial; redução de reclamações de garantia; favorece a comunicação entre os diferentes agentes que atuam no desenvolvimento do produto, principalmente marketing e engenharia; identifica a s características que mais contribuem para os atributos de qualidade; mostra as características que precisam receber maior atenção. 2.7.ANÁLISE MODO EFEITO FALHA (FMEA) A análise de falhas é um método para estimar falhas potenciais de um produto, avaliando-se a sua importância relativa. Essa análise considera separadamente os tipos de falhas e seus efeitos sobre o consumidor. Como resultado, obtêm-se uma lista de mudanças prioritárias, que devem ser induzidas no produto. Sendo assim, a partir da análise, o projeto de produto pode ser aperfeiçoado ou cancelado, caso forem constatadas falhas insolúveis (BAXTER, 2000). Análise FMEA (Failure Mode and Effect Analysis) é uma metodologia que objetiva avaliar e minimizar riscos por meio da análise das possíveis falhas (determinação da causa, efeito e risco de cada tipo de falha) e implantação de ações para aumentar a confiabilidade. Esta metodologia pode ser aplicada tanto no desenvolvimento do projeto do produto como do processo. As etapas e a maneira de realização da análise é a mesma, ambas diferenciando-se somente quanto ao objetivo. Assim as análises são classificadas em dois tipos: FMEA de produto e FMEA de processo (TOLEDO; AMARAL, 2006). Ao realizar-se a FMEA numa fase inicial do projeto/processo, as alterações podem ser implementadas com maior facilidade e com menores custos, diminuindo com certeza eventuais crises provocadas por alterações tardias. Em teoria quando aplicada corretamente é um processo interativo que nunca acaba, ou seja é suscetível de sofrer constantes alterações e atualizações (Moura, 2000).

3. METODOLOGIA O presente artigo caracteriza-se por meio de pesquisa tecnológica, que busca a geração de produtos, com base em um estudo de caráter qualitativo e quantitativo baseia-se em uma revisão da literatura e um posterior estudo de caso exploratório (GIL,2010).

pode-se desenvolver uma matriz QFD ( Quality Function Deployment ) de onde foram extraídas as especificações meta do projeto. Na fase de projeto conceitual foi aplicada a análise funcional, que aumenta os conhecimentos sobre o produto, do ponto de vista funcional e do usuário, de forma lógica e sistemática. Seus resultados podem ser usados para estimular a geração de conceitos e podem fornecer elementos para outras análises posteriores, como a análise de falhas que foi realizada após a análise de funções. Posteriormente pode-se criar o conceito do produto que é apresentado na fase de Projeto preliminar.

4. DESENVOLVIMENTO 4.1 DEFINIÇÃO DA TAREFA Durante a etapa de definição da tarefa foi desenvolvido uma declaração de escopo do projeto, conforme mostra o Quadro 1. Esta descreve as principais informações referente ao produto a ser desenvolvido, onde são apresentadas informações do mercado, premissas e restrições. Quadro 1 - Declaração de escopo do projeto BOTA COMFORT REFRESH

Escopo do Produto

Construir uma bota com sistema de refrigeração e massagem, com uma relação de custo benefício atrativa, que proporcione maior bem- estar, conforto e segurança para pessoas que estão expostas a ambientes de trabalho que apresentem riscos a sua integridade física e mental.

Mercado

Os clientes potenciais são os trabalhadores de empresas industriais, agrícolas, construtoras, laboratórios, estabelecimentos comerciais voltados para vendas de equipamentos, ferramentas, máquinas, dos setores de construção e agrícola.

Escopo do Projeto

A bota terá solado de borracha antiderrapante; a palmilha será do tipo massageadora, com características ergonômicas e de grande absorção de impactos para evitar problemas de joelho e coluna. Essa palmilha não precisará de energia, já que o seu molde proporcionará a massagem nos pés do indivíduo. Será confortável e resistente a ambientes de riscos. Além disso a palmilha terá a função de regular a temperatura dentro da bota. O produto será disponibilizado para ambos os sexos e oferecerá três cores: marrom e preto. Para a segurança, será colocada uma biqueira na parte frontal da bota para evitar prejuízos à saúde em decorrência de acidentes. Para que a bota tenha característica de ser leve, a biqueira será de um tipo especial de plástico.

Premissas

  • O produto será entregue até fevereiro de 2019;
  • Não haverá custos adicionais;
  • Negociação com as empresas parceiras concluídas.

Restrições

  • A empresa não possui a tecnologia ainda e precisará de parcerias;
  • O custo do investimento e testes não poderá ultrapassar o orçamento previsto.
  • Mercado-Alvo específico e limitado; Preço (estimado) Estimasse que ao final do desenvolvimento o custo do produto permaneça próximo a R$ 400,00. Fonte: Autores da pesquisa (2018). 4.1.1AVALIAÇÃO DO MERCADO Para elaborar a avaliação do mercado foi desenvolvida uma análise de benchmark , conforme exposto no Quadro 2, onde os principais produtos concorrentes e/ou similares ao projeto são apresentados. Quadro 2 - Benchmark de botas EPI. Marca Descrição do produto Características Preço Modelo

Fujiwara linha Gold

Confeccionado em couro Nobuck mel, forração em não tecido, colarinho com cordura dublada com manta e espuma em PU, forro em nylon dupla frontura dublado com manta, costura simples e duplas, ilhós com passador plástico e fita gorgurão 12mm, solado em duas camadas de poliuretano (PU) expandido bidensidade, injetado diretamente no cabedal; Palmilha de montagem sintética não tecido costurada no sistema strobel;

Resistente a objetos cortantes, perfurantes e a abrasão por ser a mais compacta.

R$190,

Para o caso do desvio padrão ser desconhecido, deve-se fazer: 𝑒 = (% 𝑑𝑜 𝑒𝑟𝑟𝑜). 𝜎 Equação (2)

Utilizamos a confiabilidade de 90%, onde Z = 1,645 e erro de 10%, e = 10%, portanto, e = 0,1 σ. Aplicando estes valores na Equação 1, obtivemos como resultado um total de 270 amostras. A pesquisa foi realizada junto a cerca de 150 pessoas, número abaixo da amostra, devido a disponibilidade de tempo ser curta, de um público em geral. Dentre os consumidores pesquisados 55,4% são do sexo masculino e 44,6 % do sexo feminino. As idades corresponderam a 66,2% de 19 à 25 anos, 24,3% de 26 à 35 anos e 9,5% com mais de 35 anos. Dos entrevistados 73% utilizam a bota como EPI em suas profissões. Com relação a jornada de trabalho 42,7% trabalham 8 horas por dia, 32% entre 4 e 6 horas, 16% mais de 8 horas e 9,3% entre 1 a 3 horas. Dos consumidores pesquisados 60% consideram o uso de bota como EPI desconfortável. Dos mesmos, 35,6% atribuíram nota 3 na escala de desconforto. Das características atribuídas ao desconforto 33,8% acham que o maior desconforto é o térmico, 25,7% o pisar desconfortável, 23% peso excessivo, 4,1% que a biqueira de aço atrapalha em portas eletrônicas e 13,5% consideram todos os desconfortos. Com relação a aquisição da bota 51,4% adquiriram a própria bota. Quando perguntado sobre o tempo de vida útil da bota 33,8% responderam que a bota dura cerca de 1 ano, 27% 3 anos, 24,3 2 anos, 9,5% 4 anos e 5,4% mais de 4 anos. Sobre a ideia de se fazer uma bota mais leve, menos quente e mais confortável 94,7% concordam que seja uma boa ideia, 4% responderam que talvez e 1,3% responderam que não. Ao serem questionados a respeito de quanto eles achariam que custaria uma bota como essa, 54,7% responderam de 251 a 550 reais, 42,7% entre 100 a 250 reais e 2,7% acima de 550 reais. Em seguida foi perguntado quanto que eles estariam dispostos a pagar a mais pela bota e 52% responderam 100 reais, 45,3% 250 reais e 2,7% 350 reais. Com relação a cor do produto 61,3% tem preferência pela cor marrom, 33,3% pela cor preta e 5,3% pela cor bege. Por último, os consumidores foram questionados sobre um grau de importância para alguns requisitos da bota, como resultado 27% (maioria) atribuem grau 3 para aparência, 82,4% para mais conforto deram nota 5. No requisito ser mais leve 70,7% atribuíram nota 5 para importância e ser mais fria 82,7% deram nota 5 de importância.

Por meio das respostas do público entrevistado, pode-se identificar as necessidades dos consumidores e transformá-las em especificações técnicas de projeto. 4.1.3 DESDOBRAMENTO DA FUNÇÃO QUALIDADE (QFD) Com base nos dados coletados do questionário, a Figura 2 apresenta as necessidades dos clientes abstraídas da pesquisa de mercado e sua conversão em requisitos de produto. Essas informações foram correlacionadas através de uma matriz QFD, conforme pode ser observado, a partir destas informações pode-se estabelecer as especificações meta do projeto do produto. Com isso foram clarificadas informações importantes relacionadas a critérios de qualidade percebida pelos clientes como preço de custo, aparência, peso, conforto térmico, durabilidade, pisar confortável, dentre outros. Figura 2 – QFD da bota confort refresh.

Produto: Bota confort refresh ++ +

- -^ -

Direcionador de melhoria >>>>

RP: Requisitos de Projeto

Peso Nível de elasticidade Temperatura interna^ Aderência ao solo^ Cor do produto

Aparência Junção de tecnologias

Cliente Grau de importância (geral)

Nosso Produto Fujiwara Linha Sugar Linha Gold Fgb Resistência a produtos químicos^6 10 6 3 5 3 3 Desconforto Térmico^10 10 2 3 5 3 3 5 Preço de venda(mais baixo)^8 6 2 3 5 Pisar desconfortável (^) 5 5 5 10 10 2 6 Durabilidade (^) 3 3 8 6 6 6 Borracha da sola (^) 5 3 3 5 6 6 6 6 Tecido Utilizado (^) 5 5 5 5 5 8 8 4 6

Grau de importância (Absoluto) 118 162 126 80 54 112 180 832 Grau de importância (percentual) 14%^ 19%^ 15%^ 10%^ 6%^ 13%^ 22%

quanto menor o valor melhor^ quanto maior o valor melhor

RC: Requisitos do Cliente

RC

RC

RC

RC RC RC

Matriz da Qualidade (casa da qualidade)

Bechmarkingde Mercado

RC

Correlação

Direcionador de melhoria não importa a variação do valor

requisitos de cliente e^ Correlação entre de produto Inexistente Neg. Fraca Neg. Forte

Forte Posit. Fraco^ Posit. Forte Moderado Fraco

Fonte: Autores da pesquisa (2018). É importe que seja bem definida a função dos componentes, pois eles são referências para se verificar a análise falhas dos mesmos. Com na análise de função da bota, foi possível a elaboração da FMEA, onde são expostos os modos de falhas, efeitos e causas dos componentes, bem como os índices de ocorrências, gravidade e detecção dessas falhas.

4.2.2DESENVOLVIMENTO DA FMEA Embora muitos modos de falha sejam inerentes ao item em análise, o estudo das causas permite aprofundar a relação entre o item e a função e gerar procedimentos mais consistentes para aproveitar bem os efeitos, nas suas primeiras manifestações, no sentido de tomar as providências requeridas antecipando-se à perda da função devido à ocorrência do modo de falha e assim, são tomadas ações preventivas a fim de eliminar ou minimizar o surgimento das falhas. Com base na função estabelecida anteriormente para os componentes, foi possível descrever os efeitos que é a maneira como o modo de falha se manifesta e cada item pode ter diferentes modos de falha, foi possível definir também as causas geradoras desses modos de falhas. A Figura 4 contém a Análise de falhas da bota confort refresh, com base em seus componentes e suas respectivas funções. Figura 4 - Análise de falhas da bota.

Fonte: Autores da pesquisa (2018).

Local: Mossoró Setor: P&D Sistema: Projeto e desenvolvimento de produto Ações Preventivas Modo(s) Efeito(s) Causa(s) O G D Recomendada Falha do material antiderrapante

Escorregamento do usuário

Má qualidade do material 4 6 3 72

Realizações de testes e inspeções de qualidade Inspeção de qualidade ineficiente

6 6 3 108

Realizações de testes e inspeções de qualidade Material mal instalado 5 6 3 90

Realizações de testes e inspeções de qualidade Pane no dispositivo eletrônico, chamado de células de Peltier

Condução de calor em direções equivocadas

Má elaboração do dispositivo eletrônico

Inspeção e teste 3 8 2 48

Realizações de testes e inspeções de qualidade

Falha no termômetro

Má identificação do ambiente (se está frio ou quente)

Termômetro não conforme ou de baixa qualidade

Inspeção e teste 5 7 3 105

Realizações de testes e inspeções de qualidade

Evitar penetração de líquidos

Entrada de líquidos ao interior da bota

Danos físicos, danos de material (bota) e desconforto do usuário Trasnportar o vapor (suor) para o lado externo

Má funcionalidade do tecido transpirável

Desconforto do usuário

Tecido com aplicação de filme multi-camada

Evitar contaminação por produtos químicos

Má funcionalidade do tecido

Danos físicos e materiais do usuário

Material mal projetado ou de baixa qualidade

Inspeção e teste 4 9 2 72

Realizações de testes e inspeções de qualidade

Solado de borracha e sem componentes metálicos

Bloquear passagem de descargas elétricas

Passagem de descarga elétrica ao usuário

Danos físicos e/ou mentais do usuário

Material mal projetado ou de baixa qualidade

Inspeção e teste 3 9 2 54

Realizações de testes e inspeções de qualidade

Pastilhas de absorção de impactos

Absorver e resistir a impactos

Falha no sistema de absorção de impactos

Danos físicos e materiais do usuário

Mal dimensionamento da absorção de impactos

Inspeção e teste 4 9 2 72

Realizações de testes e inspeções de qualidade

Biqueira de PVC Resistir a perfurações

Não resistência ao entrar em contato com materias perfurantes

Danos físicos e materiais do usuário

Material inadequado ou de baixa qualidade

Inspeção e teste 4 9 2 72

Realizações de testes e inspeções de qualidade

FMEA - Análise do Modo e Efeito de Falha

Componente/ Processo (^) componenteFunção do^ Possíveis Falhas^ ControleAtual^ Índices^ NPR

Solado antiderrapante Evitar o escorregamento Inspeção eteste Desgaste do material antiderrapante

Danos físicos e/ou mentais do usuário

5 6 3 90

Palmilha inteligente Realizar controle detemperatura

Membrana impermeável/transpirável

Material mal projetado ou de baixa qualidade

Inspeção e teste

Realizações de testes e inspeções de qualidade

Fonte: Autores da pesquisa (2018). Quanto a viabilidade técnica do produto, serão utilizadas tecnologias já existentes, como a biqueira de composite, palmilha massageadora, palmilha capaz de regular a temperatura dos pés, membrana impermeável / respirável, entre outras. A biqueira de composite que é um composto de fibra de carbono, vidro e poliéster especial, sem a presença de componentes metálicos já é muito utilizada no mercado das botas EPI, já que apresenta resistência ao impacto, é mais leve que a biqueira de aço e não conduz eletricidade. A palmilha será composta por duas tecnologias já existentes, uma é a chamada palmilha massageadora que não precisa de energia, já que o seu molde proporcionará a massagem nos pés do indivíduo. Junto com essa tecnologia será utilizada também a palmilha “inteligente”, que foi patenteada por dois professores da USP, o sistema desenvolvido identifica a temperatura exterior da bota como quente ou fria e permite a refrigeração dos pés nas situações apropriadas. A membrana impermeável / respirável tem como características a resistência a água, independentemente de ser lavada, limpa a seco, sujeita a torção permanente ou suja por combustível ou óleo; ótima respirabilidade; resistência a vários produtos químicos, entre outras características.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo deste trabalho envolveu a proposta de um Processo de Desenvolvimento de Produto (PDP), a qual buscou demonstrar como este modelo de referência pode se desdobrar e apoiar em técnicas, ferramentas e conceitos para a excelência de um produto final. A partir da implementação conjunta de técnicas como, definição da tarefa, análise de mercado, a QFD, análise de funções, FMEA, notou-se o potencial interdependente e complementar destas ferramentas, na condição de forte apelo à busca por um alinhamento entre conforto e bem-estar dos usuários do produto. Com a análise dos dados posterior a aplicação das ferramentas, foi possível elencar os requisitos do produto e do cliente, bem como seus respectivos graus de importância. Dos requisitos levantados, os que apresentaram maior grau de importância foram: desconforto térmico e pisar desconfortável, seguidos de preço de venda, durabilidade e tecido utilizado. A FMEA trouxe à tona os possíveis modo de falha, efeitos e causas para os componentes da bota, expondo os principais pontos onde se deve manter a uma maior atenção, baseado nos graus de riscos gerados após a análise. O componente que obteve o maior grau de risco foi o desgaste do material antiderrapante, seguido da falha do termômetro. A pesquisa de mercado por meio da aplicação do questionário mostrou a viabilidade quanto à aceitação do usuário ao novo produto, já que 94,7% dos entrevistados aprovam a ideia da bota confort refresh. Quanto a viabilidade ao seu funcionamento, questões mecânicas e tecnológicas foram vistos que já existe a tecnologia para o tecido transpirável e que já existe uma patente para o desenvolvimento de uma palmilha inteligente que servirá como o sistema de controle de temperatura interna da bota. No entanto, vale ressaltar que para que o produto apresente condições de inserir-se no mercado de equipamentos de segurança, é importante e imprescindível a realização do estudo da viabilidade financeira a produção da bota, bem como testes de protótipos. É importante destacar que este projeto está em fase conceitual, sendo necessário para finalizar o processo de desenvolvimento, desenvolver o detalhamento completo dos seus sistemas e subsistemas. Assim, como sugestões para trabalhos futuros é proposto o estudo detalhado de custo para a fabricação da bota, preço de venda, bem como o desenvolvimento detalhado do funcionamento e montagem da mesma, avaliando o funcionamento dos seus sistemas, por meio da criação de protótipos e realizações de testes. As maiores limitações encontradas para a realização do processo e desenvolvimento do produto foi o curto tempo para desenvolver e validar o projeto, dificultando a confiabilidade na pesquisa de mercado, bem como os dados extraídos da mesma. Outra limitação foi a escolha e adaptação do modelo de referência que melhor se adequasse a realidade do produto e dificuldade para aplicar as ferramentas envolvidas.

APÊNDICE A – Questionário utilizado na pesquisa de mercado.

Análise de Bota como EPI

Este formulário tem como objetivo analisar o desenvolvimento de uma nova bota como EPI. Esta será mais leve, confortável com palmilha massageadora e sistema de refrigeração. Ajude-nos com a sua contribuição para a pesquisa.

1. Qual o seu sexo? Masculino Feminino 2. Qual a sua idade? 14 a18 anos 19 a 25 anos 26 a 35 anos Mais de 35 anos 3. A sua profissão, faz-se necessário a utilização de bota como ferramenta de EPI, se não, avalie o que você esperaria, caso viesse a usar? Sim Não 4. A sua bota foi adquirida por você? Sim Não, a empresa que me disponibilizou. Outro: 5. Qual a sua jornada de trabalho diário? 1 a 3 horas 4 a 6 horas 8 horas Mais de 8 horas 6. Você considera as botas como EPI desconfortáveis? Sim Não

7. Considerando a resposta anterior, atribua valores a uma escala de desconforto. Utilize 5 para muito desconfortável e 1 para muito pouco desconfortável. 1 2 3 4 5 8. Qual o maior desconforto para você? Desconforto termico (esquenta muito) Peso excessivo Pisar desconfortavel (muito dura) Biqueira de aco me atrapalha em portas eletronicas. Todas as alternativas anteriores. 9. Qual o tempo de vida útil da bota que você utiliza para trabalhar (em anos)? 1 2 3 4 Mais de 4 anos 10. Estamos criando uma bota como EPI nova que será mais leve, confortável e muito menos quente. Você acha uma boa ideia Sim Não Talvez 11. Quanto você acha que custaria essa bota, com sistema de refrigeração, tecido respirável , palmilha massageadora e biqueira de plástico altamente resistente? Entre 100 a 250 reais Entre 251 a 550 reais acima de 550 reais 12. Quanto você estaria disposto a pagar a mais por essa bota? 100 reais 250 reais 350 reais