Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


TCC CARMEM E ANDERSON, Notas de estudo de Educação Física

A EVASÃO E O DESINTERESSE DAS MENINAS NAS PRÁTICAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

Tipologia: Notas de estudo

2018

Compartilhado em 23/05/2018

carmem-maria-silva-dos-santos-4
carmem-maria-silva-dos-santos-4 🇧🇷

3 documentos

1 / 22

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA
ANDERSON SOARES MARTINS
CARMEM MARIA SILVA DOS SANTOS
A EVASÃO E O DESINTERESSE DAS MENINAS NAS PRÁTICAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA
ESCOLAR
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff
pf12
pf13
pf14
pf15
pf16

Pré-visualização parcial do texto

Baixe TCC CARMEM E ANDERSON e outras Notas de estudo em PDF para Educação Física, somente na Docsity!

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA

ANDERSON SOARES MARTINS

CARMEM MARIA SILVA DOS SANTOS

A EVASÃO E O DESINTERESSE DAS MENINAS NAS PRÁTICAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA

ESCOLAR

URUGUAIANA

ANDERSON SOARES MARTINS

CARMEM MARIA SILVA DOS SANTOS

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA

ANDERSON SOARES MARTINS

CARMEM MARIA SILVA DOS SANTOS

ANDERSON SOARES MARTINS

CARMEM MARIA SILVA DOS SANTOS

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA

ANDERSON SOARES MARTINS

CARMEM MARIA SILVA DOS SANTOS

LA EVASIÓN Y EL DESINTERO DE LAS MUCHACHAS EN LAS PRÁCTICAS DE LA

EDUCACIÓN FÍSICA ESCOLAR

URUGUAIANA

ANDERSON SOARES MARTINS

CARMEM MARIA SILVA DOS SANTOS

RESUMO

Este trabalho de conclusão de curso de Licenciatura em Educação Física teve como objetivo identificar os motivos para a evasão de alunas das aulas de Educação Física durante a segunda etapa do ensino fundamental e ensino médio. A metodologia utilizada foi qualitativa, sendo utilizadas entrevistas individuais semiestruturadas. Participaram do estudo oito alunas do nono ano do ensino fundamental e terceiro ano do ensino médio, de escolas públicas da rede estadual de diferentes contextos sociais. A questão norteadora foi “Quais são as razões para que você não participe das aulas de educação física?”. Verificou-se que a principal

ABSTRACT

This work completion Bachelor's Degree in Physical Education aimed to identify the reasons for dropout students of physical education classes during the second elementary school and high school stage. The methodology was qualitative, and used semi-structured individual interviews. Eight students participated in the study of the ninth year of elementary school and third year of high school, in public schools of the state of different social contexts. The main question was "What are the reasons why you do not participate in physical education classes?" It was found that the main cause of evasion and especially the lack of interest of girls in relation to physical education is the lack of motivation and lack of modes and ideas in class options. The practice of physical education introduces and integrates students in the culture of body movement. Moreover, it promotes inclusion, build healthy relationships, teaches respect differences and recognize skills. But to fulfill their role improvements are needed, such as trained professionals, expanding the modalities, adequate infrastructure and

motivation.

Keywords: Evasion. Girls. Disinterest. Physical Education.

RESUMEN

Este trabajo de conclusión de curso de Licenciatura en Educación Física tuvo como objetivo identificar los motivos para la evasión de alumnas de las clases de Educación Física durante la segunda etapa de la enseñanza primaria y secundaria. La metodología utilizada fue cualitativa, siendo utilizadas entrevistas individuales semiestructuradas. Participaron del estudio ocho alumnas del noveno año de la enseñanza fundamental y tercer año de la enseñanza media, de escuelas públicas de la red estadual de diferentes contextos sociales. La cuestión orientadora fue: ¿Cuáles son las razones para que usted no participe en las clases de educación física? ". Se verificó que la principal causa de evasión y principalmente el desinterés de las niñas en relación a la educación física es la desmotivación y la falta de opciones de modalidades e ideas en las clases. La práctica de la educación física introduce e integra a los alumnos en la cultura corporal de movimiento. Además, promueve inclusión, construye relaciones sanas, enseña a respetar las diferencias y reconoce habilidades. Pero para cumplir su papel son necesarias mejoras, tales como: profesionales entrenados, ampliación de las modalidades, infraestructura adecuada y motivación

Palabras clave : Evasion. Chicas. Desinterés. Educación Física

disciplina, desinteressam-se e forçam situações de dispensa. Contudo, valorizam muito as práticas corporais realizadas fora da escola. O fenômeno é mais agudo no Ensino Médio, no qual, desconsiderando as mudanças psicossociais por que passam os adolescentes, a Educação Física preserva um modelo pedagógico concebido para o Ensino Fundamental.

Segundo Almeida (2007), a didática do professor também influencia na qualidade das aulas e na motivação dos alunos. O professor que trata seriamente o que faz e que alia a sua competência técnica ao compromisso de ensinar, desperta a criatividade e conduz os alunos à reflexão através do lúdico. Ao adotar estes procedimentos, há grande vantagem sobre as outras disciplinas escolares, pois a Educação Física, por si só é uma prática motivadora que permite abordar uma grande variedade de temas e assuntos, podendo promover um ensino mais desafiador e interessante para os alunos e professores.

Darido (2004) sugere que aspectos fisiológicos inerentes à adolescência, podem influenciar em fatores psicológicos que por sua vez podem influenciar a participação dos alunos durante as aulas. As alterações corporais próprias desta fase da vida podem acarretar timidez e vergonha do próprio corpo perante os colegas, por haver uma maior exposição do aluno durante as aulas de Educação Física do que nas outras disciplinas.

Darido et al. (1999) apontam como problemas: a desvalorização do componente curricular Educação Física perante os demais, principalmente pela facilidade dos pedidos de dispensa; a colocação frequente da Educação Física em período oposto ao dos demais componentes curriculares, dificultando a frequência dos alunos às aulas; a insistência na repetição mecânica dos programas de educação física do ensino fundamental no âmbito do ensino médio, em geral não apresentando características próprias e inovadoras, que considerem a nova fase vivenciada pelos alunos.

A evasão escolar continua limitando o acesso de nossos jovens à cidadania plena e, como consequência, mantém-se na pauta das discussões e reflexões realizadas pelo Estado e pela sociedade civil, especificamente pelas organizações e movimentos relacionados à educação no âmbito da pesquisa científica e das políticas públicas (FREITAG, 2003). Essa autora destaca o fato de que vários estudos têm ressaltado os aspectos sociais considerados fatores determinantes da evasão escolar, dentre eles: a desestruturação familiar, as políticas de governo, o desemprego, a desnutrição e a própria organização da escola. Em seu livro, Freitag aborda a visão da escola, dos professores, dos pais/ responsáveis e dos alunos em relação ao assunto. Na ótica da escola, de forma geral, a evasão escolar é consequência da “desestruturação familiar”, de problemas familiares como a pobreza, a necessidade dos filhos trabalharem para ajudar a família e a ausência dos pais no acompanhamento dos estudos dos filhos, além das drogas e do desemprego. Em síntese, os fatores responsáveis pela evasão escolar encontrar-se-iam fora da escola. Há, portanto, certa isenção de responsabilidade, creditando-se aos aspectos externos à escola toda a responsabilidade pela evasão dos alunos.

Para os professores, as razões da evasão escolar dos alunos podem estar enraizadas na família, no aluno e na escola. No que se refere à família, destacasse a sua não participação na vida escolar do aluno. Na ótica dos professores, a família é uma instituição carregada de problemas afetivos e financeiros, e se a mesma fosse mais presente, participativa e demonstrasse interesse pelo saber do aluno seria possível minimizar a evasão escolar.

Na visão dos pais/responsáveis, os fatores determinantes da evasão escolar dos filhos devem-se às “más companhias” e à violência no interior da escola. Quando se referem às “más companhias”, os pais/responsáveis em geral afirmam que as amizades dos filhos são consequência da necessidade de se ausentarem de casa durante todo o dia para trabalhar e, em virtude disso, não terem tempo para acompanhar seus filhos, não somente no que diz respeito às atividades escolares, mas também, no que diz respeito às amizades. O discurso indica que o problema está nos filhos dos outros. Na percepção dos alunos, a evasão escolar não está dissociada da vida social. Situações vivenciadas na família podem influenciar direta ou indiretamente, suas atitudes e decisões em relação à continuidade ou não dos estudos. Dentre essas situações, os alunos mencionam o desemprego dos pais, e a consequente necessidade de trabalhar para ajudar a família; os problemas familiares, que desmotivam os alunos a continuarem frequentando as aulas; e o próprio desinteresse pelo estudo. Também foram mencionados fatores internos à escola, como as brigas, a bagunça e o desrespeito (FREITAG, 2003).

Frente a essa realidade que se apresenta precisamos buscar meios para melhor compreendermos os fenômenos que podem estar por trás desta redução de alunos que participam das aulas de Educação Física. Ao mesmo tempo, é necessário compreendermos os fatores que podem estar associados ao interesse, à motivação e o prazer dos alunos em frequentar as aulas de Educação Física ao longo da educação básica.

Esse trabalho visou buscar e identificar se o desenvolvimento das aulas e situações do cotidiano são alguns dos motivos que levam ao desinteresse e a evasão escolar do sexo feminino nas aulas de Educação Física durante a formação da segunda etapa do ensino fundamental e ensino médio e através dessas informações fornecerem ferramentas aos professores para o combate a esse tipo de evasão.

As informações obtidas durante as entrevistas foram analisadas nas três etapas conforme proposta de BARDIN (2006): 1) Pré-análise, organização do material, onde as entrevistas foram transcritas exatamente da forma como os entrevistados falaram; 2) Exploração do material, codificação dos dados; 3) Tratamento e interpretação dos dados, classificação dos elementos quando a semelhança ou diferenciação. Com a análise das entrevistas das alunas, identificamos pontos semelhantes e divergentes entre as entrevistadas relacionadas às razões a qual evadem das aulas de educação física.

3 RESULTADOS E DISCUSSÔES

Após analisarmos os discursos das oito participantes, foi possível identificarmos oito categorias de análise referentes aos motivos atribuídos pelas alunas para a não participação nas aulas de Educação Física escolar. O quadro abaixo apresenta estas categorias de acordo com cada participante.

Quadro 1. Categorias de análise identificadas a partir dos discursos das alunas sobre os motivos para a não participação nas aulas de Educação Física escolar.

Entrevistadas A.L. A.Q. R.R. A.A. T.F. E.O. L.D. H.K.

Categorias Trabalho X X Saúde X X X X Modalidades X X X X Infraestrutura X Preguiça X Desmotivação X X X X X Bullyng X X Atividade fora X X

Categoria trabalho: observa-se a presença desta categoria quando a aluna A. L. diz: “ É porque trabalho ”, “ eu já fiz educação física , agora preciso trabalhar” e em outra ocasião a mesma aluna relata, “ porque eu tenho feito curso de tarde e trabalho também”. Analisando as narrativas das alunas no contexto da entrevista, subentende-se que as mesmas, não frequentam as aulas de educação física por questões financeiras e de disponibilidade de tempo.

Categoria saúde: percebe-se o aparecimento da categoria saúde como causador do abandono quando a aluna A.Q relata, “ no momento é de saúde, devido ao sol que a gente fica exposta ali na quadra, eu fico com dor de cabeça, que eu acredito que eu tenho enxaqueca ou alguma coisa assim”. Em outra entrevista, a aluna T.F. afirma, “ eu tenho atestado por causa da escoliose e eu tenho prolapso no coração e não posso correr também”. A avó da aluna E.O.

também alega que a estudante apresenta problemas de saúde. Por fim, H. K. expõe, “eu tenho um problema no joelho também, aí quando faço exercício dói”. Frequente em nossa investigação, a incapacidade física ou falta de vigor é mencionada como um dos principais motivos para não fazer exercícios físicos.

Categoria modalidades: presente na metade das entrevistas. A aluna A.Q declara “ antes, nos anos anteriores, eu não fazia porque eu não tinha vontade porque era só handebol, só uma modalidade aqui na escola mesmo fizeram pra gente escolher tinha xadrez, handebol, eu fazia o xadrez, mas depois cortaram e aí eu não tive mais vontade de não fazer nada.” A aluna R. R. da mesma forma diz, “ “eu acho que esses esportes que tem eu não gosto e não me motiva a fazer, teria que ter outras modalidades”. Posteriormente, L.D. narra, “ outros esportes além do handebol, mas não jogado de qualquer jeito” e “futebol, lutas como o karatê, dança (até tentei fazer aula de dança, mas não foi muito boa a aula), tem outras escolas que tem variedades nas aulas.

Finalizando a investigação, H. K. fala “ ah, eu queria que tivesse mais jogos, aqui no colégio não tem isso” e “futebol também pode ser para as gurias”.

Fica evidente nos discursos o desprazer ao frequentar as aulas. Os discursos das alunas sugerem a insatisfação das participantes devido à falta de opções, ou seja, outras modalidades.

Categoria Infraestrutura: observando de forma minuciosa a narrativa da estudante A. Q, a falta de um lugar adequado prejudica a pratica dos exercícios, na frase “ se fosse num lugar fechado, tivesse uma quadra coberta e eu não passasse mal devido ao calor, eu até voltaria”. É possível identificar neste discurso o desejo de retornar às aulas, porém a inexistência de uma infraestrutura impossibilita a volta à prática das atividades físicas.

Categoria preguiça: segundo a avó da entrevistada E. O. o desânimo físico é aludido no seguinte diálogo: “ Ela é muito preguiçosa, mesmo. O problema é com os alunos, mas ela é um pouco preguiçosa também para fazer esses tipos de exercícios físicos, ela não gosta, mesmo. Ela só gosta de deitar, ficar sentada, deitada. Ela é muito sedentária”.

Categoria desmotivação: Identificamos nos discursos de cinco das oito alunas a desmotivação. Questionada sobre as causas para não participação, a aluna R. R. diz “ eu nunca me motivei a fazer ”, em seguida a frase proferida por T.F de Oliveira diz: “sim, não era levado a sério mesmo, as nossas colegas não se ajudavam e a gente nunca era levada pra jogo nem nada, não era muito sério a educação física, era mais brincadeira e eu gosto de jogar”. Intensificando as afirmações, a avó da aluna E. O. diz: “ mas aí a primeira aula já não deu certo, foi numa aula só e não deu certo, a falta de paciência.”, “Com a dificuldade dela, o despreparo, mesmo... totalmente, são totalmente despreparados, qualquer professor.” Ademais a estudante L. D. expõe “aulas chatas, e a escola não cobra a presença, é só vir fazer a prova no final do semestre” e “não é só esporte, deveria ser levada mais a sério como qualquer outra disciplina”. Conforme parte dos discursos, em parte devido à ausência de seriedade por parte dos alunos e professores, as aulas não são entendidas como importantes e muitas vezes em função do ponto de vista de alguns, inferiores a outras disciplinas.

categorias que a inexistência de modalidades atraentes como principal causa da saída das aulas, pois muitas alegaram que praticariam atividades mesmo com problemas de saúde se as mesmas fossem mais envolventes. Aqui, entendemos modalidades como novas propostas para as aulas, e não somente modalidades esportivas.

O ensino da Educação Física deve capacitar os alunos a tratar dos conteúdos esportivos nas mais diversas condições, dentro e fora da escola, e para que tenham condições de criar, no presente ou no futuro, sozinhos ou em conjunto, situações esportivas de modo crítico, determinadas autonomamente ou em conjunto. (MATTOS; NEIRA, 2000, p. 85)

Huizinga (1971) apud Moreira (2004, p. 80), afirma que a realização do lúdico se dá no jogo e que tem sua essência no divertimento – prazer, agrado, alegria.

Não é possível proporcionar uma aula estimulante sem apresentar atividades diferenciadas e de forma lúdica, pois é dessa forma que os alunos acabam criando interesse em participar das aulas, pois sempre vivenciarão algo diferente.

Em terceiro lugar, destacamos o bullyng como causador da desistência. As narrativas de algumas alunas relatam comportamentos agressivos e discriminatórios, entre as colegas. Esse desrespeito pode ser interpretado como “um comportamento cruel intrínseco nas relações interpessoais, em que os mais fortes convertem os mais frágeis em objetos de diversão e prazer, através de brincadeiras que disfarçam o propósito de maltratar e intimidar”, segundo Fante (2005). A conduta inadequada e a dificuldade em aceitar as diferenças por parte de algumas alunas, muitas vezes traumatiza as estudantes considerados lentas, fracas, ou ainda com problemas físicos causando sentimentos de exclusão, humilhação, rejeição e incapacidade. É de suma importância o papel do professor no combate a esse comportamento tão nocivo, diferenciar piadas inerentes e inocentes comuns à fase da adolescência das brincadeiras ofensivas e maldosas é fundamental para dissipar animosidades e auxiliar no bom convívio entre os alunos. Além disso, é importante que o docente esteja atento as dificuldades de cada um para que dessa forma adapte as atividades de acordo com as habilidades e a individualidade para que haja inclusão.

Junto, no terceiro lugar da pesquisa, o motivo apontado é a necessidade de trabalhar, as jovens questionadas apenas informaram que não comparecem às aulas graças a indisponibilidade de tempo, porém fica claro que, se não fosse a impossibilidade de frequentar as aulas devido a atividades profissionais, gostariam de comparecer, pois acham importante fazer atividades físicas.

Gambini, (1995) citado em Darido (2004), também procurou verificar a opinião dos alunos dispensados sobre a prática da Educação Física na escola. Os resultados mostraram que a maioria dos alunos não participa das aulas e pede dispensa por motivos de trabalho; em seguida, os alunos apontam para a falta de material e o desinteresse dos professores; a minoria afirma se afastar das aulas

por problemas de saúde. Entre estes alunos (dispensados) 37,5% realizam atividade física em clubes ou academias. São dados alarmantes que mostram a ineficiência do ensino formal em manter a motivação dos alunos. O descontentamento pelas aulas ocorre na opinião dos alunos porque elas deveriam ser diferentes e necessitam de variações (música, outros esportes, etc.).

Em quarto lugar entre as categorias descritas, apontamos a preguiça e a atividade fora da escola como razões para não participar das aulas. A primeira, frequente em nossa entrevista, é elencada como um fator determinante para o abandono, não há clareza nas respostas, apenas aversão por parte das entrevistadas, talvez causada por motivos orgânicos ou psicológicos presentes nesta fase. Outro ponto a ser observado são as atividades extraescolares, em várias ocasiões as estudantes mencionaram preferir praticar atividades fora da escola, devido a pedagogia defasada das aulas. A falta de diversificação esmaece a empolgação das alunas, fazendo com que haja abandono.

Finalizando, a última categoria citada é a infraestrutura inapropriada, particularmente observada nas escolas públicas. A falta de estrutura implica em uma série de consequências para aplicação de atividades físicas, quadras descobertas sem condições, afetam no desempenho das aulas.

Podemos notar que não houve diferenças marcantes nos discursos das alunas, tanto as alunas dos nonos anos do ensino fundamental, quanto as alunas do terceiro ano do ensino médio, assemelham-se em suas respostas para não frequentarem as aulas. Assim como as aulas ocorrerem no mesmo turno ou contra turno das demais disciplinas, os motivos para o desinteresse foram semelhantes.

Chama atenção que a proposta de avaliação dos alunos pela educação física foi destacada negativamente por duas entrevistadas:

Aluna R. R.: “é que não depende só da matéria de física (educação física), mas se tu não vier na física, tu tem que fazer um provão, por mais que tu esteja bem nas outras matérias”.

Aluna L. D.: “ algumas poucas trabalham e tem atestados, mas a maioria é porque não querem, muitas é por preguiça mesmo, aulas chatas, e a escola não cobra a presença, é só vir fazer a prova no final do semestre ”.

de educação física, já que, culturalmente a sociedade desvaloriza esse trabalho, tornando-o menos importante.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Pedro Celso. O Desinteresse pela Educação Física no Ensino Médio. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, ano 11, n 106, Mar. 2007. Disponível em: http://www.efdeportes.com/

efd106/o-desinteresse-pela-educacao-fisica-no-ensino-medio.htm. Acesso em: 27 de setembro de

BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo (L. de A. Rego & A. Pinheiro, Trads.). Lisboa: Edições 70,

BETTI, Mauro; ZULIANI, Luiz Roberto. Educação Física Escolar: uma proposta de Diretrizes Pedagógicas. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte – 2002, 1(1): 7381. Disponível em: <http://www.mackenzie.br/fileadmin/Graduacao/CCBS/Cursos/Educacao_Fisica/REMEFE-11-2002/ art6_edfis1n1.pdf>Acesso em: 24 de abril de 2017.

BENTO, Lilian Carla Moreira; RIBEIRO, Romes Dias. As Aulas de Educação Física na Concepção dos Alunos de 5ª a 8ª Séries do Ensino Fundamental da Cidade de Indianópolis-Mg. Motrivivência Ano XX, Nº 31, P. 354-368 Dez./2008.

CARVALHO, Leandro Coutinho Vilela de. Fatores para a motivação ou desmotivação à participação nas aulas de Educação Física. Revista Brasileira de Futsal e Futebol, Edição Especial: Pedagogia do Esporte, São Paulo, v. 7. n. 27. p. 548-553. 2015.

COPETTI, Jaqueline; NEUTZLING. Marilda Borges; SILVA, Marcelo Cozzensa. Barreiras à prática de atividades fisicas em adolescentes de uma cidade do sul do Brasil. Revista Brasileira de Atividade Fisica e Saúde. v. 15. n. 2. 2010.

DARIDO, Suraya Cristina et al. Educação Física no Ensino Médio: reflexões e ações. Motriz. Rio Claro: UNESP, 1999. v.5, n.2. p.138-145.

DARIDO, Suraya Cristina. A educação física na escola e o processo de formação dos não praticantes de atividade física. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, São Paulo, v.18, n.1, p.61-80, jan./mar. 2004.

DINIZ, Carine Saraiva; QUARESMA, Adilene Gonçalves. Evasão de jovens do ensino médio: causas intraescolares segundo os evadidos de uma escola pública. Revista CAMINE: Caminhos da Educação, Franca, v. 8, n. 2, 2016.

FANTE, Cleo. Fenômeno bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para paz. 2. ed. Campinas: Verus, 2005.

FREITAG, Barbara. Escola, Estado e sociedade .4.ed.SãoPaulo: Moraes, 2003.