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Geologia do Complexo Embu-São Roque: Formação e História Tectônica, Trabalhos de Geologia

Um estudo geológico sobre o complexo embu-são roque, localizado no estado de são paulo, brasil. O texto detalha as rochas aflorantes, a história geológica cronológica, as províncias limítrofes e as interpretações geológicas dos diferentes territórios que compõem o complexo. Além disso, são discutidas as idades aproximadas de diferentes eventos geológicos, como a subducção, a cristalização de rochas e a intrusão de granitos.

Tipologia: Trabalhos

2023

Compartilhado em 21/01/2024

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matheus-florentino-1 🇧🇷

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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
JÚLIO DE MESQUITA FILHO
INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS E CIÊNCIAS EXATAS
RELATÓRIO GEOLÓGICO DE CAMPO
Elaboração geotectônica dos Complexos Cristalinos Embu e São
Roque a partir do estudo das rochas aflorantes a sudeste do
Estado de São Paulo
Discentes:
Ketlyn Cristine Fonseca Figueira
Matheus Vieira Florentino
Docentes::
Prof. Dr. George Luiz Luvizotto
Profª. Drª. Regiane Andrade Fumes
Rio Claro
2023
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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA

“JÚLIO DE MESQUITA FILHO”

INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS E CIÊNCIAS EXATAS

RELATÓRIO GEOLÓGICO DE CAMPO

Elaboração geotectônica dos Complexos Cristalinos Embu e São

Roque a partir do estudo das rochas aflorantes a sudeste do

Estado de São Paulo

Discentes: Ketlyn Cristine Fonseca Figueira Matheus Vieira Florentino Docentes:: Prof. Dr. George Luiz Luvizotto Profª. Drª. Regiane Andrade Fumes Rio Claro

SUMÁRIO

    1. INTRODUÇÃO
    • 1.1. Apresentação e objetivos
    • 1.2. Materiais e métodos
    1. SÍNTESE DA GEOLOGIA REGIONAL
    1. LOCALIZAÇÂO DO PONTO E DESCRIÇÂO
    • 3.1. Ponto
    • 3.2. Ponto
    • 3.3. Ponto
    • 3.4. Ponto
    • 3.5. Ponto
    • 3.6. Ponto
    • 3.7. Ponto
    • 3.8. Ponto
    1. RECONSTRUÇÃO DA OROGENIA BRASILIANA NA REGIÃO
    • 4.1. 750 Ma
    • 4.2. 650 - 620 Ma
    • 4.3. 600 - 580 Ma
    1. CONSIDERAÇÕES FINAIS
    1. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

2. SÍNTESE DA GEOLOGIA REGIONAL

A área de estudo integra os terrenos Embu e São Roque, pertencente ao Orógeno Ribeira, cinturão orogênico do Sistema Mantiqueira formado durante a Orogênese Brasiliana, entre o Neoproterozóico e o Cambriano (EIRADO et al. , 2006). Litologicamente, os terrenos são formados por sequências vulcanossedimentares e sedimentares metamorfizadas em baixo a médio grau, além de intrusões graníticas. A Provincia Mantiqueira representa um sistema orogênico Neoproterozóico paralelo à costa do sudeste e sul do Brasil, desenhando uma faixa de direção NE-SW que se estende até o Uruguai (HEILBRON et al., 2004). É limitada pelas províncias Tocantins, São Francisco e Paraná, e, à leste, é bordejada pela margem continental e bacias costeiras do Espiro Santo, Campos, Santos e Pelotas (HEILBRON et al ., 2004). O sistema é composto pelos orógenos Araçuaí, Ribeira, Dom Feliciano e São Gabriel, e pela zona de interferência entre os orógenos Brasília e Ribeira (HEILBRON et al., 2004) (Figura 1). A partir da zona de interferência para sul, até a borda norte do maciço de Luis Alves, estende-se um conjunto de unidades que, em parte, poderiam pertencer à extremidade sul do Orógeno Brasília, sendo assim, foram agrupadas nos terrenos Apiaí-Guaxupé e Embu (HEILBRON et al., 2004). Figura 1 – Localização da Província Mantiqueira, com enfoque para sua compartimentação Fonte: Vieira (2021).

O Orógeno Ribeira compreende um conjunto de terrenos tectônicos empilhados sucessivamente sobre a margem do Cráton São Francisco, resultado da interação de microplacas durante a aglutinação do Gondwana Ocidental (EIRADO et al., 2006; HEILBRON et al., 2004). No sudeste do Brasil, os terrenos tectonoestratigráficos são delimitados por zonas de cisalhamento neoproterozóica tardia (CAMPANHA et al., 2019). O Cinturão Ribeira Sul e Central limita-se a noroeste pelo Cráton Paranapanema, coberto pela Bacia do Paraná, a sudoeste pelo terreno cratônico Luís Alves e a nordeste pela Nappe Socorro-Guaxupé que bordeja a porção sul do Cráton São Francisco (CAMPANHA et al., 2019). É composto por diversos terrenos como Apiaí, São Roque, Curitiba, Embu e Costeiro. O Terreno Apiaí representa extensas plataformas carbonáticas e sequências metavulcanossedimentar calimpiano (CAMPANHA et al. , 2015;

  1. gerados em contexto de margem passiva do Cráton Paranapanema (CAMPANHA & SADOWSKI, 1999; CAMPOS NETO, 2000). As idades neoproterozoicas são determinadas a partir do extenso plutonismo relacionado ao arco andino que intrude as sequências metavulcanossedimentares e pelo tectonometamorfismo que afetou as rochas metassedimentares (CAMPANHA & SADOWSKI, 1999). O Terreno Curitiba, composto por uma suíte de ortognaisse migmatítica do tipo TTG paleoproterozoica e sequências metassedimentares criogênicas a ediacaranas rasas de plataforma continental (FALEIROS et al., 2011), se encontra na margem do Cráton Luís Alves e ao sul da zona de cisalhamento Lancinha-Cubatão (CAMPANHA et al., 2019). O Terreno Costeiro encontra-se a nordeste da costa, composto por uma sequência de alto grau equivalente ao Terreno Serra do Mar (CAMPOS NETO, 2000) e aos terrenos Oriental e Cabo Frio (HEILBRON et al., 2008 , SCHMITT et al., 2004). Delimitado ao sul e ao norte pela zona de cisalhamento Taxaquara e Jundiuvira, respectivamente, o Terreno São Roque, representado pelos grupos São Roque e Serra do Itaberaba, é composto por sequências vulcanossedimentares que incluem rochas semelhantes a MORB e tufos intercalados com pelitos e rochas sedimentares químicas metamorfizadas sob condições de fácies xisto verde a anfibolito (RIBEIRO et al., 2023). Datações realizadas por Juliani et al. (2000) e Henrique-Pinto et al. (2018) utilizando o

3. LOCALIZAÇÃO DO PONTO E DESCRIÇÃO

3.1. Ponto 1 O primeiro afloramento a ter sido analisado se encontrava inserido dentro do limite municipal de Piedade (SP), e compreendia a uma pequena cava a céu aberto nas proximidades da Rodovia Raimundo Antunes Soares (BR- 378 ), em coordenadas geográficas 23°42’ 46 ” S e 47°26’ 34 ” W (Figura 2). Figura 2 – Fotografia aérea da localização do ponto 1. Fonte: Google Earth Pro. Imagem obtida em 03 de dezembro de 2023. A grande predominância litológica neste local se dava por rochas foliadas de coloração esbranquiçada (Figura 3). A mineralogia essencial era constituída por pequenos cristais de quartzo, muscovita, sillimanita e feldspatos, estes que por sua vez se apresentavam intemperizados. Com base na estrutura foliar bem definida a rocha foi classificada como um xisto, especificamente um sillimanita- muscovita xisto em fácies granulito (Figura 4). Pelo alto teor de minerais aluminosos, também foi possível denominar esta rocha como um meta-pelito.

Figura 3 – Imagem proximal da rocha predominante, nota-se a cor esbranquiçada e composição micácea. Fonte: autoral. Figura 4 – Imagem distal do afloramento, onde é possível observar a nítida foliação destas rochas. Fonte: autoral. Foram coletadas medidas dos planos de foliação com o intuito de fornecer indicativos da direção preferencial das camadas, que, como mostrado na figura 5 abaixo, há um sentido preferencial para leste e com alto ângulo de mergulho. Figura 5 – Estereograma do sentido preferencial das camadas do ponto 1. Fonte: Stereonet. Outra litologia comumente encontrada, porém, em menor quantidade, eram as de rochas de coloração vermelha intensa, altamente intemperizadas (Figura 6). Estas não apresentavam registros de foliação, e a mineralogia essencial se dava por cristais de quartzo e de feldspatos, e por vezes contendo biotita. Com base nestas características foi possível descrever estas rochas como alterações de granitos, a própria ocorrência deste litotipo em estado não alterado também foi documentada nas proximidades (Figura 7).

Figura 10 – Fotografia aérea da localização do ponto 2. Fonte: Google Earth Pro. Imagem obtida em 03 de dezembro de 2023. A única litologia neste local era de rochas foliadas de difícil interpretação. A granulometria era extremamente fina, com dificuldade foram observados cristais de quartzo, micas e feldspatos, novamente estes estavam alterados (Figura 11). O diferencial destas rochas era a foliação quase vertical. Na figura abaixo pode ser observado o sentido preferencial nordeste-sudoeste das camadas, com ângulo de mergulho muito alto (Figura 12). Figura 11 – Fotografia proximal da litologia predominante no ponto 2 ; pode ser observado que a rocha é foliada, contudo os minerais não são visíveis ao olho nu, o que dificultou sua interpretação. Fonte: autoral. Figura 12 – Estereograma do sentido preferencial das camadas do ponto 2. Fonte: Stereonet. Em suma, a interpretação é de que estas rochas possam ser classificadas como ultramilonitos. A mineralogia essencial é equivalente à de um protólito granitoide, possível um granito como já documentado anteriormente.

3.3. Ponto 3 O terceiro afloramento visitado está localizado no município de Votorantim (SP), pode ser classificado como um corte de estrada no bairro Francisco Nunes Mendes, na intersecção da BR-378 com a rua Francisco Cassola Neto, em coordenadas geográficas 23 °33’ 10 ” S e 47°26’51” W (Figura 13). Figura 13 – Fotografia aérea da localização do ponto 3. Fonte: Google Earth Pro. Imagem obtida em 03 de dezembro de 2023. O afloramento possuía aproximadamente três metros de altura, com um predomínio de rochas foliadas, mineralogicamente compostas por cristais de quartzo, feldspato, micas e cordierita, que se mostrava o grande diferencial nesta parada (Figura 14). Algumas camadas eram mais rígidas, evidenciando uma alternância litológica de rochas mais quartzosas (Figura 15).

municípios de Araçariguama (SP) e Pirapora do Bom Jesus (SP), em coordenadas geográficas 23 °25’ 53 ” S e 47° 02 ’ 06 ” W (Figura 17). Figura 17 – Fotografia aérea da localização do ponto 4. Fonte: Google Earth Pro. Imagem obtida em 03 de dezembro de 2023. O afloramento é uma continuação do ponto anterior, portanto a litologia permanece a mesma, ou seja, são rochas meta-pelíticas foliadas compostas por quartzo, feldspato e micas, contudo não foi observado a presença de cordieritas nesta parada (Figuras 18 e 19). Figuras 18 e 19 – Fotografias das rochas aflorantes no ponto 4, sendo possível observar a diferença composicional nas camadas, dado pela variação de cor, e a foliação como vista na figura a direita. Fonte: autoral. Assim como os demais pontos, neste também foram coletadas medidas estruturais com o propósito de indicar a direção preferencial das camadas, que neste caso é para noroeste-sudeste, mas com um sentido de mergulho contrário

ao do afloramento anterior, sendo em sentido nordeste com alto ângulo (Figura 20 ). Figura 20 – Estereograma do sentido preferencial das camadas do ponto 4. Fonte: Stereonet 3.5. Ponto 5 Na quinta parada foi visitado a praça geológica de Pirapora de Bom Jesus (SP), a área consiste em um afloramento de relevância cientifica em que sua deterioração é proibida. Está localizado no bairro Jardim Bom Jesus, na esquina da avenida Alaor Viegas com a rua vincentão, em coordenadas geográficas 23 °24’ 04 ” S e 47°0 0 ’ 39 ” W (Figura 21). Figura 21 – Fotografia aérea da localização do ponto 5. Fonte: Google Earth Pro. Imagem obtida em 03 de dezembro de 2023. A praça compreende um afloramento de rochas meta-básicas em que a estrutura reliquiar foi preservada (Figura 22). Esta estrutura representa as

Figura 23 – Fotografia aérea da localização do ponto 6. Fonte: Google Earth Pro. Imagem obtida em 03 de dezembro de 2023. Há um único litotipo nesta região, sendo o de uma rocha ortoderivada de composição quartzo-feldspática, possuindo foliação, mas de difícil visualização, há também a presença de bandamentos miloníticos, o que caracterizou a rocha como um milonito de granito (figuras 24 e 2 5). Diferentemente dos milonitos do ponto 2, nestes os minerais possuem tamanhos maiores. Figuras 24 e 25 – Fotografias proximais da rocha aflorante neste local; é possível notar estruturas bandadas, além da coloração predominantemente vermelha da rocha, típico de granitos milonitizados. Fonte: autoral.

3.7. Ponto 7 O penúltimo ponto visitado está inserido no território municipal de Itu (SP), e compreende um corte de estrada na rodovia engenheiro Herculano Godoy Passos (BR-300), em sentido ao município de Salto (SP), nas coordenadas geográficas 23 °15’ 0 0” S e 47°16’ 56 ” W (Figura 26). Figura 26 – Fotografia aérea da localização do ponto 7. Fonte: Google Earth Pro. Imagem obtida em 03 de dezembro de 2023. Neste local também há o predomínio de um único litotipo e consiste em migmatitos ortoderivados, composicionalmente formados por quartzo e feldspato nos leucossomas, e ortopiroxênios nos melanossomas. Segundo a classificação para migmatitos de Mehnert (1968), a relação leucossoma e melanossoma observada em campo foi predominantemente constituída por dobras (tipo 7), com menores partes estiolíticas (tipo 8) e estromáticas (tipo 5) (Figura 27)

Figura 28 – Fotografia aérea da localização do ponto 8. Fonte: Google Earth Pro. Imagem obtida em 03 de dezembro de 2023. O parque expõe granitos de grande variedade granulométrica e estrutural (Figura 29). Alguns são mais finos, à medida que outros são mais grossos, texturas rapakivi e estruturas schilieren também foram observadas em alguns casos. A única característica semelhante em todos os casos é a coloração rosada e a mineralogia típica dos granitoides, como quartzo, feldspato, plagioclásio e biotita. Figura 29 – Composição de diferentes variações dos granitos, mostrando diferenças estruturais e granulométricas. Fonte: autoral.

4. RECONSTRUÇÃO DA OROGENIA BRASILIANA NA

REGIÃO

A partir dos afloramentos observados no trabalho de campo, dos dados geocronológicos e litoestratigráficos informados pelos docentes ao decorrer da aula prática e dos conhecimentos disponíveis na literatura é possível reconstruir a orogenia brasiliana para a região estudada. A reconstrução foi dividida em três períodos distintos: 750 Ma, 650-620 Ma e 600- 580 Ma. Essas idades correspondem, respectivamente, ao fim da subducção a noroeste e início da colisão entre o Cráton São Francisco, à cristalização do granito São Francisco, ao metamorfismo de contato no Domínio São Roque, à cristalização de basaltos com estrutura pillow lava e obducção, às intrusões graníticas e as zonas de cisalhamento Itu-Jundiuvira e Taxaquara. O modelo esquemático de cada uma das idades se encontra na figura 30. Figura 30 – Modelo esquemático dos 3 estágios da Orogênese Brasiliana na região estudada. Fonte: Inkscape. 4.1. 750 Ma A reconstrução da Orogenia Brasiliana se inicia com a edificação de um arco magmático com diversas unidades vulcano-plutônicas cálcio-alcalinas pertencentes ao Orógeno São Gabriel (HEILDRON et al., 2004). O domínio plutônico é constituído por ortognaisses TTC associados as rochas máfico-