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Centro de Componentes Semicondutores
Projetos
de
Circuitos Integrados
Luiz Carlos Moreira
Sumário
1 TÉCNICAS DE PROJETOS DE CI´S
1.1 Introdução
1.2 Especificações do projeto do CI
2 MODELO SPICE DE TRANSISTOR MOS
2.1 Transistor MOS (Metal Oxide Silicon)
2.1.1 Capacitâncias MOS
2.1.2 Estudo da região de depleção
2.1.3 Características I x V do MOS
2.2 Modelamento do MOS no simulador SPICE nível 1
3 CIRCUITO INVERSOR PROCESSO nMOS
3.1 Circuito Inversor nMOS como carga integrada
3.2 Tipos de carga
3.3 Características Estáticas do Inversor
4 CIRCUITO INVERSOR PROCESSO CMOS
4.1 Fluxo de Corrente x Dissipação de Potência para o processo CMOS
4.2 Operação Dinâmica do Inversor
5 PORTAS LÓGICAS
5.1 Porta NAND
5.2 Porta NOR
6 AIMSPICE - TEORIA
6.1 Análise DC do (Ponto de Operação)
6.2 Análise DC (Curva de Transferência)
6.3 Análise DC (Varredura da Temperatura)
6.4 Análise de Transiente
6.5 Análise da da função de Transferência do Inversor
6.6 Análise de Ruído 38
6.7 Processador Gráfico AIM POST PROCESSOR
7 AIMSPICE - PRÁTICA 40
7.1 Experiencia -1 Transistor nMOS
7.2 Experiência - 2 Transistor pMOS
7.3 Experiência - 3 Circuito Inversor pMOS
7.4 Experiência -4 Circuito Inversor pMOS com capacitância na saída
7.5 Experiência -5 Circuito VCO (Voltage Control Oscillator) com transistores pMOS
7.6 Experiência -6 Circuito Flip-Flop RS com transistores pMOS
8 EDITOR DE LAYOUT MICROWIND
8.1 Simulador Elétrico do MICROWIND
8.2 Projeto de um circuito Inversor no processo CMOS
8.3 Visualização 3D do Inversor
9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Teoria do MOS (Metal Oxide Silicon)
- Full Custom - É um circuito monolítico que pode ser projetado "manualmente" , desde
o início.
Este circuitos integrados podem ser classificados como:
- Circuito Integrado Dedicado - É um CI onde todas as camadas
(mascaras) são personalizadas.
- Circuito Integrado Semi-Dedicado - É um CI onde algumas
camadas (máscaras) são personalizadas.
Para entender melhor as vantagens e desvantagens dos ASICs convém estudar o
diagrama da figura-1 que mostra os tipos de ASICs em função:
Figura 1 O Universo dos ASICs
Donde podemos concluir que o tipo de ASIC mais versátil e com maior capacidade de
integração (Densidade) é o Full-Custom, mas também tem um elevado custo de
desenvolvimento, demora muito tempo para chegar até o mercado e risco de não
funcionar corretamente devido a sua complexidade (Imagine um μprocessador com 9
milhões de transistores). Como podemos ver temos vários modos de projetar um circuito
integrado.
Figura 2 Seqüência de projeto do ASICs.
Teoria do MOS (Metal Oxide Silicon)
Para projetar de circuitos integrados devemos primeiramente especificar o projeto a
ser executado conforme mostra a figura-2. Com base nas especificações do projeto
devemos escolher qual o tipo de ASIC´s atende melhor as especificações do projeto. E
finalmente, a ferramentas de CAD apropriadas.
1.2 Especificações do projeto do CI
Nesta etapa, o engenheiro de desenvolvimento deve conhecer todas as
especificações do circuito a ser projetado. Assim, nesta etapa pode ser considerada o
nível físico, ou seja deve-se conhecer todos os níveis de tensão e corrente do projeto,
para abstrair o topologia do circuito a nível de capacitores, resistores e transistores.
ASICs
Com bases nas especificações do projeto o engenheiro de desenvolvimento ou
projetista de circuito integrado pode definir qual o tipo de ASICs deve ser utilizado. Por
exemplo: Temos que projetar um circuito PLL (Phase Locked Loops) para operar com uma
freqüência de 2GHz. Primeiramente, devemos saber qual tecnologia trabalha com está
freqüência. Depois devemos verificar se existe Gate Array, PLD´s, FPGA ou se devemos
utilizar Full-Custom. Com estas bases podemos passar para a etapa seguinte.
Ferramentas de CAD
Após a especificação do tipo de ASICs a ser utilizado devemos verificar se a
ferramentas de CAD estão disponíveis para o desenvolvimento do projeto tanto a nível de
simulação como a nível de layout. Por exemplo, no circuito concluímos que podemos
utilizar Full Custom para projetar o CI utilizando no processo CMOS 0.18μm. Para isso,
diversas empresas de projetos de circuitos integrados oferecem sua ferramentas como:
- Mentor Graphics
- Cadence
- Tanner
- Synops
Na maioria deste pacotes existem simuladores elétricos baseados na filosofia
SPICE. No software Mentor temos o Eldo como simulador elétrico.
fonte, dreno e bulk para terra formaremos um capacitor MOS. Deste modo, verificaremos
três tipos de capacitância MOS em função da tensão Vgs na porta do transistor:
- Acumulação;
- Depleção;
- Inversão.
Acumulação:
Considere a tensão Vgs < 0 conforme mostra a figura-5. Nesta condição as lacunas se
concentram junto ao óxido de porta. A espessura do óxido no modelo SPICE MOS é
chamado de TOX (Thickness Oxide).
Figura 5 Transistor MOS em acumulação.
Depleção
Considere a figura-4 com uma tensão Vgs não suficiente negativa para ter uma alta
concentração de lacunas ou uma tensão Vgs não suficiente positiva para ter uma alta
concentração de elétrons. Nesta condições teremos uma superfície embaixo da porta do
transistor depletada. Assim, temos duas condições:
- Quando a tensão Vgs torna-se mais negativa (<<0) temos um acumulo de lagunas
em embaixo da porta do transistor.
- Quando a tensão Vgs torna-se mais positiva (>>0) temos um acumulo de elétrons
embaixo da porta do transistor.
Logo, com o aumento da tensão Vgs será formada uma capacitância embaixo da porta do
transistor conforme mostra a figura-5 esta capacitância será chamada de "capacitância de
depleção" conforme mostra a figura-6.
Figura 6 Transistor MOS em depleção.
Inversão
Quando a tensão Vgs é maior do que a tensão de limiar Vt (Vgs>Vt) temos uma
grande concentração de elétrons na superfície do Si junto ao óxido de porta conforme
mostra a figura-6.
Na figura-7 podemos verificar a variação da capacitância de óxido C´ox do
transistor MOS. Podemos observar as 3 condições de capacitância de óxido.
Figura 7 Gráfico da configuração da figura-2.
Existem outras capacitâncias envolvidas no transistor MOS conforme mostra a
figura-6. As capacitâncias envolvidas são:
- Cgd - Capacitância entre porta e dreno;
- Cgs - Capacitância entre porta e fonte;
- Cdb - Capacitância entre dreno e bulk,
- Csb - Capacitância entre fonte e bulk.
Na tabela-1 temos um sumário das capacitância envolvidas no transistor MOS em
diversos tipos de operação.
Tabela 1 Capacitâncias MOS.
Nome Região de Corte Região Linear Região de Saturação
Cgd
CGDO. W .W.L.C'ox 2
CGDO.W
Cdb Cjdep Cjdep Cjdep
Cgb C' ox.W.Leff+^ CGBO.L CGBO. L CGBO.L
Cgs
CGSO. W
.W.L.C'ox 2
.W.L.C'ox 3
Csb Cjdep Cjdep Cjdep
2.1.2 Estudo da região de depleção
Na figura-6 verificamos a existência de uma região de depleção e podemos verificar que
há uma inversão quando Vgs >Vt (Tensão de Limiar). Nestas condições existe uma região
de Depleção entre o canal invertido e o substrato e a espessura da depleção é dada pela
equação-7.
A
si s F
A
si
q. N
q.N
Xd
ε φ −φ
ε φ
Onde, NA é o numero de átomos aceitador no substrato, φs é o potencial eletrostático na
interface óxido-silício. O potencial eletrostático do substrato tipo P é dado por:
i
A F n
N
ln q
K.T
Onde, ni é a concentração intrínseca do silício=1.45x
10
cm
Na região de depleção não existem carga móveis no material semicondutor tipo P e a
carga concentrada na porta do transistor é dada pela equação-9.
A S F
Q´ b= q.NA.Xd= 2 .εsi.q.N .φ −φ ⇒ Acumulação ⇒ (φS=φF) ⇒ Q´b=0 (9)
Na condição de tensão de limiar, Vg=Vt, temos φS=-φF. Nesta situação a carga de
depleção é dada por:
Q´ bo= 2 .εsi.q.NA .− 2 φ F (10)
Acima temos o substrato e fonte ligados para terra. Se a fonte tem um potencial maior que
o substrato, temos uma diferença de potencial chamada de "Vsb". Neste caso a carga
negativa na região de depleção é dada pela equação-11.
Q´ bo 2 .si.q.N. 2 Vsb A F
Exemplos - 1
Para fixar os conceitos expostos acima temos o seguinte exercício:
Dados:
- Dopagem de substrato de 3
15
cm
atoms 10
Pergunta:
1) Qual o potencial eletrostático na região do substrato?
R: 290 mV
- 5 x 10
26 mV.ln n
N
ln q
K.T
9
15
i
A φF =− =− =−
2) Qual a largura da camada de depleção?
R:
( ) ( ) ( ) ( 0. 866 m)
cm
Atoms
. 10 atom
C
1.6x
2 .11,7.8.85x10 F/Cm. 2 .0.29V
q.N
Xd
3
A
si s F = μ
φ −φ
3) Qual a carga contida na região de depleção debaixo do porta do transistor na
região de depleção
R: ( ) 12 3 2
3
3
19 15
m
aC .0.866 m 139 10 m
cm . cm
Atoms
. 10 Atom
C
Q´ bo q.NA.XD 1.6x μ
μ =
−
Considere o circuito onde a tensão Vgs = Vt e de acordo com a figura-9. A tensão entre A
e B será VBC :
Figura 9 Cálculo da tensão de Limiar.
Podemos verificar através da figura-9 que há uma capacitância de óxido C´ox cujo isolante
é um óxido e a diferença de potencial é dada pela equação-12.
C´ ox
Q´b
VBC = (12)
O potencial de superfície necessário é dado pela equação-13.
F
C´ox
Q´b
VB = − φ (13)
Cargas positivas existem na interface óxido-silício devido a imperfeições da superfície ou
pelo uso de implantação de íons para ajustar a tensão de limiar dos MOS. Estas cargas
positivas são chamadas de Q´ss com a unidade de coulombs/área. Assim, a equação-
pode ser rescrita conforme equação-14.
F
C´ox
Q´b Q´ss VB − φ
A tensão de limiar é o potencial entre o ponto D (bulk) e o ponto A (Material)
conforme mostra a figura-8. A diferença de potencial entre o porta e bulk (substrato tipo P)
pode ser determinada pela somatória de potenciais entre diferentes materiais do MOS
conforme mostra a figura-10. Somando potenciais de contato entre bulk e porta poly n+
com uma concentração de ND,Poly temos a equação-15.
Pergunta:
Estime o γ (GAMMA)
R:
( )
2
1
2
m
cm
cm
atoms 15 atom
col 19
0 , 228 V
m
aF 800
m
aF
- 6 x 10. 11. 7. 8. 85
3
3
3
μ
μ
γ=
μ
−
Exemplo - 3:
Estime a tensão de limiar zero-bias do MOS do exemplo-
Dados:
- Nível de dopagem do poly 3
20
cm
atoms 10
Pergunta:
O que acontece com a tensão de limiar quando a uma contaminação de sódio causa uma
impureza de 40
2 m
aC
μ
na interface óxido-semicondutor?
R:
2 580 mV
879 mV
- 45 x 10
ms 290 mV 26 mV.ln
F
9
20
F G
φ =φ −φ =− − =
φ
173 mV
m
aF 800
m
aC 139
C´ox
Q´bo
2
2
=
μ
μ
50 mV C´ox
Q´ ss
A tensão de limiar da equação-19 sem a contaminação é de -126mV, com a contaminação
do sódio a tensão de limiar é de -176mV. Para compensar ou ajustar a tensão de limiar
pode ser implantado íons p+. Este íons efetivamente aumentam o valor da tensão de limiar
por
C´ox
C´ c
, onde Q ´c é a densidade de carga pela unidade de área devido a implantação.
Se NI é a dose de implantação iônica em atoms/Unidade de área. Assim, podemos
escrever a seguinte equação:
Q´ c=q.N I
e a tensão de limiar será: (24)
Cóx
Q´bo Q´ss Q´c Vt ms 2 F NO
2.1.3 Características I x V do MOS
Após familiarização com os parâmetros de capacitância e tensão de limiar do
transistor MOS. Agora verificaremos as funções características de operação do transistor
em função da corrente e tensão do transistor nas regiões de Corte, Triodo e Saturação
conforme mostra a figura-
Figura 11 Gráfico das regiões de operação do MOS
Região de Corte
Na região de corte do transistor nMOS com uma tensão de porta Vgs=0 a corrente
entre dreno e fonte será = "0" ( na verdade ela pode ser da ordem de pA ou nA.
Região de Triodo
Quando Vgs>Vt forma um canal invertido em baixo da porta do transistor e com
uma tensão Vds > 0, temos um fluxo de corrente entre fonte e dreno conforme mostra a
figura-12. Inicialmente as cargas são armazenadas sobre a capacitância de óxido C´ox. O
potencial entre o eletrodo de porta e o canal é Vgs-V(y), a carga da camada de inversão
será dada pela equação-26.
Q´ ch= C´ox. [Vgs −V(y)] (26)
Figura 12 Comportamento do MOS na região de triodo.
Como Q´b está presente na camada de depleção do MOS devido a tensão Vt
conforme mostra a equação-27.
Q´ b= C´ox.Vt N (27)
A carga total útil no canal para a condução de corrente entre fonte e dreno é dado
pela diferença entre a equação 26 e 27 conforme mostra a equação-28.
( ( ) ) I N
Q ´(y)= C´ox.Vgs−Vy−Vt (28)
Substituindo a equação-40 em 39 temos a representação da corrente de dreno na
equação-41.
( )
2 N elec
N Vgs Vt L
W
KP
Id = − (41)
Figura 13 Comportamento do MOS na região de saturação.
Qualitativamente reduzindo o valor Lelec e aumentando a corrente ID que a largura da
camada de depleção aumenta com o incremento da tensão Vds. Este efeito é chamado de
channel lenght modulation. Para determinar a alteração da corrente de saída entre dreno e
fonte devemos derivar a equação-41 em função da tensão Vds conforme mostra a
equação-42.
( ) (^)
dVds
dX . L
Id. dVds
dL Vgs Vt. L
W
KPN
Vds
Id dl
elec
(^2) elec N elec
2
ou seja,
dVds
dX . L
(^1) dl
elec
O λ é o parâmetro do comprimento da modulação de canal: é maior que 0.1 para
dispositivos de canal curto e para dispositivos de canal longo é maior que 0.01. Podemos
rescrever a equação-43 dentro da equação 41 e temos como resultado a equação-44.
(Vgs Vt ) .[ 1 ( Vds Vds,sat)] L
W
KP
Id C
2 N
N
2.2 Modelamento do MOS no simulador SPICE nível 1
Através dos cálculos na seção 6 podemos montar um arquivo de parâmetros de
modelos para o simular elétrico AIMSPICE.
Nível 1 Parâmetros do modelo para VtN;
Os seguintes parâmetros são relatados para calcular o VtN no SPICE.
Símbolo Nome Descrição Default Típico Unidade
VtNO VTO Zero-bias threshold voltage 1.0 0.8 Volts
γ GAMMA Body-effect parameter 0 0.4 V
1/
2 φF PHI Surface to bulk potential 0.65 0.58 V
NA NSUB Substrate doping 0 1E15 cm
Q'ss/q NSS Surface state density 0 1E10 cm
TPG Type of gate material 1 1 -
Os seguintes parâmetros são relatados para calcular o VtN no SPICE.
Símbolo Nome Descrição Default Típico Unidade
KP KP Transcondutance parameter 20E-6 50E-6 Volts
Tox TOX Gate-oxide thickness 1E-7 40E-9 m
λ PHI Channel-lenght modulation 0 0.01 V
LD NSUB Lateral diffusion 0 2.5E-7 m
μn,p UO^ Surface mobility^600 580 cm
2