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Regulação Osmolaridade Fisiologia Clínica 2/2010 - 3º período Curso de Medicina Prof. Neusa Lopes Araujo Faria (Dra. em endocrinologia)
Tipologia: Notas de aula
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Regulação da Osmolaridade
As células do corpo necessitam do líquido extracelular (LEC) em concentração relativamente constante para seu perfeito funcionamento. A osmolaridade - concentração de partículas osmoticamente ativas em uma solução (dependo do número de íons e da concentração molar do soluto). Osmolaridade normal plasma varia entre 280 e 295 mOsm/l Osmolaridade do filtrado glomerular é igual a do plasma, sendo necessário diluir o filtrado para excretar o excesso de água e concentrar o filtrado para conservar água. Como diluir o filtrado? Reabsorvendo solutos. No túbulo contornado proximal (TCP) o líquido filtrado se mantém isosmótico em relação ao plasma, devido a igual reabsorção de solutos e água. No Ramo descendente alça de Henle (RAH), a água é reabsorvida por osmose, líquido tubular atinge equilíbrio com o do interstício que é hipertônico (2 a 4 vezes a osmolaridade do líquido tubular original). O ramo ascendente delgado reabsorve pouco NaCl, parte da uréia reabsorvida no ducto medular se difunde para o ramo ascendente, devolvendo uréia à medula (medula hiperosmótica) - ação do hormônio antidiurético (ADH). No Ramo ascendente da alça de Henle, segmento espesso, ocorre reabsorção de Na+, K+^ e Cl-, impermeável água, o líquido tubular fica mais diluído, com diminuição progressiva da osmolaridade até o túbulo contornado distal (TCD) =100 mOsm/l. O líquido que chega ao TCD é hiposmótico (1/3 da osmolaridade do plasma), com ou sem ADH. Ocorre reabsorção adicional de NaCl nas porções iniciais e finais do TCD, ducto coletor cortical e medular. Na ausência do ADH as porções finais do TCD e DC são impermeáveis à água, e a reabsorção adicional do soluto dilui ainda mais o líquido tubular (50 mOsm/l). A capacidade dos rins humanos de formar urina mais concentrada do que o plasma é essencial a sobrevivência humana na terra. Perdemos água: pele, pulmões, trato gastrintestinal e rins. Com déficit de água os rins formam urina concentrada, excretando solutos, aumentando a reabsorção da água e diminuindo o volume urinário. O rim humano pode produzir concentração máxima de urina 1200 a 1400 mOsm/l (4 a 5 vezes a concentração do plasma) e mínima de 50 mOsm/l (1/6 do plasma). Volume obrigatório de urina: determinada pela capacidade máxima de concentração da urina e necessidade de excreção de solutos por dia. Ex: homem 70 Kg necessita excretar 600mOsm/dia/ 1200 mOsm/l = 0,5 l/dia.
Excreção Urina Concentrada
Condições fundamentais:
O fluxo sangüíneo é baixo na medula (1 a 2% fluxo renal).
Mecanismo de Contracorrente
Fatores que contribuem para medula hiperosmolar (1200 a 1400 mOsm/l):
Osmorregulação
A osmolaridade plasmática se mantém notavelmente constante entre 280 a 295 mOsm/l e constitui o fator mais importante na regulação da secreção de ADH. Os osmorreceptores (células osmoticamente sensíveis) estão localizados em contiguidade aos núcleos supra-ópticos, no hipotálamo anterior e são distintas daquelas que regulam a percepção da sede, as quais estão muito próximas e parcialmente superpostas.
ADH
ADH ou Hormônio Antidiurético (também conhecido por Arginina-Vasopressina), tem o papel de conservar a água corporal e regular a tonicidade dos líquidos corporais. Arginina-vasopressina ou hormônio antidiurético - peptídeo sintetizado neurônios separados dos núcleos supra-ópticos e paraventriculares de cada lado do hipotálamo anterior de forma semelhante aos polipeptídeos não neuronais, são transportados através do trato supra-óptico-hipofisário e armazenados na hipófise posterior. A secreção de ADH está intimamente relacionada a osmolaridade plasmática (limiar teórico de 280 mOsm/Kg). Variações mínimas da osmolaridade plasmática, da ordem de 1% são capazes de promover a liberação de ADH em concentração suficiente para alterar significativamente a excreção de água. A medida que se eleva a concentração plasmática do ADH, aumenta seu efeito antidiurético, até uma antidiurese máxima ( 5pmol/l), limite do qual mesmo maior nível não aumenta o efeito antidiurético. Nestas condições, o organismo tem de recorre a outros mecanismos para manter a tonicidade de seus fluidos, como a ingestão de água, comandada pela percepção da sede. O Sódio contribui com cerca de 95% da pressão osmótica do plasma, sendo o principal responsável pela estimulação do ADH; a uréia praticamente não tem efeito, enquanto a glicose estimula a secreção do ADH na presença de insulina. Os osmorreceptores podem ser estimulados também por outros solutos plasmáticos como o Cálcio, Potássio, glicerol, acetona e ácidos orgânicos na homeostase osmótica, que em condições fisiológicas não parecem ser relevantes.
Seu efeito antidiurético depende da existência de gradiente osmótico através da célula tubular, que provém de um interstício renal hipertônico e um filtrado luminal hipotônico (dentro do túbulo). A hipertonicidade do interstício é obtida através de um sistema de contracorrente dependente do transporte ativo de solutos da alça de Henle. O ADH é um potente agente pressor, no entanto as concentrações requeridas para elevar a PA são muito superiores as que ocorrem em indivíduos normais, em condições basais. A ação pressora depende do leito vascular, níveis próximos ao fisiológico induzem a vasoconstrição das arteríolas dos leitos esplâncnico, hepático e renal. O ADH potencializa o efeito pressor das catecolaminas, de modo que, em condições de depleção de volume, o ADH endógeno liberado em grandes concentrações possa ter em papel relevante na manutenção da PA.
Diabetes Insípido Neurogênico Congênito ou hereditário Adquirido Idiopático Traumático e/ou pós-cirúrgico Associado a lesões da região hipotalâmica-hipofisária
Diabetes Insípido Nefrogênico Familiar: recessivo, ligado ao cromossomo X Adquirido
SIADH Doenças neoplásicas Desordens do SNC Drogas: Vasopressina e análogos, Ocitocina, Clorpropamida, Clofibrate, Vincristina, Vinblastina, Cisplatina, Tiazídicos, Fenotiazidas e Inibidores da Monoaminoxidase.