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Aulas detalhadas sobre a ciência da termodinâmica e fenômenos de transportes, abordando conceitos básicos como energia, propriedades termodinâmicas, pressão, densidade, calor e trabalho. Além disso, trata-se de conceitos relacionados aos processos isotérmicos, isobáricos, isométricos, isoentálpicos, adiabáticos e isoentrópicos.
Tipologia: Notas de estudo
Compartilhado em 29/08/2010
4.3
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Os princípios básicos das ciências térmicas estão incluídos na Termodinâmica, Mecânica dos Fluídos e Transferência de Calor.
Termodinâmica (algumas definições) :
a) é a ciência da energia e da entropia; b) é a ciência que trata do calor e do trabalho, e daquelas propriedades das substâncias relacionadas ao calor e ao trabalho; c) ciência que se preocupa com o estudo das transformações da energia e o relacionamento entre as várias grandezas físicas de uma substância afetadas por aquelas transformações energéticas.
A base da termodinâmica, como a de outras ciências é a observação experimental.
Mecânica dos Fluídos: estudo do comportamento dos fluídos em repouso ou em movimento.
Transferência de Calor: é a energia em trânsito devido a uma diferença de temperatura.
Exemplos a serem ilustrados em aula : ciclo motor (pág. 247, Van Wylen et al.), ciclo de refrigeração (pág. 283, Van Wylen et al.)
*******Energia:** conceito de difícil definição, tecnicamente pode ser entendido como : “capacidade de realizar trabalho” ou ainda “capacidade de realizações”.
1 .1. Conceitos e definições
Sistema termodinâmico: quantidade de massa e identidade fixas, sobre a qual nossa atenção é dirigida para o estudo. Os limites (ou fronteiras) do sistema podem ser fixos ou móveis e o tudo o mais externo é chamado vizinhança ou exterior. Calor e trabalho podem cruzar a fronteira do sistema.
Q (calor)
W (trabalho)
fronteira do Sistema
fronteira do sistema sistema
gá
Q (calor) s^ W (trabalho)
Volume de controle : é um volume arbitrário do espaço no qual pode haver fluxo de massa, calor e trabalho.
Propriedade : quantidade observável (quantificável) da substância.
Fase : quantidade de matéria totalmente homogênea
Estado : diferentes propriedades (temperatura, pressão, vol.específico, etc.) em que a substância pode estar em cada fase
Processo : caminho definido pela sucessão de estados através dos quais o sistema passa. E podem ser :
Desenho embolo :
admissão descarga
trabalho W motorr
calor Q
volume de controle
superfície de controle
compressor
Q (calor)
W (trabalho)
fronteira do Sistema
Massa – é a propriedade de um corpo que é a medida da sua inércia ou resistência à uma mudança no movimento. E’ também uma medida da quantidade de substância.
Peso – é a força com a qual um corpo é atraído na direção da terra pela gravidade.
1.2.1. Sistemas de Unidade
1.2.1.1. Sistema Intenacional SI : unidades básicas
Grandeza Definição básica Unidade SI Outras unidades usuais Comprimento metro [m] milímetro[mm];kilómetro[km] Tempo segundos[s] horas[h];minutos [min] Massa quantidade da substância
kilogramas [kg] N.s^2 /m
Força ou Peso “puxa” ou “empurra” um corpo
Newton [N] kg.m/s^2
Pressão Força/área [N/m^2 ] ou Pascal [Pa]
kilopascal [kPa]; bar
Energia Força x distancia N.m ou Joule [J] Kg.m^2 /s 2 Potência Energia/tempo N.m/s ou J/s Watt [W]; kW Volume (Comprimento)^3 m^3 litro[L] Área (Comprimento)^2 m^2 mm^2 Vazão Volume/tempo m^3 /s L/s ; L/min Fluxo de massa Massa/tempo kg/s kg/h Densidade Massa/volume kg/m^3 Ns 2 /m^4 Peso específico Peso/volume N/m^3 kg/m^2 .s 2
F = m a = kg.m/s 2 = Newton (uma força de 1 N aplicado a uma massa de 1 kg resultará numa aceleração de 1 m/ s 2 )
1.2.1.2. Sistema Gravitacional Inglês : unidades básicas
Grandeza Definição básica Unidade SI Outras unidades usuais Comprimento pés (”foot”) [ft] polegadas(“inches’)[in];milhas [mi] Tempo segundos[s] horas[h];minutos [min] Massa quantidade da substância
slug [lb-s 2 /ft]
Força ou Peso “puxa” ou “empurra” um corpo
libra (“pound”) [lb] kip [1000 lb]
Pressão Força/área [lb/ft 2 ] ou [psf] lb/in^2 [psi] Energia Força x distancia lb.ft lb.in Potência Energia/tempo lb.ft/s ou J/s cavalos (“horsepower”) [hp] Volume (Comprimento)^3 ft 3 galões (“gallon”)[gal]
Área (Comprimento)^2 ft 2 in^2 Vazão Volume/tempo ft 3 /s ou [cfs] gal/min[gpm] ; ft 3 /min [cfm] Fluxo de massa Massa/tempo slug/s lb/h; lb/min Densidade Massa/volume slug/ft 3 Peso específico Peso/volume lb/ft 3
Obs.: Slug – difícil compreensão
m = F/a = lb/ ft/ s^2
Tabela de Prefixos :
Prefixo Simbolo SI fator
giga G 10 9 mega M 106 kilo k 103 milli m 10 - micro μ 10 -
Ex.: 1kPa = 10^3 Pa = 1000 Pa (lembrando : Pascal, unidade de Pressão = N/m^2 )
g = 9,81 m/s 2 (sistema internacional SI) g = 32.2 ft/s^2 (sistema gravitacional Inglês ou sistema usual US )
1.3 - Lei Zero da Termodinâmica
Quando dois corpos tem a mesma temperatura dizemos que estão em equilíbrio térmico entre si. Podemos definir a lei zero da termodinâmica como:
" Se dois corpos estão em equilíbrio térmico com um terceiro eles estão em equilibrio térmico entre si ".
A lei zero da termodinâmica define os medidores de temperatura, os TERMÔMETROS.
Solução - Considere-se a escala dos dois Termômetros, Celsius e Fahrenheit como mostrado na figura
Interpolando linearmente as escalas entre a referência de gelo fundente e a referência de vaporização da água temos:
1.5. O contínuo
Na maioria das aplicações da Engenharia interessa-se pela média ou os efeitos macroscópicos do conjunto de numerosas moléculas, os quais podemos perceber e medir. O fluido é portanto tratado como uma substância que pode ser dividida ao infinito, num contínuo, sem se preocupar com o comportamento individual de suas moléculas.
∆V’ – valor mínimo que permite avaliar a densidade de um ponto
1.6. Pressão
Definição : força normal agindo sobre uma superfície por unidade de área desta superfície. A pressão num ponto é a relação entre a força normal e a área quando esta tende a um valor limite sempre contendo um ponto.
∆m ∆V
∆V’ ∆V
ρ
ρ = lim ∆m ∆VÆ ∆V’ ∆V
Dois princípios importantes sobre a pressão foram descritos por Blaise Pascal (século 17):
Fig.1.2 Mott Fig 1.3 Mott
Fig. : Pressão em um ponto
Fig. : Pressão agindo perpendicularmente às superfícies em : a) barragem e b) duto circular
1.6.1. Pressão absoluta e pressão medida
p
Po
Po Pressão absoluta
Pressão atmosférica
Pressão medida (manométrica)
Pressão atmosférica
Pressão medida negativa (vácuo)
Pressão absoluta
Volume específico : é o inverso da densidade
Peso específico : peso por unidade de volume de uma substância
Unidades : SI [N/m3] SGI [lb/ft^3 ]
Densidade específica : é a relação entre a densidade de uma substância com a densidade da água a 4 0 C.
ρesp = ρ fluido = γ fluido ρ água 4 oC γ água 4 o^ C
1.8. Propriedades de uma substância pura
1.8.1. Substância pura
Definição:
v =
m g V
s g
Ex. : processo de vaporização : pressão mantida constante a 101,35 kPa = 0,10135 Mpa (Ver tabela A 1 pag. 517 Van Wylen et al.)
Curva de pressão de vapor P
T
Líquido
Vapo r
1 2 3
água
T 1 = 20 oC
Q T 2 = 100 oC
a
água
b
T aumenta bastante V aumenta ligeiramente
P e T constantes V aumenta bastante
água
vapor vapor
T 3 > 100 oC
T aumenta V aumenta
vapor
T 2 = 100 oC T 2 = 100 oC
c
1.8.2. Equação de estado para a fase vapor de uma substância pura compressível simples
A partir de observações experimentais estabeleceu-se que o comportamento P- v – T dos gases a baixa massa específica é dado pela equação dos gases perfeitos :
P v = R T
onde: P pressão absoluta (manométrica + atmosférica) [Pa] v - volume molar específico [ m^3 /kmol] R – constante universal dos gases [8,3145 kJ/kmol-K] T – temperatura absoluta [K]= o^ C + 273,
Se dividirmos os dois lados pelo peso molecular M a equação de estado na base mássica fica :
P v = R T
onde R = R/M que é a constante para um gás particular.[J/kg-K] [N.m/kg-K] v= volume específico [m^3 /kg]
Ex.: Considere o ar atmosférico como um gás ideal e determine o volume específico e a densidade para a pressão atmosférica padrão na temperatura de 20 o^ C. ( adote a massa molecular do ar = 28,97 kg/kmol , R = 8 314 J/ kmol-K )
Solução
Para a hipótese de gás ideal temos:
A constante particular do gás é dada por:
logo, o volume específico será
A densidade é o inverso do volume específico, assim;
v
kg , m
P 1 (^) V 1 = mRT 1
P 2 (^) V 2 = mRT 2
2
2 2 1
1 1 T
Para um gás perfeito z=1 e o desvio de z em relação à unidade é uma medida do desvio da relação real comparada à equação de estado dos gases perfeitos.
z<1 - densidade real maior que a de um gás perfeito z>1 – densidade real menor que a de um gás perfeito
Do ponto de vista prático :
1- para pressões muito baixas P << Pcritica : comportamento de gás perfeito para qualquer temperatura; 2- para temperaturas elevadas T> 2Tcritica : comportamento de gás perfeito até da ordem de 4 a 5xPcritica; 3- T < Tcritica e P não muito baixa : vapor superaquecido desvio do comportamento do gás perfeito melhor usar tabelas. **** VER EXEMPLOS PAG 41 Van Wilen*****
Encontre o título de uma mistura líquido-vapor onde vl=0,00101[m^3 /kg] , vv=0, [m^3 /kg] e uma massa total de 2,0 kg e volume 0,01 m^3.
v = V/m = 0,01/2 = 0,005 [m^3 /kg]
v = vl + xv lv 0 , 00526 0 , 00101 0 , 938
v lv
v vl x
93,88% de vapor e 6,12% de líquido
2. Trabalho e Calor
2.1. Definição Trabalho
Trabalho : é usualmente definido como uma força F agindo através de um deslocamento x (na direção da força) :
Termodinamicamente um sistema realiza trabalho se o único efeito sobre o meio for equivalente ao levantamento de um peso ou ainda toda a energia em transito, não associada à transferência de massa, que não seja calor.
2
1
b) W não cruza a fronteira
a) W cruza a fronteira
equivalente
motor
bateria
ventilador
fronteira
motor
bateria
peso
polia
fronteira
motor
bateria fronteira
2.2. Trabalho realizado devido ao movimento de fronteira de um sistema compressível simples num processo quase estático
Como P é função de V essa integração somente pode ser efetuada se conhecermos a relação entre P e V
Ex: Movimento de um pistão
Solução gráfica :
Entretanto é possível ir do estado 1 ao estado 2 por vários caminhos :
1 2
gás
dL
retirando o peso menor
gás
δ = =
δ =
2
1
2
1
1 W 2 W PdV
W PAdL P dV
W Fdx
W PdV áreasobacurva
2
1
2
1
V2 (^) V
2
1
P
2
1
P
A
B
C
b a
V
Portanto : W depende do caminho => função de linha => diferencial inexata (δW)
Duas classes de soluções do problema :
1 – relação entre P e V é determinada experimentalmente ou em forma gráfica;
2 – relação entre P e V é dada em forma de equação e essa é integrada.
Ex.: Pág 57 do Van Wylen :
Um exemplo comum desse segundo tipo de relação é o caso de um processo
chamado politrópico, no qual P V n^ = cons tan te, através de todo o processo. O expoente
análise.
PV cons te P V P V P
cons te V
n n n n
n n
n = tan = = → = = = n
tan 1 1 2 2
1 1 2 2
Para esse tipo de processo, podemos integrar a Eq. 3.1-3, resultando em:
PdV cons te
dV V
cons te
n
cons te n n V^ V
n n n 1
2 1
2 1 1
2 2
1 1
1
− + tan tan ( ) tan^ ( −^ − )
n
PdV
n
n n n n 2 2 2
1 1 1 1
1 2 2 1 1 1
2 1 1
Note-se que este resultado é válido para qualquer valor do expoente n, exceto n =
PV = Constante = P 1 V 1 = P 2 V 2 , e portanto,
PdV P V
dV V
2 1
2 1 1
2 1
ln
Exemplo 4.1 do Van Wylen pág. 58.
2.3. Calor
Calor é uma forma de energia transferida através da fronteira do sustema numa dada temperatura a um outro sistema (ou meio) numa temperatura inferior, em virtude da diferença de temperatura entre os dois sistemas.