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REEDUCAÇÃOREEDUCAÇÃO
POSTURALPOSTURAL
GLOBALGLOBAL
O MÉTODOO MÉTODO
PHILIPPE SOUCHARDPHILIPPE SOUCHARD
RRPPGG
© 2012 Elsevier Editora Ltda.© 2012 Elsevier Editora Ltda.
Tradução autorizada do idioma francês da edição publicada por Elsevier Masson SAS.Tradução autorizada do idioma francês da edição publicada por Elsevier Masson SAS.
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O EditorO Editor
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Souchard, Philippe E.Souchard, Philippe E.
RPG, reeducação postural global : o método / Philippe E. Souchard ;RPG, reeducação postural global : o método / Philippe E. Souchard ;
[tradutores Sonia Pardellas … et al.]. - Rio de Janeiro :[tradutores Sonia Pardellas … et al.]. - Rio de Janeiro :
Elsevier, 2011.Elsevier, 2011.
240 p. : il. ; 24 cm240 p. : il. ; 24 cm
Tradução de: Rééducation posturale globaleTradução de: Rééducation posturale globale
Inclui bibliografia e índiceInclui bibliografia e índice
ISBNISBN 978-85-352-4509978-85-352-4509-7-
1. Postura humana. 2. Coluna vertebral - Exercícios terapêuticos. I. Título.1. Postura humana. 2. Coluna vertebral - Exercícios terapêuticos. I. Título.
11-3746.11-3746. CDD:CDD: 613.78613.
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ColaboradoresColaboradores
A redação desta obra só foi possível graças aos cuidados inestimáveis deA redação desta obra só foi possível graças aos cuidados inestimáveis de
Sonia PardellasSonia Pardellas ee Rita Loriga.Rita Loriga.
Orazio Meli – Diego SgammaOrazio Meli – Diego Sgamma
As fibras muscularesAs fibras musculares
O tônus neuromuscular – os reflexosO tônus neuromuscular – os reflexos
Iñaki Pastor – Mario KorellIñaki Pastor – Mario Korell
Os mecanismos de controle do equilíbrioOs mecanismos de controle do equilíbrio
O desenvolvimento motorO desenvolvimento motor
Bernard MichelBernard Michel
A fluagemA fluagem
Agradecimentos
Norbert Grau
Giovanni Onida,
Altair Souza de Assis,
Muriel Gruy,
Carina Rodriguez
Documentação:
Soraia Guerra
Julieta Rubinetti,
Marcia Simões,
Débora Pereira,
Maria Novella Pompa,
Rubén Fernández
Ilustrações:
Marie-Claire d’Armagnac
Serge Cap,
Sophie Duclavé,
Sonia Pardellas
Fotos:
Silvia Terraciano
Monica Lal,
Hector Maragna,
Marcelo Zarate,
Alessandro Mascia
Do Método… A cinesioterapia ou fisioterapia, para quem não pratica a língua de Molière ou de Cervan- tes, nasceu oficialmente no dia seguinte à Segunda Guerra Mundial. Isso quer dizer que se trata de uma jovenzinha, submetida ainda, por vezes, a questões de identidade, mas que soube rapidamente tornar-se indispensável e demonstrar uma rara capacidade de evolução. Desde sua criação, surgiu um grande número de “métodos de tratamento”, cujo pico, sem dúvida, foi atingido nos anos 1960-
- Os jovens fisioterapeutas da época, ávidos e maravilhados, se viam transportados a um mercado africano ruidoso e colorido, onde cada vendedor propunha sua própria versão da panaceia universal. Nada além do muito normal, tudo estava por ser descoberto. Pouco a pouco as coisas se acalmaram e, sobretudo onde a profissão se estruturou pri- meiro, nós aprendemos a refletir, a comparar e a selecionar, apesar de ainda haver muito a fazer nesse domínio. O culto aos gurus não morreu. Modas estranhas veem ainda a luz do dia. As “apropriações” são moeda corrente, e a falsificação não está erradicada. Métodos endeusados em um primeiro momento caíram no esquecimento. Os cria- dores de alguns outros se revolveriam em suas tumbas se vissem o uso mercantilista que é feito de seu nome e o desvio dos princípios que defenderam. Entretanto, isso não é apa- nágio da nossa profissão, e, ainda aí, nada mais do que o muito banal. Mas o termo “método” continua a ser aplicado com constância quando se trata de qualificar certos tipos de tratamento, em par- ticular quando estes se destacam dos modos de fazer acadêmicos. Não é, portanto, inútil que se pense sobre o real significado dessa palavra e sobre a justi- ficativa do uso que lhe é atribuído. O dicionário nos ensina que um método consiste em um procedimento racional do espírito para chegar ao conhecimento ou à demonstração de uma verdade. Ou, ainda, que se trata de um conjunto ordenado de maneira lógica de princípios, de regras, de etapas, permitindo chegar a um resultado. Esses critérios são suficientemente preci- sos para que não se possa confundir método e técnica (que se refere à prática ou ao savoir faire em uma atividade). Vê-se, aliás, que nessas definições o caráter inovador dessa verdade demonstrada é apenas implícito, enquanto no inconsciente coletivo dos fisiote- rapeutas a expressão método subentende uma originalidade certa de onde decorrem aplica- ções práticas distintas dos cânones clássicos.
O fio condutor Ainda que sinceramente desejosos de tes- temunhar uma apresentação ordenada, sus- cetível de esclarecer o leitor, não é fácil dei- xá-la transparecer no sumário de um livro, nem mesmo ao longo dos capítulos que o constituem, pois a argumentação corre sempre o risco de se perder nos detalhes. Por isso, talvez não seja inútil precisar, desde já, a intenção de organização que presidiu à redação desta obra. Sendo a patologia um desvio da fisiolo- gia, só um conhecimento aprofundado desta permite observar suas alterações. Esse é o objetivo de toda a primeira parte deste livro, do Capítulo 1 ao Capítulo 7. Uma vez identificadas as constantes patogênicas, torna-se possível propor um esquema geral de princípios de trata- mento que toca, evidentemente, a cada um avaliar. FISIOLOGIA PRINCÍPIOS DE TRATAMENTO TRATAMENTO PERSONALZADO REGRAS DE APPLIÇÄO TERAPËUTICA FISIOPATOLOGIA INDUZIDA (constantes)
x O fio condutor Isso se encontra na segunda parte (Capí- tulos 8 e 9). Depois do porquê vem o como. É o que evoca a terceira parte, de uma forma que, seguramente, não pode prestar conta total- mente de todos os aspectos práticos da terapia, da qual um dos aspectos essenciais é a manualidade. A outra dificuldade está ligada ao caráter essencialmente individual de cada patologia e à necessidade em que se encontra o terapeuta de ajustar seus princí- pios de tratamento a cada caso particular (Capítulos 10, 11 e 12). Enfim, é impossível concluir sem falar da importância da prevenção e da manutenção, o que ocupa a quarta parte (Capítulos 13 e 14). Assim se encontra fechado um ciclo que pode esperar remediar, com alguma lógica, as patologias que são o apanágio da nossa profissão. (ver Figura na página anterior)
xii Sumário Os mecanismos de adaptação e Aparafusamento do joelho: inversão 2
3 Regras de aplicação A colocação em tensão – As correções – Exemplos de posicionamentos e de intervenções manuais do terapeuta, 4 As autoposturas da Reeducação Postural Global – Princípios
- Capítulo músculos da estática
- Função estática
- Os diferentes tipos de fibras musculares
- Os tecidos
- O colágeno
- A elastina
- As aponeuroses.
- As fáscias
- As cápsulas articulares
- Os ligamentos
- Os elementos elásticos do sarcômero
- As pontes de actina e de miosina
- A otimização da força ativa
- A força passiva
- A cronologia da ativação
- Textura muscular
- Elasticidade e rebote.
- As alavancas
- Tipos de alavancas
- O ângulo de tração - O trabalho mecânico
- A velocidade
- As três funções estáticas
- Capítulo
- O tônus neuromuscular – os reflexos
- O tônus – definição e papel.
- Clínica
- Organização de base do tônus neuromuscular
- de estiramento (stretch reflex) O reflexo miotático direto ou reflexo
- O reflexo miotático inverso ou reflexo tendinoso
- Receptores e aferências
- Os receptores articulares
- Os receptores cutâneos
- muscular Motoneurônios, unidades motoras e recrutamento
- sensoriomotor e estabilidade articular Atividade neuromuscular, controle
- Capítulo
- Os mecanismos de controle do equilíbrio
- Equilíbrio ou desequilíbrio estável.
- Aferências – centros de controle – eferências.
- somatossensorial A visão – o sistema vestibular – o sistema
- planificação antecipada e retardada Controle dos desequilíbrios posturais –
- O controle medular
- O tronco cerebral
- O cerebelo
- O córtex.
- Capítulo
- As fases da construção
- O desenvolvimento motor
- A evolução dos reflexos
- A especificação funcional – o reagrupamento
- Funções hegemônicas e implantações musculares
- A respiração
- Pegar e levar a si
- A posição ereta
- e espasticidade Implantações musculares hegemônicas
- As cadeias de coordenação neuromuscular
- Capítulo
- organização e limites de defesa: necessidade,
- Importância do sistema automático
- As três regras hierarquizadas
- As agressões subliminais
- As agressões liminais
- As agressões maciças ou agudas.
- Os meios
- neuromuscular. Custo: aumento geral e específico do tônus
- O custo-sequência: o princípio de precaução
- O custo-sequência: o recurso à facilidade
- O custo-sequência: o excesso compensatório.
- O custo-sequência: a fixação das compensações
- permanentes e das causas desaparecidas O custo-sequência: o paradoxo dos efeitos
- O conflito consciente-inconsciente.
- A autocura
- Conclusão
- Orientações terapêuticas
- Capítulo
- da atividade muscular Inconvenientes incontornáveis
- Os inconvenientes identificados
- Outros inconvenientes identificáveis
- Capítulo
- Identificação dos dismorfismos
- Normalidade e postura corporal
- As regras da observação.
- Comportamentos de tipo anterior ou posterior.
- Organização segmentar da coluna vertebral
- O tórax.
- o membro superior A cintura escapular – o ombro –
- Os membros inferiores
- As inversões de ações musculares
- articulação coxofemoral Inversão de ação muscular na
- e osteoarticulares Correspondências musculares
- e dos gastrocnêmios no nível do joelho de ação muscular dos isquiotibiais
- no nível do calcâneo Inversão de ação muscular do tríceps sural
- Esquemas de coordenação motora
- Comportamentos mistos.
- anteroposteriores Antagonismos e complementaridades
- morfológicas O caráter individual das deformações
- Testes de alongamento
- Capítulo Princípios de tratamento
- A globalidade restrita
- A unicidade psicossomática
- Panaceia e realidade
- Individualidade – causalidade – globalidade.
- Seletividade
- Simultaneidade
- de competência Globalidade alargada e restrição
- Conclusão
- Capítulo
- Os princípios físicos do alongamento
- A elasticidade
- A fluagem (creep)
- Fluagem (creep) e tensão Sumário xiii
- Fluagem e tempo de tração
- Relação força-tempo.
- Fluagem e coeficiente de elasticidade
- muscular Fluagem e heterogeneidade
- Capítulo terapêutica
- As posturas de tratamento
- Definição
- de tratamento “Cadeias musculares” e famílias de posturas
- As posturas de tratamento
- A escolha de posturas.
- Capítulo
- intensidade – As indicações As contrações isométricas de fraca
- Os objetivos gerais
- Os objetivos por postura.
- A personalização do tratamento
- Terapia qualitativa
- O trabalho causal
- A intenção terapêutica
- A posição no início da sessão.
- A dor – a domesticação
- A tração passiva
- e seu controle A identificação das compensações
- A decoaptação
- As pausas
- A progressividade
- A manualidade.
- vez mais descentradas A contração isométrica em posições cada
- O proprioceptivo de inibição
- Trabalho ativo e aprendizagem
- A expiração
- A soma dos efeitos
- Os espinhais
- Da globalidade à eficácia analítica
- A posição sentada.
- de sua correção. As disfunções qualitativas e a necessidade
- a sessão de tratamento. Modelização da ordem de correção durante
- Indicações terapêuticas
- Duração e ritmo das sessões
- Casos específicos
- Reações e limites
- Alta de tratamento
- e das posturas. em função das necessidades
- Capítulo
- A integração dos resultados
- movimento. Proprioceptividade – postura e
- Postura e automaticidade
- Gesto e controle voluntário
- As causas de atraso na integração
- Integrações dinâmicas
- Integrações estáticas
- Análise das insuficiências dos resultados
- Capítulo As autoposturas
- Global Ativo e aplicações do Stretching
- Definição
- A prevenção
- A manutenção
- A preparação física
- Adaptação dos princípios
- As necessidades específicas
- A prática do SGA.
1 Fisiologia e fisiopatologia dos músculos da estática
4 Fisiologia e fisiopatologia dos músculos da estática Ora, a força de contração muscular é condicionada pelo tipo de fibra de que cada músculo é constituído e não somente pelo número e pela sincronização das unidades motoras recrutadas. Existem vários modos de classificar as fibras musculares voluntárias, baseados então em suas características biológicas, mas também em sua composição histoquímica e seu fenótipo. Qualquer que seja o método empregado, o resultado mostra a presença de fibras que vão daquelas de contração lenta, resistentes à fadiga, àquelas de contração rápida, facilmente fatigáveis (Yang H., Alnaqeeb M., Simpson H., Goldspink G., 1997). Um sistema de classificação comum subdivide-as em tipo I (lentas – slow twitch – vermelhas); tipo IIa (intermediárias, moderadamente rápidas); tipo IIb (rápidas – fast twitch (^) – brancas) (Quadro 1.1). As fibras lentas de tipo I são de pequeno diâmetro, bem irrigadas e privilegiam a fileira aeróbica. Elas são ativadas na maior parte dos movimentos que não reclamam mais de 20% da produção máxima de força (Burke R. E. e Edgerton V. R., 1975). Pontos-chave
Os músculos constituídos principalmente de fibras lentas, de tipo I, são de vocação estática, graças à sua
contração mantida no tempo, pouco sujeita à fadiga e portanto própria à resistência.
É assim que o sóleo é quase inteiramente constituído de fibras lentas, enquanto o quadríceps apresenta uma composição mesclada. As fibras rápidas de tipo IIb são de grosso diâmetro, pouco irrigadas, mas dispõem de reservas importantes em glicogênio e de um retículo sarcoplasmático desenvolvido. Elas privilegiam a fileira anaeróbica. As fibras rápidas de tipo IIb são capazes de exprimir mais força em um lapso de tempo limitado (Moss C. L., 1991). As fibras intermediárias de tipo IIa representam um continuum na ativação progres- siva das fibras lentas e depois rápidas (Greenhaff P. e Timmons J., 1998). Músculo Endomísio Perimísio Epimísio Fibra muscular Miofibrila Fig. 1.1. (^) O músculo estriado.
Capítulo 1 • Função estática 5 Para certos autores, entram em jogo, sucessivamente, as fibras lentas, depois as inter- mediárias e enfim as rápidas, nas atividades que vão desde a corrida lenta ( jogging) aos movimentos de caráter explosivo (salto) (Stuart D. G. e Enoka R. M., 1983). A Lei de Henneman ( size principle) estabelece que as fibras lentas são recrutadas antes das rápidas, qualquer que seja o tipo de movimento. Se as fibras de tipo IIb são globalmente capazes de produzir mais força do que as de tipo I, não parece, em compensação, que elas sejam mais potentes individualmente. A diferença seria devida, na realidade, ao número de fibras recrutadas. Os motoneurônios das fibras lentas são de pequeno diâmetro e inervam de 10 a 180 fibras. Os das fibras rápidas possuem um maior diâmetro e dizem respeito a de 300 a 800 fibras musculares. A organização em “mosaico” acarreta uma distribuição em porcentagem que ajuda definir a função de cada um dos músculos estriados ( Quadro 1.2). As fibras musculares medem em média de 3 a 4 cm e são em geral capazes de encurtar- se em uma proporção de dois terços de seu comprimento. A atividade muscular estática constante provoca um aumento da seção transversal das fibras musculares, uma hipertrofia seletiva das fibras lentas e uma evolução metabólica das fibras de tipo IIb em tipo I (Gollinck P. D. et al., 1972; Eisenberg B. R., Salmon S., 1981). A idade acarreta uma amiotrofia e as fibras rápidas regridem em benefício das lentas (Maton e Bouisset, 1996). OS TECIDOS Três elementos possuem propriedades elásticas suscetíveis de resistir às solicitações em alongamento e, portanto, de garantir a estabilidade (Proske e Morgan, 1999):
- tecido conjuntivo;
- as estruturas elásticas do sarcômero;
- as pontes de actina e de miosina. Quadro 1.1 Características anatomofisiológicas das fibras musculares Tipo I Tipo IIa Tipo IIb
Velocidade de contração Lentas ( 5 - 15 Hz) Moderadamente rápidas
(15-40 Hz)
Rápidas (50-100 Hz)
Força de contração Leve Variável Alta
Fatigabilidade Resistentes à fadiga Medianamente
resistentes à fadiga
Rapidamente fatigáveis
Comprimento das fibras + ++ +++
Comprimento dos
sarcômeros
Número de miofibrilas
por fibra
Número de fibras da
unidade motora
Tempo de contração da
fibra (ms)