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Relatório Urinálise, Notas de aula de Biomedicina

Aula prática de Bioquímica

Tipologia: Notas de aula

2011
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Compartilhado em 31/08/2011

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uziel-suwa-3 🇧🇷

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1. RESUMO
O presente relatório busca expor a aula prática de Bioquímica Básica, na qual foram
realizados procedimentos que visaram o entendimento do exame EAS, nas suas três etapas:
física, química e sedimentoscopia. O qual é de fundamental importância na vida profissional
de um Biomédico.
1. INTRODUÇÃO TEÓRICA
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1. RESUMO

O presente relatório busca expor a aula prática de Bioquímica Básica, na qual foram realizados procedimentos que visaram o entendimento do exame EAS, nas suas três etapas: física, química e sedimentoscopia. O qual é de fundamental importância na vida profissional de um Biomédico.

1. INTRODUÇÃO TEÓRICA

A análise da urina para o diagnóstico de doenças tem sido usada por muitos séculos, sendo um dos procedimentos laboratoriais mais antigos utilizado na prática médica. A amostra de urina pode ser considerada com uma biópsia do trato urinário, obtida sem a necessidade de procedimento invasivo. Seu exame fornece informações importantes, de forma rápida e econômica, seja para o diagnóstico e monitoramento de doenças renais e do trato urinário seja para a detecção de doenças sistêmicas e metabólicas não diretamente relacionadas com o rim. Como a exatidão da análise da urina é dependente da qualidade da amostra, todos os cuidados devem ser tomados para que a amostra de urina seja colhida, armazenada e transportada adequadamente. Tipos de amostras de urina A amostra de escolha para realização do exame de urina é a primeira urina da manhã, de jato médio, após período não inferior a 4 horas de permanência da urina na bexiga. É recomendado que a coleta seja realizada após 8 horas de repouso, isto é, antes da realização das atividades físicas habituais do indivíduo e, preferencialmente, em jejum. Na impossibilidade de se colher a primeira urina da manhã, pode-se obter, alternativamente, amostra de urina dita aleatória. Neste caso a coleta pode ser realizada em qualquer momento do dia. A amostra obtida de colheita aleatória pode ser usada para a análise, porém está mais freqüentemente associada com resultados falso negativos e falso positivos. Visando minimizar estes resultados recomenda-se que a amostra de urina seja colhida após período não inferior a 4 horas da última micção. Outros métodos de coleta de urina incluem: cateterismo vesical, punção suprapúbica e o uso de sacos coletores pediátricos. Para todos, a coleta requer obrigatoriamente a assistência de profissional do laboratório treinado adequadamente. Com exceção da punção suprapúbica e do cateterismo vesical, as amostras de urina são obtidas pelo paciente através de micção espontânea. Assim, o laboratório deve prover orientações suficientes, ou mesmo acompanhar a coleta, visando garantir amostra de urina livre de contaminação fecal, secreção vaginal, esmegma, pêlos pubianos, pós, óleos, loções e outros materiais estranhos. Não se deve recuperar urina de fraldas. O EAS é o exame de urina mais simples. Colhe-se 40-50 ml de urina em um pequeno pote de plástico. Normalmente solicitamos que se use a primeira urina da manhã e que se despreze o primeiro jato. Essa pequena quantidade de urina serve para eliminar as

Volume: A medida do volume urinário apresenta interesse, somente quando tomada do volume total emitido nas 24 horas, em função da dosagem, ou na verificação de nictúrias, poliúrias e oligúrias. Mede-se o volume urinário em cálices ou provetas graduadas de boa procedência, tomando-se o cuidado de utilizar vidrarias rigorosamente limpa, quando há necessidade de realização de outros exames. Aspecto: - Límpido (transparente)

  • Opaco
  • Ligeiramente turvo
  • Turvo
  • Muito Turva
  • Leitoso O aspecto de urina normal e recentemente emitida é límpido. Decorridas algumas horas após a emissão, a turvação da urina perde seu significado diagnóstico, ocorrendo precipitação dos colóides protetores, pela perda de CO 2 e consequentemente, a facilitação para a precipitação de sais, fosfatos, caboidratos e uratos, que poderão surgir com a mudança de pH, formando grandes depósitos. Quando a urina é alcalina, em geral há precipitação de fosfatos alcalinos, terrosos normalmente excretados. A urina ácida normal também pode mostrar-se turva devida à precipitação de uratos amorfos, cristais de oxalato de cálcio ou ácido úrico. Além dos cristais amorfos, outras substâncias causam turvação na urina leucócitos, hemácias células epiteliais e bactérias. Também fazem o mesmo efeito os lipídeos, soro muco, linfa e contaminação externa com talco e material de contraste radiográfico. Quando uma amostra de urina recentemente emitida apresenta turvação é motivo de preocupação. Causas de turvação urinária:
  1. Urina ácida (urato amorfo e material de contraste radiográfico)
  2. Urina alcalina (fosfato amorfos)
  3. Termossolúveis (uratos amorfos, cristais de ác. Úrico)
  4. Solúvel em ác. Acético diluído (hemácias, fosfatos amorfos, carbonatos)
  5. Insolúvel em ác. Acético diluído (leucócitos, bactérias, leveduras, espermatozóide) 6- Solúvel em éter (lipídeos, linfa, quilo) Uma urina transparente, nem sempre significa normalidade.

Na segunda etapa parte mergulha-se na urina uma fita (dipstick). Cada fita possuiu vários quadradinhos coloridos compostos por substâncias químicas que reagem com determinados elementos da urina. Após 1 minuto, compara-se a cores dos quadradinhos com uma tabela de referência que costuma vir na embalagem das próprias fitas do EAS.

Através destas reações e com o complemento do exame microscópico, podemos detectar a presença e a quantidade dos seguintes dados da urina:

-Densidade

  • pH
  • Glicose
  • Proteínas
  • Hemácias (sangue)
  • Leucócitos
  • Cetonas
  • Urobilinogênio e bilirrubina
  • Nitrito
  • Cristais
  • Células epiteliais e cilindros

Os resultados do dipstick são qualitativos e não quantitativos. A fita identifica a presença dessas substâncias, mas a quantificação é apenas aproximada. O resultado é normalmente fornecido em uma graduação de cruzes de 0 a 4. Vamos, então, aos valores de referência: Bilirrubina: Traços que produzem cor rosada são suficientes para indicar a presença de bilirrubina na urina e sugerir investigação adicional. A maior parte da bilirrubina é derivada da porção heme da hemoglobina oriunda de hemácias velhas destruídas pelas células do sistema reticuloendotelial do baço, fígado e medula óssea. A bilirrubina não- conjugada (ou indireta) produzida é transportada na corrente sanguínea ligada à albumina, não sendo capaz de atravessar a barreira glomerular renal. No fígado, a bilirrubina é captada e conjugada com o ácido glicurônico, tornando-se hidrossolúvel sendo, então, capaz de atravessar os glomérulos renais e aparecer na urina. Normalmente, a bilirrubina conjugada (ou direta) é excretada através da bile para o intestino delgado e não está presente na urina. Sua presença na urina é observada quando há aumento da concentração de bilirrubina conjugada no sangue (> 1-2 mg/dL) e indica obstrução das vias biliares ou lesão de hepatócitos. Desta

não contêm esterase leucocitária. Como os leucócitos podem sofrer lise na urina, a pesquisa da esterase leucocitária é útil na detecção de enzima derivada de células que não são mais visíveis à microscopia. A presença de leucócitos na urina em número significativo está relacionada, mais comumente, com infecção urinária (pielonefrite e cistite). Outros processos inflamatórios do trato genito-urinário podem levar ao aumento de leucócitos sem a presença debacteriúria. O limite de detecção da Uriquest se encontra entre 10 e 20 leucócitos/ microlitro, portanto, qualquer resultado entre negativo e 25 leucócitos/microlitro pode ter significado clínico. Nitrito: Qualquer grau de coloração laranja a rosado éindicativo de um resultado positivo 5 sugerindo uma quantidade 10 organismos por mililitro de urina. Apesquisa de nitrito representa testebastante útil na detecção debacteriúria assintomática. O teste do nitrito indica presença de bactérias na urina que são capazes de converter nitrato em nitrito , podendo auxiliar no diagnóstico da infecção urinária. Bactérias que convertem nitrato em nitrito incluem, principalmente, bactérias gram-negativo como Escherichia coli, Proteus, Klebsiella, Citrobacter, Aerobacter, Samonella, além de algumas cepas de Pseudomonas e raras de Staphylococcuse Enterococcus.

pH: Normalmente a urina é discretamente ácida (pH 5,0 ou 6,0). A determinação do pH não constitui, isoladamente, índice da capacidade renal de excreção de ácidos, apresentando valor limitado na investigação de disfunções renais. Urina alcalina freqüentemente indica que a amostra foi mantida à temperatura ambiente por mais de 2 horas, entretanto, quando colhida e armazenada adequadamente, pode sugerir infecção urinária.

Proteína: O teste é particularmente sensível à albumina e menos sensível às outras proteínas. Apesar de ocorrer uma excreção de proteínas na urina de indivíduos sadios (até 15 mg/dL), a Uriquest detecta valores iguais ou maiores que 30 mg/dL. A detecção de proteínas é provavelmente o achado isolado mais sugestivo de doença renal. Proteinúria por aumento da permeabilidade glomerular ocorre em glomerulonefrites, nefrite lúpica, amiloidose, obstrução da veia renal , nefroesclerose , pré-eclâmpsia e nefropatia diabética. Proteinúria devida a desordens tubulares ocorre na pielonefrite, necrose tubularaguda , rimpolicístico, intoxicação por metaispesados e vitamina D, hipopotassemia,Doença de Wilson, Síndrome de Fanconi e galactosemia.Outras condições podemlevar a proteinúria: proteinúriapostural (3 a 5% de adultos jovenssadios), estado febril, exercício físicovigoroso, exposição prolongada ao frio ou calor, estresse emocional einsuficiência cardíaca congestiva.

Sangue: A presença de sangue naurina pode ser confirmada atravésda detecção na urina de hemáciasíntegras - hematúria (5 hemácias/microlitro de urina) ou de hemoglobina- livre hemoglobinúria (0,015mg/dL de urina). A hematúria resultade sangramento em qualquer pontodo trato urinário desde o gloméruloaté a uretra, podendo ser devidodoenças renais, infecção, tumor,trauma, cálculo, distúrbios hemorrágicosou uso de anticoagulantes. Ahemoglobinúria pode resultar dehemólise intravascular, no tratourinário ou na amostra de urina apósa colheita. A diferenciação entrehematúria e hemoglobinúria éclinicamente importante, porém, como as hemácias na urina são rapidamente lisadas, a ausência dehemácias à microscopia não afasta hematúria ou confirma a hemoglobinúria.

Urobilinogênio: A bilirrubinaconjugada liberada no intestinodelgado com a bile é desconjugadapor ação de bactérias da microbiotaindígena intestinal. A bilirrubinalivre é, então, reduzida a urobilinogênio,estercobilinogênio emesobilirrubinogênio que são transformados em pigmentos que dão a cor habitual das fezes. Parte do urobilinogênio produzido retorna ao sangue, através da circulação enterohepática. A maior parte do urobilinogênio reabsorvido é removido pelo fígado e uma pequena porção é excretada na urina (<1 mg/dL). Quando há produção elevada de bilirrubina (anemias hemolítica e megaloblástica) observa-se aumento do urobilinogênio reabsorvido, com conseqüente aumento da eliminação deste na urina. Nas disfunções ou lesões hepáticas (hepatites, cirrose e insuficiência cardíaca congestiva), o fígado torna-se incapaz de remover o urobilinogênio reabsorvido tornando sua pesquisa na urina positiva. Outras condições onde há aumento do urobilinogênio urinário incluem: estados de desidratação e febril. O teste da Uriquest não é afetado por interferentes que produzem resultados falso positivos na reação de Ehrlich. Resultados iguais ou maiores que 2,0 mg/dL devem ser considerados como positivos ou patológicos.

Nas amostras disponibilizadas no laboratório foi realizado o POPS (Procedimentos Operacionais Padrão), também chamado de fase pré-analítica, onde identificou-se a amostra com nome, idade e sexo com pincel no corpo e na tampa dos coletores, foi feita a preparação da a amostra onde as amostras foram transferidas para tubos de ensaio de 10 mL identificados, acondionando-as em estante para tubos de ensaio. Em seguida foram feitos o teste físico e químico. Para o teste químico foi utilizado à fita reagente (figura 1). O teste físico foi feito a olho nu.

Figura 1: Fita reagente para urinálise.

A análise do sedimento (Sedimentoscopia) foi realizada de acordo com as diretrizes do NCCLS (National Committee for Clinical Laboratory Standards – USA) GP16- A24, onde 10 mL de amostra de urina é centrifugada por 5 a 15 minutos a 1480 rpm (rotações por minuto) e após o descarte do sobrenadante, o centrifugado (0,5 mL) é ressuspendido e 20 μL da suspensão são colocados entre lâmina e lamínula para análise microscópica em um aumento de 400 vezes.

  1. RESULTADOS E DISCUSSÕES No teste físico, a olho nu foi identificada a cor amarelo claro, aspecto límpido de cheiro sui gêneris, caracterizando uma amostra de urina normal. A urina normal é essencialmente composta de água, tem coloração variável entre o incolor e o amarelo

(dependente da dieta, atividades físicas e principalmente da ingestão de água), e carreia substâncias de excreção, resultantes do metabolismo do organismo. No teste químico feito com fita reagente, obeteve-se os resultados (tabela 1): Tabela 1: Resultado do Teste Químico

Resultado do Teste Químico Resultado Valor de referência Densidade 1025 1.005 a 1.035; pH 6 5- Glicose Negativo Ausente Proteínas Negativo Menos que 10 mg/dL ou 0,05 g/L Sangue Negativo Menos que 10.000 células por mL Bilirubina Negativo Negativo Urobilinogênio Negativo Normal Nitrito Negativo Negativo Leucócitos Negativo Menos 10.000 células por mL Ácido ascórbico Ausente -

O pH na fita reagente tem a cor salmão, no resultado apresentou a cor salmão claro, estimando a quantitativa de pH 6,0 considerado normal.

A densidade na fita é indicada pela cor verde escuro, no resultado apresentou uma coloração verde oliva, estimando quantitativamente uma densidade de 1,020, considerada normal.

A proteína é indicada pela cor amarela, no resultado permaneceu a mesma cor indicando normalidade para proteína.

A glicose é representada pela cor verde piscina, no resultado a cor permaneceu inalterada, indicando glicose normal.

A cetona é indicada pela cor rosa, que também permaneceu inalterada. O sangue é representado pela cor amarela permanecendo inalterada no resultado. A bilirubina, o urobilinogênio, o nitrito e o leucócito também permaneceram inalterados, indicando resultado normal para a amostra analisada.

Figura 2: Piócito

Figura 3: Hemácias

Figura 4: Célula Epitelial

  1. CONCLUSÃO O conhecimento deste tipo de exame é essencial para a vida profissional de um biomédico. Deve-se ter boa infra-estrutura de modo a promover uma adequada condição de trabalho, armazenamento e processamento do material além de equipamentos calibrados e matéria-prima específica e de qualidade. A uroanálise é simples, rápida e de fácil diagnostico para presença de alterações, porém com muita cautela deve ser realizada. A correta análise da lâmina trará resultados que se analisados em conjunto com outros exames poderão dar informações importantes para que o profissional de saúde possa fazer o diagnostico preciso e garantir o melhor tratamento para o paciente.