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IDENTIDADE VISUAL E PROJETO DE SINALIZAÇÃO PARA O JARDIM BOTÂNICO BOSQUE RODRIGUES ALVES DA AMAZÔNIA
Tipologia: Teses (TCC)
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Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito para obtenção do grau de Bacharel em Design Gráfico pela Faculdade de Estudos Avançados do Pará. Orientadora: Profa. M.Sc. Márcia Mendes.
Dedicamos este trabalho de conclusão de curso primeiramente a Deus, por nos inspirar e nos fortalecer para seguir nossos objetivos, aos nossos familiares, amigos, e aos colegas de turma, por sempre acreditarem em nosso potencial, e à professora Márcia Mendes pela orientação e incentivo.
Primeiramente aos meus pais, que me incentivaram e me apoiaram neste caminho que percorri.
A todos os professores, que agregaram a minha formação tanto como profissional quanto como pessoa.
Aos meus companheiros de equipe, que foram companheiros e se doaram ao máximo em prol deste projeto e tornaram o mesmo real.
À nossa orientadora Márcia Mendes, por sua dedicação e incrível paciência conosco.
Kássio Stephano
Ao Pai do céu, pelo sopro divino. Aos pais Luiza e Ayrton (in memorian). Aos filhos, em especial ao Gean Oliveira, pela ajuda e apoio incondicional. A amada Cinthia Fernanda, pela compreensão nas ausências. A minha pequena neta Cecília, a quem dedico à conquista. Aos mestres, pelo conhecimento transmitido e paciência de ensinar o Papagaio Velho.
Aos colegas de equipe Luana e Kássio, sem os quais seria impossível chegar ao objetivo.
Pedro Guilherme Oliveira
O objetivo geral desta pesquisa visa aplicar as ferramentas e sistemas de identidade visual aliadas aos estudos culturais e organizacionais do Bosque Rodrigues Alves Jardim Botânico da Amazônia. Como objetivos específicos, analisa a eficácia da identidade visual no processo de atualização, representação e manutenção de uma identidade regional; Verifica os caminhos que a cultura permeia para a definição de uma forma de comunicação mais eficaz para orientar as pessoas que transitam no Bosque; Identifica como a população de Belém se relaciona com o espaço, e quais seriam as maiores dificuldades de transitar no mesmo; e, estuda as formas de atuação do profissional de Design Gráfico a partir da criação de uma identidade visual. Como metodologia, utilizou-se o levantamento bibliográfico, seguido de levantamento de campo, e a aplicação de cem questionários, com perguntas fechadas, para o público frequentador do Bosque. Os resultados da pesquisa dimensionam a importância do designer gráfico, nas ações para geração de conhecimento através do projeto elaborado, como uma atitude social responsável que visa atingir as perspectivas desejadas da comunidade paraense e dos turistas.
Palavras-chave: Design Gráfico. Bosque Rodrigues Alves. Atitude social. Identidade Visual.
Gráfico 1 - Quais as atrações que estão nesse espaço, mais representam o Bosque Rodrigues Alves? .............................................................. 88 Gráfico 2 - Qual você acredita ser a principal mensagem do Bosque? ........... 89 Gráfico 3 - Você se orienta pelas placas informativas? ................................... 90 Gráfico 4 - O que você acha da atual sinalização do Bosque? ....................... 91 Gráfico 5 - Você consegue se localizar com o mapa na entrada do Bosque?.. 92 Gráfico 6 - Você já se perdeu alguma vez no Bosque? ................................... 92 Gráfico 7 - O que você acha da sinalização existente? ................................... 93 Gráfico 8 - Você acha que é preciso um novo projeto de sinalização para o Bosque? ......................................................................................... 94
Além de conhecida como a cidade das mangueiras e pela chuva quase certa de todas as tardes, Belém também é detentora de um considerável acervo de prédios de grande valor histórico-cultural, um importante aliado para o desenvolvimento da atividade turística. Dessa forma, o turismo cultural deve ser bem divulgado para que os turistas e a própria população possam conhecer a história e memória da cidade, assim como, sua importância enquanto bem cultural compreendido em quatro categorias: bem natural, bem material, bem intelectual e bem de ordem emocional. Conforme classifica (ATAÍDES, 1997, p. 11-12) quando diz que:
Os bens naturais englobam os elementos naturais, do meio ambiente, que são minerais, animais e vegetais. Os bens de ordem materiais são os produtos concretos dos homens, resultantes da sua capacidade de sobrevivência no meio em que vivem, pode-se exemplificar com as edificações e objetos construídos pelos homens. Os bens de ordem intelectual são construídos pelo saber, é toda acumulação de conhecimento adquirida pelo homem no decorrer da história da humanidade. Os bens de ordem emocional são expressos pelo sentimento individual ou coletivo, são as manifestações religiosas, artísticas, folclóricas, eruditas e populares.
Considerando esta conceituação de Ataíde acerca de bem cultural e com base em uma investigação empírica, foi possível registrar que o Bosque Rodrigues Alves Jardim Botânico da Amazônia, contempla as quatro categorias patrimoniais e recebe um número significativo de pessoas cotidianamente. E isso inclui escolas, público flutuante, turistas em um fluxo dinâmico de visitação. No decorrer dessa observação, fizemos também o registro fotográfico das indicações sobre o acervo natural e locais de convivência como: biblioteca, chalé de ferro, coreto, entre outros espaços. Constatou-se assim, a ausência de uma sinalização funcional e devido a essa falta de direção, percebeu-se em vários momentos, algumas pessoas deslocadas no decorrer do percurso, por sua área ser muito extensa. Em uma breve conversa com o diretor do Bosque, foi obtida a informação acerca do ultimo projeto de sinalização, elaborado há mais de 10 anos e, ainda assim, sua realização se concretizou parcialmente no espaço como um todo, o que, explica o fato da ausência de placas contendo informações que são indispensáveis
em local de passeio turístico e pesquisa, e quando encontradas, estão em sua maioria danificadas pela ação do tempo e por vandalismo. Essa constatação gerou a motivação em desenvolver esse projeto e a provável importância da atuação do designer gráfico que vai além de gerar renda para si, ele também age de forma responsável em relação a outros setores, como cultura, sociedade e economia. Impulsionados por essa premissa, e pelo campo de pesquisa favorável acerca da importância do Bosque, verifica-se que, criar uma identidade visual mais funcional, seria uma atitude responsável enquanto designer gráfico, principalmente pelo bem cultural em questão, possuir grande potencial quanto ao segmento da cultura, educação e pesquisa. Sobre essa questão, Raates (2012, p. 10), comenta que:
Cultura é fator de desenvolvimento econômico e social e principalmente humano. É assim, que podemos construir uma sociedade com segurança, saúde, e educação, formar cidadãos capazes de olhar criticamente para suas vidas e compreenderem sua sociedade.
Nesse sentido, a necessidade do designer estudar as diversas expressões culturais do homem e assim, entender os valores simbólicos determinados no meio social como também, ter a percepção da importância dos objetos, que expressam a cultura de um povo enquanto constituintes do registro da ação do homem sobre a natureza são fatores determinantes e aliados em seu processo de criação. Os símbolos devem ser interpretados, independente de cultura para cultura, ou mesmo no interior de determinada cultura. Os objetos e locais estão impregnados de símbolos, assim, têm significados, daí a necessidade de decodificá-los, percebê-los enquanto mensagens, e interpretá-los. Considerando que a necessidade de compreensão do designer incide significativamente no modo de vida das pessoas, reforça a responsabilidade no projeto em questão, de um serviço ou produto, com a convicção que o mesmo pode interferir no meio onde está inserido. Isso envolve análise e observação de como o homem se desloca no ambiente onde vive, os símbolos que fazem parte de sua cultura e a maneira como ele interage. Esses pontos levantados são aspectos que podem mediar o entendimento do que este deseja consumir. Assim, o designer poderá não somente facilitar o consumo, assim como, poderá criar necessidades e reformular hábitos.
Mediante as primeiras reflexões, este estudo retrata, em seu estado da arte, algumas áreas consideradas fundamentais para o desenvolvimento do enfoque, tais como, o posicionamento do design gráfico na era contemporânea, os serviços e a qualidade destes na satisfação do cliente, a identidade visual, a marca e a fidelização. Desse modo, evidencia para quem está no setor de serviços o quanto é significativo ampliar algumas técnicas de comunicação para que se alcance melhores resultados na implantação ou sustentação de programas de qualidade. A comunicação é o meio fundamental para inserir qualquer transformação na organização. Por isso, é necessário de início considerar o processo de comunicação. Além disso, ao avaliar o procedimento de comunicação é desejável que o processo deve começar pelo receptor. Este é o componente fundamental no processo, uma vez que a finalidade de comunicação é o entendimento da mensagem. Por isso, começar pelo receptor auxilia a decodificação ao usar os apelos e termos de acordo com o público-alvo. Na estratégia traçada sobre o enfoque da identidade visual são aplicados os conceitos estudados, de maneira tal que o objeto da pesquisa seja transformado em uma marca ainda mais forte e visualmente identificada. Assim como, para melhor orientar os visitantes do local, é proposta a sinalização, para ser aplicada nas dependências do recinto, com identificação de suas trilhas e habitantes, facilitando assim, o percurso dos frequentadores para provocar fluentemente a localização facilitada em suas visitas. Esta pesquisa foi realizada no Bosque Rodrigues Alves Jardim Botânico da Amazônia. O procedimento metodológico foi desenvolvido com base no levantamento bibliográfico, seguido de levantamento de campo, e a aplicação de cem questionários, com perguntas fechadas, para o público frequentador do Bosque. A importância da pesquisa contribui para que o conhecimento sobre o Bosque e de como se deu o processo de desenvolvimento e reconhecimento com jardim botânico e patrimônio cultural. Ressalta-se como designer gráfico, uma pesquisa autoral que legitima a importância da sinalização funcional para os espaços, de modo a atingir as perspectivas desejadas da comunidade paraense e dos turistas. Este trabalho visa apresentar aos estudantes e profissionais da área de design gráfico a relevância de um projeto de Identidade Visual. A contribuição do
projeto para a área profissional e acadêmica se dá pelo caráter multidisciplinar, desenvolvendo entendimento das diversas áreas do design. Neste segmento, partindo da organização apresenta-se no capítulo 2 Estado de Arte, como a área do design transcende os séculos de criatividade no contexto global e sua inovação como estratégia competitiva. E ainda, a satisfação e fidelidade do cliente. No capítulo 3, descrevemos a história e memória do Jardim Botânico Bosque Rodrigues Alves da Amazônia, seguido do processo de sinalização e identidade visual criada para esse importante espaço natural da Amazônia. No capítulo 4 apresentam-se as discussões metodológicas e resultados da pesquisa, seguida das considerações finais. Dessa forma, acredita-se que essa pesquisa seja apenas o começo em nosso processo produtivo como designers gráfico para desdobrar-se em outros campos de criação funcional de acordo com o papel social da profissão. Apoia-se ainda, nos conceitos propostos por diferentes autores na intenção de criar bases sólidas para desenvolver discussões com o desejo que este material seja importante para todos aqueles que se interessam pelos caminhos da pesquisa na área.
No que diz respeito aos objetos, o cuidado deverá ser maior, em razão do que está acima dos números de produção. O idealizador da Aldeia Humana, Alexandre Manu, ressalta a responsabilidade social do trabalho do designer como forma de retorno aos valores que nos tornam “humanos”, atuando positivamente em benefício da humanidade (MANU, 1995, p. 3). Nestas primeiras reflexões, é importante dar ênfase à relação entre design e inovação, demonstrando sua importância no contexto de uma sociedade globalizada, onde a homogeneização, por um lado, e a heterogeneização, por outro lado, são faces da mesma moeda, agindo simultaneamente sobre as diferentes dimensões do corpo social. A partir da ideia do design como atividade necessária à solução de problemas humanos, busca-se analisar a importância da criatividade e da inovação no processo de geração de novos produtos, inserindo-a em uma estratégia empresarial própria do atual contexto socioeconômico e produtivo. Na atualidade, observa-se claramente o registro de uma popularização da palavra design. Quase tudo e todos utilizam essa palavra, seja para vender, para qualificar ou para designar algo, e provavelmente a sociedade leiga não sabe o que este “termo” significa. (CARDOSO, 2004; KOPP, 2004) nos dizem que a origem imediata da palavra design está na língua inglesa, na qual o substantivo design se refere tanto à idéia de plano, desígnio, intenção, quanto à de configuração, arranjo, estrutura. Nas análises dos autores, a origem mais remota da palavra encontra-se no latim designare , verbo que abrange ambos os sentidos, o de designar e o de desenhar, evidenciando-se, desse modo, uma ambigüidade na origem etimológica, gerando uma tensão dinâmica, entre um aspecto abstrato de conceber/projetar/ atribuir e outro concreto de registrar/configurar/formar. Segundo Ferreira (1999, p. 212), design significa: “1. Concepção de um projeto ou modelo; planejamento. 2. O produto desse planejamento. 3. Restr. Desenho industrial. 4. Restr. Desenho-de-produto. 5. Restr. Programação visual”. Vale verificar o conceito de Villas Boas (2002, p. 19) quando estabelece uma forte ligação entre o design gráfico e a comunicação ao dizer que:
É uma atividade expressamente comunicacional que nasce da necessidade de, num ambiente de massas, agregar valores simbólicos a determinados bens, sejam estes concretos ou não. Para tal, lança mão de um instrumental simbólico que se expressa materialmente no plano da visualidade, de forma a veicular estes valores mediante a preservação deste mesmo caráter simbólico_._
Outra vertente conceitual aponta o design a todo um processo de ideias, de planejamento, de construção e de finalização, em que o produto final desse processo tem todas as qualificações necessárias para se manter e ter boa aceitação no mercado. Design é um processo pelo qual a maioria dos produtos hoje em dia comercializados, seja ele visual ou de consumo, é ou deveria ser submetido para ter o máximo de aceitação no mercado. Por exemplo, o automóvel que nós utilizamos diariamente, passou por um processo de idéias, de planejamento, de construção e de finalização até chegar às lojas onde será vendido (esse é um exemplo de Design de Produto). Outro exemplo; a embalagem de um produto, como a de um sabão em pó (que atualmente são um espetáculo em cores chamativas) também passou por um processo que, se for bem executado, terá sucesso em sua venda ou pelo menos chamará a atenção do consumidor, não só pela beleza estética da embalagem, mas pela funcionalidade como as características do produto estão sendo transmitidas ao consumidor (esse é um exemplo de Design de Gráfico). Algo semelhante ocorria muito tempo atrás, com o artesão. Ele cuidava desde a aquisição da matéria-prima, até o planejamento e de todas as outras etapas da produção de um produto até sua finalização. Com o designer funciona quase da mesma maneira dentro do processo de design. Ele acompanha o processo em todas as etapas, porém, ao invés de realizar tudo sozinho, trabalha juntamente com vários profissionais, os quais estão envolvidos diretamente em cada uma das etapas, desde a escolha da matéria prima até o destino final do produto. Um exemplo prático disto é o que ocorre com o designer de produto, que ao planejar um produto como, por exemplo, uma batedeira, precisa trabalhar com vários outros profissionais, como o engenheiro eletricista, que analisará juntamente com o designer se o produto desenhado por ele comportará toda a parte elétrica; com um técnico em segurança, que analisará se a forma do produto é segura, se o material utilizado ao quebrar ou se submeter a condições rigorosas não ofereça risco ao