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Concepção psicanalista da perturbação.
Tipologia: Teses (TCC)
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(a) EDIÇÕES ALEMÃES: 1910 Ärziliche Fortbildung, suplemento de de Ärztiliche Standeszeitung, 9, (9), 42-4 (1º de m a io). 1913 S.K.S.N., 3, 314-21. (2ª ed., 1921.)
(b) TRADUÇÃO INGLESA: Psychogenic Visual Disturbance according to Psycho-Analytic **a** l Conceptions’ 1924 C.P., 2, 105-12. (Trad. E. Colburn M **a** yne.) A atual tradução inglesa, com o título diferente,The Psicho-Analytic View of Psychogenic Disturbance of Vision’, é completamente nova, feita por James e Alex Str a chey. Este trabalho é uma contribuição a uma Festschrift em homenagem a Leopold Königstein, conhecido oftamologista vienense e um dos mais antigos amigos de Freud. Descreveu-o, em carta a Ferenczi, escrita em 12 de abril de 1910, como sendo simplesmente uma pièce d’ocassion, sem nenhum valor (Jones, 1955, 1955, 274). Contém, no entanto, pelo menos uma passagem de interesse muito especial. Pois foi nele que pela primeira vez empregou o termo instintos do ego’, identificou-os, explicitamente, com os instintos de autopreservação e atribui-lhes papel vital na função da repressão. Certas consideração a respeito do desenvolvimento das concepções de Freud sobre os instintos será encontrada na Nota do Editor aInstincts and their Vicissitudes’ (Os Intintos e suas Vicissitudes) (1915c), volume XIV da Standard Ed. Também vale a pena notar que nos últimos parágrafos deste trabalho (ver a partir de [1]). Freud expressa, com firmeza especial, sua convicção de que os fenômenos psíquicos se baseiam definitiv a mente nos físicos.
NOTA DO EDITOR BRASILEIRO A presente tradução brasileira é da autoria de Paulo Dias Corrêa (Presidente da Sociedade Brasileira de Psicoterapia de Grupo do Rio de Janeiro. Membro-Associado da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de J a neiro).
SENHORES, – Proponho tomar o exemplo da perturbação psicogênica da visão a fim de lhes mostrar as modificações que se operam em nossa concepção da gênese dos distúrbios dessa espécie, sob a influência dos métodos de investigação psicanalítica. Como sabem, a cegueira histérica é considerada um tipo de perturbação psicogênica visual. Acredita-se, de modo geral, como resultado das pesquisas da Escola Francesa (inclusive homens da categoria de Charcot, Janet e Binet), que a gênese desses casos já é conhecida. Pois estamos em condições de provocar, experimentalmente, uma cegueira dessa espécie, se dispusermos de alguém susceptível ao sonambulismo. Se o submetermos a hipnose profunda e lhe sugerirmos a idéia de que ele nada vê com um de seus olhos, ele realmente se comportará como se tivesse ficado cego daquele olho, como o histérico que, espontaneamente, desenvolveu uma perturbação visual. Podemos, portanto, armar o mecanismo das perturbações histéricas, espontâneas, da visão, baseados apenas no modelo de sugestão hipnótica. No histérico, a idéia de estar cego surge, não da insinuação do hipnotizador, mas espontaneamente – pela auto-sugestão, como se diz; e em ambos os casos, a idéia é tão poderosa que se converte em realidade, exatamente como uma alucinação ou paralisia etc., sugerid a. Isto parece perfeitamente lógico e satisfará qualquer pessoa que não leve em consideração os numerosos enigmas que se escondem por trás dos conceitos da hipnose, da sugestão e da auto-sugestão. A auto-sugestão, em particular, levanta outras dúvidas. Como e em que condições torna-se uma idéia tão poderosa a ponto de atuar como sugestão e de se converter facilmente em realidade? Uma investigação mais aprofundada nos revelou que não podemos responder a essa pergunta sem nos valermos do concurso do conceito de inconsciente’. Muitos filósofos rebelam-se contra a admissão de um inconsciente mental dessa natureza, porque não tomaram conhecimento dos fenômenos que nos obrigam a tal admissão. Os psicopatologistas chegaram à conclusão de que não podem evitar trabalhar com elementos tais como processos psíquicos inconscientes, idéias inconcientes e assim por di **a** nte. Experiências apropriadas demonstraram que as pessoas que ficam cegas em virtude de histeria vêem, não obstante, em certo sentido, mas não completamente. As excitações no olho cego podem provocar certas conseqüência psíquicas (por exemplo, podem provocar emoções) muito embora não se tornem conscientes. Assim, as pessoas histericamente cegas só o são no que diz respeito à consciência; em seu inconsciente elas vêem. São observações como estas que nos levam a distinguir os processos ment **a** is conscientes dos inconscientes. Como podem essas pessoas desenvolver aauto-sugestão’ inconsciente de que estão cegas, quando, não obstante, vêem em seu inconsciente? A resposta apresentada pelas pesquisas francesas pretende explicar que, nos pacientes predispostos à histeria, há uma tendência inerente à dissociação – a uma desagregação das conexões em seu campo psíquico – em conseqüência da qual certos processos inconscientes não prosseguem até o consciente. Deixamos de lado, completamente, o valor que essa tentativa de explicação possa ter no que diz respeito à compreensão dos fenômenos em questão, e encaremos o problemas de outro ângulo. Como vêem, senhores, a identidade da cegueira histérica com a cegueira provocada pela sugestão, a que a princípio se deu tanta importância, foi agora descartada. O paciente histérico fica cego, não em conseqüência de uma idéia auto-sugestiva de que ele não pode ver, mas como resultado de uma dissociação entre os processos inconscientes e conscientes no ato de ver; sua idéia de que não vê é a expressão bem fundada da condição psíquica e não sua caus a. Mas, se os senhores se queixarem da obscuridade desta exposição, não me será fácil defendê-la. Procurei dar-lhes uma síntese dos conceitos de diferentes pesquisadores e, ao fazê-lo, talvez os tenha associado muito intimamente. Desejei condensar em forma sintética todos os conceitos apresentados, a fim de tornar inteligível as perturbações psicogênicas – sua origem das idéias excessivamente poderosas, a diferença entre processos mentais conscientes e inconscientes e a admissão de dissociação psíquica. E não fui mais bem-sucedido, em minha tentativa, do que o foram os escritores franceses, encabeçados por Pierre Janet. Espero, portanto, que me perdoem não só a falta de clareza como a inexatidão
da minha exposição e que me permitam explicar-lhes como a psicanálise nos levou a uma concepção das perturbações psicogênicas da visão mais lógica e, talvez, mais de acordo com os f a tos. A psicanálise também aceita as hipóteses da dissociação e do inconsciente, porém as relacionamos de modo mutuamente diferente. O conceito psicanalítico é dinâmico e atribui a origem da vida psíquica a uma interação entre forças que favorecem ou inibem uma à outra. Se, em qualquer circunstância, um grupo de idéias permanece no inconsciente, a psicanálise não infere desse fato, de que há uma incapacidade constitucional para a síntese que se evidencia nessa determinada dissociação, mas sustenta que o isolamento e o estado de inconsciência desse grupo de idéias foram causados por uma oposição ativa de parte de outros grupos. O processo, devido ao qual teve esse destino, é conhecido como repressão’ e o consideramos algo análogo a um julgamento condenatório nos domínios da lógica. A psicanálise ressalta que as repressões dessa espécie desempenham um papel extraordinariamente importante em nossa vida psíquica, mas que podem também, muitas vezes, falhar e que essas falhas da repressão constituem a precondição da formação de sintom **a** s. Então, se, como aprendemos, as perturbações psicogênicas da visão dependem de certas idéias relacionadas com a visão ser suprimida da consciência, teremos de admitir, do ponto de vista psicanalítico, que essas idéias entraram em oposição a outras idéias, mais poderosas, em relação às quais adotamos o conceito coletivo doego’ – um conjunto que é constituído de maneira heterogênea, em épocas diferentes – e, por esse motivo, se encontram sob repressão. Mas qual pode ser a origem dessa oposição que provoca a repressão entre o ego e os vários grupos de idéias? Sem dúvida terão notado que não foi possível elaborar essa pergunta antes do advento da psicanálise, pois nada se sabia anteriormente a respeito de conflito psíquico e repressão. Nossas pesquisas, no entanto, nos colocaram em posição de nos dar a resposta desejada. Nossa atenção foi atraída para a importância dos instintos na vida ideacional. Descobrimos que cada instintos procura tornar-se efetivo por meio de idéia ativantes que estejam em harmonia como seus objetivos. Estes instintos nem sempre são compatíveis entre si; seus interesses amiúde entram em conflito. A oposição entre as idéias é apenas uma expressão das lutas entre os vários instintos. Do ponto de vista de nossa tentativa de explicação, uma parte extremamente importante é desempenhada pela inegável oposição entre os instintos que favorecem a sexualidade, a consecução da satisfação sexual, e os demais instintos que têm por objetivo a autopreserv a ção do indivíduo – os instintos do ego. Como disse o poeta, todos os instintos orgânicos que atuam em nossa mente podem ser classificados como fome’ ouamor’. Delineamos o instinto sexual’ desde suas primeiras manifestações nas crianças, até sua forma final, que é descrita comonormal’. Descobrimos que é constituído por numerosos instintos componentes’ que se relacionam com as excitações de partes do corpo; e chegamos a observar que esse instintos separados têm de passar por um desenvolvimento complicado, antes de poderem servir eficazmente aos objetivos da reprodução. A luz projetada pela psicologia sobre a evolução de nossa civilização mostrou-nos que ela se origina, principalmente, à custa dos instintos sexuais componentes e que estes têm de ser suprimidos, restringidos, transformados e dirigidos para objetivos mais elevados, a fim de que de que se possam estabelecer as construções psíquicas da civilização. Conseguimos reconhecer como um resultado valioso dessa pesquisa algo que nossos colegas ainda não estão prontos para aceitar, isto é, que os padecimentos humanos conhecidos comoneuroses’ se derivam das maneiras muito diversas em que esses processos de transformação dos instintos sexuais componentes podem malograr. O ego’ sente-se ameaçado pelas exigências dos intintos sexuais e os desvia através de repressões; estas, no entanto, nem sempre produzem o resultado esperado, mas levam à formação de substitutos perigosos para o reprimido e a reações incômodas por parte do ego. Dessas duas classes de fenômenos, tomadas como um todo, emergem o que chamamos os sintomas d **a** neurose. Desviamos-nos aparentemente de nosso problema, muito embora ao fazê-lo, tenhamos tocado na maneira pela qual as condições patológicas da neurose se relacionam como nossa vida psíquica em geral. Retornemos, porém, à questão mais restrita. Tanto os instintos sexuais como os instintos do ego, têm, em geral, os mesmos órgãos e sistemas de órgãos à sua disposição. O prazer sexual não está apenas ligado à função dos genitais. A boca serve tanto para beijar como para comer e para falar; os olhos percebem não só alterações no mundo externo, que são importantes para a preservação da vida, como também as características dos objetos que os fazem ser escolhidos como objetos de amor – seus encantos. Confirma-se, assim, o adágio segundo o qual não é fácil para alguém servir a dois senhores ao mesmo tempo. Quanto mais estreita a relação em que um órgão, uma função dupla desta espécie, contra com um dos principais instintos, tanto mais ele se retrai do outro. Este princípio não pode deixar de provocar conseqüências patológicas, caso os dois intintos fundamentais estejam desunidos e caso o ego mantenha a repressão do instinto sexual componente em questão. Isto pode ser facilmente aplicados ao olho e à visão. Suponhamos que o instinto sexual componente que se utiliza do olhar – o prazer sexual em olhar em olhar – o prazer sexual em olhar [escoptofilia] – atraiu sobre si a ação defensiva dos intintos do ego, em conseqüência de suas exigências excessivas, de maneira que as idéias através das quais seus desejos se expressam sucumbam à repressão e sejam impedidas de se tornar conscientes; nesse caso haverá uma perturbação geral da relação do olho e do ato de ver com o ego e a consciência. O ego perderia seu domínio sobre o órgão, que ficaria, então, totalmente à disposição do instintos sexual reprimido. É como se a repressão houvesse sido exagerada pelo ego, como se tivesse despejado a criança com a água do banho: o ego se recusa a ver outra coisa qualquer, agora que o interesse sexual em ver se tornou tão predominante. Mas o quadro alternativo parece mais importante. Este atribui o papel ativo em vez disso ao prazer reprimido de ver. O instinto reprimido vinga-se por ter sido impedido de maior expansão psíquica, tornando-se capaz de ampliar seu domínio sobre o órgão que está a seu serviço. A perda do domínio consciente sobre o órgão é o substituto prejudicial para a repressão que malogrou e que só se tornou possível **a** esse preço. Essa relação de um órgão com uma dupla exigência sobre ele – sua relação com o ego consciente e com a sexualidade reprimida – pode ser encontrada de maneira ainda mais evidente nos órgãos motores do que no olho: como, por exemplo, a mão que procurou executar um ato de ataque sexual ed ficou paralisada histericamente é incapaz, depois da inibição do ato, de fazer outra coisa – como se estivesse insistindo obstinadamente em efetuar uma enervação reprimida; ou como os dedos de pessoas que renunciaram à masturbação se recusam a aprender os movimentos delicados indispensáveis para tocar piano ou violino. Quanto ao olho, estamos acostumados a interpretar os obscuros processos psíquicos implicados na repressão da escoptofilia sexual e no desenvolvimento da perturbação psicogênica da visão, como se uma voz punitiva estivesse falando de dentro do indivíduo e dizendo:Como você tentou utilizar mal seu órgão para prazeres sensuais perversos, é justo que você nunca mais veja nada’, e como se, desta maneira, estivesse aprovando o resultado do processo. A idéia da pena de talião está implícita nisto e, de fato, nossa explicação da perturbação visual psicogênica coincide com o que sugerem os mitos e as lendas. A bela lenda de Lady Godiva nos conta como todos os habitantes da cidade se esconderam por trás de suas venezianas fechadas, a fim de tornar mais fácil a tarefa da senhora de cavalgar nua pelas ruas, em pleno dia, e como o único homem que espreitou pelas venezianas os seus encantos descobertos foi punido com a cegueira. E este não é o único exemplo que sugere que a enfermidade neurótica também possui a chave secreta da mitologi a.