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respostas do manual de filosofia com interesse
Tipologia: Exercícios
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Página 182
1. (D). Página 184 1. Kant conclui que a boa vontade é o mais elevado bem, pois só a boa vontade é boa em si mesma, isto é, absolutamente boa, sem reservas. Como afirma o filósofo no documento, «nada é possível pensar que possa ser considerado como bom sem limitação a não ser uma só coisa: uma boa vontade». Talentos do espírito, como o discernimento e a capacidade de julgar, qualidades do temperamento, como a coragem e a constância, ou dons da fortuna, como o poder ou a riqueza, são características boas e desejáveis, sem dúvida, mas podem ser também más e indesejáveis, dependendo do uso que a vontade delas fizer. Nenhuma destas qualidades será boa se a vontade não o for em si mesma. Página 186 1.1. Não. A ação não tem valor moral, por muito amável que possa ser. Trata-se de uma ação correta, mas apenas em conformidade com o dever. Cumpre o dever, mas a sua realização acontece porque daí resulta um benefício ou a satisfação de um interesse. Tal como Zuckerberg afirma, tem como objetivo melhorar o mundo e torná-lo num lugar melhor. A própria divulgação da ação revela, implicitamente, a inclinação de a ver reconhecida. Apenas as ações por dever, praticadas por puro respeito ao dever (aquelas em que o dever é um fim em si mesmo) são verdadeiras ações morais. Página 187 1. Não. Para Kant, fazer o que está certo é condição necessária, mas não suficiente para agir moralmente. Importa conhecer a intenção (ou motivo) subjacente ao cumprimento do dever. Por exemplo, um merceeiro que escolhe a honestidade para não perder os seus clientes faz o que é correto, cumpre o dever, mas a sua ação não possui, diz Kant, qualquer valor moral. O seu interesse assim o exigia. A sua intenção foi, portanto, egoísta. Do mesmo modo, faz o que é correto a pessoa que é caridosa e solidária, porque encontra prazer em espalhar alegria à sua volta e se alegra com o contentamento dos outros, mas também neste caso a sua ação carece de valor moral, por muito generosa que possa ser. Tanto num como noutro caso, falamos de ações em conformidade com a lei, pois a ação cumpre o dever, respeita a lei, mas a sua realização acontece porque daí resulta um benefício ou a satisfação de um interesse. Apenas as ações por dever, praticadas por puro respeito ao dever (aquelas em que o dever não é um meio, mas um fim em si mesmo) são verdadeiras ações morais. Página 190 1. Universalidade: «Temos de poder querer que uma máxima da nossa ação se transforme em lei universal». Agir moralmente implica adotar uma perspetiva universal, colocar de parte os sentimentos e os interesses particulares, escolher imparcialmente e poder responder racional, afirmativamente e sem reservas à seguinte questão: Podes tu querer também que a tua máxima se converta em lei universal? Se não pudermos, então devemos rejeitá-la. Página 191 1. Não. A lei moral, o imperativo categórico, não depende de cada um de nós enquanto seres humanos com interesses e desejos. Não é uma lei subjetiva. A lei moral é uma lei objetiva que é estabelecida pela razão, sem admitir exceções ou considerações particulares. Se se considerar apenas o ponto de vista imparcial da razão, todas as pessoas chegarão à mesma conclusão, a um imperativo universal que todas reconhecem como válido. Página 192 1. (C).
Páginas 196- 197
1. A; I; O; S; U; W; X; Y; Z. 2. Não. Kant defende o caráter objetivo e absoluto do dever moral de não maltratar pessoas inocentes, o que está em clara oposição com a lei Gjakmarrja do código Kanun. Matar uma pessoa inocente é errado, sejam quais forem as circunstâncias do agente e as consequências de não a matar. O que aconteceria se, neste caso, a minha máxima – Devo vingar a morte do meu familiar matando alguém da família do assassino – fosse transformada em lei universal? Uma máxima como esta, logo que transformada em lei universal, daria origem a uma sequência infindável de homicídios e tornaria inviável qualquer sociedade. A lei Gjakmarrja do código Kanun não é, portanto, universalizável sem que se anule a si mesma. Além disso, vê no outro um meio para alcançar fins. Agir moralmente implica adotar uma perspetiva universal, agir racionalmente e respeitar o valor absoluto de cada ser humano. 3.1. O excerto faz referência à possibilidade de conflito entre regras, que decorre da ideia kantiana de que as regras morais são absolutas. **Página 200
1.1. Não. Trata-se de uma ação claramente contra o dever – imoral, portanto. Por um lado, cometer suicídio é agir contra a razão (que o proíbe) e deixar-se determinar por desejos e inclinações. Por outro lado, o suicídio não pode ser universalizado. É impossível existir um mundo no qual todos decidamos cometer suicídio. Não podendo existir tal mundo, o suicídio é condenado. 1.2. Sim. Na perspetiva de Mill, a ação descrita poderá ter valor moral. Ao contrário do deontologismo, utilitaristas como Mill defendem que não há deveres absolutos. Dependendo das circunstâncias e das alternativas, algumas ações habitualmente consideradas incorretas ou imorais, como matar, podem ser consideradas corretas. Segundo o princípio da maior felicidade, o fim último é uma existência isenta tanto quanto possível de dor e tão rica quanto possível em prazeres. A ação moralmente correta será aquela que, tendo em conta as alternativas, maximiza a felicidade do maior número. Ora, a doença, irreversível e incurável causa a Maria sofrimento físico e psicológico intolerável, impedindo-a de usufruir dos prazeres da vida por conta da dor. Tal leva-a a ela e, por consequência, aos seus, a considerar a morte um bem, ao invés de um mal. Neste sentido, na perspetiva de Mill, a ação de Ángel pode ser considerada correta e moral. 2.1. A ética de Kant é deontológica: valoriza as intenções do agente, os seus motivos e despreza os resultados da ação. Tal como refere o texto, «o essencialmente bom na ação reside na disposição, seja qual for o resultado». A única disposição ou intenção moralmente aceitável é o respeito absoluto pelo dever moral. Já a ética de Mill é consequencialista: valoriza os resultados previsíveis da ação e despreza as intenções do agente. As disposições ou motivos do agente dizem respeito ao caráter do agente e são, para Mill, irrelevantes. 2.2. Para Kant, os deveres morais assumem a forma do imperativo categórico. São princípios absolutos, aplicam-se incondicionalmente (ordenam imediatamente e não se relacionam com a matéria da ação). Já para Mill, os deveres morais orientam-se pelo critério da utilidade. São relativos às condições existentes e aos resultados previsíveis face a elas.