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Resumo dermatozooses, Resumos de Dermatologia

Conceito, quadro clinico, classificações, diagnóstico e tratamento das dermatozooses em geral

Tipologia: Resumos

2021

Compartilhado em 07/04/2022

ingridbouillet
ingridbouillet 🇧🇷

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Dermatozooses
Dermatoses por ácaros
Escabiose
Conceito e patogenia:
Escabiose ou sarna, é uma dermatose bem
característica, produzida por um ácaro.
Transmitida por contato pessoal, sem preferência
por idade, sexo ou raça.
A transmissão por roupas é excepcional (= rara)
Agente etiológico:
Sarcoptes scabiei, var. hominis
O parasita completa todo o ciclo biológico no
homem; fora do hospedeiro, morre em menos de uma
semana.
A fêmea tem 0,3 a 0,4 mm de comprimento, e o
macho tem a metade desse tamanho.
O macho não invade a pele e morre após a cópula.
↳" A fêmea fecundada penetra na camada córnea e
escava um túnel, particularmente à noite, depositando
2 a 3 ovos por dia, durante algumas semanas, então
morre Os ovos, em alguns dias, originam larvas
hexápodes, que vêm à superfície da pele e mudam para
ninfas octópodes, as quais originam ácaros adultos. O
período do ciclo do ovo ao ácaro adulto é em média de
duas semanas → Após fecundação, as fêmeas escavam
novos sulcos, completando-se o ciclo vital.
Epidemiologia:
Superpopulação
Pobreza
Higiene precária.
Quadro clínico
:
O principal sintoma é o prurido, em geral, intenso
durante a noite.
Semiótica da escabiose Avaliar 3 elementos: o
sulco, a distribuição e as lesões secundárias.
Sulco: Pequena saliência linear escavado pelo
parasita, não maior que 1 cm, apresentando, em
uma das extremidades, uma vesicopapula,
perlácea, do tamanho da cabeça de um alfinete,
onde se encontra a fêmea do ácaro e onde ela deve
ser pesquisada. não apresenta complicações
secundárias. Não apresenta complicações
secundarias!
↳" Distribuição: É característica, afetando
principalmente os espaços interdigitais das mãos,
axilas, cintura, nádegas, mamas, pênis, face e pés.
Em crianças, ocorrem lesões também nas palmas,
nas plantas, no couro cabeludo e no pescoço.
↳" Lesões Secundárias: São escoriações e
piodermites, como impetigo, foliculite, furúnculo e
ectima. Em crianças, são encontradas urticas e
áreas de eczematização. No idoso, as lesões são
poucos visíveis e o quadro clínico caracteriza-se
pelo prurido, eventualmente intenso, escoriações.
Há vários quadros clínicos:
Higiene excessiva: Vários banhos diários “sarna em
gente limpa”. Lesões mínimas e passam despercebidas.
Crianças: Lactentes; lesões urticadas ou
eczematosas, que mascaram o quadro. Importância
existência de lesões nas palmas, nas plantas e no couro
cabeludo.
Idosos: Na pele senil,
a reação é mínima.
Prurido noturno,
geralmente intenso, e
presença de
escoriações. Fato
peculiar = ocorrem lesões no dorso!
Lesões no dorso prurido senil e tratado como essa
diagnose por meses.
Escabiose (sarna) nodular: Podem surgir lesões
papulonodulares, pruriginosas, localizadas nas regiões
genital, inguinal e axilar.
São encontradas, em homens, no escroto e no pênis.
Elas permanecem pós-tratamento e constituem reação
de sensibilidade a
produtos de
degradação
parasitária.
Hiperinfestação:
caracteriza-se pela
extensão e pela
diversidade das lesões, com escoriações, crostas, áreas
de liquenificação e impetiginizadas. Ocorrem em
imunodeprimidos, particularmente em HIV-positivos,
desnutridos ou de higiene precária.
Sarna crostosa: Forma de hiperinfestação parasitária
também encontrada em imunodeprimidos,
desnutridos ou pessoas de higiene precária;
caracterizada pela formação de crostas,
Ingrid Bouillet, 5ºP
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Dermatozooses

Dermatoses por ácaros

Escabiose

Conceito e patogenia:

→ Escabiose ou sarna , é uma dermatose bem característica, produzida por um ácaro. → Transmitida por contato pessoal , sem preferência por idade, sexo ou raça. ↳ A transmissão por roupas é excepcional (= rara) Agente etiológico :

  • Sarcoptes scabiei, var. hominis ↳ O parasita completa todo o ciclo biológico no homem; fora do hospedeiro, morre em menos de uma semana. ↳ A fêmea tem 0,3 a 0,4 mm de comprimento, e o macho tem a metade desse tamanho. ↳ O macho não invade a pele e morre após a cópula. ↳ A fêmea fecundada penetra na camada córnea e escava um túnel, particularmente à noite, depositando 2 a 3 ovos por dia, durante algumas semanas, então morre → Os ovos, em alguns dias, originam larvas hexápodes, que vêm à superfície da pele e mudam para ninfas octópodes, as quais originam ácaros adultos. O período do ciclo do ovo ao ácaro adulto é em média de duas semanas → Após fecundação, as fêmeas escavam novos sulcos, completando-se o ciclo vital. Epidemiologia:
  • Superpopulação
  • Pobreza
  • Higiene precária.

Quadro clínico:

  • O principal sintoma é o prurido , em geral, intenso durante a noite.
  • Semiótica da escabiose → Avaliar 3 elementos: o sulco, a distribuição e as lesões secundárias. ↳ Sulco : Pequena saliência linear escavado pelo parasita, não maior que 1 cm, apresentando, em uma das extremidades, uma vesicopapula, perlácea, do tamanho da cabeça de um alfinete, onde se encontra a fêmea do ácaro e onde ela deve ser pesquisada. não apresenta complicações secundárias. Não apresenta complicações secundarias! ↳ Distribuição : É característica, afetando principalmente os espaços interdigitais das mãos, axilas, cintura, nádegas, mamas, pênis, face e pés. Em crianças, ocorrem lesões também nas palmas, nas plantas, no couro cabeludo e no pescoço. ↳ Lesões Secundárias : São escoriações e piodermites, como impetigo, foliculite, furúnculo e ectima. Em crianças, são encontradas urticas e áreas de eczematização. No idoso, as lesões são poucos visíveis e o quadro clínico caracteriza-se pelo prurido, eventualmente intenso, escoriações.
  • Há vários quadros clínicos: ↳ Higiene excessiva : Vários banhos diários – “sarna em gente limpa”. Lesões mínimas e passam despercebidas. ↳ Crianças : Lactentes; lesões urticadas ou eczematosas, que mascaram o quadro. Importância existência de lesões nas palmas, nas plantas e no couro cabeludo. ↳ Idosos : Na pele senil, a reação é mínima. Prurido noturno, geralmente intenso, e presença de escoriações. Fato peculiar = ocorrem lesões no dorso! Lesões no dorso – prurido senil e tratado como essa diagnose por meses. ↳ Escabiose (sarna) nodular : Podem surgir lesões papulonodulares, pruriginosas, localizadas nas regiões genital, inguinal e axilar. São encontradas, em homens, no escroto e no pênis. Elas permanecem pós-tratamento e constituem reação de sensibilidade a produtos de degradação parasitária. ↳ Hiperinfestação: caracteriza-se pela extensão e pela diversidade das lesões, com escoriações, crostas, áreas de liquenificação e impetiginizadas. Ocorrem em imunodeprimidos, particularmente em HIV-positivos, desnutridos ou de higiene precária. ↳ Sarna crostosa: Forma de hiperinfestação parasitária também encontrada em imunodeprimidos, desnutridos ou pessoas de higiene precária; caracterizada pela formação de crostas,

Ingrid Bouillet, 5ºP

particularmente nas áreas de eleição da parasitose, as quais podem alcançar vários milímetros de espessura. O quadro não diagnosticado pode desencadear surtos de escabiose em asilos, hospitais e casas de repouso. Diagnose:

  • Prurido noturno
  • Familiares na mesma residência apresentando prurido.
  • O exame objetivo, pelo encontro de sulcos ou pela distribuição, confirma a diagnose. Diagnóstico: → Clínico! ↳ Pápulas, micro-pápulas, escoriações associadas à prurido.
  • Pesquisa por ácaros, ovos e cíbalos (bonicos) do ácaro rotineiramente. Tratamento:
  • Permetrina 5% ↳ creme ou loção a 5%, passar em todo o corpo (pescoço aos pés) deixando agir por 10 - 12h. Após, o paciente deve tomar banho e repetir outra aplicação após 24 horas.
  • Ivermectina ↳ 200 μg/kg para adultos e crianças maiores, acima de 5 anos. Deve ser administrada por via oral (VO) em dose única que pode ser repetida após uma semana. Em imunocomprometidos, são necessárias duas doses.
  • Benzoato de Benzila 25% ↳ 24horas, 3 dias. Profilaxia:
  • Contatos com pessoas infestadas.
  • Tratar simultaneamente todas as pessoas atingidas pela parasitose. Demodecidose Conceito: → Demodicose ou demodecidose. Agente etiológico:
    • Demodex foliculorum ↳ ácaro pequeno que tem as peças bucais e patas atrofiadas, e normalmente, habita o folículo pilossebáceo da face e do tórax. ↳ Não causa doença, mas em algumas pessoas, por aumento da quantidade do ácaro ou por uma alteração de imunidade de flora bucal da pele, pode ocorrer uma hiperproliferação de ácaro e provocar doença. ↳ Após a cópula no poro folicular, a fêmea deposita os ovos no folículo → O ácaro alimenta-se de detritos celulares e bactérias. Quadro clínico: → Muito parecido com a acne e rosácea, e entra no DD da acne e rosácea. → No tronco e nas costas, vai ser semelhante a foliculite. → Observa-se uma pápula, pústula folicular. DD: Foliculite. Diagnóstico laboratorial:
    • Confirmado pelo encontro do ácaro no exame direto de material obtido pela raspagem de lesões. Tratamento:
    • Permetrina 5% ↳ não prescrever sabonete, pois pode piorar e causar uma dermatite.
    • Ivermectina200 mg/kg DU
    • Peróxido de benzoila ou enxofre Ixodíase → Os ixodides ou carrapatos são acarianos ectoparasitos, que se alimentam do sangue e da linfa dos seus hospedeiros e são transmissores de numerosas infecções. Agente etiológico:
    • Gênero Amblyomma ↳ com várias espécies, sendo a mais encontrada a A. cajennense. ↳ conhecido comumente como carrapato-estrela ou carrapato do cavalo, sendo um dos principais vetores de riquetsiose.

Pediculose do corpo

→ Agente etiológico: Pediculus humanus corporis (o piolho do corpo) → Caracteriza-se por prurido de intensidade variável e urticas , que podem ter pontos purpúricos centrais. → Áreas de hiperpigmentação e eczematização podem ocorrer. → As áreas comumente afetadas são interescapular, ombro, face posterior das axilas e nádegas. → A diagnose confirma-se pelo achado do parasita nas pregas de roupa → Tratamento: a higiene e a lavagem da roupa são suficientes para a cura.

Pediculose pubiana - Ftiríase

→ Agente etiológico: Phthirus pubis → Transmissão: o contato é inter-humano, mas também pode ser sexual devido o piolho ter preferência por pelos genitais, axilares, e algumas vezes os cílios → marcador DST. → Localiza-se quase exclusivamente nos pelos pubianos e perianais, podendo, entretanto, atingir pelos axilares, do tronco, das coxas e até das sobrancelhas e cílios. → A presença é suspeitada pelo prurido (> do que na pediculose do corpo). → A diagnose é feita pelo achado do parasita na pele, com frequência com a cabeça parcialmente introduzida em folículo piloso, e pelo encontro das lêndeas aderentes às hastes pilosas. → A ftiríase pode, eventualmente, determinar, pelo prurido, escoriações e eczematizações. → Tratamento:

  • Loção de permetrina (5%) , aplicar por 2 - 3x. As lêndeas devem ser retiradas.
  • Na ftiríase localizada nos cílios, deve-se usar vaselina duas vezes/dia, por oito dias, com remoção manual das lêndeas. Diagnóstico:
  • Essencialmente clínico! Profilaxia:
    • Em todos os casos de pediculose, é imprescindível examinar e tratar os contatos do paciente. Dermatoses por Siphonaptera (pulgas) Tungíase → Agente etiológico: Tunga penetrans

↳ pulga que habita lugares secos e arenosos, sendo

amplamente encontrada nas zonas rurais, em chiqueiros e currais. ↳ São vistos a olho nu. ↳ São hematófagos, porém o macho, após alimentar- se, abandona o hospedeiro, enquanto a fêmea fecundada penetra na pele, introduzindo a cabeça e o tórax na epiderme, deixando de fora o estigma respiratório e o segmento anal para a postura dos ovos. Alimentando-se do sangue do hospedeiro, os ovos desenvolvem-se e o abdome dilata-se enormemente, podendo alcançar a dimensão de uma ervilha. Expelidos os ovos, o parasita completa o ciclo vital. Quadro clínico: → Discreto prurido na fase inicial, com posterior aparecimento de sensação dolorosa. → O exame mostra pápula amarelada (batata) com ponto escuro central, que é o segmento posterior contendo os ovos → surge com o tempo, quando a fêmea dilata o abdome e fecunda os ovos. → As lesões são encontradas, geralmente, ao redor das unhas dos artelhos (dedo do pé), nas pregas interartelhos e nas plantas → áreas que vão ter contato com o solo → Eventualmente, pode ocorrer infecção secundária, como piodermite ou celulite. Tratamento:

  • Enucleação com agulha esterelizada e desinfecção com tintura de iodo
  • Eletrocauterização ou eletrocirurgia após anestesia tópica.
  • Infecções secundárias: antibiótico VO
  • Infestações intensas: Ivermectina, em DU, ou tiabendazol 25 mg/ kg de peso, por VO, duas vezes/dia, por 3 a 5 dias. Profilaxia:
  • Uso de calçados em áreas suspeitas e a eliminação das fontes de infestação com DDT, BHC ou fogo. Dermatoses por dípteros (mosquitos e moscas) Miíases Conceito: → São afecções causadas por larvas de moscas. → Há duas formas de miíases: a primária e a secundária.

Miíases primárias

→ Na miíase primária, a larva da mosca invade o tecido sadio e nele se desenvolve, sendo, pois, parasita obrigatória nessa fase. → 2 tipos: miíase migratória (não existente em nosso meio) e miíase furunculoide (frequente)

  • Miíase Furunculoide (BERNE) ↳ É causada pela larva da Dermatobia hominis ↳ O berne é muito comum em certas áreas, podendo atingir qualquer região do corpo, inclusive o couro cabeludo, e podendo ser único ou em grande número. Pode ocorrer a penetração conjunta no mesmo local. ↳ A mosca não deposita os ovos diretamente, mas em outras moscas ou mosquitos. Quando o inseto veiculador pousa no homem ou em animal de sangue quente, a larva da D. hominis projeta-se para fora e abandona o ovo. Penetrando na pele, ela vai se desenvolver por um período de 30 a 70 dias, quando abandona o hospedeiro, cai no solo e transforma-se em pupa. Em 60 a 80 dias, forma o inseto alado. ↳ A penetração da larva, em geral, passa despercebida. Com o desenvolvimento, forma-se um nódulo furunculoide , que difere do furúnculo por ser menos inflamatório e por apresentar, na parte central, um orifício que deixa sair uma serosidade → Atingida a maturidade, a larva move-se ativamente no interior do nódulo, dilata a abertura, sai e há a cicatrização. ↳ A dor é variável, consoante a localização, porém, com frequência há relato de sensação dolorosa referida como ferroada. ↳ Eventualmente, pode ocorrer infecção secundária, como abscesso e celulite. ↳ Tratamento: Espremedura da lesão , puxando-se a larva suavemente com uma pinça. Uma pequena incisão no orifício da penetração facilita essa manobra. Procedimento leigo, bastante eficaz, consiste em colocar uma porção de toucinho no orifício do nódulo, deixando por algumas horas. Outro recurso é uma tira de esparadrapo sobre a lesão, que é retirada após algumas horas. A larva surge no orifício e pode ser retirada ou sai pela espremedura. Após a eliminação da larva, a lesão involui rapidamente.

Miíases secundárias

→ Na miíase secundária, a mosca coloca seus ovos em ulcerações da pele ou mucosas, e as larvas desenvolvem-se nos produtos da necrose tecidual. São parasitas ocasionais. → Há três formas de miíases secundárias, consoante a localização: cutânea, cavitária e intestinal.

  • Miíase cutânea (“bicheiras”) ↳ Ocorre pelo depósito de ovos de moscas em ulcerações da pele, com o desenvolvimento de larvas. ↳ Principalmente, a Cochliomyia macellaria (mosca- varejeira) e outras espécies de moscas, em particular do gênero Lucilia e da família Sarcophagidae. ↳ Ocorrem, na maioria das vezes, por falta de cuidados adequados em ulcerações cutâneas. ↳ As larvas limitam-se a devorar os tecidos necrosados, sem provocar hemorragias. ↳ A diagnose é fácil, visualizando-se as larvas movimentando-se ativamente na ulceração cutânea. ↳ Tratamento: Consiste em retirar as larvas após matá- las com éter ou borrifos de nitrogênio líquido.
  • Miíase cavitária ↳ É encontrada na cavidade nasal (em particular em doentes de leishmaniose nasal), na cavidade da orelha e da órbita ocular.