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projetos de ovinos embrapa, Manuais, Projetos, Pesquisas de Agronomia

projetos de ovinos embrapa meio norte

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2021

Compartilhado em 11/06/2021

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Produção de Ovinos e Caprinos de Corte em
Pastos Cultivados sob Manejo Rotacionado
Sobral, CE
Dezembro, 2005
31
ISSN 1676-7667
Autores
Ana Clara Rodrigues Cavalcante
Zootecnista, M.Sc.
Embrapa Caprinos
Estrada Sobra l/Groaíras, km 04,
Caixa Posta - D10,
CEP 62011-970 Sobr al, CE
Tel.: (0xx88) 3677-7000
On line
Introdução
Os produtos da ovinocultura e da caprinocultura de corte têm sido demandados tanto pelo
mercado interno como externo. O Brasil importou em 2002 o equivalente a 2.527t de carne
ovina, comprovando o déficit do produto para o atendimento até mesmo da demanda
interna. Enquanto isto, neste mesmo ano, a Nova Zelândia exportava mais de 340.000t de
carne ovina, e a Austrália, maior exportador de carne caprina, exportou cerca de 14.000t
(FAO, 2004).
O Agronegócio da ovinocaprinocultura, seja utilizando a mão-de-obra familiar ou em esque-
ma empresarial, tende a ser importante fonte de geração de emprego e renda para a Região
Nordeste, que tradicionalmente já é conhecida pela criação de caprinos e ovinos deslanados.
No entanto, o sistema de produção, basicamente extensivo, sem adoção de tecnologias que
maximizem o potencial produtivo dos rebanhos e minimizem os efeitos negativos da
estacionalidade produtiva, limita o potencial de produção de carne caprina e ovina nesta
Região.
A utilização de sistemas de produção mais eficientes constitui uma alternativa para tornar o
agronegócio da ovinocaprinocultura uma atividade economicamente viável e sustentável
mesmo nas condições do Nordeste Brasileiro.
A utilização de pasto como base alimentar para sistemas de produção tem colocado o Brasil
em lugar de destaque na bovinocultura de corte. Esse mesmo sistema alimentar tende a
reduzir os custos e tornar mais atraente o investimento na produção de caprinos e ovinos de
corte.
O sistema de uso do pasto é ponto fundamental para o sucesso do empreendimento. O
método de pastejo ideal é aquele que maximiza a produção animal, sem afetar a persistência
das plantas forrageiras (Rodrigues & Reis, 1999). Existem vários métodos em uso, sendo
que a lotação rotativa1, com o passar dos anos, tem ganhado muitos adeptos em todas as
regiões do país.
Esse método tem sido recomendado com base na pressuposição de que as plantas
forrageiras precisam de um período de descanso para se recuperarem da desfolhação,
possibilitando a reposição de folhas e o restabelecimento das reservas orgânicas. A lotação
rotativa promove o aumento na produção de forragem; maior uniformidade na produção;
melhoria na eficiência de colheita; e, consequentemente, maximiza a produção animal/ha na
pastagem (Emmick & Fox, 1993).
O objetivo dessa publicação é expor os principais fundamentos da prática do manejo
rotativo de pastagens como ferramenta para a produção de caprinos e ovinos de corte.
José Neuman M. Neiva
Zootecnista., D.Sc.
Universidade Feder al do Tocantins
araguaia@u ft.edu.br
Magno José Duarte Cândido
Eng. Agrôn., D.Sc.
Universidade Federal do Ceará
mjdcandid [email protected] om
Luiz da Silva Vieira
Méd. Vet., D.Sc.
Embrapa Caprinos
1Lotação rotativa é o termo técnico mais adequado para o que se conhece como pastejo rotacionado
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ProduÁ„o de Ovinos e Caprinos de Corte em

Pastos Cultivados sob Manejo Rotacionado

Sobral, CE Dezembro, 2005

ISSN 1676-

Autores

Ana Clara Rodrigues Cavalcante Zootecnista, M.Sc. Embrapa Caprinos Estrada Sobral/GroaÌras, km 04, Caixa Posta - D10, CEP 62011-970 Sobral, CE Tel.: (0xx88) 3677- [email protected]

On line

IntroduÁ„o

Os produtos da ovinocultura e da caprinocultura de corte tÍm sido demandados tanto pelo mercado interno como externo. O Brasil importou em 2002 o equivalente a 2.527t de carne ovina, comprovando o dÈficit do produto para o atendimento atÈ mesmo da demanda interna. Enquanto isto, neste mesmo ano, a Nova Zel‚ndia exportava mais de 340.000t de carne ovina, e a Austr·lia, maior exportador de carne caprina, exportou cerca de 14.000t (FAO, 2004).

O AgronegÛcio da ovinocaprinocultura, seja utilizando a m„o-de-obra familiar ou em esque- ma empresarial, tende a ser importante fonte de geraÁ„o de emprego e renda para a Regi„o Nordeste, que tradicionalmente j· È conhecida pela criaÁ„o de caprinos e ovinos deslanados. No entanto, o sistema de produÁ„o, basicamente extensivo, sem adoÁ„o de tecnologias que maximizem o potencial produtivo dos rebanhos e minimizem os efeitos negativos da estacionalidade produtiva, limita o potencial de produÁ„o de carne caprina e ovina nesta Regi„o.

A utilizaÁ„o de sistemas de produÁ„o mais eficientes constitui uma alternativa para tornar o agronegÛcio da ovinocaprinocultura uma atividade economicamente vi·vel e sustent·vel mesmo nas condiÁıes do Nordeste Brasileiro.

A utilizaÁ„o de pasto como base alimentar para sistemas de produÁ„o tem colocado o Brasil em lugar de destaque na bovinocultura de corte. Esse mesmo sistema alimentar tende a reduzir os custos e tornar mais atraente o investimento na produÁ„o de caprinos e ovinos de corte.

O sistema de uso do pasto È ponto fundamental para o sucesso do empreendimento. O mÈtodo de pastejo ideal È aquele que maximiza a produÁ„o animal, sem afetar a persistÍncia das plantas forrageiras (Rodrigues & Reis, 1999). Existem v·rios mÈtodos em uso, sendo que a lotaÁ„o rotativa^1 , com o passar dos anos, tem ganhado muitos adeptos em todas as regiıes do paÌs.

Esse mÈtodo tem sido recomendado com base na pressuposiÁ„o de que as plantas forrageiras precisam de um perÌodo de descanso para se recuperarem da desfolhaÁ„o, possibilitando a reposiÁ„o de folhas e o restabelecimento das reservas org‚nicas. A lotaÁ„o rotativa promove o aumento na produÁ„o de forragem; maior uniformidade na produÁ„o; melhoria na eficiÍncia de colheita; e, consequentemente, maximiza a produÁ„o animal/ha na pastagem (Emmick & Fox, 1993).

O objetivo dessa publicaÁ„o È expor os principais fundamentos da pr·tica do manejo rotativo de pastagens como ferramenta para a produÁ„o de caprinos e ovinos de corte.

JosÈ Neuman M. Neiva Zootecnista., D.Sc. Universidade Federal do Tocantins [email protected]

Magno JosÈ Duarte C‚ndido Eng. AgrÙn., D.Sc. Universidade Federal do Cear· [email protected]

Luiz da Silva Vieira MÈd. Vet., D.Sc. Embrapa Caprinos [email protected]

(^1) LotaÁ„o rotativa È o termo tÈcnico mais adequado para o que se conhece como pastejo rotacionado

Fundamentos B·sicos do Uso Rotativo de uma ¡rea de Pasto Cul- tivado

Na lotaÁ„o rotativa, a ·rea da pastagem È dividida em unidades individuais chamadas de piquetes que s„o utilizados de forma alternada, atÈ se cumprir o ciclo de pastejo com o retorno dos animais para o primeiro piquete, apÛs determinado tempo. Antes de comentar sobre as principais vari·veis que devem ser conhecidas no manejo rotacionado, È necess·rio conhecer os princÌpios b·sicos que regem o manejo de pastagens de um modo geral.

Principio B·sico do Manejo de Pastagem O princÌpio b·sico que rege o manejo da pastagem È, principalmente, a influÍncia da press„o de pastejo sobre o ganho por animal, ganho por ·rea e sobre a sustentabilidade de um sistema de produÁ„o a pasto, o que est· ilustrado na Fig. 1.

Ganho de peso por ovino (kg)

Taxa de lotaÁ„o (ovinos/ha)

Ganho de peso por ·rea (kg)

Ganho por hectare

Ganho por ovino

Fig. 1. Efeito da taxa de lotaÁ„o sobre o ganho por animal e ganho por ·rea (Hodgson, 1990).

Do lado esquerdo da figura, o ganho de peso por animal estar· em funÁ„o da qualidade da forragem, tendo em vista que a disponibilidade, por animal, n„o ser· fator limitante j· que a taxa de lotaÁ„o È baixa. A baixa produÁ„o por hectare È o resultado da pouca eficiÍncia de utilizaÁ„o da massa de forragem, por causa da baixa taxa de lotaÁ„o. O ganho de peso por animal declina progressivamente com o aumento da taxa de lotaÁ„o, enquanto que o ganho por ·rea tende a aumentar aproximando-se do ponto Ûtimo que, no caso ilustrado na Fig. 1, foi obtido com a taxa de lotaÁ„o de 45 cordeiros/ha (Hodgson, 1990).

Observando o lado direito da figura., percebe-se que da mesma forma no lado esquerdo, tambÈm h· uma baixa produtividade animal (kg/ha). A baixa eficiÍncia de conver- s„o, observada neste lado da figura., foi causada pelo fraco desempenho individual dos animais, que em altas

taxas de lotaÁ„o dispıem de menos alimento para consu- mo e o atendimento de suas exigÍncias nutricionais.

O uso de altas taxas de lotaÁ„o, sem o devido cuidado de suplementar os animais, pode levar ‡ degradaÁ„o de ·reas de pastagem. Essa degradaÁ„o se inicia com o aparecimen- to de espÈcies invasoras, o desaparecimento do pasto original, por fim, o aparecimento de espÈcies de baixo valor forrageiro, terminando atÈ com o desaparecimento destas ˙ltimas. Ao longo deste processo, a produtividade por ·rea tende a ser cada vez menor, atÈ o ponto de tornar a atividade insustent·vel.

O produtor deve estar sempre atento ao manejar suas pastagens, optando por utilizar taxas de lotaÁ„o ajustadas ‡ capacidade de suporte do pasto existente na proprieda- de. AlÈm deste aspecto, deve estar atento aos perÌodos de ocupaÁ„o e de descanso recomendados para uso racional da lotaÁ„o rotativa. O entendimento de como funcionam o perÌodo de descanso, o perÌodo de ocupaÁ„o e o perÌodo de permanÍncia È importante na conduÁ„o do sistema rotativo de modo que esse possa ser uma ferramenta eficiente de manejo da pastagem (Gomide, 1999).

PerÌodo de OcupaÁ„o e PerÌodo de Per- manÍncia O termo perÌodo de ocupaÁ„o refere-se ao tempo em que cada piquete È ocupado por um ou mais grupos de caprinos ou ovinos. O perÌodo de permanÍncia se refere ao tempo em que cada grupo permanece no piquete. Quando sÛ h· um grupo de animais o perÌodo de permanÍncia È igual ao perÌodo de ocupaÁ„o. O perÌodo de ocupaÁ„o deve ser o mais curto possÌvel, de modo a aumentar a eficiÍncia de uso da forragem e prevenir a segunda desfolhaÁ„o de perfilho durante o perÌodo de ocupaÁ„o, o que comprometeria a recuperaÁ„o do pasto pelo esgota- mento das reservas org‚nicas.

O perÌodo de pastejo deve ser de, no m·ximo, cinco dias, sendo melhor utilizar trÍs dias. Essa recomendaÁ„o deve-se ao fato de que no quinto dia j· h· rebrotaÁ„o expressiva de grande parte dos perfilhos pastejados no primeiro dia. O acesso dos animais a esses perfilhos comprometeria a recuperaÁ„o das reservas da planta e, conseq¸entemente, a sustentabilidade do sistema com o passar do tempo (Gomide, 1999).

Em funÁ„o das dificuldades para ajuste do manejo do pastejo, n„o È recomend·vel o uso de um dia de ocupaÁ„o se os produtores n„o conhecem o manejo rotacionado de pastagens. Considerando, por exemplo, uma pastagem de capim-gram„o ( Cynodon dactylon ) de um hectare onde se utiliza um dia de ocupaÁ„o e 29 dias de descanso, seriam necess·rios 30 piquetes. Cada piquete teria uma ·rea de 333,3 m^2 (10.000m^2 /30), e se a taxa de lotaÁ„o utilizada for alta, como 80 cordeiros por hectare, nestas condiÁıes,

Foto

: Ana Clara R. Cavalcante

Pastejo Primeiro-˙ltimo Conhecido tambÈm como mÈtodo de pastejo com dois grupos de animais ou, ainda, como mÈtodo de pastejo lÌderes seguidores. … um procedimento vantajoso quando se dispıe de animais de diferentes categorias e que apresentem diferenÁas na capacidade de resposta a forragem de alta qualidade. Desta maneira, os animais que apresentam melhor resposta ao consumo de forragem de melhor qualidade compıem o primeiro grupo.

Esse primeiro grupo de animais pasteja por dois a trÍs dias, consumindo a forragem de melhor qualidade, e a seguir, passa para outro piquete cedendo lugar ao segundo grupo de animais, que consome o que sobrou do primeiro pastejo atÈ a condiÁ„o residual preconizada.

Creep Grazing Este mÈtodo permite que cabritos ou cordeiros passem atravÈs de uma abertura na cerca para uma pequena ·rea contendo uma forragem de melhor qualidade (Fig. 4). O sistema n„o requer altos investimentos, sendo necess·ria a formaÁ„o de uma ·rea com forragem a ser manejada para qualidade. Como regra, o melhor desempenho das crias reduz a dependÍncia do leite da m„e, melhorando a condi- Á„o corporal da matriz e seu retorno mais r·pido ao estro.

Fig. 4. Esquema representativo de um creep grazing em lotaÁ„o rotativa (Hodgson, 1990).

Diferimento de Pasto O mÈtodo de pastejo diferido, (Fig. 5), tambÈm denomina- do protelado consiste na vedaÁ„o de uma parte da ·rea da pastagem, durante perÌodo da estaÁ„o de crescimento, com a finalidade de revigorar a pastagem e permitir ac˙mulo de forragem no campo, para ser utilizado durante a seca.

O pastejo diferido tem a vantagem de dispensar investi- mentos em m·quinas utilizadas para a conservaÁ„o de forragem. Contudo, È importante salientar que a eficiÍncia do sistema de pastejo diferido est· associada com a qualidade que a planta forrageira ter· na ocasi„o de ser consumida. … preferÌvel diferir pastagens formadas com gramÌneas estolonÌferas, como o capim-tifton, cuja diferen- ciaÁ„o folha colmo com o passar do tempo n„o È t„o acentuada, comprometendo menos a qualidade do pasto

do que no caso de uma gramÌnea cespitosa. Ademais, dece-se Ter em mente que um pasto diferido, mesmo de uma estolonÌfera, n„o ter· a mesma qualidade de um pasto verde ou de uma forragem bem conservada.

Fig. 5. Esquema representativo de ·rea diferida (lado direito). (Adaptado de Hodgson, 1990).

CondiÁıes B·sicas para Uso de Lo- taÁ„o Rotativa

Adotar o mÈtodo de lotaÁ„o rotativa requer do produtor um conjunto de condiÁıes que possibilitem a produtivida- de esperada em sistemas mais intensivos de produÁ„o. Tais condiÁıes podem existir naturalmente no sistema de produÁ„o, ou serem introduzidas de forma racional e objetiva, visando ‡ sustentabilidade tÈcnica, ecolÛgica e econÙmica do sistema.

Uso de GramÌneas Produtivas Para sistemas mais intensivos de produÁ„o utilizar gramÌneas que possuam:

∑forma de propagaÁ„o por sementes, pois, os custos de implantaÁ„o de gramÌneas que se propagam vegetativamente s„o mais altos. AlÈm disso, a propagaÁ„o por sementes auxilia no ressemeio natural da espÈcie garantindo melhor persistÍncia.

∑ tenham h·bito de crescimento cespitoso, pois, os raios solares se projetam com facilidade entre as folhas favorecendo a inativaÁ„o de larvas e ovos dos helmintos pela dessecaÁ„o das larvas e pela diminuiÁ„o da umidade no micro clima da pastagem (Cunha et al., 2000).

∑ apresentem porte de mÈdio a baixo facilitando o acesso dos ovinos e caprinos ‡ forragem. GramÌneas de porte alto poder„o, eventualmente, serem utilizadas, mas o manejo tende a ser mais complicado, geralmente as perdas de forragem s„o maiores tanto por pisoteio como pelo n„o acesso a forragem na parte mais alta do capim, alÈm disso, È comum que apÛs o pastejo, haja necessidade de roÁos para uniformizar o stand e permitir rebrotaÁ„o mais uniforme.

∑ resposta eficiente ‡ adubaÁ„o, uma vez que nesse sistema se preconiza o uso de adubos quÌmicos em quantidades suficientes para repor as perdas em nutrientes.

∑ bom perfilhamento e toler‚ncia ao pastejo exercido por ovinos e caprinos. Ambas as espÈcies s„o bastante eficientes em colher forragem e exercem intensa remoÁ„o da forragem presente na pastagem. Logo, a gramÌnea utilizada deve possuir intensa rebrotaÁ„o apÛs o pastejo para que se obtenham perÌodos de descanso menores.

∑ bom valor nutritivo e palatabilidade para caprinos e ovinos, bem como alto rendimento por ·rea.

Geralmente n„o È possÌvel unir todas as caracterÌsticas numa mesma espÈcie, por isso, de todas as caracterÌsticas acima citadas, È comum a escolha de caracterÌsticas chave, de acordo com cada situaÁ„o particular, e assim proceder a escolha.

Poucas gramÌneas forrageiras utilizadas em sistemas intensivos de produÁ„o foram testadas no Nordeste. Entre

as espÈcies testadas, resultados positivos foram obtidos pela Embrapa Caprinos com o capim-gram„o ( Cynodon dactylon ) e o capim-tanz‚nia ( Panicum maximum ) na terminaÁ„o de ovinos. Na Embrapa Meio Norte, Teixeira et al. (2003) obtiveram resultados positivos com as gramÌneas Brizanta (Brachiaria brizantha), Tanz‚nia ( Panicum maximum ) e Tifton-85 ( Cynodon spp) no desempenho de ovinos SRD (Sem RaÁa Definida). Entre- tanto, em outras regiıes, espÈcies como os Tiftons ( Cynodon spp), o capim-aruana ( Panicum maximum ), coast-cross ( Cynodon dactylon ) j· foram testados com relativo sucesso.

H· grande interesse por parte dos produtores nas gramÌneas do gÍnero Brachiaria. O produtor deve evitar o uso dessas espÈcies, principalmente da Brachiaria decumbens , uma vez que em funÁ„o do desenvolvimento do fungo Pythomyces chartarum nessas espÈcie tem sido diagnosticada a fotossensibilizaÁ„o em ovinos (Neiva & C‚ndido, 2003). A fotossensibilidade apresenta como sinais externos: edemas nas orelhas e face, bem como uma intensa irritaÁ„o. Por isso, n„o se recomenda o uso de

Tabela 1. CaracterÌsticas de forrageiras para pastejo por caprinos e ovinos.

EspÈcie forrageira AdaptaÁ„o ao pastejo por caprinos e ovinos Seca Solos de baixa ProduÁ„o MS ProteÌna bruta DIVSM fertilidade (t/ha ano) (%) (%)

Capim-andropogon Baixa Alta Alta 8 - 14 6 - 9 57, (Andropogon gayanus) Capim-b˙ffel Alta Muito alta Alta 5 - 12 7 - 10 50, (Cenchrus celiaris) Capim-rodhes MÈdia Alta MÈdia 6 - 15 6 - 10 55, (Chloris gayana) Capim-corrente Alta Alta MÈdia 8 - 12 10 - 14 64, (Urochloa mocambiensis) Capim-tifton Muito alta MÈdia a baixa Baixa 10 - 22 12 - 16 60, (Cynodon dactylon) Capim-gram„o Muito alta Alta MÈdia 8 - 12 9 - 14 41, (Cynodon dactylon) Capim-tanz‚nia Alta MÈdia a baixa Baixa 20 - 26 12 - 16 65, (Panicum maximum) Capim-mombaÁa MÈdia MÈdia a baixa Baixa 20 - 28 12 - 16 65, (Panicum maximum) Capim-massai Alta MÈdia a baixa Baixa 12 - 22 8 - 12 60, (Panicum maximum) Capim-aruana Alta MÈdia a baixa Baixa 18 - 21 8 - 14 70, (Panicum maximum) Capim-aries Alta MÈdia a baixa Baixa 18 - 20 10 - 15 70, (Panicum maximum) Capim-elefante (por semente) (Pannisetum purpureum) Baixa Baixa Baixa 8 - 18 7 - 12 60,

AdaptaÁ„o ProduÁ„o e composiÁ„o quÌmica

Fonte: adaptado de Legel (1990) e FAO (2005).

Conforto Animal As ·rvores podem contribuir oferecendo a sombra e reduzindo o desconforto ocasionado pelas altas temperatu- ras aos animais, podendo tambÈm servir de alimento para os mesmos, principalmente se essas forem de valor forrageiro, como as leguminosas.

A presenÁa de ·rvores na pastagem (Fig. 7) pode oferecer alternativas para a sustentabilidade da produÁ„o de caprinos e ovinos a pasto. A arborizaÁ„o pode ser planeja- da ou ocorrer naturalmente no ecossistema (Evangelista & Lima, 2002)

Fig. 7. ¡rvores em pasto de tanz‚nia sob pastejo por caprinos.

AlÈm dos benefÌcios diretos aos animais, as ·rvores contribuem, com a sustentabilidade do sistema de rotaÁ„o de pastagem, atravÈs da ciclagem de nutrientes das cama- das mais profundas para a superfÌcie do solo; reduzem as perdas de solo e nutrientes por eros„o hÌdrica; melhoram as propriedades fÌsicas do solo (estrutura, porosidade e retenÁ„o de umidade); reduzem a acidez pelo incremento em matÈria org‚nica; reduzem a temperatura e oxidaÁ„o da matÈria org‚nica e ainda fixam nitrogÍnio do ar, no caso das leguminosas, sendo que o impacto desses benefÌcios depender· de sua densidade e distribuiÁ„o na pastagem.

S„o ·rvores recomendadas para arborizaÁ„o de pastagens: Leucena, Cumaru, Cedro, IpÍs, Faveleira, Gliricidia. O n˙mero de ·rvores a ser utilizado vai depender do sistema de produÁ„o utilizado. Em ·reas raleadas de caatinga, cultivadas com o capim-gram„o, o equilÌbrio do sistema vem sendo mantido com cerca de 10% a 15% de cobertu- ra vegetal. (Sousa et al., 1998).

N„o sendo possÌvel a implantaÁ„o ou manutenÁ„o de ·rvores dentro dos piquetes, deve-se utilizar sombrites, ou ainda, dispor de uma ·rea de lazer, onde os animais tenham livre acesso e possam se abrigar do sol nas horas mais quentes do dia. Nesta ·rea de lazer, alÈm da ·rea coberta, devem ser colocados saleiros e bebedouros para os animais. … preferÌvel que esta ·rea esteja localizada no centro da pastagem (Fig. 8), e que os animais em qualquer piquete tenham f·cil acesso ‡ instalaÁ„o. A ·rea por animal na ·rea coberta dever· variar de 0,5 m^2 (cordeiros,

cabritos) a 1,0 m^2 (matrizes caprinas e ovinas, reprodutores) por animal (GonÁalves, 2002).

Fig. 8. LocalizaÁ„o da ·rea de lazer com saleiro e bebedouro em ·rea de pastagem cultivada.

Tipo de Animal Todos os investimentos feitos para a montagem de um sistema rotativo de pastagem tÍm o objetivo de fornecer as condiÁıes necess·rias para que os animais possam dar a melhor resposta em termos produtivos. Para tanto, os animais utilizados nesse sistema devem ter caracterÌsticas peculiares de um animal bom produtor de carne e pele.

Em geral, o uso da lotaÁ„o rotativa traz mais benefÌcios para animais de alta produÁ„o, por que este tipo de animal necessita de maiores quantidades de alimento de boa qualidade para maximizar seu potencial de produÁ„o. Animais Ω sangue de raÁas com aptid„o para produÁ„o de carne como as raÁas ovinas Santa InÍs, Dorper e Somalis e as raÁas caprinas Boer (Fig. 9), Savana e Kalahari apresen- tam melhores respostas em ganho de peso que as raÁas naturalizadas. No entanto, È possÌvel encontrar animais com diferentes graus de sangue ou atÈ mesmo SRDs com boa conformaÁ„o para a produÁ„o de carne.

Fig. 9. Animais Ω sangue Boer:SRD em ·rea de terminaÁ„o em pasto.

Foto: Ana Clara R. Cavalcante

Foto: Ana Clara R. Cavalcante

Os animais devem estar saud·veis e um esquema de manejo sanit·rio deve ser adotado de modo a permitir que os animais se mantenham saud·veis e produtivos no sistema.

Controle Sanit·rio do Rebanho O principal problema sanit·rio diagnosticado nos sistemas de produÁ„o a pasto s„o as verminoses.

A rotaÁ„o de pastagem È freq¸entemente referida como forma de diminuir a populaÁ„o de larvas de nematÛdeos no pasto, mas nem sempre isto È verdade (Amarante, 2001). As pastagens utilizadas de forma rotacionada por caprinos e ovinos permanecem em descanso por perÌodos que variam de 20 a 35 dias. Este perÌodo de descanso, na maioria das situaÁıes, È muito curto para permitir reduÁ„o significativa da contaminaÁ„o do pasto. As larvas infectantes podem sobreviver durante v·rias semanas ou atÈ mesmo meses no ambiente, dependendo das condiÁıes clim·ticas. Por essa raz„o, a rotaÁ„o de pastagens, com freq¸Íncia, pode resultar justamente no contr·rio do que se esperaria em termos de descontaminaÁ„o. Como a rotaÁ„o permite aumentar o n˙mero de animais em uma ·rea, pode ocorrer, na verdade, aumento da contaminaÁ„o. Portanto, a vigil‚n- cia em relaÁ„o ‡ verminose dever· ser redobrada quando esses mÈtodos de pastejo s„o empregados.

Em algumas circunst‚ncias, esse sistema de manejo pode ter algum efeito benÈfico especialmente nos perÌodos do ano com temperatura ambiental elevada. As temperaturas elevadas, ao mesmo tempo em que aceleram o desenvolvi- mento larval (ovo atÈ larva infectante), podem reduzir o tempo de sobrevivÍncia das larvas no ambiente.

Cunha et al. (2000) alertaram que o perÌodo de ocupaÁ„o n„o deve ser superior a 5 dias para que se minimize a exposiÁ„o dos animais ‡s larvas infectantes (L3), eclodidas naquele mesmo ciclo de pastejo (auto-infectaÁ„o). Segundo os autores, quando a populaÁ„o de larvas infectantes È significativa os animais j· se encontram em outros piquetes.

Recomenda-se que, regularmente, seja feito exame para contagem do n˙mero de ovos por grama de fezes, o exame de OPG, que deve ser realizado em 10% a 20% dos animais do rebanho. A freq¸Íncia de realizaÁ„o deste exame pode variar de acordo com a categoria animal, mensalmente para animais na fase de terminaÁ„o e a cada trÍs meses para matrizes. A vermifugaÁ„o deve ser realizada quando o OPG apresentar um valor superior a 800 (Pereira, 1976). No Nordeste brasileiro, em ·rea semi- ·rida, sob irrigaÁ„o, o uso deste esquema preventivo tem possibilitado intervalos entre vermifugaÁıes de atÈ 120 dias (Neiva & C‚ndido, 2003). … importante lembrar que um vermÌfugo do mesmo grupo quÌmico n„o pode ser utilizado em um mesmo rebanho por mais de um ano,

pois, pode acarretar em resistÍncia ao princÌpio, o que levaria a baixa eficiÍncia do uso do medicamento para o controle da verminose.

Recentemente, tem sido utilizado para controle de verminoses o mÈtodo Famasha. Nesse mÈtodo somente os animais que apresentam Ìndices altos de verminose, de acordo com a observaÁ„o da mucosa ocular, s„o vermifugados. Seu uso traz uma reduÁ„o no uso de vermÌfugo em relaÁ„o ao exame de OPG. No entanto, em sistemas de uso intensivo do pasto esse mÈtodo ainda est· sendo validado.

Assessoria TÈcnica A introduÁ„o de novas tecnologias em qualquer sistema de produÁ„o deve ser acompanhada de recomendaÁıes tÈcnicas e da presenÁa de um profissional competente para orientar o produtor na fase de implantaÁ„o e funcionamen- to do sistema, com o propÛsito de reduzir riscos e perdas na eficiÍncia tÈcnica e econÙmica do sistema.

A assessoria tÈcnica deve ser vista pelo produtor como um investimento. Por vezes produtores n„o dispıem deste apoio por falta de recurso financeiro, mas independente de aÁıes governamentais, grupos de produtores podem se reunir para a contrataÁ„o dos serviÁos de um tÈcnico que os assessore.

Etapas para ImplantaÁ„o de Pasto Cultivado para Uso Rotacionado

Preparo da ¡rea Basicamente, necessita-se que seja feita a araÁ„o e gradagem da ·rea (Fig. 10). Em ·rea de mata fechada, proceder o desmatamento. Neste caso, deixar algumas ·rvores para serem utilizadas como sombra.

AlÈm das pr·ticas de araÁ„o e gradagem, importantes para preparar o solo para o plantio, a adubaÁ„o È um ponto chave para o sucesso do sistema. … importante que seja feita a correÁ„o dos nutrientes que est„o em dÈficit no solo.

A adubaÁ„o deve ser feita sempre tendo por base o resultado da an·lise de solo.

Fig. 10. Preparo de ·rea ñ araÁ„o.

Foto: Ana Clara R. Cavalcante

Semeadura A quantidade de sementes a ser utilizada por hectare È funÁ„o principalmente de seu valor cultural (VC). O valor cultural È um par‚metro para se calcular a quantidade de sementes necess·rias em um plantio. O valor cultural representa a quantidade de sementes puras que germinam em uma determinada amostra, sendo ent„o, funÁ„o da pureza e germinaÁ„o das sementes e, È expresso em % como pode ser visto na fÛrmula abaixo.

VC (%) = Pureza X % GerminaÁ„o /

Pela legislaÁ„o atual vigente ((lei 10.711 de 05/08/03) o padr„o mÌnimo de pureza È de 40%.

Para calcular o n˙mero de sementes, utilizar a fÛrmula:

Kg de sementes /ha = FATOR/ VC,

Para Panicum maximum os fatores est„o relacionados na Tabela 6.

Tabela 6. Tabela de Fatores para Panicum maximum.

CondiÁıes Linha/manual ¿ laÁo AÈreo Ideais 160 200 300 MÈdias 180 220 360 Adversas 200 240 360

Tempo de plantio

Fonte: Matsuda (2005).

Exemplo de determinaÁ„o de quantidade de semente para plantio de Tanz‚nia

Kg de sementes /ha = FATOR/ VC

VC = 25%

Fator = 220

Logo,

Kg de sementes /ha = 220/25 = 8,

Divis„o da ¡rea em Piquetes No uso da lotaÁ„o rotativa como mÈtodo de pastejo, a ·rea È subdividida em piquetes. A determinaÁ„o do n˙mero de piquetes, tamanho e formato dos mesmos, s„o aspectos importantes para o bom funcionamento do sistema.

N˙mero de piquetes

O n˙mero de piquetes È obtido utilizando-se a fÛrmula:

NP = (perÌodo de descanso/perÌodo de permanÍncia) + n˙mero de grupos de animais

Exemplo de c·lculo de n˙mero de piquetes para o capim- tanz‚nia:

PPe = 3 dias

PD = 27 dias

N. grupos de animais = 01

NP = (27/3) + 1 = 10 piquetes

Tamanho dos piquetes

O tamanho dos piquetes È a raz„o entre o tamanho total da ·rea que ser· utilizada e o n˙mero de piquetes. Se consi- derar que a ·rea utilizada ser„o dois hectares, para o exemplo acima os piquetes ter„o 2.000 m^2 (20.000m^2 / 10). Os piquetes podem ter a dimens„o de 40 m x 50 m.

Formato dos piquetes

Os piquetes devem ter formato mais prÛximo do quadrado, sendo aceit·veis as formas retangulares. Este formato visa aproveitar melhor a ·rea disponÌvel, alÈm de facilitar a instalaÁ„o de sistemas de irrigaÁ„o. Como pode ser visto na Tabela 7, os formatos mais prÛximos do quadrado s„o mais econÙmicos em termos de necessidade de cerca.

Dimensıes do piquete (m) Tamanho da cerca (m) 100 x 100 400 80 x 125 410 50 x 200 500 25 x 400 850 12,5 x 800 1625

Tabela 7. Comprimento de cercas para piquetes de um hectare com diferentes formatos.

Fonte: Schuch (2002).

ImplantaÁ„o de Sistema de IrrigaÁ„o Caso o produtor j· disponha de algum sistema de irrigaÁ„o ele deve analisar a possibilidade de continuar utilizando o mesmo sistema para irrigar o pasto.

Se o produtor for adquirir o sistema, procurar utilizar um sistema que:

  • Seja eficiente no uso da ·gua e da energia;
  • Seja de f·cil manejo;
  • Otimize o uso da m„o-de-obra.

Atualmente, especificamente para pastagens, tem sido

utilizado o sistema de irrigaÁ„o fixo com uso de baixa press„o com distribuiÁ„o em malhas. Neste tipo de sistema, os pontos de subida da ·gua s„o distribuÌdos geometricamente em toda ·rea, interligados pela tubulaÁ„o. O sistema È fixo mudando apenas os aspersores.

Fig. 11. Seq¸Íncia de implantaÁ„o de sistema de irrigaÁ„o da esquerda para direita - abertura de valas, montagem de tubulaÁ„o dentro das valas, vis„o da tubulaÁ„o apÛs implantaÁ„o, aspersor funcionando contendo um manÙmetro utilizado para aferir a press„o na instalaÁ„o do sistema.

As tubulaÁıes s„o fixadas entre 30 cm e 50 cm abaixo da superfÌcie do solo. As vantagens deste sistema s„o:

  • baixo custo de implantaÁ„o, pois o sistema utiliza materiais mais baratos como tubos de PVC tipo ìcapsî para os pontos de subida;
  • otimizaÁ„o do uso da ·gua;
  • facilidade de manejo tendo em vista que a tubulaÁ„o È fixa, mudando apenas os aspersores de lugar; com isso, os custos com m„o-de-obra para operar o sistema tambÈm s„o reduzidos;
  • a possibilidade de utilizaÁ„o de um timer e adoÁ„o do hor·rio do irrigante reduz o custo com energia elÈtrica em atÈ 80%.

O custo para implantaÁ„o de 10 ha de pasto nesse sistema varia de R$ 1.500,00 a R$ 3.000,00 por hectare. Considerando apenas um hectare estes custos podem triplicar. Trabalhos de pesquisa utilizando este sistema tem apontado que 3 ha seria a ·rea mÌnima para que esse sistema seja economicamente vi·vel.

Manejo de um Sistema de Pastejo sob LotaÁ„o Rotativa

Os animais devem ser pesados e vermifugados antes de entrarem no pasto e devem permanecer no piquete durante o perÌodo de tempo prÈ-determinado, que varia de um a cinco dias.

Caso o pasto n„o disponha de sombra, È necess·ria a criaÁ„o de uma ·rea de lazer onde o animal possa ficar nas horas mais quentes do dia. Na ·rea de lazer coloca-se o bebedouro e o saleiro. ¡gua e sal devem estar ‡ disposi- Á„o dos animais durante todo perÌodo de terminaÁ„o.

Mensalmente, È recomend·vel proceder a pesagem dos animais para acompanhamento do desenvolvimento ponderal, bem como para a identificaÁ„o de falhas de manejo e monitoramento dos aspectos gerais sanit·rios do rebanho.

A altura do pasto È uma ferramenta de manejo do pastejo de f·cil compreens„o por parte dos produtores e que visa melhor utilizaÁ„o do pasto pelos animais e uma recupera- Á„o adequada do mesmo apÛs o pastejo. A altura do pasto de capim-tanz‚nia e de outras forrageiras cespitosas, deve ser de 0,6-0,8 m quando os animais forem entrar no piquete (Fig. 12a). Quando os animais saÌrem do piquete esta altura deve estar entre 25-30 cm (Fig. 12b). Ajustes na lotaÁ„o devem ser feitos para se conseguir estas alturas. Em sistemas intensivos a taxa de lotaÁ„o para Panicum (tanz‚nia e mombaÁa) varia de 60-80 cordeiros por hectare. Para gramÌneas menos produtivas (Tabela 1), essa lotaÁ„o pode ser de, no m·ximo, 30 cordeiros/ha.

Fig. 12a. Piquete de tanz‚nia no primeiro dia de pastejo.

Fig. 12b. Piquete de tanz‚nia no˙ltimo dia de pastejo.

Desempenho Animal de Ovinos e Caprinos em LotaÁ„o Rotativa

O rendimento de peso vivo (PV) de ovinos em pastagem irrigada sob lotaÁ„o rotativa no semi-·rido pode ser superior a 2500 kg/ha x ano, chegando perto de 3000 kg/ha x ano, com ganho mÈdio di·rio em torno de 100g/ cab.(Silva et al., 2004). Tais valores, proporcionalmente,

Foto: Ana Clara R. Cavalcante

Foto: Ana Clara R. Cavalcante

Foto: Ana Clara R. Cavalcante

hT = horas-trator; dH = dias-homem; hH = horas-homem; a com trator de 50 cv; b Referem-se ao capim tanz‚nia, pois para o capim gram„o utilizaram-se mudas, cujos custos de obtenÁ„o est„o incluÌdos na m„o-de-obra para o plantio; c Considerando-se vida ˙til de 20 anos para a cerca, 5 anos para o saleiro e bebedouro, 10 anos para a pastagem propriamente dita. Fonte: Wander et al. (2002).

Custos Unidade PreÁo (R$) Quant. Total (R$) Quant. Total (R$) ImplantaÁ„o Preparo da ·rea Gradagema^ hT 30,00 2 60,00 1,5 45, Sementesb^ kg 4,00 - - 10 40, Cercamento Grampos kg 2,30 2 4,60 2 4, Moirıes Um 2,00 13 26,00 13 26, Estacas Uma 0,50 65 32,50 65 32, Tela de arame liso 50m 130,00 13 1.690,00 13 1.690, Saleiro e bebedouro Um 40,00 1 40,00 1 40, M„o-de-obra Plantio dH 8,00 12 96,00 8 64, InstalaÁ„o de cercas dH 8,00 10 80,00 10 80, Total de custos de implantaÁ„o 2.029,10 2.0022, Custos de implantaÁ„o por anoc^ 115,26 114, ManutenÁ„o (por ano) IrrigaÁ„o ¡gua m^3 0,09 1.800 162,00 1.800 162, Energia elÈtrica kwh 0,08978 1.350 121,20 1.350 121, AdubaÁ„o de manutenÁ„o Sulfato de amÙnia kg 0,64 172 110,08 172 110, Cloreto de pot·ssio kg 0,76 100 76,00 100 76, M„o-de-obra AdubaÁ„o hH 1,00 22 22,00 22 22, ManutenÁ„o e reparo de cercas % 5 91,66 5 91, Total de custos de manutenÁ„o 582,94 582, Custos total de pastagem por lote 158,68 158,

Capim-gram„o Capim-tanz‚nia

Tabela 8. Custos de implantaÁ„o e manutenÁ„o de 1 ha de pastagem cultivada no Nordeste Brasileiro.

Vari·veis 40 cab/ha 60 cab/ha 40 cab/ha 60 cab/ha

Õndice de desempenho por animal

PerÌodo de desempenho por aninal 83 83 83 83

Lotes acabados por ano (n∫) 4,4 4,4 4,4 4, Peso vivo inicial (kg) 20,48 19,15 21,41 19, Peso vivo final (kg) 26,61 25,04 28,93 24, Ganho de peso total (kg) 6,13 5,89 7,52 5, Ganho de peso di·rio (g) 73,86 70,96 90,60 61, Peso de carcaÁa (kg) 11,05 9,92 11,50 10, Rendimento de carcaÁa (kg) 42,74 38,98 42,95 39, Receitas por lote (R$)a

Animais ìem pÈî (R$ 1,70/kg PV) 1.809,48 2.554,08 1.967,24 2.480,

Animais abatidos (R$ 4,00/kg carcaÁa) 1.646,40 2.208,00 1.712,00 2.296,

Despesas por lote (R$)

Compra de animais (R$ 1,75/kg PV) 1.433,60 2.010,75 1.498,70 2.018,

Pastagem cultivada (1 ha) 158,68 158,68 158,52 158,

Mistura mineral (cons. *R$ 0,86/kg) 86,61 82,94 70,03 70,

¡gua (consumo) (m^3 *R$ 0,09) 0,90 1,34 0,90 1,

VermÌfugo (1 aplic. *1ml/cab. *R$ 0,36/ml) 14,40 21,60 14,40 21,

M„o-de-obra (suplementaÁ„o, rodÌzios de piquetes

e vermifugaÁ„o) 52,28 52,48 52,28 52, Total de despesas/lote 1.746,46 2.327,79 7.794,82 2.322, Total de despesas/kg vivo 1,64 1,55 1,55 1, Total de despesas/kg carcaÁa 3,95 3,91 3,90 3, Lucro (R$) Vendas de animais ìem pÈî Lucro/kg vivo 0,06 0,15 0,15 0, Lucro/animal 1,58 3,77 4,31 2, Lucro/lote 63,02 226,29 172,42 158, Lucro/ha/ano 277,30 995,66 758,64 697, Venda dos animais pÛs-abate Lucro/kg de carcaÁa 0,05 0,09 0,10 0, Lucro/animal 0,54 0,88 1,13 3, Lucro/lote 21,54 53,01 45,18 202, Lucro/ha/ano 94,79 233,23 198,79 891,

Capim-gram„o (1 ha) Capim-tanz‚nia (1 ha)

Tabela 9. An·lise econÙmica da produÁ„o de carne de cordeiros em pastagem de capim-gram„o e capim-tanz‚nia com diferentes taxas de lotaÁ„o (mÛdulo de 1,0 ha).

Fonte: Wander et al. (2002). a (^) Os preÁos foram obtidos em 20/02/2002 junto a diversos frigorÌficos da regi„o Nordeste.

SCHUCH, V. R. Pastoreio racional Voisin na pr·tica. Agroecologia Hoje , v. 1, n. 13, p. 26-27, mar./abr., 2002.

SILVA, R. G.; C¬NDIDO, M. J. D.; NEIVA, J. N.; FARI- AS, S. F.; BENEVIDES, Y. I.; L‘BO, R. N. B. Desempe- nho produtivo de ovinos terminados em pastagem de Panicum maximum cv. Tanz‚nia sob irrigaÁ„o. In: REU- NI√O ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 41., 2004, Campo Grande. A produÁ„o animal e seguranÁa alimentar : anais. Campo Grande: Sociedade Brasileira de Zootecnia; Embrapa Gado de Corte,

  1. 1 CD ROM.

S“RIO, A. TerminaÁ„o de cordeiros e cabritos em pasta- gem. In SIMP”SIO INTERNACIONAL SOBRE o AGRONEG”CIO DA CAPRINOCULTURA LEITEIRA, 1.;

Exemplares desta ediÁ„o podem ser adquiridos na: Embrapa Caprinos EndereÁo : Estrada Sobral/GroaÌras, km 04, Caixa Postal - D10, CEP - 62.011-970 - Sobral/CE Fone : (0xx88) 3677- Fax : (0xx88) 3677- www.cnpc.embrapa.br [email protected]

Vers„o on line - Dezembro de 2005

Presidente : DiÙnes Oliveira dos Santos Secret·ria Executiva : Ana Clara Rodrigues Cavalcante Membros : Alexandre CÈsar Silva Marinho, JosÈ Ubiraci Alves, Marcelo Renato A. Ara˙jo e Tania Maria Chaves Campelo

Supervisor editorial : Alexandre CÈsar Silva Marinho. NormalizaÁ„o bibliogr·fica: Tania Maria C. Campelo. Revis„o de texto : JosÈ Ubiraci Alves EditoraÁ„o eletrÙnica : Alexandre CÈsar Silva Marinho

ComitÍ de publicaÁıes

Expediente

Circular TÈcnica, 31

SIMP”SIO INTERNACIONAL SOBRE CAPRINOS E

OVINOS DE CORTE, 2., 2003, Jo„o Pessoa. Anais... Jo„o Pessoa: EMEPA, 2003. p. 623-633.

SOUSA, F. B. de; CARVALHO, F. C. de; ARA⁄JO FILHO, J. A. de; Capim-gram„o : uma opÁ„o para o nordeste brasileiro. Sobral: EMBRAPA-CNPC, 1998. 15 p. (EMBRAPA-CNPC. Circular TÈcnica, 14).

TEIXEIRA, G. A.; OLIVEIRA, M. E. de; SOUSA J⁄NIOR, A.; LUSTOSA, J. L.; B. NETO, A. C.; S¡, i. S.; NASCIMENTO, M. do S. B. Desempenho de ovinos sem raÁa definida em pastagens dos capins Brizanta, Tifton-85 e Tanz‚nia. In: REUNI√O ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 40., 2003, Santa Maria. Anais... Santa Maria: Sociedade Brasileira de Zootecnia, 2003. 3 f. 1 CD-ROM.