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SAUDE MENTAL e PSICOPATOLOGIA, Resumos de Psicologia

Sobre a saude mental e suas pecurialiridades

Tipologia: Resumos

2019

Compartilhado em 23/08/2019

Heleno_Pereira
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SAÚDE MENTAL
PROF. HELENO PEREIRA NUNES
Salgueiro/PE
2019
1. UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DA PSIQUIATRIA
A palavra Psiquiatria deriva do Grego e quer dizer "arte de curar a alma", sendo
o ramo da medicina que se dedica ao diagnóstico, tratamento, reabilitação e prevenção
das doenças mentais. A esquizofrenia, doença de Alzheimer e transtornos de humor são
exemplos de afecções mentais graves, enquanto os transtornos de personalidade são
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SAÚDE MENTAL

PROF. HELENO PEREIRA NUNES

Salgueiro/PE

2019

1. UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DA PSIQUIATRIA

A palavra Psiquiatria deriva do Grego e quer dizer "arte de curar a alma", sendo o ramo da medicina que se dedica ao diagnóstico, tratamento, reabilitação e prevenção das doenças mentais. A esquizofrenia, doença de Alzheimer e transtornos de humor são exemplos de afecções mentais graves, enquanto os transtornos de personalidade são

tidos como de menor magnitude de severidade, entretanto, não dispendem de tratamentos e de devida atenção.

É necessário entender a diferença e a importância da psiquiatria e psicologia. Enquanto a psiquiatria trata da anormalidade mental, a psicologia possui como foco a o funcionamento psicológico normal. Além disso, a psicologia é de responsabilidade de profissionais psicólogos, enquanto a psiquiatria é de cunho médico.

A humanidade convive com a loucura há séculos e, antes de se tornar um tema essencialmente médico, o louco habitou o imaginário popular de diversas formas. De motivo de chacota e escárnio a possuído pelo demônio, até marginalizado por não se enquadrar nos preceitos morais vigentes, o louco é um enigma que ameaça os saberes constituídos sobre o homem. Na época da Renascença, a separação dos loucos se dava pelo seu banimento dos muros das cidades européias e o seu confinamento era um confinamento errante: eram condenados a andar de cidade em cidade ou colocados em navios que, na inquietude do mar, vagavam sem destino, chegando, ocasionalmente, a algum porto. No entanto, desde a Idade Média, os loucos são confinados em grandes asilos e hospitais destinados a toda sorte de indesejáveis – inválidos, portadores de doenças venéreas, mendigos e libertinos. Nessas instituições, os mais violentos eram acorrentados; a alguns era permitido sair para mendigar. No século XVIII, Phillippe Pinel, considerado o pai da psiquiatria, propõe uma nova forma de tratamento aos loucos, libertando-os das correntes e transferindo-os aos manicômios, destinados somente aos doentes mentais. Várias experiências e tratamentos são desenvolvidos e difundidos pela Europa. O tratamento nos manicômios, defendido por Pinel, baseia-se principalmente na reeducação dos alienados, no respeito às normas e no desencorajamento das condutas inconvenientes. Para Pinel, a função disciplinadora do médico e do manicômio deve ser exercida com firmeza, porém com gentileza. Isso denota o caráter essencialmente moral com o qual a loucura passa a ser revestida.

No entanto, com o passar do tempo, o tratamento moral de Pinel vai se modificando e esvazia-se das idéias originais do método. Permanecem as idéias corretivas do comportamento e dos hábitos dos doentes, porém como recursos de imposição da ordem e da disciplina institucional. No século XIX, o tratamento ao doente mental incluía medidas físicas como duchas, banhos frios, chicotadas, máquinas giratórias e sangrias.

Aos poucos, com o avanço das teorias organicistas, o que era considerado como doença moral passa a ser compreendido também como uma doença orgânica. No entanto, as técnicas de tratamento empregadas pelos organicistas eram as mesmas empregadas pelos adeptos do tratamento moral, o que significa que, mesmo com uma outra compreensão sobre a loucura, decorrente de descobertas experimentais da neurofisiologia e da neuroanatomia, a submissão do louco permanece e adentra o século XX.

A partir da segunda metade do século XX, impulsionada principalmente por Franco Basaglia, psiquiatra italiano, inicia-se uma radical crítica e transformação do saber, do tratamento e das instituições psiquiátricas. Esse movimento inicia-se na Itália, mas tem repercussões em todo o mundo e muito particularmente no Brasil. Nesse sentido é que se inicia o movimento da Luta Antimanicomial que nasce profundamente marcado pela idéia de defesa dos direitos humanos e de resgate da cidadania dos que carregam transtornos mentais.

Essa mostra fotográfica de beneficiários do Programa de Volta para Casa e moradores de Serviços Residenciais Terapêuticos é, acima de tudo, uma homenagem aos que transpuseram os muros dos hospitais, da sociedade e os seus próprios.

3.NOVOS MODELOS DE ATENÇÃO EM SAUDE MENTAL

O modelo de atenção aos pacientes com transtornos mentais previsto pelo Ministério da Saúde para o SUS busca garantir os direitos conferidos pela Lei no 10.216/01, direito de ser tratado preferencialmente em serviço comunitário de saúde mental, direito à inserção na família, no trabalho e na comunidade.

O art. 5o desta lei prevê que “o paciente há longo tempo hospitalizado ou para o qual se caracterize situação de grave dependência institucional, decorrente de seu quadro clínico ou de ausência de suporte social, será objeto de política específica de alta planejada e reabilitação psicossocial assistida”.

Para tanto, o Ministério da Saúde tem perseguido a mudança do modelo hospitalocêntrico para um modelo baseado na excepcionalidade da internação e prevalência de assistência extra hospitalar. O modelo preconizado pelo Ministério da Saúde é o atendimento em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e a desinstitucionalização dos pacientes de longa permanência, entendidos como aqueles internados por período superior a um ano, por meio de projeto terapêutico voltado para a reinserção social.

Embora a lei garanta a inserção na família (art. 2o, parágrafo único, inciso II), nem sempre ela e possível, pois depende das condições econômicas e sociais dos familiares.

Para possibilitar a alta de pacientes para os quais a volta a família tornou-se impossível ou inadequada a reinserção social, foram criados os serviços residenciais terapêuticos (SRT). A fim de incentivar o retorno familiar, a Lei no 10.708/2003 criou a possibilidade de pagamento de beneficio assistencial mensal temporário de R$ 260, (Programa De Volta para Casa).

Houve redução de 57 hospitais psiquiátricos, com a consequente diminuição de cerca de 30.000 leitos, que foram substituídos por mais de 100 serviços de cuidados extra hospitalares e cerca de criação de 2000 leitos para assistência a saúde mental em hospitais gerais.

O Ministério da Saúde ainda criou os serviços residenciais terapêuticos em saúde mental, entendidos como “moradias ou casa inseridas, preferencialmente, na comunidade, destinadas a cuidar dos portadores de transtornos mentais, egressos de internações psiquiátricas de longa permanência, que não possuem suporte social e laços familiares e que viabilizem sua inserção social”, a fim de substituir a internação psiquiátrica prolongada.

A partir de então a política publica para a saúde mental, seguindo as diretrizes da Declaração de Caracas, passou a considerar que as internações em hospitais especializados em psiquiatria devem ocorrer somente naqueles casos em que foram esgotadas todas as alternativas terapêuticas ambulatoriais existentes, partindo da premissa de que o modelo de atenção extra-hospitalar tem demonstrado grande eficiência e eficácia no tratamento dos pacientes portadores de transtornos mentais.

Sendo assim, a Lei nº 10.126/2001, reconheceu o direito a reinserção social dos pacientes de longa permanência em hospitais psiquiátricos e impulsionou o modelo atual de assistência ao paciente psiquiátrico:

Parágrafo único. São direitos da pessoa portadora de transtorno mental:

I - ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, consentâneo as suas necessidades;

II - ser tratada com humanidade e respeito e no interesse exclusivo de beneficiar sua saúde, visando alcançar sua recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comunidade;

III - ser protegida contra qualquer forma de abuso e exploração;

IV - ter garantia de sigilo nas informações prestadas;

V - ter direito a presença medica, em qualquer tempo, para esclarecer a necessidade ou não de sua hospitalização involuntária;

VI - ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis;

VII - receber o maior numero de informações a respeito de sua doença e de seu tratamento;

VIII - ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis;

IX - ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental.

3.1 CAPS

Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) possibilita a organização de uma rede substitutiva ao Hospital Psiquiátrico no país. Os CAPS são serviços de saúde municipais, abertos, comunitários que oferecem atendimento diário.

Seu objetivo é oferecer atendimento à população, realizar o acompanhamento clínico e a reinserção social dos pacientes pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários.

Os Centros de Atenção Psicossocial existe em diferentes modalidades de serviços: CAPS I, CAPS II e CAPS III, CAPSad e CAPSi.

3.2 Hospital Dia

O Hospital Dia em psiquiatria é uma modalidade de atendimento que possibilita a atenção integral ao paciente e à família evitando, em muitos casos, a internação É um tratamento intensivo, porém não afasta o paciente do convívio familiar. Através de recursos terapêuticos (oficinas, grupos verbais, grupos de terapia ocupacional, atividades físicas, etc.) oferecemos atenção multidisciplinar, focando o bem estar psicossocial e a qualidade de vida. Desde o início da atenção em nosso hospital dia, o paciente terá um projeto terapêutico individual estabelecendo-se o diagnóstico psiquiátrico nos diferentes eixos, a medicação adequada e atendimento terapêutico que possibilite a autonomia, ressociabilização e bem estar psíquico.

complexidade, reduzindo a procura direta aos atendimentos de urgência e hospitalares,.Composta por médico psiquiatra, psicólogo e assistente social, e estes serviços devem contar com pelo menos dois profissionais de nível superior, que estejam capacitados para o trabalho em saúde mental. Alem dos profissionais de nível médio. Atendendo junto a Secretaria Municipal de Saúde, o Ambulatório de Saúde Mental é uma unidade especializada, onde são atendidos casos de urgência e emergência. As consultas são agendadas pelos usuários quando estes são encaminhados pelas UBSs - Unidades Básicas de Saúde. A demanda é passada por uma triagem onde as diversas sistuações são analisadas levando-se em consideração o grau de sofrimento do usuário (criança, adolescente, adulto e idoso) permitindo critérios de priorização no atendimento. Essa unidade deve ser composta por uma equipe multidisciplinar. 3.5 Ambulatório Especializado em Saúde Mental

São unidades de saúde com equipe multiprofissional especializada em saúde mental: médico psiquiatra, médico clínico, psicólogo, equipe de enfermagem especializada, assistente social, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, neurologista e pessoal auxiliar. A composição e atribuições serão definidas pelo Gestor Local, considerando a consolidação de um modelo de atenção à saúde voltada para um conceito de territorialização com o conhecimento da configuração epidemiológica, reconhecimento da historia, das demandas e dos problemas da população.

Atenção aos usuários nestas unidades de saúde deverá incluir as seguintes atividades, desenvolvidas pela equipe multiprofissional:

  • atendimento individual (consulta, psicoterapia, dentre outros);
  • atendimento grupal (grupo operativo, terapêutico, atividades socioterápicas, de orientação, atividades de sala de espera, atividades educativas em saúde). Por profissional de nível médio poderão ser realizados grupos de orientação e de sala de espera;
  • (^) visitas domiciliares por profissional de nível superior ou médio;
  • atividades comunitárias por profissional de nível superior ou médio, especialmente na área de referência do serviço de saúde.

4. O SER HUMANO

O ser humano é um ser social. Desde que nascemos somos inseridos em grupos sociais, seja por nossas escolhas, como os amigos, seja por imposição de uma série de variantes, como a família.

Esses grupos ao qual pertencemos nos influenciam e são influenciados por cada um de seus membros mutuamente e individualmente e também nos norteiam como pensar e nos comportar.

5. RELACIONAMENTO TERAPÊUTICO E TRATAMENTOS EM SAÚDE

MENTAL

O Relacionamento terapêutico foi criado, desenvolvido e implementado na Enfermagem em Saúde Mental por Hildegard Peplau. Peplau desenvolveu a “Teoria das

Relações Interpessoais em Enfermagem” fundamentada em sua experiência prática na aplicação de seus princípios nos Hospitais Psiquiátricos, assistência Domiciliar e Ambulatorial. Apoiou seus estudos na “Teoria Interpessoal da Psiquiatria” de Harry Stack Sullivan.

5.1 Conceito de Relacionamento Terapêutico RT:

Constitui-se em um processo com várias etapas ou fases com características próprias, atividades, fenômenos que surgem durante o desenvolvimento de suas diferentes etapas e desafios, ou problemas, que exigem supervisão para o seu desenvolvimento.

1-Auto conhecimento: É o desenvolvimento da capacidade de conhecer as próprias atitudes que estão presentes e que dão vida ao comportamento de ser humano.

2-Capacidade de Amar e Ser Amado: Todo ser humano tem necessidade de amar e ser amado. Amor é a capacidade de demonstrar afeto por outra pessoa de modo reflexivo sem esperar reciprocidade. Amar o cliente significa experimentar e demonstrar a ele compreensão, aceitação, respeito, paciência, proteção, segurança, entre outros.

3-Aceitação e Não Julgamento: O enfermeiro deve aceitar o cliente como ele é, demonstrando compreensão e aceitação empática do porquê ele age daquela maneira no momento em que o comportamento se manifesta. É a expressão de seu transtorno. Agindo assim, é propiciada ao cliente a oportunidade de experimentar segurança e confiança.

4-Dependência Aceita, Interdependência e Independência: No RT, essa dependência tem que ser aceita pelo Enfermeiro e ele precisa estar atento para percebê- la e demonstrar aceitação desta, sem estimulá-la. Assim que as condições do cliente permitiram, o Enfermeiro deverá ajudá-lo a aceitar a interdependência necessária e saudável e estimular a independência possível para cada cliente em particular.

5-Empatia e Envolvimento Emocional: O conceito de empatia é multidimensional e contêm aspectos cognitivos, emocionais, comunicacionais e relacionais. O Enfermeiro deve adquirir maturidade suficiente a ponto de poder experimentar a empatia sem que haja envolvimento emocional.

6-Confiança:É o sentimento de fidedignidade em relação a o outro. A confiança permite à pessoa aprender como lidar como mundo e a resolver os desafios que se apresentam. As características de confiança incluem respeito, honestidade, consistência e a crença no potencial do outro.

7-Respeito Mútuo:Ter respeito pela pessoa é a creditar em sua dignidade e seu valor, independente de seu comportamento; aceitar a pessoa que cada ser humano é sem julgá-la.

6. TRATAMENTO DAS DOENÇAS MENTAIS

De modo geral, os tratamentos psiquiátricos dividem-se em duas categorias; somáticos ou psicoterapêuticos. Os tratamentos somáticos incluem as terapias farmacológicas e eletroconvulsivantes. Os tratamentos psicoterapêuticos incluem a psicoterapia (individual, de grupo ou familiar), as técnicas de terapia do comportamento (como os métodos de relaxação e a hipnose) e a hipnoterapia. Muitas perturbações

Tipos de Psicoterapias. Arteterapia É uma forma de terapia que utiliza recursos expressivos, artisticos e vivênciais com o objetivo de facilitar o auto-conhecimento e a comunicação do cliente.

Programação Neurolingüística A PNL é um modelo de comunicação e comportamento que enfatiza o papel da linguagem na determinação de nosso estado físico e psicológico.

Psicoterapias Corporais Para esta psicoterapia, nossas emoções possuem um correlato físico, tornando-se necessário o contato com o corpo, juntamente com a verbalização.

Psicoterapia Familiar: Corresponde a uma serie de psicoterapias que são centradas nos problemas interativos das crises de relacionamento de casal ou no interior da família.

Cognitiva : Sistema de terapia cujo princípio básico é de que as cognições(pensamentos, crenças, interpretações) de um indivíduo frente a situações influenciam suas emoções e comportamentos. O terapeuta atua sobre as cognições, a fim de alterar as emoções e comportamentos que as acompanham.

Psicanálise A Psicanálise é ao mesmo tempo um modo particular de tratamento do desequilíbrio mental e uma teoria psicológica que se ocupa dos processos mentais inconscientes.

Hipnose e hipnoterapia

A hipnose e a hipnoterapia estão a ser utilizadas de modo crescente para tratar a dor e as perturbações físicas que têm um componente psicológica. Estas técnicas podem promover a relaxamento, fazendo, consequentemente, com que a ansiedade e a tensão se reduzam. Por exemplo, a hipnose e a hipnoterapia pode ajudar as pessoas com cancro que, além da dor, têm ansiedade ou depressão.

6.3 Eletroconvulsoterapia

A ECT - eletroconvulsoterapia é um tratamento extremamente eficaz e seguro para doenças psiquiátricas, principalmente a depressão. O objetivo é promover uma estimulação elétrica no cérebro com a finalidade de induzir uma crise convulsiva que dura ao redor de 30 segundos, mas já suficiente para aliviar os sintomas das doenças. O tratamento é feito em sessões, o número de aplicações é definido pelo psiquiatra. Tudo é feito em um ambiente hospitalar, com o paciente anestesiado para que não sinta desconforto ou dor e a liberação é feita no mesmo dia. Apesar do alto índice de eficácia e da segurança do tratamento, a técnica ainda é incompreendida e confundida com tratamento doloroso, antiquado ou mesmo tortura. Antigamente a ECT era conhecida como “eletrochoque”. Nos anos 50, com a descoberta de remédios com efeitos antipsicóticos, antidepressivos e estabilizadores do humor, a ECT começou a ser vista negativamente. No entanto, nenhuma droga, até o momento, se iguala, em eficácia, à ECT. Quando os profissionais começaram a observar as limitações do efeito das medicações o interesse pela ECT voltou a crescer. Em 1959, foi relatado o uso de anestesia durante o procedimento. A partir dos anos 70 a técnica foi extremamente aprimorada, com o desenvolvimento de aparelhos mais sofisticados, que permitem um controle preciso da carga fornecida, uso de anestesia, oxigenação, relaxamento muscular e monitoração detalhada das funções vitais. Atualmente, estima-se que 50 mil pessoas recebam ECT por ano nos Estados Unidos, no Brasil ainda não há dados precisos, mas a técnica é amplamente utilizada nos melhores e mais conceituados hospitais de todo o país. Infelizmente o preconceito

e a falta de informação ainda existem, mas a cada dia mais profissionais e pacientes reconhecem que a ECT é uma intervenção eficaz, segura e, muitas vezes, capaz de salvar a vida em certos transtornos nos quais outras intervenções tiveram pouco ou nenhum efeito.

O tratamento surgiu na década de 30, quando os neuropsiquiatras italianos, Ugo Cerletti e Lucio Bini, iniciaram pesquisas induzindo convulsões com eletricidade. Em 1938, Cerletti realizou a primeira terapia convulsiva induzida eletricamente com finalidade terapêutica. Descobriu-se, então, que o tratamento reduz o risco de suicídio, quase a ponto de desaparecimento, rapidamente. Em poucos anos, a ECT tornou-se um dos principais métodos de tratamento da esquizofrenia e transtornos do humor.

Os quadros depressivos são os que melhor respondem a este tratamento. Todos os subtipos podem se beneficiar do tratamento: refratária, unipolar, bipolar, catatônica, associada a transtorno de personalidade ou a uma outra doença orgânica.

A ECT tem indicação como primeiro tratamento nos quadros nos quais:

  • Há um risco de suicídio iminente;
  • Uma desnutrição que põe em risco a vida do paciente;
  • A presença de sintomas catatônicos;
  • Presença de sintomas psicóticos graves;

Em situações nas quais outros tratamentos são mais arriscados devido aos seus efeitos colaterais (por exemplo: pacientes idosos, durante a gestação e amamentação).

Outros quadros também podem ter indicação: mania e seus subtipos, esquizofrenia e outras psicoses funcionais resistentes ao uso de antipsicóticos, epilepsia refratária e transtornos mentais em epilépticos, síndrome neuroléptica maligna e doença de Parkinson (há melhora dos sintomas extrapiramidais e depressivos).

7. SAÚDE X DOENÇA MENTAL

Em geral, entende-se ter saúde mental como o oposto de doença mental ou a ausência de psicopatologia, ou seja, um estado de saúde normal.

A nossa mente não é uma entidade separada do resto de nós. Quando estamos desestruturados, a nossa saúde física também é afetada. Muitas condições físicas são, na realidade, enraizadas em uma aflição psíquica, ou em uma história de estresse que nunca foi cuidada. Nossas relações pessoais e de trabalho, e nossas habilidades são afetadas por ambas as questões de saúde física e mental.

No entanto, a boa notícia é que a maioria das pessoas que experimenta problemas de saúde mental e emocional pode administrar ou superar esses problemas e com tratamento, viver uma vida plena.

7.1 Problemas de saúde mental e emocional

Um problema de saúde mental ou emocional pode ser de curto prazo, como uma reação a um estressor (como uma perda, doloroso acontecimento, doença, medicação, etc.). Se a situação não se reduzir ou se os sintomas de angústia estão interferindo com outros aspectos da vida, a assistência de um profissional de saúde mental pode ser necessária. Geralmente, não se pensa duas vezes em procurar ajuda para evitar um

8. DOENÇAS FÍSICAS E ASPECTOS PSICOLÓGICOS

Doenças de fundo emocional são estudadas há muito tempo pela psicologia. A psicossomática é um tema fascinante e trata da intercomunicação mente x corpo. Muito se fala sobre o poder de nosso cérebro sobre a saúde e nos faz pensar: "Já que somos “poderosos” em criar doenças será que podemos aplicar este poder na cura das doenças? Seu cérebro pode ser o seu próprio médico?"

Doença psicossomática e Somatização se referem a aspectos diferentes do mesmo ponto: a influência da mente sobre a saúde de nosso corpo.

Toda doença tem fundo emocional?

Não, mas existem correntes que defendem esta ideia. Creio ser um pouco exagerado considerar que toda vez que ficamos doentes teremos nossa cabeça como responsável. Nosso corpo funciona independente de nosso pensamento e intenção, seu coração bate, seu sangue circula quer você queira ou não. A única ponta de verdade que consigo ver na afirmação de que toda doença tem fundo emocional é que toda pessoa angustiada, nervosa, preocupada, triste, irada, enfim com emoções negativas, terão seus sistemas imunológicos abalados. Com o sofrimento emocional e psicológico seu corpo produz cortizol, o hormônio do stress e com a repetição desta descarga hormonal seu organismo vai ficando cada vez mais e mais debilitado a ponto de adoecer. Mas o inverso também é verdadeiro, ou seja, toda vez que sua saúde física estiver abalada você sofrerá conseqüências emocionais e psicológicas. Quando uma pessoa descobre que tem câncer ficará abalada emocional e psicologicamente. Se ela não tiver ajuda para se controlar emocionalmente poderá ter sua resistência prejudicada e interferir em sua recuperação. Por isso é muito importante o acompanhamento psicológico nos casos mais graves.

Quando alguém diz que a pessoa está somatizando está dizendo que esta pessoa apresenta sintomas físicos mesmo não havendo uma doença física - a causa destes sintomas é emocional. Por exemplo, o caso da pessoa que sente taquicardia, o coração dispara e ela vai ao médico achando que está com problema no coração, chegando lá ela faz exames, e não acusando nada, o médico dispensa o paciente dizendo que ele está bem fisicamente. Esta taquicardia pode ser sintoma de pânico - síndrome do pânico. Isso é somatização. Os exames não acusam nada porque a pessoa não tem nada fisicamente, o sofrimento físico é um reflexo do sofrimento emocional, que está escondido. O correto nessa situação é que o médico encaminhe a pessoa para um tratamento com psicólogo. Só o psicólogo pode tratar e amenizar esse sofrimento, que apesar de estar se manifestando no corpo é essencialmente mental, é psicológico. A ajuda deve ser feita a nível emocional. Somatização é quando a pessoa apresenta sintomas cuja avaliação do médico não identifica qualquer problema orgânico, mas identifica uma causa psicológica, e o tratamento é feito com o psicólogo.

Quando usamos o termo “doença psicossomática” dizemos que a causa é psicológica, mas a pessoa apresenta alterações clínicas detectáveis por exames de laboratório, ou seja, o corpo da pessoa está tendo danos físicos - chamamos de doença psicossomática. É uma doença física, verdadeira mas com causa psicológica, ou seja, a doença apareceu no corpo, como uma alergia por exemplo. Neste caso a pessoa deve tratar tanto com o psicólogo como com o médico. Com o médico ela trata o corpo, e com o psicólogo trata a mente - a cabeça, as emoções.

Prevalência de transtornos mentais em crianças e adolescentes

Resumo

Este estudo teve como objetivo identificar a prevalência de transtornos mentais em pacientes atendidos em ambulatório de psiquiatria infantil, a partir da análise do livro de registros de atendimento (anos de 2009 e 2010) preenchido por médicos residentes e docentes. Foram analisados dados de 109 pacientes, com idade entre 4 e 20 anos (média: 11,08 ± 3,24), sendo 85 do sexo masculino (77,98%). Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (n = 59; 54,12%), retardo mental (n = 55; 50,45%) e transtorno de conduta (n = 34; 31,19%) foram os mais prevalentes. Para o sexo masculino, o mais prevalente foi transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, e, para o feminino, retardo mental. As comorbidades mais prevalentes foram retardo mental, transtorno de conduta, transtorno desafiador e de oposição, episódio depressivo e transtorno da ansiedade. A maioria dos pacientes era do sexo masculino, com transtornos externalizantes e comorbidades. Os dados reafirmam a relevância de programas preventivos na atenção primária, na comunidade e nas escolas.

Palavras–chave: prevalência; transtornos mentais; transtornos do comportamento infantil; criança; adolescente.

Identificar a prevalência dos transtornos mentais na infância, bem como fatores de vulnerabilidade e de proteção, auxilia no delineamento de políticas de saúde, na distribuição de recursos, na prevenção e no tratamento de casos diagnosticados (Anselmi et al., 2008). Além de acarretarem prejuízos sobre o funcionamento global da criança, os transtornos mentais da infância tendem a persistir, frequentemente não recebem tratamento adequado e aumentam o risco para outros problemas, como abuso de substâncias, criminalidade, desemprego, mortalidade, dificuldades na educação dos filhos e transtornos mentais na vida adulta (Gale et al., 2012).

Existem dados indicando que de 50% a 75% dos transtornos mentais começam na infância e na adolescência (Kessler et al., 2007), embora estudos epidemiológicos ainda sejam escassos em países de baixa e média rendas (Petresco et al., 2014). Estima–se que nesses países, inclusive no Brasil, a prevalência de transtornos mentais na infância e adolescência varie entre 7% e 20%, dependendo da região investigada, da exposição a fatores de risco e da metodologia empregada nos estudos (Kieling et al., 2011; Petresco et al., 2014).

O diagnóstico de um transtorno mental é habitualmente realizado a partir de critérios padronizados, como os da Classificação Internacional de Doenças (CID–10) ou do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM–IV). Os dois sistemas de classificação são convergentes e aceitos internacionalmente, e incluem, além dos critérios para diagnóstico de diferentes transtornos, o sofrimento e a incapacidade associados aos sintomas. Entretanto, críticas e insatisfação em relação ao seu uso são frequentes e incluem, por exemplo, seu difícil uso no mundo real, onde os pacientes apresentam múltiplos conjuntos de sintomas que se enquadram em diversos

Este estudo tem caráter descritivo e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp).

Os dados foram obtidos por meio da análise das anotações do livro de registro do ambulatório de psiquiatria infantil do Hospital de Base de São José do Rio Preto/SP durante os anos de 2009 e 2010, período da duração do projeto de iniciação científica. As anotações do livro de registro foram feitas por médicos psiquiatras residentes e docentes.

Resultados

Dos 139 registros realizados no período, 109 estavam completos em relação ao diagnóstico e foram incluídos no estudo. A idade desses 109 pacientes variou de 4 a 20 anos (média 11,08 + 3,24), sendo 85 do sexo masculino (77,98%) e 24 do sexo feminino (22,02%). A Tabela 1 apresenta as taxas de prevalência dos diagnósticos realizados para ambos os sexos no período analisado.

Os pacientes foram também agrupados levando –se em conta a fase de desenvolvimento, segundo critérios da Organização Mundial de Saúde (OMS): infância (0– 10 anos) e adolescência (11– 20 anos). Os diagnósticos mais prevalentes entre crianças e adolescentes estão apresentados na Tabela 2.

As comorbidades que apareceram com maior frequência para os diagnósticos mais prevalentes estão apresentadas na Tabela 3.

Discussão

Entre os registros avaliados no período do estudo, houve maior prevalência de atendimentos para o sexo masculino. Esse resultado é semelhante ao obtido em outros estudos brasileiros e internacionais com crianças encaminhadas para atendimento em saúde mental (Boaz, 2009; Petresco et al., 2014). Os dados sugerem que transtornos mentais são mais comuns em meninos do que em meninas e que os problemas aumentam no período próximo e durante a adolescência (Counselling Directory, 2014). Além disso, crianças com problemas externalizantes (como agressividade e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) têm maior probabilidade de ser encaminhadas para serviços de saúde mental que as com problemas internalizantes (como ansiedade e depressão). Como a prevalência de problemas externalizantes é maior entre os meninos, isso pode justificar o número superior de crianças do sexo masculino atendidas em serviços de saúde mental (Counselling Directory, 2014).

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), identificado como o mais prevalente neste estudo, é apontado como o diagnóstico realizado com maior frequência em serviços de saúde mental, responsável por altos custos em serviços de saúde do mundo todo. Trata– se de um problema crônico e que persiste, na maior parte dos casos, além da infância (American Academy of Pediatrics, 2011; Erskine et al., 2014).

O TDAH é mais prevalente para o sexo masculino (Smith, Barkley, & Shapiro, 2007) embora autores sugiram que possa estar sendo subdiagnosticado no sexo feminino (Ramtekkar, Reiersen, Todorov, & Todd, 2009). Considerado o problema "neurocomportamental mais comum da infância, pode afetar profundamente o

rendimento acadêmico, o bem –estar e as interações sociais das crianças" (American Academy of Pediatrics, 2011).

Na avaliação do TDAH, outras condições devem ser investigadas e manejadas, uma vez que existem altas taxas de comorbidade com outros transtornos mentais, como ansiedade, depressão, transtorno de conduta, desafiador e de oposição, problemas de aprendizagem e tiques (American Academy of Pediatrics, 2011; Yüce, Zoroglu, Ceeylan, Kandemir, & Karabekiroglu, 2013; Souza, Serra –Pinheiro, Fortes, & Pinna, 2007; Hoza, Kaiser, & Hurt, 2008; Barkley, 2006). Neste estudo, as principais comorbidades encontradas foram retardo mental, transtorno de conduta, transtorno desafiador e de oposição, episódio depressivo e transtornos da ansiedade.

A prevalência de TDAH entre crianças com retardo mental é alta, embora existam poucos estudos sobre o tema (Souza et al., 2007; Hässler & Thome, 2012). Investigação sobre a comorbidade entre TDAH e síndrome de Down, por exemplo, identificou taxa positiva de 43,9% entre as crianças avaliadas (Ekstein, Glick, Weill, Kay, & Berger, 2011). Uma avaliação cuidadosa dessas crianças é necessária, portanto, para que o tratamento adequado possa ser indicado. Um exemplo da importância desse cuidado é fornecido por Hässler e Thome (2012): crianças com retardo mental podem ser mais suscetíveis aos efeitos colaterais do tratamento farmacológico utilizado habitualmente para o manejo do TDAH.

Existe alta taxa de comorbidade entre TDAH, transtorno desafiador e de oposição e transtorno de conduta (Yüce et al., 2013; Erskine et al., 2014). Sintomas de transtorno desafiador e de oposição estão presentes em parcela significativa de crianças com TDAH, e estas, por sua vez, têm grande chance de desenvolver transtorno de conduta (Patel, Patel, & Patel, 2012). É importante notar que, embora o uso de farmacoterapia esteja estabelecido como um tratamento eficaz para o TDAH, a medicação não afeta diretamente problemas característicos das comorbidades, como o "comportamento opositivo/agressivo, os sintomas internalizantes, as habilidades sociais, o relacionamento entre pais e criança, e o funcionamento acadêmico" (Hoza et al., 2008, p. 197). Assim, existe grande interesse em intervenções psicossociais para o manejo do TDAH e de comorbidades, tanto isoladas como combinadas com medicação. Hoza et al. (2008) apresentam uma revisão sobre esses tratamentos, considerando especialmente aqueles baseados em evidências.

Existe hoje grande preocupação em avaliar custos dos serviços de saúde. Assim, é importante considerar que o transtorno de conduta tem custos diretos e indiretos superiores aos do TDAH (Merikangas, Nakamura, & Kessler, 2009). Além do impacto do problema sobre a criança, família e contexto social, custos são um argumento adicional para incentivar pesquisas e intervenções baseadas em evidências para aqueles que apresentam TDAH e comorbidades.

Episódio depressivo e transtornos da ansiedade, comorbidades associadas ao TDAH, foram também identificados neste estudo. Em média, de 25% a 35% das crianças com TDAH apresentam transtornos da ansiedade (Barkley, 2006). Os sintomas de ansiedade nessas crianças são semelhantes aos apresentados por aquelas que têm apenas um transtorno da ansiedade. Sintomas de depressão também são comuns, e uma revisão da literatura identificou prevalência de transtorno depressivo maior ou transtorno distímico em 15% a 75% de crianças com TDAH. Assim, identificar e tratar ansiedade e depressão em crianças com TDAH é fundamental e tem um impacto positivo sobre a qualidade de vida (Barkley, 2006).

Mais estudos sobre prevalência de transtornos mentais entre crianças e adolescentes ainda são necessários para identificar necessidades regionais específicas. Esses estudos devem incluir diferentes recursos da comunidade onde a população recebe assistência na área de saúde mental e estudos populacionais.

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