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Tarot sem Complicações
Eu: Karin, baralha com o raio da mão que quiseres. Amor, Melissa. Karin: LOL, sim, sensei. Eu limpo cristais e baralhos com sal e luar de lua cheia. E com quaisquer fadas que queiram aparecer. Eu: Certo. Como tu fazes.
Estas conversas resumem exatamente a razão por que eu quis escrever este livro. Ler cartas é difícil e aprendê-las pode ser realmente confuso. Quando comecei a fazer leituras, em 1989 , antes da Internet, tínhamos de confiar em livros e no passa- -palavra para obter informação. Eu sei, era arcaico! Ao mesmo tempo frequentava uma escola católica. Adivinham o que eles não ensinavam na escola católica? Pois. Assim, quando fiz 14 anos, o meu amigo Steve deu-me inesperadamente um bara- lho de tarot e um livro para o acompanhar. Ainda hoje não sei porquê, e gostaria realmente de o encontrar e de lhe agradecer. Seja como for, sentei-me com o meu novo livro e comecei a ler sobre O Mundo, O Papa e A Morte, mas o meu livro era tão frio e académico que não conseguia perceber algumas das cartas. O que tem um tipo com um chapéu esquisito a ver com o namo- rado da minha amiga? Se alguém recebe a carta A Morte não vai morrer, pois não? Quer dizer: não vai mesmo, certo? Era desconfortável e frustrante. Eu tentava fazer uma leitura para alguém e subitamente parava. Olhava para a carta O Mundo e dizia: «Bem, afirma aqui que as quatro cabeças de animal nos cantos representam os quatro apóstolos e que tu deves provavel- mente, sei lá, ir à igreja? Ou alguma coisa? Não sei.» As pessoas geralmente não vão a uma leitora de tarot para ouvir «não sei». Comecei a treinar as leituras. Aprendi intuindo significa- dos e confirmando-os no meu livro de tarot. Aprendi as cartas lendo apenas as figuras diante de mim. Fi-lo completamente ao contrário. Levou cerca de 10 anos até ficar suficientemente con- fortável para o fazer sem os livros, mas valeu a pena. A Internet apareceu cerca de 10 anos depois de ter começado as leituras. Boa sincronização, Universo. Muito engraçado.
Não menosprezo esses livros com a história e o simbo- lismo. Não, absolutamente. Um dos meus livros favoritos é o Holistic Tarot de Benebell Wen, e é maior do que a minha ca- beça. Você deve completar os seus estudos de tarot onde quer que possa. O que este livro mostra, e o que quero ensinar-lhe, é que se pode escolher uma carta, ver para onde ela vai, recordar algumas palavras-chave ou mnemónicas e depois apoderar-se da carta. Você tem-na. Depois de a ter, não pode perdê-la de novo. Pertence-lhe e pode embelezá-la quanto quiser. Este livro é para principiantes e acredito que ajudará a começar com o pé direito. O que, a propósito, é uma metáfora que descreve perfeitamente a carta O Louco. Vê o que fiz aqui? Já estou a ensinar. Comecei a ensinar tarot aos meus amigos na minha mesa da cozinha. Bebíamos umas cervejas e eu pegava numa carta e extraía dela todos os detalhes pertinentes que podia — onde a tinha visto em leituras, o que acontecia depois, de quem ela me fazia lembrar. A mesa da cozinha não é sempre a parte mais confortável da casa, mas na minha é onde toda a gente se reúne. É um local para conversas, para ideias e para partilhar preocupações. A maior parte das minhas leituras nasceram de conversas à volta da mesa. Uma amiga estava com problemas, e olhar para as cartas ajudava-nos a descobrir como se podiam resolver. As minhas aulas tiveram início da mesma maneira. Começava por contar histórias sobre as cartas e, antes que se desse por isso, já íamos nas 50 cartas e todos estavam no bom caminho para saberem fazer leituras por si próprios. Quero trazer o conhecimento antigo para a mesa e fazer uma refeição com ele. Quero torná-lo abordável e acessível. Por isso é que este livro se chama Tarot sem Complicações. Porque nós os dois estamos prestes a ficar amigos. Puxe uma cadeira. Tenho muito para lhe ensinar.
Abraços e beijos, Lis
O verdadeiro tarot é simbolismo; não fala qualquer outra linguagem, nem oferece quaisquer outros sinais. arthur waite, the pictorial key to the tarot
Primeiro tem de escolher um baralho. Eu sei que a irmã da amiga da sua prima disse que não devia comprar o seu pri- meiro baralho de tarot porque dava azar ou qualquer coisa assim, mas penso que isso é apenas parvoíce. Arranje só um baralho. Recomendaria começar com um baralho básico, na tradição do baralho Rider-Waite-Smith. Aqui está uma curta lista dos baralhos que se podem qualificar como sendo desses:
Tarot sem Complicações
Muitas pessoas não gostam do baralho Rider-Waite-Smith. Pode ser muito amarelo — tão brilhante… tão lustroso. Não tem diversidade, geralmente apresentando pessoas heterossexuais brancas. Pode ser confuso e parecer estranho, se não se foi educado numa tradição judaico-cristã. Porém, este é o início. Pamela Colman Smith recebeu de Arthur Waite a encomenda de ilustrar o seu livro e as suas cartas. Este é possivelmente o início do baralho de tarot como o conhecemos. Agora pre- ciso que pare de ler este livro, vá à Internet e pesquise Pamela Colman Smith. Quero que leia sobre a vida dela, a sua criati- vidade e espantosa energia, bem como a sua enorme e igno- rada influência sobre as cartas que vai aprender. Ela é a mãe do tarot, pelo que a sua prática do tarot só pode sair melhorada pelo estudo da sua vida e da sua arte. Não estou a dizer que não possa mudar para outro baralho lá mais para a frente, mas já faço isto há uns 30 anos. Tem de con- fiar em mim quanto a essa questão. Estou a dizer-lhe que um baralho na tradição Rider-Waite-Smith a ajudará a aprender os aspetos básicos do tarot melhor do que o Baralho do Arrogante Reino das Fadas de Gondor. Prometo. Neste livro, por simplici- dade, vou-me referir aos baralhos da tradição Rider-Waite-Smith como «básicos». Encorajo-os a fazerem o vosso trabalho de casa e obterem um baralho básico que lhes agrade. Eu tenho pelo menos 60 baralhos e sei que há leitores de tarot com mais de mil! Há por aí algumas obras de arte espantosas disfarça- das de baralhos de tarot. Prometo-lhes isto, porém: conhecer o baralho básico ajudará a fazer delas mais do que apenas belos pedaços de papel. Ainda que o tarot histórico esteja cheio de gente branca heterossexual, há uma quantidade de outros baralhos que apresentam pessoas homossexuais, pessoas de cor e pessoas homossexuais de cor. Muito do tarot tem a ver com simbo- lismo e isto estende-se à cor da pele dos personagens e às rela- ções em que estão. Não se tem de ser uma fêmea branca para se identificar com A Papisa. Não se tem de estar numa relação
Tarot sem Complicações
Dei a um bom amigo uma aula de tarot elementar, há algum tempo, e lembro-me de dizer: «Usa o teu livro! Lê tudo o que puderes. Encontra um livro de tarot favorito e lê-o até que ele se desfaça em bocados.» Ele perguntou quando podia deixar de usar o livro e eu penso que disse algo como «Quando chegares ao fim». Um conselho completamente vago e zen, mas verdadeiro. Para mim foi fácil decidir que deixava de usar o meu livro. Aconteceu porque o esqueci em casa. Estava um pouco assustada, mas os significados das cartas vieram-me à mente e deixei bastante depressa de ficar nervosa antes de uma leitura. Fui capaz de olhar para as minhas cartas e fazê-las dançar em conjunto. Existem baralhos que trocam a numeração das cartas. Alguns alteram as figuras na carta dum modo que algum do significado se perde. Vi baralhos em que O Louco está a cair da falésia. Não, não, não. O Louco está a caminhar para lá da borda dessa falésia. É deliberado. Fazê-lo cair nega o sentido básico de toda a carta. É estúpido. Aí está, disse-o. Tenho um forte sentimento a este respeito. Se começar com um baralho que se desvia do básico, será difícil ter a certeza de que está a extrair das suas cartas a informação correta. Ainda que eu não goste de comprar baralhos que não possa tocar, não se pode sempre ter o que se quer e a Internet está aí. Sei que nalguns sítios a sua livraria local (se a tiver) não vende cartas de tarot ou tem apenas alguns baralhos. Se precisar de comprar online, eu gosto bastante de www.tarotgarden.com, de Dan Pelletier e Jeanette Roth. Nunca encontrei online uma coleção mais completa de baralhos de tarot. Ou vá à Amazon. Arranje mas é um baralho. Uma vez que tenha o seu baralho, aprenda a conhecê-lo. A minha amiga Beth Maiden faz leituras para conhecer os seus baralhos novos. Ela pergunta o que pode aprender com o bara- lho, como se vai ele dar com ela e como ela deve usar e abordar o baralho. Percorra todas as cartas do baralho e olhe simples- mente para elas. Veja as cores e os elementos presentes. Não tem
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de ler um livro ou ir à Net para intuir alguns dos significados. Isto é um primeiro encontro — está apenas a começar a co- nhecer as suas novas ferramentas. A carta A Torre? Em que o relâmpago atinge o topo da torre e as pessoas mergulham para a sua perdição? Não é uma boa carta. O Dois de Copas, em que duas pessoas se encontram em terreno firme e partilham cáli- ces entre si? Isso é uma parceria. Percebido. Vou indicar coisas a procurar nas suas lustrosas cartas novas que ajudarão neste passo. Enquanto está a começar a conhecer o seu novo bara- lho, recomendo vivamente que compre uma agenda ou um bloco de notas. Reserve duas ou três páginas para cada carta. Escreva as suas primeiras impressões. Anote os símbolos que captaram o seu olhar e como os encontra nas leituras. Este diá- rio será uma ferramenta maravilhosa para o progresso do seu conhecimento das cartas. Tenho ouvido muitas pessoas dizerem que dormem todas as noites com uma carta debaixo da almofada e de manhã fazem uma anotação sobre ela. Honestamente, isso é notável. Eu só conseguia pensar que me virava na cama e rasgava a minha carta nova. Talvez pô-la ao lado da cama? De qualquer modo, pode imaginar o seu próprio ritual para aprender as cartas. Pode meditar sobre cada carta todos os dias. Pode tornar-se na carta durante um dia, como James Wanless sugeriu no Northwest Tarot Symposium de 2015. Pode pousar as cartas e afastar-se delas durante um tempo. Ainda lá estarão quando regressar. O meu amigo Steve talvez soubesse de alguma coisa quando me entregou o baralho Rider-Waite-Smith e disse: «Aqui está. Devias aprender a fazer isto.» Usei esse baralho até estar lite- ralmente em farrapos. As duas faces das cartas estão gastas e lisas, como um tecido, enquanto o livro só se aguenta inteiro com fita adesiva. Ainda as tenho — naquele velho saco verde — e mesmo que já não as use para leituras, ensino com elas. Tiro uma todas as manhãs, quando faço a minha extração de cartas diária. Elas sentem-se bem na minha mão e sinto-as como um lar.
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A maneira mais fácil de ler cartas é a leitura de uma carta só. Comecei recentemente a tirar uma carta por dia. A primeira coisa que faço de manhã é olhar para a carta e pensar sobre o que significa para mim e onde poderei vê-la mais tarde durante o dia. À noite reflito na carta e escrevo sobre onde ela apareceu. Facto engraçado: está quase sempre certo.
A disposição clássica é a Cruz Céltica, ilustrada na página seguinte com cartas numeradas.
Tarot sem Complicações
Tudo isto em conjunto conta uma história. Olhe para ela em três partes. As cartas 1 e 2 mostram-lhe o que se está a pas- sar agora mesmo. As cartas 3 , 4 e 5 dizem-lhe o que aconteceu no passado e como isso está a afetá-lo no presente. As restan- tes irão conduzi-lo pelo resto da história. Quem está a influen- ciá-lo? De que maneira se sente mais autêntico? O que pode atravessar-se no seu caminho? A última carta diz para onde é provável que vá. Quando leio, uso a Cruz Céltica para leituras mais longas — aquelas que sei que irão durar cerca de uma hora. Mas leio-a
Tarot sem Complicações
Nesta disposição use as primeiras três cartas para ver o que aconteceu no passado e teve uma influência direta no consul- tante. As cartas no meio mostram o que realmente se está a passar no presente: as ferramentas que tem agora, as coisas a que se pode agarrar e se está a fazer as melhores escolhas ou não. A carta em baixo é a carta -pivot. Não consigo pensar numa palavra melhor. Quando faço esta leitura, a carta de baixo é qualquer trabalho de casa que o consulente precise de fazer, de modo a chegar onde precisa de ir. Quando usa esta disposi- ção, a eficiência ajuda: «Aqui é onde esteve, aqui é onde está e aqui é onde precisa de ir.» É uma leiturazinha mandona, mas funciona lindamente. Há também uma técnica ótima nesta disposição. As cartas que se tocam na diagonal têm geralmente uma ligação. As car- tas 1 e 4 tocam-se nos cantos e provavelmente têm uma relação causal. Quando olhar para a 3 e a 5 , pergunte-se se esta expe- riência passada e este sentimento presente estão ligados. Está alguém do passado ainda a puxar pela sua corrente? Ainda tem bagagem emocional lá pendurada?
A outra disposição que eu uso é supersimples. Três cartas: passado, presente, futuro. É fantástica para principiantes e para perguntas rápidas. Quando estava a aprender as cartas, frequentemente fazia uma lista de perguntas e tirava três car- tas para a mesma pergunta, muitas e muitas vezes. Ficava surpreendida com o número de vezes em que as cartas ou os sentimentos se repetiam. Foi também uma boa maneira de obter textura das leituras. Três cartas não parecem ser muito para se trabalhar, mas, se olhar bem para as cartas, cada uma tem uma história para contar. Porque é que o con - dutor do Carro não tem rédeas na mão? Porque é a Rainha de Espadas tão rígida e direita? Deixe as cartas falarem con- sigo. Pergunte-se como é que a carta do passado causou a
Começar
carta do presente. Será que foi a insensibilidade do Diabo que deu origem à Rainha de Espadas?
PassadoPast Presente Present FutureFuturo
Quando tiver os significados das cartas mais firmemente assimilados, conseguirá encontrar a sua fluidez na leitura. Quando estiver a principiar dará por si a usar a palavra «hum» muitas vezes, à medida que vai de carta em carta. Vamos cha- mar-lhe um cântico, está bem? O seu cântico, ainda que ajude o cérebro a apanhar o comboio, pode ser uma distração. Em vez disso, olhe uma segunda vez para a disposição de cartas à sua frente como uma só peça, uma história. Se estiver a usar disposições passado–presente–futuro olhe para cada parte. Por exemplo: pode ver que na história se lê deliberação (Dois de Espadas), mudança (A Morte), ação desastrada (Valete de Paus). Pode apresentar esta questão ao consultante e transformar a leitura numa discussão: «Parece que tem pensado bastante e que há algumas mudanças sérias presentemente em curso. Está a preencher o seu tempo com energia e movimentos nervosos, em vez de ser paciente e calmo?» Como consegue que as cartas lhe contem uma história? Treino, treino, treino. Eu segurava o meu livro na minha mão esquerda e fazia a leitura com a mão direita. Olhe para a carta de «cobertura» na disposição em Cruz Céltica — o que diz ela? Se é A Torre, sabe que a mudança está a acontecer agora mesmo e que você ou o seu consultante estão um pouco perplexos. Pode ver que qualquer decisão que tomem neste