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Setor Florestal, Notas de estudo de Engenharia Florestal

Setor florestal; importância do reflorestamento

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 22/05/2010

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O SETOR FLORESTAL NO
BRASIL E A IMPORTÂNCIA DO
REFLORESTAMENTO
Thais Linhares Juvenal
René Luiz Grion Mattos*
* Respectivamente, gerente setorial e engenheiro da Gerência Setorial de
Produtos Florestais do BNDES.
6(725)/25(67$/
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O SETOR FLORESTAL NO

BRASIL E A IMPORTÂNCIA DO

REFLORESTAMENTO

Thais Linhares Juvenal

René Luiz Grion Mattos*

  • Respectivamente, gerente setorial e engenheiro da Gerência Setorial de

Produtos Florestais do BNDES. 6(725)/25(67$/

O Brasil apresenta grande competitividade no mercado de produtos florestais, em razão de suas carac- terísticas edafoclimáticas (solo e clima) e do desenvolvi- mento tecnológico obtido na área de silvicultura.

Em 2001, o PIB florestal brasileiro atingiu R$ 21 bilhões e as exportações somaram US$ 4 bilhões. So- mente a indústria de papel e celulose gerou receitas com vendas externas de US$ 2,2 bilhões, no mesmo ano, e um saldo comercial positivo de US$ 1,4 bilhão. Outros produtos como carvão vegetal, painéis de madeira e serrados contribuem para fazer do Brasil um playerim- portante do mercado mundial de produtos florestais, seja como produtor, consumidor ou exportador.

O crescimento da atividade florestal no País, contudo, encontra-se ameaçado pelo pequeno nível de investimentos na formação de florestas. Nesse contexto, este artigo se propõe a caracterizar o setor florestal brasileiro, abordando suas diversas atividades, e identi- ficando a importância do reflorestamento para seu cres- cimento e sustentabilidade.

O Setor Florestal no Brasil e a Importância do Reflorestamento

Resumo

cultura (SBS) indicam que, em 2001, o PIB florestal brasileiro atingiu R$ 21 bilhões e as exportações, US$ 4 bilhões, com a geração de 2 milhões de empregos diretos e indiretos (Tabela 1).

A cobertura florestal do território brasileiro, associada às excelentes condições edafoclimáticas (solo e clima) para a silvicul- tura, confere ao País grandes vantagens comparativas para a ativi- dade florestal. Esses fatores, aliados ao desenvolvimento tecnológi- co no plantio de florestas, transformam as vantagens naturais em competitividade real.

Esse quadro favorável, contudo, é ameaçado pelo iminente déficit de oferta interna de madeira, conhecido como “apagão flores-

6 O Setor Florestal no Brasil e a Importância do Reflorestamento

SERRADOS

PAINÉIS

POLPA (^) HDF

Aglomerados MDF Chapas de fibra OSB

Reconstituídos

Compensados Madeira Sólida Lâminas

Pastas de alto rendimento Celulose

FINS INDUSTRIAIS

TORAS DE MADEIRA

Carvão (^) Lenha

COMBUSTÍVEL

Figura 1 Cadeia Produtiva da Madeira

Tabela 1 Brasil: Exportação de Produtos Florestais (Em US$ Milhões) PRODUTOS 1997 1998 1999 2000 2001 Sólidos de Madeira 1.130 967 1.275 1.361 1. Madeira Serrada 411 410 483 519 532 Painel de Compensado 264 134 345 374 360 Lâminas 97 64 54 49 37 Chapa de Fibra Comprimida 79 64 56 54 62 Outros Produtos de Madeira 279 295 337 365 358 Móveis 366 338 385 489 484 Celulose 947 970 1.192 1.603 1. Papel 966 924 901 941 942 Total 3.409 3.199 3.753 4.394 4. Fontes:Bracelpa, Abipa, Abimci e Abimovel.

tal”, que atingirá mais drasticamente as regiões Sul e Sudeste e os segmentos de serraria e laminação, incluindo a indústria moveleira. A indústria dessas regiões já deslocou parte de seu abastecimento de matéria-prima para as regiões Centro-Oeste e Norte e para países do Mercosul. Uma outra fonte de madeira tem sido, em pequena escala, o excedente de reflorestamentos realizados pela indústria de celulose e papel.

A situação no Sul/Sudeste/Nordeste é diferenciada por ter sido a cobertura florestal original dessas regiões explorada à exaus- tão e por ter se reduzido o ritmo dos reflorestamentos. Na região Norte, onde ainda há uma grande extensão de florestas nativas, o problema que se coloca é a exploração sustentável dessas florestas, envolvendo proteção às espécies ameaçadas, métodos de explora- ção menos invasivos e aumento de produtividade no processamento industrial.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), a partir de 2004, parte da indústria brasileira processadora de madeira terá obrigatoriamente que importar sua matéria-prima principal. O reflorestamento, fundamental para o crescimento e competitividade da cadeia madeireira, teve sua expansão limitada pela ausência de fontes de financiamento adequadas, tendo se restringido, após o fim do Fundo de Incentivo Setorial (Fiset), em 1987, basicamente, às indústrias de celulose e papel, siderúrgica e de painéis de madeira. O BNDES figura, hoje, como a principal alternativa de financiamento para o plantio de florestas de fins industriais.

A formulação de estratégias e instrumentos que dêem apoio à atividade florestal, enfrentando as questões relativas ao uso das florestas tropicais e do reflorestamento, tornaram-se cruciais para a manutenção das vantagens competitivas do Brasil na cadeia produtiva da madeira. Nesse contexto, considera-se fundamental a reunião de informações sobre o setor florestal, objetivando identificar a importância do reflorestamento, o crescimento e a sustentabilidade desse segmento.

A cobertura florestal no mundo soma 3,9 bilhões de hectares, dos quais 47% correspondem às florestas tropicais, 33% às boreais, 11% às temperadas e 9% às subtropicais. Consideran- do-se a distribuição regional, Europa e América do Sul concentram 50% das florestas mundiais, sendo a outra metade dividida entre África, Ásia, América do Norte e, com pequena participação no total, Oceania (Gráfico 1).

Dos 886 milhões de hectares que estão no continente latino-americano, 61% encontram-se no Brasil, tornando o País o segundo em cobertura florestal no mundo, superado apenas pela

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O Potencial

Florestal

Brasileiro

No Sul e Sudeste, as indústrias mais capitalizadas têm investido recursos significativos na aquisição de florestas plantadas, de novas áreas para reflorestamento e em novos plantios. No Nor- deste, a Caatinga continua sob ameaça constante, pois, apesar das restrições legais, a baixa renda da população, a ausência de outras fontes de energia, inclusive de reflorestamentos, em determinadas localidades, tornam a lenha a base da matriz energética da região.

Em paralelo a esse quadro alarmante para as regiões onde se localiza a maior parte da população e da atividade econô- mica brasileira, cerca de 48,5% do território nacional são cobertos por florestas. Com tal extensão de cobertura florestal, além de posição estratégica nas questões ambientais globais, o Brasil pos- sui um grande potencial produtivo de produtos madeireiros e não- madeireiros.

Dados do Ministério de Meio Ambiente indicam que 69% (374,6 milhões de hectares) da cobertura florestal do território nacio- nal têm potencial produtivo. Essas florestas encontram-se em sua maior parte sob domínio privado, 67% do total, o que enseja a necessidade de um marco regulatório consistente com a exploração produtiva e a preservação. As florestas privadas constituem-se, basicamente, de florestas nativas, mas existem 6,4 milhões de hectares de florestas plantadas.

As áreas públicas, que somam 123,2 milhões de hectares, dividem-se em reservas extrativistas, florestas nacionais e áreas indígenas, sendo estas últimas correspondentes a 84% do total. As florestas públicas são todas nativas.

Correspondentes a 98% da cobertura florestal com poten- cial produtivo no Brasil, as florestas nativas constituem uma impor- tante fonte de geração de renda e de empregos, se exploradas de forma sustentável. A execução de bons planos de manejo florestal, com consistência econômica, ambiental e social, pode garantir o aumento da produção de madeira ao mesmo tempo em que se protege a floresta de desmatamentos e ocupações desordenadas.

O manejo florestal sustentável é definido como a adminis- tração da floresta para obtenção de benefícios econômicos e sociais, respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossistema. Essa atividade, desenvolvida em florestas nativas e não-homogê- neas, implica a realização de uma exploração planejada, aplicando tratamentos silviculturais à floresta e com a extração de espécies previamente selecionadas. As experiências de manejo sustentável têm mostrado ser possível:

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Florestas Nativas

  • aumentar a produtividade da extração de madeira, reduzindo o ciclo de corte e a área necessária;
  • preservar a biodiversidade, mantendo a qualidade da água e do ar; e
  • gerar benefícios socioeconômicos.

A etapa fundamental do manejo de florestas nativas é a realização do inventário florestal, que identificará as espécies com valor econômico presentes na área a ser explorada, bem como sua importância relativa para a preservação do ecossistema. O inventário identificará, ainda, as condições sociais das comunidades presentes na floresta, permitindo que o plano de exploração não resulte em prejuízos de seu bem-estar.

A partir do inventário, é traçado um plano de exploração que contemple a subdivisão da área a ser explorada em lotes (talhões), os quais serão explorados em seqüência. Quando o ciclo de exploração estiver completo, a extração de madeira deverá ocor- rer novamente no primeiro lote explorado, o qual deverá ter se regenerado parcialmente. O manejo florestal pode ser acompanhado de enriquecimento da floresta, ou seja, de plantio de espécies desejadas. Em geral, os planos de manejo de florestas nativas em execução no Brasil envolvem ciclos de exploração de 30 anos.

A exploração sustentável de florestas nativas é importante, também, para a geração de empregos, ocupando, segundo levanta- mento do Ministério do Meio Ambiente, 20 pessoas/ha/ano. De acordo com essa mesma fonte, os investimentos no primeiro ano da implantação do manejo florestal estão estimados em R$ 300 por hectare, com capacidade de gerar, em média, 40 m 3 /ha de espécies nobres.

Apesar dos incontestáveis avanços na tecnologia de ma- nejo sustentável de florestas nativas no Brasil, sua adoção ainda envolve controvérsias. A legislação florestal vigente é pouco clara quanto ao conceito de preservação e de uso sustentável, em que pesem os esforços que o Ministério do Meio Ambiente tem realizado, nos últimos anos, para difundir a prática de manejo.

Paralelamente, observa-se que os sistemas de monitora- mento e controle da exploração florestal, principalmente na Amazô- nia, são ainda frágeis, de forma que a exploração predatória continua a existir e a exercer uma concorrência desleal com a atividade sustentável. Uma outra questão importante relativa ao manejo flores- tal de florestas nativas, especialmente em áreas privadas, é a neces- sidade de uma grande quantidade de terras para que o ciclo de exploração tenha viabilidade econômica.

10 O Setor Florestal no Brasil e a Importância do Reflorestamento

O eucalipto (inserido na categoria das folhosas), principal matéria-prima do processo de produção da celulose de fibra curta, ocupava, em 2001, aproximadamente 3 milhões de hectares, locali- zados em sua maior parte na região Sudeste e no Estado da Bahia. Já o pinus (inserido na categoria das coníferas), utilizado como insu- mo para a produção de celulose de fibra longa, painéis de madeira e na indústria moveleira, entre outros, tem 76% de seu plantio nas regiões Sul e Sudeste do País, onde o clima lhe é mais favorável.

Liderada pelo setor de celulose e papel, a indústria consu- midora de madeira investiu de forma significativa em tecnologia florestal. Graças a esses investimentos, aliados aos esforços de instituições de pesquisa e de universidades e às condições edafocli- máticas do território brasileiro, as florestas de pinus e de eucalipto

12 O Setor Florestal no Brasil e a Importância do Reflorestamento

Gráfico 3 Florestas Plantadas para Uso Industrial (Em %)

Fonte:FAO.

Pinus 38%

Eucalipto 62%

Área Total: 4,8 milhões/ha

Gráfico 4 Brasil: Reflorestamentos Existentes – 2000

Fonte:SBS.

plantadas no Brasil apresentam rápido crescimento, excelente pro- dutividade e custos de implantação/manutenção em declínio.

Atualmente, o corte raso de eucalipto para celulose ocorre com 7 anos e o desbaste de pinus com o mesmo fim começa a ocorrer entre 9 e 10 anos. Para a indústria moveleira, esses prazos são maiores: a exigência mínima é de que o eucalipto tenha 12 anos e o pinus, entre 15 e 18 anos, para que a tora possa ter bom aproveita- mento.

É possível observar nos Gráficos 5 e 6 que o diferencial de produtividade das florestas brasileiras de folhosas, frente às euro- péias, é muito significativo, evidenciando a adaptação dessa espécie ao território brasileiro e o sucesso dos experimentos de melhoria

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Brasil África do Sul

EUA (Sul) Portugal Suécia

m³/ha/ano

Gráfico 5 Produtividade de Florestas de Folhosas

Fonte:SBS.

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Brasil Nova Zelândia

Chile EUA (Sul) Suécia Canadá

m³/ha/ano

Gráfico 6 Produtividade de Florestas de Coníferas

Fonte:SBS.

U m outro fator de grande importância para a melhoria da tecnologia de exploração das florestas plantadas e nativas foi a exigência da certificação ISO 14001 e de bom manejo florestal.

O crescimento dos movimentos ecológicos em todo o mundo trouxe enorme pressão para a atividade florestal, tida como grande vilã do equilíbrio ambiental. Sobretudo a exploração de florestas tropicais tem sido associada, desde meados da década de 1970, à extinção de espécies, desmatamento e ameaça aos povos das florestas. O avanço do conhecimento sobre o chamado “efeito estufa” e os danos ambientais causados pela emissão de carbono, bem como as alterações climáticas detectadas nos últimos anos, tornaram a proteção às florestas ainda mais relevante no

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Certificação

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1970 1985 1997

US$/ha

Gráfico 7 Brasil: Evolução dos Custos de Implantação de Florestas

Fonte:SBS.

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st/ha/ano

Gráfico 8 Brasil: Evolução da Produtividade Florestal

Fonte:SBS.

debate mundial sobre o meio ambiente, uma vez que desempenham papel fundamental para o equilíbrio global.

Como resultado, foi criado, em 1993, através de uma associação de ambientalistas, indústrias processadoras de madeira, produtores florestais, populações indígenas e grupos comunitá- rios de 25 países, um conselho de certificação florestal, o Forest Stewardship Council (FSC), com o objetivo de auditar as práticas de exploração florestal, com base em princípios ecológicos, econômicos e sociais. O FSC credencia auditores independentes em todos os países do mundo para que esses executem o processo de certifica- ção, que pode ser de três tipos: manejo florestal, cadeia de custódia e certificação de grupos (consórcio de florestas com gestão única).

A busca pela certificação florestal aumentou à medida que grandes consumidores de madeira passaram a exigir o “selo FSC”. Os países onde os grupos ambientalistas são mais fortes, como Alemanha, Holanda e Reino Unido, são aqueles que maior exigência fazem quanto aos produtos certificados. Observa-se, no entanto, que, apesar das pressões dos países consumidores, ainda existem poucos protocolos de certificação e instituições certificadoras, e o volume de madeira coberta pela certificação é ainda pequeno: até junho de 2002 havia 29,3 milhões de hectares de florestas certifica- das pelo FSC no mundo, dos quais 1,17 milhão de hectares no Brasil.

No Brasil, a pressão mundial pela certificação teve grande impacto. Os produtores brasileiros enfrentam restrições no mercado mundial, principalmente para aqueles de origem tropical, baseadas em acusações de desmatamento da Amazônia, desrespeito às áreas indígenas etc. Essas restrições têm atingido, também, os produtos originários das florestas plantadas, que, entre outras alegações, são acusados de ameaçar os ecossistemas e a biodiversidade.

Em resposta a essas pressões e visando manter a compe- titividade, produtores brasileiros têm buscado cada vez mais a certi- ficação florestal. Do total de áreas florestais com selo FSC, 69% correspondem a florestas plantadas e 29% estão localizadas nas regiões Norte e Centro-Oeste (onde há predominância de florestas tropicais). A predominância de florestas plantadas entre as áreas florestais certificadas pode ser associada ao alto custo da certifica- ção, o que impede que produtores menos capitalizados a adotem.

O custo do processo de certificação é um entrave à expan- são da área certificada no Brasil. Muitos produtores alegam, ainda, que a hegemonia do FSC distorce o sistema de certificação, uma vez que a instituição é a única a estabelecer regras sobre o que é o “bom manejo florestal”. Além disso, a pequena oferta de produtos certifi- cados tem provocado uma grande valorização – pode atingir 15% –, desse produto que, todavia, para a maior parte dos produtores

16 O Setor Florestal no Brasil e a Importância do Reflorestamento

empresas de celulose e papel. A maior parte dessas empresas informa que aguarda o lançamento do Cerflor e seu reconhecimento internacional para buscarem uma certificação abrangente como aquela realizada pelo FSC.

O consumo de madeira no Brasil foi estimado em 400 milhões m^3 /ano pela SBS, em 2001. Desse total, 300 milhões de m^3 /ano referem-se ao consumo de florestas nativas e plantadas pa- ra todos os fins, e 100 milhões de m^3 /ano, a florestas plantadas para uso industrial (Gráfico 9). As florestas nativas são utilizadas predo- minantemente nas serrarias, para laminação, fábricas de compensa- do e como lenha. Já as florestas plantadas são utilizadas na produção de celulose, madeira serrada, lâminas, compensados, painéis re- constituídos, carvão vegetal, lenha e na construção civil.

Observe-se que a origem da madeira consumida distribui- se entre florestas nativas e plantadas de acordo com o segmento da indústria florestal. As indústrias de produtos de maior valor agregado e que necessitam de maior homogeneidade da matéria-prima utili- zam predominantemente madeira de reflorestamento. Também a localização é um fator determinante para a origem da madeira, prevalecendo o consumo de florestas plantadas nas regiões Sudeste e Sul e o de florestas nativas, no Norte e Centro-Oeste.

A produção de 6,3 milhões de toneladas de carvão vegetal, em 2000, consumiu aproximadamente 45,2 milhões de m^3 de madei- ra, dos quais 74% tiveram origem em florestas plantadas. O segmen- to de lenha industrial também apresenta um expressivo consumo de madeira, cuja origem divide-se entre florestas nativas e plantadas quase que igualmente.

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Produtos

Florestais e

Consumo de

Madeira

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Celulose e Papel

Carvão Vegetal

Lenha Industrial

Serrados Lâminas e Compensados

Painéis Reconstituídos F. Nativas F. Plantadas

Milhões m³

Gráfico 9 Brasil: Consumo de Madeira em Toras

Fonte:Bracelpa, Abracave, SBS, Abimci, STCP, Abipa.

Dados do ano 2000 apontam o segmento de serrados como aquele com maior consumo anual de madeira industrial em toras – cerca de 49 milhões de m^3 , dos quais 69% provêm de florestas nativas. A produção de serrados, no mesmo ano, totalizou 23 milhões de m^3 , evidenciando um elevado coeficiente de perdas no processo produtivo. A madeira serrada produzida no Brasil é consumida quase que integralmente pelo mercado interno, tendo sido exportados apenas 1,8 milhão de m 3 (Gráfico 10).

A indústria de celulose e papel, no ano 2000, consumiu 32 milhões de m^3 de toras industriais, exclusivamente de florestas plantadas, para a produção de 7,5 milhões de toneladas de celulose e pastas e 7 milhões de toneladas de papel (Gráfico 11). Naquele mesmo ano, a exportação de celulose foi de 2,9 milhões de toneladas e o consumo aparente foi de 4,9 milhões de toneladas. As exporta-

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Produção Consumo

Milhões de m³

Gráfico 10 Brasil: Evolução da Produção e do Consumo de Serrados

Fonte:SBS.

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1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001

Milhões de m³

Produção Celulose Produção Papel

Consumo Celulose Consumo Papel

Gráfico 11 Brasil: Evolução da Produção e do Consumo de Celulose e Papel

Fonte:Bracelpa.

A tendência de produção e consumo de todos esses pro- dutos, com exceção do carvão vegetal e da chapa de fibra, é de ele- vação. Principalmente os segmentos de celulose e papel e de painéis reconstituídos apresentarão taxas de crescimento e de consumo de madeira elevadas nos próximos 10 anos, tendo em vista o aumento da capacidade instalada nos primeiros anos da década de 2000.

A produção de painéis de madeira sólida, especialmente de compensados tropicais, exigirá, também, uma oferta crescente de matéria-prima, porém de madeira nativa. Os países asiáticos, com destaque para a Indonésia, estão reduzindo sua oferta desse produ- to, em razão do controle sobre a exploração predatória de matas nativas. Os produtores brasileiros de compensados tropicais, caso adotem a exploração sustentável e modernizem suas estruturas de produção, poderão, portanto, aumentar sua participação no mercado mundial.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, observadas as tendências de crescimento de produção e consumo para cada um desses produtos, as necessidades de reflorestamento no Brasil são de 630 mil hectares por ano, assim distribuídos:

  • lenha – 80 mil ha/ano;
  • madeira serrada – 130 mil ha/ano;
  • carvão vegetal – 250 mil ha/ano; e
  • celulose e papel – 170 mil ha/ano.

Observe-se que, mesmo com a tendência de estabilização no consumo e na produção, o carvão vegetal é o produto florestal que exigirá maior necessidade de novos plantios de florestas, devido

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Mil m³

Gráfico 14 Brasil: Evolução da Produção e do Consumo de MDF

Fonte:Abipa.

ao esgotamento dos maciços próximos às indústrias consumidoras e às exigências cada vez mais restritivas à utilização de matas nativas, conforme a legislação florestal em vigor.

De acordo com regulamentação do Código Florestal brasi- leiro pelo Decreto 97.628/89, o consumo anual de carvão vegetal superior a 12 mil st/ano obriga o consumidor a manter florestas próprias destinadas ao seu suprimento, cuja exploração racional seja equivalente à totalidade de seu consumo.

V isando atender às necessidades de implantação, explo- ração e conservação de florestas, foi lançado em 2000, através de Decreto do Sr. Presidente da República, o Programa Nacional de Florestas (PNF). Esse programa nasceu com a preocupação de inserir o planejamento do uso das florestas brasileiras no âmbito do planejamento macrorregional.

Nesse sentido, o PNF foi elaborado com o objetivo de inserir a questão florestal no estudo dos eixos de desenvolvimento e, consequentemente, no Plano Plurianual de Investimentos (PPA), discutido naquele mesmo ano. O PNF busca atender, também, às demandas de desregulamentação e descentralização na política florestal.

Esses objetivos estão explícitos na formulação do PNF, que propõe:

  • estimular o uso sustentável de florestas nativas e plantadas;
  • fomentar as atividades de reflorestamento, notadamente em pe- quenas propriedades rurais;
  • recuperar áreas de preservação permanente, de reserva legal e alteradas;
  • apoiar as iniciativas econômicas e sociais das populações tradi- cionais e indígenas que vivem nas florestas;
  • reprimir desmatamentos ilegais e a extração predatória de produ- tos e subprodutos florestais; e
  • prevenir e conter queimadas e incêndios florestais.

O PNF se propõe, ainda, a

apoiar o desenvolvimento das indústrias de base florestal e ampliar os mercados interno e externo de produtos e subprodutos, assim como valorizar os aspectos ambien- tais, sociais e econômicos dos serviços e benefícios pro-

O Setor Florestal no Brasil e a Importância do Reflorestamento

Programa

Nacional de

Florestas