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Os transformadores de potência são parte fundamental do sistema de geração e distribuição de energia elétrica. Durante o seu funcionamento, ocorre uma perda de energia, que se transforma em calor, prejudicando, principalmente, o sistema de isolamento das partes internas dele. O calor excessivo pode prejudicar o equipamento, gerando falhas e reduzindo sua vida útil. Assim, é importante realizar o controle de sua temperatura para permitir que todos os seus componentes fiquem dentro da temperatura correta, evitando acidentes, aumentando sua vida útil e melhorando sua eficiência operacional.
Tipologia: Resumos
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Resumo – Os transformadores de potência são parte fundamental do sistema de geração e distribuição de energia elétrica. Durante o seu funcionamento, ocorre uma perda de energia, que se transforma em calor, prejudicando, principalmente, o sistema de isolamento das partes internas dele. O calor excessivo pode prejudicar o equipamento, gerando falhas e reduzindo sua vida útil. Assim, é importante realizar o controle de sua temperatura para permitir que todos os seus componentes fiquem dentro da temperatura correta, evitando acidentes, aumentando sua vida útil e melhorando sua eficiência operacional.
Palavras-chave —Transformador, resfriamento, óleo isolante, dissipação de calor.
I. INRODUÇÃO Como parte do Sistema Elétrico de Potência, os transformadores tem papel fundamental na distribuição de energia elétrica. Eles permitem que a energia seja gerada e transmitida da forma mais otimizada possível, na tensão mais adequada para o local e para o dispositivo que se quer energizar. Um transformador é constituído basicamente por dois ou mais circuitos (bobinas) elétricos acoplados por um circuito magnético comum a ambos (núcleo ferromagnético), onde a tensão de saída (secundário) depende da tensão de entrada (primário), da magnitude do fluxo, da frequência e do número de espiras no primário e no secundário, quer dizer, o funcionamento do transformador baseia-se nos fenômenos de mútua indução entre dois circuitos eletricamente isolados, mas magneticamente ligados. Os transformadores são formados por diversos componentes e que depende do trabalho harmônico entre eles para que possa funcionar perfeitamente. Contudo, como em qualquer máquina elétrica, podem ocorrer perdas na forma de calor e que contribuem para o aquecimento e perda de rendimento das máquinas. Para evitar que se atinjam temperaturas elevadas, que possam comprometer o seu funcionamento, principalmente dos seus isolamentos, é preciso dotar o transformador de um sistema de refrigeração adequado. Quando excessivo, esse calor pode prejudicar o equipamento, reduzindo sua vida útil e gerando falhas.
II. DESENVOLVIMENTO Um transformador por transferir calor de 3 maneiras:
através de vários dutos existentes entre os enrolamentos e através de tubos de resfriamento;
Neste resumo, não será estudado o método de transferência por radiação.
A. Tipos de Arrefecimento de Transformadores
Nos transformadores temos 2 tipos de elementos de resfriamento dos seus componentes: o ar e o óleo. Este último, além de realizar o arrefecimento do transformador, ainda atua como meio isolante. Para transformadores menores não há grandes problemas para manter suas temperaturas de regime dentro dos limites compatíveis com as classes de isolação adotadas. Nestes casos, é frequente o emprego de arrefecimento natural (ar). O arrefecimento a ar, além de não ser tão eficiente quanto o realizado a óleo, não proporciona a mesma proteção dos materiais isolantes, principalmente com relação a poeira na superfície dos enrolamentos. Esse problema é tanto indesejável quanto maior for a potência do transformador. As trocas de calor de transformadores arrefecidos por ar podem ser:
À medida que se necessita de maiores potências, fica mais difícil realizar a troca do calor gerado pelas perdas Joule no transformador. Surge então a necessidade de utilizar outros meios para realizar esse arrefecimento. A solução encontrada então é imergir as partes ativas do transformador em óleo isolante. Na grande maioria dos casos, os transformadores utilizados nos sistemas de potência operam imersos em óleo. O calor desenvolvido pelas perdas no núcleo de ferro e nos enrolamentos de cobre é absorvido e armazenado no óleo por circulação natural ou forçada (dependendo da potência do transformador) e dissipado para a atmosfera através das paredes do tanque, onde tubos e radiadores soldados podem aumentar a dispersão de calor. Já esses radiadores podem também ser resfriados, seja de forma natural pelo ar, ou de forma forçada usando ventiladores ou, até mesmo, água. Os transformadores devem ser designados de acordo com o método de resfriamento utilizado. Para os transformadores imersos em óleo isolante, esta designação é realizada por meio de um código de quatro letras, definidos abaixo:
K = Líquido isolante com ponto de combustão > 300 ºC; L = Líquido isolante com ponto de combustão não mensurável.
Seguem alguns exemplos de arrefecimento de transformadores e suas siglas:
Fig. 1 – Transformador de convecção natural do óleo arrefecido sem ventilação externa forçada (ONAN).
Fig. 2 – Transformador de convecção natural do óleo arrefecido com ventilação externa forçada (ONAF).
Fig. 3 – Transformador de convecção forçada do óleo arrefecido com ventilação externa forçada (OFAF).
Fig. 4 – Transformador de convecção natural do óleo arrefecido em tubos imersos em água (ONWF).
B. Óleos Isolantes
O líquido de um transformador exerce duas funções distintas: uma é de natureza isolante (função dielétrica), e a outra é a de transferir para as paredes do tanque o calor produzido pelas perdas na parte ativa do aparelho. A fim de executar devidamente estas funções o óleo deve possuir determinadas características:
Alguns líquidos possuem essas características:
1) Óleo Mineral O óleo mineral é obtido de óleos crus de base naftênica, cuidadosamente refinados, a fim de retirar todas as impurezas, os ácidos, os álcalis e o enxofre. É o fluido isolante mais usado na fabricação de transformadores de potência. Ele possui as seguintes características:
Nomeadamente:
Atualmente, a concentração de água e as concentrações de gases dissolvidos no óleo podem ser monitoradas em tempo real (sensores e sistema de monitoração em tempo real). A análise dos gases e da água dissolvidos no óleo isolante é feito a partir de gás cromatografia de óleo e segue as seguintes etapas:
A cromatografia gasosa desempenha um papel crucial na
análise do óleo isolante dos transformadores, fornecendo informações valiosas sobre a qualidade, condição e desempenho do óleo e do transformador. Essas informações auxiliam na manutenção preditiva, diagnóstico de falhas, planejamento de substituições de óleo e garantia da operação segura. É relevante observar que o custo do óleo isolante e o custo da sua manutenção adequada são muito baixos quando comparados ao valor do transformador. A expectativa de vida do óleo isolante, de alta qualidade e com manutenção adequada, pode ser comparável a expectativa de vida do transformador.
A NBR5356 define limites de elevação da temperatura dos enrolamentos, do óleo, das partes metálicas e das outras partes dos transformadores, visando assim seu funcionamento normal. Transformadores com enrolamentos individuais devem considerar as elevações de temperatura relativas a combinação de carga mais severa para o enrolamento considerado. Nos transformadores com mais de dois enrolamentos, a elevação da temperatura da camada superior do óleo refere-se à combinação especificada de carga para a qual as perdas totais são mais elevadas. A temperatura do meio de resfriamento e a altitude (com respeito a densidade do ar de resfriamento) são características do local de instalação. Quando as condições normais de serviço nestes aspectos predominam, então os valores normais de elevação de temperatura do transformador determinam as temperaturas admissíveis em serviço. As elevações de temperatura dos enrolamentos, do Óleo, das partes metálicas e de outras partes de transformadores, projetados para funcionamento nas condições normais, não devem exceder os limites especificados na Tabela 3.
Tabela 03 – Limites da elevação de temperatura Tipos de Transformadores
Limites de elevação de temperatura (ºC) Dos Enrolamentos Do Óleo Das Partes Metálicas Método da variação da resistência Do ponto mais quente
Em contato com a isolação sólida ou adjacente a ela
Não em contato com a isolação sólida e não adjacente a ela
Circulação do óleo natural ou forçada sem fluxo de óleo dirigido
Circulação forçada de óleo com fluxo dirigido
Em Óleo
Sem conservador ou sem gás inerte acima do óleo
Não devem atingir temperaturas superiores à máxima especificada para o ponto mais quente da isolação adjacente ou em contato com esta
A temperatura não deve atingir, em nenhum caso, valores que venham a danificar estas partes, outras partes ou materiais adjacentes
Com conservador ou com gás inerte acima do óleo
(A) Papel isolante do tipo kraft não termoestabilizado. (B) Papel isolante do tipo kraft termoestabilizado. (C) Isolação sólida híbrida com papel isolante à base de aramida ou similares. Estes limites devem ser acordados entre o fabricante e o comprador.
Os transformadores a óleo têm normalmente melhor rendimento que os do tipo seco e, usualmente tem maior vida útil. O óleo é um meio mais eficiente para dissipação das perdas permitindo melhor refrigeração do transformador além de reduzir a temperatura dos pontos quentes nos enrolamentos. Esta característica permite uma maior capacidade de sobrecarga.
A refrigeração por óleo isolante desempenha um papel crucial no funcionamento e na vida útil dos transformadores. O óleo isolante tem a função de isolar os componentes internos do transformador e de dissipar o calor gerado durante a operação. A refrigeração adequada é essencial para manter a temperatura do transformador dentro dos limites seguros e para garantir o seu desempenho e confiabilidade. Aqui estão algumas das principais razões pelas quais a refrigeração por óleo isolante é importante para os transformadores:
Em resumo, a refrigeração por óleo isolante é essencial para os transformadores, garantindo a dissipação eficiente do calor gerado, mantendo a temperatura interna controlada, preservando as propriedades dielétricas do óleo e garantindo a estabilidade operacional do transformador. Uma refrigeração adequada contribui para o desempenho confiável, a eficiência energética e a vida útil prolongada do transformador.
ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 5356-1: Transformadores de potência - Parte 1: Generalidades, 2007.
ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 5356-2: Transformadores de potência - Parte 2: Aquecimento, 2007.
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