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Território e Territorialidade, Trabalhos de Geografia Política

Estudo dirigido sobre conceitos de Território e de Territorialidade

Tipologia: Trabalhos

2020

Compartilhado em 24/01/2020

Alix-Gabriel
Alix-Gabriel 🇧🇷

4.8

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5 documentos

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Instituto de Geociências
Curso de Geografia
Disciplina: Geografia Política
Turma: 2019.2
Professor: Ivaldo Lima
Alix Gabriel - 117003019
Território e Territorialidade
No presente ensaio, a título de sistematização das principais ideias debatidas
acerca dos conceitos de território e territorialidade baseadas na referência
bibliográfica trabalhada ao longo da disciplina, objetiva-se sintetizar a concepção
mais adequada aos estudos geográficos contemporâneos.
Em seu dicionário técnico de Geografia, Moraes (1989) recorre a definições
clássicas do que vem a ser o conceito de território, diferenciando basicamente uma
abordagem ratzeliana fundamentada na noção de posse e domínio de uma porção
do espaço em oposição à abordagem marxista definida não pelo domínio, mas pelo
uso do espaço, ou seja, que considera que “é a apropriação (...) e não a propriedade
que o credencia” (op. cit.). É desta segunda abordagem que o autor aponta que o
conceito de território vem sendo retomado na discussão geográfica atual pela
Geografia Crítica, como em Milton Santos por exemplo, centrada no território numa
perspectiva de formação social e de produção do espaço.
Santos (1996) ratifica essa concepção em “O retorno do território” ao afirmar
que “é o uso do território, e não o território em si mesmo, que faz dele objeto de
análise social” (p. 15), numa referência ao retorno desse conceito às discussões
centrais da Geografia a partir de fins do último século, demonstrando o equívoco que
consistia em teorizar tal conceito ao longo do século XX com bases na
“entronização” da noção jurídico-política de território na figura do Estado-Nação.
Mais adiante Santos (2001) retoma a ênfase de que o que caracteriza o território é
seu uso em um ensaio com título não menos evidente, “A questão: o uso do
território”, em que equipara território usado a espaço geográfico como sinônimos,
visto que dessa maneira um esforço de análise sistemática voltada para a
constituição do território enquanto processo social.
Souza (1995) reforça a crítica à noção reducionista do conceito de território
restrito à escala do território nacional gerido pela figura do Estado, demonstrando
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Instituto de Geociências Curso de Geografia Disciplina: Geografia Política Turma: 2019. Professor: Ivaldo Lima Alix Gabriel - 117003019

Território e Territorialidade

No presente ensaio, a título de sistematização das principais ideias debatidas acerca dos conceitos de território e territorialidade baseadas na referência bibliográfica trabalhada ao longo da disciplina, objetiva-se sintetizar a concepção mais adequada aos estudos geográficos contemporâneos. Em seu dicionário técnico de Geografia, Moraes (1989) recorre a definições clássicas do que vem a ser o conceito de território, diferenciando basicamente uma abordagem ratzeliana fundamentada na noção de posse e domínio de uma porção do espaço em oposição à abordagem marxista definida não pelo domínio, mas pelo uso do espaço, ou seja, que considera que “é a apropriação (...) e não a propriedade que o credencia” (op. cit.). É desta segunda abordagem que o autor aponta que o conceito de território vem sendo retomado na discussão geográfica atual pela Geografia Crítica, como em Milton Santos por exemplo, centrada no território numa perspectiva de formação social e de produção do espaço. Santos (1996) ratifica essa concepção em “O retorno do território” ao afirmar que “é o uso do território, e não o território em si mesmo, que faz dele objeto de análise social” (p. 15), numa referência ao retorno desse conceito às discussões centrais da Geografia a partir de fins do último século, demonstrando o equívoco que consistia em teorizar tal conceito ao longo do século XX com bases na “entronização” da noção jurídico-política de território na figura do Estado-Nação. Mais adiante Santos (2001) retoma a ênfase de que o que caracteriza o território é seu uso em um ensaio com título não menos evidente, “A questão: o uso do território”, em que equipara território usado a espaço geográfico como sinônimos, visto que dessa maneira há um esforço de análise sistemática voltada para a constituição do território enquanto processo social. Souza (1995) reforça a crítica à noção reducionista do conceito de território restrito à escala do território nacional gerido pela figura do Estado, demonstrando

que tal conceito é muito mais amplo e se aplica a fenômenos de diversas escalas espaciais, da local à transnacional, e temporais, de horas a séculos. No decorrer de seu levantamento sobre o histórico do conceito, o autor aponta que por muitas vezes na tradicional Geografia Política “o território surge (...) como o espaço concreto em si (com seus atributos naturais e socialmente construídos) que é apropriado, ocupado por um grupo social” (p. 84) e que por isso os termos espaço e território tenham sido usados sem distinção, desfocando o caráter político deste. Partindo então de um fundamento basilar da Geografia Política de Ratzel, cuja noção de territorialidade está intrinsecamente imbricada ao terreno físico que sustenta o Estado-Nação em uma abordagem naturalizante, Souza (op. cit) busca explicitar o equívoco de tal visão que tanto perdurou ao longo do século XX, o que o leva a conclusões díspares dessa linha em que descola o território da rigidez de escala estatal e nacional em direção à efemeridade e a flexibilidade das territorialidades dos diversos grupos sociais, de seus usos e práticas, contudo chegando a um certo exagero de definir que “territórios (...) são no fundo antes relações sociais projetadas nos espaço que espaços concretos” (p. 87). Nessa conclusão, Souza (op. cit.) e Raffestin (1993) se aproximam em certa medida ao se preocuparem de certa forma que o território surge a partir do espaço original e primeiro, no caso de Souza ao afirmar que os espaços concretos não são mais que os substratos materiais das territorialidades. Essa é uma discussão conceitual da qual Santos (2001) diverge, garantindo não se tratar de uma concepção relevante à noção do território, sendo secundária diante da relevância da territorialidade, isto é, do sentimento de pertencimento de grupos em relação ao espaço antes mesmo que se estabeleçam territórios diante seja da concomitância efêmera dos mesmos a variar do tempo de uso, seja das tensões de poder entre si, que permitem que determinado território se sobreponha a outros, mas que não apague daí as diversas territorialidades associadas. Novamente Souza (op. cit.) exemplifica bem essa possibilidade de convivência de territorialidades efêmeras e flexíveis ao apontar que diferentes territórios podem se alternar ciclicamente no tempo como territórios de prostituição, já outros em constante conflito territorial em busca por autonomia e delimitação de áreas de influência e controle, como o tráfico. Raffestin (op. cit.), cuja publicação original data de 1980, ressalta em sua concepção que “território se forma a partir do espaço, é o resultado de uma ação

Bibliografia ● MORAES, Antonio Carlos R. O que é? 1 - Território. 1989. ● RAFFESTIN, Claude. O que é o Território? In: ______. Por uma Geografia do Poder. São Paulo: Ática, 1993. pp. 143 - 163. ● SACK, Robert. Human Territoriality. Cambridge: Cambridge Univ. Press, 1986. ● SANTOS, Milton. O retorno do território. In: ______ et alli (orgs). Território, globalização e fragmentação. São Paulo: Hucitec, 1996. pp. 15 - 20. ● ______ et SILVEIRA, Maria Laura. A questão: O uso do Território. In: ______. O Brasil: Território e Sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001. pp. 19 - 21. ● SOUZA, Marcelo J. L. O Território: sobre espaço e poder, autonomia e desenvolvimento. In: CASTRO, Iná. et al. Geografia: Conceitos e Temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995. pp. 77 - 116.