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Sistema Hart de Comunicação
Tipologia: Notas de estudo
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Atualmente muito se fala em termos de redes fieldbus mas tem- se muitas aplicações rodando em HART (Highway Addressable Remote Transducer), tendo vantagens com os equipamentos in- teligentes e utilizando-se da comunicação digital de forma flexível sob o sinal 4-20mA para a parametrização e monitoração das informações.
Introduzido em 1989, tinha a intenção inicial de permitir fácil ca- libração, ajustes de range e damping de equipamentos analógicos. Foi o primeiro protocolo digital de comunicação bidirecional que não afetava o sinal analógico de controle.
Este protocolo tem sido testado com sucesso em milhares de apli- cações, em vários segmentos, mesmo em ambientes perigosos.O HART permite o uso de mestres: um console de engenharia na sala de controle e um segundo mestre no campo, por exemplo um laptop ou um programador de mão.
Em termos de performance, podemos citar como características do HART:
As especificações continuamente são atualizadas de tal forma a atender todas as aplicações.
Veremos a seguir alguns detalhes do protocolo HART.
As figuras 1 e 2 nos mostram como entender o HART facilmente.
Na figura 1, temos um loop de corrente analógica, onde os sinais de um transmissor variam a corrente que passa por ele de acordo com o processo de medição.O controlador detecta a variação de corrente através da tensão sob um resistor sensor de corrente. A corrente de loop varia de 4 a 20mA para freqüências usualmente menores que 10 Hz.
Figura 01 - Loop de corrente convencional
A figura 2 é baseada na figura 1, onde o HART foi acrescido.Agora ambas terminações do loop possuem um modem e um amplifi- cador de recepção, sendo que este possui alta impedância de tal forma a não carregar o loop de corrente. Note ainda que o trans- missor possui uma fonte de corrente com acoplamento AC e o controlador uma fonte de tensão com acoplamento AC. A chave em série com a fonte de tensão no controlador HART em ope- ração normal, fica aberta.No controlador HART os componen- tes adicionais podem ser conectados no loop de corrente, como mostrado ou através do resistor sensor de corrente. Do ponto de vista AC, o resultado é o mesmo, uma vez que a fonte de alimenta- ção é um curto-circuito. Note que o sinal analógico não é afetado, uma vez que os componentes adicionados são acoplados em AC. O amplificador de recepção freqüentemente é considerado como parte do modem e usualmente não é mostrado separadamen- te. Na fig.2 foi desenhado separadamente para mostrar como se deriva o sinal de tensão de recepção. O sinal de recepção não é somente AC, nem no controlador ou mesmo no transmissor.
Figura 02 - Loop de corrente acrescido o HART
Para enviar uma mensagem, o transmissor ao ligar sua fonte de corrente, fará com que se sobreponha um sinal de corrente de 1mA pico-a-pico de alta freqüência sobre o sinal analógico da cor- rente de saída. O resistor R no controlador converterá este sinal em tensão no loop e esta será amplificada no receptor chegando até ao demodulador do controlador(modem). Do mesmo modo, para enviar uma mensagem ao transmissor, o controlador fecha sua chave, conectando sua fonte de tensão que sobrepõe um ten- são de aproximadamente 500mV pico-a-pico através do loop.Esta é vista nos terminais do transmissor e encaminhada ao amplifi- cador e demodulador.Note que existe uma implicação na fig. que é que o mestre transmita como fonte de tensão enquanto o escravo, como fonte de corrente.A figura 3 mostra detalhes do sinal HART, sendo que as amplitudes podem variar de acordo com as impedâncias e capacitâncias de cada equipamento e perdas cau- sadas por outros elementos no loop.O HART se utiliza do FSK, chaveamento por mudança de freqüência(Frequency Shift keying), onde a freqüência de 1200 Hz representa o 1 binário e a de 2200 Hz, representa o 0 binário.Note que estas freqüências estão bem acima da faixa de freqüências do sinal analógico(0 a 10 Hz) de tal forma que não há interferências entre elas.Para assegurar uma comunicação confiável, o protocolo HART especifica uma carga total do loop de corrente, incluindo as resistências dos cabos, de no mínimo 230 Ohms e no máximo 1100 Ohms.
Figura 03 - Sinal HART
Equipamentos de campo e handhelds(programadores de mão) possuem um modem FSK integrado, onde via port serial ou USB de um PC ou laptop pode-se conectar uma estação externa- mente. A figura 4 mostra uma conexão típica entre um device Host e um equipamento de campo, onde usualmente se tem co- municação ponto-a-ponto.Veremos posteriormente, outros tipos de conexões. Em uma conexão do tipo ponto-a-ponto, como a
Figura 04 - Conexão de equipamentos mestres HART
da figura 4, é necessário que o endereço do equipamento seja configurado para zero, desde que se use o modo de endereço na comunicação para acessá-lo.
Em sistemas considerado grandes, pode-se utilizar-se de multi- plexadores para acessar grandes quantidades de equipamen- tos HART, como por exemplo na figura 5, onde o usuário de- verá selecionar o loop de corrente para comunicar via Host. Nesta situação em cascata, o host pode comunicar com vários equipamentos(mais do que 1000), todos com endereços zero.
O HART foi desenvolvido segundo o modelo OSI, de acordo com a figura 8. O meio físico
Figura 8 – Modelo do protocolo HART segundo o modelo OSI
Como visto anteriormente, o HART se utiliza do sinal de 4-20mA, sobrepondo um sinal em técnica FSK, chaveamento por mudança de freqüência(Frequency Shift keying), onde a freqüência de 1200 Hz representa o 1 binário e a de 2200 Hz representa o 0 binário. Cada byte individual do telegrama do layer 2 é transmitido em 11 bits, usando-se 1200 kHz.
Utiliza-se um par de cabos trançados onde deve-se estar atento à resistência total já que esta colabora diretamente com a carga total, e agindo na atenuação e distorção do sinal.Em longas linhas e sujeitas a interferências, recomenda-se o cabo com shield, sendo este aterrado em um único ponto, preferencialmente no negativo da fonte de alimentação.Segue algumas dicas de distribuição do cabeamento, aterramento e shield (blindagem):
terra suficientemente baixa com capacidade de dreno sufi- ciente para conduzir e prevenir picos de tensão.Deve-se evi- tar múltiplos terras.
O protocolo HART opera segundo o padrão Mestre-Escravo, onde o escravo somente transmitirá uma mensagem se houver uma requisição do mestre. A figura 9 mostra de maneira simples o modelo de troca de dados entre mestre e escravo.Toda comu- nicação é iniciada pelo mestre e o escravo só responde algo na linha se houve um pedido para ele.Existe todo um controle de tempo entre envios de comandos pelo mestre. Inclusive existe um controle de tempo entre mestres quando se tem dois mestres no barramento.
Figura 9 – Modelo de comunicação Mestre-Escravo de troca de dados no HART Em termos de serviços de comunicação, o HART provê 3 tipos:
Figura 10 – Frame padrão de um comando HART. Na figura 10 podemos ver um frame padrão do HART, onde:
Em um frame usando formato short, teremos 25 bytes mais 10 bytes de controle. Como usa 11 bits, teríamos:
A relação entre o tempo de dados de usuário e o tempo total de transação é: 25 * 8 bits / 385 bits = 52 %.
Observe que em mensagens mais curtas, a proporção entre o dado de usuário e o dado de controle pode chegar a 128ms para um byte de dado de usuário.Em geral, tem-se um tempo de 500ms para garantir duas transações mais alguma informação adicional de manutenção e sincronização.
Como explicado anteriormente, o HART é baseado em coman- dos que uma vez recebidos pelos escravos, permitem certas ações.Estes comandos estão divididos em classes:
Figura 11 – Comandos Universais
Daqui para frente é esperado que a convivência entre vários pro- tocolos torne-se uma constante, principalmente onde o parque instalado for grande e deseja-se preservar os investimentos feitos. A figura 17 é um exemplo típico de sistema onde se tem em uma mesma planta os protocolos Foundation Fieldbus e HART.Neste caso, uma interface HART-FF, o HI302, é utilizado, permitindo con- exões ponto-a-ponto e multidrop. O HI302 é uma ponte entre equipamentos HART e sistemas Foundation Fieldbus, possui 8 ca- nais HART master e permite ao usuário executar manutenção, calibração, monitoramento de status do sensor, status geral do equipamento, dentre outras informações.
Figura 17 – Integração Foundation Fieldbus e HART usando o HI
A tecnologia baseada em FDT( Field Device Tool) e DTM(Device Type Manager) permite ao usuário ganhar versatilidade e flexibili- dade de configuração, parametrização, calibração e principalmente mecanismos de download e upload durante a fase de planeja- mento/comissionamento dos projetos. É uma tecnologia aberta, e que permite que um DTM de um equipamento de campo rode em qualquer frame application suportando FDT e ainda permite usar um único ambiente de software para integrar produtos de diferentes fabricantes e protocolos. O DTM é um “driver”, ou seja, é um componente de software (DLL, EXE) que representa cada equipamento que estiver na planta. Este “driver” obedece à norma FDT e pode ser usado em qualquer Frame Application, independente do fabricante. A figura 18 mostra um configurador baseado nesta tecnologia e o DTM do LD301.
Pudemos ver alguns detalhes do protocolo aberto HART, com uma visão um pouco diferente do que se tem em nível de usuário, isto é, envolvendo detalhes técnicos deste padrão. Além disso, vi- mos o quê se tem em termos de desenvolvimento de chips HART avançados e os benefícios em performance, recursos e funcionali- dades de um transmissor de pressão com este desenvolvimento. E ainda, a integração de fieldbus com HART e o uso do FDT e DTM na configuração HART.
_- Material de treinamento LD301 Smar, César Cassiolato, 2003.
Figura 18 – Utilização de FDT e DTM com o HART