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geografia sobre as quebradeiras coco-babaçu
Tipologia: Resumos
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fundamental para a economia local e do Brasil, como um todo, pois permite a produção de diversos produtos derivados do babaçu, como:
Azeite e Óleo vegetal de babaçu;
Leite de babaçu;
Sabonetes;
Farinha de babaçu;
Carvão ecológico;
Artefatos artesanais;
Hambúrguer vegano, que precisa da farinha de amêndoas do babaçu.
Além de exercer uma atividade econômica importante, essas mulheres desempenham um papel fundamental na conservação ambiental e na manutenção da biodiversidade dos babaçuais, pois lutam pela preservação do meio ambiente e pelo reconhecimento de seus direitos como povo e comunidade tradicional. Como é expressando no grupo “As Encantadeiras”, onde as mulheres utilizam a música para expressar o valor do seu trabalho na agricultura e no extrativismo do babaçu, como também na luta pela terra e pelo livre acesso aos babaçuais. Tal grupo criado com o apoio do MIQCB e da Associação em Áreas de Assentamento do Estado do Maranhão.
As quebradeiras de coco-babaçu são mulheres de comunidades tradicionais que vivem principalmente nos estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará. Sua sobrevivência econômica, social e cultural depende dos babaçuais, onde realizam a coleta e o aproveitamento do coco-babaçu. Para essas comunidades, o território é muito mais do que um espaço de produção, sendo parte fundamental de sua identidade e modo de vida.
A territorialidade das quebradeiras está relacionada à convivência histórica com os babaçuais e ao uso coletivo dos recursos naturais. Elas defendem o uso comum das palmeiras, permitindo que todas as famílias da comunidade tenham acesso aos recursos. Além de garantir a subsistência, essa prática contribui para a preservação ambiental e para a manutenção dos conhecimentos tradicionais transmitidos entre gerações.
Entretanto, essas comunidades enfrentam desafios causados pela expansão da propriedade privada, da pecuária e do agronegócio, que restringem o acesso aos babaçuais. Mesmo diante desses conflitos, as quebradeiras continuam lutando pelo reconhecimento de seus direitos territoriais. Sua organização e resistência são fundamentais para a preservação cultural, social e ambiental das comunidades tradicionais.
Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, o MIQCB. Esse movimento foi fundado em 1991 para defender os direitos das mulheres que trabalham quebrando coco babaçu. Antes, muitas delas dependiam dos atravessadores, que compravam sua produção por preços muito baixos.
O MIQCB ajudou essas mulheres a se organizarem e a lutarem por mais autonomia, melhores condições de trabalho e valorização da sua atividade. Além disso, o movimento busca garantir que elas sejam reconhecidas pelo Estado como cidadãs com direitos e acesso a políticas públicas.
Assim, o MIQCB tem um papel importante na defesa dos direitos das quebradeiras de coco babaçu e na preservação de sua cultura e modo de vida.”
Este tópico do trabalho terá como base a situação de violência e exploração acontecida na região do Rio Mearim, no Maranhão, abordada no site ‘Mapa de
de eucalipto. Dessa forma, o babaçu se tornou disputado por fazendeiros de gado e carvoeiro, para aumentar a área de pasto e produzir carvão. Com a invasão desses grupos, as quebradeiras de coco-babaçu foram expostas à inúmeras situações desfavoráveis, que iam desde o desmatamento e queimada das palmeiras, até à apropriação dessas terras com palmeiras por fazendeiros. Estes tomavam o controle da terra, se tornando um obstáculo para que as quebradeiras acessassem essa fonte tão importante para suas vidas, quando permitiam, utilizavam de seu poder para explorar essas mulheres, que muitas vezes sofriam de violências físicas e sexuais, intimidação, danificação de materiais de trabalho, surras, estupros, além de serem obrigadas a dar um percentual da produção diária delas. Essas mulheres passaram a denunciar esses abusos, porém apenas em 1995 foi criado o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) que tem como objetivo lutar pela preservação do meio ambiente, em particular a questão do desmatamento ilegal do babaçu e a busca pela manutenção de atividades sustentáveis, como exploração do babaçu sem nenhum intermediário como grandes proprietários ou comerciantes. Em todos esses ano elas lutaram por esses direitos, através das leis “babaçu livre”, porém, ao longo do tempo, muitos fazendeiros, mesmo com a implantação dessas leis em nível municipal ou até estadual como em alguns casos, ainda se apropriam de forma ilegal desses territórios ou indústrias, de alguma forma ainda afetam a vida dessas mulheres. Portanto, a luta por suas terras ainda é uma luta que está sendo travada por essas mulheres, com o objetivo de preservar as palmeiras que são tão importantes e fundamentais na vida dessas mulheres.
As quebradeiras de coco-babaçu são símbolos de força e união. Elas também garantem o sustento de suas famílias trabalhando com o coco, e lideram suas comunidades. Elas são a base da organização local, lutam pelos seus direitos e cuidam para que os saberes e tradições passem de geração para geração. Durante muitos anos, este trabalho realizado pelas quebradeiras foi pouco valorizado pela sociedade. Várias mulheres enfrentavam preconceitos e tinham
pouca participação nos espaços de decisão. Depois com o passar do tempo, elas passaram a se organizar coletivamente e a reconhecer a importância de sua atividade para a economia, para a cultura e para a preservação do meio ambiente. Esse processo acabou fortalecendo a identidade das quebradeiras. Um marco desse protagonismo foi a criação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), organização formada pelas próprias quebradeiras dos estados do Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins. O movimento emergiu da necessidade premente de unificar as mulheres em torno da defesa dos babaçuais, da valorização de seu ofício e da garantia de direitos para as comunidades tradicionais. A mobilização fortaleceu as quebradeiras de coco, que hoje ocupam posições de liderança e ampliam sua voz na política. Elas transformaram o extrativismo em um legado cultural vivo, guiando suas comunidades. As leis e conquistas de direitos territoriais também garantem a preservação dos babaçuais para o futuro. A cerca dos anos, muitas comunidades passaram a enfrentar dificuldades causadas pelo cercamento de terras, pela expansão da pecuária, pelo desmatamento e por outras atividades econômicas que restringiam o acesso às palmeiras. Em vários casos, as mulheres eram impedidas de entrar em áreas onde tradicionalmente realizavam a coleta do coco babaçu. Para enfrentar esses desafios históricos, as quebradeiras de coco articularam-se coletivamente, buscando apoio em movimentos sociais, sindicatos e instâncias governamentais. Essa mobilização fortaleceu a resistência dessas comunidades tradicionais, garantindo que suas necessidades fossem legitimadas, ouvidas e respeitadas em âmbito nacional. A principal bandeira dessa resistência é a aprovação das chamadas Leis do Babaçu Livre. Essas leis garantem o livre acesso aos babaçuais e proíbem o corte das palmeiras. Isso protege a natureza e apoia o trabalho das quebradeiras. Essa conquista é uma grande vitória, pois assegura que milhares de mulheres possam continuar tirando seu sustento e vivendo com dignidade. Essas normas conhecidas como Lei Babaçu Livre protegem tanto a natureza quanto a fonte de renda dessas comunidades tradicionais. Elas garantem que essas trabalhadoras possam entrar nas terras para coletar o coco sem sofrer nenhum tipo de impedimento.
0 Fonte: CHICO MUSEU TV CULTURA, 2018.
O vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=_qTnIc8y5Kc) de título ‘A QUEBRADEIRA DE COCO CHICA LERA CANTA A MÚSICA " EI NÃO DERRUBE AS PALMEIRAS”‘, lançado no YouTube em 14 de março de 2018, no canal Chico Museu TV Cultural, apresenta a quebradeira de coco-babaçu Chica Lera, que é uma grande líder e símbolo de resistência das quebradeiras do Piauí, cantando a música "Xote das Quebradeiras de Coco". Música de João Abelha, que é muito usada nas apresentações do grupo Encantadeiras, na música é defendido que se deve preservar a palmeira de babaçu, pois ela é essencial para as famílias que dependem do coco-babaçu. Ao longo das estrofes da música é retratado as várias funções da palmeira de babaçu, a qual tem o coco como maior fonte de riqueza, já que na música é refirido que as palhas das palmeiras servem para cobrir as casas, já com o coco é possível extrair o óleo de babaçu usado para temperar comidas, esse óleo é conhecido com azeite de coco babaçu. No 4 estrofe da música é retratado outras utilidades do coco, o óleo do coco usado para fazer sabão, a madeira papel e da palha faz chapéu. Nas últimas estrofes a música fala que o coco e as quebradeiras não são valorizadas, mas que as quebradeiras devem lutar com coragem e amor para o governo dar valor a tal profissão. Ao longo da música sempre é repetido o refrão: Hei! Não derrube esta palmeira! Hei! Não devore os palmeirais. Tu já sabes que não pode derrubar, Precisamos preservar as riquezas naturais. Que expressa a luta pela preservação das palmeiras de babaçu. Dessa forma, é possível notar que as quebradeiras se uniram para lutar pelos seus direitos relacionando sua música com seu ofício e modo de vida, além de trazer também aspectos de suas lutas sócio-políticas, provando que a arte sempre foi e ainda é uma forma de protesto de diversos grupos da sociedade e é uma forma de manter a união dos indivíduos do grupo em razão de uma queestão. Logo, as canções como a que foi apresentada neste tópico são fundamentais para sensibilização e transformação social.
REFERÊNCIAS
1 ARAUJO, Helciane de Fátima Abreu; NOVAES, Jurandir Santos de. Megaempreendimentos, agroestratégias e povos e comunidades tradicionais: a resistência das quebradeiras de coco babaçu. Revista de Políticas Públicas, São Luís, v. 22, n. esp., p. 1431-1448, 2018. Disponível em: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=321158844073. Acesso em: 3 jun. 2026.
BRASIL. Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Quebradeiras de coco babaçu: articulação de políticas públicas de SAN para povos e comunidades tradicionais. Brasília: MDS, [202-?]. Disponível em: https://www.gov.br/mds/pt-br/acoes-e-programas/acesso-a-alimentos-e-a-agua/articu lacao-de-politicas-publicas-de-san-para-povos-e-comunidades-tradicionais/quebrade iras-de-coco-babacu. Acesso em: 4 jun. 2026.
FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (FIOCRUZ). MA – Quebradeiras de coco de babaçu denunciam situação de violência e exploração do trabalho na região do Rio Mearim no Maranhão. Rio de Janeiro: Ensp/Fiocruz, [202-?]. Disponível em: https://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/conflito/ma-quebradeiras-de-coco-de-babacu -denunciam-situacao-de-violencia-e-exploracao-do-trabalho-na-regiao-do-rio-mearim -no-maranhao/. Acesso em: 5 jun. 2026.
MIQCB (Sobre Nós) MOVIMENTO INTERESTADUAL DAS QUEBRADEIRAS DE COCO BABAÇU (MIQCB). Sobre nós. Disponível em: https://miqcb.org.br/sobre-nos/. Acesso em: 6 jun. 2026.
MOVIMENTO INTERESTADUAL DAS QUEBRADEIRAS DE COCO BABAÇU (MIQCB). Página inicial. Disponível em: https://www.miqcb.org/. Acesso em: 6 jun.
REPÓRTER BRASIL. Quebradeiras de coco babaçu. [S. l.], [202-?]. Disponível em: https://especial.reporterbrasil.org.br/comunidadestradicionais/quebradeiras-de-coco- babacu/. Acesso em: 4 jun. 2026.
SILVA, Elisa Marie Sette; NAPOLITANO, Juliana Elisa; BASTOS, Silvana (org.). Pequenos Projetos Ecossociais de quebradeiras de coco babaçu: reflexões e