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Um estudo clínico sobre a eficácia da reeducação postural global (rpg) na redução da dor em pacientes escolióticos. O estudo foi realizado com 10 pacientes, utilizando-se a escala visual numérica (evn) para medir a intensidade da dor antes e após as sessões de tratamento. Os resultados mostraram que a rpg é significativa no tratamento da escoliose, reduzindo a sintomatologia dolorosa em pacientes com escoliose sem patologias associadas.
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Painful variations found in scoliosis patients submitted to the Global Postural Re-education technique (GPR)
Priscylla Galdino Lima 1 Marcus Aurélio Medeiros Costa 2
Esse estudo foi realizado com o objetivo de investigar as variações dolorosas encontradas em pacientes com escoliose submetidos a técnica da RPG. Participaram da pesquisa 10 pacientes que apresentavam escoliose com queixa de dor associada. Foram realizadas 10 sessões por paciente. A dor era avaliada através da Escala Visual Numérica (EVN). Como resultado observou-se que a técnica é significativa no tocante ao tratamento da redução da dor destes pacientes.
Palavras chaves: Escoliose, Dor, Fisioterapia.
This study was carried out aiming to investigate the painful variations found in patients with scoliosis submitted to the GPR technique. 10 patients who presented scoliosis with associated pain complaint took part in this research. 10 sessions were performed for each patient. The pain was valued through the Visual Numeric Scale (VNS). As a result it was observed that the technique is meaningful with respect the treatment of the reduction of the pain of these patients.
Key-words: Scoliosis, Pain, Physiotherapy.
(^1) Acadêmica de Fisioterapia. Faculdade de Alagoas - FAL Endereço: Rua São Francisco de Assis, nº 363 Ap 601, Maceió – AL, CEP: 57035-680. Email: [email protected] 2 Fisioterapeuta, graduado pela UFRN, especialista em Saúde Pública – UEMG, Professor do Curso de Fisioterapia, Disciplina de Cinesioterapia – FAL e CESMAC – AL, e Fisioterapeuta da Unidade de Emergência Dr. Armando Lages – Maceió – AL..
A coluna vertebral é constituída de 33 peças esqueléticas, as vértebras, sendo sete vértebras cervicais, doze torácicas, cinco lombares, cinco sacrais e quatro coccígenas. Está constituída de modo a oferecer a resistência de um pilar de sustentação, mas também a flexibilidade necessária à movimentação do tronco, sendo o eixo ósseo do corpo^1. Apresenta quatro curvas: cervical, dorsal, lombar e sacra^2.
Exceto a primeira e a segunda vértebras cervicais (C1 e C2), os corpos vertebrais são separados um do outro por discos intervertebrais^3. A sustentação ligamentosa da coluna vertebral provém de numerosos elementos ligamentares, o conjunto destes ligamentos assegura uma união extremamente sólida entre as vértebras, dando-lhe uma grande resistência mecânica^4. Os músculos que atuam sobre a coluna vertebral podem inicialmente ser divididos em duas categorias: anterior e posterior. Os músculos de ambas as categorias existem em pares bilaterais, embora possam e de fato funcionem de modo independente^5. Os desequilíbrios dessas cadeias musculares ocasionam os desvios da coluna vertebral. Quando ocorre um desvio lateral da coluna vertebral no plano coronal, esta alteração é denominada escoliose. Além de uma curvatura lateral, a escoliose também pode ter um componente rotatório no qual as vértebras rodam em direção à convexidade da curva^3. Há várias formas de se classificar a escoliose: conforme a sua localização e a área acometida ela pode ser dividida em: cervicotorácica, torácica, toracolombar, lombar e lombosacra. Quanto a etiologia, divide-se em idiopática, paralítica, congênita, postural, pós-traumática, psicossomática, entre outras^6. Uma deformação morfológica predispõe especialmente às lesões articulares, e, assim, todo sujeito escoliótico é potencialmente visado pelas dores vertebrais^7. A dor define-se como uma experiência multidimensional desagradável, que envolve não só a componente sensorial como uma componente emocional da pessoa que a sofre. Devido a seu caráter subjetivo, a mensuração da dor torna-se um desafio no tratamento. Como meio de se obter uma quantificação mais objetiva
30 anos, que apresentaram qualquer tipo de escoliose com queixa de sintomatologia
dolorosa, sem patologias associadas e que nunca haviam sido submetidos a
tratamento com a técnica da RPG.
As variáveis de interesse (sexo, tipo de escoliose e idade) e os dados pessoais dos avaliados foram colhidos por meio de uma ficha de avaliação, na qual constavam a identificação, história clínica, exame postural, os dados obtidos através da Escala Visual Numérica da Dor antes e após a realização da técnica de RPG e algumas perguntas baseadas nos critérios de exclusão impostos para a eficácia da pesquisa. A avaliação iniciava-se com a leitura conjunta do termo de consentimento livre e esclarecido pelo paciente, acadêmica e fisioterapeuta responsáveis pela pesquisa. Em caso de aprovação pelo paciente dava-se início o preenchimento da ficha de avaliação. Após serem avaliados foram escolhidos os pacientes que possuíam os critérios de inclusão para a realização da pesquisa. O tratamento foi realizado seguindo a técnica aplicada por Souchard, sendo colhido o índice correspondente a Escala Visual Numérica da dor antes e após a realização das posturas. Para a realização desta pesquisa foram realizados dez (10) encontros com cada participante do estudo. A comparação entre as variáveis antes e após a sessão foi realizada através do teste não paramétrico de Wilcoxon-Wilson, sendo considerado um p ≤ 0,05.
RESULTADOS
Foram analisadas as respostas de todos os pacientes que aceitaram participar da pesquisa, mediante a ficha de avaliação postural e os dados colhidos através da EVN antes após o tratamento realizado durante 10 sessões com a técnica da Reeducação Postural Global. Totalizou-se o número de 10 pacientes, sendo 7 do sexo feminino e 3 do masculino. Destes, 5 apresentavam escoliose em S e 5 escoliose em C. Em relação à idade, 5 pacientes possuíam entre 15 – 20 anos, o que equivale a 50% dos participantes, 2 entre 21 – 25 anos, correspondendo a 20% da amostra e 3 entre 26 – 30 anos, equivalente a 30% dos participantes, tendo a idade média de 22 ± 5,73 e mediana de 20 (Gráfico 1).
Gráfico 1 – Distribuição dos pacientes em relação à idade.
50% 20%
30% (^) 15 - 20 anos 21 - 25 anos 26 - 30 anos
Após a escolha destes pacientes, que enquadravam-se nos critérios de inclusão, deu-se início as sessões de RPG, as quais totalizaram 10 para cada paciente, sendo realizado o questionamento sobre a EVN antes e após as sessões como forma de avaliação (Tabela 1).
Tabela 1 - Correlação dos resultados obtidos através do questionamento da EVN e todos os pacientes.
Pacientes Antes Depois 1 9 1 2 8 2 3 5 1 4 8 3 5 6 2 6 9 3 7 3 0 8 7 1 9 9 2 10 7 1 Média ± DP 7,1 ± 1,96 1,6 ± 0, Mediana (^) 7,5 1,
Desta avaliação obteve-se a média de 7,1 ± 1,96, com mediana 7,5 antes e média de 1, ± 0,96, com mediana 1,5 depois do tratamento. O teste estatístico não paramétrico de Wilcoxon-Wilson comprovou a significância da técnica da RPG quando utilizada para diminuição da dor em pacientes escolióticos, obtendo como resultado um p(exact) = 0, (Gráfico 2).
Na comparação em relação ao sexo os indivíduos do sexo masculino apresentaram média de 6,66 ± 3,21, com mediana 8 antes e média de 1,66 ± 1,52, com mediana 2 depois das sessões de RPG., obtendo um p(exact) = 0,25. O sexo feminino obteve média de 7,28 ± 1,49, com mediana 7 antes e média de 1,57 ± 0,78, com mediana 1 após o tratamento, apresentando um p(exact) = 0,016 (Gráfico 4).
Gráfico 4 – Médias dos resultados encontrados na EVN antes e após a realização do tratamento em relação ao sexo.
01
23
45
67
8
(^109)
Feminino (^) Sexo Masculino
Média
da^ EVN^ Antes Depois
*** p(exact) = 0,016.**
Quanto à idade, os pacientes entre 15 – 20 anos obtiveram média de 6,2 ± 2,16, com mediana 7 antes e média de 1,4 ± 1,14, com mediana 1 após o tratamento. Os indivíduos entre 21 – 25 anos apresentaram média de 6,5 ± 0,70, com mediana 6,5 antes e média de 1,5 ± 0,70, com mediana 1,5 depois das sessões. Já os pacientes entre 26 – 30 anos obtiveram média de 9 ± 0, com mediana 9 antes e média de 2 ± 1, com mediana 2 após o tratamento. Os indivíduos tratados que possuíam entre 15 – 20 anos apresentaram um p(exact) = 0,063, os que encontravam-se entre 21 – 25 anos mostraram um p(exact) = 0,50 e os pacientes entre 26 – 30 anos obtiveram um p(exact) = 0,25 (Gráfico 5 ).
Gráfico 5 - Médias dos resultados encontrados na EVN antes e após a realização das sessões em relação a idade dos pacientes.
01
23
45
67
89
10
15 -20 21 - 25 Idade 26 - 30
Méd
iadaE
VN Antes Depois
De acordo com o presente estudo observou-se a significância da técnica da Reeducação Postural Global na diminuição da dor em pacientes com escoliose, sem presenças de patologias associadas, comprovada através da realização do teste estatístico não paramétrico de Wilcoxon-Wilson, o qual obteve como resultado um p(exact) = 0,002 em relação à comparação de todos os pacientes e a EVN, como mostra o Gráfico 4. Quando comparada a EVN em relação ao tipo de escoliose e a idade não há presença de significância estatística. Fato semelhante ocorreu no estudo comparativo da incidência da dor nos pacientes que apresentavam escoliose realizado por Weinstein et al apud SALATE, onde a presença das curvas, qualquer que fosse o tipo, não pôde ser correlacionada com os sintomas de dor13. Já a análise em relação ao sexo demonstrou ser significativa em relação ao sexo feminino, apresentando um p(exact) = 0,016, não ocorrendo o mesmo em relação ao sexo masculino, que não apresentou diferença significante devido provavelmente ao tamanho da amostra, a qual se deu pela baixa rotatividade de pacientes deste sexo no local da amostra durante o período da pesquisa, sugerindo-se que novos estudos sejam realizados com abordagem voltada para esse sexo. Em concordância com nosso estudo, MARQUES apresentou um caso onde uma paciente de 17 anos que possuía escoliose com sintomatologia dolorosa associada foi também tratada com a técnica da RPG, obtendo como resultado o desaparecimento da dor referida no inicio após seis sessões^14.