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Pastejo de equinos
Tipologia: Trabalhos
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Os eqüinos, durante centenas de anos, mantiveram sua sobrevivência, tendo como fonte alimentar as pastagens naturais, que tinham, por característica, serem compostas de diferentes espécies vegetais, proporcionando aos animais grande capacidade seletiva. Assim, os animais ingeriam dieta completa que satisfazia as suas necessidades nutricionais sem a interferência humana. Com o processo de domesticação, o homem interferiu no hábito alimentar dos eqüinos (LEWIS, 2000), diminuindo a variedade de espécies forrageiras e que muitas vezes não fazem parte da dieta dos eqüinos. A conseqüência dessa realidade foi uma mudança nutricional e comportamental desses animais (FRAPE, 1986 citado por: ZANINE, 2006). As pastagens constituem a fonte de alimento mais importante para a produção de eqüinos no Brasil. Por isso o conhecimento do potencial produtivo das diversas espécies forrageiras, o estabelecimento do manejo adequado e a busca de novas alternativas aparecem como os principais pilares desse segmento (CARVALHO et al. 1999; CARVALHO et al. 2001). A produção animal com forragens é determinada pelo consumo de matéria seca, valor nutritivo da forragem e resposta do animal. O consumo de matéria seca constitui o primeiro ponto determinante do ingresso de nutrientes necessários ao atendimento das exigências de mantença e produção animal, sendo, portanto considerado o parâmetro mais importante na avaliação de pastagens devido à alta correlação com a produção animal (NOLLER et al. 1996). O animal em pastejo está sob o efeito de muitos fatores, que podem influenciar a ingestão de forragem, entre eles, sobressai a oportunidade de selecionar a dieta, pois o pastejo seletivo permite compensar a baixa qualidade da forragem, consumindo as partes mais nutritivas das plantas (OLIVO et al. 2004), entretanto comportamento seletivo promove aumento no tempo total de pastejo. Outro fator importante no manejo alimentar é o conhecimento dos ciclos diários de pastejo dos animais, pois o tempo diário despendido nessa atividade é de grande relevância em sistemas de produção a pasto. A definição dos horários em que preferencialmente os animais exercem o pastejo é importante para o estabelecimento
de estratégias adequadas de manejo, enquanto o tempo total gasto no pastejo é fator intimamente relacionado ao consumo voluntário do pasto (RIBEIRO et al. 1999). Os cavalos diferenciam-se de outros herbívoros porque são altamente seletivos, consumindo uma extensa ordem de plantas e até raízes. Utilizam como base da sua seleção a preferência e as características estruturais entre as diferentes espécies de plantas (COLLERY, 1974 citado por DITTRICH, 2007). O melhor entendimento dos hábitos ingestivos dos cavalos auxiliará a conduzir o manejo das pastagens para que se possa maximizar a utilização dos nutrientes encontrados nas forragens, aumentando os benefícios físicos e o bem estar animal, pois, quando manejadas adequadamente as pastagens podem diminuir consideravelmente os custos com a alimentação dos animais, manutenção das instalações, além de fornecer condições favoráveis para o desenvolvimento do eqüino. Face às considerações feitas, o objetivo desta revisão será abordar o hábito de pastejo de eqüinos, descrevendo a importância da estrutura da pastagem no consumo e seleção da forragem.
O comportamento de pastejo afeta a ingestão e, portanto, a performance do animal, que depende da quantidade de tempo gasto no pastejo, a taxa e o tamanho do bocado. Os bocados no limite do extrato superior da pastagem significam a colheita de alta qualidade, mas de pouca massa, enquanto os bocados mais profundos colhem mais massa, porém a qualidade do material apreendido diminui, além de aumentar o dispêndio energético desse bocado específico. Após a desfolhação seletiva, o animal modifica a composição dos tecidos vegetais remanescentes e a competição intra ou interespecífica dos constituintes da vegetação altera o ambiente do futuro bocado (CARVALHO et al. 2001; TREVISAN et al. 2004). Mudanças no meio ambiente que alterem a distribuição, a abundância, o valor nutricional e as características toxicológicas das plantas podem afetar a preferência dos herbívoros. As interações sociais do início da vida influenciam o comportamento de
realizado por eqüinos sofre interferência da espécie vegetal e de suas características estruturais. DITTRICH, J.R. et al. (2007) , observaram que as gramíneas de maior preferência apresentaram maior massa de folhas verdes em relação à massa de colmos e os dosséis altos e os perfilhos de maior altura foram mais procurados para o pastejo. Características estruturais como massa de folhas, relação folha:colmo, altura dos dosséis e das plantas, em diferentes gramíneas do gênero Cynodon, foram indicativos da preferência de eqüinos em pastejo. De acordo com FLORES et al. (1989), os animais em pastejo adaptam-se ao meio ambiente desenvolvendo suas capacidades de reconhecimento da vegetação e memorização de sua distribuição (citado por Venturi, 2004). De acordo com MAGNUSSON (1993), o comportamento ingestivo dos animais difere entre os dias e estações do ano. Durante o verão, os eqüinos descansam mais durante o dia e pastejam mais durante a noite do que no inverno (SALTER e HUDSON, 1979). Para os eqüinos, a duração das refeições está mais relacionada com a quantidade e qualidade de fibra na pastagem, uma vez que a mesma se encontra alta, os períodos de descanso entre as refeições são mais curtos (DUNCAN, 1992) (citado por Venturi, 2004). De acordo com citações de Dittrich et al. (2007), os animais são capazes de alterar seu comportamento ingestivo diante de situações restritivas, como por exemplo, após um período de privação de alimento quando, então, são capazes de aumentar sua taxa de ingestão, aumentando a massa do bocado e/ou diminuindo o tempo de mastigação (NEWMAN et al. , 1994). O comportamento de consumo dos animais está sob a influência da estrutura da pastagem e de sua heterogeneidade na distribuição espacial da vegetação, sendo a estrutura da pastagem o principal fator que afeta as variáveis comportamentais de consumo dos animais (HODGSON et al. 1994). De acordo com Forbes (1995), o fator mais importante que afeta o consumo de forrageiras é a altura da forragem disponível, que é estreitamente relacionada com a massa da forragem disponível conforme citado por Zanine et al. (2006). Vieira et al. (2006), citaram que o padrão usual de pastejo pelos eqüinos é marcado pela rápida apreensão de pequenas quantidades de forragem, a
movimentação constante para frente e a mastigação acompanhada da ingestão durante a mastigação (RALSTON, 1984). Os eqüinos, sob pastejo em pastagem de boa qualidade atendem às suas exigências nutricionais por meio da ingestão de forragem, que em condições extensivas de manejo, pode durar até 16 horas diárias (WINSKILL et al. 1996).
Conforme citado por Dittrich et al. (2007) A altura do pasto é a principal variável que determina a profundidade do bocado (LACA et al., 1992). A profundidade do bocado corresponde à diferença entre a altura inicial e a média da altura residual da mesma planta após o pastejo (UNGAR, 1996). Vários estudos vêm demonstrando que a profundidade do bocado dos eqüinos em pastejo apresenta uma relação linear com a altura dos pastos. A área do bocado é normalmente maior que a área da boca dos eqüinos, devido ao auxílio que o lábio superior proporciona na colheita da forragem, de maneira equivalente à língua dos bovinos e aos movimentos da cabeça nos ovinos (EDWARDS et al. ,1995, citado por Dittrich et al. , 2007). A formação de um bocado inclui o tempo destinado à sua procura, localização e manipulação da forragem (NEWMAN et al., 1994, conforme Dittrich et al , 2007). A manipulação do bocado é o ato de selecionar a forragem com auxílio dos lábios, principalmente o superior, cortá-la com os dentes incisivos, mastigá-la e promover a deglutição.
De acordo com Zanine et al. (2006), a taxa de bocado foi definida por Gibb et al. (1999) como a menor escala de decisão do animal, que significa a ação ou o ato de apreender a forragem com os dentes. A medida da taxa de bocados estima com que facilidade ocorrem apreensões de forragem, o que, aliado ao tempo dedicado pelo animal ao processo de pastejo, bem como a profundidade e massa de bocados integram relações planta-animal responsáveis por determinada quantidade consumida (CHACON et al. 1978; TREVISAN et al. 2004).
Os cavalos, em ambientes naturais, gastam de 60 a 70% do seu tempo pastejando, o restante do tempo é gasto, observando outros animais, acariciando-se uns aos outros, brincando ou andando à procura de novas áreas de pasto (FEIST e MeCULLOUGH, 1976; DUNCAN, 1983; SEAL e PLOTKA, 1983, citado por Vieira et al. , 2006), ou seja, permanecem em ócio. Já, quando entabulados passam a maior parte do tempo parado e desenvolvendo vícios, com pequena parte do tempo. A quantidade de matéria seca, principalmente a disponibilidade de folhas verdes, bem como sua distribuição espacial afetam o tempo de permanência na busca e colheita do alimento. Considerando que as atividades dos animais são excludentes, o aumento ou a redução no tempo de pastejo implica alterações nas demais variáveis componentes do comportamento ingestivo, como o tempo de pastejo, o ócio, atividades sociais, entre outros (CARVALHO et al. 2001). De acordo com citações de Dittrich et al. , (2007), animais em liberdade apresentam ativa ingestão de forragem nos períodos noturnos. O tempo destinado ao pastejo noturno não apresenta diferenças significativas ao do pastejo diurno, sendo que os valores encontrados mostram pequenas flutuações referentes aos indivíduos e às mudanças nas condições ambientais, mas são diferenciados dos diurnos pelo maior tempo de cada refeição (DOREAU et al. ,1980; DITTRICH, 2001; GOMES, 2004; RADÜNZ, 2005; SANTOS et al. , 2006). Durante os turnos de pastejo os animais mantêm, quase que constante, um movimento para frente, formando os bocados e mastigando-os, enquanto procuram uma nova estação alimentar. Esta movimentação é mais lenta nos sítios de pastejo de maior preferência (DITTRICH, 2001). O estado fisiológico do animal influencia no tempo destinado ao pastejo, pois éguas em lactação utilizam em média 59% do dia para o pastejo e 40% para descanso e outras atividades (RIFÁ, 1990, citado por Dittrich, et al 2007). Dittrich et al. , (2007) cita que o maior ou menor tempo de permanência dos eqüinos nas pastagens interfere no tempo médio diário de pastejo. Éguas com acesso a pastagens durante 24 horas pastejam por mais tempo, proporcionalmente, do que
éguas com acesso a pastagens durante apenas 12 horas, sendo que este comportamento foi observado tanto durante o dia quanto durante a noite (POND et al. 1993). Ferreira et al. (2005), avaliando o comportamento de eqüinos e comparando o hábito alimentar de cavalos e éguas em pastagens de tífton 85 no nordeste do Brasil, observaram que os cavalos passaram mais tempo pastejando (16,07 horas) em relação às éguas (15,57 horas) no tempo total de pastejo. Os autores ressaltaram esse comportamento pelo fato das maiores exigências calóricas dos machos. Os comportamentos de tempo de pastejo diurno e diário podem ser observados na tabela
ZANINE et al. (2005), avaliando o comportamento ingestivo de eqüinos no Centro-Oeste brasileiro, observaram que os cavalos passaram mais tempo pastejando no período diurno no pasto de Brachiaria decumbens (10,58 horas) em relação ao pasto de Paspalum notatum (7,69 horas).
Segundo citação de Dittrich et al. (2007), a estação do ano também interfere no comportamento em pastejo, alterando a preferência devido à sucessão estacional das espécies forrageiras ou modificando os padrões do período e do tempo das refeições (MAYES e DUNCAN, 1986; PUTMAN, et al. , 1987). Independente do sistema de pastejo utilizado (contínuo ou rotacionado), o tempo de duração das refeições mostra um mesmo padrão, as quais são interrompidas por intervalos curtos e ao acaso (GUDMUNDSON e DYRMUNDSSON, 1994; RADÜNZ, 2005). O consumo de pasto na presença de fezes é mais afetado que em outros herbívoros domésticos, mas os estudos ainda são pouco conclusivos.
2.4 PASTAGEM PARA EQÜINOS
Conforme citado por Venturi (2004), os eqüinos são altamente seletivos e consomem uma grande variedade de espécies forrageiras. Estes animais também
Digitaria (Capim Kikúiu) , Chloris, Paspalum, Cynodon, Panicum e Brachiaria. Entre as leguminosas encontram-se Desmodium, Glycine, Lotononis e Siratro (CARVALHO et al. , 1997, citado por Venturini, 2004).
3. CONCLUSÃO
É notório que a utilização das pastagens como alimento e fonte de nutrientes para os eqüinos traz benefícios para os animais, por respeito às características anatômicas, fisiológicas e comportamentais desta espécie. Para os criadores, a utilização da pastagem é, reconhecidamente, a forma mais econômica para alimentar eqüinos, pois o alimento é produzido no ambiente da propriedade. O que se percebe hoje, em muitas propriedades, é o manejo errôneo tanto na escolha da espécie de gramíneas para os eqüinos, quanto no próprio manejo imposto através da taxa de lotação, alterando de forma radical a estrutura do pasto, influenciando no tempo de pastejo e a frequência de bocados.
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