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descoberta sobre o alho
Tipologia: Notas de estudo
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Resumo: Bulbo comestível largamente utilizado em diferentes
culturas culinárias, o alho tem sido usado como medicamento desde
antes do nascimento de Cristo. Há registros de seu uso como
medicamento desde a época dos faraós. Mais recentemente, pesquisas
têm demonstrado alguns desses efeitos, principalmente em relação à sua
atividade imuno estimulante, antiaterosclerótica, anticancerígena e
antimicrobinana. Embora alguns dos resultados ainda sejam conflitantes
devido à falhas metodológicas, as evidências sugerem resultado positivo
contra várias enfermidades.
Introdução
Até Pasteur reconheceu que o alho era o agente bactericida em sua Placa
de Petri. Ao longo da história da ciência o alho teve várias aplicações.
Atualmente seu poder terapêutico é reconhecido pelo Ministério da Saúde
bem como pelo FDA. Além de seu uso culinário nas mais variadas
culturas, desde a Antiguidade é usado como medicamento para as mais
variadas moléstias. Os estudos científicos identificaram a presença de
vários compostos que agem terapeuticamente no tratamento de
parasitoses , desconfortos gastrintestinais , dislipidemias , verminoses
(^1) Nutricionista funcional e fitoterapeuta
intestinais ,na doença hipertensiva, cardiovascular, câncer, além das
atividades antiinflamatória, antimicrobiana, e antiasmática.É conhecido
por vários nomes diferentes , dependendo da região em que é produzido
e consumido. Os nomes mais comuns são: alho-serpente , alho-bravo,
alho-hortense, alho-manso,alho-ordinário e alho-do-reino. Esta erva
odor forte e característico de alimentos ricos em compostos sulfurados.
Suas folhas são lineares e longas e suas flores são brancas ou
avermelhadas. O alho-da –terra , a cebolinha-de-cheiro e o alho-poró
são espécies deste mesmo gênero liliáceo. A maior concentração de
fitoquímicos terapêuticos encontra-se nos bulbos, popularmente
conhecidos como dentes de alho. Seu cultivo é adaptado às regiões mais
frias com período de dormência de dois meses. Quanto mais fria é a
temperatura maior é a concentração de fitoquímicos, pois a sua
concentração depende do quanto à planta responde às agressões
ambientais.
Composição e biodisponibilidade
Apesar do uso freqüente em todos os tipos de preparações culinárias,
principalmente nos países europeus, sua importância nutritiva na dieta é
reduzida por seu emprego ocorrer principalmente como condimento, em
pequenas quantidades.
Compostos sulfurados do alho Composto Possível atividade biológica Aliina Hipotensor, hipoglicemiante Ajoeno (ajocisteína)
Prevenção de coágulos, antiinflamatório, vasodilatador, hipotensor, antibiótico Alicina e tiosulfinatos
Antibiótica,antifúngica, antiviral Alil maercaptano hipocolesterolemiante S-alil-cisteína e compostos γ- glutâmico
Hipocolesterolemiante, antioxidante, quimioprotetor frente ao câncer Sulfeto dialil Hipocolesterolemiante
Compostos não sulfurados do alho Composto Possível atividade biológica Adenosina Vasodilatadora, hipotensora, miorelaxante Fructanos (Escorodosa)
Cardioprotetora
Fração protéica F-
Imunoestimulante
Quercetina Antialergênica Saponinas (gitonina F, eurobósido B)
Hipotensora, antimicrobiana
Escordinina Hipotensora, aumenta a utilização de B1, antibacteriana Selênio Antioxidante Ácidos fenólicos Antiviral e antibacteriana Saponinas Anticancerígena* Fonte: García-Gómez & Sánchez- Muniz (2000) e Matsuura (2001)
Fonte: García-Gómez & Sánchez-Muniz (2000)
A forma de utilização é fundamental para que haja a disponibilidade de fitoquímicos em concentrações suficientes para sua ação terapêutica.
Seu maior complicador é o sabor característico intenso que é dificulta o
seu consumo e é exalado inclusive pelo suor, em até 72 horas após o consumo.Até o presente momento foram identificados cerca de 30
ingredientes do alho com efeito terapêutico para a saúde. O tipo e a
concentração dos compostos extraídos do alho dependem do seu grau de
maturação, práticas de produção de cultivo, localização na planta,
condições de processamento, armazenamento e manipulação. A maioria
dos componentes sulfurados não está presente nas células intactas.
Quando o alho é amassado, partido, cortado ou mastigado, vários de
seus componentes sulfurados são liberados no interior da célula vegetal.
A interação entre os vários compostos desencadeia reações em cadeia,
gerando um conjunto de componentes. Isso justifica a necessidade de
consumo imediatamente após o preparo, e sem que haja ação de calor ou
qualquer outro tipo de tratamento térmico , o que diminui muito as
concentrações dos fitoquímicos sulfurados em questão.
A biodisponibilidade também é um fator crítico já que algumas
substâncias ativas são extremamente voláteis (ex: ajoene). Estudos
investigando a ação do aquecimento sobre substâncias
anticarcinogênicas do alho mostraram que o aquecimento por
microondas por período de 60 segundos ou 45 minutos de forno pode
bloquear a capacidade de ligação de metabólitos carcinogênicos
sugerem permitir que o alho amassado repouse por 10 minutos antes do
aquecimento diminui as perdas.
Lau et al. (1987)
Colesterol e triglicérides
Extrato de alho envelhecido (Kyolic), cápsulas contendo 250g/L peso seco do componente ativo
Pacientes hiperlipidêmicos, randomizado
Efetivo
Warsha waky et al (1993)
Colesterol e pressão arterial
½ -1 dente de alho/dia redução de 9-12% do colesterol e 9% da PA Silagy & Neil (1994)
Pressão arterial
3 estudos c/redução da Pressão sistólica e 4 da pressão diastólica Silagy & Neil (1994)
Colesterol - Meta-análise de 16 estudos, 952 indivíduos, alho em pó (600- 900mg/dia) ou alho fresco (10- 20g/dia), de 1- meses
Redução de 12% do colesterol, a partir da 4a. semana
Morris et al (1995)
Agregação plaquetária
Extrato de alho Duplo-cego, randomizado, placebo- controlado
Sem efeito
Simons et al. (1995)
Lipídeos plasmáticos e lipoproteína s
Alho em pó (Kwai) 300 mg 3x/dia
Duplo-cego, randomizado, cross-over
Sem efeito
Neil et Colesterol 900 mg de alho Duplo-cego, Sem efeito
al (1996)
em pó com alicina padronizada (1,3%)
randomizado, 6 meses
Steiner et al. (1996)
Colesterol, Lipoproteína s e pressão arterial
Extrato de alho envelhecido (7, g), 6 meses
Duplo-cego, cross-over, homens moderadamente hipercolesterolêm icos
Redução de 6% no colesterol total, 4% na LDL e 5,5% na pressão sistólica
Morcos et al. (1997)
Modulação do perfil lipídico
Alho e óleo de peixe, 1 mês
40 indivíduos, cross-over, simples-cego, randomizado
Redução em 11% do colesterol, 34% dos triglicérides, 10% das LDL e 19% na razão colesterol/HDL Berthold et al (1998)
Lipoproteína s, absorção e síntese do colesterole
Óleo de alho destilado a vapor (5 mg, 2x/dia)
Duplo-cego, randomizado,
Sem efeito
Isaacsoh n et al (1998)
Colesterol 900 mg/dia de alho em pó (Kwai), 12 semanas
Randomizado, placebo- controlado, pacientes hipercolesterolêm icos
Sem efeito
McCridl e et al. (1998)
Colesterol, lipoproteína s, triglicérides, apolipoprot eína B- e A-I, liproteína
300 mg de extrato de alho, 3x/dia, 8 semanas
30 pacientes (8- 18 anos), hiperlipidêmicos (tipo familiar)
Sem efeito. Efeito apenas sobre os níveis de apolipoproteína A-I
incluindo: bloqueio da formação de compostos nitrosaminas,
hepatoproteção seletiva contra substancias carcinogênicas , supressão da
bioativação de vários carcinogênicos, aumento do reparo do DNA,
redução da proliferação celular e/ou indução da apoptose. Possivelmente
vários desses eventos ocorrem simultaneamente e a ação dos
componentes sulfurados parece ser influenciada por diversos
componentes da dieta. Por exemplo, a presença de selênio, seja como
parte da dieta, seja como componente do suplemento de alho, contribui
para aumentar a proteção contra a carcinogênese mamária induzida pelo
7,2 dimetilbenza(a)antraceno (DMBA).
Composto sulfurado com propriedade antineoplásica
Tipo de célula onde atua
Ajoene Linfócitos, células colônicas, leucemia Alicina Linfóide Dialil sufeto Próstata, leucócitos Dialil disulfeto Pulmão, cel. colônicas, pele, próstata, mama Dialil trisulfeto Pulmão S-alil cisteína Neuroblastoma, melanoma S-alilmercaptocisteína Próstata, mama Fonte: MILNER, 2001
O alho ainda possui importante ação antimicrobiana, inicialmente
descrita por Pasteur. Em 1944 Cavallito e Bailey testaram a ação
bactericida da alicina, com efeitos positivos na inibição do crescimento
de várias bactérias, tanto gram positivas quanto gram negativas. Porém,
com o desenvolvimento dos antibióticos durante a segunda guerra
mundial, os estudos com este enfoque foram abandonados até
recentemente, quando se renovou o interesse devido ao aparecimento de
que o alho age contra vírus, bactérias e fungo. Atualmente muitas
consumo de alho em quantidades superiores a um dente por dia pode
inclusive causar sintomas de má digestão , contraditoriamente ao seu uso
até a quantidade mencionada.
Conclusão
As evidências comprovam a eficácia terapêutica alho na prevenção das
mais diversas patologias. Mais pesquisas, com rigor metodológico só
corroborarão para determinar qual a melhor forma e dosagem
necessárias de alho para a obtenção desses efeitos. Como seu espectro
de uso é bastante amplo, a utilização de suplementos com concentração
de alicina , aliina e ajoeno pré-determinadas deve ser analisada e
somente validada com recomendação de profissional de saúde
capacitado.