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Terraceamento UFLA, Notas de estudo de Engenharia Agronômica

Apostila Terraceamento

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 25/10/2010

domingos-sousa-loura-11
domingos-sousa-loura-11 🇧🇷

4.5

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Levantamento e Conservação do Solo
PRÁTICAS CONSERVACIONISTAS DE SOLOS E ÁGUAS
TERRACEAMENTO
O terraceamento é uma prática mecânica de conservação do solo destinada ao
controle da erosão hídrica, das mais difundidas e utilizadas pelos agricultores (Figura 1). O
terraceamento teve inicio no Estado de São Paulo, em meados da década de trinta. A grande
difusão desta prática ocorreu quando o Departamento de Engenharia Mecânica da
Agricultura (DEMA) e, posteriormente, a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral
(CATI), nos anos 1950 a 1980, planejaram, marcaram e orientaram a construção de milhares
de quilômetros de terraços com a finalidade de defender as terras cultivadas dos efeitos da
erosão (Bellinazzi Júnior et al., 1980).
Figura 1. Área com terraços de infiltração e suas faixas de proteção.
CARACTERÍSTICAS BÁSICAS
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PRÁTICAS CONSERVACIONISTAS DE SOLOS E ÁGUAS

TERRACEAMENTO

O terraceamento é uma prática mecânica de conservação do solo destinada ao controle da erosão hídrica, das mais difundidas e utilizadas pelos agricultores (Figura 1). O terraceamento teve inicio no Estado de São Paulo, em meados da década de trinta. A grande difusão desta prática ocorreu quando o Departamento de Engenharia Mecânica da Agricultura (DEMA) e, posteriormente, a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), nos anos 1950 a 1980, planejaram, marcaram e orientaram a construção de milhares de quilômetros de terraços com a finalidade de defender as terras cultivadas dos efeitos da erosão (Bellinazzi Júnior et al., 1980). Figura 1. Área com terraços de infiltração e suas faixas de proteção. CARACTERÍSTICAS BÁSICAS

O terraceamento baseia-se no parcelamento das rampas , isto é, em dividir uma rampa comprida (mais sujeita à erosão) em várias rampas menores (menos sujeitas à erosão), por meio da construção de terraços (Figura 2). Figura 2. Representação esquemática de uma área terraceada mostrando o parcelamento da rampa e a retenção das águas da enxurrada. Terraço é um conjunto formado pela combinação de um canal (valeta) e de um camalhão (monte de terra ou dique) (Figura 3) , construído a intervalos dimensionados, no sentido transversal ao declive, ou seja, construídos em nível ou com pequeno gradiente. Figura 3. Partes Componentes de um Terraço. Os terraços têm a finalidade de reter e infiltrar, ou escoar lentamente, as águas provenientes da parcela do lançante imediatamente superior, de forma a minimizar o poder erosivo das enxurradas cortando o declive. O terraço permite a contenção de enxurradas , forçando a absorção da água da chuva pelo solo, ou a drenagem lenta e segura do excesso de água. Cada terraço protege a faixa que está logo abaixo dele, ao receber as águas da faixa que está acima (Figuras 2 e 4). O terraço pode reduzir as perdas de solo em até 70-80%, e de água em até 100%, desde que seja criteriosamente planejado (tipo, dimensionamento), executado (locado, construído) e conservado (limpos, reforçados). Embora apresente custo elevado (e que aumenta com a declividade), esta prática é necessária em muitas áreas agrícolas onde técnicas mais simples (como o plantio em nível, as culturas em faixas ou a rotação de culturas), por si só, não são suficientes para uma eficaz proteção do solo contra a erosão hídrica.

Este terraço é construído em nível (sobre uma curva em nível marcada no terreno) e tem suas extremidades fechadas. A sua função é interceptar a enxurrada e promover a infiltração da água no canal do terraço. Os terraços construídos em nível não permitem um dimensionamento hidrológico muito preciso. A taxa de infiltração de água no canal do terraço, que é o princípio de seu funcionamento, ainda é um assunto muito pouco conhecido. Outro fator importante é que essa taxa de infiltração é muito variável e dependente do tipo do solo, da forma de construção do terraço, do preparo do solo, do grau de compactação do solo e da sua umidade. Em decorrência disto, o dimensionamento de terraços de infiltração com base em critérios hidrológicos ainda não consiste numa prática rotineira.  TERRAÇO EM DESNÍVEL (COM GRADIENTE, DE DRENAGEM, COM DECLIVE OU DE ESCOAMENTO) : recomendado para solos com permeabilidade lenta ou moderada (B textural e solos rasos), regiões de precipitações elevadas e de até 20% de declividade. É um terraço que apresenta declive suave, constante (uniforme) ou variável (progressivo), com uma ou as duas extremidades abertas. Os terraços de drenagem interceptam a enxurrada e, ao invés de promover a sua infiltração no canal do terraço, conduzem-na para um sistema de escoamento que pode ser uma grota vegetada ou um canal escoadouro, sem que haja erosão no leito do canal. Em alguns tipos de solos bastante permeáveis, como alguns Latossolos Vermelhos argilosos, consegue-se, às vezes, dispensar com segurança os canais escoadouros, mediante o emprego de práticas mecânicas (como terraceamento de infiltração) e vegetativas que produzam quase a retenção completa das águas da chuva. Nos terraços de drenagem, os princípios hidrológicos envolvidos no dimensionamento são mais bem conhecidos e mais simples do que nos terraços de infiltração. No quadro 1 são apresentados os valores de declividade recomendados para grupos diferentes de solos, ao longo de terraços locados com gradiente progressivo. Quadro 1. Valores de declividade recomendados (%) para três grupos de solos, ao longo de terraços locados com gradiente progressivo.

Comprimento do terraço (m) Grupos de solos Nitossolos Vermelhos Arenosos Argilosos 0 - 100 0,00 0,05 0, 100 - 200 0,05 0,12 0, 200 - 300 0,10 0,20 0, 300 - 400 0,15 0,26 0, 400 - 500 0,20 0,35 0, 500 - 600 0,25 0,42 0, 600 - 700 0,30 0,50 -- 700 - 800 0,35 -- -- Fonte: Bertoni e Lombardi Neto (1990). QUANTO À LARGURA DA BASE OU FAIXA DE TERRA MOVIMENTADA: Refere-se à largura da faixa de movimentação de terra para a construção do terraço, incluindo o canal e o camalhão.  TERRAÇO DE BASE ESTREITA OU CORDÃO DE CONTORNO

  • faixa movimentada de até 3 metros;
  • uso em declividades de 12-18% ou mais,
  • em áreas pequenas e culturas perenes;
  • normalmente do tipo Nichol’s;
  • possibilita o uso de máquinas no plantio, dentro do canal e sobre o camalhão;
  • normalmente construído em nível; Figura 7. Terraço de base larga.

QUANTO AO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO:

 TIPO NICHOL’S OU CANAL:

  • movimentação de terra sempre de cima para baixo na rampa;
  • estreita faixa de movimentação do terreno;
  • indicado para declives inferiores a 18%;
  • seção transversal do canal: aproximadamente triangular ;
  • implementos utilizados: arado reversível, pá carregadeira;
  • pode ser construído com arado quando a declividade é >10%;
  • a faixa do canal não pode ser aproveitada para o cultivo; Figura 8. Terraço tipo Nichol’s ou canal.

Figura 10. Terraço comum.  TERRAÇOS TIPO PATAMAR É construído através da movimentação de terra com cortes e aterros, que resultam em patamares em forma de escada. A plataforma do patamar deve apresentar pequena inclinação com direção ao seu interior e um pequeno dique, a fim de evitar o escoamento de água de um terraço para outro, o que poderia provocar erosão no talude. Figura 11. Terraço tipo patamar. No patamar deve ser plantada a cultura, e o talude deve ser recoberto com vegetação rasteira, desde que não seja invasora, para manter sua estabilidade. Em solos pouco permeáveis esse tipo de prática não é recomendada. É construído manualmente ou com trator de esteira equipado com lâmina frontal. Em virtude do alto custo de construção, é normalmente recomendado para exploração de culturas de alta rentabilidade econômica.

Pode ser contínuo (semelhante a terraços) ou descontínuo (banquetas individuais). É indicado para terrenos acima de 20% de declividade.  TERRAÇOS TIPO BANQUETAS INDIVIDUAIS Quando o terreno apresenta obstáculos ou afloramentos de rochas ou existe deficiência de máquinas ou implementos para construção do terraço tipo patamar, pode ser utilizada uma variação deste tipo de terraço, chamada de banquetas individuais ou patamar descontínuo. Figura 12. Terraço tipo banquetas individuais. São bancos construídos individualmente para cada planta, onde a movimentação de terra se dá apenas no local onde se vai cultivar, indicados para culturas perenes. As ferramentas empregadas são manuais: enxada e enxadão, porque são construídas em áreas com declividade bastante acentuada, sendo impraticável o uso de máquinas. Inicialmente, retira-se toda a camada superior mais fértil que é amontoada ao lado da área onde vai ser construída a banqueta. Em seguida faz-se o corte no barranco e aproveita-se a terra retirada no corte para fazer o aterro. Da mesma forma que o patamar, acerta-se a superfície da plataforma com ligeira declividade no sentido inverso ao da declividade original do terreno. Vegeta-se com gramas a parte de aterro para melhor estabilidade e, finalmente, espalha-se a terra raspada da superfície a fim de conservar a fertilidade da banqueta.

Apresenta pequena área inutilizada para o plantio, sendo construído normalmente, com motoniveladora ou trator de lâmina frontal. Figura 14. Terraço tipo embutido. SELEÇÃO DO TIPO E FUNÇÃO DO TERRAÇO A decisão de quando se utilizar terraço em nível e quando utilizar terraço com gradiente, deve considerar as vantagens e desvantagens que apresentam, conforme o quadro 2. Quadro 2 Vantagens e desvantagens dos terraços em nível e com gradiente. TIPO DE TERRAÇO

VANTAGENS DESVANTAGENS

Em nível - Armazenam água no solo;

  • Não necessitam de locais para escoamento do excesso de água
    • Maior risco de rompimento;
    • Exigência de limpezas mais freqüentes; Com gradiente - Menor risco de rompimento - Desvio da água caída sobre a gleba;
  • Necessidade de locais apropriados para escoamento da água;
  • Maior dificuldade de locação.

Além das vantagens e desvantagens relacionadas aos terraços em nível e com gradiente, também devem ser considerados outros fatores para a seleção do tipo a ser utilizado, como: permeabilidade do solo e do subsolo, intensidade das chuvas, topografia, cultura (anual ou perene), manutenção e outros custos em longo prazo. Quadro 3. Tipos de terraços recomendados em função da declividade do terreno 18 – 50 Em patamar 12 – 18 Base estreita 8 – 12 Base média 2 – 8 Base larga Declividade (%) Tipo de terraço recomendado 18 – 50 Em patamar 12 – 18 Base estreita 8 – 12 Base média 2 – 8 Base larga Declividade (%) Tipo de terraço recomendado DIMENSIONAMENTO DE UM SISTEMA DE TERRACEAMENTO O dimensionamento de um sistema de terraceamento considera, inicialmente, o objetivo a que se propõe o sistema: Para infiltração da água ou para seu escoamento. Esta decisão, tomada em função de características relacionadas, principalmente, às condições de declividade e de permeabilidade do solo, leva à construção de um sistema de terraços em nível, para infiltração, ou em gradiente, para escoamento do excedente da água da chuva. No entanto, para ambas as situações, o dimensionamento do sistema é feito em função de seu potencial em gerar enxurradas quando da ocorrência de chuvas intensas. Dessa maneira, verifica-se que o cálculo da quantidade de enxurrada é o ponto crucial para o dimensionamento. Um sistema de terraceamento deve ser locado em um local protegido (natural ou artificialmente) da introdução de água que não aquela efetivamente caída sobre o local considerado. Desta maneira, o sistema de terraceamento deverá ser implementado em uma área delimitada por divisores de água naturais (microbacia) ou protegido por um sistema de derivação (diversão).

CÁLCULO DO ESPAÇAMENTO VERTICAL

O espaçamento vertical pode ser calculado por várias fórmulas, porém a mais utilizada no Brasil é a equação proposta por Bertoni (1978): (1) onde: EV = espaçamento vertical entre terraços, em metros; D = declive do terreno, em porcentagem; Kt = índice de erosão, variável para cada tipo de solo (tabelado). u = fator de uso do solo (tabelado); m = fator de preparo do solo e manejo de restos culturais (tabelado); Para a o cálculo do espaçamento vertical de terraços por meio da equação (1) foram adotados critérios referentes a: solo ; uso da terra ; preparo do solo e manejo do restos culturais e declividade , que serão detalhados a seguir.

  • SOLO Estabeleceram-se quatro grupos de solos (Quadro 4), com base no índice Kt de Bertoni et al. (1978), para serem aplicados na equação (1). Quadro 4 Grupos de solos com base no índice de potencial erosivo (Kt). Grupo de solo Índice Kt A 1, B 1, C 0, D 0, Os solos foram reunidos nesses grupos de acordo com suas propriedades e características, conforme especificado no quadro 5 e 6. A seguir, um exemplo de interpretação dos solos pertencentes ao grupo A. Exemplo: Solos do Grupo A, valor de Kt = 1, São solos com alta taxa de infiltração, mesmo quando completamente molhados, com alto grau de resistência e de tolerância à erosão. São profundos ou muito profundos, porosos

com baixo gradiente textural (relação textural menor do que 1,20), de textura média, argilosa ou mesmo muito argilosa, desde que a estrutura proporcione alta macroporosidade em todo o perfil, resultando em solos bem drenados ou excessivamente drenados. A permeabilidade das camadas superficial/subsuperficial deve ser rápida tanto na camada superficial como na subsuperficial (1/1) ou pelo menos moderada na camada superficial e rápida na subsuperficial (2/1), porém a textura da camada não deve ser arenosa. Solos: LR, LE , LVE, LH, LVA.

Quadro 6. Agrupamento de solos segundo suas propriedades, características e resistência à erosão. Grupo Grupo de Resistência à erosão Profundidade (m) Permeabilidade Textura Razão textural Exemplo Índice Kt A Alto Muito profundo (>2 m) ou profundos (1 a 2m) Rápida a moderada ou moderada/rápida Média/média m.argilosa/m.argilo sa argilosa/argilosa

LR, LE,

LV, LH,

LVa

B Moderado Profundos (1 a 2m) Rápida/rápida moderada/moderada Moderada/moderada Arenosa/arenosa Arenosa/média Arenosa/argilosa Argilosa /m.argilosa

PV, PL,

TE, PVLs, R, RPV, RLV,

C Baixo Profundos (1 a 2m) a moderadamente profundos (0.5 a 1.0 m) Lenta/rápida lenta/moderada rápida/moderada Arenosa/média Média/argilosa Arenosa/ Argilosa arenosa /m.argilosa

Pml, PVp PVls, PVLs,

D M. baixo Moderada- mente profundos (0,5 a 1m) ou rasos (0.25 a 0.5 m) Rápida, moderada ou lenta sobre lenta Muito variável variável Li, Pv

• USO DA TERRA

Os efeitos de diferentes culturas anuais nas perdas por erosão mostram a influência da vegetação de diferentes densidades de cobertura no processo erosivo. Baseados nesses dados, as principais culturas desenvolvidas foram reunidas em sete grupos, recebendo cada grupo um índice a ser utilizado como o fator de uso da terra (índice u) na equação 1 (Quadro 7). Quadro 7 Grupo de culturas e seus respectivos índices de uso da terra (u). Grupo Culturas Índice u 1 Feijão, mandioca e mamona 0. 2 Amendoim, algodão, arroz, alho, cebola, girassol e fumo 0. 3 Soja, batatinha, melancia, abobora, melão e leguminosas para adubação verde

4 Milho, sorgo, cana-de-açúcar, trigo, aveia, centeio, cevada, outras culturas de inverno, e frutíferas de ciclo curto

5 Banana, café, citros e frutíferas permanentes 1. 6 Pastagens e/ou capineiras 1. 7 Reflorestamento, cacau e seringueira 2.

  • PREPARO DO SOLO E MANEJO DOS RESÍDUOS CULTURAIS As antigas tabelas e fórmulas para o cálculo do espaçamento entre terraços não consideravam o sistema de preparo e o manejo dos restos culturais, o que resultava em grande proporção de insucesso no uso do terraceamento. São vários os trabalhos de pesquisa que demonstram os efeitos de diferentes sistemas de preparo e manejo dos resíduos no controle da erosão. Considerando os diferentes tipos de manejo dos restos culturais e os equipamentos mais comuns utilizados na agricultura, reuniram-se estes fatores em cinco grupos, sendo que cada grupo recebe um valor que é empregado como índice de manejo (índice m) na equação 1 (Quadro 8).