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propagação de erro, Notas de estudo de Geologia

Cálculo de propagação de erro

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 23/05/2009

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PROBABILIDADES E ESTATÍSTICA
(LEQ, LEB E LQ)
NOTAS
SOBRE
ERROS E PROPAGÃO DE ERROS
DE
CARLOS DANIEL PAULINO
E
PAULO SOARES
SETEMBRO DE 2004
SECÇÃO DE ESTATÍSTICA E APLICAÇÕES
DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA
INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO
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PROBABILIDADES E ESTATÍSTICA

(LEQ, LEB E LQ)

NOTAS

SOBRE

ERROS E PROPAGAÇÃO DE ERROS

DE

CARLOS DANIEL PAULINO

E

PAULO SOARES

SETEMBRO DE 2004

SECÇÃO DE ESTATÍSTICA E APLICAÇÕES

DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA

INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO

cuidado deve ser colocado na sua detec¸c˜ao e, quando presentes, devem ser corrigidos (ou compensados) ou pelo menos minimizados, o que pode ser feito mediante a realiza¸c˜ao de ensaios em branco ou ensaios de calibra¸c˜ao.

Os erros acidentais s˜ao erros devidos a causas que n˜ao se conhecem exactamente e que s˜ao respons´aveis por pequenas e irregulares varia¸c˜oes nas medi¸c˜oes realizadas. Estes erros de car´acter fortuito s˜ao alternativamente denominados de erros alea- t´orios, justificando que v´arias medi¸c˜oes difiram algo umas das outras, em qualquer dos sentidos. A sua elimina¸c˜ao ´e naturalmente de todo imposs´ıvel embora possam ser atenuados `a custa de uma maior morosidade e/ou encarecimento dos ensaios.

O efeito dos dois tipos de erros referidos encontra-se ilustrado na Figura 1. A presen¸ca de um erro sistem´atico faz com que o conjunto de valores experimentais se afaste de μ 0 e a ac¸c˜ao de outras causas desconhecidas introduz um erro aleat´orio que provoca a dispers˜ao desses valores em torno de um valor m´edio μ 6 = μ 0 , tamb´em desconhecido. Ao erro aleat´orio atribui-se uma distribui¸c˜ao de probabilidade, sendo usual, na pr´atica, adoptar-se distribui¸c˜oes Normais cuja justifica¸c˜ao n˜ao ´e alheia a um importante resultado da Teoria da Probabilidade que d´a pelo nome de Teorema Limite Central (aflorado no Cap. 5 do programa).

Figura 1: Representa¸c˜ao esquem´atica dos erros sistem´aticos e acidentais.

A an´alise do efeito dos dois tipos de erros supracitados materializa-se na avalia¸c˜ao da exactid˜ao e da precis˜ao do m´etodo experimental. Note-se que, muitas vezes, os termos exactid˜ao e precis˜ao s˜ao erradamente usados como sin´onimos na linguagem quotidiana (e em alguma da linguagem t´ecnica).

A chamada exactid˜ao (accuracy) do m´etodo de determina¸c˜ao de μ 0 tem precisa- mente que ver com a magnitude dos erros sistem´aticos no sentido em que reflecte a propriedade de fiabilidade dos resultados da aplica¸c˜ao daquele m´etodo. Este ser´a tanto menos inexacto quanto menor for a diferen¸ca entre os seus resultados (que reflectem de algum modo o valor esperado de X) e o verdadeiro valor μ 0.

Como medidas de exactid˜ao tˆem-se os erros simples, absolutos e relativos. O erro simples de uma determina¸c˜ao x ´e definido por d = x − μ 0 , sendo o erro absoluto dado por |x − μ 0 |. Ambos se exprimem nas mesmas unidades de X (e.g., em % ou g/l). A razoabilidade da sua magnitude depende naturalmente da ordem de grandeza de μ 0. Por exemplo, na determina¸c˜ao da percentagem de um dado elemento numa dada substˆancia, |d| = 0.05% ser´a um valor substancial quando μ 0 = 0.01% mas j´a n˜ao o ´e quando μ 0 = 60%. Da´ı o recurso ao erro relativo e = |d/μ 0 |, para μ 0 6 = 0, que ´e uma medida adimensional habitualmente expressa em % ou em partes por mil. Quando h´a v´arias determina¸c˜oes os erros associados ao m´etodo podem definir-se pelas express˜oes correspondentes substituindo x pela m´edia ¯x dos resultados dessas determina¸c˜oes.

Nota 1: As express˜oes acima para os erros pouca utilidade tˆem em geral pelo facto de μ 0 ser desconhecido. Uma excep¸c˜ao ocorre quando na avalia¸c˜ao de um m´e- todo anal´ıtico se usa uma amostra padr˜ao de caracter´ısticas conhecidas. Na pr´atica usam-se valores aproximados obtidos substituindo μ 0 em d pelo valor referente a uma amostra padr˜ao, se dispon´ıvel, ou pelo valor obtido na amostra corrente por um m´e- todo comprovadamente bem estabelecido, se existente. Por vezes, μ 0 ´e substitu´ıdo no denominador de e pelo pr´oprio x, ou pela m´edia ¯x dos resultados de um prefe- rencialmente grande n´umero de determina¸c˜oes, pr´atica tanto menos recomend´avel quanto mais inexacto se esperar que seja o m´etodo.

Note-se que se se substituir em d e e μ 0 por ¯x as medidas resultantes j´a n˜ao reflectem a exactid˜ao mas sim a precis˜ao, pois os erros sistem´aticos ser˜ao eliminados em x − ¯x que, por isso, envolve apenas os erros acidentais. 

Nota 2: Em face do exposto a avalia¸c˜ao da exactid˜ao de um m´etodo exige o co- nhecimento de μ 0. Uma forma de avaliar em termos aproximados se um m´etodo ´e exacto ser´a vista no Cap. 8 do programa atrav´es da formula¸c˜ao da hip´otese incisiva de que o valor m´edio da quantidade X determinada por esse m´etodo coincide com o valor μ 0 , e da adop¸c˜ao de um crit´erio de compara¸c˜ao desse valor com a m´edia dos valores experimentais obtidos com esse m´etodo (e.g., o teste sobre o valor esperado de uma distribui¸c˜ao Normal). Se esta m´edia emp´ırica estiver significativamente afas- tada daquele valor hipot´etico, h´a ind´ıcios de que o m´etodo n˜ao dever´a ser exacto (atente-se, no entanto, que a discrepˆancia entre ¯x e o valor postulado para μ poder´a tamb´em ser devida a erros acidentais, e n˜ao s´o a erros sistem´aticos). 

A chamada precis˜ao (precision) do m´etodo de determina¸c˜ao da quantidade μ 0 (ou precis˜ao de X) est´a associada com a maior ou menor concordˆancia entre os

Exerc´ıcio 1^1 : Uma amostra padr˜ao de soro sangu´ıneo cont´em 42.0g de albumina por litro. Cinco laborat´orios fazem cada um 6 determina¸c˜oes da concentra¸c˜ao de albumina (em g/l) com os seguintes resultados.

A 42.5 41.6 42.1 41.9 41.1 42. B 39.8 43.6 42.1 40.1 43.9 41. C 43.5 42.8 43.8 43.1 42.7 43. D 35.0 43.0 37.1 40.5 36.8 42. E 42.2 41.6 42.0 41.8 42.6 39.

Comente sobre a precis˜ao e exactid˜ao de cada um deste conjuntos de resultados.

(R: A – preciso e exacto; B – impreciso e exacto; C – preciso e inexacto; D – impreciso e inexacto; E – preciso e exacto se o valor aberrante (outlier ) for considerado esp´urio e, como tal, removido.) 

2. Propaga¸c˜ao de erros acidentais

Num trabalho experimental a quantidade escalar de interesse, agora denotada por Y , ´e uma vari´avel aleat´oria medida indirectamente a custa de outra(s) vari´avel(is) aleat´oria(s). Tem assim importˆancia avaliar (pelo menos, aproximadamente) a pre- cis˜ao na sua medi¸c˜ao, ou mais geralmente, a sua distribui¸c˜ao de probabilidade,a custa da correspondente caracter´ıstica das vari´aveis de que ´e fun¸c˜ao.

A determina¸c˜ao exacta destas caracter´ısticas de Y apresenta, em geral, grandes dificuldades de ordem anal´ıtica. Por exemplo, se Y = g(X) ´e uma fun¸c˜ao cont´ınua complicada da vari´avel aleat´oria cont´ınua X, a avalia¸c˜ao de

E(Y ) =

−∞

g(x)fX (x)dx

est´a longe, em geral, de ser tranquila. A fortiori, o mesmo acontece se Y for uma fun¸c˜ao complicada de duas ou mais vari´aveis. Contudo, se Y for uma fun¸c˜ao ma- tematicamente bem comportada ´e poss´ıvel obter express˜oes anal´ıticas aproximadas para a sua m´edia e variˆancia em particular, sem grande esfor¸co. E isto que se indica´ nos resultados seguintes.

Proposi¸c˜ao 1. Seja X uma vari´avel aleat´oria com valor m´edio μ e variˆancia σ^2 e Y = g(X) uma fun¸c˜ao continuamente diferenci´avel (pelo menos at´e `a 3a^ ordem) em (^1) Fonte: Miller and Miller (1993). Statistics for Analytical Chemistry. 3rd (^) ed.. Ellis Horwood. Chichester.

x = μ. Ent˜ao E(Y ) ' g(μ) + g′′(μ)σ^2 / 2 V ar(Y ) ' [g′(μ)]^2 σ^2.

Dem. (esbo¸co): Expandindo g(x) para qualquer ponto do seu dom´ınio numa s´erie de Taylor de 2a^ ordem em torno de μ tem-se

Y = g(μ) + g′(μ)(X − μ) + g′′(μ)(X − μ)^2 /2 + R 2

onde o resto de ordem 2, R 2 , ´e uma quantidade desprez´avel quando comparada com (x − μ) `a medida que x −→ μ. Desprezando esta quantidade e tomando o valor esperado de ambos os membros, obt´em-se a 1a^ rela¸c˜ao.

Considerando agora a expans˜ao de Taylor de 1a^ ordem de g(·) tem-se

Y = g(μ) + g′(μ)(X − μ) + R 1

De novo desprezando o resto, R 1 , de 1a^ ordem e aplicando o operador variˆancia a ambos os membros, obt´em-se a 2a^ rela¸c˜ao. 

Observa¸c˜ao: Se se usar a expans˜ao de 1a^ ordem para a avalia¸c˜ao de E(Y ) obt´em-se a aproxima¸c˜ao menos precisa E(Y ) ' g(μ) que, em certos casos, pode coincidir praticamente com a do resultado anterior.

Exemplo: Seja μ = 0.501 e σ = 0.001 o valor m´edio e o desvio padr˜ao da transmi- tˆancia X de uma solu¸c˜ao (raz˜ao entre a intensidade da luz transmitida e a intensi- dade da luz incidente). Ent˜ao o valor m´edio e o desvio padr˜ao da absorvˆancia dessa solu¸c˜ao, Y = − log X (log denota logaritmo decimal) s˜ao aproximadamente dados por

E(Y ) ' − log 0.501 +

2 × 0. 5012 ×^10

− 6 = 0.300 + 0. 865 × 10 − 6 ' 0. 300

σ(Y ) ' (0. 4343 / 0 .501) × 10 −^3 = 8. 6710 −^3 ,

onde 0.4343 = 1/ ln 10 = log e (note-se que (log u)′^ = (^) u ln 10u′ e (log u)′′^ = uu

′′−(u′) 2 u^2 ln 10 ). Como a concentra¸c˜ao da substˆancia em quest˜ao na referida solu¸c˜ao ´e uma fun¸c˜ao linear da absorvˆancia, segundo a lei de Lambert-Beer, facilmente se obtˆem neste pressuposto as express˜oes da m´edia e da variˆancia da concentra¸c˜ao com base em E(Y ) e V ar(Y ). 

Proposi¸c˜ao 2. Seja (X 1 , X 2 ) um par aleat´orio com valores m´edios μi = E(Xi), des- vios padr˜oes σi =

V ar(Xi), i = 1, 2 e covariˆancia σ 12 = E [(X 1 − μ 1 )(X 2 − μ 2 )], e

Dem.: Omitida (basta seguir o racioc´ınio da demonstra¸c˜ao da proposi¸c˜ao anterior, com base nas expans˜oes de Taylor de uma fun¸c˜ao de n vari´aveis reais). 

Nota 4: Como os parˆametros indicados de Xi s˜ao geralmente desconhecidos as f´ormulas anteriores s˜ao usadas na pr´atica substituindo {μi},{σ i^2 } e {σij } pelas suas contrapartidas amostrais obtidas das m, digamos, determina¸c˜oes xik das vari´aveis Xi, respectivamente dadas por ¯xi =

k xik/m,^ s^2 i^ =^

∑^ k^ (xik^ −^ ¯xi)^2 /(m^ −^ 1) e^ sij^ = k (xik^ −^ ¯xi)(xjk^ −^ x¯j^ )/(m^ −^ 1), e encarando os correspondentes segundos membros como aproxima¸c˜oes da m´edia e da variˆancia das decorrentes determina¸c˜oes yk = g(x 1 k,... , xnk) de Y. As respectivas express˜oes do desvio padr˜ao (ou da variˆancia ou do coeficiente de varia¸c˜ao) exprimem a denominada lei de propaga¸c˜ao (ou da acumula¸c˜ao) dos erros (acidentais).

Exerc´ıcio 2: Demonstre os resultados aproximados abaixo discriminados relativos a fun¸c˜oes que surgem frequentemente em an´alises qu´ımicas (a, b e n s˜ao constantes):

Y E(Y ) σ(Y ) Y = a + bXn^ a + bμn^ + bn(n 2 − 1)μn−^2 σ^2 bnμn−^1 σ Y = ea(X−b)^ ea(μ−b)^ + a 22 ea(μ−b)σ^2 aea(μ−b)σ Y = aX 1 X 2 a (μ 1 μ 2 + σ 12 ) a

√ μ^22 σ^21 + μ^21 σ^22 + 2μ 1 μ 2 σ 12 Y = aX 1 /X 2 ∗^ a

( (^) μ 1 μ 2 +^

σ^22 μ 1 μ^32 −^

σ 12 μ^22

) (^) a μ 2

√ σ^21 + σ^2 μμ 2221 − 2 σ^12 μ 2 μ^1 Y = aX 1 X 2 /(X 3 X 4 ) ∗∗^ a μ μ^13 μμ^24 a μ μ^13 μμ^24

√∑ 4 i=1 (σi/μi)^2

  • (μ 2 > 0); ** ({Xi} indep., {μi > 0 }) 

Quando se reconhece a existˆencia de erros sistem´aticos e, n˜ao sendo poss´ıvel elimin´a- -los, se consegue majorar alguma das medidas de exactid˜ao mencionadas, ent˜ao tamb´em se pode analisar a propaga¸c˜ao desses erros ao longo dos v´arios c´alculos mas a sua acumula¸c˜ao segue regras diferentes pelo facto de estes erros ocorrerem num sentido definido (e conhecido), enquanto os erros aleat´orios podem neutralizar-se numa certa medida. Com efeito, se as determina¸c˜oes de X 1 e X 2 forem afectadas de um erro sistem´atico de +1, o erro sistem´atico acumulado em Y = X 1 + X 2 ser´a de +2. Por´em, se X 1 e X 2 forem afectadas de um erro aleat´orio de ±1, o erro aleat´orio acumulado em Y n˜ao ´e ±2 porque poder´a haver determina¸c˜oes de X 1 e X 2 com erros aleat´orios de +1 e −1, respectivamente (ou vice-versa), resultando no cancelamento do erro na correspondente avalia¸c˜ao de Y.

Devido `a n˜ao aleatoriedade dos erros sistem´aticos, as regras da sua propaga¸c˜ao n˜ao ser˜ao aqui abordadas, pelo que se remetem os interessados neste t´opico para livros de An´alise Qu´ımica Quantitativa, por exemplo.