


















Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Prepare-se para as provas
Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Prepare-se para as provas com trabalhos de outros alunos como você, aqui na Docsity
Encontra documentos específicos para os exames da tua universidade
Prepare-se com as videoaulas e exercícios resolvidos criados a partir da grade da sua Universidade
Responda perguntas de provas passadas e avalie sua preparação.
Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Uma visão da importância da tecnologia na gestão de cidades inteligentes, discutindo o contexto global, a definição de cidade inteligente e as tecnologias aplicadas. Além disso, o texto aborda as áreas de aplicação dos resultados das pesquisas, as interesses de pesquisa e as palavras-chave que caracterizam a cidade inteligente.
Tipologia: Esquemas
1 / 26
Esta página não é visível na pré-visualização
Não perca as partes importantes!



















Marcos Cesar Weiss*, Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Brasil. E-mail: [email protected] Submetido: Maio 2018 Aceito: Outubro 2018 *Contato para Correspondência
v. 6 , n. 3 , Maio/Agosto – 2019 ISSN: 2319- 0639 http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/RBGI/index DOI: 10.18226/23190639.v6n3. Resumo: Cidades inteligentes é um tema onde a academia tem papel de destaque na determinação de novas tecnologias em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) para se enfrentar os desafios da dinâmica urbana, provendo inovações e soluções tecnológicas que incrementem a gestão das cidades e que promovam melhorias na vida das pessoas e nas condições de operações das organizações. Esse trabalho tem por objetivo apresentar e discutir a agenda de pesquisas em TIC aplicáveis ao campo da gestão urbana com vistas à materialização das cidades inteligentes. Trata-se de uma pesquisa quantitativa baseada em levantamento realizado com 84 pesquisadores brasileiros e estrangeiros que atenderam à São Paulo School of Advanced Science on Smart Cities, em agosto de 2017. Os resultados mostraram que a agenda global de pesquisas está focada nas dimensões urbanas de mobilidade e serviços sociais por meio do emprego de tecnologias como big data, internet das coisas e inteligência artificial. Palavras-chave: Cidades inteligentes. Pesquisa em cidades inteligentes. TIC para gestão pública. TIC para cidades inteligentes. Abstract: Smart cities is a theme where the academy plays a strong role for determining new Information and Communication Technology (ICT) technologies to face the challenges brought by the urban dynamics, providing technological innovations and solutions that aim to increase efficiency of cities management and to promote improvements in people's lives and organizations operations. This paper aims to present and to discuss the research agenda in the Information and Communication Technology domains focused on the smart cities field. It is a quantitative research based on a survey completed by 84 Brazilian and foreign researchers who attended the São Paulo School of Advanced Science on Smart Cities, in Aug 2017. The results showed that the global research agenda has been focused on mobility and social services urban domains, thru the technologies such as big data, internet of things, artificial intelligence. Keywords: Smart cities. Smart cities research. ICT for public management. ICT for smart cities. 1 Introdução O atual fenômeno de crescimento e de envelhecimento das populações que vivem em cidades se conforma como um cenário de importantes desafios interpostos aos governos, particularmente a aqueles em nível municipal. Questões como mobilidade, segurança, saúde, educação, restrições ao uso de recursos naturais, poluição, desemprego (Batagan, 2011), entre outras, são questões que em maior ou menor escala se apresentam como importantes desafios a serem enfrentados nos próximos anos. Nesse cenário de enfrentamento aos substantivos problemas aos quais as cidades estão sujeitas, muita têm buscado se equipar com tecnologias da informação e comunicação (TIC) para que se tornem mais efetivas no provimento e gerenciamento das infraestruturas e dos serviços públicos (Washburn, 2011), para além de ampliar suas capacidades de
v. 6 , n. 3 , Maio/Agosto – 2019 ISSN: 2319- 0639 http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/RBGI/index DOI: 10.18226/23190639.v6n3. solução dos problemas advindos da urbanização e, consequentemente, para a melhoria da dinâmica urbana. Nesse sentido, esse trabalho tem por objetivo apresentar e discutir a agenda de pesquisas no campo da tecnologia da informação com aplicabilidade direta sobre a dinâmica urbana, para uso pelo poder público, pela iniciativa privada ou mesmo para uso direto pelos cidadãos, retratando os resultados de um levantamento realizado junto a 84 pesquisadores de diferentes nacionalidades, presentes na São Paulo School of Advanced Science on Smart Cities (SPSAS-SC) 1 , em agosto de 2017. A SPSAS-SC aconteceu no contexto da iniciativa InterSCity 2. Essa iniciativa é um projeto colaborativo de pesquisa, hospedado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Internet do Futuro para Cidades Inteligentes e que congrega nove instituições brasileiras e parceiros internacionais, desenvolvendo pesquisas em redes de comunicações e computação distribuída de alto desempenho; engenharia de software para a internet do futuro; e análise e modelagem matemática para a internet do futuro e cidades inteligentes (Batista, 2016). Para atender ao objetivo proposto, o trabalho está organizado em cinco seções. Além dessa seção introdutória, a segunda seção apresenta o referencial teórico que aborda de forma sucinta a questão das cidades no contexto global e seus desafios; uma definição de cidade inteligente e o referencial acerca de tecnologias aplicadas à gestão e intervenção na dinâmica urbana. A terceira seção é dedicada aos procedimentos metodológicos. Na quarta seção são apresentados e discutidos os resultados obtidos pelo levantamento realizado junto aos pesquisadores participantes do SPSAS-SC e que responderam ao levantamento. Finalmente, a quinta seção é dedicada às considerações finais, limitações e sugestões para futuros estudos. 2 Referencial teórico No curso da história da humanidade, as cidades têm sido formadas e para elas acorrem as pessoas vindas do campo ou de outras cidades menos prósperas, em busca de maiores e melhores oportunidades e de qualidade de vida. Se por séculos a relação populacional campo- cidade era favorável ao mundo rural, já nos anos 2000, mais precisamente em 2007, essa relação se inverteu e deu lugar a um mundo eminentemente urbano (ONU, 2014). Por óbvio, (^1) São Paulo School of Advanced Science on Smart Cities realizado em São Paulo entre 24/07/2017 e 4/08/2017, promovido pelo Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (IME/USP) com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Durante duas semanas, o evento que congregou pesquisadores de vários países envolveu cursos de curta duração, palestras, oficinas e atividades socioculturais cobrindo múltiplos aspectos de pesquisa e tecnologia para as cidades inteligentes. (^2) http://interscity.org
v. 6 , n. 3 , Maio/Agosto – 2019 ISSN: 2319- 0639 http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/RBGI/index DOI: 10.18226/23190639.v6n3. esse fenômeno é resultado dos constantes avanços tecnológicos em todos os segmentos da atividade humana que têm motivado a migração do campo para as cidades: do aparecimento de inovações para a mecanização da atividade rural até as mais modernas formas de realização da atividade humana com o uso cada vez mais intensivo de tecnologias, particularmente as tecnologias da informação e comunicação (TIC), o trabalho nas cidades tem se configurado como uma atividade menos penosa e a vida urbana algo mais atrativa (Rasoolimanesh, Badarulzaman, & Jaafar, 2011; Ahmad, Colin, & Ahmed, 2012). Em outras palavras, se por um lado as restrições na atividade rural parecem estar bem encaminhadas por meio do uso das mais diferentes e avançadas tecnologias, que incrementam a produtividade porquanto diminuem a necessidade de mão de obra no campo, por outro lado a dinâmica urbana parece se configurar como uma questão cada vez mais intrincada (Kanter, & Litow, 2009; Cadena, Dobbs, & Remes, 2012). O mundo está mais urbano a cada dia, imprimindo às cidades grandes desafios para seu desenvolvimento econômico, político e social. Segundo projeções da ONU (2014), até 2050 a população mundial terá chegado a 9 bilhões de pessoas e algo perto de 6 bilhões delas estarão vivendo em cidades. Não somente as estimativas de crescimento da população urbana particularmente, mas também seu envelhecimento, são expectativas que se transformam em fatos dia após dia (ONU, 2014). Questões como saúde, educação, segurança, mobilidade, sustentabilidade (Toppeta, 2010; Batagan, 2011), além das crescentes exigências por eficiência e governança (Winden, 2008; Klink, 2009; Nam, & Pardo, 2011) são desafios que têm sido postos aos gestores públicos e ainda por eles deverão ser enfrentados no futuro próximo. À essas questões se acrescentam outras questões de similar importância, como a ocupação e o uso do espaço urbano, o ambiente construído, a manutenção da cultura local, a prosperidade dos países onde se localizam (Johnson, 2008), a inovação e a criatividade como vetores para a competitividade (Cadena, Dobbs, & Remes, 2012; Seeliger, & Turok, 2013; Kulkki, 2014), a criação de lugares desejáveis e sustentáveis (Eger, 2009; Batagan, 2011; Seeliger, & Turok, 2013) e a intensificação do uso de tecnologias para incrementar as capacidades de gestão da dinâmica urbana sem que de nenhum ator se prescinda (Marsal- Llacuna, Colomer-Llinàs, & Meléndez-Frigola, 2015). Em suma, o equilíbrio na relação demanda-fornecimento de infraestruturas e serviços públicos é o que vai determinando o sucesso das cidades no cenário global (ONU, 2014). A intensificação das discussões sobre o papel das cidades na cena global tem feito com que muitos e diferentes adjetivos sejam a elas atribuídos, como que em uma expressão de busca de caminhos para a realização de suas aspirações, de posicionamento na cena global ou
v. 6 , n. 3 , Maio/Agosto – 2019 ISSN: 2319- 0639 http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/RBGI/index DOI: 10.18226/23190639.v6n3. Por ser ainda um conceito emergente, ele tem sido utilizado para referenciar diferentes dimensões e elementos que caracterizam a cidade como inteligente. Ele tem sido frequentemente associado a outros adjetivos, causando, de certa forma, alguma confusão ou provocando um emaranhado de termos nem sempre conclusivos. Termos como ‘cidades inteligentes e sustentáveis’ (Ahvenniemi, 2017), ‘cidades inteligentes e humanas’ (Oliveira, & Campolargo, 2015), ‘cidades inteligentes e criativas’ (Carta, 2014), ‘cidades inteligentes e inclusivas’ (Rebernik, 2017), ‘cidades inteligentes e inovadoras’ (Vlachostergiou, 2015), ‘cidades inteligentes e resilientes’ (Papa, 2015) entre outros termos, têm sido encontrados na literatura e nas iniciativas particulares de empreendedores, de governos e de organizações não governamentais. Embora a ocorrência desses relevantes adjetivos complementares, a cidade inteligente se alicerça sobre as TIC. Nesse sentido, Neirotti (2014), alertam: (...) existe um amplo consenso sobre o fato de que as cidades inteligentes são caracterizadas por uma utilização generalizada das TIC e que, em vários domínios urbanos, ajudam as cidades a fazer melhor uso de seus recursos. Entretanto, as soluções baseadas nas TIC podem ser consideradas como apenas um dos vários recursos de entrada para projetos e abordagens para o planejamento urbano e de vida que têm o objetivo de melhorar a sustentabilidade econômica, social e ambiental de uma cidade. Isto implica que as cidades que são mais equipadas com tecnologias não são necessariamente melhores cidades, e que o número de ‘iniciativas inteligentes’ lançadas por um município não é um indicador do desempenho da cidade, mas em vez disso poderia resultar em uma saída intermediária que reflete os esforços realizados para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos (NEIROTTI, 2014). A literatura internacional mais recente tem focalizado de forma importante a utilização de tecnologias de última geração como o ponto de alavancagem para as cidades inteligentes, como apresentado na Figura 2. Figura 2 – Tecnologias consideradas em publicações recentes sobre cidades inteligentes. (continua) Tecnologia Autores Internet das Coisas Komninos et al., 2011; Cretu, 2012; Dlodlo et al., 2012; Weise et al., 2012; Chen, 2013; Sánchez et al., 2013; Chen, Mao & Liu, 2014; Jin et al., 2014; Kitchin, 2014; Song et al., 2014. Big Data e Ciência de Dados Cretu, 2012; Weise et al., 2012; Chen, Mao & Liu, 2014; Doran & Daniel, 2014; Ivanus & Iovan, 2014; Kitchin, 2014; Longo, Roscia & Lazaroiu, 2014; Andrejevic & Burdon, 2015; Shelton, Poorthuis & Zook, 2015. Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina Albino, Berardo & Dangelico, 2015 Agarwal, Gurjar, Agarwal & Birla, 2015. Computação Cognitiva e Computação em Nuvem Komninos et al., 2011; Trenosa & Gertner, 2012; Weise et al., 2012; Venter & Whitley, 2012; Chen, 2013; Dlodlo et al., 2012; Chen, Mao & Liu, 2014; Ivanus & Iovan, 2014; Jin et al., 2014; Kitchin, 2014. Aplicações Móveis Frenchman, Joroff & Albericci, 2011; Weise et al., 2012; Neirotti et al., 2014;
v. 6 , n. 3 , Maio/Agosto – 2019 ISSN: 2319- 0639 http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/RBGI/index DOI: 10.18226/23190639.v6n3. (continua) Tecnologia Autores Ivanus & Iovan, 2014; Kitchin, 2014; Longo, Roscia & Lazaroiu, 2014. Georreferenciamento AL-Hader, Rodzi, 2009; Batagan, 2012; Frenchman, Joroff & Albericci, 2011; Cretu, 2012; Dlodlo et al., 2012; Doran & Daniel, 2014; Kitchin, 2014; Longo, Roscia & Lazaroiu, 2014; Shelton, Poorthuis & Zook, 2015. Soluções de colaboração e redes sociais Kanter & Litow, 2009; Cromer, 2010; Frenchman, Joroff & Albericci, 2011; Cretu, 2012; Gil-Garcia, 2012; Shelton, Poorthuis & Zook, 2015. Fonte: Autor. Essas e outras tecnologias aplicáveis à gestão urbana podem determinar a medida de inteligência das cidades sob a perspectiva das TIC. Para tanto, essas tecnologias devem ser i) integráveis, ii) interoperáveis e iii) escaláveis, de forma a não sujeitar as cidades a frustrações em suas iniciativas por quaisquer condições técnicas que impeçam a realização destas três principais características. Avançar nas pesquisas e no desenvolvimento de novas tecnologias e de novas formas de aplicabilidade das atuais e futuras tecnologias é fundamental para que a materialização da cidade inteligente se concretize, trazendo consigo melhores condições de vida para as pessoas, de operação para as empresas e novos e melhores instrumentos de governança para o poder público. 3 Procedimentos metodológicos Considerada a tipologia conhecida, esse trabalho pode ser qualificado como uma pesquisa quantitativa, de caráter exploratório, em que se busca maior proximidade de conhecimento e aplicação de um dado fenômeno sobre o qual ainda não se tem informações suficientes para se responder a uma questão ou problema (Creswell, 2002; Flick, 2004; Collis, & Hussey, 2006). Como fonte de dados foram utilizados os resultados de um levantamento realizado exclusivamente com os participantes do SPSAS-SC. Esse levantamento foi elaborado em idioma inglês e contou com o auxílio de facilidades de construção de formulário de pesquisa e armazenamento de dados, proporcionadas pela plataforma Google Docs e o acesso via internet foi encaminhado à população alvo pelos organizadores do SPSAS-SC. Os resultados foram compilados com a utilização de planilha eletrônica MS-Excel e posteriormente analisados com o apoio do software IBM SPSS Statistics Base Integrated Student Edition 22 (SPSS). O instrumento de pesquisa para o levantamento foi estruturado com seis segmentos
v. 6 , n. 3 , Maio/Agosto – 2019 ISSN: 2319- 0639 http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/RBGI/index DOI: 10.18226/23190639.v6n3. teste de adequação de Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) e o teste de Esfericidade de Bartlett devem apresentar valores aceitáveis. Para o teste KMO - que tem por objetivo explicitar qual a proporção da variância que as variáveis apresentam em comum - deve-se esperar valor de resultado acima de 0,50 ao passo que para o teste de Esfericidade de Bartlett – que é baseado na distribuição estatística de qui-quadrado e testa a hipótese nula de uma matriz de correlação
v. 6 , n. 3 , Maio/Agosto – 2019 ISSN: 2319- 0639 http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/RBGI/index DOI: 10.18226/23190639.v6n3. Figura 3 : Distribuição dos pesquisadores segundo idade e titulação. Fonte: Autor. Cinco questões exploratórias foram colocadas aos respondentes. Uma primeira questão buscou identificar quais são as três principais áreas de aplicação da pesquisa e, futuramente, de seus resultados. Em outras palavras, quais dimensões da cidade serão atendidas pela pesquisa. Os resultados mostraram que mobilidade urbana (13%) e Serviços Sociais (10%) foram as dimensões com maiores ocorrências dentro da lista oferecida. A Figura 4 apresenta a representatividade das dimensões da cidade nas pesquisas em curso pelos respondentes. Figura 4 : Representatividade das dimensões nas pesquisas em curso Área de Aplicação Mestrado Doutorado Pós- doutorado Total de Ocorrências Compliance & Gestão de Risco 6 4 0 17 7% Planejamento & Finanças Públicas 7 3 1 19 8% Gestão de Ativos & Fornecedores 5 1 0 12 5% Saúde 11 5 1 22 9% Educação 10 2 0 14 6% Segurança Pública 15 1 1 22 9% Serviços Sociais 14 5 0 25 10% Mobilidade Urbana 20 2 1 33 13% Energia 17 2 1 23 9% Água 3 1 0 5 2% Resíduos 3 0 0 4 2% Zeladoria 0 0 0 1 0% Prédios & Lugares Públicos 11 5 1 19 8% Outras não mencionadas 22 5 0 36 14% Fonte: Autor. A segunda questão proposta aos respondentes buscou conhecer quais as áreas (agrupamentos de tecnologias) onde se concentram os interesses de pesquisa, com o objetivo
v. 6 , n. 3 , Maio/Agosto – 2019 ISSN: 2319- 0639 http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/RBGI/index DOI: 10.18226/23190639.v6n3. mantidas fazendo uso de avançados e integrados materiais, sensores, eletrônica e redes que fazem a interface com os sistemas informáticos compostos por bases de dados, rastreadores e algoritmos de decisão (Hall, 2000).
v. 6 , n. 3 , Maio/Agosto – 2019 ISSN: 2319- 0639 http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/RBGI/index DOI: 10.18226/23190639.v6n3. históricas e culturais, o espírito empreendedor para o desenvolvimento de soluções, participação do meio acadêmico e da iniciativa privada são aspectos de relevância para que as cidades inteligentes existam. Figura 7 – Condições para a existência das cidades inteligentes. Afirmação 1
-^ Discordo Totalmente 2 -^ Discordo 3 -^ Indiferente 4 -^ Concordo 5 -^ Concordo Totalmente Média Desvio Padrão A01 - O conceito de cidade inteligente não é somente aplicável e materializável apenas para grandes cidades, com grandes problemas de gestão da infraestrutura e serviços públicos. 1% 5% 15% 29% 50% 4,21 0, A02 - As limitações em infraestrutura de TIC são impeditivos para a cidade inteligente e devem ser sanadas antes de qualquer implementação de tecnologias mais avançadas. 4% 12% 31% 34% 19% 3,54 1, A03 - Não é preciso fazer investimentos em TIC de última geração em detrimento de soluções mais elementares (zeladoria, sistema de gestão de saúde/educação, etc.). 11% 20% 19% 29% 21% 3,30 1, A04 - O primeiro passo para o sucesso de um projeto de cidade inteligente é a informação e formação dos agentes públicos acerca dos objetivos do projeto. 5% 4% 8% 43% 40% 4,11 1, A05 - Sem o efetivo engajamento e participação do setor público, em nível local, projetos de cidades inteligentes tendem a não ter sucesso. 3% 6% 14% 35% 42% 4,05 1, A06 - Sem a comunidade engajada, projetos de cidades inteligentes tendem a ter menos sucesso. (^) 2% 2% 10% 26% 60% 4,38 0, A07 - Os aspectos culturais e históricos da comunidade devem ser levados em conta de forma intransigente quando do desenho da iniciativa. 1% 0% 7% 31% 61% 4,50 0, A08 - Despertar na comunidade o espírito empreendedor em desenvolvimento de soluções de TIC é importante para que novos avanços sejam feitos na cidade inteligente. 1% 5% 18% 49% 27% 3,96 0, A09 - A participação do meio acadêmico é um aspecto crítico para um bom projeto de cidade inteligente. (^) 2% 4% 5% 36% 53% 4,35 0, A10 - A participação da iniciativa privada é um aspecto crítico para um bom projeto de cidade inteligente. (^) 5% 5% 14% 45% 31% 3,93 1, Fonte: Autor. Considerados os pré-requisitos iniciais (N = 84; KMO = 0,653 e Esfericidade de Bartlett com sig = 0,000), a amostra foi submetida à Análise Fatorial com método de extração de Análise de Componente Principal. Os resultados desse primeiro procedimento mostraram que a variável A02 apresentou comunalidade muito pouco representativa (0,120) e, portanto, essa variável foi retirada da análise. Os testes foram reexecutados, agora sem a variável A02, e resultaram em KMO = 0,657 e Esfericidade de Bartlett com qui-quadrado com valor de
v. 6 , n. 3 , Maio/Agosto – 2019 ISSN: 2319- 0639 http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/RBGI/index DOI: 10.18226/23190639.v6n3. considerado como limite aceitável (Hair, 2009), e pode ter os fatores nomeados da seguinte forma: F1-Colaboração para a cidade inteligente (F1 = 0,772 A05 + 0,754 A09 + 0,727 A10 + 0,469 A06 ); F2-Aplicabilidade do conceito (F2 = 0,807 A03 + 0,782 A01 ); F3-Engajamento da sociedade (F3 = 0,825 A08 + 0,602 A07 + 0,506 A04 ). Em uma quinta e última proposição, pediu-se aos pesquisadores que apresentassem livremente três palavras-chave que pudessem caracterizar ou que traduzisse a visão da cidade inteligente segundo o critério particular de cada respondente. Como forma de retratar os resultados obtidos para essa última proposição, uma ‘nuvem de palavras’ foi utilizada, como apresentado na Ilustração 10. Uma nuvem de palavras é uma forma de análise de dados que mostra, de forma diagramática a frequência com que determinadas palavras aparecem em um dado contexto (McNaught, & Lam, 2010). Nessa nuvem, as palavras que estão em maior destaque são as palavras com maiores ocorrências entre os respondentes. Figura 10 : Nuvem de palavras que caracterizam a cidade inteligente Fonte: Autor. Com essa nuvem é possível observar que temas como eficiência, sustentabilidade, qualidade de vida, tecnologia, inovação, serviços, informação, integração, mobilidade e segurança são os temas que, na visão dos respondentes, podem se configurar como chave para qualificar uma cidade como inteligente. São os efeitos a serem alcançados como decorrência
v. 6 , n. 3 , Maio/Agosto – 2019 ISSN: 2319- 0639 http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/RBGI/index DOI: 10.18226/23190639.v6n3. da aplicação das tecnologias como meio razoável para tal, sugerindo que a tecnologia por si não define o desenvolvimento das estruturas sociais e culturais, mas, ao contrário, partam dessa necessidade de desenvolvimento para a geração das inovações tecnológica. Os resultados obtidos a partir das cinco proposições levadas aos respondentes sugerem que, a despeito das pesquisas e avanços em tecnologias que esses respondentes pesquisadores têm feito, seus trabalhos buscam o bem-estar da sociedade, reforçando que a constituição das cidades inteligentes é um processo progressivo e permanente de convergência (Nam, & Pardo,
v. 6 , n. 3 , Maio/Agosto – 2019 ISSN: 2319- 0639 http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/RBGI/index DOI: 10.18226/23190639.v6n3. com o mínimo de qualidade ainda é uma expectativa. 5 Considerações finais O fenômeno da urbanização aliado às crescentes demandas da sociedade por serviços públicos em quantidade e qualidade razoáveis, a obsolescência das infraestruturas urbanas e as restrições cada vez maiores quanto à disponibilidade de recursos financeiros para modernização e gerenciamento são desafios que gestores públicos em nível municipal enfrentam no presente e também se configuram como desafios para o futuro próximo. Funcionando como um sistema de diferentes subsistemas particulares e integrados – educação, saúde, segurança pública, transportes e mobilidade, energia, água e saneamento, resíduos e rejeitos, espaços e prédios públicos, comunicação, lazer e cultura, entre outros – as cidades têm buscado enfrentar seus singulares desafios relacionados à eficiência na gestão e na transformação dos padrões da dinâmica e sustentabilidade urbanas. Esse cenário de enfrentamento a desafios exige abordagens inovativas para que, por meio do uso das TIC, as cidades se tornem mais inteligentes. Nesse sentido, as possibilidades de colaboração entre governos, iniciativa privada e academia tornam-se críticas para viabilizar o compartilhamento de conhecimentos, capaz de produzir proposições que visem ao estabelecimento de estratégias para o desenvolvimento econômico e a geração de oportunidades de prosperidade para as cidades. Sob essas perspectivas, esse trabalho teve por objetivo apresentar e discutir a agenda de pesquisas em TIC aplicáveis ao campo da gestão urbana com vistas à materialização das cidades inteligentes, tendo como fonte de dados os resultados de um levantamento realizado com 84 pesquisadores brasileiros e estrangeiros presentes à SPSAS-SC em 2017. Demonstrou-se que, para esses pesquisadores, áreas como mobilidade urbana e serviços sociais são as dimensões onde os pesquisadores mais empregam seus esforços e estudos para criar inovações em tecnologias como Big Data & Ciência de Dados, Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Buscou-se identificar qual conceito de cidade inteligente melhor se alinha aos entendimentos dos pesquisadores participantes. Nesse tocante, 49% dos respondentes se alinharam à definição proposta por Rudolf Giffinger e outros (Giffinger, 2007), 26% dos respondentes se identificaram com a proposição de Weiss (2016) e 25% à proposição de Hall e outros (Hall, 2000). Os pesquisadores convergiram quando consideram que o estabelecimento de cidades
v. 6 , n. 3 , Maio/Agosto – 2019 ISSN: 2319- 0639 http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/RBGI/index DOI: 10.18226/23190639.v6n3. inteligentes não deve ser encarado como um privilégio das grandes cidades; que as limitações em infraestrutura de computação e comunicação podem se configurar como impedimento para a materialização do conceito de cidades inteligente; que os investimentos em tecnologias de última geração não devem ser realizados em detrimento de investimentos em tecnologias mais elementares, como sistemas de informação para zeladoria pública, gestão integrada de saúde e educação, entre outros. Convergiram também ao considerarem que a formação e informação dos agentes públicos, o engajamento da comunidade, os aspectos culturais e históricos das cidades, o desenvolvimento do espírito empreendedor da comunidade, a participação do meio acadêmico e da iniciativa privada são aspectos críticos para o sucesso das iniciativas. Refletiu-se sobre a questão das cidades no Brasil que ainda representam significativos desafios quanto às suas questões sociais e de infraestrutura tecnológica em tempos de emergência das chamadas cidades inteligentes. A realização de cidades inteligentes requer abordagens pragmáticas que considerem, primariamente, como as cidades encaram e buscam resolver suas responsabilidades no que diz respeito às demandas da sociedade. As inovações em TIC que surgem a cada dia se configuram como vetores relevantes para o incremento da atividade social, extrapolando as fronteiras em proximidade geográfica e estabelecendo fronteiras virtuais de grande repercussão global. No contexto da aplicação dessas tecnologias no âmbito da gestão das cidades, é fundamental que sejam observadas características de interoperabilidade e de continuidade de desenvolvimentos, no sentido garantir que soluções robustas sejam implementadas e possam ser compartilhadas e permanentemente aperfeiçoadas em colaboração com os atores sociais de forma a atender suas necessidades presentes e futuras. De fato, importa ter os olhos voltados para o global, mas é imperativo pensar as cidades inteligentes a partir das realidades e necessidades locais: o “canto da sereia” da indústria de TIC não deve induzir administradores públicos a adquirir componentes tecnológicos que pouco ou nada vão contribuir para a criação de valor para os atores, principalmente para aqueles que têm maior dependência dos limitados serviços públicos e das questionáveis capacidades de gestão do poder público brasileiro; pessoas ou organizações apartadas da realidade da maioria das cidades brasileiras não deveriam ser suficientes para determinar os rumos de adoção de tecnologias apenas para realizar objetivos de negócios ou para buscar inserção no circuito de eventos e congressos de cunho comercial ou, desafortunadamente, científicos. A amostra de respondentes, embora não represente o universo dos estudos em curso em todos os cantos do planeta, se mostrou qualificada e os resultados se mostraram sugestivos