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Principais características da TENÍASE E CISTICERCOSE
Tipologia: Notas de estudo
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Aspectos epidemiológicos
O complexo teníase-cisticercose constitui o sério problema de saúde pública e sanitário. As precárias condições sanitárias, socioeconômicas e culturais contribuem para a contaminação e disseminação da doença, principalmente nos países pobres, onde pode não existir higiene básica além de problemas socioculturais. O parasitismo pelas tênias tem importância médica e econômica (pecuária, exportação de carnes e derivados).
A Taenia saginata é de distribuição mundial, com maior importância na África, América Latina e alguns países do Mediterrâneo, estima-se que, em todo o mundo, cerca de 50 milhões estejam infectadas com a Taenia solium ou Taenia saginata. O Brasil não está entre os países com alta endemicidade (prevalência >10%). A Tania solium é também de distribuição mundial. A América Latina é uma das regiões do mundo de maior endemicidade. No Brasil, a taxa de infecção de porcos é de grau médio.
*Os parasitos têm grande longevidade (25 anos: T. solium ; 30 anos: T. saginata ).
Classificação Taxonômica
Agentes Etiológicos
Classe: Cestoidae – CESTÓDEOS Ordem: Cyclophyllidea Espécie: Taenidae Taenia solium Taenia saginata
*A Teníase (verme adulto no intestino) pode ser causada pelos dois parasitas, porém a Cisticercose (larva ou ovos nos tecidos) só pode ser causada pela Taenia solium.
Teníase e Cisticercose
Teníase : É a contaminação intestinal no hospedeiro definitivo (homem) pela forma adulta da T. solium (proveniente de carne suína) ou T. saginata (proveniente de carne bovina).
Cisticercose : É a presença da larva da T. solium no tecido dos hospedeiros intermediários (gados e suínos) e no homem, mais comumente (sistema nervoso, tecido ocular, muscular e cardíaco).
Teníase e cisticercose são causadas pelo mesmo parasita, porém com uma fase de vida diferente. A teníase ocorre devido a presença de Taenia solium adulta ou Taenia saginata dentro do intestino delgado dos humanos, que são os hospedeiros definitivos; a cisticercose ocorre devido presença da larva (chamada popularmente de canjiquinha) que pode estar presente em hospedeiros intermediários, onde os mais comuns são os suínos e os bovinos, onde os humanos acidentalmente podem abrigar esta forma. São, portanto, duas fases distintas de um mesmo verme, causando duas parasitoses no homem, o que não significa que uma mesma pessoa tenha que ter as duas formas ao mesmo tempo.
A teníase provocada por Taenia solium é considerada não letal, todavia, sua etapa larvária pode provocar cisticercose mortal.
Morfologia
T. solium pode medir até 8m (em geral de 1,5m a 4m) e a T. saginata pode medir até 25m (em geral de 4m a 12m). Estão divido basicamente em três partes distintas:
Escólex : A cabeça ou escoléx das tênias é caracterizado por uma pequena expansão de tamanho aproximado de 1 mm na T. solium e 1 a 2 mm de diâmetro na T. saginata. A função desta região anatômica é a fixação do parasito na mucosa intestinal. Em número total de 4 ventosas em cada escoléx em ambas as espécies, seu formato é diferente em cada uma: a T. solium possui um rostelo situado entre as ventosas e este possui diversos acúleos; a T. saginata não possui rostelo e sua escoléx é quadrada.
Colo : Esta região é a parte mais fina do cestódeo. É caracterizada pela intensa formação celular. Onde crescem as novas proglotes.
Estróbilo : Depois do colo, é o restante do corpo do parasito, unindo os anéis jovens, maduros e gravídicos. Cada estróbilo formado é denominado de proglote ou anel. A Taenia solium pode ter de 800 a 1000 anéis com tamanho máximo de 3 m e a T. saginata pode ter mais de 1000 atingido o tamanho de 8 m.
Morfologia da Tênia: Escólex, colo e estróbilo.
Ovo e Cisticerco
Ovos : Os ovos de Taenia solium e T. saginata são praticamente iguais e não podem ser diferenciados. Medem 30 mm de diâmetro, e possuem uma casca feita de quitina que protege o embrião, chamado de hexacanto ou oncosfera. O embrião possui três pares de acúleos e é formado por membrana dupla.
Ciclo Evolutivo da Teníase
O ciclo de vida da teníase começa quando um ser humano infectado evacua em um local sem saneamento básico e libera para o meio ambiente ovos ou proglotes grávidas (segmento do corpo da tênia que contém órgãos reprodutores) misturados às fezes. Uma vez no solo, esse ovos de tênia podem sobreviver durante dias a meses, dependendo das condições climáticas. Vacas, no caso da T. saginata , e porcos, no caso da T. solium , tornam-se infectados pela ingestão de vegetação contaminada com ovos ou proglotes grávidas.
No intestino desses animais, o embrião da tênia liberta-se do ovo, invade a parede intestinal e consegue atingir a circulação sanguínea. Uma vez no sangue, o embrião viaja até vários órgãos, como cérebro, olhos, coração e músculos, onde se desenvolvem para a forma de cisticerco. O cisticerco contém cerca de 0,5 a 1 cm e pode sobreviver na musculatura de bovinos e suínos por muitos anos. Os seres humanos se infectam através da ingestão de carne crua ou mal cozida que contenham cisticercos. Após ser ingerido, ao chegar ao intestino humano, o cisticerco usa suas ventosas e ganchos para ficar aderido à mucosa. Uma vez estabelecido no intestino, o parasito consegue completar seu ciclo de vida, tornando-se um verme adulto dentro de 2 meses. A maioria das pessoas apresenta apenas uma única tênia, chamada de solitária, mas se houver ingestão de muitos cisticercos, é possível que o paciente desenvolva mais de um verme adulto ao mesmo tempo.
A tênia é um verme que possui órgãos sexuais masculinos e femininos em suas proglotes, podendo ficar grávida sem a necessidade de um parceiro, três meses após a ingestão da larva, inicia-se a eliminação de proglotes grávidas. A tênia possui cerca de 1000 proglotes (que podem produzir entre 50.000 e 100.000 ovos cada uma), que, ao ficarem grávidas, destacam-se do corpo do verme e são liberadas nas fezes, possibilitando a contaminação e iniciando o ciclo novamente.
Patogenia e Sintomatologia
Infecção no homem por mais de uma tênia da mesma espécie
Fenômenos tóxico alérgicos pela fixação da mucosa (hemorragias, destruição epitelial, inflamação, secreção de muco); Prejuízos na absorção de nutrientes (competição com a tênia) Tonturas, astenia (fraqueza), apetite excessivo, náuseas, vômitos alargamento do abdome, dores de vários graus e intensidade em diferentes regiões do abdome e perda de peso.
Ciclo Evolutivo da Cisticercose
A cisticercose humana inicia-se quando o indivíduo contaminado libera os ovos de Taenia solium nas fezes e, ele mesmo ou outros seres humanos, os ingerem acidentalmente, como nos casos de águas contaminadas ou manuseio de alimentos com a mãos não devidamente higienizadas após uma evacuação. Pessoas que moram na mesma casa de uma pessoa contaminada com Taenia solium são as que têm o maior risco de desenvolverem cisticercose.
Quando um indivíduo ingere acidentalmente os ovos da T. solium , o processo se dá de forma semelhante ao que ocorre nos porcos. Os ovos liberam o embrião do parasito dentro dos intestinos, o mesmo cai na corrente sanguínea e espalha-se pelo corpo do paciente, podendo chegar ao fígado, ao coração, aos pulmões e à outros órgãos de tropismo, inclusive o tecido nervoso. Se o ovo conseguir alcançar o cérebro, um cisticerco irá se desenvolver neste órgão, levando à neurocisticercose, a forma mais grave da doença.
A cisticercose só ocorre com a ingestão de ovos da Taenia solium. Os ovos da Taenia saginata não conseguem se transformar em cisticerco nos humanos, apenas nos bovinos.
Tratamento (Teníase e Cisticercose)
O tratamento é feito através de antiparasitários (por exemplo: Praziquantel e o Albendazol). Após o tratamento, pedaços da tênia podem permanecer sendo eliminados por vários dias. Após 3 meses, sugere-se novo exame parasitológico de fezes para confirmar a ausência de ovos nas fezes.
Além dos antiparasitários, indica-se também o uso de corticoides, como a dexametasona ou a prednisona, para amenizar o edema cerebral que ocorre pelo processo inflamatório gerado pela morte do cisticerco. Nos casos de cisticercose muscular ou na pele, o tratamento com medicamentos tem pouca eficácia. Em geral, sugere-se a retirada cirúrgica do cisticerco nos casos sintomáticos.
Profilaxia (Teníase e Cisticercose)
A profilaxia consiste na educação sanitária do homem para que não contamine o meio ambiente com fezes, faça uso de instalações sanitárias adequadas, lave as mãos após usar o sanitário e antes de manipular alimentos, em cozinhar bem as carnes e não consumir carnes mal cozidas e mal assadas, na fiscalização da carne e seus derivados (lingüiça, salame, chouriço,etc.) Na prevenção individual deve haver cuidados alimentares como congelar (-15 °C por 3 dias)e cozinhar bem a carne. Entre as medidas profiláticas, além do que já foi referido, deve também existir um bom saneamento básico, vermifugação dos rebanhos bovino e suíno (hospedeiros intermediários), deve-se congelar/irradiar as carnes e haver desparasitação massiva do hospedeiro definitivo.
Referências
WINKLER, Prof. Georgia. Helmintologia. SECRETARIA DE SAÚDE PR. (Teníose/Cisticercose) Aspectos Clínicos e Epidemiológicos. Disponível em: . Acesso em: 16 de Maio de 2018. ENFERMAGEM NA PARASITOLOGIA. Teníase e Cisticercose. Disponível em: . Acesso em: 16 de Maio de 2018. PINHEIRO, Dr. Pedro. Teníase e cisticercose – ciclo, sintomas e tratamento. Disponível em: . Acesso em: 16 de Maio de 2018. QUEVEDO, Karen. Teníase. Dispinível em: . Acesso em: 16 de Maio de 2018.