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Arquivo em doc sobre os principais tipos de solos da caatinga
Tipologia: Notas de estudo
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Solo pode ser bem definido por agrônomos como o material mineral ou orgânico, inconsolidado, que recobre a superfície do planeta e serve como o meio natural para o crescimento das plantas terrestres. Entre o solo e o material de onde ele é derivado, existem
Quando chove, no início do ano, a paisagem muda muito rapidamente. As árvores cobrem-se de folhas e o solo fica forrado de pequenas plantas. A fauna volta a engordar. Através de caminhos diversos, os rios regionais saem das bordas das chapadas, percorrem extensas depressões entre os planaltos quentes e secos e acabam chegando ao mar, ou engrossando as águas do São Francisco e do Parnaíba (rios que cruzam a Caatinga). Porém, o solo raso e pedregoso não consegue armazenar a água que cai e a temperatura elevada (médias entre 25 oC e 29oC) provoca intensa evaporação. Por isso, somente em algumas áreas próximas às serras, onde a abundância de chuvas é maior, a agricultura se torna possível.
1.2 - CARACTERIZAÇÃO DOS SOLOS DA CAATINGA Conforme o Sistema Brasileiro de classificação de solos (1999) de forma geral, o solo é raso, rico em minerais, mas pobre em matéria orgânica, já que a decomposição desta matéria é prejudicada pelo calor e a luminosidade, intensos durante todo ano na caatinga. Fragmentos de rochas são freqüentes na superfície, o que dá ao solo um aspecto pedregoso. Este solo com muitas pedras dificilmente armazena a água que cai no período das chuvas. Há vários tipos diferentes de rochas. Nas áreas de planície as rochas são cobertas por uma camada de solo bastante profunda, com afloramentos rochosos ocasionais, principalmente nas áreas com maiores altitudes. Tais solos (latossolos) são solos argilosos (embora a camada superficial possa ser arenosa ou às vezes pedregosa) e minerais, com boa porosidade e rico em nutrientes. Afloramentos de rocha calcárea de coloração acinzentada ocorrem a oeste. A região planáltica é composta de arenito metamorfoseado derivado de rochas sedimentares areníticas e quartzíticas, uma concentração alta de óxido férreo dá a estas rochas uma cor de rosa a avermelhada. Os solos gerados a partir da decomposição do arenito são extremamente pobres em nutrientes e altamente ácidos, formando depósitos arenosos ou pedregosos rasos, que se tornam mais profundos onde a topografia permite; afloramentos rochosos são uma característica comum das áreas mais altas. Estes afloramentos rochosos e os solos pouco profundos formam as condições ideais para os cactos, e muitas espécies crescem nas pedras, em fissuras ou depressões da rocha onde a acumulação de areia, pedregulhos e outros detritos, juntamente com o húmus gerado pela decomposição de restos vegetais, sustenta o sistema radicular destas suculentas. A presença de minerais no solo da caatinga é garantia de fertilidade em um ambiente que sofre com a falta de chuvas. Por isso, nos poucos meses em que a chuva cai, algumas regiões secas rapidamente se transformam, dando espaço a árvores verdes e gramíneas.
A caatinga é coberta por solos relativamente férteis. Embora não tenha potencial madeireiro, exceto pela extração secular de lenha, a região é rica em recursos genéticos, dada a sua alta biodiversidade. Por outro lado, o aspecto agressivo da vegetação contrasta com o colorido diversificado das flores emergentes no período das chuvas. Os grandes açudes atraíram fazendas de criação de gado. Em regiões como o Vale do São Francisco, a irrigação foi incentivada sem o uso de técnica apropriada e o resultado tem sido desastroso. A salinização do solo é, hoje, uma realidade. Especialmente na região onde os solos são rasos e a evaporação da água ocorre rapidamente devido o calor, a agricultura tornou-se impraticável. Outro problema é a contaminação das águas por agrotóxicos. Depois de aplicado nas lavouras, o agrotóxico escorre das folhas para o solo, levado pela irrigação, e daí para as represas, matando os peixes. Nos últimos 15 anos, 40 mil km 2 de Caatinga se transformaram em deserto devido à interferência do homem sobre o meio ambiente da região. As siderúrgicas e olarias também são responsáveis por este processo, devido ao corte da vegetação nativa para produção de lenha e carvão vegetal.
2 - CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS DA CAATINGA Em relação aos indivíduos solos, existem vários sistemas de classificação. O Brasil, através do Sistema Nacional de Classificação dos Solos (1999), está desenvolvendo um sistema de classificação ao qual tem sofrido modificações muito rápidas. Dentre as características usadas para classificação dos solos brasileiros, existem os horizontes diagnósticos, que são extremamente importantes tanto do ponto de vista da sistematização dos solos, como também de grande interesse prático. Esta caracterização é feita por uma pequena porção da superfície da terra que possui horizontes ou camadas, que nos permite a interpretação, identificação, classificação do solo. Esses horizontes e camadas são nomeados com letras, nesse caso podemos dividir proximadamente os horizontes e camadas do perfil. A natureza e o número de horizontes variam de acordo com os diferentes tipos de solo. Os solos geralmente não possuem todos esses horizontes bem caracterizados, entretanto, pelo menos possuem parte deles (OLIVEIRA, 1992)
2.1 - PERFIL DO SOLO: Oliveira (1992) definiu os perfis do solo em: Horizonte O: camada orgânica superficial. É constituído por detritos vegetais e substâncias húmicas acumuladas na superfície, ou seja, em ambientes onde a água não se
predominância de óxidos de ferro, de alumínio e caulinita, que é uma argila de baixa atividade, sendo predominante na fração argila dos latossolos. Esta combinação química, juntamente com matéria orgânica e alta permeabilidade e aeração conferem ao latossolo uma estrutura fina, muito estável que facilita o cultivo. Em caso de compactação subsuperficial, a erodibilidade destes solos aumenta, exigindo cuidados redobrados no seu manejo. Dentro da classificação de latossolos, ainda existe uma subdivisão, ou seja, eles podem ser classificados de acordo com sua coloração, a qual reflete maior ou menor riqueza em óxidos de ferro.
2.2.2 - PODZÓLICOS OU ARGISSOLOS São solos profundos e menos intemperizados do que os Latossolos podendo apresentar maior fertilidade natural e potencial. Ocupam os estados do Ceará, Bahia, Pernambuco, rio Grande do Norte e Paraíba (110.00km²). São solos moderamente profundos a bem drenados. Esses solos são desenvolvidos basicamente a partir de produtos da intemperização de arenitos, com seqüência de horizontes A, B e C bem diferenciados e com suas transições geralmente bem definidas. A principal característica deste solo é a diferença textural entre os horizontes A e B, visto que no horizonte B concentra-se teor mais elevado de argila do que no horizonte A, onde, entretanto, a atividade biológica apresenta-se intensa. O acúmulo de argila no horizonte B torna os solos podzólicos menos permeáveis, portanto mais propensos à erosão hídrica;
2.2.3 - BRUNOS NÃO CÁLCICOS São solos rasos a pouco profundos, bem drenados, com espessura ao redor de 50cm. Ocupam grandes extensões dos Estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte (98.938km²). Solos ricos em bases, B textural de cor vermelha ou bruno avermelhada. São poucos espesso, maciço ou estrutura fracamente desenvolvida. Solos minerais, não hidromórficos, com argila em alta atividade. Moderamente ácidos a praticamente neutros com pH 6,0 a 7,6 e com saturação por bases.
2.2.4 - PLANOSSOLOS Solos rasos a pouco profundos com horizonte superficial de cores claras e textura mais leve, contrastando com o horizonte B mais argiloso, adensado, pouco permeável, com cores de redução, acinzentadas com ou sem mosqueado em decorrência da lenta permeabilidade e das condições imperfeitas ou más de drenagem. Ocupam, sobretudo, a zona do Agreste de Pernambuco e áreas de clima similar ao dos Estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Bahia, Sergipe e Paraíba (68.188k²).
Solos pouco desenvolvidos, rasos a muito rasos, possuindo apenas um horizonte A diretamente sobre a rocha (R), ou sobre materiais desta rocha em grau mais adiantado de intemperização. Nestes solos pode-se, constatar, pois, seqüência de horizontes A-C-R ou A- R e, por vezes, o início da formação de um horizonte (B) incipiente.Estes solos podem ser eutróficos ou distróficos, quase sempre apresentando bastante pedregosidade e rochosidade na superfície. Possuem drenagem variando de moderada a acentuada e são, comumente, bastante susceptíveis à erosão, em decorrência de sua reduzida espessura.Os de caráter eutrófico possuem, no horizonte A ou AC, reação moderadamente ácida a praticamente Destacam-se nas margens do rio São Francisco entre Xique-Xique e Sento Sé, BA; a leste do rio Real no município de Tobias Barreto, SE; a oeste de Angicos e sudoeste de Açu, RN; nos municípios de Soledade e Juazeirinho, PB e parte do CE (10.312km²). Caracterizam-se por uma concentração elevada de sódio e outros sais solúveis. São comuns nas partes baixas do relevo nas regiões áridas, semi-áridas e naquelas próximas do mar. São desprovidos de cobertura vegetal devido à elevada salinidade.
2.2.6 – SOLONCHAKS São solos salinos que apresentam altas concentrações em sais solúveis, tendo consequentemente a elevada condutividade elétrica do extrato de saturação. Durante o período seco é bastante freqüente encontrar crostas de sais cristalinos à superfície do solo ou na parte das trincheiras. O horizonte superficial é pouco espesso e apresenta cores desde tonalidades claras até pretas, o horizonte C de cores acinzentadas, bruno-amareladas e até pretas, com ou sem mosqueados proeminentes. A textura é variável de arenosa até argilosa. O pH é moderamente alcalino (7,0 a 8,0). Compreendem áreas baixas da zona costeira onde há influencia de lençol freático salgado e em várzeas do interior da zona semi árida, destacando- se o litoral do CE, próximo à desembocadura dos rios Jaguaribe, Piranji, Aracatiaçu, Aracatimitim, Acaraú, Coreaú, entre outros. Ocupam áreas litorâneas do Rio grande do Norte, destacando-se as dos rios Mossoró e Açu. Total de área ocupada 1.625 km².
2.2.7 - CAMBISSOLOS OU PODZÓLICOS São solos pouco desenvolvidos em relação aos Latossolos e Podzólicos. Apresentam horizonte B em formação. São rasos e de elevada erodibilidade podendo em curto espaço de tempo ocorrer exposição de subsolo. A fertilidade do horizonte A está condicionada ao tipo de rocha formadora inicial. São desenvolvidos a partir de diversas rochas, destacando-se os
São solos minerais muito pouco desenvolvidos, muito rasos (20 a 30cm), que se caracterizam por apresentarem o horizonte A assentado diretamente sobre a rocha. Situam-se nas áreas montanhosas. Os locais onde ocorrem este tipo de solos são, normalmente, destinados às áreas de preservação permanente. Via de regra são pedregosos e/ou rochosos, moderamente a excessivamente drenados. O pH varia entre 4,5 a 6,5. Distribuem-se por toda a zona semi árida, usualmente em áreas mais acidentadas com afloramentos de rocha, totalizam uma área de 143.374 km² de extensão.
2.2.12 – RENDZINAS São solos minerais rasos, moderada a imperfeitamente drenados, derivados de calcários, caracterizados fundamentalmente pela presença de um horizonte A chernozênico sobrejacente e um horizonte C rico em carbonatos, possuindo pH neutro variando de 8,0 a 8,5, tendendo a aumentar a profundidade, com elevada saturação por bases e alta capacidade de troca de cátions. Ocupam uma área inexpressiva restrita à parte da chapada do Apodi no Rio Grande do Norte e o oeste de Irecê na Bahia, totalizando uma área de 2.125 km².
2.2.13 - ALUVIAIS São solos pouco desenvolvidos, provenientes de sedimentos, geralmente de origem fluvial, apresentando grande heterogeneidade entre si, como também ao longo do seu perfil. Ocorrem em relevo plano, várzeas e em áreas próximas aos rios. Suas maiores limitações de uso referem-se aos riscos de inundações periódicas e elevação do lençol freático (VELLOSO, 1992). Uma vez que esses solos apresentam horizonte A diretamente assentado sobre o horizonte C, todos os cuidados devem ser tomados nos trabalhos de sistematização para uso. Excessivos cortes podem expor o horizonte C, reduzindo a capacidade produtiva. Ocupam uma área de 15.937 km² distribuídas por toda a região das caatingas ao longo de cursos d`água, destacando-se as áreas ribeirinha dos rios São Francisco, Jaguaribe, Gurguéia, Canindé, Piauí, Acaraú e Açu.
2.2.14 - BRUNIZÉNS AVERMELHADOS São solos bem drenados, rasos ou de profundidade média, de cores vermelhas a bruno- avermelhadas, com horizonte superficial de cores escuras, teores elevadas em matéria orgânica e alta saturação por bases, correspondendo ao horizonte A chernozênico. A textura
do horizonte A é mais leve que a do B, o qual é argiloso. São pouco expressivos na zona da caatinga ocorrendo apenas na parte central do Ceará, Piauí e Bahia (1.312 km² de extensão).
3 – MANEJO DOS SOLOS DA CAATINGA Os diferentes tipos de solos proporcionam diferentes tipos de substratos, e por este motivo, a cobertura vegetal de uma área modifica-se de acordo com as características do terreno. As plantas conferem proteção ao solo, reduzindo o impacto das chuvas, diminuindo a velocidade da água através da copa das árvores e das raízes. Mesmo as folhas caídas contribuem para diminuir a ação da água no solo agindo como cobertura. Assim, a remoção de cobertura vegetal de forma não planejada é um dos principais fatores que podem desencadear a erosão, ou seja, o processo de desagregação e remoção de partículas do solo ou fragmentos de rocha, pela ação combinada da gravidade com a água, vento, gelo ou organismos. Muitas vezes, a quebra deste equilíbrio natural entre o solo e o ambiente (remoção da vegetação, desvio de cursos hídricos, etc) promovida e acelerada pelo homem, expõe o solo a formas menos perceptíveis de erosão, que promovem a remoção da camada superficial deixando o subsolo (geralmente de menor resistência) sujeito à intensa remoção de partículas, o que culmina com o surgimento de voçorocas (DUQUE, 1980). Segundo Araújo Filho (2002) as atividades de exploração da caatinga pela agricultura indígena parecem não ter deixado efeitos marcantes sobre os recursos naturais renováveis do bioma, em virtude de sua baixa intensidade e de seu caráter errático. A ocupação pela exploração pastoril, a partir de 1635, do “desertão” (hoje, sertão), assim chamado por causa da ausência da colonização humana, trouxe a tiracolo a agricultura itinerante do desmatamento e das queimadas e a extração da lenha, par atender à demanda por alimentos da crescente população humana. Quando os processos erosivos não são controlados ou estabilizados, estes podem acarretar um pesado ônus à sociedade. Além de danos ambientais irreversíveis, produz também prejuízos econômicos e sociais, como por exemplo: diminuição da produtividade agrícola, redução da produção de energia elétrica e do volume de água para abastecimento urbano devido ao assoreamento de reservatórios; ameaçar obras viárias e áreas urbanas, além de uma série de transtornos aos demais setores produtivos da economia. Conforme Jacomine (1996) os solos mais comumente em uso sob esses sistemas são os das classes dos argissolos, luvissolos e latossolos, que juntos recobrem cerca de 50% do Semi-Árido Nordestino. São solos de adequadas características químicas e físicas, com bom potencial para a agricultura. As culturas tradicionalmente exploradas constam de milho, feijão, gergelim, mandioca, aipim, fava, melancia, jerimum, pepino, algodão e várias outras, sempre consorciadas, dependendo da região. As práticas de preparação da terra têm sido as
Segundo Araújo Filho (2000) formas de enriquecer o solo com matéria orgânica é particularmente importante nos primeiros anos do desenvolvimento da horta. A matéria orgânica (por exemplo, os restos de plantas e de animais) podem ser recolhidas e enterradas no solo, onde se vai decompor. Também se pode utilizar a matéria orgânica para fazer composto, que poderá ser aplicado no solo para o tornar mais fértil. As raízes das leguminosas contêm bactérias que fixam o azoto. Assim, cultivar leguminosas em associação ou em rotação com outras culturas ajuda a manter ou a melhorar o conteúdo do solo em azoto, favorecendo o crescimento de outras plantas. A aplicação de matérias orgânicas, tais como o composto, o estrume animal, o adubo verde e o solo das térmitas, melhora a estrutura do solo e adiciona-lhe nutrientes. O sistema da cultura em diferentes níveis, em que se cultivam em conjunto árvores e plantas com diferentes tempos de maturação, permite proteger o solo e reciclar os elementos nutritivos. As leguminosas, tal como o amendoim e o feijão, são particularmente úteis, porque fornecem permanentemente elementos nutritivos às culturas. O plantio de bancos de proteína (áreas plantadas com leguminosas resistentes à seca, cujo material é rico em proteínas) juntamente com o raleamento seletivo da caatinga e rebaixamento tem mostrado resultados positivos para boas práticas de manejo do solo e da caatinga. Os solos arenosos como os Neossolos Quartzarênicos (antigas Areias Quartzosas) são caracterizados por terem grande quantidade de poros grandes (macroporos) que permitem a rápida infiltração e drenagem interna da água no perfil do solo. Essa condição impõe alguns cuidados que devem ser tomados no momento da adubação para evitar a perda de dinheiro e tempo nesta atividade agrícola (BRADY, 2002).
4 - CONSIDERAÇÕES FINAIS A grande diversidade dos solos sob o bioma caatinga são demonstrações patrimoniais únicas que devem ser preservados contra a erosão hídrica, a perda da matéria orgânica e a elevação do lençol freático (em áreas irrigadas). O fator antrópico tem interferido nas condições ecológicas da vegetação através de manejos desordenados com cortes da vegetação, queimadas, lavouras e pecuária acelerando os processos erosivos. Tem-se então urgentemente que consorciar boas práticas de manejo, que foram desenvolvidas ao longo de pesquisas, para preservar esse tesouro que ainda resta para a humanidade.
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