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Um trabalho de conclusão de curso para obtenção do título de licenciatura em educação física, que destaca a importância dos valores construídos por esportes coletivos na educação física. O documento utiliza teorias e documentos guias, como os parâmetros curriculares nacionais e a lei de diretrizes e bases da educação, para demonstrar a importância do professor de educação física na construção desses valores. O texto também apresenta estatísticas sobre as atividades realizadas por professores de educação física e a importância de esportes coletivos na educação física.
Tipologia: Teses (TCC)
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Não perca as partes importantes!









































Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a Universidade Estácio de Sá, como requisito parcial para obtenção do título de Graduada em Educação Física, sob orientação da Profª Dra. Ana Miragaya.
Dedicamos este trabalho a todas as pessoas que fazem parte de nossas vidas e do nosso cotidiano, como forma de retribuição e gratidão pelo apoio e incentivo recebidos. Sem vocês, não teríamos conseguido!
Agradecemos, primeiramente, a Deus, que em sua infinita bondade e proteção nos possibilitou a conquista do sonho da graduação. Obrigada por nos conceder forças em meio a tantos desafios e por sempre estar conosco! Aos nossos familiares, que nunca nos deixaram desanimar, fazendo o possível para que pudéssemos dedicar tempo ao estudo, possibilitando, assim, a conquista deste importante sonho. Aos nossos professores, ao longo de toda a graduação: vocês nos ensinaram tantas coisas, possibilitando crescimento pessoal, acadêmico e profissional. Gratidão nos define até aqui!
The present work: “The importance of the practice of team sports for the construction of values” tends to demonstrate the role of the Physical Education Professional, in the process of building values together with team sports. In this way, a new form of learning or driving is proposed, in the physical activity classes of this country, guided by actions and proposals that promote holistic, interdisciplinary, democratic and guided by citizenship. When promoting this investigation, we made use of bibliographic and descriptive research, aiming not only at compiling and selecting data made available in the current literature, but also at updating these data, in order to relativize this theme. To this end, we used the theoretical assumptions of exponents in the chosen theme, as well as guided documents such as the National Curriculum Parameters, LDB - Law of Directives and Bases of Education, National Plan of Physical Education and Sport and National Policy of Physical Education and Sport. In this way, it becomes necessary to propose a new perspective in the look destined to Physical Education classes, as well as to this professional, to this teacher, showing that the step towards the transmutation of reality: a society based on individualism and absence of alterity, there is a (de) construction of these values, taking into account the feeling of awakening the identity and the gregarious spirit. It is hoped that this research will make it possible to be a reference, to promote knowledge, learning and improvement of the discipline Physical Education, as well as a small contribution to the academic community. Keywords: Values; Collective sports; PE; Physical education teacher; Change.
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1. Apresentação do tema/contextualização O estudo em questão intitulado “A IMPORTÂNCIA DA PRÁTICA DE ESPORTES COLETIVOS PARA A CONSTRUÇÃO DE VALORES” se destina a ilustrar a importância desta modalidade de esporte, a fim de criar identificação e trabalhar o espírito gregário. Desta forma, ressalta-se a importância do profissional de Educação Física, já que irá figurar como ator principal na condução/indicação destas modalidades de atividades físicas (Souza, 2018). 2 Situação-problema Sabe-se que os esportes coletivos se pautam pelo crivo do coletivo. Vivemos em uma era repleta de ausência de alteridade, de não enxergarmos o outro, de não respeitarmos regras ou não realizarmos uma convivência harmônica em grupos (TIBA, 2012). Assim, a prática de esportes coletivos, como o futebol, voleibol, handebol e basquetebol, se traduz como uma excelente alternativa para realizar o trabalho de alteridade, de identificação e combater a ausência de valores tão evidente na pós-modernidade. Estas modalidades esportivas não foram escolhidas aleatoriamente. Representam as práticas esportivas mais utilizadas em nosso país, consoante Vasconcelos (2017). Tal fato pode ser atestado pela indisciplina escolar, que demonstra bem este comportamento calcado no individual e na dificuldade de trabalho em equipe, em grupos. (AQUINO, 1998) Uma pesquisa feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que, no Brasil, o professor perde 20% do tempo de aula, em virtude da indisciplina, apresentando o maior índice entre os países participantes do estudo. (PORTAL G1, 2015)
11 Para Gadamer (2000), o mundo atual vive um momento de crise nas relações que se caracterizam pela não aceitação das diferenças e pela práxis da homogeneização. Neste sentido, o ensino do voleibol, principalmente, com o trabalho de aplicação das regras e do trabalho em equipe, poderá servir para minimizar esta tensão e realizar o trabalho de aceitação dos pares, do outro, de identificação, de um convívio mais harmônico, pautando-se pelo acolhimento da diferença, da heterogeneidade. 3 – Questão a investigar Então, por que não se privilegia, nas unidades de ensino, os esportes coletivos como o voleibol, handebol e basquetebol e, apenas o futebol, para o trabalho da coletividade? Neste contexto de indisciplina, fragmentação, marca da atualidade, a pesquisa em andamento se debruça na seguinte questão: Como trabalhar a ausência de valores, tendo-se como pilares os esportes coletivos? 4- Objetivo
13 A Pandemia nos impossibilitou de realizar uma pesquisa de campo em uma unidade escolar, qual seja da rede municipal ou estadual, a fim de trazer dados do cotidiano, para esta pesquisa, ou optar-se por um estudo de caso. Desta maneira, utilizamo-nos da pesquisa bibliográfica e não de análises de questionários ou entrevistas, como havíamos cogitado.
8. Delimitação: Assim, nosso recorte será bibliográfico, através de pesquisa, para relativização do tema, atualização e anseio de produzir um pequeno estudo ou contributo como legado. A pesquisa em tela se valeu de material disponibilizado, como artigos e livros sobre a temática em análise, utilizando-se como ideologia os pressupostos dos autores que se traduzem como referência.
14 CAPÍTULO 2 REVISÃO DE LITERATURA Neste capítulo, abordaremos os esportes coletivos usados como recortes para a relativização/transmutação de valores, traçando-se, então, uma breve historiografia destas categorias. Consoante Araújo (2014), o vôlei foi criado em 1895, pelo americano William G. Morgan, que atuava como diretor da Educação Física da Associação Cristã de Moços (ACM) em Massachusetts, nos Estados Unidos: Morgan apresentou o jogo criado por ele em uma conferência em sua faculdade, na prática e na teoria. [...] deu uma cópia das regras para cada professor presente, e nessa mesma conferência o esporte foi batizado de volleyball. (ARAÚJO, 2014, p. 1). O Vôlei, como um esporte coletivo, é considerado fundamental para crianças e adolescentes, pois estimula o desenvolvimento psicomotor, possibilitando vivências no meio escolar e contribuindo para estabelecer a organização da imagem corporal. Para a Educação Física, todo movimento corporal pode ser pedagogicamente tematizado e desenvolvido através da aplicação dos conteúdos os esportes e os jogos coletivos. (CARVALHO E AMARO, 2017, p. 02) Em nosso país, há indícios de que o voleibol começou, em 1915, em Pernambuco. Outros estudos apontam como marco os anos de 1916/1917 pela ACM de São Paulo. A ausência de uma historiografia mais exata, robusta ou contundente já aponta para a necessidade/relevância deste tema, não só para esclarecimentos à comunidade acadêmica, mas também para a sociedade. Já o futebol foi organizado e regulamentado na Inglaterra, no ano de 1863, com a fundação em Londres da Football Association. Segundo Murad (1996, apud Ruiz, 1998, p.21), entre as décadas de 1810 a 1840, esta modalidade esportiva precisou de uma padronização e regulamentação, visto
16 Janeiro. Em 26 de dezembro de 1941, passou a ser chamada de Confederação Brasileira de Basquete através de assembleia aprovada. (Confederação Brasileira de Desportos, 2018) Figura 1: Primórdios do Basquete Figura 2: Basquetebol na atualidade Fonte: CBB (2018) Fonte: CBB (2018) Para Santos (2012), em 1930, foi realizado, em Montevidéu, o primeiro Campeonato Sul-Americano de Basquete, contando-se com a participação do Brasil. Em 1932, a Federação Internacional de Basquete foi fundada em Genebra, na Suíça. A FIBA, desde então, definiu as regras internacionais de basquetebol, especificando equipamentos, fiscalizando a transferência de atletas entre países, controlando ainda os árbitros em nível mundial, e todo investimento feito no esporte. Inicialmente, este esporte foi criado para o universo feminino, sendo as partidas disputadas ao ar livre, em campos menores e gramados. Em 1936, passou a fazer parte dos Jogos Olímpicos de Berlim. Anteriormente, o esporte era jogado com um total de 22 jogadores, 11 em cada lado. A partir de 1972, há redução do número de jogadores: sete por equipe. O Brasil sagrou-se campeão mundial feminino em 2013, mas o esporte ainda é pouco representativo no país, tendo os maiores times do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Minas Gerais. (Ministério da Educação e da Cultura, 2010)
17 De acordo com a Federação Paulista de Handebol, este esporte ficou restrito a São Paulo até a década de 1960, quando Listello apresentou esta modalidade a professores de outros estados, durante um curso internacional em Santos. Tais professores introduziram o esporte em seus colégios, iniciando-se o processo de divulgação desta modalidade esportiva em outros estados. Em 1971, o MEC (Ministério de Educação e Cultura) incluiu o handebol entre as modalidades dos Jogos Estudantis e Jogos Universitários Brasileiros (JEB’s e JUBs) e o handebol disseminou-se em todo o território nacional. (MEC, 2010) A figura a seguir, ilustra a estrutura deste esporte. Figura 3: Estrutura do Handebol Fonte: CBB (2020) Ao trabalharmos a construção de valores, trouxemos o esporte como ferramenta de ilustração, porque durante muitos anos esta ferramenta foi vista como fonte alternativa de atividade e educação física. Então, como estamos lidando com a educação de valores e a educação física, traremos alguns autores que defendem, igualmente, a necessidade de relativização do esporte e mais: que o concebem como fonte de instrução/conexão de valores, desde que esta ação não seja aleatória, mas sim respaldada pelo cuidado, critério e planejamento. De acordo com Coakley (2015, p.6), “a dimensão "salvacionista" conferida ao esporte precisa ser discutida à luz de entendimentos sobre os significados atribuídos dentro do contexto sociocultural de quem o pratica e da pedagogia utilizada no seu ensinamento, a fim de garantir os benefícios a que
19 mesmo perdura até a atualidade. Então, esta equidade de gêneros também precisa ser revista. 2.1 ESPORTES COLETIVOS PARALÍMPICOS De acordo com o Comitê Paralímpico Brasileiro, há 24 (vinte e quatro) categorias esportivas, dentro desta modalidade. A saber: Parabadminton; Basquete em CR – Cadeira de Rodas; Bocha; Canoagem; Ciclismo; Esgrima em CR; Esportes de Inverno; Futebol de 5; Futebol de 7; Goalball; Halterofilismo; Hipismo; Judô; Natação; Parabadminton; Parataekwondo; Remo; Rúgbi em CR; Tênis de mesa; Tênis em CR; Tiro com arco; Tiro esportivo; Triatlo e Vôlei sentado. Em nosso país, a história do Basquete em CR atrela-se a história do movimento paralímpico, sendo sua estreia datada em 1958, no Clube do Otimismo, no Rio de Janeiro, por iniciativa de Robson Sampaio de Almeida e pela ação do técnico Aldo Miccolis. (CPB, 2020) Ainda que seja um esporte popular, no ramo paraolímpico, o Brasil ainda não é detentor de nenhuma medalha, nesta modalidade: A estreia da Seleção masculina foi nos Jogos de Heidelberg 1972, e, da feminina, em Atlanta 1996. As melhores colocações brasileiras na modalidade foram o quinto lugar, no masculino, e o sétimo, no feminino, obtidas no Rio 2016. A Seleção feminina também conquistou a medalha de bronze nos Jogos Parapan- Americanos de Toronto 2015 e de Guadalajara 2011. (CBP,
Já o futebol de 5 é exclusivo para cegos ou deficientes visuais. As partidas são realizadas, via de regra, em uma quadra de futsal adaptada, entretanto, desde os Jogos Paralímpicos de Atenas, em 2004, têm sido, igualmente, praticadas em campos de grama sintética. Para ser goleiro, nesta
20 categoria, há o pré-requisito de ser vidente, ou seja, enxergar ou possuir visão total. (CBDV, 2020) A equipe é formada por 5 (cinco) jogadores: um goleiro e 4 que atuam na linha. Cada tempo tem 25 mim (há dois tempos), tendo-se intervalo de 10min. Junto às linhas laterais colocam-se bandas, com o intuito de impedirem que a bola saia do campo. As partidas são silenciosas: A bola possui guizos, a fim de que os atletas possam realizar a sua localização. Quanto à torcida, só é permitida a manifestação na hora do gol. Os integrantes dessa modalidade ficam com os olhos vendados, sendo caracterizado como falta, tocá-la. Se o jogador totalizar 5 infrações, é expulso automaticamente do campo, podendo haver a substituição por outro jogador. Outro integrante se caracteriza como guia (chamador), o qual se posiciona atrás do gol adversário, a fim de realizar a orientação dos demais componentes de sua equipe. Dessa forma, indica onde os jogadores devem se posicionar, bem como para onde irão chutar. Outros integrantes que realizam auxílio são o técnico e o goleiro. (CBDV, 2020) A estreia desta categoria teve como marco os Jogos Paralímpicos, em 2004, em Atenas, transformando o Brasil, em campeão, por ganhar dos argentinos de 3 a 2, nos pênaltis. Os outros 3 títulos paraolímpicos foram conquistado em Pequim, em 2008, Londres, em 2012 e, no Rio, em 2016. Neste cenário, a equipe brasileira se tornou a primeira a marcar um gol, nesta modalidade. Os atletas dividem-se em três classes, iniciando-se com a letra B (blind, cego em inglês). B1: Cegos totais ou com percepção de luz, mas sem reconhecer o formato de uma mão a qualquer distância; B2: Atletas com percepção de vultos e B3: Atletas que conseguem definir imagens. Nos Jogos Paralímpicos, competem, apenas, os atletas da classe B1. (CBDV, 2018) Como pode-se notar, ainda há muito o que ser discutido e aperfeiçoado, nesta modalidade, uma vez que a inclusão ainda não foi legitimada de forma plena: ainda há atletas e classes excluídas, marginalizadas e sem acesso a uma modalidade que deveria contemplar a TODAS as pessoas com deficiência.