Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


tese ruy com licenca, Teses (TCC) de Cultura

Tese doutoral defendida em dezembro de 2008, tendo como orientador o Prof. Dr. José Armando Valente.

Tipologia: Teses (TCC)

2012

Compartilhado em 28/09/2012

ruy-ferreira-3
ruy-ferreira-3 🇧🇷

5

(5)

5 documentos

1 / 200

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
TESE DE DOUTORADO
INTERATIVIDADE EDUCATIVA EM MEIOS
DIGITAIS: UMA VISÃO PEDAGÓGICA
RUY FERREIRA
Sob a orientação do Prof. Dr. José Armando Valente
2008
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff
pf12
pf13
pf14
pf15
pf16
pf17
pf18
pf19
pf1a
pf1b
pf1c
pf1d
pf1e
pf1f
pf20
pf21
pf22
pf23
pf24
pf25
pf26
pf27
pf28
pf29
pf2a
pf2b
pf2c
pf2d
pf2e
pf2f
pf30
pf31
pf32
pf33
pf34
pf35
pf36
pf37
pf38
pf39
pf3a
pf3b
pf3c
pf3d
pf3e
pf3f
pf40
pf41
pf42
pf43
pf44
pf45
pf46
pf47
pf48
pf49
pf4a
pf4b
pf4c
pf4d
pf4e
pf4f
pf50
pf51
pf52
pf53
pf54
pf55
pf56
pf57
pf58
pf59
pf5a
pf5b
pf5c
pf5d
pf5e
pf5f
pf60
pf61
pf62
pf63
pf64

Pré-visualização parcial do texto

Baixe tese ruy com licenca e outras Teses (TCC) em PDF para Cultura, somente na Docsity!

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

FACULDADE DE EDUCAÇÃO

TESE DE DOUTORADO

INTERATIVIDADE EDUCATIVA EM MEIOS

DIGITAIS: UMA VISÃO PEDAGÓGICA

RUY FERREIRA

Sob a orientação do Prof. Dr. José Armando Valente

iii

RESUMO

na intersecção^ A tese trata do conceito de do conceito de facilitação^ Interatividade Educativa pedagógica da^ Teoriasob a fundamentação dada da Aprendizagem Significativa de David Ausubel eTeoria Sócio-Histórica. A pesquisa, realizada numa abordagem sistêmico-relacional, tratou interação/mediação proposta por Lev Vygotski, em sua da influência do conceito dee emprego de conteúdos educativos em meios digitais de ensino e aprendizagem. Como Interatividade Educativa quando do planejamento, elaboração objetivo principal buscou-se definir interatividade educativa quando a oferta de conteúdos curriculares se der em mídia digital e submeter o modelo a uma ação pedagógica intentandovalidá-lo. Tem como objetivos intermediários: 1) Analisar a literatura sobre interatividade, nosinteratividade educativa na ação pedagógica realizada em meio digital; 3) Refletir sobre o campos da Computação, Comunicação e Pedagogia; 2) Definir conceitualmente emprego de meios digitaisinteratividade educativa; 4) e sobreConfrontar o papel do professor a o modelo proposto compartir da a realidade concepção de escolar buscando pontos fortes e fracos capazes de validá-lo ou não. Os métodos utilizados foram a pesquisa teórica de cunho bibliográfico, por meio de um exaustivo processo de análise,reflexão, crítica e síntese, associado a uma pesquisa-ação que aplica a definição proposta em uma situação pedagógica. Os resultados obtidos até o momento, por meio da análise damatriz SWOT realizada pelos participantes da pesquisa-ação, determinam qualitativamente a validade do modelo ao indicar pontos fortes coincidentes com sua finalidade, destacandoentre outros: Capacidade pedagógica; Processo avaliativo; e Adequação ao dispositivo pedagógico de formação.

Palavras-Chaves: Interatividade Educativa; Mídia; Meio Digital; Teoria da Aprendizagem Significativa; Teoria Sócio-Histórica.

iv

ABSTRACT

The thesis aims to define Educational Interactivity, based on the concepts of instructional interaction/mediation strategies proposed by Lev Vygotski’s Sociohistorical Theory. The research, from David Ausubel´s Theory of Meaningful Learning and developed according to the systemic-relational approach, investigates the influence ofEducational Interactivity concept on planning, elaboration and use of educational contents in digital media to be used in teaching and learning contexts. The main objective is toestablish a formal model for the Educational Interactivity concept in the context of elaboration of didactic contents to be used with digital media and to validate this model in a pedagogical activity. The intermediary objectives are to 1) study the literature related tointeractivity, in the areas of computing, communication and pedagogy; 2) define Educational Interactivity conceptually related to pedagogical activity developed throughdigital media; 3) Reflect on the use of digital media and on the teacher’s role related to the Educational Interactivity concept; 4) Confront the proposed model with the school reality,looking for strong and weak points in order to be able to validate this model. The methods used were bibliographical research, through an extensive process of analysis, reflection, criticism and synthesis, and an action-research approach applying the proposed model in apractical pedagogical situation. The results obtained by means of the SWOT analysis, conducted by the participants of the action-research, show the qualitative validity of themodel highlighting aspects such as Pedagogical Capacity, Evaluation Process and Pedagogical Suitability related to the model purpose. Key-words : Educational Interactivity, Media, Digital Media, Meaningful Learning Theory, Socio-historical Theory.

vi

AGRADECIMENTOS

Agradeço àqueles que nunca me deixaram só!

  • José Armando Valente , mestre, amigo, condutor seguro e fraterno, um sábio.
  • Jorge Megid Neto , mestre e amigo, presente nos momentos de dor e de alegria.
  • Hermes Renato Hildebrand , mestre fraterno, com visão a frente de seu tempo.
  • Romero Tavares da Silva , mestre, esteio seguro, amigo e poeta.
  • Ricardo Antunes de Sá , educador, amigo e parceiro fiel de jornadas difíceis.
  • Marly Gasparin Barão , amiga e eterna mestra da Língua Portuguesa.
  • Suely de Brito Clemente Soares , parceira e ombro amigo, irrestrito e competente.
  • Aos anônimos estudantes do Programa de Pós-graduação em Educação , da Unicamp, pelo auxílio nos momentos de atribulações.
  • Aos professores do programa , aqui representados por Vicente Rodriguez, pelos ensinamentos oferecidos e companheirismo a toda prova.
  • Aos técnico-administrativos que mantiveram aberto o caminho tortuoso trilhado.

Com eles a interatividade foi educativa.

vii

SUMÁRIO

RESUMO iii ABSTRACT DEDICATÓRIA ivv AGRADECIMENTOS SUMÁRIO viivi LISTA DE QUADROS LISTA DE FIGURAS viiiix

1. INTRODUÇÃO 1.1 CARACTERIZAÇÃO DO TEMA (^) 1013 1.2 OBJETIVOS DA TESE 15 1.3 METODOLOGIA 2. INTERAÇÃO E FACILITAÇÃO PEDAGÓGICA (^) (^1526) 2.1 A PROBLEMÁTICA DO TEMA 26 2.2 INTERAÇÃO NA VISÃO DE LEV SEMINOVITCH VYGOTSKI 2.3 FACILITAÇÃO PEDAGÓGICA NA VISÃO DE DAVID AUSUBEL (^3035) 3. INTERATIVIDADE 3.1 A GÊNESE DA INTERATIVIDADE (^) 5454 3.2 MODELOS, TAXONOMIAS E TIPOLOGIAS 3.3 MODELO SISTÊMICO-RELACIONAL DE INTERAÇÃO (^6887) 3.4 INTERAÇÃO VERSUS INTERATIVIDADE? 91 4. MEIOS DIGITAIS 4.1 ANALÓGICO VERSUS DIGITAL (^) 9595 4.2 MÍDIA DIGITAL, MULTIMÍDIA? 4.3 QUAIS MEIOS DIGITAIS? 10297 4.4 PLANEJAR O ENSINO COM MEIOS DIGITAIS 5. CONTEÚDOS E INTERATIVIDADE (^114122) 5.1 SEDIMENTAÇÃO PEDAGÓGICA 5.2 INTERATIVIDADE 122138 5.3 CONTEÚDOS E INTERATIVIDADE EM MEIOS DIGITAIS 142 5.4 INTERATIVIDADE EDUCATIVA EM MEIOS DIGITAIS 6. APLICAÇÃO DO MODELO DE INTERATIVIDADE EDUCATIVA 153 NUMA EXPERIÊNCIA ESCOLAR

6.1 O PROGRAMA DE INCLUSÃO DIGITAL 6.2 O DISPOSITIVO EM AÇÃO 163169

6.3 ANÁLISE DO DISPOSITIVO 174

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS^182185

ix

  • Quadro 1 – Conceitos de interação LISTA DE QUADROS
  • Quadro 2 – Conceitos de interatividade 66-
  • Quadro 3 – Cubo da Interatividade
  • Quadro 4 – Taxonomia da interatividade 81-
  • Quadro 5 – Comparação entre as interações mútua e reativa 89-
  • Quadro 6 - Resumo das tipologias/modelos de interatividade
  • Quadro 7 - Questionário consolidado de pontos fortes e pontos fracos 177-
  • Quadro 8 - Matriz de Análise SWOT 178-
  • Figura 1 - Lei da Dupla Formação LISTA DE FIGURAS
  • Figura 2 – Diagrama da geral de aprendizagem
  • Figura 3 – Seqüência da Aprendizagem Significativa e Mecânica 38-
  • Figura 4 – Modelo de permutabilidade-potencialidade
  • Figura 5 – Modelo de acoplamento estrutural
  • Figura 6 – O modelo de Shannon-Weaver
  • Figura 7 – O modelo de Laurel
  • Figuras 8 – Variáveis para estudo da Interatividade
  • Figura 9 – Modelo Interdisciplinar de Interatividade
  • Figura 10 – Lei da Interatividade mercadológica
  • Figura 11 – Modelo antropomórfico
  • Figura 12 – Sistema estático
  • Figura 13 – Sistema dinâmico passivo
  • Figura 14 – Sistema dinâmico interativo
  • Figura 15 – Sistema dinâmico interativo variado
  • Figura 16 – Exemplo de Diagrama de Contexto
  • Figura 17 – Esboço de um sistema educativo qualquer em meio digital
  • Figura 18 – Modelo para a Interação Mútua
  • Figura 19 – A construção do significado na visão de César Coll
  • Figura 20 – Origem semântica de interação e interatividade
  • Figura 21 – Transposição do sistema dinâmico interativo variado
  • Figura 22 – Sistema dinâmico interativo variado na aprendizagem
  • Figura 23 – Modelo proposto de interatividade educativa

“Se desejarmos chegar a lugares onde ainda não estivemos devemos ousar passar por caminhos que ainda não trilhamos”. (M. Ghandi, 1984)^1

1. INTRODUÇÃO

Neste capítulo situa-se a trajetória profissional do autor, o tema é caracterizado, o problema, a hipótese, os objetivos e a metodologia são apresentados, assim como as justificativas pela opção metodológica. A trajetória de vida de uma pessoa revela a motivação de suas ações no presente. Vez por outra caminhos tortuosos convergem e obstáculos passageiros apontam novos caminhos. Em 1972, recém chegado ao Exército fui designado instrutor da Escola Regimental, destinada à alfabetização de soldados e moradores da vizinhança. A professora responsável, seguidora do método de Paulo Freire, envolveu-me no processo de tal forma que ao final da primeira turma de alfabetizados, estava encantado pela Educação. Mas, o preço foi imediata mudança de função, indo auxiliar na instalação do parque computacional do Exército, onde assumi, entre outros o papel, de aluno de processamento de dados. O tempo seguiu seu curso e vinte e dois anos depois, dividido entre o magistério e sistemas de informações, o ápice da carreira de analista de sistemas foi atingido, em 1995, como assessor de informática da presidência de um tribunal superior brasileiro. De operador, programador, analista de sistemas, administrador de banco de dados à gerência de tecnologia da informação, foi trajetória profissional galgada na Computação, percorrida em mais de duas décadas.

(^1) GANDHI, M. Karamchand. As palavras de Gandhi. Rio de Janeiro: Record, 1984.

processo de reforma do ensino médio no Mato Grosso, apoio direto a escolas da região Sul- Matogrossense e automação de sistemas educacionais municipais. Esta vivência imersa na formação de professores não permitiu que no curso do doutoramento houvesse distanciamento da escola fundamental. Conseqüência disso, ao findar o ano letivo de 2005, discutiu-se um programa de inclusão digital junto aos pais e mestres da Escola Municipal Professora Altimira da Silva Abirached, pertencente à rede municipal de Ubatuba. Aprovado por todos os membros daquela comunidade escolar, o programa é composto por quatro projetos: 1) Planejamento e implantação de duas salas de aula informatizadas; 2) Formação e inclusão digital para pais e adolescentes egressos da escola; 3) Capacitação tecnológica dos professores em atividade naquela escola; 4) Projeto de Pesquisa “Refletindo a prática com tecnologia”. Os alunos, de primeira a quarta séries, terão contato com a tecnologia a partir das disciplinas curriculares, inclusive duas turmas de ensino especial. O poder público municipal recebeu a proposta no início de 2006 e dois anos depois concluiu a construção da obra civil das salas. Sem fonte oficial de financiamento para o desenvolvimento dos demais projetos do programa, buscaram-se então instituições privadas capazes de apoiar a idéia. Uma delas, a Fundação Itaú Social decidiu financiar o programa, doando imediatamente todo equipamento necessário. As obras de construção civil foram inauguradas em 31 de outubro de 2008 e a conclusão do programa de inclusão digital dar-se-á em 2010. O desenrolar das atividades tem sido mesclado por momentos gratificantes, como a construção de cinco salas de aula informatizadas, replicando assim nosso projeto em outras cinco escolas municipais. A pesquisa-ação ocorre paralelamente ao programa de inclusão digital da Escola Municipal Professora Altimira da Silva Abirached, tendo a

inclusão digital daquela comunidade escolar como objetivo geral e a aplicação em campo de um modelo conceitual de interatividade em meio digital como objetivo intermediário. A prática continuada na formação tecnológica de professores, por mais de uma década, levantou o que se designa no jargão científico de “inquietação intelectual”: sob a visão de teorias educacionais, há uma interatividade específica na ação pedagógica oferecida em meio digital? Este trabalho foi uma tentativa de responder tal pergunta sem a pretensão de tratar o tema à exaustão.

1.1 CARACTERIZAÇÃO DO TEMA

A proposta de teoricamente refletir sobre a expressão interatividade educativa^3 foi um esforço de reunir a ‘interação-mediação’ proposta por Lev Vygotski (1987, 1988, 1995, 2001, 2003, passim), em Teoria Sócio-Histórica com a fundamentação da ‘facilitação pedagógica’ fornecida pela Teoria da Aprendizagem Significativa de David Ausubel (1960, 1963a, 1963b, 1968, 2003, passim), tratada numa perspectiva pedagógica do planejamento de conteúdos educacionais para o emprego em meios eletrônicos digitais. Importante destacar que Lev Vygotski morreu em 1934. Portanto, antes da invenção dos dispositivos digitais, implicando assim que conceitos como interação e mediação, como entendidos à época, sejam transpostos com adaptações para o estudo em ambientes digitais. O mesmo ocorrendo com David Ausubel, cuja produção intelectual no campo da Psicologia da Aprendizagem se dá na Década de 1960. Daí em diante, Ausubel dedicou-se exclusivamente à Medicina Psiquiátrica até sua aposentadoria em 1994.

(^3) Passo a usar a expressão para me referir a uma forma específica de interatividade.

1.2 OBJETIVOS DA TESE

Objetivo geral Definir interatividade educativa quando a oferta de conteúdos curriculares se der em mídia digital e submeter o modelo a uma ação pedagógica intentando validá-lo. Objetivos Específicos

  • Analisar a literatura sobre interatividade nos campos da Computação, Comunicação e Pedagogia;
  • Definir conceitualmente interatividade educativa na ação pedagógica realizada em meio digital, contextualizada na intersecção dos conceitos de interação/mediação , advindos da Teoria Sócio-Histórico de Vygotski e seguidores, e o de facilitação pedagógica , oriundo da Teoria da Aprendizagem Significativa de David Ausubel e colaboradores;
  • Refletir sobre o emprego de meios digitais e sobre o papel do professor a partir da concepção de interatividade educativa;
  • Confrontar o modelo proposto com a realidade escolar buscando pontos fortes e fracos capazes de validá-lo ou não.

1.3 METODOLOGIA

Pedro Demo ensina que pesquisa deve ser “compreendida como capacidade de elaboração própria, a pesquisa condensa-se numa multiplicidade de horizontes no contexto científico. É comum prendê-la à sua construção empírica” (DEMO, 1996, p.18, grifo do autor). Contestando o empirismo como fonte única de pesquisa, o mesmo autor ressalta que a realidade possui horizontes não-empíricos que fogem ao escopo empírico. Sugere que a

pesquisa teórica é indispensável no preenchimento dessa lacuna, destacando sua utilização para “elaborar precisão conceitual, atribuindo significado estrito as termos básicos de cada teoria” (op. cit., p.21). Esta tese não está apoiada em dados extraídos de pesquisa empírica, mas sim no caminho inverso, conforme ensina Umberto Eco, que na pedagogia é possível elaborar uma tese com base em problema abstrato: “Um tese teórica é aquela que se propõe atacar um problema abstrato, que pode ter sido ou não objeto de outras reflexões [...]” (ECO, 2005, p.11). No presente estudo o esforço intelectual de reflexão se dá no campo teórico, para em seguida ir a campo prático. Assim, o trabalho teórico visa atingir os três primeiros objetivos específicos, reunindo e analisando a literatura afim, com vista a definir um modelo conceitual de interatividade educativa. A partir da análise realizada e com base no modelo conceitual proposto, refletir sobre o emprego de meios digitais na oferta de conteúdos curriculares e sobre o papel do professor em sua ação pedagógica empregando tais meios. Antonio Carlos Gil (1999, p.65) , com base nos procedimentos técnicos adotados, classifica este tipo de trabalho como pesquisa bibliográfica, reafirmado na mesma categoria por Antonio Raimundo Santos (1999, p.25), segundo as fontes de informação utilizadas. A proposta é buscar uma definição, se houver uma única, para interatividade educativa , sob recorte pedagógico. E, para atender ao aspecto originalidade, socorreu-se da visão de Salomon (1972, p.206), “originalidade significa, pela própria etimologia da palavra, volta às origens, que quer dizer princípio”. A originalidade que aqui se defende não se identifica, portanto, com novidade ou singularidade, mas, retorno à origem, à

podia ser diferente à época, quando o tecnicismo dominava em absoluto a teoria produzida naquela Ciência. Entretanto, uma vez professor e vivenciado o cotidiano da sala de aula, dos grupos de pesquisa e dos laboratórios experimentais, o castelo positivista onde vivia ruiu. O auditório ouvia e não entendia o discurso técnico, nem queria saber quais bases teóricas sustentavam a construção de equipamentos e programas computacionais. A platéia queria ouvir o discurso do saber fazer com, isto é, a técnhe^5 , empregar a tecnologia apresentada na ação pedagógica, estudar formas de apresentar os conteúdos de disciplinas que iriam ensinar usando aquelas tecnologias, investigar, ao se utilizar essas tecnologias em suas salas de aulas, o que mudava. Pedro Demo, dez anos depois, descreve a frustração coletiva ocorrida naqueles auditórios e indica um caminho pedagógico para sua superação: Comunicar simplesmente na sala de aula o que está na instrumentação eletrônica a cores e ao vivo, vai constituir-se, cada vez mais, em desacato ao aluno. Este espera do professor que contribua para seu esforço reconstrutivo, através da orientação dedicada e constante, avaliação processual, acompanhamento do percurso passo a passo, sinalização de outros horizontes a serem explorados , e assim por diante. (DEMO, 2005, p.201, grifo nosso) Os estudantes das Licenciaturas em Pedagogia, Letras, Matemática, Geografia, Biologia e História com os quais se trabalhou não queriam construir computadores, mas sim usá-los em suas práticas. O discurso dissertativo explicativo focado na máquina não convencia o auditório, não produzia interação entre alunos e professor, pregava-se no deserto da motivação. Diante daquela constatação, o discurso mudou de objetivo e

(^5) Técnhe vem do Grego: Estudos especializados sobre os procedimentos próprios de qualquer técnica,http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx). arte ou ofício. (Dicionário da Língua Portuguesa On-line, Porto Editora, em

transformou-se em diálogo voltado para o emprego do computador na ação pedagógica experimentada pelos licenciandos (turmas destinadas a professores “leigos” em atividade). Diante dessa transformação os estudantes, ao reconhecerem seus saberes da prática escolar, criaram relações entre o como faziam em suas aulas para apresentar os conteúdos curriculares e como poderiam fazer utilizando as tecnologias apresentadas nas aulas das licenciaturas. A partir dessa mudança de discurso foram criadas outras formas de interação entre professor-alunos, alunos-alunos e aluno-conteúdo curricular da licenciatura. Sobre a força argumentativa que o diálogo foi estabelecido entre os alunos das licenciaturas e o professor traz-se também a contribuição de Ingedore Koch ao ensinar que na interação através da linguagem “[...] temos sempre objetivos, fins a serem atingidos; há relações que desejamos estabelecer, efeitos que pretendemos causar, comportamentos que queremos ver desencadeados [...]” (KOCH, 1998, p.29). Ou seja, a intencionalidade do discurso pedagógico trouxe a força argumentativa capaz de transformar o monólogo em diálogo. Para discutir acerca de uma idéia, é necessário inicialmente situar num campo de conhecimento aquela idéia, com possibilidades de trazer contribuições de outros campos. Assim, para efeito desta tese, porque se é um educador, a Pedagogia é o campo adequado dessa argumentação, localizando o planejamento e a prática educativa como terreno de sua aplicação. Para tal, seguiu-se aqui a visão de Selma Garrido Pimenta e colegas, quando esclarecem que “o papel da Pedagogia será o de refletir para transformar, refletir para conhecer, para compreender, e, assim, construir possibilidades de mudança das práticas educativas ” (PIMENTA; LIBÂNEO; FRANCO, 2007, p. 68, grifo nosso). Busca-se em Cláudio Almir Dalbosco estabelecer preliminarmente o terreno onde essas idéias estão situadas e, em simultâneo, esclarecer a importância de praticar a