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Uma comparação entre a uva e o coco, duas culturas comuns nos perímetros irrigados do semi-árido brasileiro. O texto aborda a produtividade, resistência à salinidade e exigências de solo de ambas as espécies, baseado em pesquisas científicas. Além disso, são apresentadas figuras que ilustram a produção de banana e uva em ambientes com diferentes níveis de salinidade.
Tipologia: Notas de estudo
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Fernando Cezar Saraiva Amaral Nestor Corbiniano Sousa Neto
Dentre as culturas atualmente exploradas nos perímetros irrigados do semi-árido, a uva é uma das mais lucrativas, superando a manga e com perspectivas de ampliar essa rentabilidade, principalmente pela possibilidade de exploração do mercado de vinho. Permite cinco colheitas a cada dois anos com a utilização de indutores florais, no entanto, os agricultores têm preferido restringir em duas colheitas por ano para não provocar estresse nas plantas. Hoje, nos melhores ambientes, considerando água e solo sem limitações e sob irrigação localizada e bom manejo: fertirrigação, podas, controles sanitários, mudas de boa qualidade e variedades produtivas, a produtividade tem en- costado nas 52 t ha -1^ ano-^.
No tocante a resistência à salinidade no solo, entre as espécies cultivadas costumeiramente nos perímetros, pode ser considerada como uma das mais sensíveis, principalmente a variedade Cardinal (Maas, 1984). Obteve-se constata- ções de perda total da produção em alguns talhões no Perímetro Nilo Co- elho, Estado de Pernambuco, posici- onados próximos da drenagem prin- cipal, com valores de condutividade elétrica no extrato de saturação da ordem de 4,5 dS.m -1^ e no poço de ob- servação do lençol freático a 70 cm de profundidade da ordem de 8,2 dS m - ¹ (Figura 1); enquanto a condutivi- dade do solo na parte alta da paisa- gem, sem problema de salinização, girava em torno de 0,5 dS.m -1^. Figura 1 salinidade do solo. (Perímetro Nilo Coelho – Petrolina/PE)^ - Talhão de uva perdido devido à elevada
Figura 2 - Parreiral em formação sobre Latossolo arenoso (Perímetro Nilo Coelho – Petrolina/PE).
Enquanto Ayers (1977) apresentou valores em torno de 6,7 dS m -1^ para o mesmo impacto na produtividade, Ayers & Westcot (1999) enquadraram o gênero Vitis como moderadamente sensível, com 50% de queda na produtividade em valores próximos a 8,0 dS.m -1. No entanto, as observações de campo em alguns perímetros de irrigação do semi-árido brasileiro dão conta de uma grande sensibilidade da uva, podendo-se enquadrá-la como uma das mais sensíveis entre as espécies perenes comumente culti- vadas nesta região.
No tocante à textura do solo, têm-se obtido excelentes produtividades mesmo em parreirais implantados em lotes irrigados sob solo extremamente arenoso (Figura 2).
Figura 3 - Dupla exploração da área com agricultura (uva) e pecuária. (Perímetro Nilo Coelho – Petrolina/PE).
Isto se deve, entre outros, ao possível parcelamento das irrigações possível com a irri- gação localizada além do cor- reto manejo da fertilidade, com a fertirrigação e a elevação da matéria orgânica do solo, seja pela adição direta de material orgânico, seja pelo plantio de leguminosas entre as linhas. Essa última opção permitiria ainda uma sobrerenda ao agri- cultor, através da exploração também da pecuária (Figura 3).
A bananeira é considerada uma cultura de média lucratividade, dentre aquelas explo- radas nos perímetros irrigados do semi-árido, permitindo colheita contínua durante o ano. Atualmente, nos melhores ambientes, considerando água e solo sem limitações, e sob irrigação localizada e bom manejo: fertirrigação, controle sanitário, mudas de boa qualida- de, variedades produtivas, entre outros, a produtividade tem encostado nas 52 t ha -1^ ano -^.
No tocante a resistência à salinidade do solo, entre as espécies cultivadas costumeiramente nos perímetros de irrigação, pode ser considerada com uma das mais sensíveis. Uma dessas constatações foi obtida em uma toposseqüência de um solo argi- loso no Perímetro Nilo Coelho. Na parte superior foi encontrada a banana sem problema aparente de salinização (Figuras 4 e 5), com produtividade superando em três vezes a produtividade da parte baixa, impactada pela salinização do solo.
Figuras 4 e 5 - Bananal e respectivo solo posicionados na parte alta da paisagem, sem problema de salinidade (Perímetro Nilo Coelho - Petrolina/PE).
Figuras 6 e 7 - Bananeira da parte baixa da paisagem onde o solo apresenta concentração elevada de sais, evidenciada pela necrose marginal da folha (Perímetro Nilo Coelho- Petrolina/PE).
As Figuras 6 e 7 mostram a bananeira na parte baixa da paisagem, sobre solo com elevado nível de salinização. O bananal, variedade pakovan, apresenta péssimo aspecto, com plantas de menor porte, folhas com necrose marginal e alto nível de falhas nas linhas de plantio. Como não poderia deixar de ser, a produtividade está seriamente afetada, atin- gindo somente um terço da correspondente à parte alta.
Da mesma forma, observou-se nos projetos Formoso A e Rodelas, solos rasos em que na mesma posição na paisagem, a banana ainda produzindo mesmo que de forma prejudicada e o coco, comparativamente, sem nada produzir.
As Figuras 9 e 10 mostram detalhe de bananal em terço médio de encosta conduzido sobre ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO Eutrófico latossólico A moderado textura areno- sa/média relevo suave ondulado, apresentando uma camada espessa de cascalho e concreções a aproximadamente 70 cm de profundidade.
Por essa condição do sistema radicular e pela própria fisiologia da planta, a bananeira tem maior resistência ao encharcamento do solo por longos períodos, em comparação às outras espécies perenes comumente cultivadas nos perímetros irrigados.
Em termos de balanço hídrico, pelo porte e elevada biomassa, quando exigida para a obtenção de elevada produ- tividade é uma planta que exige, comparativamente a outras frutíferas do semi-árido, maior quantidade de água. Nos dias de maior evapotranspiração, em solos arenosos, a taxa de aplica- ção d’água tem alcançado 65 m^3 ha-1^ dia-1^ , em duas aplicações.
Figura 8 - Bananal com excelente aspecto, variedade pakovan, em solo com má drenagem superficial. (Perímetro Cruz das Almas – Casa Nova/BA).
A cultura da bananeira conduzida nos lotes irrigados tem apresentado excelentes respostas mesmo quando explorada em solo pouco profundo ou moderadamente drena- do. Em relação à profundidade do solo, entre as perenes, é uma das menos exigentes. No Projeto Caraíbas (Estado de Pernambuco), pode-se observar bananal com boa produtivi- dade sobre solo com lençol freático a 45-50 cm. A Figura 8 mostra um bananal com banana da variedade pakovan apresentando alta produtividade. O solo tem nesse ponto aproxi- madamente 70 cm até uma camada pe- dregosa com K = 1,42 cm h-1. Apresenta má drenagem apesar de toda a área dis- por de dreno tipo vala a 60 cm de profun- didade. Portanto, neste exemplo, a drena- gem e a baixa profundidade efetiva pare- cem não se constituir em fortes impedi- mentos para a produção desta espécie.
Figuras 9 e 10 - Bananal e perfil de solo correspondente apresentando algum impacto na produção devido a camada barreira mais superficial. (Perímetro Nilo Coelho – Petrolina/PE)
Quanto à profundidade do solo, entre as perenes, a cultura do coqueiro é uma das mais exigentes e não poderia deixar de ser, uma vez que em condições naturais o sistema radicular atinge grandes profundidades quando não encontra barreiras ao crescimento. Em contrapartida, aceita um nível pequeno de pedregosidade no solo sem queda significativa da produtividade.
Por esta condição do sistema radicular e pela própria fisiologia da planta, comparati- vamente, tem pouca resistência ao encharcamento do solo por longos períodos.
Em termos de balanço hídrico, pelo porte arbóreo e elevada biomassa, quando conduzida para a obtenção de elevada produtividade, é uma planta que exige comparativa- mente a outras frutíferas, maior quantidade de água. Nos dias de maior evapotranspiração, em solos arenosos, a taxa de aplicação d’água tem alcançado 65 m^3 ha-1^ dia -1^ , em duas aplicações.