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Saúde suplementar, Notas de estudo de Políticas Públicas

INTRODUÇÃO A SAÚDE SUPLEMENTAR

Tipologia: Notas de estudo

2011

Compartilhado em 27/03/2011

Egberto_Ludghério
Egberto_Ludghério 🇧🇷

4.6

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Valor análise setorial
saúdesuplementar
Introdução
O sistema suplementar de saúde compreende
os serviços prestados por seguradoras especial i-
zadas em seguros-saúde, empresas de medicina
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(especializada s em pla nos médico-hospita lares
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Estas últimas são, segundo defi nição da Agência
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financiados p or outra operadora”.
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Sistema de saúde no Brasil
O setor de saúde no Brasil é formado por um
sistema público, financiado pelo Estado por in-
termédio do Sistema Único de Saúde (SUS), e por
um sistema privado, denomi nado de saúde suple-
mentar, cujos fi nanciadores são as operadora s de
planos de assistênc ia médica.
O si stema públ ico é ba seado no pri ncípio
da u niversal ização de acesso à saúde, ga rantido
a todos os cidad ãos pela Constit uição Federal,
promulgad a em 1988. Para at ingir e sse objetivo,
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reito de todos e dever do E stado” e o art igo 197
disp ôs que as ações e serv iços de s aúde s ão de
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lar, fis calizar e controlar.
O texto const itucional também considerou,
por meio do artigo 199, as instit uições pr ivadas
como part icipantes do sistem a de saúde brasilei -
ro: “as instituições pri vadas poderão participar
de forma complementar do Sistema Único de Saú-
de, segundo diretrizes deste”. O sistema de saúde
privado, formado pelas operadoras de planos e
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como sistema supletivo de atenção à s aúde.
Assim, embora tenha determinado a impor-
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a Constituição considerou a existência de um sub-
sistema privado, que complement aria o sistema
público. Nele, os s erviços médico-hos pitalares de
entidades pri vadas e dos médicos são comprados
pelas operadoras de convên ios médicos.
o sistema público
Estima-se que o setor de saúde movimente
ao redor de R$ 100 bilhões, dos quais R$ 36,2 bi-
lhões são provenientes do setor privado. Dando
ao Estado o papel central para gerir esse sistema,
Introdução
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 Valor análise setorial saúde suplementar

Introdução

O sistema suplementar de saúde compreende os serviços prestados por seguradoras especiali- zadas em seguros-saúde, empresas de medicina de grupo e odontologia de grupo, cooperativas (especializadas em planos médico-hospitalares e/ou odontológicos), entidades filantrópicas, companhias de autogestão e administradoras. Estas últimas são, segundo definição da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), “empresas que administram planos de assistência à saúde financiados por outra operadora”. As operadoras compram dos prestadores de serviços da área de saúde (médicos, laboratórios, clínicas, hospitais etc.) serviços como consultas, exames, internações, cirurgias, tratamentos, en- tre outros. Para tanto, dispõem de carteira de clientes (conveniados ou segurados), que, a partir de contratos, remuneram as operadoras de planos e seguros-saúde por meio de mensalidades. Há uma ampla gama de planos e seguros de saúde que são oferecidos aos consumidores, cada um se distingue pela cobertura de rede de serviços oferecida, padrão de conforto, carên- cias, valor, entre outros. Os convênios médicos são que, praticamente, financiam o setor privado da saúde, já que che- gam a ser responsáveis, por exemplo, por 80% a 90% do faturamento dos maiores hospitais pri- vados do país.

Sistema de saúde no Brasil

O setor de saúde no Brasil é formado por um sistema público, financiado pelo Estado por in- termédio do Sistema Único de Saúde (SUS), e por um sistema privado, denominado de saúde suple-

mentar, cujos financiadores são as operadoras de planos de assistência médica. O sistema público é baseado no princípio da universalização de acesso à saúde, garantido a todos os cidadãos pela Constituição Federal, promulgada em 1988. Para atingir esse objetivo, a Constituição elegeu o Estado como principal ator. O artigo 196 determinou que “a saúde é di- reito de todos e dever do Estado” e o artigo 197 dispôs que as ações e serviços de saúde são de relevância pública e cabe ao poder público regu- lar, fiscalizar e controlar. O texto constitucional também considerou, por meio do artigo 199, as instituições privadas como participantes do sistema de saúde brasilei- ro: “as instituições privadas poderão participar de forma complementar do Sistema Único de Saú- de, segundo diretrizes deste”. O sistema de saúde privado, formado pelas operadoras de planos e seguros-saúde, hospitais, laboratórios, clínicas e médicos, complementaria o sistema público, como sistema supletivo de atenção à saúde. Assim, embora tenha determinado a impor- tância fundamental do papel do Estado na saúde, a Constituição considerou a existência de um sub- sistema privado, que complementaria o sistema público. Nele, os serviços médico-hospitalares de entidades privadas e dos médicos são comprados pelas operadoras de convênios médicos.

o sistema público

Estima-se que o setor de saúde movimente ao redor de R$ 100 bilhões, dos quais R$ 36,2 bi- lhões são provenientes do setor privado. Dando ao Estado o papel central para gerir esse sistema,

Introdução

saúde suplementar Valor análise setorial 

coordenando e financiando as políticas de saúde, a Lei Orgânica da Saúde, de 1990, delineou como funcionaria a saúde pública. Essa estrutura passou a ser representada pelo SUS, que tem como princípio ser um sistema único integrado a uma rede regionalizada, hierarquizada e organizada conforme as diretrizes de descentraliza- ção, atenção integral e participação da comunidade. Em princípio, o SUS deveria ter a capacidade físi- ca e econômica para atender toda a população bra- sileira e fazer valer o que determina a Constituição. Trata-se de um objetivo ambicioso e o maior progra- ma de inclusão social do país. Todavia, mesmo que tenha avançado ao longo dos anos, ainda não atingiu seu objetivo de se tornar universal. Também não se garantiu o acesso homogêneo de toda a população a ações e serviços de saúde e persis- tem as desigualdades regionais na distribuição dos estabelecimentos de saúde e das tecnologias médicas. As tentativas de consolidação do sistema ideali- zado enfrentam ainda problemas de natureza estru- tural, entre as quais as dificuldades de estabelecer uma relação hierárquica, já que na mesma Consti- tuição estados e municípios são entes federados sem relação hierárquica, dificultando a formação da de- sejada rede regionalizada e hierarquizada. Todavia, o mais relevante obstáculo é a incapa- cidade do Brasil em elevar os gastos com saúde, que chegam a cerca de 3% do PIB, percentual menor que o de muitos países da América Latina. Segundo o World Health Report de 2006, publicado pela Orga- nização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil gasta anu- almente US$ 597 per capita com assistência à saúde, ante US$ 1,07 mil na Argentina e US$ 582 no México. A incapacidade de atingir a universalização também ocorre devido a determinadas políticas públicas adotadas nos últimos anos e à falta de eficiência na gestão do sistema. Mas as dificuldades da área da saúde no país não ficam restritas ao setor público. No Brasil, há dificuldades em coordenar tanto o financiamen- to do SUS quanto o do setor de saúde suplemen- tar. Nos últimos anos, o sistema de saúde privado, foco desta análise, tem encontrado, também, en- traves ao seu desenvolvimento.

o desenvolvimento da saúde suplementar

Embora tenham sido considerados pela Cons- tituição de 1988, os planos de saúde privados ti- veram início na segunda metade dos anos 50 do século passado, quando alguns médicos do ABC

Paulista se reuniram para dar assistência a fun- cionários de uma companhia, por meio de um pré-pagamento. Nas décadas seguintes, essas operadoras te- riam papel crucial no desenvolvimento do setor de saúde suplementar, que se consolidaria devido também à incapacidade do Estado em suprir to- das as demandas por saúde da população. A saú- de suplementar cresceu a tal ponto, que o Brasil passou a ter o maior mercado privado de serviços relacionados à saúde da América Latina. O forte desenvolvimento se deu já a partir dos anos 60 com as empresas de medicina de grupo. Um marco importante ocorreu em 1964, quando o antigo Instituto de Aposentadoria e Pensões (IAP) foi dispensado de dar assistência médica aos trabalhadores da Volkswagen. Em compensa- ção, a empresa foi desobrigada de contribuir com a sua parte para a previdência. Foi quando surgiu o primeiro convênio-empresa. Companhias de grande porte passaram a ado- tar essa modalidade nos anos seguintes (em 1977 já existiam quase 5 mil convênios desse tipo). No fim dos anos 60, surge na cidade de Santos (SP) a primeira Unimed, da qual os médicos são, ao mesmo tempo, sócios e prestadores de serviços. Nesse período também começa a se consolidar outra modalidade de convênio, a de autogestão. Na década de 70, um complexo médico-hospi- talar começa a se consolidar no país e, em virtude do crescimento dos custos da medicina, com a incorporação crescente de novas tecnologias, os hospitais foram ficando cada vez mais dependen- tes dos planos de saúde, que passam a ser a alter- nativa para financiar os gastos de uma parcela da população. Nessa década surge a primeira regu- lamentação operacional para o seguro-saúde. As operadoras de planos de saúde consolida- ram sua presença no mercado no início dos anos 80, atendendo uma parcela significativa da classe média e de trabalhadores especializados nas re- giões Sul e Sudeste, principalmente nesta última. Estima-se que à época cerca de 15 milhões de pessoas já eram beneficiários de planos ofereci- dos pelas empresas de medicina de grupo e pelas cooperativas. No fim dos anos 80, as operadoras desse segmento passaram a vender planos indivi- duais com padrões de cobertura diferenciados. Há um significativo crescimento do mercado de saúde suplementar entre o fim da década de 80 e o início dos anos 90, com a expansão das

saúde suplementar Valor análise setorial 11

as operadoras devem fazer sempre que seus benefi- ciários utilizarem os serviços de saúde públicos. As dificuldades do setor aumentaram com o fraco desempenho da economia brasileira, que ao longo dos anos seguintes passou a apresentar baixos índices de crescimento, com o aumento do desemprego e a diminuição da renda da popu- lação. Tais fatores contribuíram para a queda no número de usuários do sistema. Além disso, o sistema suplementar passou tam- bém a conviver com um fenômeno que atinge todo o mundo: os custos crescentes da área da saúde. Em to- dos os países, observa-se que a inflação da saúde tem sido bem maior que o aumento de preços em geral. Houve encarecimento dos planos e uma que- da no número de usuários. Os dados apurados pela Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) comprovam essa tendência. Embora em 2005 o número de beneficiários vinculados aos seus associados tenha aumentado 3% em relação ao ano anterior, atingindo 15,7 mi- lhões de pessoas, foi 14,7% menor do que o obser- vado em 2000, quando chegou a 18,4 milhões. Em relação aos preços, segundo a Abramge, en- tre 2000 e 2006, o custo médio dos planos de saú- de por beneficiário passou de R$ 25,6 para R$ 65,8, um aumento acumulado de 157%, ou 17% ao ano. As dificuldades das operadoras dissemina- ram-se pelo restante da cadeia da saúde suple- mentar, atingindo hospitais, clínicas, laborató- rios e médicos. Diante da estagnação do mercado, as operadoras passaram a adiar os reajustes de diárias e taxas pagas aos prestadores de serviços

(hospitais, laboratórios, médicos etc.). Os reajus- tes que foram concedidos eram inferiores aos au- torizados pela ANS. Em relação aos médicos, a defasagem dos va- lores pagos foi ainda mais grave do que os pagos a hospitais e laboratórios. A situação chegou a ponto de tornar delicada a relação entre os pro- fissionais e as operadoras e levou, inclusive, os médicos a promoverem um boicote direcionado a sete seguradoras em 2004. Contudo, a reação das operadoras não se res- tringiu ao endurecimento nas negociações com seus prestadores de serviços. As empresas pas- saram a adotar estratégias visando à redução de custos, tais como a medicina preventiva e a verti- calização de suas atividades, investindo em rede própria de hospitais e laboratórios. Outra tendência entre as companhias do setor foi priorizar as vendas de planos para empresas, já que os planos coletivos não ficaram sob contro- le de preços. O alvo tem sido as empresas de pe- queno e médio portes, um segmento ainda pouco explorado pelas operadoras. A reação do setor diante do novo quadro que se desenhou a partir do fim dos anos 90, todavia, não deve alterar a perspectiva de concentração do setor. As dificuldades em atuar num mercado em que as margens ficaram mais estreitas por causa da regulamentação e da queda do poder aquisiti- vo da maior parte da população, que tradicional- mente tem plano de saúde, fragilizaram financei- ramente muitas companhias, principalmente as de médio e pequeno portes.