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Doença de Meniere e os Cuidados de Enfermagem
Tipologia: Notas de estudo
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Ana Lectícia Soares Muller Lobo Rezende Novoa Turma E
Rio de Janeiro - RJ Abril - 2014
Ana Lectícia Soares Muller Lobo Rezende Novoa Turma E
Trabalho apresentado a Professora Cláudia Ramos da Disciplina de Clínica Médica do Curso de Técnico em Enfermagem do CEBRAS RJ.
Rio de Janeiro - RJ Abril - 2014
A Doença de Ménière é uma doença do ouvido interno que foi descrita pela primeira vez em 1861, pelo otorrinolaringologista Francês, Prosper Ménière, e tem como sintomatologia a perda auditiva gradual, a presença de acúfenos (percepção auditiva de som ou zumbido no ouvido) e vertigens (tontura rotatória) severas em um ouvido sadio, e sem razão nenhuma aparente.
Mesmo após anos de investigação, as causas (etiologia) da doença ainda são desconhecidas, sendo, entretanto, aceito que em 20% dos casos, a origem da doença é hereditária, e atinge igualmente mais mulheres do que homens, podendo aparecer na idade adulta com maior frequência, em especial nos adultos entre 30 e 50 anos de idade, que são o grupo mais atingido.
Como é uma doença que pode afetar profundamente a vida pessoal e profissional do paciente, a assistência de enfermagem é essencial para a recuperação do paciente e para que aprenda a viver com a doença, uma vez que ela não tem cura, apenas tratamento de longo prazo para mitigar os sintomas.
Esses cuidados de enfermagem devem ser realizados com gentileza e precisão, visto que é uma doença ainda pouco difundida e que pode trazer preconceito ao seu portador, dificultando a adesão ao tratamento e ainda, piorando a condição do paciente com o aparecimento dos sintomas depressivos.
Se os cuidados de Enfermagem forem adequadamente administrados ao paciente, as chances de melhora dos sintomas e adesão ao tratamento serão maiores e as taxas de sucesso pós-tratamento também, independente do tipo de tratamento, seja ele medicamentoso ou combinado com cirurgia.
A doença de Ménière tem o nome cientifico de Hidropsia endolinfática, com origem no ouvido interno, de etiologia desconhecida, mas caracterizado por episódios recorrentes de vertigem incapacitante, perda auditiva progressiva e zumbido, atualmente sem cura. Na grande maioria dos casos, o distúrbio afeta apenas um ouvido, mas pode afetar os dois.
Os sintomas incluem, entre outros:
A audição do ouvido afetado tende a oscilar, mas piora progressivamente com o passar dos anos. O zumbido, constante ou intermitente, pode piorar antes, após ou durante um episódio de vertigem.
As crises de vertigem podem ser de curta ou de longa duração. Se as crises duram mais do que alguns segundos ou minutos, ou então mais do que 02 ou 03 dias, não é considerada Doença de Ménière.
Em geral, as crises são súbitas e muitos pacientes não apresentam indícios de que a crise vai surgir, enquanto outros sentem uma mudança no tom ou da intensidade do zumbido. Durante a crise, o paciente tem a sensação de rotação ou de movimento e perda de equilíbrio, tornando-se impossível manter-se equilibrado durante várias horas. Ocorrem ainda movimentos rítmicos involuntários dos globos oculares (nistagmo), o que perturba a visão do paciente, fazendo-o enxergar imagens sem nitidez.
O aparecimento do nistagmo deriva de um reflexo dos orgãos de equilíbrio do ouvido interno. Quando fazemos uma pessoa rodar sobre si mesma (sobre o próprio eixo),
Para o diagnóstico da Doença de Ménière, a Academia Americana de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço estima que sejam necessários o aparecimento dos seguintes sintomas:
Pode ser também necessário a realização de exames complementares para fechar o diagnóstico, como o exame otoneurológico (para avaliar a função do labirinto); a Ressonância Magnética; a eletrococleografia (para avaliar a função coclear, é mais indicada para diagnóstico e monitoramento da Doença de Méniere), para esclarecer a causa da doença ou excluir outras doenças que tenham sintomas semelhantes.
O labirinto membranoso é preenchido por um líquido denominado endolinfa. Externamente a esta membrana do labirinto, entre a membrana e o osso, existe outro líquido, a perilinfa. A endolinfa é continuamente produzida e absorvida, em decorrência de uma alteração na sua absorção, ocorre o conseqüente aumento de
sua quantidade, sendo este o mecanismo da doença de Ménière, por isto denominada de hidropsia endolinfática.
Na crise ocorre uma ruptura da membrana do labirinto, devido ao excesso de endolinfa e a sua comunicação com a perilinfa e, como ambas possuem concentrações de sódio e potássio bastante diferentes entre si, a ruptura da membrana leva a mudança nestas concentrações e a uma alteração no estímulo do nervo vestíbulo-coclear, gerando a crise de vertigem e demais sintomas auditivos.
O tratamento para a doença de Ménière é feito através de medicamentos tanto para os momentos de crise quanto para a fase crônica, e, em alguns casos, cirurgia. A fisioterapia para a reabilitação do labirinto, responsável pelo equilíbrio, também pode ser de grande ajuda para o paciente.
O tratamento medicamentoso da doença de Ménière na fase aguda (crise) é realizado com a prescrição de Diazepam ( Valium ; benzodiazepínico usado como ansiolítico, anticonvulsivante, relaxante muscular e sedativo) em combinação com o Dimenidrinato ( Dramin ; antiemético e antivertiginoso) e/ou Ondansetrona ( Nausedron ; antiemético que é utilizado para controlar náuseas e vômitos fortes) IM, à escolha do médico.
Na fase crônica pode-se utilizar o Dicloridrato de Betaistina ( Labirin ; antivertiginoso que melhora a microcirculação do ouvido interno) juntamente com o Clonazepan ( Rivotril ; benzodiazepínico que funciona inibindo levemente as funções do SNC, com ação anticonvulsivante, sedação, relaxamento muscular e efeito tranquilizante), para diminuir os sintomas da doença.
Existe também a hipótese de aplicação intratimpânica de antibióticos (gentamicina), caso os sintomas não diminuam, como complementação ao tratamento na fase crônica.
Os cuidados dispensados pela equipe de Enfermagem podem fazer a diferença entre a adesão do paciente ao tratamento e sua melhora terapêutica, e o abandono deste com a progressiva piora dos sintomas, acrescidos de depressão.
Estes cuidados consistem em:
A equipe de enfermagem também deve estar atenta à resposta do paciente à administração dos medicamentos e a introdução da dieta e da fisioterapia, verificando a manutenção ou não das crises e demais sintomas.
Dentro dos cuidados de enfermagem, o Planejamento de metas para o paciente é essencial, e compreende o alívio dos sintomas da vertigem, das náuseas e do mal-
estar, o repouso adequado, a melhora do humor do paciente, a adesão à dieta, além do monitoramento de complicações decorrentes da medicação e da própria doença; sendo importante também ensinar o paciente a manter as rotinas de autocuidado no pós-alta do tratamento, em especial ao atentar para as crises de vertigem (que pode levar a quedas e fraturas).
Quando um paciente é portador de uma doença do tipo incapacitante, e na qual perde o controle do próprio corpo (equilíbrio), sofre muito com os efeitos desta síndrome em sua vida, podendo tornar-se recluso e depressivo em função destes sintomas, inabilitando-o para as atividades de vida diárias; razão pela qual, muitos
Material da Internet PEREIRA, Cristiana B. Site sobre Vertigem e Tontura. Doença de Meniere. Disponível em . Acesso em: 02 abr.
VARELA, Drauzio. Síndrome de Ménière (Hidropsia endolinfática). Disponível em < http://drauziovarella.com.br/letras/h/sindrome-de-meniere-hidropsia-endolinfatica/ >. Acesso em: 02 set. 2014.
Site TUA SAUDE. Doença de Meniere. Disponível em: < http://www.tuasaude.com/ sintomas-da-doenca-de-menier/> Acesso em: 02 abr. 2014.
WIKIPEDIA. Síndrome de Ménière. Brasil, 2014. Disponível em < http:// pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_M%C3%A9ni%C3%A8re> Acesso em: 02 abr. 2014.